Sete novos topónimos na freguesia do Lumiar

Pelo Edital nº 38/2017, de 17/03/2017,  foram atribuídos sete novos topónimos na freguesia do Lumiar:  Largo Gérard Castello-Lopes, Rua Irisalva Moita, Rua Isabel Magalhães Colaço, Rua Joaquim Rodrigo, Largo Michel’Angelo Lambertini, Rua Padre Manuel Antunes e Rua Pedro Bandeira Freire.

Anúncios

A Rua Maestro Pedro de Freitas Branco na rua onde viveu

Freguesia de Santo António (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santo António
(Foto: Sérgio Dias)

Pedro de Freitas Branco, que hoje faria hoje 120 anos, foi acolhido como topónimo na antiga Rua da Fábrica das Sedas, arruamento onde o maestro viveu muitos anos , na sequência de um pedido da Juventude Musical Portuguesa e do Sindicato Nacional dos Músicos.

Foi cinco anos após o falecimento do músico que o Edital municipal de 10 de maio de 1968 atribuiu o topónimo Rua Maestro Pedro de Freitas Branco, com a legenda «1896 – 1963», na Rua da Fábrica das Sedas, a unir a Rua Gustavo de Matos Sequeira à  Rua da Escola Politécnica.

Pedro António da Costa de Freitas Branco (Lisboa/31.10.1896 – 24.03.1963/Lisboa) nasceu na Calçada da Quintinha e viveu  a maior parte da sua vida no nº 23 da Rua Fábrica das Sedas, onde veio a falecer. Aos 7 anos iniciou-se no violino para além de ter estudado harmonia e contraponto com Tomás Borba e o seu irmão Luís de Freitas Branco. Em 1924, abandonou o curso de engenharia no Instituto Superior Técnico para se dedicar à música e foi estagiar regência de orquestra em Londres (1925-1927). De regresso,  fundou em 1928 a Companhia Portuguesa de Ópera Lírica, no Teatro São João do Porto e notabilizou-se como chefe de orquestra nos Concertos Sinfónicos de Lisboa, no Tivoli (1928 a 1932).  E após o convite do próprio Maurice Ravel, em 1932, para dirigir em Paris o concerto nº 1 do compositor alcançou renome internacional e fixou-se em Paris, de 1933 a 1937, para dirigir diversas orquestras francesas e europeias.

Pedro de Freitas Branco somou ainda o trabalho na Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional, desde a sua criação em 1934, tendo-a dirigido até falecer. Acumulou ainda com a regência de Ópera no Teatro Nacional de São Carlos, tanto mais que nos anos 40 e 50, também nessa área fez carreira internacional, com  cantores como Beniamino Gigli, Giuseppe di Steffano e Victoria de los Angeles, ou instrumentistas como o pianista Wilhelm Kempff. Também até 1961 dirigiu igualmente a Orquestra Sinfónica de Lisboa, à frente da qual estreou em Portugal muitas obras de compositores do século XX como Bartók, Luigi Dallapiccola, Paul Hindemith,  Prokofiev, Ravel, Richard Strauss e Stravinski.

Escreveu ainda o livro História da Música Popular em Portugal (1947), revelando a história e a dinamização cultural criada pelas filarmónicas, bandas civis e sociedades de recreio portuguesas. E ainda editou gravações históricas, como a do Concerto para Violoncelo em ré menor, de Edouard Lallo, com Guilhermina Suggia e a London Symphony Orchestra (1946) e aquelas em que perpetuou compositores portugueses como Luís de Freitas Branco e Viana da Mota, mas só dois receberam o Grand Prix du Disque da Academia Charles Cros: em 1954 com obras de Maurice Ravel e em 1962 com obras de Manuel de Falla.

Pedro de Freitas Branco, casado com a pianista Marie Antoinette Levêque, foi ainda agraciado com a Ordem de Sant’iago da Espada no grau de Cavaleiro (1931) e de Comendador (1939). Também a Câmara Municipal de Lisboa, mesmo antes de o colocar na toponímia da cidade, já no ano anterior o homenageara através da colocação de uma lápide no prédio onde ele vivera na então Rua da Fábrica das Sedas.

Freguesia de Santo António (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santo António
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Tomás Borba, o pedagogo da modernidade do Canto Coral

Freguesia do Areeiro (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias)

Cinco anos após a sua morte foi Tomás Borba colocado como topónimo de uma rua do Bairro do Arco do Cego, homenageando o compositor e pedagogo que inovou na pedagogia da Música em Portugal, particularmente através da introdução do Canto Coral nas escolas.

A Rua Tomás Borba era o troço da Rua Gomes Leal «a poente do novo Edifício escolar», conforme indica o Edital municipal de 03/12/1955 e hoje une a Rua Costa Goodolfim à Rua Stuart Carvalhais.  A construção de um novo edifício escolar, inicialmente previsto para ambos os sexos terem aulas separados, acabou por entrar em funcionamento no ano letivo de 1938/39 antes como um liceu feminino. E assim a construção do Liceu Filipa de Lencastre partiu em dois diversas artérias do Bairro do Arco do Cego, pelo que foi necessário renomear uma metade de cada um desses arruamentos e foi num dessas metades que nasceu a Rua Tomás Borba.

Tomas Borba

Thomaz Vaz de Borba (Angra do Heroísmo/23.11.1867 – 12.02.1950/Lisboa) era desde 1890 um sacerdote católico, amigo dos também açorianos Manuel de Arriaga e Teófilo Braga, que veio para Lisboa em 1891, estudar  no Real Conservatório Nacional (de 1891 a 1895) e também  no Curso Superior de Letras (de 1893 a 1896), tendo concluído ambos os cursos.

Exerceu o sacerdócio como prior da paróquia dos Mártires, em pleno Chiado, mas também como Comissário da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo onde desenvolveu obra na música religiosa, tendo por sua iniciativa sido adquirido para a Capela da Ordem o primeiro órgão pneumático de fabrico moderno.

Em paralelo, o Padre Tomás Borba exerceu também a docência e após a implantação da República foi nomeado vogal do Conselho Superior de Instrução Pública, no que foi o 1º representante do ensino da música em tal órgão. De 1901 a 1937 foi Professor de Harmonia no Conservatório Nacional, onde se tornou também o 1º professor a reger a cadeira de História da Música, a partir de 1911. Lecionou também no Liceu D. Maria Pia (1914) ao mesmo tempo que era regente do Orfeão do Liceu da Lapa. Foi ainda docente de Solfejo e Canto Coral na Escola Normal Primária de Lisboa (1916), introduzindo os métodos de solfejo entoado e de ginástica rítmica para incentivar a sua introdução destas disciplinas nas escolas portuguesas. Tomás Borba foi ainda o diretor da Academia de Amadores de Música, onde conjugou modernidade e tolerância, já que aí  acolheu Fernando Lopes Graça quando este  estava proibido de ensinar pela PIDE. Para além de Lopes Graça foram seus  discípulos  Francine Benoït, António de Lima Fragoso, Luís de Freitas Branco, Pedro de Freitas Branco, Rui Coelho ou Ivo Cruz.

Como compositor, a obra de Tomás Borba compreende música sacra, como  Te Deum (1898), Requiem, Coros Religiosos, algumas missas, motetes e canções sacras, bem como música profana como ciclos de peças para piano, sonatas para violino e piano assim como danças portuguesas.

Tomás Borba merece ainda  ser recordado pelo seu importante trabalho na área difusão musical, através das suas edições, como os 3 volumes de Escola Musical, Toadas da Nossa Terra (1908), os 4 volumes de Canto Coral nas Escolas (1913), Exercícios graduados de solfejo : para uso das escolas primárias, colégios, liceus, etc. (1915), Solfejos, Canções e Cânones Adequados ao Programa de Canto Coral nos Liceus (1935),   o Manual de Harmonia (1937), e os 2 volumes do  Dicionário de Música (1956-1958), preparado fundamentalmente por Fernando Lopes Graça mas que apareceu com o nome de Tomás Borba para proteger o primeiro.

Freguesia do Areeiro (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Planta: Sérgio Dias)

Moleirinha – Música de Tomás Borba. Letra de Guerra Junqueiro. Intérprete: Maria de Lurdes Resende. Suporte musical: Orquestra de Joaquim Luís Gomes

A Rua Santos Pinto, compositor do Hino a Saldanha

Freguesia da Estrela (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia da Estrela
(Foto: Sérgio Dias)

Com a legenda «Escritor Musical/1815 – 1860» foi fixado em 1925 o nome do alfacinha Francisco dos Santos Pinto na Rua nº 3 do então Novo Bairro da Lapa, um compositor, violinista e trompista  que politicamente era um liberal ferrenho tendo por isso composto um Hino ao Marechal Saldanha em 1851.

Por esse mesmo Edital municipal de 8 de junho de 1925 foram também dados nomes de compositores às Ruas nº 1 e nº 2 do mesmo Bairro, a saber, a Rua Joaquim Casimiro – homenageando neste caso um miguelista ferrenho de meados do século XIX e rival de Santos Pinto-, e a Rua Maestro António Taborda, que desenvolveu a sua carreira na Banda de Música da Guarda Nacional Republicana.

Santos Pinto Francisco dosFrancisco António Norberto dos Santos Pinto (Lisboa/06.06.1815 – 30.01.1860/Lisboa) começou desde cedo a ganhar a vida através da música, recebendo para cantar em festas de igreja. Aprendeu a tocar violino, trompa e clarim. Iniciou os seus estudos musicais com Teotónio Rodrigues, cantor da Capela da Bemposta, estudou violino com José Maria Morte e trompa com Justino José Garcia, mestre de banda das Reais Cavalariças, a que Santos Pinto viria também a pertencer em 1830, com apenas 15 anos. No início das guerras civis de 1832 era Francisco santos Pinto primeiro corneta na Banda da Guarda Real da Polícia. Estudou Harmonia com Eleutério Franco Leal, e mais tarde, com Manuel Joaquim Botelho. Pela mesma altura, mas um pouco depois, integrou a orquestra do Teatro de São Carlos até que em 1838 se estreou como compositor do bailado Adoração do Sol e no ano seguinte, era clarim supranumerário na orquestra da Real Câmara.

A partir de 1845 ficou como o compositor (mais ou menos permanente) do recém-inaugurado Teatro de D. Maria, para o qual irá compor cinco anos depois, A casa misteriosa, uma espécie de ópera cómica. Ainda nesse ano, aquando da visita do pianista Franz Lizt a Lisboa, Santos Pinto dedicou-lhe a sua 8ª Sinfonia (ou Abertura), fazendo-se mesmo retratar com a partitura num quadro que hoje se encontra no Museu da Música em Lisboa. A partir de 1849 iniciou também funções de docente do Real Conservatório de Lisboa, onde foi seu discípulo Guilherme Cossoul, como professor de Instrumentos de Latão e, em 1857, alcançou a  coroa de glória da sua carreira ao passar a ser o maestro diretor do São Carlos.

Francisco dos Santos Pinto foi um autor sobretudo de teatro cómico, de opereta, de teatro musical, de revista, fundando a sua carreira no entretenimento musical de grande apelo público. Compôs música para mais de 20 bailados e musicou cerca de 30 peças teatrais, tal como escreveu 35 aberturas para orquestra e algumas peças de música sacra e hinos patrióticos como a Marcha que compôs em homenagem aos voluntários da Carta (1844). Santos Pinto foi bastante interventivo na vida social e política do seu tempo, manifestando-se como simpatizante do Cartismo e da Maçonaria, não apenas ao compor hinos alusivos a ambos, para além das  Odes Maçónicas, o que se prende também com o ter sido fundador de duas importantes instituições musicais paramaçónicas: a Associação Musica 24 de Junho e a Academia Melpomenense.

Freguesia da Estrela (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia da Estrela
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua de Gazul discípulo de Cossoul

Freguesia de Campo de Ourique (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Campo de Ourique
(Foto: Sérgio Dias)

Francisco Freitas Gazul, compositor da passagem do séc. XIX para o XX e discípulo de Guilherme Cossoul, está perpetuado numa rua de Campo de Ourique, desde a publicação do Edital municipal de 02/06/1958 que o colocou na Rua Projetada à Rua Gervásio Lobato, ficando a ligar a Rua Sampaio Bruno à Estrada dos Prazeres, a partir de uma solicitação da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses.

Freitas Gazul em O Palco - Revista Teatral, 5 de maio de 1912

Freitas Gazul em O Palco – Revista Teatral, 5 de maio de 1912

Francisco de Freitas Gazul (Lisboa/30.09.1842  – 20.10.1925/Lisboa), filho do músico Francisco Gazul, distinguiu-se como professor de música, violoncelista, contrabaixista, bem como maestro e compositor de música litúrgica, de câmara e  de operetas.  A partir de 1856, estudou no Conservatório de Lisboa  Rudimentos Musicais com Filipe Real (recebeu a medalha de ouro), Violoncelo com João Jordani e também com Guilherme Cossoul, assim como Harmonia, Contraponto e Fuga com  Monteiro d’ Almeida, pelo que não se estranha que depois se tenha feito professor de Rudimentos Musicais na mesma Escola, sendo de realçar que Viana da Mota foi seu aluno.

Quando Guilherme Cossoul foi nomeado diretor da Orquestra de São Carlos, em 1859, chamou Freitas Gazul para seu assistente. Em 1867  ficou em primeiro lugar na vaga para 2º violoncelo nas óperas e 1º nos bailados. Em 1875 esteve como maestro-ensaiador no Teatro de São João (no Porto), onde ensaiou e dirigiu várias óperas como Linda de Charmonix, Guilherme Tell, Barbeiro de Sevilha, Baile de Máscaras, Othello ou a Traviata. Regressado a Lisboa passou a trabalhar no Teatro da Rua dos Condes, onde musicou operetas e várias paródias.  Como compositor, destaquem-se a sua 2ª Sonata (1870), a Sonatina e La Première Jeunesse.  Francisco Palha contratou-o depois para o Teatro da Trindade, para compor música para várias operetas. Destaque-se ainda que Freitas Gazul compôs um hino à Carta, já que era partidário de Costa Cabral, bem como uma ópera em quatro actos, Frei Luís de Sousa, a partir do texto homónimo de Almeida Garrett que subiu ao palco do São Carlos em 19 de março de 1891.

Freitas Gazul foi ainda autor de dois livros, um de exercícios de solfejo e outro de rudimentos musicais, sendo o primeiro ainda usado nos dias de hoje nas bandas de música. Existiu em Lisboa uma Sociedade Filarmónica Francisco Freitas Gazul.

Freguesia de Campo de Ourique (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Campo de Ourique
(Planta: Sérgio Dias)

Filipe Duarte, compositor da opereta Severa e do Fado da Ceguinha, numa Rua do Lumiar

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

Filipe Duarte, compositor de opereta e de revista, muito querido do público de Lisboa nas primeiras décadas do século XX, sobretudo pela «Canção da Ceguinha» da opereta O Fado (1910)  e pela opereta A Severa (1923), ficou perpetuado numa artéria alfacinha do Lumiar quatro anos após o seu falecimento.

Foi pelo Edital municipal de 31/03/1932 que Filipe Duarte deu nome à Rua B do Bairro Jardim. Pelo mesmo Edital o Bairro Jardim também ganhou a Avenida Ventura Terra (Avenida nº 6) e a Rua Branco Rodrigues (Rua A). Todavia, como na época as decisões sobre atribuições de topónimos era tomadas a partir de plantas a crescente urbanização do Bairro acabou por fazer desaparecer a Rua deste último, que renasceu como topónimo em 1976, na artéria onde havia residido.

O Palco - Revista Teatral, 05.03.1912

O Palco – Revista Teatral, 05.03.1912

Filipe Duarte (Lisboa/01.07.1855-08.07.1928/Lisboa), cursou o Conservatório de Lisboa onde estudou Violino, Composição e Direção de Orquestra. Em 1875, foi regente fundador da Academia de Alunos do Conservatório de Lisboa mas no ano seguinte,  devido a dificuldades económicas,  tornou-se profissional da música como ocarinista, enquanto membro da Sociedade de Concertos de Ocarinas, que partiu numa digressão pela América do Sul.

De regresso, iniciou em 1881 a sua carreira de maestro na Orquestra do Club Guilherme Cossoul e no ano seguinte,  a 10 de novembro, estreou-se como solista de violino no Teatro Nacional de São Carlos. Em 1884  foi um dos membros fundadores da Real Academia de Amadores de Música, onde permaneceu como professor e regente de orquestra até ao fim da vida.

Filipe Duarte compôs principalmente música para revistas e operetas, entre as quais se destacam a sua primeira opereta  A Lancha Favorita (levada à cena no antigo Clube do Calvário), bem como Agulhas e Alfinetes ( 1895, Teatro da Rua dos Condes), Nicles (1901), O Fado (1910, Teatro Apolo),  A Leiteira d’Entre-Arroios (1920, Teatro São Luiz),  A Mouraria (1925, Teatro Apolo), firmando-se como uma personalidade de relevo no teatro de revista na viragem do século, tendo-se destacado de outros compositores da mesma época pelo carácter popular das suas criações, com enorme sucesso e aplauso do grande público.

Dois casos reveladores da popularidade da criação musical de Filipe Duarte foram a «Canção da Ceguinha» da opereta em 4 atos O Fado (1910)  e a opereta A Severa (1923).  A última foi musicada por Filipe Duarte, com libreto de Júlio Dantas e André Brun, a partir da peça homónima de Dantas e o êxito foi tal que Leitão de Barros pegou no conjunto para fazer o primeiro filme sonoro português, com o mesmo nome e tendo André Brun como assistente. Ainda em 2015, o Teatro Ibérico repôs esta opereta. Já a «Canção da Ceguinha» da opereta  O Fado, com letra de Bento Faria, foi cantada por Zulmira Miranda e compreendia um total de seis quadras, sendo as duas primeiras assim:

Sou ceguinha de nascença!
Isto assim não é viver!
Minha tristeza é imensa,
Quem me dera já morrer!

Porque assim fui condenada,
Se não fiz mal a ninguém?
Vivo em trevas sepultada
Não conheço pai nem mãe.

Este tema tornou-se muito popular e também era conhecido como «Fado do Ceguinho», «Fado dos Cegos», « Fado da Ceguinha» ou «A Ceguinha» e na primavera de 1928 foi gravado na voz de António Menano sob o título «Fado do Ceguinho» e em outubro desse mesmo ano, como «Fado dos Cegos» foi gravado por Armando Goes e de acordo com um ensaio de Júlio Dutra Andrade, a canção era popularíssima na Ilha do Faial, como canção maternal de embalar, rivalizando com o antigo «Papão Feio».

O aplaudido Filipe Duarte foi ainda colaborador da Revista do Conservatório Real de Lisboa e vogal do conselho da arte musical da mesma instituição e, curiosamente, o seu falecimento no ano 1928 coincidiu com o desaparecimento da opereta dos palcos portugueses.

Freguesia do Lumiar Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
Planta: Sérgio Dias)

A Rua do trompista e compositor Tomás Del Negro

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

Tomás Del Negro, o solista de trompa e compositor que muito divulgou a música em Portugal na passagem do séc. XIX para o XX através de concertos públicos, jornais da especialidade e enquanto empresário teatral e musical, desde a publicação do Edital de 15/12/2003 que dá o seu nome a uma rua do Lumiar, a partir de uma sugestão da Comissão para a Comemoração do 150º Aniversário do Maestro Tomás Del Negro.

Esta artéria que era identificada como Rua 3.2 da Malha 15 do Alto do Lumiar  foi inaugurada oficialmente no dia 1 de outubro de 2004, Dia Mundial da Música, em conjunto com outros 7 topónimos, todos referentes à área musical: a Alameda da Música, a  Rua Adriana de Vecchi (Violoncelista/1896 – 1995), a Rua Arminda Correia (Cantora/1903 – 1988), a Rua Belo Marques (Músico/1898 – 1987), a Rua Luís Piçarra (Cantor/1917 – 1999),  a Rua Nóbrega e Sousa (Músico/1913 – 2001) e a Rua Shegundo Galarza (Músico/1924 – 2003).

tomas-del-negro-capa-cd

Joaquim Thomaz del Negro (Lisboa/05.06.1850 – 12.02.1933/Lisboa), oriundo de uma família italiana que cultivava a arte musical e estava estabelecida no alto comércio de Lisboa desde finais do séc. XVIII, nasceu na freguesia de Santos-O-Velho e foi batizado  na Igreja  de Nossa Senhora do Loreto. Distinguiu-se como uma das figuras mais conhecidas da música e do teatro da última metade do séc. XIX e primeiro quartel do séc. XX.

Notabilizou-se como solista de trompa do Teatro Real de São Carlos (até 1878 e depois de 1890), e em Madrid, na Capela e Teatro Real (de 1879 a 1889). Como compositor ficou conhecido por diversos géneros de música (sacra, de câmara, para piano, para trompa, para banda filarmónica), mas sobretudo, pela autoria de música para teatro e operetas. Divulgou a música sinfónica e de câmara, dando a conhecer pela primeira vez ao público de Lisboa obras de grandes compositores como Beethoven, Haydn, Mendelssohn, Wagner, Weber, Glimka e Saint-Saens.

Del Negro foi também dirigente da Associação Música 24 de Junho, fundada por Francisco Norberto dos Santos Pinto, assim como professor de trompa, durante 27 anos, no Conservatório Nacional de Música de Lisboa, para além de ter sido diretor musical e coproprietário de O Álbum-Jornal de Música para Piano (1869-1871), diretor musical de O Mundo Artístico – Gazeta Musical de Lisboa (1883) e colaborador e crítico musical de inúmeros jornais e revistas como Perfis artísticos (sob o pseudónimo de Ruy Blas), A semana Musical e a Semana. Foi também empresário e diretor musical dos Teatros D. Afonso,  Carlos Alberto, Real de S. João e Príncipe Real, todos no  Porto, bem como do Teatro da Trindade, em Lisboa.

Tomás Del Negro foi condecorado com as Ordens portuguesas de Cristo e de Santiago de Espada, assim como com a Ordem espanhola de Isabel-a-Católica e chegou a existir um concurso para trompistas com o seu nome.

Freguesia do Lumiar (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua da compositora pioneira do teatro-música Constança Capdeville

constanca-capdeville-solo

A compositora Constança Capdeville, pioneira do teatro-música e muito conhecida pela sua Libera Me, foi inscrita na toponímia de Lisboa a partir de uma sugestão da Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres, na Rua B da Quinta da Torrinha à Ameixoeira, através do Edital municipal de 01/02/1993,  que colocou também nas ruas próximas os nomes do cantor lírico Hugo Casaes, dos compositores Rui Coelho e Jorge Croner de Vasconcelos e ainda da atriz Brunilde Júdice.

Freguesia de Santa Clara - Placa Tipo II (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Clara – Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias)

Constança Capdeville  (Barcelona/16.03.1937 – 04.02.1992/Caxias) escreveu cerca de 80 obras distribuídas por vários géneros, que vão da música para orquestra à música para teatro e cinema, passando pela música para dança e até a espetáculos cénico-musicais.

Constança veio viver para Portugal em 1951, e aqui continuou  os seus estudos musicais no Conservatório Nacional de Música, em piano com Varela Cid e, em composição, com Jorge Croner de Vasconcelos. Mais tarde, frequentou os Cursos especiais de Musicologia, Interpretação de Música Antiga e Técnica de Acompanhamento sob a orientação do Professor Macário Santiago Kastner.

Através da Fundação Calouste Gulbenkian, Capdeville participou em trabalhos musicológicos na Biblioteca da Ajuda e na Biblioteca Nacional, tendo ainda colaborado com Mário de Sampaio Ribeiro num estudo relativo ao tratado Lux Bella, de Domingos Marques Durán. Em 1962, como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian, trabalhou com o compositor Philip Jarnach e nesse mesmo ano recebeu o Prémio de Composição do Conservatório Nacional de Lisboa, atribuído à sua obra para órgão Variações sobre o nome de Igor Stravinsky.

Constança trabalhou inúmeras vezes como compositora e intérprete na Orquestra Universitária de Lisboa. Foi ainda pianista e percussionista, nos Menestréis de Lisboa, no grupo de música de câmara Convivium Musicum que fundou, no Grupo de Música Contemporânea de Lisboa dirigido por Jorge Peixinho, assim como foi percussionista convidada na Orquestra Gulbenkian. Em 1969, por encomenda da Fundação Calouste Gulbenkian, Constança Capdeville compôs Diferenças Sobre um Intervalo, cuja 1ª audição foi dada pela Orquestra Gulbenkian no XIII Festival de Música Gulbenkian.

Como compositora Constança Capdeville produziu na juventude peças para piano e mais tarde, música de câmara e sinfónica, bem como para a orquestra e o bailado da Fundação Gulbenkian, sendo a sua produção mais famosa Libera Me. Foi a precursora da escrita de obras para teatro musical em Portugal, ao fundar e dirigir um grupo pioneiro de teatro musical nos anos 80:  o ColecViva, que criou  a obra de referência Don’T Juan ( 1985). Com o compositor António de Sousa Dias criou o Opus Sic, com obras de sons sintetizados, que gerou a música para o bailado de Margarida Bettencourt, Io sono una piccola bambina e a banda sonora para o filme de António Macedo A Maldição de Marialva. Capdeville, numa estética ligada à então música contemporânea, apostou em novas formas de comunicação com o público.

Foi ainda professora de música na Academia de Música de Santa Cecília, no Conservatório Nacional de Lisboa, na Escola Superior de Música de Lisboa e, a partir de 1980, no Departamento de Ciências Musicais da Universidade Nova de Lisboa, onde lecionou História e Problemática da Interpretação, bem como Análise da Música do Séc. XX.

Constança Capdeville integrou a Direção do Conselho Português da Música e a Associaciò Catalana de Compositors de Barcelona. Foi agraciada com a Medalha de Mérito Cultural pelo Conselho Português de Música (1990) e com o Grau de Comendador da Ordem de Santiago de Espada (1992), a título póstumo. O espólio da compositora foi doado à Biblioteca Nacional de Portugal, onde integra a coleção de Música.

Freguesia de Santa Clara

Freguesia de Santa Clara

A Avenida do mestre da guitarra portuguesa Carlos Paredes

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

Como se fosse o braço de uma guitarra portuguesa está a Avenida Carlos Paredes, sendo o corpo do instrumento os arruamentos com topónimos ligados à música, de ambos os lados, e a Alameda da Música um dedo a tanger as cordas.

O que quer dizer mais prosaicamente que o mestre da guitarra portuguesa Carlos Paredes ficou perpetuado na freguesia do Lumiar, na Avenida 2 do Plano de Urbanização no Alto do Lumiar através da publicação do Edital municipal de 06/10/2005,  junto à Alameda da Música e de outras ruas com topónimos de compositores, instrumentistas e cantores, sendo a primeira vez que um nome ligado à Música foi consagrado numa avenida de Lisboa.

carlos-paredes

Carlos Paredes (Coimbra/16.02.1925 – 23.07.2004/Lisboa), símbolo ímpar da cultura portuguesa e um dos seus grandes guitarristas, nasceu filho, neto e bisneto de grandes vultos da guitarra portuguesa – Artur, Gonçalo e António Paredes -, o que o influenciou a estudar  este instrumento logo a partir dos 4 anos. Veio residir para Lisboa aos 9 anos, estudou no Liceu Passos Manuel e num colégio particular e aos 18 anos fez o exame de admissão ao Curso industrial do Instituto Superior Técnico, onde frequentou o primeiro ano.

Em 1949, aos 24 anos, apresentou-se em parceria com o seu pai no programa semanal deste na Emissora Nacional e nesse mesmo ano tornou-se funcionário do Hospital de São José, como arquivista de radiografias. Em 1958 aderiu ao Partido Comunista Português e por denúncia de colegas de trabalho, foi preso pela PIDE no dia 26 de setembro acusado de ser militante comunista, sendo libertado 18 meses depois e expulso da função pública, pelo que trabalhou alguns anos como delegado de propaganda médica.

E contudo, Carlos Paredes tornar-se-á uma figura nacional e até reconhecida internacionalmente, como executante, compositor e um dos grandes responsáveis pela divulgação e popularidade da guitarra portuguesa, o que lhe granjeou os epítetos de O Mestre da guitarra portuguesa e O homem dos mil dedos. Usou uma guitarra de Coimbra e a afinação do Fado de Coimbra mas a sua vida em Lisboa inspirou-lhe e marcou inúmeras das suas composições.

A sua discografia soma os singles  Mudar de Vida, António Marinheiro e Balada de Coimbra (todos em 1972); os EP’s Carlos Paredes (1957), Porto Santo, Divertimento e  Variações em Ré Menor (todos em 1968); bem como os álbuns Guitarra Portuguesa (1967), Movimento Perpétuo (1971), Carlos Paredes-Meister der portugiesischen Guitarre (1977, na RDA), O Oiro e o Trigo (1980, na RDA), Concerto em Frankfurt (1983), Espelho de Sons ( 1988), Na Corrente (1996), Canção para Titi (2000). Acrescem ainda os seguintes: acompanhou Ary dos Santos a declamar poemas (1969) ; foi  produtor, diretor musical e acompanhador em Meu País (1971) da cantora Cecília de Melo; É preciso um País (1974), música com poemas de Manuel Alegre declamados pelo poeta; colabora em Que Nunca Mais (1975) de Adriano Correia de OliveiraInvenções Livres (1986) em dueto com o piano de António Vitorino de Almeida; Dialogues (1990) em dueto com o contrabaixista de jazz Charlie Haden; participação especial no disco dos Madredeus, gravado ao vivo no Coliseu dos Recreios (1992).

Para o cinema entrou  em 1960, ao compor a banda sonora da curta-metragem Rendas de Metais Preciosos de Cândido Costa Pinto, a que seguiu dois anos depois o êxito de Os Verdes Anos para o realizador Paulo Rocha, de que sairá também um EP no mesmo ano de 1962. E durante está década foi pródigo em ligar-se ao cinema novo português ao compor para filmes de outros cineastas como Pierre Kast (P.X.O., 1962), Jorge Brun do Canto (Fado corrido, 1964), Manoel de Oliveira (As pinturas do meu irmão Júlio,1965), Paulo Rocha (Mudar de vida, 1966), António de Macedo (Crónica do esforço perdido, 1966), José Fonseca e Costa (A cidade, 1968; The Columbus route, 1969), Manuel Guimarães (Tráfego e estiva, 1968) ou Augusto Cabrita ( Na corrente, documentário para a RTP, 1969). Em 1974 o próprio Pier Paolo Pasolini o convidou para musicar um filme seu mas a morte do realizar inviabilizou o intento.

Mas Paredes também compôs para teatro: na histórica encenação de Fernando Gusmão para o Teatro Moderno de Lisboa (1964);nas Bodas de Sangue do CITAC; em A Casa de Bernarda Alba pelo Teatro Experimental de Cascais; em O avançado centro morreu ao amanhecer encenada pelo Grupo de Teatro de Campolide (1971), mantendo até 1977 colaboração com este Grupo; O Avarento produzida pelo Teatro Na Caixa (1984).  Vasco Wallenkamp    também usou a    música de Paredes para criar o bailado Danças para Uma Guitarra (1982).

Após o 25 de Abril de 1974, Carlos Paredes  foi reintegrado nos quadros do Hospital de S. José e o anúncio televisivo diário das primeiras eleições livres para a Assembleia Constituinte tinha música sua.

A última actuação em público de Carlos Paredes foi em Outubro de 1993, na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa, acompanhado por Luísa Amaro.

Ao longo da sua carreira acumulou o Prémio da Casa da Imprensa como Solista (1961), o  Prémio da Casa da Imprensa para Música Ligeira e o Prémio Consagração de Carreira (1981), o  Troféu Nova Gente, o Troféu Prestígio do Jornal Sete e  o Prémio Bordalo da Casa da Imprensa (todos em 1984 ), o  Prémio Antena Um em 1987 e em 1988, bem como feito Comendador da Ordem Militar de Santiago da Espada (1992), Pedro Jóia gravou Variações Sobre Carlos Paredes (2001), a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira instituiu um prémio com o seu nome (2002) e  em junho de 2003, a Universal lançou um disco de homenagem intitulado Movimentos Perpétuos: Música para Carlos Paredes, para além de Mísia ter lançado Canto (2003), composto por canções expressamente escritas para músicas de Carlos Paredes.

Uma doença do sistema nervoso central diagnosticada em dezembro de 1993 impediu-o de tocar durante os últimos 11 anos da sua vida, tendo sido decretado um dia de Luto Nacional aquando do seu falecimento e sepultado no Talhão dos Artistas do Cemitério dos Prazeres. Postumamente,  Edgar Pêra dedicou-lhe o filme Movimentos Perpétuos: Tributo a Carlos Paredes (2006).

Freguesia do Lumiar (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

Numa Rua de Alvalade, Domingos Bomtempo, responsável do primeiro Conservatório de Música lisboeta

Freguesia de Alvalade (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade
(Foto: Sérgio Dias)

João Domingos Bomtempo, o primeiro diretor da Escola de Música do Conservatório Nacional, tem o seu nome perpetuado na Rua 37 do Sítio de Alvalade, desde a publicação do Edital municipal de 14 de junho de 1950, como Rua Domingos Bomtempo.

O mesmo Edital colocou nas ruas circundantes mais 7 homenagens toponímicas ligadas à música – o compositor e professor de piano Alexandre Rey Colaço; os compositores Carlos de Seixas, Duarte Lobo e Viana da Mota; o compositor do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra Dom Pedro de Cristo, o Mestre da Capela Real Filipe Magalhães e o compositor carmelita Frei Manuel Cardoso -, a partir do parecer favorável da Comissão Consultiva Municipal de Toponímia da sua reunião de 19 de maio de 1950 à proposta do Vice-presidente da Câmara, Luís Pastor de Macedo.

Selo lançado em 30 de outubro de 1974 , da autoria de Frederico George

Selo lançado em 30 de outubro de 1974 , da autoria de Frederico George

João Domingos Bomtempo (Lisboa/28.12.1771 – 18.08.1842/Lisboa), filho de um músico italiano, nasceu e viveu na Rua Nova da Piedade, encontrando-se o seu registo de nascimento na Igreja da comunidade italiana residente em Portugal, a Igreja de Nossa Senhora do Loreto no Largo do Chiado.

Bomtempo afirmou-se como pianista e compositor em Paris, onde residiu entre 1801 e 1810. Acumulou mais fama em Londres, no período de 1810 a 1814 e  regressou a Lisboa, onde só se fixou definitivamente após a Revolução Liberal de 1820. Dois anos depois fundou uma sociedade de concertos, a Sociedade Filarmónica, extinta em 1828, já que após a vitória de D. Miguel na Vilafrancada de 1823 este proibiu os seus concertos, situação agravada em 1828 pelo segundo golpe de estado de D. Miguel. As perseguições no período miguelista obrigaram-no mesmo a viver refugiado no Consulado da Rússia em Lisboa durante cinco anos.

Restabelecido o poder dos liberais em 1833, passou a professor de Música da rainha D. Maria II e  apresentou-lhe em 1834 um projeto para a  criação de um conservatório de música seguindo o modelo da escola de música parisiense, com 18 professores e 16 disciplinas. No ano seguinte, foi criado  pelo Decreto de 5 de maio de 1835 o Conservatório de Música, instalado na Casa Pia de Lisboa e Bomtempo foi nomeado seu diretor, cargo que manteve  até à morte, mesmo quando a partir do ano seguinte a Escola de Música passou a integrar  o Conservatório Nacional em edifício próprio.

Da obra de compositor de Domingos Bomtempo há que destacar as suas sonatas para piano, a Missa de Requiem (à Memória de Camões e que segue o texto litúrgico da Missa pro defunctis), a 2.ª Sinfonia, Variações Alessandro in Éfeso bem como Fantasia e Variações sobre Uma Ária de Mozart.

Freguesia de Alvalade (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias)