A Rua Margarida de Abreu, o 1º topónimo de Dança em Lisboa

Freguesia do Areeiro
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Margarida de Abreu, considerada a «mãe» da dança portuguesa, através da Rua com o seu nome na freguesia do Areeiro e a legenda «Professora de Dança/1915 – 2006», é também o 1º topónimo ligado à Dança na cidade de Lisboa e faz sentido evocá-la aqui hoje quando passam onze anos sobre o seu falecimento.

O topónimo resultou de um sugestão de António Laginha , a que a Comissão Municipal de Toponímia deu parecer favorável, passando a proposta, aprovada na sessão de Câmara de 26/10/2016 e ficando pelo Edital municipal de 10/11/2016 estabelecida a Rua Margarida de Abreu na Via projetada “B” à Avenida Almirante Gago Coutinho.

Margarida de Abreu por Eduardo Malta

Margarida Hoffmann de Barros Abreu Salomão de Oliveira (Lisboa/26.11.1915 – 29.09.2006/Lisboa) fez uma carreira de professora de dança, coreógrafa e diretora artística, tendo tido um importante papel num período em que a pedagogia e a profissionalização no bailado em Portugal eram praticamente inexistentes. Exerceu como Professora do Curso de Bailarinas e do Curso de Teatro do Conservatório Nacional (de 1939 a 1986) e do Centro de Estudos de Bailado do Instituto de Alta Cultura, vulgo Escola do Teatro de S. Carlos (de 1964 a 1972), sendo conhecida pelos seus alunos como Dona Margarida.  Ainda como professora, realizou dois estágios, em 1947 e em 1948, na escola do Sadler’s Wells, hoje Royal Ballet School.

Em paralelo, criou o seu estúdio de ensino e companhia de bailado, o Círculo de Iniciação Coreográfica (CIC), em funcionamento de 1944 a 1960, de onde saíram os Bailados Margarida de Abreu, o Bailado em Acção e o Grupo Studium, assim como surgiram criadores como Águeda Sena, Armando Jorge, Carlos Trincheiras, Fernando Lima, Jorge Trincheiras, Olga Roriz e Vasco Wellenkamp, entre muitos outros. Desempenhou também um papel de mecenas ao proporcionar a vinda a Lisboa de alguns vultos do bailado internacional para trabalhar com o CIC, bem como  períodos de aperfeiçoamento artístico no estrangeiro a alguns alunos. Entre 1960 e 1975, de parceria com o seu discípulo Fernando Lima, também exerceu as funções de diretora artística do Grupo de Bailados Portugueses Verde Gaio.

Coreografou inúmeros bailados, logo desde 1943, de que são exemplo  Bailado Setecentista (1943), O Pássaro de Fogo (1946), Clair de lune (1952), Ab Initio (1953), Prólogo Galante (1961), Festa na Aldeia (1965),  A menina dos Olhos verdes (1971), com música de Bach, Britten, Carlos Seixas, Chopin, Cláudio Carneyro, Debussy, Dvorak, Elvira de Freitas, Ivo Cruz, Jayme de la Téy Sagán, Luís de Freitas Branco, Mahler, Mendelsshon, Mozart,  Mussorgsky, Ruy Coelho, Schumann, Stravinsky, Tchaikovsky, bem como diversas peças do Teatro Nacional de S. Carlos e uma opereta de grande sucesso no Teatro Monumental, As Três Valsas, estreada em 8 de novembro de 1951. No cinema, foi coreógrafa de três filmes de Manoel de Oliveira: Amor de Perdição, Francisca e Os Canibais.

Nascida em casa, no 3º esquerdo do nº 79 da Avenida Duque de Ávila, filha da professora suíça Anna Helena von Hoffmann e do advogado António de Barros Mendes de Abreu, começou na Dança com a rítmica dalcrozeana através da inglesa Cecil Kitkat e da grega Anastasia, em Lisboa, após o que se graduou no Institut Jacques Dalcroze de Genebra, em  1937, tendo ainda complementado os seus estudos na Deutsche Tanz Schule de Berlim e na Hellerau Laxemburg Schule de Viena.

Refira-se que era irmã da pianista Maria Helena de Freitas Branco e cunhada do musicólogo João de Freitas Branco, bem como foi casada com o escultor João Salomão de Oliveira, um seu aluno, e mãe da professora Margarida Carmo e da bailarina Maria João Salomão.

Margarida Abreu foi agraciada com a Ordem de Instrução Pública e o Troféu da Casa da Imprensa (1979), a Medalha Almeida Garrett (1980), o Troféu do Jornal Sete (1988), a Medalha de Mérito Artístico do Conselho Brasileiro da Dança e  o Troféu Verbo(1990), uma edição de selos dos CTT-Correios de Portugal (2006)  e  a título póstumo, com a Medalha Municipal de Mérito da Câmara Municipal de Lisboa, grau ouro ( 2007).

Freguesia do Areeiro
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua Bernardo Lima, do professor de agronomia e veterinária Silvestre

Freguesias de Santo António
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Silvestre Bernardo Lima, professor de Zootecnia e de Higiene no Instituto de Agronomia e Veterinária no séc. XIX, está desde 8 de junho de 1903 inscrito na toponímia de Lisboa,  na artéria sita entre a Rua Bernardim Ribeiro e a Avenida Duque de Loulé, como Rua Bernardo Lima, paralela à Rua Ferreira Lapa de um seu condiscípulo e amigo, atribuída na mesma altura e ambas hoje território da freguesia de Santo António.

(Foto: Joshua Benoliel, cerca de 1914, Arquivo Municipal de Lisboa)

Sylvestre Bernardo Lima (Alpiarça/01.04.1824 – 10.09.1893/Lisboa) foi um agrónomo e veterinário que exerceu funções como lente de Zootecnia e de Higiene, no Instituto Geral de Agricultura como então se denominava, durante 30 anos. Desenvolveu intensa actividade pedagógica e científica sendo na época o maior especialista português em  zootecnia, para além de ter organizado o recenseamento geral dos gados em 1870. Bernardo Lima, como o seu condiscípulo e amigo João Ignácio Ferreira Lapa, transitaram do Corpo Docente da antiga Escola Veterinária Militar na Rua do Salitre para o então novo Instituto Geral de Agricultura. No ano letivo de 1878/79 também desempenhou as funções de Diretor Interino do Instituto. Terminou a sua carreira docente em 1881 por em março ter sido nomeado Diretor Geral da Agricultura, Comércio e Indústria no Ministério das Obras Públicas, substituindo Morais Soares que falecera, onde se manteve até à aposentação em 25 de julho de 1886.

Da sua vasta obra publicada destaquem-se Estudos hípicos (1858-1878), Tabela do resultado do estudo das lãs portuguesas (1862), Doenças da oliveira, laranjeira e sobreiro do Sul de França (1865), Bibliografia agrícola (1878) ou Chá do feno (1879), bem como o primeiro manual de divulgação agrícola escrito em língua portuguesa e acessível ao grande público,  o Catecismo Popular de Agricultura (1856), elaborado em conjunto com Ferreira Lapa. Em paralelo, foi um colaborador assíduo da revista Portugal e Brasil , bem como do Jornal Oficial de Agricultura (1880) e do Archivo Rural, que em 1858 fundara de parceria com Ferreira Lapa, José Maria Teixeira e Elvino de Brito, sendo a 1ª publicação periódica portuguesa dedicada à agricultura.

Ainda desempenhou funções como vice-Presidente do Conselho Especial de Veterinária e vogal da Secção de Agricultura do Conselho Geral do Comércio Industria e Manufaturas.

Bernardo Lima viveu os seus últimos anos no Bussaco, responsável pela Intendência das Matas do Reino e foi agraciado como Cavaleiro da Ordem de Cristo (1862), como Conselheiro (1877), assim como com a colocação de um busto na Escola de Medicina Veterinária, da autoria de Costa Mota (sobrinho), tendo ainda a mesma Escola  celebrado o centenário do nascimento deste professor em 1924.

Freguesias de Santo António
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

A Rua do Conselheiro Mariano de Carvalho, professor da Escola Politécnica

Freguesia dos Olivais
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Mariano Cirilo de Carvalho, professor de Matemática da Escola Politécnica, jornalista e político, foi consagrado ainda em vida, dez meses após se demitir do cargo de Ministro da Fazenda, na Rua do Conselheiro Mariano de Carvalho, na última década do século XIX, nos  Olivais, artéria que hoje começa hoje junto ao nº 365 da Avenida Infante Dom Henrique  e se estende até à Praça da Viscondessa dos Olivais (em virtude de alterações urbanísticas ocorridas na zona foi eliminado o troço entre a Avenida Infante Dom Henrique e a Avenida D. João II).

Foi por deliberação camarária de 25 de novembro de 1892 e consequente Edital municipal de dia 30 que a Rua Direita, que da Praça da Viscondessa dos Olivais seguia para o nascente até à Praia do Tejo, se passou a denominar Rua do Conselheiro Mariano de Carvalho, tendo o mesmo Edital  consignado também em Ruas da mesma freguesia os nomes de Conselheiros de Estado que haviam sido ministros ou governadores na mesma época, a saber, a Rua do Conselheiro Dias Ferreira, a Rua do Conselheiro Ferreira do Amaral, a Rua do Conselheiro Lopo Vaz e a Rua do Conselheiro Teles de Vasconcelos.

N’ O Berro, 29 de março de 1896,  caricaturado por Celso Hermínio

Mariano Cirilo de Carvalho (Alenquer-Abrigada/25.06.1836 – 19.10.1905/Estoril), formado em Farmácia e em Matemática pela Escola Politécnica de Lisboa, distinguiu-se como  professor de Matemática dessa mesma Escola a partir da década de sessenta do séc. XIX, tendo sido também vogal do Conselho Superior de Instrução Pública.

Mariano de Carvalho foi  também jornalista, começando logo a partir de 1864 no Gazeta de Portugal mas chegou até a fundar títulos como o Notícias, o Novidades, o Correio Português e o Diário Popular. Em paralelo, ainda se dedicou à tradução, tendo sido o primeiro tradutor para português de Júlio Verne (nas obras Aventuras de três russos e de três ingleses,Viagem ao centro da terra, O país das peles, A galera Chanceler).

Filiado no Partido Reformista foi deputado de 1870 a 1880, eleito pelos círculos da Chamusca, do Porto, de Timor e do Cartaxo, tendo em 1900 sido deputado independente. Em 1876, por fusão do Reformista com o Partido Histórico, passou a representar o Partido Progressista. Foi ainda Ministro da Fazenda (1886-1889; 1891-1892) com José Luciano e com João Crisóstomo, época que publicou as obras Reorganização das Finanças Portuguesas – Relatório e Proposta de Lei (1887),  A Questão dos Tabacos (1889) e Os Planos Financeiros (1893).

Mariano de Carvalho conseguiu ainda ser o Comissário português à Exposição de Paris de 1890, presidente da Câmara Municipal de Setúbal e Comissário régio no Banco Nacional Ultramarino.

Por último, refira-se que Mariano de Carvalho foi um empenhado defensor da construção da linha de caminho de ferro para Cascais, tendo mesmo apresentado um plano de construção de um porto franco naquela vila, bem como de uma linha férrea que pela Quinta Marinha, seguisse até Colares.

Freguesia dos Olivais
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do mestre de música Marcos Portugal

Freguesias da Misericórdia e de Santo António
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Mestre de Música de princesas e príncipes, Marcos Portugal ficou perpetuado na antiga Rua da Conceição, a ligar a Praça das Flores à Rua da Imprensa Nacional, num dos primeiros Editais municipais de toponímia após a implantação da República.

Pelo Edital de municipal de 7 de agosto de 1911, junto com mais 43 topónimos, a antiga Rua da Conceição que pelo Edital do Governo Civil de 01/09/1859 se tornara Rua de Nossa Senhora da Conceição passou a ser a Rua Marcos Portugal, com a legenda «Músico Compositor/1762-1830». Todavia, após a criação da Comissão Municipal de Toponímia na edilidade lisboeta, em 1943, foi esta Comissão de parecer que a legenda fosse  suprimida, na sua reunião de 16/12/1946, o que foi homologado pelo Presidente da Autarquia em 20/12/1946.

O homenageado é Marcos António da Fonseca Portugal (Lisboa/24.03.1762 – 07.01.1830/Rio de Janeiro) que se distinguiu como organista, maestro e prolífico compositor, com mais de 70 obras dramáticas, cerca de 40 óperas e mais de 140 obras religiosas, tendo ficado conhecido no estrangeiro como Marco Portogallo.

Marcos António estudou composição desde os 9 anos, com João de Sousa Carvalho, no Seminário da Patriarcal de Lisboa, assim como canto e órgão. A partir de 1782, Marcos Portugal iniciou uma longa colaboração com a Família Real, desde a encomenda de música religiosa para as festividades nas Capelas Reais. Aliás, as suas 3 obras sacras mais conhecidas mantiveram-se no repertório durante cerca de um século: a Missa Grande (c. 1790), as Matinas da Conceição (1802) e o Te Deum (1802). De 1783 a 1792  foi organista e compositor da Sé Patriarcal de Lisboa, acumulando com o lugar de Mestre de Música do Teatro do Salitre, a partir de 1784 ou 1785, onde compôs vários entremezes, óperas portuguesas com libretos italianos traduzidos e elogios para festejar os aniversários de Pessoas Reais.

Em 1792 partiu para Itália, onde compôs 21 óperas, cujo sucesso rapidamente lhe granjeou fama internacional. Depois de uma breve visita a Lisboa em 1795, voltou em 1800, época em que se tornou professor dos príncipes, mestre do Seminário da Patriarcal e maestro do Real Teatro de S. Carlos até ao Carnaval de 1807, ano em que se destacou pela enorme quantidade de obras religiosas que compôs utilizando os 6 órgãos de Mafra, numa altura em que o Príncipe Regente (futuro D. João VI) e a corte residiam no Palácio.

Em novembro de 1807, quando as tropas de Napoleão entraram na capital portuguesa, Marcos Portugal permaneceu em Lisboa, reescrevendo a ópera Demofoonte para o aniversário do Imperador francês a 15 de agosto de 1808 e depois, até janeiro de 1811, foi intermitentemente maestro no Real Teatro de S. Carlos. O Príncipe Regente chamou-o para o Rio de Janeiro, onde a Família Real residia desde março de 1808 e para lá foi em 11 de junho de 1811, nomeado Mestre de Música de Suas Altezas Reais e Compositor Real oficial. Dedicado sobretudo à música religiosa, recebeu a Comenda da Ordem de Cristo em 1820, na data de aniversário do Príncipe Pedro. Quando a Corte portuguesa retornou a Lisboa, em 1821, Marcos manteve-se ao serviço do seu aluno, o Príncipe Pedro, que viria a ser D. Pedro I, o Imperador do Brasil, pelo que em setembro de 1822 compôs o Hino da Independência do Brasil e a 10 de dezembro de 1824 foi confirmado como Mestre de Música das princesas.

Freguesias da Misericórdia e de Santo António
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do professor republicano Augusto José Vieira

Freguesia da Penha de França
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Com a legenda «Jornalista, Professor e Valoroso Apóstolo do Livre Pensamento/1861 – 1918» foi  o professor de ensino básico Augusto José Vieira inscrito na toponímia da cidade em 1926 , na freguesia da Penha de França, junto com Feio Terenas e Borges Graínha.

O Edital de 15 de maio de 1926 que colocou a Rua Augusto José Vieira na Rua nº 2 do Bairro Lamosa referia que «Faço saber que o Senado Municipal, em sessão de 30 de Abril próximo findo, prestando homenagem aos saudosos cidadãos Augusto José Vieira, José Maria de Moura Barata Feio Terenas e Manuel Borges Grainha, que foram três infatigáveis propagandistas do ideal republicano e do livre pensamento, resolveu que ás ruas particulares nºs.2, 3 e 4 do Bairro Lamosa, sejam dadas, respectivamente, as seguintes denominações: Rua Augusto José Vieira / Jornalista, professor e valoroso apóstolo do livre-pensamento – (1861 – 1918); Rua Feio Terenas/ Jornalista e propagandista do ideal republicano – (1847-1920); Rua Borges Grainha / Erudito professor e notável propagandista do livre-pensamento – (1860-1925)».

Freguesia da Penha de França – Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Augusto José Vieira (Funchal/02.10.1861 – 01.02.1919/Lisboa) veio para Lisboa veio em 1877, para se inscrever na Escola do Exército, mas acabou por trocar a carreira militar pela docência que exerceu até ao final da sua vida.

Em paralelo, logo desde esse ano de 1887, participou nas reuniões republicanas do Pátio do Salema e empenhou-se na luta pela implantação do regime republicano em Portugal sobretudo, proferindo muitas conferências.  Em 1909 começou a publicar a sua História do Partido Republicano Português, da qual saíram apenas 3 volumes. Foi ainda presidente da Associação do Registo Civil e secretário da Federação do Livre Pensamento, tendo em outubro de 1913 integrado a organização do Congresso Internacional do Livre Pensamento, que decorreu em Lisboa, com Tomás da Fonseca, António Aurélio da Costa Ferreira, João Camoesas, Ana de Castro Osório e Teófilo Braga.

Por uma questão de desambiguação refira-se que este Augusto José Vieira  inscrito na toponímia lisboeta não é o seu homónimo, solicitador que em 1 de novembro de 1908 foi eleito Vereador pelo 3º Círculo, na 1ª Vereação Republicana da Câmara da Capital.

Augusto José Vieira também ficou conhecido como jornalista que trabalhou desde a sua fundação para o jornal O Mundo, na artéria que ostentou o nome do jornal e hoje conhecemos como Rua da Misericórdia  para além de ter colaborado no semanário de caricaturas Xuão.

Freguesia da Penha de França
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Praça Sócrates da Costa no Beato

Freguesia do Beato
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Na freguesia do Beato está a Praça Sócrates da Costa que homenageia o licenciado em Direito que também foi professor liceal, consagrado com a legenda «Figura de relevo da Índia Portuguesa/1898 – 1959» desde janeiro de 1960.

Foi pelo Edital municipal de 2 de janeiro de 1960 que a Praceta I à Calçada do Carrascal passou a ter a denominação de Praça Sócrates da Costa, em homenagem a Jerónimo Salvador Constantino Sócrates da Costa (Margão – Índia/28.03.1898 – 10.11.1959/?), licenciado em Direito que prosseguiu uma carreira profissional como professor do ensino secundário, notário e subdelegado do Procurador da República da Comarca de Caminha e, após se ter fixado na Índia, como notário da Comarca de Goa.

Na política, ocupou os cargos de  Vogal da Comissão Distrital da União Nacional de Viana do Castelo, Presidente da Comissão Provincial da União Nacional da Índia, Comissário Colonial e Comissário Nacional Adjunto da Mocidade Portuguesa da Índia, Presidente da Câmara Municipal de Goa, e deputado parlamentar da Índia nas V (1949-1953), VI (1953-1957) e VII Legislaturas (1957-1961).

Deixou publicações várias como a da sua Conferência no Instituto Vasco da Gama intitulada «O Estado Novo e a Constituição Política da República Portuguesa» (1940), «Goa na História da Civilização» (1947) editada pela Repartição Central de Estatística e Informação de Goa ou a obra que compila os seus discursos proferidos enquanto deputado da então Índia portuguesa na Assembleia Nacional – «Índia: discursos proferidos na Assembleia Nacional em 1 de Março de 1950» -, publicada pela União Nacional.

Foi casado com Maria Adosinda Guimarães Mendes, a quem o Decreto-Lei  43970 ( de 19/10/1961) atribuiu uma pensão mensal vitalícia de 5 mil escudos.

Freguesia do Beato
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

A Rua Câmara Reis da Seara Nova e professor de Línguas

Freguesia do Parque das Nações
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Luís da Câmara Reis, um dos fundadores da revista Seara Nova e também professor liceal de línguas, está perpetuado desde 1978 numa rua  da Quinta das Laranjeiras à Estrada de Moscavide, hoje território da freguesia do Parque das Nações.

A sugestão nasceu de uma carta de Adelino Martins Simão que propunha também a consagração na toponímia de Lisboa dos nomes de Adolfo Casais Ribeiro, António Sérgio, Carlos Cal Brandão, Emídio da Silva, General Ferreira Martins, José Lopo de Oliveira, José Maria Barbosa de Magalhães, José Régio, Julião Quintinha, General Norton de Matos, Raúl Proença, Ricardo Covões, Rocha Martins, Rocha Saraiva e a atribuição de uma Praça de Lisboa e uma Praça de Portugal. E perante a necessidade de serem dados topónimos para os arruamentos Quinta das Laranjeiras à Estrada de Moscavide, a Comissão Municipal de Toponímia propôs que as Ruas C e I passassem a ser a Rua Câmara Reis, as Ruas D e J fossem integradas na Rua Dr. Rui Gomes de Oliveira, para além de propor a atribuição das Ruas Manuel Mendes (Ruas H e B), Padre Joaquim Alves Correia (Ruas G e A), Padre Abel Varzim (Rua F) e o Largo Ramada Curto (Impasse G), sendo todos estes topónimos ficados pelo Edital municipal de 27 de fevereiro de 1978.

Luís da Câmara Reys (Lisboa/20.04.1855 –  1961/Estoril), licenciado em Direito, foi professor liceal de língua portuguesa e língua francesa, jornalista e um republicano defensor da democracia em Portugal.

Integrou o grupo de intelectuais que em 1921 fundou a revista Seara Nova que também dirigiu, sendo o seu esteio durante 40 anos. Já antes tinha dirigido a  Mocidade (1899-1905), A República Portuguesa (1910-1911) e com Raúl Proença, Jaime Cortesão e António Sérgio participado na fundação da Renascença Portuguesa (1911). Colaborou também em O País, Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro, Arte e Vida ou A Farsa.

Câmara Reis participou empenhadamente no Programa Mínimo de Salvação Pública de 1922, na formação da União Cívica como grande frente de intelectuais reformadores e na Carta Aberta ao Presidente Teixeira Gomes  (1923), no Apelo ao Presidente Bernardino Machado (1925) e  na Semana de Propaganda Antifascista de março de 1926, tendo com Rodrigues Miguéis, sido um dos dois oradores da Seara Nova na sessão final no Ginásio do Liceu Camões, integrando a Comissão Central do MUD (1945), na candidatura de Norton de Matos (1949), na candidatura de Humberto Delgado (1958) e como candidato da Oposição Democrática nas eleições legislativas de 1961.

Das suas obras publicadas, para além de livros escolares destacamos os fascículos Vida Política (1911), Contos de Março,  Aspectos da Literatura Portuguesa (1919), os 6 volumes de As Questões Morais e Sociais na Literatura (1940-1943), o livro de crónicas Paris e Divagações Musicais – dos Trovadores a Villa-Lobos (1944).

Casou com a cantora e musicóloga Ema Romero Santos Fonseca, com quem também realizou palestras de cultura musical.

Freguesia do Parque das Nações
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do Professor de Medicina Tropical e de Letras Silva Teles

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Professor de Medicina Tropical e do Curso Superior de Letras que também foi Reitor da Universidade de Lisboa (1928) e Ministro da Instrução Pública (1929), o Dr. Silva Teles está inscrito na toponímia das  Avenidas Novas desde a publicação do Edital municipal de 17 de abril de 1934, a ligar a Rua Tenente Espanca à  Rua da Beneficência.

Francisco Xavier da Silva Teles (Goa/02.09.1860 – 21.05.1930/Lisboa) que fixou residência em Lisboa no ano de 1900, enquanto docente exerceu como professor da cadeira de Higiene e Climatologia na Escola de Medicina Tropical desde 1902, como professor das cadeiras de Geografia (1904), Geografia Económica Geral e Especial, Geografia Económica de Portugal e suas Colónias e Geografia Económica do Brasil, no Curso Superior de Letras. Em 1911 passou a acumular como professor do Instituto Superior do Comércio de Lisboa e em 1927 foi também professor da cadeira de Administração Colonial, cargo que acumulou com os de diretor da Escola de Medicina Tropical de Lisboa para no ano seguinte, a 24 de fevereiro, ser nomeado Reitor da Universidade de Lisboa e no ano que se seguiu, Ministro da Instrução Pública, de 8 de julho a 11 de setembro, já que demitiu por discordâncias de orientação política.

Formado em medicina na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa (1880), tornou-se Médico Naval, tendo começado em Moçambique, fundado o laboratório bacteriológico do Hospital da Marinha em 1895 e terminado com o posto de Capitão-de-mar-e-guerra (1918).

Estudou na École d’Anthropologie de Paris, onde se aperfeiçoou em técnicas antropométricas, tendo publicado diversos estudos e regido um curso de Antropologia na Academia de Estudos Livres de Lisboa, para o qual preparou um programa de observações antropológicas que a Sociedade de Geografia de Lisboa usou depois em trabalhos de campo na Serra da Estrela, associação sob a égide da qual organizou o I Congresso Colonial (1901), temática em que também tinha estudos publicados.

Refira-se ainda que  Silva Teles foi deputado do Partido Progressista e em 1908, um dos fundadores da Liga de Educação Nacional, assim como foi Secretário Geral da Sociedade de Geografia durante 12 anos e Sócio Correspondente da Academia de Ciências de Lisboa. Em 1924 também participou no Guia de Portugal dirigido por Raúl Proença.

Agraciado foi com os graus de Cavaleiro, Oficial e Comendador da Ordem Militar de Avis (1919), com o grau de Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, para além da Medalha de Prata de Comportamento Exemplar, da Medalha de Ouro de Comportamento Exemplar e da Medalha de Bronze de Filantropia e Caridade.

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do Professor da António Arroio, Cipriano Dourado

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O pintor e professor da Escola de Artes Decorativas António Arroio, Cipriano Dourado, está desde o ano do seu falecimento consagrado numa artéria do Lumiar, tendo sido acompanhado no mesmo Edital municipal pelo também pintor José Escada.

A partir da Proposta nº 13/81, aprovada em reunião de Câmara de 23/03/1981, foi o nome de Cipriano Dourado dado ao arruamento de ligação da Rua Francisco Stromp ao Campo Grande (incluindo o troço norte-sul da Rua Actor António Silva), o que foi fixado pelo consequente Edital de 4 de dezembro de 1981. Por esse mesmo edital e na mesma freguesia, mas na zona de Telheiras, foi inscrito também numa rua o nome do pintor José Escada.

Cipriano Dourado (Mação- Penhascos/08.02.1921 – 17.01.1981/Lisboa) foi um artista que se dedicou à gravura, ao desenho, à ilustração, à pintura e à aguarela, tendo como os temas mais frequentes da sua obra a mulher e a terra. Por alguns foi considerado neorrealista, nomeadamente por em 1953 ter participado numa experiência conhecida como Ciclo de Arroz, com Júlio Pomar, Alves Redol, Rogério Ribeiro, Alice Jorge e António Alfredo, em que todos percorreram os campos dos arrozais do Ribatejo em busca de inspiração e Cipriano Dourado criou as suas litografias intituladas Plantadoras de Arroz.

Na Escola de Artes Decorativas António Arroio foi docente das disciplinas de desenho, gravura e artes gráficas, de 1978 a 1981.

Cipriano Dourado começara a trabalhar bem novo, como desenhador-litógrafo pelo que só mais tarde, a partir de 1939 , frequentou um curso nocturno na Sociedade Nacional de Belas Artes. Em 1949 fez um estágio na Academia Livre Grande Chaumière, em Paris e em 1956, foi um dos membros fundadores da Gravura- Sociedade Cooperativa de Gravadores, tendo integrado a direção e a comissão técnica.

Como ilustrador, trabalhou em numerosos livros de poesia e prosa de Armindo Rodrigues,  Augusto Gil,  D. H. Laurence, José Carlos de Vasconcelos, Mário Braga, Orlando da Costa, Orlando Gonçalves e Pablo Neruda, para além de ter colaborado com periódicos como, entre outros, a Árvore-Folhas de Poesia, a Cassiopeia-Antologia de Poesia e Ensaio, a Colóquio-Letras, a Seara Nova ou a Vértice.

Refira-se ainda que Dourado desenhou 4 selos dos CTT para uma Emissão Comemorativa do Ano da Conservação das Zonas Húmidas (1976), foi membro do júri da I Exposição Nacional de Gravura na Fundação Calouste Gulbenkian (1977) e também integrou os corpos dirigentes da Sociedade Nacional de Belas Artes de Lisboa.

A sua obra está representada no Museu do Chiado/Museu de Arte Contemporânea, no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, no Museu da CGTP, no Museu do Neo-Realismo (Vila Franca de Xira), no Museu Armindo Teixeira (Mirandela), no Museu Dr. João Calado Rodrigues (Mação), no Museu Municipal Manuel Soares (Albergaria), no Museu Municipal Professor Joaquim Vermelho (Estremoz), no Museu de Angola e, em numerosas coleções particulares.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do arqtº José Luís Monteiro da Estação do Rossio e Professor de Belas Artes

Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

José Luís Monteiro é o arquiteto e professor de quatro décadas da Escola de Belas Artes que desde o Edital de 10/08/1978  está consagrado no arruamento formado pelas Ruas 11-B e 12 da Zona N2 de Chelas, que se inicia na Rua Domingo Parente,  na freguesia de Marvila, aquela em cuja toponímia mais arquitetos podemos encontrar.

O Edital municipal de 10 de agosto de 1978 foi aquele que pela primeira vez na toponímia de Lisboa incluiu um conjunto significativo de nomes da arquitetura nacional, a saber: Álvaro Machado, Adães Bermudes, Adelino Nunes, Cassiano Branco, Domingos Parente, José Luís Monteiro, Keil do Amaral, Luís Cristino da Silva, Miguel Nogueira Júnior, Norte Júnior, Pardal Monteiro e  Pedro José Pezerat.

José Luís Monteiro no seu gabinete de trabalho, cerca de 1910
(Foto: Alberto Carlos Lima, Arquivo Municipal de Lisboa)

José Luís Monteiro (Montelavar/25.10.1849 – 27.01.1942/Lisboa), um arquiteto formada nas Belas Artes de Lisboa e de Paris, foi professor de Arquitetura Civil durante mais de 40 anos e funcionário da Câmara Municipal de Lisboa.

Concluído o ensino que desde os 12 anos iniciara na Real Academia das Belas Artes de Lisboa, somou-lhe em 28 de novembro de 1878 o diploma de arquiteto da École Nationale et Spéciale des Beaux Arts de Paris, curso que começara a 17 de novembro de 1873. Ainda nesse ano da sua licenciatura participou com seu mestre Pascal na Exposição Portuguesa no Champ de Mars, em Paris.

Em 1 de março de 1880, começou a trabalhar na Câmara  Municipal de Lisboa sendo Arquitecto Chefe da 1ª secção da  Repartição Técnica e no ano seguinte, a 23 de junho, ingressou como  professor de Arquitetura Civil da Escola de Belas Artes de Lisboa, escola onde a partir de 1912 também assumiu a função de diretor, razão para que a sua obra tenha sobretudo Lisboa como cenário.

O primeiro plano do Liceu Passos Manuel é da sua autoria (1882), alterado depois por Rafael da Silva e Castro em 1888 e por Rosendo Carvalheira em 1896, sendo revisto em 1907 e finalmente inaugurado no ano letivo de 1911-12. Também a Estação do Rossio, na Praça Dom João da Câmara, é obra sua de 1886 – 1887, enquanto  consultor e superintendente do gabinete técnico da Companhia Carris de Ferro, introduzindo o ferro na construção portuguesa. Alguns elementos de decoração dos Paços de Concelho de Lisboa, como os portões de ferro forjado da fachada, os fogões de mármore de Carrara do Salão Nobre, o brasão da cidade na Sala das Sessões Privadas, o mobiliário da Sala do Arquivo, são também obra sua de 1887 a 1891.

Destacam-se ainda do seu traço a antiga Escola Fröbel no Jardim da Estrela (1882), Candeeiros do Monumento aos Restauradores da Independência, na Praça dos Restauradores (1886), o Hotel Avenida Palace  (1890-1892) também na Praça dos Restauradores, o Quartel do Batalhão de Sapadores Bombeiros (1892) na Avenida Dom Carlos I, o Salão Portugal da Sociedade de Geografia (1897) na então Rua de Santo Antão (depois, Rua Eugénio dos Santos e Rua das Portas de Santo Antão), bem como a nova Igreja dos Anjos inaugurada no dia 11 de março de 1910. Delineou ainda diversos coretos para a cidade como o do Jardim de São Pedro de Alcântara ou o da Avenida da Liberdade, tendo este último sido transferido em  1932 para o Jardim da Estrela onde ainda hoje pode ser visto. José Luís Monteiro construiu ainda o carro da cidade de Lisboa no Centenário do Marquês de Pombal e o pavilhão da Praça do Comércio para as comemorações do Centenário de Luís de Camões.

No distrito de Lisboa são ainda obra sua o Palácio de Conde Castro Guimarães e Casa Nova do Duque de Palmela (em Cascais), o Chalet Biester na Estrada da Pena, a Casa da Rainha D. Maria Pia no Estoril, a Casa da Condessa de Cuba em Paço de Arcos e o Palacete de veraneio dos Condes de Tomar na Cruz Quebrada, tendo ainda publicado no Anuário da sociedade dos arquitetos portugueses, de 1905 a 1910.

José Luís Monteiro deu o seu nome a um Prémio  em 1930, instituído na Escola de Belas Artes de Lisboa para distinguir alunos excepcionais do Curso de Arquitetura  e foi agraciado com o grau de Cavaleiro da espanhola Ordem de Isabel a Católica (1881) e com o grau de cavaleiro da Ordem Nacional da Legião de Honra pelo Presidente da República Francesa (1901).

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)