A Rua do Instituto Bacteriológico de Câmara Pestana

Freguesia de Arroios
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Desde 1918 que a Rua do Instituto Bacteriológico homenageia  o instituto nascido em 1892 no Hospital de São José, por iniciativa do médico Luís da Câmara Pestana.

O topónimo Rua do Instituto Bacteriológico, nasceu em resultado da publicação do Edital de 13 de agosto de  1918, sobre a Rua do Convento de Santana, topónimo que por seu vez, viera substituir a  Rua do Convento das Freiras de Santana.

O  Instituto Bacteriológico de Lisboa foi criado por Luís da Câmara Pestana (Funchal/1863 – 1899/Lisboa), numa enfermaria do Hospital de S. José, em  1892, para combater um surto de febre tifóide em Lisboa e arredores, situação formalizada por decreto de 29 de dezembro desse ano, ou seja, apenas 4 anos após a criação do Instituto Pasteur de Paris, o de referência na matéria, e no ano imediatamente seguinte aos congéneres de Berlim (Instituto Robert Koch) e Londres (Instituto Lister). Em 1895 passou a designar-se como Real Instituto Bacteriológico de Lisboa e a partir de 1899 mudou-se para o edifício da Rua Câmara Pestana, obra dos arquitetos Pedro Romano Folque e Joaquim Pedro Xavier da Silva, edificada sobre as ruínas do Convento e Ermida de Sant’Ana e sendo o primeiro exemplar português da arquitectura hospitalar e laboratorial de investigação construído de raiz, denominando-se a partir daí Instituto Câmara Pestana, em homenagem ao seu fundador, falecido nesse mesmo ano, por proposta dos estudantes da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa. Em 1911, o Instituto foi incorporado na Universidade de Lisboa, agregado à  Faculdade de Medicina de Lisboa.

O Instituto foi uma instituição de investigação biomédica, com intervenção no campo da saúde pública, por exemplo, nos domínios da difteria, microbiologia clínica ou verificação de produtos biológicos, tendo sido o laboratório nacional produtor da vacina contra a tuberculose, assim como pela vacina antirrábica. A partir de 2008 a maior parte do edifício da Instituto Bacteriológico foi entregue à Universidade Nova de Lisboa que aí instalou um centro de investigação biomédica e as principais atividades do Instituto Bacteriológico Câmara Pestana passaram para o campus do Hospital de Santa Maria.

Freguesia de Arroios
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua do Instituto Industrial de Fontes Pereira de Melo

Freguesia da Misericórdia
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do Instituto Industrial, que liga a Avenida 24 de Julho à Rua da Boavista, é um topónimo resultante de ser a artéria onde nasceu em 1852 o Instituto Industrial de Lisboa, estabelecimento de ensino técnico criado por Fontes Pereira de Melo, por decreto de 30 de dezembro desse ano.

Refira-se ainda que não muito longe podemos encontrar o Largo Vitorino Damásio, topónimo que consagra o engenheiro do Conselho Superior de Obras Públicas e Minas que dirigiu em 1852 as obras do Aterro – que viriam a permitir a Avenida 24 de Julho –  e a partir do ano seguinte, desempenhou as funções de Reitor do Instituto Industrial.

Dezassete anos após o seu nascimento, em 1869, o Instituto Industrial de Lisboa sofreu uma fusão com a Escola de Comércio e passou a denominar-se Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, denominação que manteve até 1911, ano em que foi divido em duas instituições: o Instituto Superior Técnico e o Instituto Superior de Comércio (hoje ISEG), tendo em 1930 integrado a criação da Universidade Técnica de Lisboa sob a denominação de Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras.

A data de fixação deste topónimo será posterior a 1852, provavelmente ainda atribuído pelo Governo Civil de Lisboa. Na documentação municipal descortinamos as primeiras menções à Rua do Instituto Industrial no último quartel do séc. XIX, nomeadamente numa resolução municipal de 28 de dezembro de 1874 sobre redução do arrendamento de prédios na artéria, bem como num requerimento de 16 de fevereiro de 1878 do Director da Companhia Previdente pedindo a prorrogação do prazo para a conclusão da reconstrução do edifício da Fábrica da Companhia neste arruamento, ou ainda na identificação do traçado de uma casa de banhos que Teresa de Jesus Soares pretendia em 1883 construir no prédio com o nº 91 da Rua da Boavista, fazendo esquina para a Rua do Instituto Industrial. Certo também é que a primeira planta em que surge a Rua do Instituto Industrial como topónimo é na de 1876, executada por Francisco Goullard para a Câmara Municipal de Lisboa.

Freguesia da Misericórdia
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

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A Avenida da Universidade Técnica

Freguesia da Ajuda
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Como nos anos setenta do século passado a Câmara Municipal de Lisboa consagrara a Alameda da Universidade também no dealbar do novo século fixou na toponímia da cidade a Universidade Técnica de Lisboa, através da Avenida da Universidade Técnica, no Pólo Universitário da Ajuda.

A pedido da própria Universidade Técnica a edilidade lisboeta denominou a Rua B do Pólo Universitário da Ajuda como Avenida da Universidade Técnica, através do Edital municipal de 19 de abril de 2004, que também colocou nas restantes Ruas  nomes de professores  ligados à instituição e às faculdades ali instaladas: os veterinários  Ildefonso Borges Rua Joaquim Fiadeiro, o professor de Medicina Social e Antropologia Cultural Almerindo Lessa e ainda, o pintor Sá Nogueira, professor de arquitetos e designers.

Criada em 1930, a Universidade Técnica de Lisboa aglutinou a Escola Superior de Medicina Veterinária (depois, Faculdade de Medicina Veterinária), o Instituto Superior de Agronomia, o Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras (depois, Instituto Superior de Economia e Gestão) e o Instituto Superior Técnico. Somaram-se o Instituto Superior de Estudos Ultramarinos em 1961, o Instituto Nacional de Educação Física em 1976 e a Faculdade de Arquitetura em 1979.

Em 2004, no ano de atribuição do topónimo, a Universidade Técnica de Lisboa integrava a Faculdade de Medicina Veterinária (FMV), o Instituto Superior de Agronomia (ISA), o Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), o Instituto Superior Técnico (IST), o Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), a Faculdade de Motricidade Humana (FMH) e a Faculdade de Arquitectura (FA).

Na década de 90 do século XX, a instalação do Instituto Superior de Agronomia, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, da Faculdade de Medicina Veterinária e da Faculdade de Arquitectura, no Pólo Universitário do Alto da Ajuda, contíguo à Tapada, a Monsanto, ao Casalinho da Ajuda e à envolvente do Palácio da Ajuda, contribuiu em muito para a consolidação e a requalificação desta área de Lisboa, para além do ensino e da investigação científica, ao fazer acorrer diariamente a esta zona da cidade várias centenas de cidadãos, entre estudantes, professores, investigadores e frequentadores de actividades científicas e culturais da Universidade.

No ano de 2013, a partir do Decreto-Lei n.º 266-E/2012, de 31 de dezembro, operou-se a fusão da Universidade Técnica de Lisboa com a Universidade de Lisboa, ficando ambas as Universidades novamente unidas sob o nome de Universidade de Lisboa.

Freguesia da Ajuda
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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Da Cruz do Tabuado à Rua da Escola de Medicina Veterinária

O Instituto de Agronomia e Veterinária em data entre 1898 e 1908
(Foto: Machado & Souza, Arquivo Municipal de Lisboa)

A antiga Travessa do Abarracamento da Cruz do Tabuado passou pelo edital municipal de 10 de junho 1884 a ser a Rua do Instituto Agrícola dada a proximidade a esta escola. Após a implantação da República, por edital de 7 de agosto de 1911, foi o topónimo alterado para Rua da Escola de Medicina Veterinária, correspondendo assim também à mudança do nome do estabelecimento de ensino, e é esse hoje que ainda encontramos na artéria que liga a Rua de Dona Estefânia à  Praça José Fontana.

No séc. XIX,  no lugar da Cruz do Taboado, foi inaugurado oficialmente em 16 de dezembro de 1852 o Instituto Agrícola, que a partir  1855 integrou a Escola de Veterinária, e em 1884 ficou na toponímia lisboeta como Rua do Instituto Agrícola.

O ensino da medicina veterinária nasceu por decreto de 1830, do então rei D. Miguel, instalando-se a  Escola Militar Veterinária nos arrabaldes de Lisboa, no sítio da Luz, paredes meias com o Colégio Militar, sendo em 1833 transferida para o edifício do Convento dos Padres Brunos na Rua do Salitre e ganhando em 1836 o nome de Escola Nacional e Real de Economia Rural Veterinária. Nela se formaram médicos veterinários  como Ferreira Lapa,  Bernardo Lima, de José Maria dos Santos e Gualdino Gagliardini, entre outros. Depois, em 1864, deu-se a fusão do Instituto Agrícola de Lisboa com a Real Escola Veterinária Militar da Rua do Salitre sob a denominação global de  Instituto Geral de Agricultura que em 1886 mudará para Instituto de Agronomia e Veterinária.

Após a implantação da República, em dezembro de 1910 o Instituto de Agronomia e Veterinária passou a ser duas escolas – o Instituto de Agronomia e a Escola de Medicina Veterinária -, tendo em 1911 passado à toponímia como Rua da Escola de Medicina Veterinária para substituir a Rua do Instituto Agrícola.

Em 1930 tanto a Escola Superior de Medicina Veterinária como o Instituto Superior de Agronomia foram duas das 4 escolas fundadoras da Universidade Técnica de Lisboa, com o Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras e o Instituto Superior Técnico. Em 1 de agosto de 1989 passou a denominar-se Faculdade de Medicina Veterinária e na década seguinte passou a estar instalada no pólo universitário do Alto da Ajuda, ficando na memória toponímica de Lisboa a recordação das suas antigas instalações. O antigo edifício da escola na Rua da Escola de Medicina Veterinária começou a ser demolido em 2011 para dar lugar ao novo complexo da Polícia Judiciária, inaugurado em 2014.

Freguesia de Arroios
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua do Instituto Dona Amélia junto à Avenida 24 de Julho

Freguesia da Misericórdia
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Junto ao então edifício da Assistência Nacional aos Tuberculosos nasceu em 1947 a Rua do Instituto Dona Amélia, a ligar a Avenida 24 de Julho à Rua da Ribeira Nova.

Nas suas visitas regulares a arruamentos de Lisboa para estudar a nomenclatura a atribuir-lhes, a Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa decidiu em 22 de maio de 1946 propor «que o arruamento sem nome que começa na Avenida Vinte e Quatro de Julho e finda na Rua da Ribeira Nova, entre o Mercado Vinte e Quatro de Julho e o edifício da Assistência Nacional aos Tuberculosos, tenha a denominação de Rua do Instituto Dona Amélia», a que a edilidade respondeu favoravelmente atribuindo esse topónimo através do Edital municipal de 18 de dezembro de 1947.

Quando a tuberculose era uma doença temível,  com uma taxa de cerca de 297 a 396 mortes por 100 mil habitantes, a Rainha D. Amélia de Orleães e Bragança (1865 – 1951), fundou a Assistência Nacional aos Tuberculosos através da Lei de 17 de agosto de 1899, a primeira instituição oficial portuguesa de luta contra a tuberculose. A sede abriu em 1906 no Instituto Rainha D. Amélia, na então Rua 24 de Julho ( e Avenida depois de 1928). Começou por ser uma associação de beneficência, que recolheu à época uma enorme adesão e cuja lei potenciou a disseminação um pouco por todo o país de hospitais, sanatórios e dispensários para combater a tuberculose.

Em 1911 foi criada uma Comissão permanente incumbida de estudar a reorganização geral da Assistência Geral aos Tuberculosos e de propor acções profiláticas e de assistência, de carácter oficial ou privado. Todavia, a proliferação da tuberculose levou à criação em 1924, de um fundo de assistência aos tuberculosos ferroviários, para a construção e manutenção de sanatórios.

Em 1931 foi criado o lugar de diretor dos serviços gerais da Assistência Nacional aos Tuberculosos e uma Comissão encarregada de apresentar um projeto de reorganização dos serviços  tendo quatro anos depois sido aprovados novos estatutos. Em 7 de novembro de 1945 (Decreto-Lei n.º 35.108) foi criado o Instituto Nacional de Assistência aos Tuberculosos (IANT) que absorveu a Assistência Nacional aos Tuberculosos criada pela Rainha D. Amélia.

Em 1975 foi criado o SLAT – Serviço de Luta Anti-Tuberculosa (Decreto-Lei 260/75 de 26 de maio) que foi absorvendo progressivamente as atribuições do Instituto Nacional de Assistência aos Tuberculosos para na década de noventa tudo ficar na tutela da Administração Regional de Saúde de Lisboa.

Freguesia da Misericórdia
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua da Escola do Exército

Freguesia de Arroios
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Em 1882, pelo Edital municipal de 26 de julho, a Rua da Escola do Exército foi o topónimo que veio tomar o lugar da Rua do Marquês de Pombal,  por referência à escola que desde 1850 estava instalada no Palácio da Bemposta, também conhecido como Paço da Rainha, cujas instalações também davam acesso a este arruamento.

Menos de dois meses antes, a deliberação de Câmara de 6 de maio de 1882, data do centenário de falecimento do Marquês de Pombal determinara o nascimento da Praça Marquês de Pombal no topo da Avenida da Liberdade e não faria sentido manter dois topónimos a homenagear a mesma personalidade na cidade de Lisboa. Em 1884, a Rua da Escola do Exército cresceu de tamanho ao receber ainda o sítio do Cabeço de Bola através do Edital municipal de 10 de junho desse ano e assim, nos dias de hoje este arruamento liga o Paço da Rainha à Rua Jacinta Marto.

No decorrer dos séculos, a Escola do Exército também foi mudando de nome e de local, desde que era a Academia Real de Fortificação até hoje ser a Academia Militar. Em 2 de janeiro de 1790 D. Maria I criou  a Academia Real de Fortificação, Artilharia e Desenho para formar preferencialmente oficiais engenheiros militares, mas também oficiais de outras armas do Exército, tendo sido primeiro instalada no Arsenal Real do Exército (hoje, Museu Militar), de onde transitou para o Palácio da Regência (hoje, neste espaço está o Teatro Nacional D. Maria II), para o Palácio dos Sousa Calhariz  (no final do séc. XVIII e nos primeiros anos do séc. XIX) e depois para o espaço do antigo Colégio Jesuíta da Cotovia, em conjunto com o Real Colégio dos Nobres e a Academia Real da Marinha.

Bernardo de Sá Nogueira de Figueiredo, futuro marquês de Sá da Bandeira, reorganizou a Academia Real de Fortificação, Artilharia e Desenho em 1837 o que passou também por passar a ostentar a nova nomenclatura de Escola do Exército e até 1843 continuou a partilhar o mesmo espaço com a Escola Politécnica, onde o incêndio desse ano encaminhou a Escola do Exército para uma casa do Pátio do Pimenta,  para logo depois no ano seguinte mudar para o Palácio dos Condes de Murça em Santos-O-Velho até D. Maria II  instalar a Escola no Palácio da Bemposta ou Paço da Rainha. Com a implantação da República, o primeiro edital de toponímia, de 5 de novembro de 1910, até mudou o topónimo do local – Paço da Rainha – para Largo da Escola do Exército e o Decreto de 25 de maio de 1911 renomeou a instituição como Escola de Guerra, passando a ser um estabelecimento de ensino exclusivamente militar. Com a reorganização do Exército de 1937 voltou à denominação de Escola do Exército. por  disposição do Ministério da Guerra de 26 de julho de 1938, assim se mantendo até em 1959 (Decreto-lei de 12/02/1959) ganhar a designação de Academia Militar que  até hoje continua, destinada à formação dos oficiais do Exército Português e da Guarda Nacional Republicana.

Freguesia de Arroios
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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Da Cotovia à Rua da Escola Politécnica de 1859

A Rua da Escola Politécnica num postal de 1906

Rua da Escola Politécnica é o topónimo que consagra o estabelecimento de ensino superior que naquele arruamento foi fundada em 1837- a Escola Politécnica – , nas instalações que haviam sido do Colégio dos Nobres (1766) e ainda antes, do Noviciado da Companhia de Jesus (1619) na Cotovia.

A Rua da Escola Politécnica, que une a Praça do Príncipe Real ao Largo do Rato, nasceu do Edital do Governo Civil de Lisboa de 1 de setembro de 1859 que determinou que a Rua da Patriarcal Queimada e a Rua Direita da Fábrica das Sedas passassem a constituir um único arruamento com a denominação de Rua da Escola Politécnica.

Conta Norberto de Araújo nas suas Peregrinações que «Esta artéria, rasgada como larga serventia entre as quintas do Noviciado da Companhia de Jesus e a de D. Rodrigo, fazia a ligação do sítio da Cotovia com o de Campolide, que começava – já o disse – onde veio a ser o Rato. Antes do Terramoto a rua tinha duas designações para cada um dos seus troços: Rua Direita da Fábrica das Sedas até ao Palácio dos Soares (depois Imprensa Nacional), daí para diante até à actual Praça do Rio de Janeiro [ desde 1948 corresponde à Praça do Príncipe Real ] era Rua do Colégio dos Nobres, designação que sucedeu à de Rua Direita da Cotovia. Em Setembro de 1859 passou toda a artéria a ser Rua da Escola Politécnica».  Em resumo, a Rua Direita da Cotovia passou a ser Rua do Colégio dos Nobres que mais tarde se torna Rua da Patriarcal Queimada e depois, 22 anos após a abertura da Escola Politécnica, se une com a Rua Direita da Fábrica das Sedas para dar lugar à Rua da Escola Politécnica.

A Casa do Noviciado da Cotovia, foi construída pelo arquiteto Baltazar Álvares na Quinta do Monte Olivete e estando concluída em 1616, começou três anos depois a ser o centro de formação dos  Jesuítas, até à sua expulsão de Portugal em 1759. Depois de expulsar os Jesuítas, o Marquês de Pombal aproveitou o colégio deles para instalar, a partir de 7 de março de 1761, o Real Colégio dos Nobres, remodelado por Carlos Mardel, para ministrar uma formação inicial a jovens aristocratas, no quadro do Iluminismo.

Foi o Colégio dos Nobres extinto em 4 de janeiro de 1837 para dar lugar, pela publicação do Decreto de 11 de janeiro de 1837 à  Escola Polytechnica de Lisboa , concebida para ministrar um ensino preparatório científico aos candidatos a oficiais do Exército e da Marinha, que seria completado nas escolas especializadas – Escola do Exército e Escola Naval – copiando o modelo da Escola Politécnica de Paris. Os cursos ministrados eram um curso geral, um curso preparatório para oficiais de artilharia, outro para oficiais de marinha e outro para oficiais de infantaria e cavalaria, um curso preparatório para oficiais de estado-maior e de engenharia militar para engenheiros civis bem como um curso preparatório para engenheiros construtores navais. Entretanto, o antigo edifício ficou totalmente destruído em virtude de um incêndio ocorrido em  22 de abril de 1843, pelo que a partir de 1857 foram sendo construídas novas instalações que já só virão a albergar a Escola Politécnica uma vez que a Escola do Exército havia sido deslocada em 1850 para o Palácio da Bemposta.

A partir de 19 de abril 1911, na sequência da criação da Universidade de Lisboa, passou a ser a Faculdade de Ciências que 74 anos depois, em 1985, se mudou para novas instalações na Cidade Universitária de Lisboa, no Campo Grande. Nas instalações da Rua da Escola Politécnica passou então a funcionar o Museu Nacional de História Natural e da Ciência (MUHNAC), onde se integra o Jardim Botânico (nascido em 1878), classificado como Monumento Nacional desde 2010, e que inclui o Observatório Astronómico da Escola Politécnica, o Edifício dos Herbários, as Estufas e o Palmário.

Freguesias da Misericórdia e de Santo António
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

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Escolas Gerais: a universidade no Pátio dos Quintalinhos

O entroncamento da Calçada de São Vicente com as Escolas Gerais
Freguesias de São Vicente e de Santa Maria Maior
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Sob o nome de Escolas Gerais, a Universidade de Lisboa funcionou no Pátio dos Quintalinhos, no Paço do Infante Dom Henrique, antes de ser transferida para Coimbra em 1537, tendo gerado no local os topónimos Escolas Gerais, Rua das Escolas Gerais e Escadinhas das Escolas Gerais.

O olisipógrafo Luís Pastor de Macedo, na sua Lisboa de Lés a Lés explica que «Como decerto o leitor já viu, ao Bairro dos Escolares chamaríamos hoje Bairro Universitário, e as Escolas Gerais ou o Estudo Geral são a Universidade transferida definitivamente para Coimbra em tempo de El-Rei D. João III (1537). Também com certeza sabe o leitor que na Lisboa de hoje existem duas serventias públicas com nomes determinados pelo Estudo fundado por El-Rei D. Dinis: as Escolas Gerais, artéria inclassificada que pertenceu às antigas freguesias de Santa Marinha e de S. Vicente [hoje sob administração das freguesias de  Santa Maria Maior e São Vicente], que a compartilhavam, e a Rua das Escolas Gerais que pertenceu à antiga freguesia de S. Tomé, e durante algum tempo, pelo menos, também à do Salvador [hoje também na administração das freguesias de  Santa Maria Maior e São Vicente].»

A primeira universidade portuguesa foi estabelecida em Lisboa, entre 1288 e 1290, tendo D. Dinis promulgado a carta Scientiae thesaurus mirabili em que conferia vários privilégios aos estudantes do Estudo Geral de Lisboa. Localizar-se-ia então no Campo da Pedreira, uma zona no arrabalde ocidental da cidade, no espaço que hoje conhecemos entre a Rua Garrett e o Convento da Trindade. No século seguinte a Universidade foi transferida várias vezes de Lisboa para Coimbra e vice-versa. Em 1377 regressou por um longo período a Lisboa e em 1431, o Infante Dom Henrique concedeu-lhe várias casas no Pátio dos Quintalinhos, hoje com entrada pelo nº 3 da Rua das Escolas Gerais.

As Escadinhas das Escolas Gerais
Freguesias de São Vicente e de Santa Maria Maior
(Foto: Ana Luísa Alvim| CML)

O topónimo primitivo do local será Escolas Gerais, arruamento que hoje une a Rua das Escolas Gerais à Calçada de São Vicente. Dele derivou o arruamento central do sítio, a Rua Direita das Escolas Gerais como aparece mencionada no Atlas de Lisboa de Filipe Folque em 1858 e que denominamos como Rua das Escolas Gerais, pelo menos desde que o Edital do Governo Civil de Lisboa de 1 de setembro de 1859 incorporou a Rua de Marco Salgado na referida como Rua das Escolas Gerais. Esta última teve vários alargamentos a partir de uma proposta do vereador Joaquim José Alves, desde que em 1879 foi expropriada uma parte do terreno do Convento do Salvador para o seu alargamento, a que seguiram mais em 1881 e 1886.

As Escadinhas construídas para ligar a Rua Guilherme Braga à Rua das Escolas Gerais, dada a proximidade, tomaram também a denominação de Escadinhas das Escolas Gerais, e são pertença também das freguesias de  Santa Maria Maior e São Vicente, sendo o último topónimo gerado pela Universidade medieval naquele local.

Mencione-se ainda que Escolas Gerais foi também o topónimo da freguesia local até 1959, quando o Decreto-Lei n.º 42142, de 7 de fevereiro de 1959, remodelou as freguesias da Conceição e das Escolas Gerais: a Conceição ou Conceição Nova viu o seu território repartido pelas freguesias da Baixa de Lisboa, como Madalena, Mártires e São Nicolau e a freguesia das Escolas Gerais passou a designar-se São Vicente de Fora.

Os 3 topónimos com Escolas Gerais
Freguesias de São Vicente e de Santa Maria Maior
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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O Largo Associação Ester Janz em Marvila

Largo Associação Ester Janz – Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC )

Fundada em 1982, para prestar apoio educativo aos filhos dos funcionários do grupo das Empresas dos austríacos Janz,  a Associação Ester Janz passou em 1 de agosto de 2005 a dar nome a um Largo da Freguesia de Marvila, na confluência da Rua Fernando Maurício com a Rua Armandinho, próximo da sede da Associação.

Associação Ester Janz – Freguesia de Marvila

Bruno Janz, casado com Ester Janz,  fundou em 1915 a Empresa Bruno Janz,  na Avenida Infante D. Henrique, junto à nova rotunda, que resultou do prolongamento da Avenida Estados Unidos da América. Esta empresa familiar foi continuada pelo seu filho, netos e bisnetos, tendo à data da atribuição do topónimo cerca de 600 trabalhadores, muitos deles com 20, 30, 40 e até 50 anos de casa e moradores da freguesia de Marvila.

Logo nesse início do séc.XX e da empresa Bruno Janz, a sua esposa Ester Janz manifestava preocupações sociais em prol da melhoria de vida da mulher trabalhadora para obstar às dificuldades que estas tinham em conseguir conciliar a profissão com a vida familiar. Assim, em 7 de julho de 1982 foi possível à neta, Teresa Janz, concretizar o sonho da avó com a Associação Ester Janz, construída em edifício próprio e como uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), dedicada à educação dos filhos dos funcionários do grupo das Empresas Janz. Das 28 crianças iniciais passou-se para 60, decorridos cinco anos, já que em 1987, mediante protocolo assinado com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, a Associação acolheu pela primeira vez também crianças moradoras nas imediações das empresas do grupo e cujo rendimento do agregado familiar era baixo, aumentando a valência de  infantário para também escola do 1º Ciclo e  expandindo-se à comunidade em geral, sendo em 1990 já 438 crianças, granjeando o apoio da Junta de Freguesia de Marvila e da Câmara Municipal de Lisboa, nomeadamente através da cedência de terrenos para a construção e a ampliação das instalações.

Ester Janz faleceu em 1977 e os fundadores da Associação com o seu nome, funcionários e acionistas das Empresas Janz quiseram prestar-lhe esta homenagem a que a edilidade lisboeta acedeu dando o seu nome a uma arruamento da Freguesia para cujo bem estar contribuiu.

Largo Associação Ester Janz – Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )

A Rua de São Lázaro ou 20 de Abril de 1911

A Rua Vinte de Abril em 1927 (à esquerda)
Foto: Eduardo Portugal (Arquivo Municipal de Lisboa)

Na 2ª reunião da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa após o 25 de Abril, em 20 dezembro de 1974, foi analisada uma carta  Alberto Bastos Flores que entre diversos pedidos solicitava a alteração da Rua de São Lázaro para  Rua Vinte Abril, data da assinatura da Lei da Separação da Igreja e do Estado em 1911.

O topónimo São Lázaro está ligado à Gafaria do mesmo nome, uma das mais antigas instituições públicas de assistência de Lisboa, estando documentada pelo menos desde 1220. O hospital foi criado para nele serem acolhidos e isolados os leprosos, denominados então como gafos, gafados ou doentes do mal de São Lázaro, começando pelos oriundos da Gafaria de Lisboa – que se situava onde hoje encontramos a esquina da Rua Vítor Cordon com o Largo da Academia Nacional de Belas Artes -, desta feita sob a responsabilidade dos cavaleiros hospitalários de São Lázaro, ordem religioso-militar fundada em Jerusalém em 1098. No séc. XIV era este Hospital administrado pelo Senado da Câmara Municipal de Lisboa, sob direção da Coroa. No séc. XIX, o Decreto de 11 de novembro de 1844 entregou a administração deste Hospital à Comissão Administrativa da Misericórdia de Lisboa e ao Hospital Real de S. José.  Em 1918, face à falta de condições, o Enfermeiro Mor, Dr. Lobo Alves, mandou transferir os gafos para os Pavilhões do Hospital do Rego, de onde saíram em definitivo a partir de 1947, para a Leprosaria Rovisco Pais, na Tocha (hoje, um Centro de Medicina de Reabilitação).

Afonso Costa (ao centro da mesa) assina a Lei da Separação da Igreja do Estado, em 20 de abril de 1911
(Foto: Anselmo Franco, Arquivo Municipal de Lisboa)

Já a Rua Vinte de Abril nasceu por via do edital municipal de 14 de outubro de 1915, ou seja, no período da I República, na Rua de São Lázaro, no âmbito da comemoração do 4º aniversário da Lei da Separação da Igreja e do Estado,  da autoria de Afonso Costa, enquanto ministro da Justiça. Dela importa destacar os primeiros 4 artigos que definiam os valores fundamentais da separação de um estado laico de um estado religioso:  liberdade de consciência para os portugueses e estrangeiros (1º); religião católica deixa de ser religião do estado (2º); ninguém pode ser perseguido por motivos de religião (3º); a república não reconhece, não sustenta, nem subsidia culto algum (4º).

Mais tarde, no processo de eliminar os topónimos republicanos, na maior parte das vezes substituindo-os pelos anteriores, a edilidade lisboeta nomeada pelo Estado Novo, voltou a denominá-la como Rua de São Lázaro pelo Edital de 19 de agosto de 1937,  justificando que «algumas destas ruas (que foram alteradas, como esta) não conseguiram com a moderna toponímia apagar na memória da população a sua designação anterior».

A Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa pós-25 de Abril acabou por não voltar a alterar o topónimo tomando em conta os inconvenientes que acarretaria para os munícipes.

Freguesias de Santa Maria Maior e Arroios
(Planta: Sérgio Dias)