O Largo Associação Ester Janz em Marvila

Largo Associação Ester Janz – Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC )

Fundada em 1982, para prestar apoio educativo aos filhos dos funcionários do grupo das Empresas dos austríacos Janz,  a Associação Ester Janz passou em 1 de agosto de 2005 a dar nome a um Largo da Freguesia de Marvila, na confluência da Rua Fernando Maurício com a Rua Armandinho, próximo da sede da Associação.

Associação Ester Janz – Freguesia de Marvila

Bruno Janz, casado com Ester Janz,  fundou em 1915 a Empresa Bruno Janz,  na Avenida Infante D. Henrique, junto à nova rotunda, que resultou do prolongamento da Avenida Estados Unidos da América. Esta empresa familiar foi continuada pelo seu filho, netos e bisnetos, tendo à data da atribuição do topónimo cerca de 600 trabalhadores, muitos deles com 20, 30, 40 e até 50 anos de casa e moradores da freguesia de Marvila.

Logo nesse início do séc.XX e da empresa Bruno Janz, a sua esposa Ester Janz manifestava preocupações sociais em prol da melhoria de vida da mulher trabalhadora para obstar às dificuldades que estas tinham em conseguir conciliar a profissão com a vida familiar. Assim, em 7 de julho de 1982 foi possível à neta, Teresa Janz, concretizar o sonho da avó com a Associação Ester Janz, construída em edifício próprio e como uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), dedicada à educação dos filhos dos funcionários do grupo das Empresas Janz. Das 28 crianças iniciais passou-se para 60, decorridos cinco anos, já que em 1987, mediante protocolo assinado com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, a Associação acolheu pela primeira vez também crianças moradoras nas imediações das empresas do grupo e cujo rendimento do agregado familiar era baixo, aumentando a valência de  infantário para também escola do 1º Ciclo e  expandindo-se à comunidade em geral, sendo em 1990 já 438 crianças, granjeando o apoio da Junta de Freguesia de Marvila e da Câmara Municipal de Lisboa, nomeadamente através da cedência de terrenos para a construção e a ampliação das instalações.

Ester Janz faleceu em 1977 e os fundadores da Associação com o seu nome, funcionários e acionistas das Empresas Janz quiseram prestar-lhe esta homenagem a que a edilidade lisboeta acedeu dando o seu nome a uma arruamento da Freguesia para cujo bem estar contribuiu.

Largo Associação Ester Janz – Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )

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A Rua de São Lázaro ou 20 de Abril de 1911

A Rua Vinte de Abril em 1927 (à esquerda)
Foto: Eduardo Portugal (Arquivo Municipal de Lisboa)

Na 2ª reunião da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa após o 25 de Abril, em 20 dezembro de 1974, foi analisada uma carta  Alberto Bastos Flores que entre diversos pedidos solicitava a alteração da Rua de São Lázaro para  Rua Vinte Abril, data da assinatura da Lei da Separação da Igreja e do Estado em 1911.

O topónimo São Lázaro está ligado à Gafaria do mesmo nome, uma das mais antigas instituições públicas de assistência de Lisboa, estando documentada pelo menos desde 1220. O hospital foi criado para nele serem acolhidos e isolados os leprosos, denominados então como gafos, gafados ou doentes do mal de São Lázaro, começando pelos oriundos da Gafaria de Lisboa – que se situava onde hoje encontramos a esquina da Rua Vítor Cordon com o Largo da Academia Nacional de Belas Artes -, desta feita sob a responsabilidade dos cavaleiros hospitalários de São Lázaro, ordem religioso-militar fundada em Jerusalém em 1098. No séc. XIV era este Hospital administrado pelo Senado da Câmara Municipal de Lisboa, sob direção da Coroa. No séc. XIX, o Decreto de 11 de novembro de 1844 entregou a administração deste Hospital à Comissão Administrativa da Misericórdia de Lisboa e ao Hospital Real de S. José.  Em 1918, face à falta de condições, o Enfermeiro Mor, Dr. Lobo Alves, mandou transferir os gafos para os Pavilhões do Hospital do Rego, de onde saíram em definitivo a partir de 1947, para a Leprosaria Rovisco Pais, na Tocha (hoje, um Centro de Medicina de Reabilitação).

Afonso Costa (ao centro da mesa) assina a Lei da Separação da Igreja do Estado, em 20 de abril de 1911
(Foto: Anselmo Franco, Arquivo Municipal de Lisboa)

Já a Rua Vinte de Abril nasceu por via do edital municipal de 14 de outubro de 1915, ou seja, no período da I República, na Rua de São Lázaro, no âmbito da comemoração do 4º aniversário da Lei da Separação da Igreja e do Estado,  da autoria de Afonso Costa, enquanto ministro da Justiça. Dela importa destacar os primeiros 4 artigos que definiam os valores fundamentais da separação de um estado laico de um estado religioso:  liberdade de consciência para os portugueses e estrangeiros (1º); religião católica deixa de ser religião do estado (2º); ninguém pode ser perseguido por motivos de religião (3º); a república não reconhece, não sustenta, nem subsidia culto algum (4º).

Mais tarde, no processo de eliminar os topónimos republicanos, na maior parte das vezes substituindo-os pelos anteriores, a edilidade lisboeta nomeada pelo Estado Novo, voltou a denominá-la como Rua de São Lázaro pelo Edital de 19 de agosto de 1937,  justificando que «algumas destas ruas (que foram alteradas, como esta) não conseguiram com a moderna toponímia apagar na memória da população a sua designação anterior».

A Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa pós-25 de Abril acabou por não voltar a alterar o topónimo tomando em conta os inconvenientes que acarretaria para os munícipes.

Freguesias de Santa Maria Maior e Arroios
(Planta: Sérgio Dias)

 

 

A Rua «Amigos de Lisboa» e Fernando Assis Pacheco na «Olisipo»

Freguesia de Marvila (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua «Amigos de Lisboa» que como descreve a sua legenda é uma «Instituição Cultural fundada em 1936» e assim completa 80 anos de existência no corrente ano, no nº 7  do seu boletim Olisipo, em dezembro de 1998, publicou um artigo de Fernando Assis Pacheco intitulado  «Os comeres e beberes de Santo António», ligando-se deste modo ao escritor e jornalista que era também um apaixonado das histórias da gastronomia.

O topónimo Rua «Amigos de Lisboa» foi atribuído pela edilidade lisboeta através de edital de 20/03/1995 na Rua Projectada à Rua do Açúcar, zona onde desde 1973 o Grupo Amigos de Lisboa estava sediado, no Palácio da Mitra, na Rua do Açúcar,  como revela o parecer da Comissão Municipal de Toponímia, na sua reunião de 16/12/94, referindo que «Dada a proximidade do arruamento com a sede do Grupo “Amigos de Lisboa”, instituição cultural que tão bons serviços tem prestado à Cidade, a Comissão considerou dever aproveitar-se a oportunidade para se prestar homenagem à referida instituição, dando o seu nome à actual Rua Projectada à Rua do Açúcar.» 

GAL emblemaO Grupo «Amigos de Lisboa», de cuja comissão organizadora fizeram parte os ilustres olisipógrafos Augusto Vieira da Silva, Gustavo Matos Sequeira, Luís Pastor de Macedo e Norberto de Araújo, bem como Alberto Mac-Bride, Eugénio Mac-Bride, Álvaro Maia,  Eduardo Neves, João Pinto de Carvalho (Tinop), José Pereira Coelho, Leitão de Barros, Levy Marques da Costa, Mário de Sampayo Ribeiro e Rocha Martins, deu a conhecer junto da imprensa a sua formação através de uma carta ao jornal O Século e realizou a sua primeira assembleia-geral em  18 de abril de 1936, com aprovação dos estatutos. Em 1987, os estatutos da instituição forma renovados mas mantendo os objectivos iniciais de defender o património artístico monumental e documental olisiponense, de contribuir para o estudo e solução dos problemas do urbanismo e expansão de Lisboa, de criar correntes de opinião pública que estimulem o relacionamento saudável com a cidade e de dar o seu parecer a instituições oficiais ou a particulares que se ocupem da administração, da defesa e do progresso da cidade. Refira-se ainda que desde janeiro de 1938 que é publicado o boletim do Grupo e que o emblema do mesmo foi criado por Almada Negreiros.

O trabalho do Grupo «Amigos de Lisboa» já antes merecera o reconhecimento da Câmara Municipal de Lisboa quando em 1956 lhes atribuiu a Medalha de Ouro da Cidade, bem como do governo, que em 1980 os considerou instituição de utilidade pública.

Freguesia de Marvila (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias)

 

De São Roque à Misericórdia, passando pelo Mundo

Freguesia da Misericórdia (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia da Misericórdia
(Foto: Sérgio Dias)

A artéria que hoje conhecemos como Rua da Misericórdia viveu-a Ramalho Ortigão como Rua Larga de São Roque e como Rua do Mundo, muito graças a ser a morada do Restaurante Tavares onde os Vencidos da Vida se encontravam para jantar.

Este arruamento começou por ser a Rua Larga de São Roque, dada a proximidade à Igreja e Convento de São Roque,  que afinal também deu o topónimo inicial do Bairro: Alto de São Roque. Porém, no final do séc. XIX viu o seu nome encurtado para Rua de São Roque, por deliberação camarária de 18/05/1889 e consequente edital de dia 8 do mês seguinte.

Rua do Mundo em 1915, no dia do funeral do diretor do jornal (Foto: Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

Rua do Mundo em 1915, no dia do funeral do diretor do jornal
(Foto: Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

Depois, o jornal O Mundo, órgão republicano de António França Borges (1871-1915) e matutino de grande tiragem, criado em 16 de setembro de 1900, instalou-se primeiro nas Rua das Gáveas num edifício que foi depois englobado numa nova edificação com a fachada principal para a Rua de São Roque e na qual até exibia um grande globo. E assim, a edilidade republicana tornou a artéria numa homenagem ao jornal ficando como Rua do Mundo, através do Edital de 18/11/1910.

Já no final da década de trinta do século XX, pelo Edital de 19/08/1937, a edilidade indexou-a antes à Misericórdia de Lisboa, cuja sede se encontra no Largo que encima esta rua e até hoje perdurou como Rua da Misericórdia.

Freguesia da Misericórdia

Freguesia da Misericórdia

 

 

A Rua da Academia das Ciências

Freguesia da Misericórdia (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia da Misericórdia  (Foto: Sérgio Dias)

Quando Ramalho Ortigão se fixou com a sua família em Lisboa, no ano de 1867, trabalhou na Academia das Ciências de Lisboa, na então denominada Rua do Arco a Jesus, primeiro como oficial e depois, como secretário.

O topónimo Rua da Academia das Ciências foi atribuído pela Câmara Municipal de Lisboa, por Edital de 17/10/1924, à antiga Rua do Arco a Jesus, para homenagear a instituição fundada com a aprovação dos seus estatutos pela rainha D. Maria I em 24/12/1779, e desde 1834 sediada nesta artéria, ocupando o edifício do Convento de Jesus da Ordem Terceira de São Francisco, que havia sido cedido à Academia por decreto de 27 de outubro desse ano. Sublinhe-se que se manteve na proximidade o topónimo Travessa do Arco a Jesus.

A instituição científica foi inicialmente denominada Academia Real das Ciências de Lisboa e surgiu por iniciativa do 2º Duque de Lafões, D. João Carlos de Bragança e Sousa Tavares Mascarenhas da Silva e Ligne, com o apoio do Abade Correia da Serra e o Prof. Domingos Vandelli, ambos opositores da política do Marquês de Pombal. Teve a sua primeira sede no Paço das Necessidades e depois, num palácio do Poço Novo, no Palácio do Monteiro-Mor na Calçada do Combro, noutro edifício do Largo do Calhariz, no Colégio dos Monges Beneditinos no Largo da Estrela (1823- 1832) e no Palácio do Conde de Lumiares no Passeio Público.

Refira-se ainda que a toponímia de Lisboa integra também alguns dos Presidentes da Academia de Ciências de Lisboa, a saber, o 2º Duque de Lafões (Calçada do Duque de Lafões), D. Pedro V (Rua), D. Luís I (Praça e Rua), D. Carlos I (Avenida e Esplanada), Lopes de Mendonça (Rua), Braamcamp Freire (Rua), Cândido de Figueiredo (Rua), Dr. Júlio Dantas (Rua), José Maria Rodrigues (Rua), Professor Egas Moniz (Avenida), Aquiles Machado (Rua), Azevedo Neves (Rua), Professor Reinaldo dos Santos (Rua), Prof. Moisés Amzalak (Rua), Prof. Almeida Lima (Rua), Prof. Prado Coelho (Rua) e Professor Pinto Peixoto (Rua).

Freguesia da Misericórdia

Freguesia da Misericórdia

O Largo da Academia Nacional de Belas Artes

Freguesia de Santa Maria Maior (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Sérgio Dias)

O Largo da Academia Nacional de Belas Artes era em 1975 o Largo da Biblioteca Pública, morada da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa onde Luís Dourdil então expôs pintura e desenho, naquela que foi a sua 1ª exposição de cariz retrospetivo. Dourdil voltou a expôr lá obra sua numa mostra coletiva em 1988.

O topónimo Largo da Academia Nacional de Belas Artes foi atribuído pela Câmara Municipal de Lisboa, por Edital de 6 de abril de 1982 , ao antigo Largo da Biblioteca Pública, por via de um pedido formulado pela própria Academia Nacional de Belas Artes, argumentando ter a sua sede naquele local e porque a Biblioteca Pública (Biblioteca Nacional) que   desde 1837 ocupava o Convento de São Francisco e assim dava nome ao largo, havia sido transferida na década de 70 do séc. XX para o Campo Grande.

A Academia de Belas Artes começou a funcionar desde 1837 nos dois pavimentos inferiores do antigo convento de São Francisco da Cidade, após a criação por decreto da rainha D. Maria II, em  outubro de 1836 e, por iniciativa de Passos Manuel, que foi quem fez referendar os três decretos relativos à Academia: o primeiro para criar a Academia; o segundo, para a instalar no   convento de São Francisco da Cidade e, com uma biblioteca de Belas Artes; e o último, para nomear  as pessoas constantes duma relação que acompanhava o mesmo decreto para os diversos empregos da Academia.

No reinado D. Luís, a Academia de Belas Artes passou a ser designada por Academia Real de Belas-Artes (decreto de 22 de março de 1862) e, em 1881, houve uma reforma no ensino artístico, dando-se a separação entre a Escola de Belas Artes de Lisboa, com fins didáticos, e a Academia Real de Belas Artes, com fins culturais.

O Governo Provisório da República extinguiu-a em 1911, sucedendo-lhe a 29 de maio de 1911 o Conselho de Arte e Arqueologia.  Foi restaurada pelo decreto n.º 20 977 em 1932, com o nome de Academia Nacional de Belas Artes, por iniciativa do então ministro da Instrução Pública.

Freguesia de Santa Maria Maior

Freguesia de Santa Maria Maior

A Alameda da Universidade

A Alameda da Universidade nascida por Edital de 31 de março de 1970 na Alameda principal da Cidade Universitária, entre o Campo Grande e o edifício da Reitoria, espelha na toponímia  de Lisboa a criação do campus da Universidade ou Cidade Universitária desta cidade, que ocorrera na década anterior e terminara com a construção da emblemática Reitoria.

A toponímia circundante procurou também guardar a memória de professores universitários e investigadores. Na década de 60 do séc. XX, em que se erguia o campus da Universidade de Lisboa foram atribuídas a Avenida Professor Egas Moniz (avenida A da Cidade Universitária), a Avenida Professor Gama Pinto ( avenida F da Cidade Universitária) e a  Avenida Professor Aníbal de Bettencourt (avenida J da Cidade Universitária).  A partir de 2001, foram acrescentadas a Rua Prof. António Flores (arruamento que liga a Avenida Professor Aníbal de Bettencourt à Alameda da Universidade), a Rua Profª Teresa Ambrósio (rua Interior da Alameda da Universidade entre a Faculdade de Farmácia e a Faculdade de Medicina Dentária), a Rua Branca Edmée Marques (rua Interior da Alameda da Universidade entre a Avenida Professor Aníbal de Bettencourt e a Avenida Professor Gama Pinto), a Rua António Aniceto Monteiro (rua Interior da Alameda da Universidade entre a Rua Prof. António Flores e a Rua Interior entre a Faculdade de Medicina Dentária e a Faculdade de Farmácia), a Rua Paul Choffat (rua Interior da Alameda da Universidade com início na rua Interior da Alameda de Universidade entre a Avenida Professor Aníbal de Bettencourt e a Avenida Professor Gama Pinto) e, a Rua Prof. Oliveira Marques (arruamento Transversal à Alameda da Universidade).

Em Lisboa nasceu a primeira Universidade portuguesa, em 1288, que foi transferida para Coimbra em 1537. A partir do final do século XVIII, os estudos superiores foram restabelecidos na capital, através de Cursos, Escolas e Institutos que, em 1911 ( Faculdade de Letras, Faculdade de Medicina, Faculdade de Ciências, Escola de Farmácia) e, em 1930 (Faculdade de Direito), se congregaram na Universidade de Lisboa e na Universidade Técnica de Lisboa. Em 1980, juntou-se a recém criada Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação. Em 2013, operou-se a fusão da Universidade de Lisboa e na Universidade Técnica de Lisboa sob o nome de Universidade de Lisboa (Decreto-Lei n.º 266-E/2012, de 31 de dezembro).

Inaugurado em 1953, o Hospital de Santa Maria integrou também a Faculdade de Medicina e, em 1960 foi estabelecida legalmente a Cidade Universitária – que hoje está limitada pela Faculdade de Ciências e Museu da Cidade, pela Avenida das Forças Armadas, pelo Campo Grande e, pela Avenida dos Combatentes -, para no ano seguinte, abrir o edifício da Reitoria, da autoria de Porfírio Pardal Monteiro, tal como os edifícios monumentais das Faculdades de Letras e de  Direito, com as fachadas decoradas com desenhos de Almada Negreiros. Na Reitoria, o interior da Aula Magna foi desenhado por Daciano Costa e contou ainda com painéis em mosaico de António Lino Pedras, vitrais de Lino António e a guarda da grande escadaria de  José Farinha.

Freguesia de Alvalade (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias)

A Amnistia Internacional num jardim lisboeta

Freguesia de Campolide

Freguesia de Campolide                                                                                                                    (Foto: Rui Mendes)

Quando em 2011 se comemoraram os 50 anos de vida da Amnistia Internacional, bem como os 30 anos da Secção Portuguesa da Amnistia Internacional nascida a 18 de maio de 1981, a Câmara Municipal de Lisboa associou-se a estas datas e homenageou esta organização empenhada na defesa dos Direitos Humanos e que foi Prémio Nobel da Paz em 1974 e 1977 com a atribuição do seu nome a um Jardim: o Jardim Amnistia Internacional, situado entre a Rua de Campolide, a Avenida José Malhoa e a Rua Cardeal Saraiva, nascido do Edital de 03/06/2011.

Placa Tipo IV (Foto: Rui Mendes)

Placa Tipo IV
(Foto: Rui Mendes)

A Amnistia Internacional foi fundada em 1961, tendo na sua origem um caso que envolve Portugal, com a publicação no The Observer de 28 de maio de 1961 do artigo «The Forgotten Prisioners», no qual o advogado britânico Peter Benenson denunciou a condenação de dois jovens estudantes portugueses a 7 anos de prisão, por gritarem “Viva a Liberdade!” numa esplanada do centro de Lisboa, no âmbito das celebrações da República e, indignado, escreveu aos dirigentes políticos portugueses exigindo a libertação imediata dos dois jovens, ao mesmo tempo que encorajou o seu círculo de relações a fazer como ele e, o sucesso desta manifestação criou o modo de agir da Amnistia Internacional.

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O Beco próximo do antigo Hospital da Marinha

Placa Tipo II

Placa Tipo II
(Foto: Artur Matos)

Este Beco que liga a Rua dos Caminhos de Ferro à Calçada do Cardeal retira o seu nome da proximidade ao Hospital da Marinha que nos seus 216 de existência,  funcionou no local de 1806 a 2013.

O Hospital da Armada Real ou Real da Marinha foi criado pelo Alvará do Príncipe Regente D. João, de 27 de Setembro de 1797, e erguido no local do antigo Colégio de S. Francisco Xavier, também conhecido como Hospício dos Jesuítas ao Paraíso, sob o projecto do arquitecto Francisco Xavier Fabri, tendo sido inaugurado em 1 de Novembro de 1806. Desde da expulsão da ordem dos Jesuítas que o espaço estava transformado em recolhimento de mulheres na dependência do Intendente Geral da Policia, Pina Manique.

Foi o imóvel concebido para funcionar como hospital, com um «Laboratório Chímico» e um «Dispensatório Pharmacêutico», assegurando não só o tratamento e reabilitação dos efectivos da Armada Real, mas também o abastecimento de medicamentos e material sanitário dos navios e dos hospitais então existentes no Ultramar e ilhas atlânticas. E mesmo não existindo então uma rede de distribuição domiciliária de água em Lisboa,  o Hospital Real da Marinha destacava-se por dispor de um sistema interno de águas correntes quentes e frias.

Freguesia de São Vicente

Freguesia de São Vicente
(Foto: Artur Matos)