Gomes de Brito, o olisipógrafo criador dos estudos toponímicos

Gomes de Brito - rua

Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias)

Considerado por Luís Pastor de Macedo como o criador dos estudos toponímicos na Olisipografia, Gomes de Brito foi perpetuado pela autarquia lisboeta a partir de uma proposta do jornalista e membro da Comissão Municipal de Toponímia Appio Sottomayor, cabendo-lhe pelo Edital de 16 de setembro de 2009 o Impasse projectado à Avenida Dr. Arlindo Vicente, em Marvila.

Alfacinha de nascimento e vivência, José Joaquim Gomes de Brito (Lisboa/12.10.1843 – 1923/Lisboa), diplomado com o Curso Superior de Letras, foi funcionário da Câmara Municipal de Lisboa e, a partir de 1876 e ao longo da sua vida foi coligindo apontamentos e histórias sobre múltiplas ruas da cidade tendo assim publicado em 1911 Lisboa do Passado, Lisboa dos Nossos Dias. António Baião, diretor da Torre do Tombo, reuniu os verbetes de Gomes de Brito e publicou-os após a morte deste numa edição de 3 volumes intitulada Ruas de Lisboa, na qual também incorporou «Os Itinerários de Lisboa» que haviam sido publicados em 1900 na Revista de Educação e Ensino. Curiosamente, esta obra póstuma tornou-se a mais conhecida de Gomes de Brito e ainda serviu de base para Luís Pastor de Macedo construir na década de 40 do século XX uma obra mais cuidada e completa sobre a toponímia alfacinha: Lisboa de Lés a Lés.

Gomes de Brito foi também quem identificou João Brandão como o autor de Tratado de Majestade, Grandeza e Abastança da Cidade de Lisboa na 2ª Metade do Século XVI, obra da qual  fez 800 anotações. De igual modo se debruçou sobre monumentos lisboetas como as Igrejas da Conceição Velha, da Madre de Deus e de S. Roque, o Convento das Flamengas, para além de ter publicado inúmeros artigos de olisipografia como «Subsídios para a História das Paróquias de Lisboa» (1893), «Lisboa 1578 a 1583 – Cartas de Filipe Sassetti» (1893), «A Cidade de Lisboa em 1565» (1897), «S. Roque e a Misericórdia» (1895) ou a obra Os remolares : o que fossem, onde e quando começam a ser denominação de um sítio de Lisboa (1899), e outros como «Jacome Ratton, a Indústria e os homens do seu tempo» (1882), «Arqueologia Musical» (1904) ou Notícia de Livreiros e Impressores de Lisboa na 2ª Metade do Século XVI (1911). 

Gomes de Brito foi ainda sócio fundador da Sociedade de Geografia, membro da Academia das Ciências de Lisboa e sócio honorário da Associação Industrial Portuguesa.

Freguesia de Marvila (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias)

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