A Rua do Caribe e o Passeio do Cantábrico no Parque das Nações

Rua do Caribe - Freguesia do Parque das Nações (Foto: Sérgio Dias)

Rua do Caribe – Freguesia do Parque das Nações
(Foto: Sérgio Dias)

O Caribe da América Central e o mar Cantábrico da costa norte de Espanha são topónimos da Freguesia do Parque das Nações.

A Rua do Caribe une a Alameda dos Oceanos ao Passeio do Báltico enquanto o Passeio do Cantábrico vai da Avenida do Índico à Avenida da Boa Esperança mas ambos foram oficializados pela Câmara Municipal de Lisboa através do Edital de 16/09/2009, assim como mais 100 topónimos.  No âmbito da requalificação urbana resultante da Expo 98 «Os Oceanos: um património para o futuro», o espaço veio a tornar-se  território administrativo do concelho de Lisboa já com prédios construídos pelo que causaria transtornos e custos aos residentes a mudança dos topónimos pelo que a edilidade lisboeta oficializou-os.

Esta herança toponímica que Lisboa acolheu integra referências aos oceanos, aos Descobrimentos Portugueses, aos aventureiros marítimos de diversas nacionalidades, quer na literatura quer na banda desenhada, assim como figuras de relevo para Portugal, escritores portugueses ou obras suas de alguma forma ligadas ao mar e ainda, alguns biotopónimos.

Passeio do Cantábrico - Freguesia do Parque das Nações (Foto: Sérgio Dias)

Passeio do Cantábrico – Freguesia do Parque das Nações
(Foto: Sérgio Dias)

O Caribe ou Caraíbas denomina uma vasta área geográfica e cultural na América Central, abrangendo tanto o mar do Caribe como as suas ilhas e estados insulares. Também foram denominadas Antilhas ou Índias ocidentais mas toda a região tem uma cultura própria que funde características africanas, ameríndias e europeias de várias origens.

O mar Cantábrico situa-se no Atlântico, banhando a costa norte de Espanha e sudoeste de França, banhando a Costa Verde, onde ficam localizadas cidades como Gijon e Santander e onde se registam a existência de portos desde o período romano. Apesar das suas características geográficas de ventos fortes, provocando vagas alterosas, tem sido um elemento de ligação entre os países do norte da Europa e a Península Ibérica. O seu nome tem origem nos romanos, que o designaram como Sinus Kantabrorun, que significa «oceano dos Cantábros».

Rua do Caribe e Passeio do Cantábrico - Freguesia do Parque das Nações (Planta: Sérgio Dias)

Rua do Caribe e Passeio do Cantábrico – Freguesia do Parque das Nações
(Planta: Sérgio Dias)

Anúncios

A Avenida e a Praça de Dom João II, o Príncipe Perfeito

Praça Príncipe Perfeito - Freguesia do Parque das Nações (Foto: Sérgio Dias)

Praça Príncipe Perfeito – Freguesia do Parque das Nações
(Foto: Sérgio Dias)

D. João II, «Príncipe Perfeito» de cognome, é topónimo de duas artérias do Parque das Nações, herdadas da Expo 98: a  Avenida D. João II, que corre paralela à Rua do Pólo Sul, e nasce na Praça Príncipe Perfeito para desembocar na Via do Oriente.

No âmbito da requalificação urbana resultante da Expo 98 «Os Oceanos: um património para o futuro», a Câmara Municipal de Lisboa oficializou pelo Edital de 16/09/2009 os topónimos escolhidos pela organização do evento para figurarem nos arruamentos no decorrer da exposição, já que na altura em que se tornaram território administrativo do concelho de Lisboa já possuíam prédios construídos e causaria transtornos e custos aos residentes a mudança de topónimo.

Esta herança toponímica que Lisboa acolheu integra referências aos oceanos, aos Descobrimentos Portugueses, aos aventureiros marítimos de diversas nacionalidades, da literatura e da banda desenhada, assim como figuras de relevo para Portugal, escritores portugueses ou obras suas de alguma forma ligadas ao mar e ainda, alguns biotopónimos.

Avenida D. João II - Freguesia do Parque das Nações (Foto: Sérgio Dias)

Avenida D. João II – Freguesia do Parque das Nações
(Foto: Sérgio Dias)

D. João II (Lisboa- Paço das Alcáçovas/03.03.1455 – 25.10.1495/Alvor), 13º rei de Portugal, de 1481 a 1495, filho de D. Afonso V e de D. Isabel de Coimbra, casou com sua prima direita D. Leonor de Viseu em 1471 e caracterizou o seu reinado pelo empenho em restabelecer a eficácia do poder central e restaurar as finanças públicas por um lado, enquanto por outro, defendeu a política de exploração atlântica, dando prioridade à busca de um caminho marítimo para a Índia, tanto mais que já desde 1474 dirigia a política atlântica de expansão portuguesa.

Foi D. João II que após ordenar as viagens de Bartolomeu Dias e de Pêro da Covilhã, e  na sequência da recusa em apoiar Cristóvão Colombo, delineou em 1494 o plano da primeira viagem à Índia para ser executada por Estêvão da Gama e negociou com os Reis Católicos o Tratado de Tordesilhas que dividiu o controlo do mundo entre Portugal e Espanha, já com o Brasil – oficialmente descoberto em 1500 – na metade portuguesa. A totalidade das descobertas portuguesas do reinado de João II permanece desconhecida já que muita informação foi mantida em segredo por razões políticas e arquivos desse período foram destruídos no Terramoto de 1755.

D. João II foi a efígie nas notas de mil angolares (do Banco de Angola) de 1 de junho de 1944, bem como das de 500 escudos do Banco de Portugal de 25 de janeiro de 1966.

A Avenida D. João II e a Praça Príncipe Perfeito - Freguesia do Parque das Nações (Planta: Sérgio Dias)

A Avenida D. João II e a Praça Príncipe Perfeito – Freguesia do Parque das Nações
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua dedicada a Gilberto Freyre do luso-tropicalismo

Freguesia de Marvila (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias)

Por proposta do Sr. Appio Sottomayor e do Prof. Esteves Pereira, enquanto membros da Comissão Municipal de Toponímia, foi atribuído o nome de Gilberto Freyre em Lisboa, o que se concretizou pelo Edital municipal de 26/12/2001 na Rua M4 da Zona M de Chelas, em Marvila, sendo também atribuída a Rua Jorge Amado nas proximidades, fazendo com que no presente a Rua Gilberto Freyre una a Rua Jorge Amado à Avenida Vergilio Ferreira.

Gilberto Freyre (Brasil-Recife/15.04.1900 – 18.01.1987/Recife-Brasil) foi um sociólogo brasileiro que se distinguiu pela criação do conceito de luso-tropicalismo: uma natural e inata capacidade de adaptação dos portugueses aos trópicos teria permitido uma miscigenação cultural de índios, negros e lusos sendo essa a característica da colonização portuguesa.  Politicamente, esta tese teve grandes repercussões no Brasil por valorizar o papel importante dos índios e negros na formação da sociedade brasileira.

A sua obra mais conhecida é Casa Grande & Senzala (1933), onde traçou um quadro da fusão de raças e das heranças culturais com base luso-africana e o modo como esta fusão contribuiu para a identidade brasileira, pelo que recebeu elogios de Roland Barthes e Fernand Braudel.

Foi na sequência de uma visita a Cabo Verde, Guiné, São Tomé, Angola, Moçambique e Goa,  a convite do governo português, que Gilberto Freyre lançou o conceito de tropicalismo e luso-tropicalismo expresso nas suas obras O mundo que o português criou (1940),  O luso e o trópico (1961), Arte, ciência e trópico (1962), Homem, cultura e trópico (1962), A Amazónia brasileira e uma possível lusotropicologia (1964), para além de em 1966 ter iniciado um Seminário de Tropicologia que dirigiu até à sua morte.

Refira-se ainda que Gilberto Freyre se exilou em Portugal de 1930 a 1933, acompanhando o governador de Pernambuco, de quem era secretário particular, na fuga provocada pela Revolução de Outubro de 1930, que colocou Getúlio Vargas no poder.

Freguesia de Marvila (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do político liberal Rodrigo da Fonseca

A Rua Rodrigo da Fonseca em data entre 1898 e 1908                                                                                  (Foto: Machado & Souza, Arquivo Municipal de Lisboa)

Na antiga Azinhaga do Vale de Pereiro está desde 1884 fixado o político liberal Rodrigo da Fonseca, pela deliberação camarária de  28 de fevereiro e consequente Edital de 4 de março, na artéria que hoje se estende da Rua do Salitre à Rua Marquês de Fronteira.

Rodrigo da Fonseca Magalhães (Condeixa-a-Nova/24.07.1787-11.05.1858/Lisboa), ainda quando estudante em Coimbra, abraçou a carreira militar alistando-se no  Batalhão Académico sob o comando do lente de Matemática Tristão de Oliveira, para combater as invasões francesas de 1807. Dez anos depois, em 1817, sendo tenente e estando implicado na conspiração de Gomes Freire, abandonou o exército e refugiou-se no Brasil onde foi secretário do seu antigo comandante Luís do Rego Barreto e a partir de 1821, da Junta Governativa organizada após a Revolução Liberal do Porto. Ainda nesse ano de 1821, fundou o primeiro jornal político de Pernambuco, o Aurora Pernambucana.

Regressou a Portugal em 1822 com o general Luís do Rego Barreto de quem já era então genro, mas após o triunfo da Vilafrancada foram ambos deportados para a Figueira da Foz. Em 1824, Rodrigo da Fonseca obteve licença para morar em Viana do Castelo mas  em 1828, após se recusar a aderir à causa da monarquia absoluta de D. Miguel teve de se refugiar em Inglaterra, tendo embarcado com o seu amigo Silva Carvalho. Em Londres apresentou-se a Pedro de Sousa Holstein, futuro Duque de Palmela, que liderava a emigração constitucional portuguesa, sendo colocado na secretaria da embaixada, encarregue de dirigir os jornais liberais Aurora e Paquete de Portugal. 

Voltou de vez ao nosso país após o desembarque de D. Pedro IV no Mindelo, sendo então diretor-geral do Ministério dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça e administrador da Imprensa Nacional. Foi também deputado pelo Minho (1934); fundador com António Pereira dos Reis e redator do Revista; Ministro dos Negócios do Reino do Duque de Saldanha (1835)  período em que criou por decreto o Instituto de Ciências Físicas e Matemáticas em Lisboa mas revogado após protestos da Universidade de Coimbra e queda do governo, repetindo a pasta no governo do 1º Conde de Bonfim (1839) embora tenha contribuído para a sua queda defendeu no parlamento que não podia governar sem a liberdade da imprensa, voltando à pasta em 1851-1856 outra vez com o Marechal Saldanha; Ministro dos Negócios Estrangeiros (1841) no governo de Joaquim António de Aguiar; Conselheiro de Estado (1842); e ainda Par do Reino (1847).

Tendo fixado a sua residência em Lisboa na Rua dos Navegantes, onde veio a falecer, Rodrigo da Fonseca foi ainda sócio emérito da Academia Real das Ciências de Lisboa, sócio do Conservatório Real de Lisboa e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil. Recusou títulos nobiliárquicos mas mesmo assim foi galardoado como fidalgo cavaleiro da Casa Real (2 de agosto de 1835), com a grã-cruz da Ordem de Cristo, o grau de cavaleiro da Ordem da Torre e Espada, a Cruz n.º 4 das Campanhas da  Guerra Peninsular e a medalha britânica de 7 ações.

Freguesias de Santo António, Avenidas Novas e Campolide (Planta: Sérgio Dias)

Freguesias de Santo António, Avenidas Novas e Campolide
(Planta: Sérgio Dias)

 

 

Numa Rua de Caselas, Alice Pestana da causa da educação das mulheres

Freguesia de Belém
(Foto: Sérgio Dias)

Por Edital de 20 de abril de 1988, ficou perpetuada na Rua 3 do Bairro de Caselas Alice Pestana, professora e escritora dos séculos XIX e XX, que se destacou pela defesa da causa da educação das mulheres, em Portugal e em Espanha, difundindo a ideia de que a educação das mulheres contribuía para uma sociedade mais democrática e justa.

A Junta de Freguesia de São Francisco Xavier pediu à CML topónimos para os arruamentos do Bairro de Caselas, e recebeu parecer favorável da Comissão Municipal de Toponímia com as seguintes considerações: «Caselas é um aglomerado habitacional muito antigo e que já antes da construção do Bairro o “Diário de Noticias”, pela pena do seu diretor de então, Doutor Augusto de Castro, chamava a atenção para a necessidade de se prestar homenagem a figuras ilustres que ali nasceram ou viveram, a Comissão é de parecer que, entre alguns nomes de vulto nas Artes e nas Letras, fiquem perpetuados na toponímia do Bairro, os nomes das figuras mais representativas do lugar, atribuindo-se aos arruamentos ainda sem nomenclatura própria abaixo referidos, as denominações que vão indicadas»: Rua Carolina Ângelo (na Rua 1), a 1ª mulher portuguesa a votar; Rua Leonor Pimentel (na Rua 2), a republicana de Nápoles; Rua Virgínia Quaresma (Rua 4), considerada a 1ª jornalista de reportagem portuguesa; Rua Padre Reis Lima (Rua 5), pároco local; Rua Aurora de Castro (Rua 6), a 1ª notária portuguesa; Rua Olga Morais Sarmento (Rua 7), escritora; Rua do Pai Calvo (Rua 8); Rua dos Margiochis (Rua 10); Rua do Manuelzinho D’ Arcolena (Rua 11); Rua da Quinta do Paizinho (Rua 12) e Rua Sara Afonso (Rua vulgarmente conhecida por Rua da Cooperativa de Caselas), pintora.

alice-pestana-caielAlice Evelina Pestana Coelho (Santarém/07.04.1860 – 24.12.1929/Madrid), foi uma escritora e pedagoga que na literatura usou os pseudónimos de Caiel, Eduardo Caiel, Cil e ainda, o anagrama Célia Elevani. Colaborou em várias revistas e jornais – Financial and Mercantil Gazette ou O Tempo – mas dedicou-se especialmente aos problemas do ensino, sobretudo como impulsionadora do processo de afirmação e emancipação da mulher, particularmente na defesa do seu direito à educação e participação ativa na vida social e política, em Portugal e em Espanha. Da sua obra destacam-se O Que Deve Ser a Instrução Secundária da Mulher e La Femme et la Paix – appel aux mères portugaises.
Em 1888, o Governo português encarregou-a de visitar outros países (França, Suíça e Inglaterra), a fim de verificar as condições do ensino secundário feminino e as suas possibilidades de aplicação ao nosso país e mais tarde, quando já residia em Espanha, em 1914, o Governo espanhol incumbiu-a de estudar os métodos de ensino feminino usados em Portugal. Integrou a Instituciòn  Libre de Enseñanza, instituição espanhola de ensino que seguia as mais recentes doutrinas pedagógicas.
Alice Pestana foi ainda cofundadora da Sociedade Altruísta, instituição que evoluiu para ser a Liga Portuguesa da Paz, em 1889, e à qual presidiu, tendo nesse âmbito escrito numerosos artigos pacifistas.
Freguesia de Belém (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Belém
(Planta: Sérgio Dias)