Virgílio Correia, o arqueólogo de Conímbriga, numa Rua de São Domingos de Benfica

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Virgílio Correia, o coordenador dos trabalhos arqueológicos da cidade romana de Conímbriga entre 1930 e 1944, está inscrito como topónimo de uma artéria da freguesia de São Domingos de Benfica desde 1979, ou seja, 35 anos após o seu falecimento.

Foi pelo Edital municipal de 14 de maio de 1979 que a Rua 9 da zona a nascente da Estrada da Luz, junto ao Bairro São João, passou a ser a Rua Virgílio Correia,  que hoje liga a Rua Abranches Ferrão à Rua Tomás da Fonseca. Pelo mesmo Edital também a Rua 5 da mesma zona tornou-se a Rua Lúcio de Azevedo, fixando outro historiador.

Virgílio Correia Pinto da Fonseca (Peso da Régua/19.10.1888-03.06.1944/Coimbra) – cujo nome é por vezes também grafado como Vergílio- foi um dos arqueólogos que descobriu a cidade romana de Conímbriga, no concelho de Condeixa-a-Nova, e que aí procedeu a escavação sistemática de toda a área durante 14 anos, entre 1930 e 1944.

Virgílio Correia foi ainda um eminente historiador de arte, etnólogo e professor universitário. Nas primeiras décadas do séc. XX foi conservador de dois museus lisboetas: o Museu Etnológico Português, a partir de 1912, e o de Arte Antiga, desde 1915. Sobre Lisboa também publicou «Lisboa pré-histórica» na revista A Águia, de janeiro a março de 1913; «Oleiros e pintores de louça e azulejo, de Lisboa» na revista Atlântida de março e abril de 1918; «Azulejadores e pintores de azulejos, de Lisboa» na revistaA Águia, de maio a junho de 1918;  «Oleiros quinhentistas de Lisboa» na revista A Águia, de abril a junho de 1919, assim como revista Atlântida de junho de 1919 apresentou «Lisboa dos Azulejos». Fundou ainda em Lisboa,  em 1916, a revista Terra Portuguesa, definida pelo subtítulo de «revista ilustrada de arqueologia artística e etnografia».

Ainda em Lisboa, conseguiu uma memória triste: chegou a estar preso  oito dias no Aljube, no começo da década de 1930, acusado de apoiar o comandante Aragão e Melo, opositor à ditadura, e de dar abrigo a um refugiado político.

Virgílio Correia  licenciou-se em Direito por pressão familiar, em 1911, na Universidade de Coimbra,  mas em 1935 tornou-se por vontade própria Doutor em Letras, pela Faculdade de Letras de Coimbra, onde era professor. Primeiro, em 1921, foi docente de Estética e História da Arte,  e a partir de 1923, também de Arqueologia. Em Coimbra dirigiu ainda o Museu Machado de Castro, desde 1921 e até falecer. Fundou também a revista  Arte e Arqueologia, em 1930 e mais tarde, entre 1938 e 1944, dirigiu o Diário de Coimbra.

Destaque-se na etnografia e na história de arte, o seu vasto interesse desde o carro de bois à talha barroca, expresso nos seus dois volumes do Inventário Artístico de Portugal, em que a fotografia desempenhou um papel primordial. Nas Acta Universitatis Conimbrigensis foram editadas as suas obras, em cinco volumes : o 1.º volume (1946), Estudos de história da arte: arquitectura (1949), Estudos de história da arte: escultura e pintura (1953),  Estudos arqueológicos (1972) e Estudos monográficos (1978).

Virgílio Correia pertenceu à Academia Nacional de Belas-Artes, à Academia Portuguesa da História, ao Instituto Arqueológico Alemão e à Academia de História de Madrid.

Vergílio dos Cacos como lhe chama o escritor Miguel Torga no seu Diário, foi um acérrimo defensor dos valores republicanos da liberdade e do acesso à educação e à cultura, maçon e agnóstico, que foi galardoado em 3 de abril de 1920 com o Oficialato da Ordem Militar de Santiago da Espada. Morreu aos 55 anos em Coimbra, na sequência de uma queda do elétrico e o Município de Condeixa-a-Nova criou o Centro de Estudos Vergílio Correia. O seu nome está também na toponímia de Coimbra e Lamego, assim como na sua terra natal,  em Peso da Régua, como como Rua Professor Vergílio Correia.

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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O Largo Luís Chaves, etnógrafo de «Lisboa nas Auras do Povo e da História»

Freguesia do Lumiar
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Com a legenda «Etnógrafo/1889 – 1975» foi atribuído o topónimo Largo Luís Chaves na Rua DC à Avenida Rainha Dona Leonor e Impasse CD, na Quinta das Mouras, através do Edital municipal de 20 de novembro de 1978, ficando assim a ligar a Avenida Rainha Dona Amélia à Avenida Rainha Dona Leonor.

O mesmo Edital colocou na Rua B da Quinta das Mouras a Rua Mário Sampaio Ribeiro, para homenagear um historiador e musicólogo.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Luís Rufino Chaves Lopes (Chaves/09.05.1888 – 09.01.1975 ou abril/Lisboa), formado em Estudos Matemáticos pela Escola Politécnica de Lisboa e pela Universidade de Coimbra, notabilizou-se como  etnógrafo e arqueólogo, autor dos  quatro tomos de Lisboa nas Auras do Povo e da História – Ensaios de Etnografia.

Como etnólogo, desde 1912 desempenhou funções no Museu Etnológico Dr. Leite de Vasconcelos (hoje, Museu Nacional de Arqueologia), primeiro como preparador do Museu. Logo no ano seguinte foi encarregue do prosseguimento dos trabalhos arqueológicos que decorriam em Outeiro da Assenta (Óbidos) e em Santa Vitória do Ameixoal (Estremoz), entre 1915 e 1916. Também realizou pesquisa etnográfica de que resultou a publicação em 1916 de  Os Barristas de Estremoz (séc. XVIII-XX) (1916), Etnografia alentejana – o rancho da azeitona (Estremoz e Elvas), Folclore de Santa Vitória do Ameixoal (Estremoz) e no ano seguinte de Arte popular no Alentejo: os ganchos de meia de barro de Estremoz (séc.XX), tendo-se centrado no estudo da arte popular. Em 1916, Luís Chaves passou a Conservador interino embora as suas ligações aos ideais monárquicos tenham contribuído para o seu afastamento do Museu em 1919, ao qual regressou em 1931, após concurso público para Conservador, ocupando o lugar de Manuel Heleno quando este passou a ser o diretor do Museu. Assim permaneceu até 1957, data da sua aposentação.

No entretanto, revelou-se uma figura central na Etnografia como colaborador oficial da atividade folclorista do Secretariado de Propaganda Nacional (SPN/SNI), no âmbito da política do Estado Novo: integrou a Comissão de Etnografia Nacional; participou nas iniciativas desenvolvidas pelo SPN/SPI, como o Concurso da Aldeia mais Portuguesa de Portugal (1938) e o Centro Regional da Exposição do Mundo Português (1940), sendo também autor de uma parte significativa das obras editadas neste contexto; organizou a Exposição de Arte Popular Portuguesa  em 1936 e o seu catálogo, em colaboração com o etnógrafo Cardoso Marta com quem, dois anos mais tarde participou nos trabalhos de instalação do Museu de Arte Popular, sobre o qual escreveu  O Novo Museu de Arte Popular (1948).

Deixou ainda obra publicada  na revista O Arqueólogo Português, assim como dirigiu em 1940,  com Francisco Lage e Paulo Ferreira, Vida e Arte do Povo Português, para além de manter durante vários anos na Revista Ocidente, uma crónica intitulada Nos Domínios da Etnografia Portuguesa, e participado regularmente no Mensário das Casas do Povo. Publicou ainda Páginas Folclóricas (1942)Folclore Religioso (1945), O Povo Português através da Etnografia e das Tradições Artísticas (1946).

Paralelamente, foi  Vice-Presidente do Instituto Português de Arqueologia, História e Etnografia até 1964, instituição que representou na Junta Nacional de Educação, assim como trabalhou como bibliotecário da Casa Cadaval. Foi também professor  de Matemática do Colégio Académico, cuja direção chegou a integrar, tal como da cadeira de História de Arte e Iluminura do Curso Superior de Bibliotecário Arquivista, bem como do Estágio para Conservadores dos Museus, Palácios e Monumentos Nacionais.

Na política foi monárquico, membro do chamado «Grupo dos Cinco», com Alfredo Pimenta, Caetano Beirão, Alberto Ramires dos Reis e Mateus de Oliveira Monteiro, que fundaram a Ação Realista Portuguesa em julho de 1921, que além do mensário com o nome da organização publicava também o semanário A Voz Nacional que Luís Chaves dirigiu.

O azulejador e caricaturista Jorge Colaço numa Rua de Alvalade

Freguesia de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Jorge Colaço, da azulejaria azul e branca e das caricaturas do Thalassa, cujo 150º aniversário este ano se completa, desde 1957 dá nome à Rua de Alvalade que era o troço da Estrada das Amoreiras a norte da Avenida do Brasil até à projetada Segunda Circular.

Jorge Colaço foi inscrito na toponímia de Lisboa pelo Edital  municipal de 17 de maio de 1957, cerca de nove anos depois da sua mulher, Branca de Gonta Colaço, que era também  um topónimo do Bairro de Alvalade desde a publicação do Edital municipal de 22 de julho de 1948 .  A sugestão para homenagear Jorge Colaço surgiu do seu filho, Tomás Ribeiro Colaço, em carta datada de 29/11/1956 dirigida ao Presidente da edilidade lisboeta.

«Ilustração Portuguesa» de 20 de dezembro de 1905

Jorge Daniel Rey Colaço (Tânger/26.02.1868 – 23.08.1942/Caxias),  notabilizou-se sobretudo como azulejador e caricaturista, bem como enquanto Presidente da Sociedade Nacional de Belas-Artes, no período de 1906 a 1910, por ter sido, em grande parte,  o obreiro da construção da sede.

Nascido em Tânger, no Consulado de Portugal , por ser filho do escritor e diplomata José Daniel Colaço ( 1.º barão de Colaço e Macnamara) e de Virgínia Maria Clara Vitória Raimunda Rey Colaço, sendo assim também primo de Amélia Rey Colaço ( mais nova 30 anos). Estudou arte em Lisboa, Madrid e Paris, onde foi discípulo de Ferdinand Cormon, após o que trabalhou para a Fábrica de Louça de Sacavém até 1923, fazendo ressurgir o azulejo artístico em Portugal. A partir de 1924 e até à data da sua morte passou a colaborar com a Fábrica de Cerâmica Lusitânia,  de Coimbra. Inovador nos processos foi dos primeiros a usar a  técnica da serigrafia nos azulejos mas, distinguiu-se ainda mais pela transposição para o azulejo de efeitos aguarelados ou semelhantes aos da pintura a óleo graças a uma segunda cozedura. A azulejaria de Jorge Colaço foi preferencialmente em azul e branco e tradicionalista, com painéis historiados de azulejaria e exaltação da  vida rural.

Das muitas centenas de painéis de azulejos seus espalhados pelo país e até pelo mundo, cuja inventariação ainda está a ser completada, destacamos em Lisboa, os da Casa do Alentejo no Palácio Alverca (1918), do Pavilhão dos Desportos- Pavilhão Carlos Lopes (1922), da Academia Militar no palácio da Bemposta, da  pastelaria A Merendinha na Rua dos Condes de Monsanto, na sede da Cruz Vermelha Portuguesa no Palácio dos Condes de Óbidos e do desaparecido Mercado da Fruta do Cais do Sodré. No resto do país salientamos os painéis das muitas estações e apeadeiros de caminho de ferro que são da sua autoria, como os da Estação de São Bento (1903) no Porto  ou os da Estação de Beja (1940), os do Aquário Vasco da Gama (1898) no Dafundo, da decoração do Palace-Hotel do Buçaco (1907), do revestimento exterior da Igreja dos Congregados (1929) no Porto, da Casa Baeta em Olhão (1930), bem como a nível internacional o seu tríptico no Palácio de Windsor (Inglaterra), o painel na Sociedade das Nações em Genebra (Suíça), na Maternidade de Buenos Aires (Argentina) e em diversas residências no Brasil, Cuba e Uruguai.

Jorge Colaço usou também o seu exímio traço de  desenhador na caricatura e foi galardoado com a 1ª medalha em caricatura da Sociedade Nacional de Belas Artes e a medalha de honra na Exposição Portuguesa no Rio de Janeiro (1908). Em 1913, com Alfredo Lamas, Chrispim ( E. Severim de Azevedo) e João Martins,  fundou o semanário humorístico O Thalassa, com sede na Rua da Alegria nº 26 e dirigiu-o na totalidade a partir de 13 de fevereiro de 1914 e até ao seu 100º e último número de 14 de maio de 1915. Também aqui privilegiava a caricatura política, nitidamente influenciado por Bordalo Pinheiro. Colaborou ainda com os jornais Branco e Negro (1896 – 1898) , O Branco e Negro (1899) e a revista Ilustração Portuguesa, a partir de 1903.

Freguesia de Alvalade
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Fernando Bento, pioneiro da banda desenhada portuguesa, numa Rua do Bairro do Oriente

Freguesia do Parque das Nações
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Desde 1998 que Fernando Bento, pioneiro da banda desenhada portuguesa, de traço original e inconfundível, que serviu de modelo a Eduardo Teixeira Coelho e outros das gerações seguintes, está homenageado numa Rua do Bairro do Oriente, na freguesia do Parque das Nações.

A Rua Fernando Bento, que liga a Rua Padre Abel Varzim à Rua Carlos Daniel, foi o topónimo atribuído à  Rua F do Bairro dos Retornados pelo Edital municipal de 24 de junho de 1998. O antigo Bairro dos Retornados, como era popularmente conhecido, foi renomeado como Bairro do Oriente no dia 7 de maio de 1999 e as suas artérias, até aí denominadas por letras, passaram a ostentar nas suas placas toponímicas os nomes de vários artistas, como Fernando Bento, os cantores António Variações e Carlos Paião, os atores Mário Viegas e Carlos Daniel, o compositor Jaime Mendes e o Palhaço Luciano.

Fernando Trindade Carvalho Bento (Lisboa/26.10.1910 – 19.09.1996*/Lisboa) nasceu  na Praça das Flores 21 dias após a implantação da República em Portugal, filho de um pintor de cenários e de cartazes do Coliseu dos Recreios e tornou-se  a partir de 1938 um autor de banda desenhada portuguesa, modelo para os desenhadores das gerações seguintes, como Eduardo Teixeira Coelho. Refira-se ainda neste mês de junho que Fernando Bento foi também o primeiro a fazer uma biografia de Santo António em banda desenhada, em 1943, para o Diabrete nº 128.

Antes de se dedicar em força à  9ª Arte, Fernando Bento fizera apenas o curso de desenho por correspondência da escola de desenho ABC de Paris. A partir de 1935, trabalhou como figurinista e cenógrafo no Coliseu de Lisboa e, dois anos depois, com 27 anos de idade, fez a sua primeira exposição individual. Ainda na década de trinta do séc. XX, Fernando Bento teve uma fase em que publicava caricaturas na imprensa escrita, primeiro no Coliseu Os Sports, como depois no Diário de Lisboa. E como em Portugal nunca a profissão de artista de banda desenhada foi remunerada de forma a permitir ser a única ocupação, desde muito cedo que Fernando Bento era funcionário da British Petroleum, pelo que com o lançamento da revista BP foi convidado a participar nela e tornou-se até  seu diretor mais tarde. Quando se reformou da BP, abriu um gabinete de publicidade.

Filipim de Fernando Bento

Publicou as suas primeiras histórias aos quadradinhos em 1938, no suplemento infantil do jornal República, o Pim-Pam Pum versando geralmente temas desportivos como O Mais Importante Desafio de Futebol da Época ou A Volta A Portugal em Bicicleta. A partir de 1941 e de parceria com Mário Costa,  assegurou o grafismo do Pim-Pam Pum durante quase 20 anos,  até 1959, tendo aí também publicado 14 séries, onde  se destaca A Volta ao Mundo Por Pim Pam Pum (1941-1942) e As Férias de Pim Pam e Pum (1942) e mais 836 tiras e 49 pranchas de uma página de sua autoria. Em paralelo, trabalhou também na revista infantil Diabrete (1941 a 1951), onde foi maquetista, ilustrador de capas e autor das bandas desenhadas de adaptações de obras de Júlio Verne, Conan Doyle, Kipling ou  Mark Twain,  bem como de outras com argumento didático-histórico de Adolfo Simões Muller, para além das suas personagens cómicas  AnitaZé Quitolas ou Zuca. Da sua ligação a  Adolfo Simões Muller resultaram  também ilustrações para a literatura infantil deste. Em 1946, fez uma adaptação para banda desenhada do filme de Robert Vernay de 1942, Le Comte de Monte-Cristo, com um estilo aproximado da fotografia, para suporte de uma folha volante de publicidade e o seu enorme sucesso garantiu-lhe de seguida a passagem  das suas histórias para os manuais escolares de inglês e francês dessa época. A partir de 1952, Fernando Bento instalou-se na revista juvenil Cavaleiro Andante, para dar vida a inúmeras séries como Beau Geste – que foi editada na BélgicaO Anel da Rainha do Sabá ou Quintino Durward, que era a sua favorita. Até 1962 foi para esta revista que também produziu anúncios, capas,  37 séries e 175 histórias curtas. De igual modo, para o Pagem, o  suplemento infantil do Cavaleiro Andante, não faltaram as suas histórias cómicas do Zé Quitolas, da Anita e do Filipim.

Depois, só voltou a publicar em  1973, com um grafismo mais modernista, 16 pranchas inéditas intituladas Um Homem Chamado Joaquim Agostinho, impressas diariamente nas páginas de A Capital , entre 5 e 20 de agosto desse ano. Essa década foi também a das  reedições das suas obras para o suplemento Nau Catrineta do Diário de Notícias (1975), A Ilha do Tesouro (1977) e Serpa Pinto (1979) para o Templário Juvenil, bem como Luís de Camões e Alguns Passos de ‘Os Lusíadas’ para o Boletim do Serviço de Biblioteca Itinerantes da Fundação Gulbenkian, tendo assim continuado a acontecer nos anos 80 para as revistas Mundo de Aventuras Quadradinhos. Foram também reeditados os álbuns Beau Geste (1982), Com a Pena e com a Espada (1983), O Anel da Rainha do Sabá  e As mil e Uma Noites (ambos em 1988). No início da década de 90, Fernando Bento nos seus 80 anos de idade,  retomou a sua A Ilha do Tesoiro de 1947, desta feita com argumento de Jorge Magalhães e o titulo de Regresso à Ilha do Tesouro (1993), para além de ter sido reeditado no  Almada BD Fanzine (1990), nos Cadernos Sobreda-BD (1991 e 2002) e no fanzine Zero  da Póvoa do Varzim ( de 1990 a 1998).

Fernando Bento foi agraciado com o troféu O Mosquito (1983) pelo Clube Português de Banda Desenhada, assim como postumamente foi homenageado em 2010, no 1º centenário do seu nascimento, através de uma exposição  que esteve patente em Moura, Sobreda, Viseu e Beja, assim como por outra, exibida na Amadora, concelho que em 2016, também acolheu uma nova mostra, no Clube Português de Banda Desenhada.

A Câmara Municipal de Lisboa, através da Bedeteca, já o havia homenageado através da publicação de Fernando Bento – Uma Ilha de Tesouros ou  Diabruras da prima Zuca (ambos em 1998), mas no ano seguinte consagrou-o também na toponímia lisboeta. O seu nome consta também da toponímia da Sobreda, no concelho de Almada.

Freguesia do Parque das Nações
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

a data de falecimento foi a indicada pelo filho de Fernando Bento, em 1999, para a elaboração da brochura publicada para a inauguração da Rua Fernando Bento

O Largo de São Roque ou do Cauteleiro que é o Largo Trindade Coelho

Freguesias da Misericórdia e de Santa Maria Maior
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Começou por ser o Largo de São Roque no séc. XVI por via da presença Igreja de São Roque no local. No final dos anos 80 do séc. XX, em 18 de novembro de 1987, o dia do 204º aniversário da Lotaria Nacional com a colocação da estátua de homenagem aos cauteleiros passou a ser conhecido como Largo do Cauteleiro e ponto de encontro para incursões na noite do Bairro Alto, mas desde 1913  que o Largo se denomina oficialmente Largo Trindade Coelho.

Quando no ano de 1509 grassava  uma grande peste em Lisboa o rei D. Manuel I mandou erguer junto ao cemitério próximo do Convento da Trindade uma ermida a que chamou de São Roque para albergar uma relíquia do santo, tendo os jesuítas tomado conta dela em 1553 e dois anos depois iniciaram a construção de um majestoso templo para a substituir nascendo assim a Igreja de São Roque e assim ficou o Largo conhecido como de São Roque.

Quando em 1913 a edilidade alfacinha substituiu alguns hagiotopónimos (topónimos com nomes de santos) por outros relacionados com o regime republicano este foi um deles e o Largo de São Roque passou a Largo Trindade Coelho, pelo Edital municipal de 18/10/1913. Cerca de três anos antes, o Edital municipal de 18/11/1910 havia mudado a Rua Larga de São Roque para Rua do Mundo, em  homenagem ao jornal republicano aí sediado, pelo que fez sentido que o largo do seu topo, consagrasse Trindade Coelho que nos jornais defendeu os ideais republicanos mesmo se não viu implantada a República cujos valores perfilhou.

José Francisco de Trindade Coelho (Mogadouro/18.06.1861 – 09.06.1908/ Lisboa), formado em Direito em Coimbra começou por exercer advocacia nessa cidade ao mesmo tempo que começava a escrever nos jornais sob pseudónimo e até fundou  duas publicações: Porta Férrea e Panorama Contemporâneo. Camilo Castelo Branco admirava-o literariamente e conseguiu que ele  ingressasse na magistratura, como Delegado do Procurador Régio na comarca de Sabugal, indo depois para Portalegre, onde fundou dois jornais: Gazeta de Portalegre e Comércio de Portalegre. Mais tarde,  já em Lisboa coube-lhe a tarefa ingrata de fiscalizar a imprensa da capital aquando do Ultimatum e abalado pelas críticas transferiu-se para Sintra (1895) e prosseguiu a sua carreira jurídica em vários tribunais.

Enquanto escritor, Trindade Coelho publicou o livro de contos Os Meus Amores (1891) e o de memórias de Coimbra In Illo Tempore (1902), para além de obras de cariz social como a Cartilha do Povo (1901), o Manual Político do Cidadão Português (1906), o ABC do Povo  (1901) que foi um livro adotado oficialmente nas escolas públicas, bem como mais três Livros de Leitura (1903 a 1905). Também deu a lume obras jurídicas como Recursos Finais em Processo Criminal e Anotações ao Código e Legislação Penal , tendo ainda sido uma presença importante em jornais como PortugalBranco e NegroNovidadesRepórterO ProgressistaO ImparcialTirocínioBeira e DouroJornal da Manhã e Diário Ilustrado, usando os pseudónimos Belisário e José Coelho, para além de ter ainda fundado a Revista de Direito e Jurisprudência bem como a Revista Nova, onde publicou as crónicas «Folhetos para o Povo».

 

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A Rua do político da Regeneração Rodrigo da Fonseca

Em 1959
(Foto: Amadeu Ferrari, Arquivo Municipal de Lisboa)

Vinte e seis anos  após o seu falecimento foi o político liberal Rodrigo da Fonseca fixado como topónimo na antiga Azinhaga do Vale de Pereiro por Edital camário de  4 de março de 1884, artéria que só ficou completamente concluída no séc. XX, na década de trinta mas que acolheu os edifícios do Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho em 1933 e do Hotel Ritz em 1959.

Esta artéria que hoje se estende da Rua do Salitre à Rua Marquês de Fronteira perpetua Rodrigo da Fonseca Magalhães (Condeixa-a-Nova/24.07.1787-11.05.1858/Lisboa), que ainda estudante em Coimbra se alistou no  Batalhão Académico para combater as invasões francesas de 1807. Dez anos depois, em 1817, sendo tenente e estando implicado na conspiração de Gomes Freire, abandonou o exército e refugiou-se no Brasil onde foi secretário do seu antigo comandante Luís do Rego Barreto e a partir de 1821, da Junta Governativa organizada após a Revolução Liberal do Porto. Ainda nesse ano de 1821, fundou o primeiro jornal político de Pernambuco, o Aurora Pernambucana.

Regressou a Portugal em 1822 com o general Luís do Rego Barreto de quem já era então genro, mas após o triunfo da Vilafrancada foram ambos deportados para a Figueira da Foz. Em 1824, Rodrigo da Fonseca obteve licença para morar em Viana do Castelo mas  em 1828, após se recusar a aderir à causa da monarquia absoluta de D. Miguel teve de se refugiar em Inglaterra, onde em Londres conheceu Pedro de Sousa Holstein, futuro Duque de Palmela, que liderava a emigração constitucional portuguesa, sendo colocado na secretaria da embaixada, responsável por dirigir os jornais liberais Aurora e Paquete de Portugal. 

Voltou de vez ao nosso país após o desembarque de D. Pedro IV no Mindelo. Prosseguiu uma carreira como diretor-geral do Ministério dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça e administrador da Imprensa Nacional. Foi também deputado pelo Minho (1934); fundador com António Pereira dos Reis e redator do Revista; Ministro dos Negócios do Reino do Duque de Saldanha (1835), pasta que repetiu no governo do 1º Conde de Bonfim (1839) e também mais tarde, em 1851-1856, outra vez com o Marechal Saldanha; Ministro dos Negócios Estrangeiros (1841) no governo de Joaquim António de Aguiar; Conselheiro de Estado (1842); e ainda Par do Reino (1847).

Tendo fixado a sua residência em Lisboa na Rua dos Navegantes, onde veio a falecer, Rodrigo da Fonseca foi ainda sócio emérito da Academia Real das Ciências de Lisboa, sócio do Conservatório Real de Lisboa e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil. Recusou títulos nobiliárquicos mas mesmo assim foi galardoado como fidalgo cavaleiro da Casa Real (2 de agosto de 1835), com a grã-cruz da Ordem de Cristo, o grau de cavaleiro da Ordem da Torre e Espada, a Cruz n.º 4 das Campanhas da  Guerra Peninsular e a medalha britânica de 7 ações.

Freguesias de Santo António, Avenidas Novas e Campolide                               (Planta: Sérgio Dias)

#EuropeForCulture

A Rua do Longo, Formosa e do jornal «O Século»

Freguesia da Misericórdia

Freguesia da Misericórdia                                                     (Foto: Artur Matos)

Segundo o olisipógrafo Norberto de Araújo, este arruamento terá sido chamado Rua do Longo, provavelmente por ali morado na 2ª metade do séc. XVII um homem de seu apelido «Longuo» que faleceu em 1669 e cuja referência ainda hoje se mantém no Alto do Longo. A seguir, no séc. XVIII passou a ser a Rua Formosa, denominação que acabou por ser legalizada no século seguinte através do Edital do Governo Civil de Lisboa de 1 de setembro de 1859.

Após a implantação da República em Portugal, o Edital municipal de 18 de novembro de 1910, colocou nesta artéria o jornal O Século,  um diário matutino de Lisboa que se publicou entre 8 de junho de 1880 e 12 de fevereiro de 1977.  A atribuição deste topónimo pela vereação republicana pretendeu homenagear o jornal fundado por Magalhães Lima, que foi o seu primeiro diretor e um ardente paladino republicano, considerando que a sua propaganda tinha contribuído para a democratização do povo português e a consequente implantação da República em Portugal.

O jornal O Século nasceu no rescaldo das comemorações do tricentenário da morte de Camões, empenhado na afirmação do projecto republicano, sendo Magalhães Lima o seu primeiro diretor, que fundou este jornal com Anselmo Xavier,  Leão de Oliveira, João de Almeida Pinto e José Campelo Trigueiros de Martel. A partir de 1896, Silva Graça foi o novo diretor e promoveu a expansão do jornal através de uma rede de correspondentes e a inclusão de novos suplementos, sob a divisa «o jornal de maior circulação em Portugal». Em 1920, O Século ficou em crise, por ter denunciado os abusos monopolistas na questão do pão a que a Companhia Portugal e Colónias respondeu com uma grande ofensiva para controlar o periódico o que consegui em 1922 e manteve até finais de 1924.

Rua de O Século Placa

Freguesia da Misericórdia – Placa de Azulejo               (Foto: Artur Matos)

Depois,  num contexto de preparação da opinião pública para a eclosão de um golpe de estado destinado a impor uma ditadura militar, adquiriram o jornal e a sua empresa editora em novembro de 1924, João Pereira da Rosa, ex-funcionário do jornal desde 1920, Carlos Oliveira, um dos fundadores da Companhia Portugal e Colónias e ainda Moisés Amzalak, presidente da Associação Comercial de Lisboa e da Comunidade Judaica,  atribuindo a direção ao jornalista e diplomata Henrique Trindade Coelho e a administração a João Pereira da Rosa. Porém, na sequência do triunfo do 28 de maio, Trindade Coelho abandonou o jornal.

João Pereira da Rosa melhorou  o parque gráfico e lançou novas publicações e suplementos para um público infantil, para além de aumentar a popularidade do jornal com iniciativas sociais, como retomar em 1927 a Colónia Balnear Infantil. O recrudescer da oposição ao Estado Novo no final da II Guerra Mundial, levou O Século a revelar indícios de ambiguidade face à continuidade do regime e por isso foi afastado da Feira Popular entre 1948 e 1950. Como era esta a principal fonte de receita da Colónia Balnear, o jornal voltou à Feira Popular em 1960, no espaço do antigo Mercado Geral do Gado, em Entrecampos.

Logo após a morte de João Pereira da Rosa, em 1962, a edilidade lisboeta deu o seu nome à artéria que corria para a Rua de O Século, a Calçada Nova dos Caetanos e sucedeu-lhe no jornal  Guilherme Pereira da Rosa, evidenciando nos anos 70 um claro alinhamento com a oposição ao regime marcelista. Em setembro de 1972, Guilherme Pereira da Rosa vendeu a sua posição ao grupo económico de Jorge Brito e foi nomeado, para gerir a empresa  o chefe adjunto da redação, Manuel Figueira, que acabou por pedir a demissão em 1975, tendo a 14 de fevereiro sido nomeada pelo Conselho de Ministros uma nova administração para a Sociedade Nacional de Tipografia. No final 1975 surgiu o projeto de lei da imprensa estatizada e em julho de 1976, o decreto da nacionalização das posições privadas das empresas de que nasceu a Empresa Pública dos jornais Século e Popular mas que acabou por ser considerada em situação irrecuperável e o jornal terminou em 1977, titulando na 1ª página da sua última edição «Não Dizemos Adeus». Nos seus últimos anos de vida O Século teve como diretores, entre outros, Adelino Tavares da Silva, João Gaspar Simões e Manuel Magro.

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A Rua do falado Nélson de Barros

Freguesia da Penha de França
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Nélson de Barros, autor das letras de Fado Falado ou do conhecido popularmente como 20 Anos, passou a ser o topónimo do troço da Estrada da Circunvalação situado entre a Calçada da Cruz da Pedra e a Estrada de Chelas, seis anos após o seu falecimento.

Com a legenda «Escritor Teatral/1914 – 1966», nasceu pelo Edital municipal de 1 de fevereiro de 1972 a Rua Nélson de Barros que hoje une a Calçada da Cruz da Pedra à Avenida Afonso III. O então presidente da edilidade, Engº Santos e Castro solicitou parecer à Comissão Municipal de Toponímia para a inclusão na toponímia de Lisboa dos nomes de Nélson de Barros e Silva Tavares, ambos ligados ao teatro de revista, de que resultou a inclusão de ambos, pelo edital supracitado ficando o primeiro na então freguesia de São João e o segundo, na freguesia do Lumiar.

Nélson de Barros (1914 – 1966) distinguiu-se sobretudo como autor de teatro de revista, situação em que também escreveu as letras de vários fados, sendo da sua autoria o Fado Falado um recitativo sobre o fado, celebrizado por João Villaret (1947), para a revista Tá Bem ou Não Tá? que escreveu em parceria com Aníbal Nazaré e António Ascensão Barbosa. Ainda com Aníbal Nazaré escreveu o folhetim radiofónico Lélé e Zéquinha, interpretado por Vasco Santana e Irene Velez como protagonistas, bem como com Elvira Velez a interpretar a sogra, que entre 1947 e 1952 foi um sucesso na Emissora Nacional e no Rádio Clube Português.

Em parelha com Aníbal Nazaré e António Ascensão Barbosa, Nélson de Barros foi autor de vários sucessos nos teatros do Parque Mayer nas décadas de 40 e 50 do século XX.  Foi na revista Ora vai tu! , que escreveu com Aníbal Nazaré em 1940, que se estreou como atriz Amália Rodrigues. Em 1943, de parceria com António Porto e Aníbal Nazaré escreveu a revista de sucesso Cantiga da Rua, com músicas de António Melo e Jaime Mendes, com interpretações de Costinha, Luísa Durão,  Barroso Lopes, Mirita Casimiro, Natália Viana  e Vasco Santana. Nos anos 50, recordam-se a revista em dois atos Mulheres há muitas (1954), escrita com Aníbal Nazaré, Ascensão Barbosa, Carlos Lopes e Vasco Santana, que a Censura aprovou com cortes e foi representada no Teatro Variedades, bem como a coautoria com José Viana, na estreia deste último na escrita, na revista Mulheres à Vista (1959). Nos anos 60, assinou com Fernando Santos a primeira revista do Capitólio, A Vida é Bela (1960), cujo elenco incluía Raul Solnado, Humberto Madeira, Carlos Coelho ou Helena Tavares e música de Frederico Valério. Aliás, Raul Solnado considerou-o «grande jornalista e o maior autor de revistas que conheci».

Refira-se ainda que Nélson de Barros, foi um dos colaboradores do jornal humorístico lisboeta Os Ridículos, nascido em 1895 e com novo fôlego a partir de 1905, com Esculápio a ajudar a Cruz Moreira – o Caracoles – a dirigir, onde também escreviam  Aníbal Nazaré, Borges de Antão, Casimiro Godinho, Sousa Pinto, Xavier de Magalhães e onde pontuavam os desenhos e caricaturas de Stuart Carvalhais. Por isto, não se estranha que Nélson de Barros tenha sido o compilador e organizador de Stuart 1914-1966, publicado em 1962, com prefácio de Leitão de Barros.

Dos vários fados que criou com música de Frederico Valério, foram êxitos A Rua dos Meus Ciúmes ou o Primeiro Amor, também conhecido popularmente como 20 Anos, cuja letra aqui deixamos:

Ai quem me dera
ter outra vez vinte anos
Ai como eu era
como te amei, Santo Deus!
Meus olhos pareciam dois franciscanos
À espera do céu que vinha dos teus

Beijos que eu dava
ai como quem morde rosas
Como te esperava
na vida que então vivi
Podiam acabar os horizontes
Podiam secar as fontes
mas não vivia sem ti

Ai como é triste,
de o dizer não me envergonho
Saber que existe
um ser tão mau, tão ruim
Tu que eras o ombro para o meu sonho
Traíste o melhor que havia em mim

Ai como o tempo
pôs neve nos teus cabelos
Ai como o tempo
as nossas vidas desfez
Quem me dera
ter outra vez desenganos
Ter outra vez vinte anos
para te amar outra vez

Freguesia da Penha de França
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua Eduardo Schwalbach, o jornalista, dramaturgo e homem do Conservatório de Lisboa

Freguesia de Benfica
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Em 1969, o jornalista, dramaturgo e homem do Conservatório de Lisboa Eduardo Schwalbach, chegou à toponímia do Bairro de Santa Cruz, 33 anos decorridos após a sua morte, junto com mais 16 nomes de figuras do séc. XIX e primeira metade do séc. XX.

A Rua Eduardo Schwalbach ficou na Rua 9, pelo Edital municipal de 10 de abril de 1969 e os outros nomes que com ele foram consagrados nesse bairro de Benfica alguns partilhavam as áreas do jornalismo, da escrita ou do teatro, como aconteceu na  Rua Actor Alves da Cunha -1889 – 1956 (na Rua 14), Rua Actor Estêvão Amarante – 1889 – 1951 (Rua 8), Rua Actor Nascimento Fernandes – 1881 – 1955 (Rua 10), Rua Actor Vasco Santana – 1898 – 1958 (Rua 12), Rua Alfredo Pimenta – Escritor/1882 – 1950 (Rua 1), Praça Artur Portela – Escritor e Jornalista/1901 – 1959, Rua Dr. Cunha Seixas – Advogado, Escritor e Jornalista/ 1836 – 1895 (Rua 15),  Rua Helena de Aragão – Escritora e Jornalista/1880-1961 (Rua 18), Rua Irene Lisboa – Escritora e Jornalista/ 1892-1958 (Rua 13), Rua Jaime Brasil – Escritor e Jornalista/1896 – 1966 (Rua 16) e  Rua Moreira de Almeida – Jornalista/1869 – 1925 (Rua 5).

Eduardo Schwalbach em casa
(Foto: José Leitão Bárcia, Arquivo Municipal de Lisboa)

Eduardo Frederico Schwalbach Lucci (Lisboa/18.05.1860 – 08.12.1946) nasceu na então Rua Formosa e hoje Rua de O Século, mas foi morar com sua avó para a Travessa do Colégio, próximo do Hospital de São José e como o seu avô militar, frequentou a Escola do Exército onde chegou a alferes. Contudo, acabou por se demitir do exército para se dedicar ao jornalismo e começou a escrever para o Diário da Manhã. Em 1889, com 29 anos, fundou o diário  A Tarde e mais tarde, chegou mesmo a  dirigir o Diário de Notícias nos períodos de  1924-1939 e 1945-1946, aos 64 e aos 85 anos.

A outra paixão de Schwalbach, o teatro, conduziu-o a escrever a sua primeira peça em 1883,  Surpresas, de matriz cómica e que  subiu ao palco do teatro D. Maria II. Prosseguiu com a comédia-drama em 3 actos o Íntimo (1891) e A Srª Ministra (1898), tendo continuado com dramas, operetas, revistas e até peças infantis, de que se destacam O Dente do Maçarico, levado à cena em 1900 no Teatro da Rua dos Condes,  Retalhos de Lisboa, Anastácia & Cia, A BisbilhoteiraChico das PegasA Cruz da Esmola, Fogo SagradoO João das Velhas, Poema de Amor (1916), Postiços (1923), O Reino da Bolha,  Santa Umbelina ou Tango Cordial (1914),  sendo caricaturado por Rafael Bordalo Pinheiro como Bebé Grande ou Alegre CriançaDepois da aposentação, em 1911, dirigiu exclusivamente o Teatro Apolo, na Rua da Palma e escreveu À Lareira do Passado: Memórias (1944), publicado em edição de autor.

Eduardo Schwalbach foi ainda diretor do Conservatório de Lisboa nomeado por  João Franco, em 1893, por morte de Luís Augusto Palmeirim, com o ordenado de 12 mil réis mensais. Nesse estabelecimento de ensino foi também  professor de arte dramática e inspetor, bem como o diretor da Revista do Conservatório Real de Lisboa, publicada de maio a outubro de 1902.

Colaborou  também na revista Brasil-Portugal e trabalhou como Conservador da Biblioteca Nacional (1867), nomeado por José Luciano de Castro. Foi ainda deputado pelo Partido Regenerador de 1904 a 1908, Procurador à Câmara Corporativa em representação das Artes Gráficas e Imprensa e  redator da câmara dos Pares, nomeado por Hintze Ribeiro, cargos que deixou após a proclamação da República, à exceção do último, em que foi aposentado.

Na sua vida pessoal, viveu e falecido no nº 183 da Calçada da Estrela, onde no dia 18 de maio de 1960, a edilidade lisboeta colocou uma  lápide evocativa do 1º centenário do seu nascimento, descerrada na ocasião por Palmira Bastos. Eduardo Schwalbach está consagrado também numa rua do Estoril.

Freguesia de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

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Xavier de Magalhães, da Maria Rapaz e Lavadeiras de Caneças, numa Rua de Marvila

Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Jornalista e autor de teatro de revista e opereta, Xavier de Magalhães, o autor da revista Maria Rapaz e da letra das Lavadeiras de Caneças, está desde 1995 perpetuado numa artéria de Marvila, no Bairro do Alfenim, tendo  por companhia através do Edital municipal de 20 de março de 1995 mais 6 artérias de gente de teatro:  a Rua Sousa Bastos, o Largo Álvaro de Andrade, a Rua Bento Mântua, a Rua Ernesto Rodrigues, a Rua Lino Ferreira e o Largo Vitoriano Braga.

Com a legenda «Autor Teatral/1885 – 1948», a Rua Xavier de Magalhães consagra Ernesto Carlos Xavier de Magalhães (Lisboa/10.07.1885 – 04.03.1948/Lisboa), escritor de teatro e jornalista. Começou a trabalhar no periódico humorístico Os Ridículos, dirigido por Cruz Moreira (1862-1930) e qual chegou a ser subdiretor, pelo que não se estranha que também tenha feito  a letra do fado de Os Ridículos, com música de Henrique M. Cabral e dedicado a  Cruz Moreira, Caracoles de pseudónimo.  Este jornal foi uma das principais folhas humorísticas da época, tendo de 1895 a 1898, a sua primeira sede na Rua Augusta, nº 47 e na segunda, de 1905 a 1963, altura em que entra Xavier de Magalhães,  já era na Rua da Barroca, 131-1º. Xavier de Magalhães também foi colaborador em  O Zé, semanário de caricaturas e humorístico publicado de 1910 e 1 de Março de 1919 e dirigido por Estêvão de Carvalho (1881-1935), sediado  na Travessa da Espera, n.º 53 – 1º.

Como autor de teatro, estreou-se aos 22 anos com a comédia Faustina e a partir de 1911 especializou-se no género da revista. A sua opereta de costumes populares em 1 prólogo e 3 atos Maria Rapaz, escrita em parceria com Silva Tavares mais  Lourenço Rodrigues e com música do Maestro Filipe Duarte, foi um êxito  na década de vinte do Século Vinte. Ficaram famosas também A Filha do Panaça  bem como a sequela O Casamento de Ernestina, filha do Panaça.

Na sua carreira, de jornalista e de escritor, usou diversos pseudónimos dos quais destacamos Rata do Teatro, Ana de Bolena, Carlos Rodrigues, Comendador Baldança, D. Maria Flor da Murta, Efémero Júnior, Epaminondas II, Eurides, Gamalhães, Irmãos Unidos, Melle Etamine ou Paim de Pamplona.

Alguns dos seus maiores êxitos passaram pelas letras que escrevia para as revistas. Como «A Alma da Guitarra»(1926), o «Fado do Carroceiro» ou o «Fado Mau» que Costinha interpretou em Cozido à Portuguesa ( 1927), o «Pé Descalço», «A Lenda da Romã» ou «Fado do Povo» para a revista Sempre Fixe,  ou «O fado do Teatro» para a revista Sempre em Pé. E para a sua revista A Rambóia (1928), Xavier  de Magalhães escreveu «As Lavadeiras de Caneças» que Amália cantará mais tarde:

Dos fregueses a conduta
é pela roupa que se prova.
Mas lavada e bem enxuta
até fica como nova.

Com Lisboa sem vaidade
a saloia pede meças.
Há mais burros na cidade
do que há burros em Caneças!

Ai bate, bate
Bate a preceito!
Ai bate, bate
Esfrega co’a mão
Batida a eito
A roupa de feição
Ó vai
Ó vai com jeito
ou com sabão!

Se por cá rebenta o fogo
entre o povo e mais a tropa,
em Caneças vê-se logo
quando a gente aparta a roupa.

Eu conheço badamecos
que só vestem roupa fina
e até lavo papo-secos
que usam cuecas de menina.

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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