A Rua do Conselheiro Mariano de Carvalho, professor da Escola Politécnica

Freguesia dos Olivais
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Mariano Cirilo de Carvalho, professor de Matemática da Escola Politécnica, jornalista e político, foi consagrado ainda em vida, dez meses após se demitir do cargo de Ministro da Fazenda, na Rua do Conselheiro Mariano de Carvalho, na última década do século XIX, nos  Olivais, artéria que hoje começa hoje junto ao nº 365 da Avenida Infante Dom Henrique  e se estende até à Praça da Viscondessa dos Olivais (em virtude de alterações urbanísticas ocorridas na zona foi eliminado o troço entre a Avenida Infante Dom Henrique e a Avenida D. João II).

Foi por deliberação camarária de 25 de novembro de 1892 e consequente Edital municipal de dia 30 que a Rua Direita, que da Praça da Viscondessa dos Olivais seguia para o nascente até à Praia do Tejo, se passou a denominar Rua do Conselheiro Mariano de Carvalho, tendo o mesmo Edital  consignado também em Ruas da mesma freguesia os nomes de Conselheiros de Estado que haviam sido ministros ou governadores na mesma época, a saber, a Rua do Conselheiro Dias Ferreira, a Rua do Conselheiro Ferreira do Amaral, a Rua do Conselheiro Lopo Vaz e a Rua do Conselheiro Teles de Vasconcelos.

N’ O Berro, 29 de março de 1896,  caricaturado por Celso Hermínio

Mariano Cirilo de Carvalho (Alenquer-Abrigada/25.06.1836 – 19.10.1905/Estoril), formado em Farmácia e em Matemática pela Escola Politécnica de Lisboa, distinguiu-se como  professor de Matemática dessa mesma Escola a partir da década de sessenta do séc. XIX, tendo sido também vogal do Conselho Superior de Instrução Pública.

Mariano de Carvalho foi  também jornalista, começando logo a partir de 1864 no Gazeta de Portugal mas chegou até a fundar títulos como o Notícias, o Novidades, o Correio Português e o Diário Popular. Em paralelo, ainda se dedicou à tradução, tendo sido o primeiro tradutor para português de Júlio Verne (nas obras Aventuras de três russos e de três ingleses,Viagem ao centro da terra, O país das peles, A galera Chanceler).

Filiado no Partido Reformista foi deputado de 1870 a 1880, eleito pelos círculos da Chamusca, do Porto, de Timor e do Cartaxo, tendo em 1900 sido deputado independente. Em 1876, por fusão do Reformista com o Partido Histórico, passou a representar o Partido Progressista. Foi ainda Ministro da Fazenda (1886-1889; 1891-1892) com José Luciano e com João Crisóstomo, época que publicou as obras Reorganização das Finanças Portuguesas – Relatório e Proposta de Lei (1887),  A Questão dos Tabacos (1889) e Os Planos Financeiros (1893).

Mariano de Carvalho conseguiu ainda ser o Comissário português à Exposição de Paris de 1890, presidente da Câmara Municipal de Setúbal e Comissário régio no Banco Nacional Ultramarino.

Por último, refira-se que Mariano de Carvalho foi um empenhado defensor da construção da linha de caminho de ferro para Cascais, tendo mesmo apresentado um plano de construção de um porto franco naquela vila, bem como de uma linha férrea que pela Quinta Marinha, seguisse até Colares.

Freguesia dos Olivais
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua do professor republicano Augusto José Vieira

Freguesia da Penha de França
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Com a legenda «Jornalista, Professor e Valoroso Apóstolo do Livre Pensamento/1861 – 1918» foi  o professor de ensino básico Augusto José Vieira inscrito na toponímia da cidade em 1926 , na freguesia da Penha de França, junto com Feio Terenas e Borges Graínha.

O Edital de 15 de maio de 1926 que colocou a Rua Augusto José Vieira na Rua nº 2 do Bairro Lamosa referia que «Faço saber que o Senado Municipal, em sessão de 30 de Abril próximo findo, prestando homenagem aos saudosos cidadãos Augusto José Vieira, José Maria de Moura Barata Feio Terenas e Manuel Borges Grainha, que foram três infatigáveis propagandistas do ideal republicano e do livre pensamento, resolveu que ás ruas particulares nºs.2, 3 e 4 do Bairro Lamosa, sejam dadas, respectivamente, as seguintes denominações: Rua Augusto José Vieira / Jornalista, professor e valoroso apóstolo do livre-pensamento – (1861 – 1918); Rua Feio Terenas/ Jornalista e propagandista do ideal republicano – (1847-1920); Rua Borges Grainha / Erudito professor e notável propagandista do livre-pensamento – (1860-1925)».

Freguesia da Penha de França – Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Augusto José Vieira (Funchal/02.10.1861 – 01.02.1919/Lisboa) veio para Lisboa veio em 1877, para se inscrever na Escola do Exército, mas acabou por trocar a carreira militar pela docência que exerceu até ao final da sua vida.

Em paralelo, logo desde esse ano de 1887, participou nas reuniões republicanas do Pátio do Salema e empenhou-se na luta pela implantação do regime republicano em Portugal sobretudo, proferindo muitas conferências.  Em 1909 começou a publicar a sua História do Partido Republicano Português, da qual saíram apenas 3 volumes. Foi ainda presidente da Associação do Registo Civil e secretário da Federação do Livre Pensamento, tendo em outubro de 1913 integrado a organização do Congresso Internacional do Livre Pensamento, que decorreu em Lisboa, com Tomás da Fonseca, António Aurélio da Costa Ferreira, João Camoesas, Ana de Castro Osório e Teófilo Braga.

Por uma questão de desambiguação refira-se que este Augusto José Vieira  inscrito na toponímia lisboeta não é o seu homónimo, solicitador que em 1 de novembro de 1908 foi eleito Vereador pelo 3º Círculo, na 1ª Vereação Republicana da Câmara da Capital.

Augusto José Vieira também ficou conhecido como jornalista que trabalhou desde a sua fundação para o jornal O Mundo, na artéria que ostentou o nome do jornal e hoje conhecemos como Rua da Misericórdia  para além de ter colaborado no semanário de caricaturas Xuão.

Freguesia da Penha de França
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua Câmara Reis da Seara Nova e professor de Línguas

Freguesia do Parque das Nações
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Luís da Câmara Reis, um dos fundadores da revista Seara Nova e também professor liceal de línguas, está perpetuado desde 1978 numa rua  da Quinta das Laranjeiras à Estrada de Moscavide, hoje território da freguesia do Parque das Nações.

A sugestão nasceu de uma carta de Adelino Martins Simão que propunha também a consagração na toponímia de Lisboa dos nomes de Adolfo Casais Ribeiro, António Sérgio, Carlos Cal Brandão, Emídio da Silva, General Ferreira Martins, José Lopo de Oliveira, José Maria Barbosa de Magalhães, José Régio, Julião Quintinha, General Norton de Matos, Raúl Proença, Ricardo Covões, Rocha Martins, Rocha Saraiva e a atribuição de uma Praça de Lisboa e uma Praça de Portugal. E perante a necessidade de serem dados topónimos para os arruamentos Quinta das Laranjeiras à Estrada de Moscavide, a Comissão Municipal de Toponímia propôs que as Ruas C e I passassem a ser a Rua Câmara Reis, as Ruas D e J fossem integradas na Rua Dr. Rui Gomes de Oliveira, para além de propor a atribuição das Ruas Manuel Mendes (Ruas H e B), Padre Joaquim Alves Correia (Ruas G e A), Padre Abel Varzim (Rua F) e o Largo Ramada Curto (Impasse G), sendo todos estes topónimos ficados pelo Edital municipal de 27 de fevereiro de 1978.

Luís da Câmara Reys (Lisboa/20.04.1855 –  1961/Estoril), licenciado em Direito, foi professor liceal de língua portuguesa e língua francesa, jornalista e um republicano defensor da democracia em Portugal.

Integrou o grupo de intelectuais que em 1921 fundou a revista Seara Nova que também dirigiu, sendo o seu esteio durante 40 anos. Já antes tinha dirigido a  Mocidade (1899-1905), A República Portuguesa (1910-1911) e com Raúl Proença, Jaime Cortesão e António Sérgio participado na fundação da Renascença Portuguesa (1911). Colaborou também em O País, Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro, Arte e Vida ou A Farsa.

Câmara Reis participou empenhadamente no Programa Mínimo de Salvação Pública de 1922, na formação da União Cívica como grande frente de intelectuais reformadores e na Carta Aberta ao Presidente Teixeira Gomes  (1923), no Apelo ao Presidente Bernardino Machado (1925) e  na Semana de Propaganda Antifascista de março de 1926, tendo com Rodrigues Miguéis, sido um dos dois oradores da Seara Nova na sessão final no Ginásio do Liceu Camões, integrando a Comissão Central do MUD (1945), na candidatura de Norton de Matos (1949), na candidatura de Humberto Delgado (1958) e como candidato da Oposição Democrática nas eleições legislativas de 1961.

Das suas obras publicadas, para além de livros escolares destacamos os fascículos Vida Política (1911), Contos de Março,  Aspectos da Literatura Portuguesa (1919), os 6 volumes de As Questões Morais e Sociais na Literatura (1940-1943), o livro de crónicas Paris e Divagações Musicais – dos Trovadores a Villa-Lobos (1944).

Casou com a cantora e musicóloga Ema Romero Santos Fonseca, com quem também realizou palestras de cultura musical.

Freguesia do Parque das Nações
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Avenida de Mitterrand que em 1981 aboliu a pena de morte em França

Freguesia de Marvila

François Mitterrand que conseguiu no seu 1º mandato presidencial abolir a pena de morte em França, no ano de 1981, tem em Lisboa o seu nome numa Avenida de Marvila, com a legenda «Presidente da República Francesa/1916 – 1996», desde a publicação do Edital de 24 de setembro de 1996, a ligar a Avenida Carlos Pinhão à Avenida Vergílio Ferreira, dando uma nova memória à Rua M 5 do Bairro do Armador.

François Maurice Adrien Marie Miterrand (França – Jarnac/26-10-1916 – 08.01.1996/Paris – França), foi um conhecido opositor da pena de morte, licenciado em Sociologia e Literatura Francesa, bacharel em Direito, diplomado em Direito Público e doutorado em Ciências Políticas, que se tornou o  1º presidente socialista da 5ª República Francesa, durante 2 mandatos consecutivos de 7 anos, entre 1981 e 1995, tendo logo no primeiro abolido a pena de morte em França, em 9 de outubro de 1981.

Em termos de direitos humanos, durante os seus mandatos presidenciais são também relevantes  as reformas sociais que instituiu em benefício da classe trabalhadora logo em 1981, como a semana de 39 horas, o aumento do salário mínimo e uma semana adicional de férias pagas; as garantias de direitos de residência que estabeleceu para muitos imigrantes ilegais  (1981); a sua declaração favorável à criação de um Estado palestiniano (1982); a evocação do caso Sakharov em pleno Kremlin (1984);  a nomeação da primeira mulher primeiro-ministro em França, Edith Cresson (1991) e a suspensão dos testes nucleares em França em 8 de abril de 1992.

François Mitterrand foi feito prisioneiro no decorrer da II Guerra Mundial – no dia em que Paris foi ocupada – e transferido para um campo na Alemanha do qual se conseguiu evadir em dezembro de 1941. Foi trabalhar como alto funcionário do governo de Vichy e em 1943 juntou-se à Resistência com o pseudónimo de Morland, assim fundando uma rede de resistência dos prisioneiros e evadidos, sendo em 1944 o presidente do Movimento Nacional dos Prisioneiros de Guerra e Deportados. Após o Dia D ( 6 de junho de 1944) foi nomeado secretário-geral dos Prisioneiros de Guerra pelo General De Gaulle, qualidade na qual participou no primeiro Conselho da França Libertada.

A partir daqui Mitterrand dirigiu o jornal Libres bem como  uma editora, aderiu à União Democrática e Socialista da Resistência (UDSR) e construiu uma longa carreira política, em que foi deputado durante 35 anos (1946 – 1981); ministro de 11 governos (1947 – 1958) passando pelas pastas dos Ex-Combatentes, de Estado, da França do Ultramar, do Interior e da Justiça; Presidente da UDSR (1953); Presidente da Câmara Municipal de Chateau-Chinon (1959); candidato à presidência da República contra de Gaulle (1965) e fundador da Federação da Esquerda Democrática e Socialista que liderou (1970); 1º Secretário do Partido Socialista Francês (1971-1981) e Vice- Presidente da Internacional Socialista (1972) no mesmo ano em que assinou o Programa Comum da Esquerda com o Partido Comunista Francês e que constituiu o seu programa de candidatura para as presidenciais de 1974 contra Giscard d’Estaing, que perdeu por 49,5% contra 50,5%.

Em 10 de maio de 1981 foi eleito o 1º presidente socialista da 5ª República, derrotando Giscard d’Estaing por 51,75% contra 48,24%. No decorrer de dois mandatos, tomou várias medidas como a nacionalização de bancos e grandes indústrias; descentralizou o poder através da atribuição de mais competências a nível local e regional; decretou e permitiu a criação de rádios locais e televisões privadas. Em 1982 e 1983, para fazer face a problemas económicos congelou salários, aumentou taxas nos serviços de saúde e fez cortes na despesa pública. Empenhou-se também na construção europeia comum estreitando relações com a Alemanha de Helmut Kohl e procurando a concretização do Tratado de Maastricht pelo que esteve em Lisboa no Conselho Europeu de Encerramento da Presidência Portuguesa na Comunidade Europeia (1992). François Mitterrand terminou o seu mandato a 17 de maio de 1995, após ter manifestado no ano anterior  a sua vontade de não se recandidatar, revelada que estava a doença que o conduziria à morte em 1996, aos 79 anos.

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )

A Praça António Sardinha que não passou a Praça Maria Pimentel Montenegro

Freguesia da Penha de França
(Foto: Sérgio Dias)

O poeta e rosto do Integralismo Lusitano António Sardinha, colocado como topónimo lisboeta em 1932, e numa Praça desde 1951, recebeu após o 25 de Abril  um pedido para que fosse substituído pela poetisa Maria Pimentel Montenegro, que já era topónimo desde março de 1974 numa rua de Benfica pelo que não sucedeu modificação alguma.

O caso ocorreu logo na 1ª reunião da 1ª Comissão Municipal de Toponímia pós-25 de Abril, em 15 de novembro de 1974, a partir de uma carta de Branca Alvarez Lopes a propor à edilidade a troca do topónimo Praça António Sardinha para Praça Maria Pimentel Montenegro. Como desde a publicação do Edital municipal de 4 de março de 1974, a artéria que ligava a Rua Dr. João de Barros a uma parte da Rua K já era a Rua Maria Pimentel Montenegro, a Comissão entendeu «que o pedido não é de considerar, porquanto, o nome de Maria Pimentel Montenegro está já consagrado num arruamento da zona de Benfica e quanto à substituição do nome de António Sardinha, deverá aguardar-se maior manifestação popular nesse sentido.»

António Sardinha havia sido consagrado pelo Edital de 31 de março de 1932  na Rua H do plano de  arruamentos da Quinta da Marquesa de Abrantes, em Marvila, aprovado em sessão de 15 de maio de 1930, mas o arruamento nunca chegou a ser executado, como os outros que integravam o plano, pelo que o seu nome voltou a ser dado à Praceta nº 1 da Rua da Penha de França, compreendida entre os nºs 150 e 152 da Rua da Penha de França, através do Edital municipal de 10/01/1951, onde permaneceu até aos dias de hoje.

Política, 10 de janeiro de 1930

O homenageado é António Maria de Sousa Sardinha (Monforte/09.09.1887-10.01.1925/Elvas), formado em Direito pela Universidade de Coimbra, época em que defendeu a implantação da República em Portugal,  para a partir de 1912 se tornar o mentor do Integralismo Lusitano assim como deputado monárquico durante o consulado de Sidónio Pais. A sua obra de cariz doutrinário, define o Integralismo Lusitano como um pensamento político que conjuga a defesa da monarquia, do nacionalismo e do catolicismo, como mostram os seus ensaios O Valor da Raça (1915), A Questão Ibérica (1916), Ao Princípio Era o Verbo A Aliança Peninsular (ambos em 1924), Ao Ritmo da Ampulheta e Teoria das Cortes Gerais (ambos em 1925).

O seu pensamento político teve como órgãos de divulgação as revistas Nação Portuguesa (1914) e A Monarquia (1917), ambas co-fundadas por António Sardinha, com Alberto de Monsaraz, Hipólito Raposo, Luiz de Almeida Braga e Pequito Rebelo no primeiro caso. O seu pensamento antirrepublicano e nacionalista encontrou eco em alguns dos defensores do Estado Novo.

Como poeta, António Sardinha fundiu saudosismo com os valores integralistas lusitanos, tendo publicado Tronco Reverdecido (1910), A Epopeia da Planície (1915), Quando as Nascentes Despertam (1921), Na Corte da Saudade (1922), Chuva da Tarde (1923), para além dos póstumos Era uma Vez um Menino (1926), O Roubo da Europa (1931) e Pequena Casa Lusitana (1937).

Após a morte de Sidónio Pais e o fracasso do movimento da Monarquia do Norte António Sardinha exilou-se em Espanha, no período de 1919 a 1921. De volta a Portugal dirigiu o diário A Monarquia e colaborou no quinzenário A Farça e na revista Lusitania, até falecer aos 37 anos.

Freguesia da Penha de França
(Planta: Sérgio Dias)

Da Travessa das Chagas para a Rua de Ruben A.

Freguesia da Misericórdia
(Foto: Sérgio Dias)

O semanário O Tempo, fundado em 29 de maio de 1975 e sediado no nº 4 da Travessa das Chagas, solicitou logo nesse seu 1º ano a alteração do topónimo da artéria onde estava instalado e no ano seguinte, o topónimo mudou para Rua Ruben A. Leitão.

A Comissão Municipal de Toponímia analisou o pedido pela primeira vez na sua reunião de 22 de julho de 1975 mas entendeu que deveria colher o parecer da Junta de Freguesia, que na época era a das Mercês. A 2ª Comissão de Toponímia pós-25 de Abril reapreciou o assunto na sua reunião de 15 de junho de 1976 e «resolveu estudar previamente a origem do topónimo, reservando para uma próxima oportunidade o seu parecer sobre a pretendida alteração», conforme referem as Atas da Comissão. Finalmente, na sua reunião de 6 de julho seguinte,  a Comissão foi do parecer que «o topónimo existente não tem qualquer significado especial nem pode considerar-se tradicional» e sugeriu que passasse a denominar-se Rua Ruben A. Leitão, com a legenda «Escritor/1920 – 1975», o que se concretizou com a publicação do Edital de 6 de outubro de 1976.

Assim, a Travessa das Chagas Velhas ou Travessa das Chagas, entre a Rua da Palmeira e a Rua Eduardo Coelho, passou a ser a Rua Ruben A. Leitão, homenageando o  jornalista e escritor mais conhecido por Ruben A., que nascera no 1º andar do nº 25 da Praça do Príncipe Real e depois residira ali perto, no nº 37 da Rua do Monte Olivete, conforme consta no envelope de uma carta dirigida a Eduardo Lourenço em 1967, tendo aos 55 anos de idade, em setembro de 1975, falecido repentinamente.

Diário Popular, 10 de junho de 1975

Ruben Alfredo Andresen Leitão (Lisboa/26.05.1920 – 23.09.1975/Londres), licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas em Coimbra e ensinou cultura portuguesa no King’s College da Universidade de Londres, de 1947 a 1952,  tendo também sido convidado para docente na Universidade de Oxford alguns meses antes de falecer.

Enquanto escritor usava o pseudónimo Ruben A.  Das suas obras publicadas  são de destacar a biografia D. Pedro V: um homem e um rei (1950) bem como a edição das Cartas de D. Pedro V aos seus Contemporâneos (1961) até então inéditas; vários verbetes no Dicionário de História de Portugal dirigido por Joel Serrão; os romances Caranguejo (1954) e A Torre da Barbela (1965) que foi Prémio Ricardo Malheiros; a peça Júlia (1963); os três volumes de O Mundo à Minha Procura (1964, 1966 e 1968); O Outro que era Eu (1966); seis diários com ficção sob o título de Páginas ( de 1949 a 1970) ou a novela Silêncio para 4 (1973). A escrita de Ruben A. caracteriza-se pela irreverência linguística, desconstrução dos eixos narrativos tradicionais e mordacidade.

Foi ainda funcionário da Embaixada do Brasil em Lisboa, de 1954 até 1972, ano em passou para membro do  Conselho de Administração da Imprensa Nacional-Casa da Moeda. Também desempenhou funções como diretor-geral dos Assuntos Culturais do Ministério da Educação e Cultura e colaborou em diversos jornais como o Expresso, onde foi membro do conselho editorial, e com recensões críticas no Diário Popular de 1963 a 1974.

Em termos pessoais refira-se que era reconhecido pela sua cultura ilimitada e criatividade excepcional, assim como por ter inventado o nome PPD para um partido de que nunca fez parte.

Freguesia da Misericórdia
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua Fernando Piteira Santos, membro da 1ª Comissão Municipal de Toponímia pós 25 de Abril

Freguesia de Carnide
(Foto: Sérgio Dias)

Fernando Piteira Santos foi membro da primeira Comissão Municipal de Toponímia após o 25 de Abril de 1974, bem como da primeira Comissão Municipal de Toponímia da década de 90 do séc. XX, e desde o ano seguinte ao seu falecimento dá nome a uma Rua de Carnide, com a legenda «Político e historiador/1918 – 1992».

A primeira Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa após o 25 de Abril de 1974 era presidida pelo Vereador Henrique José Monteiro Chaves  e integrava o Dr. Fernando Castelo Branco, em representação da autarquia, bem como três personalidades convidadas, a saber a Drª Maria da Conceição Machado, a  Drª Leonor Pizarro Beleza e o Dr. Fernando Piteira Santos. A primeira reunião desta Comissão ocorreu em 15 de novembro de 1974 e a última, no dia 22 de julho de 1975.

Piteira Santos voltou a ser convidado para a Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa, na primeira dos anos 90 do séc. XX, onde participou desde a primeira reunião, em 8 de junho de 1990, até à data do seu falecimento.

No ano seguinte, a partir de uma moção aprovada por unanimidade na reunião de Câmara de 30 de setembro de 1992  e formalizado através do Edital municipal de  26/01/1993, Fernando Piteira Santos  passou a ser o topónimo do Impasse G da Nova Urbanização do Bairro Padre Cruz, a ligar hoje a Rua Prof. Arsénio Nunes à Rua Prof. Sedas Nunes. O mesmo edital também colocou o professor catedrático Tiago de Oliveira no Impasse I, contribuindo para reforçar a presença de professores universitários naquela  zona da cidade.

Piteira Santos com Oliveira Marques (à esquerda) em 25 de outubro de 1975, numa conferência no São Luiz
(Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

Fernando António Piteira Santos (Amadora/23.01.1918 – 28.09.1992/Lisboa) foi um político, historiador, professor universitário e jornalista. Logo nos anos quarenta do séc. XX dirigiu movimentações estudantis contra as propinas e pela Autonomia Universitária e veio a ser membro do Comité Central do PCP entre 1941 e 1950, ano em que foi expulso a pretexto de uma falsa acusação de delação, aproximando-se então da Resistência Republicana e Socialista. Oposicionista ativo ao Estado Novo conheceu os cárceres da ditadura, tendo sido preso por três vezes. Colaborou na tentativa de assalto ao Quartel de Beja (1961) vendo-se por isso obrigado a passar à clandestinidade e depois ao exílio político em Argel, onde foi um dos membros fundadores da Frente Patriótica de Libertação Nacional (FPLN) e de lá só regressou após a revolução de 25 de Abril de 1974.

Em maio de 1974 foi nomeado Diretor-Geral da Cultura Popular e Espetáculos mas exerceu o cargo apenas por um mês e passou a dirigir os Centros Populares 25 de Abril e a integrar a Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa. Em 1977 esteve na fundação da associação Fraternidade Operária, criada por destacados dirigentes e militantes do PS, entre os quais Lopes Cardoso e César Oliveira, descontentes com o rumo político tomado pelo partido.

De 1974 a 1988 Piteira Santos também lecionou na Faculdade de Letras de Lisboa e na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, dedicando-se sobretudo ao estudo das questões metodológicas da História e dos regimes fascistas e totalitários, em especial o Estado Novo.

Enquanto fundador da Sociedade Portuguesa de Autores teve um papel preponderante na luta pela independência e liberdade dos autores portugueses mas também trabalhou nas editoras Europa-América e Sá da Costa, para além de se dedicar ao jornalismo, particularmente no Diário de Lisboa, de que foi diretor-adjunto de 1974 a 1989 e onde assinou a coluna de análise política «Política de A a Z» a partir de 1976. Também colaborou na Seara Nova e na revista Ler, da qual chegou a ser chefe de redação.

Freguesia de Carnide
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do político liberal Rodrigo da Fonseca

A Rua Rodrigo da Fonseca em data entre 1898 e 1908                                                                                  (Foto: Machado & Souza, Arquivo Municipal de Lisboa)

Na antiga Azinhaga do Vale de Pereiro está desde 1884 fixado o político liberal Rodrigo da Fonseca, pela deliberação camarária de  28 de fevereiro e consequente Edital de 4 de março, na artéria que hoje se estende da Rua do Salitre à Rua Marquês de Fronteira.

Rodrigo da Fonseca Magalhães (Condeixa-a-Nova/24.07.1787-11.05.1858/Lisboa), ainda quando estudante em Coimbra, abraçou a carreira militar alistando-se no  Batalhão Académico sob o comando do lente de Matemática Tristão de Oliveira, para combater as invasões francesas de 1807. Dez anos depois, em 1817, sendo tenente e estando implicado na conspiração de Gomes Freire, abandonou o exército e refugiou-se no Brasil onde foi secretário do seu antigo comandante Luís do Rego Barreto e a partir de 1821, da Junta Governativa organizada após a Revolução Liberal do Porto. Ainda nesse ano de 1821, fundou o primeiro jornal político de Pernambuco, o Aurora Pernambucana.

Regressou a Portugal em 1822 com o general Luís do Rego Barreto de quem já era então genro, mas após o triunfo da Vilafrancada foram ambos deportados para a Figueira da Foz. Em 1824, Rodrigo da Fonseca obteve licença para morar em Viana do Castelo mas  em 1828, após se recusar a aderir à causa da monarquia absoluta de D. Miguel teve de se refugiar em Inglaterra, tendo embarcado com o seu amigo Silva Carvalho. Em Londres apresentou-se a Pedro de Sousa Holstein, futuro Duque de Palmela, que liderava a emigração constitucional portuguesa, sendo colocado na secretaria da embaixada, encarregue de dirigir os jornais liberais Aurora e Paquete de Portugal. 

Voltou de vez ao nosso país após o desembarque de D. Pedro IV no Mindelo, sendo então diretor-geral do Ministério dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça e administrador da Imprensa Nacional. Foi também deputado pelo Minho (1934); fundador com António Pereira dos Reis e redator do Revista; Ministro dos Negócios do Reino do Duque de Saldanha (1835)  período em que criou por decreto o Instituto de Ciências Físicas e Matemáticas em Lisboa mas revogado após protestos da Universidade de Coimbra e queda do governo, repetindo a pasta no governo do 1º Conde de Bonfim (1839) embora tenha contribuído para a sua queda defendeu no parlamento que não podia governar sem a liberdade da imprensa, voltando à pasta em 1851-1856 outra vez com o Marechal Saldanha; Ministro dos Negócios Estrangeiros (1841) no governo de Joaquim António de Aguiar; Conselheiro de Estado (1842); e ainda Par do Reino (1847).

Tendo fixado a sua residência em Lisboa na Rua dos Navegantes, onde veio a falecer, Rodrigo da Fonseca foi ainda sócio emérito da Academia Real das Ciências de Lisboa, sócio do Conservatório Real de Lisboa e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil. Recusou títulos nobiliárquicos mas mesmo assim foi galardoado como fidalgo cavaleiro da Casa Real (2 de agosto de 1835), com a grã-cruz da Ordem de Cristo, o grau de cavaleiro da Ordem da Torre e Espada, a Cruz n.º 4 das Campanhas da  Guerra Peninsular e a medalha britânica de 7 ações.

Freguesias de Santo António, Avenidas Novas e Campolide (Planta: Sérgio Dias)

Freguesias de Santo António, Avenidas Novas e Campolide
(Planta: Sérgio Dias)

 

 

Ferreira de Castro, emigrante no Brasil e autor de «A Selva», numa rua de Marvila

Freguesia de Marvila (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias)

Ferreira de Castro, o autor de A Selva – fruto da sua experiência como emigrante no Brasil-, desde a publicação do Edital municipal de 28 de fevereiro de 1984 é o topónimo de uma rua de Marvila, identificada até então como Rua E da Zona N 1 de Chelas.

O mesmo Edital colocou numa rua da mesma freguesia, mas na Zona L de Chelas,  a escritora brasileira Dinah Silveira de Queiroz. Cinco anos depois,  junto à Rua Ferreira de Castro nasceu a Rua como o nome da poetisa Luísa Neto Jorge e em 1997, paralela, surgiu a Avenida José Régio.

Ilustração, 1 de novembro de 1933

Ilustração, 1 de novembro de 1933

José Maria Ferreira de Castro (Oliveira de Azeméis- Ossela/24.05.1898 – 29.06.1974/Porto) foi um escritor e jornalista que retratou na sua obra a vida dos emigrantes no Brasil, nomeadamente no romance Os Emigrantes (1926), e em A Selva (1930), no qual narra a vida nos seringais da Amazónia inspirando-se na sua própria experiência de trabalho. A Selva, romance focado no drama dos trabalhadores dos seringais na Amazónia, com muito de reportagem e objetividade quase fotográfica, foi traduzida para dezenas de línguas e tornar-se-ia num dos romances portugueses mais lidos desde sempre, sendo em 1973 um dos dez romances mais lidos em todo o mundo segundo a UNESCO. A edição de A Selva no Brasil, em 1935, foi prefaciada por Afrânio Peixoto  e, em 2002, numa produção luso-hispano-brasileira, a obra foi adaptada ao cinema por Leonel Vieira.

Ferreira de Castro foi considerado precursor do neorrealismo, pela sua inovadora obra marcada pelo sofrimento e pobreza causados pela morte prematura do pai em 1906, assim como pela sua dura experiência de emigração no Brasil desde os 12 anos (1910). Viveu durante quatro anos como caixeiro, no seringal Paraíso, em plena selva amazónica e depois teve de  recorrer a trabalhos como colar cartazes em Belém ou ser embarcadiço em navios entre Belém e a Guiana Francesa.

Escreveu o seu primeiro romance Criminoso por ambição (1916) no seringal e publicou-o em fascículos no Brasil. Do conjunto das suas 31 obras refiram-se ainda a peça A Alma Lusitana (1916), O Êxito Fácil (1923), Sangue Negro (1923),  A Metamorfose (1924), A Epopeia do Trabalho (1926), O voo nas Trevas (1927), Terra Fria (1934) – que foi Prémio Ricardo Malheiros da Academia das Ciênciastambém adaptada a filme de António Campos em 1992-  A Tempestade (1940), A Lã e a Neve (1947), O Instinto Supremo (1968) , Os Fragmentos (1974) e os dois volumes de  As Maravilhas Artísticas do Mundo (1959-1963), que receberam em 1965 Prémio Catenacci da Academia de Belas Artes de Paris. Duas das suas obras, que terminou em 1936- O Intervalo e a peça Sim, uma Dúvida Basta, feita para o Teatro Nacional e censurada  por despacho governamental – só foram publicadas em 1974 e 1994.

No jornalismo, colaborou logo em 1916 no Jornal do Novos (em Belém). Fundou e dirigiu com outro emigrante, João Pinto Monteiro, em 1917, o semanário Portugal , destinado à comunidade lusa de Belém do Pará e dois anos depois, também O Luso, com a intenção de promover a aproximação luso-brasileira para além de A Hora, «revista panfleto de arte, actualidades e questões sociais» (1922), a revista Civilização (1928) com Campos Monteiro, para além de ter colaborado nas revistas O domingo ilustrado e Ilustração (1934), o jornal O Diabo (1935) e ainda, co-dirigido com António Ferro, a «Página Portuguesa» da Gaceta Literaria. Tornou-se colaborador do jornal Imprensa Livre (1921), revista A. B. C. dirigida por Rocha Martins (1922), «Suplemento Literário» do diário A Batalha e da revista Renovação (1925),  ambos da Confederação Geral do Trabalho anarco-sindicalista, do jornal O Século (1927) e do jornal carioca A Noite (1938). Assinou crónicas vibrantes, como o dia em que se deixou prender no Limoeiro para testemunhar a vida dos reclusos nas cadeias portuguesas ou a sua entrevista exclusiva em 1930, em Dublin, com Eamon de Valera, líder do Sinn Fein , ao serviço do jornal de João Pereira da Rosa.

Em 1926 foi eleito presidente do Sindicato dos Profissionais da Imprensa de Lisboa. Em 1945, denunciou os efeitos nefastos da censura sobre os escritores portugueses numa entrevista ao Diário de Lisboa, integrou a Comissão Consultiva e a Comissão de Escritores Jornalistas e Artistas do Movimento da Unidade Democrática (MUD) e em 1949, apoiou vivamente a candidatura de Norton de Matos à presidência da República. Em 1962, foi eleito por unanimidade presidente da Sociedade Portuguesa de Escritores, da qual era o sócio nº 2 e Aquilino o nº 1. em 1974 acolheu o 25 de Abril com grande emoção e participou logo no primeiro 1º de Maio.

Em 1959  visitou o Brasil a convite da União Brasileira de Escritores e tornou-se cidadão honorário do Rio de Janeiro com entrega da chave da cidade. Em 1966, nos 50 anos da sua vida literária foi inaugurado um monumento à sua obra numa praça de Oliveira de Azeméis. Recebeu o prémio Águia de Ouro Internacional no Festival do Livro de Nice em 1970 e no ano seguinte, a Academia do Mundo Latino atribui-lhe o Prémio da Latinidade e o seu nome foi dado a um troço da Rodovia Transamazónica, no Brasil. De outras homenagens que recebeu, refiram-se ainda uma biblioteca e uma escola secundária com o seu nome em Oliveira de Azeméis e em Ossela, a Casa-Museu Ferreira de Castro na Rua Escritor José Maria Ferreira de Castro, para além de ter um busto seu no espaço público de Manaus e de dar nome a um Prémio Literário e a um Museu  da Câmara Municipal de Sintra.

Dá ainda o seu nome a artérias de Águas Santas, Almada, Amadora, Barreiro, Bragança, Casal de Cambra, Coimbra, Corroios, Fafe, Mafra, Mem Martins, Miratejo, Ovar, Paio Pires, Pinhal Novo, Porto, Póvoa de Santa Iria, Rio de Mouro, Santa Maria da Feira, São João da Madeira, Sassoeiros, Sintra, Trofa, Viana do Castelo, bem como no Brasil, em Manaus, Ourinhos, Porto Novo, São Paulo e Teresópolis.

Freguesia de Marvila (Planta: Sérgio Dias)

A Rua de Zelins, o autor do «Menino de engenho»

Freguesia de Alvalade (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade
(Foto: Sérgio Dias)

Por sugestão de Guedes de Amorim num artigo publicado no Século Ilustrado,  a Comissão Municipal de Toponímia deu parecer positivo a que o autor do romance Menino de engenho, conhecido pelos amigos como Zélins, integrasse a toponímia de Lisboa no arruamento ou Praceta projetado entre a Avenida do Brasil e as Ruas Antónia Pusich e Afonso Lopes Vieira, na Freguesia de Alvalade, como Rua José Lins do Rego, o que aconteceu pelo Edital de 28 de outubro de 1960.

Escritor José Lins do Rego, 2 negativos 6x6 cm PB nitrato

José Lins do Rego Cavalcanti (Pernambuco/03.06.1901 – 12.09. 1957/Rio de Janeiro) morou no Engenho Tapuá de seu pai, e após o falecimento de sua mãe mudou-se para o engenho do seu avô materno, que era o Coronel Bubu do Corredor (José Lins Cavalcanti de Albuquerque), senhor de 8 engenhos da várzea do Rio Paraíba.

Formou-se em Direito no Recife colaborando também  no Diário de Recife e sendo um dos fundadores do semanário Dom Casmurro. Em 1925 ingressou no Ministério Público de Minas Gerais, como promotor em Manhuaçu, mas no ano seguinte transferiu-se  para a capital de Alagoas, onde passou a exercer as funções de fiscal de bancos até 1930, e fiscal de consumo, de 1931 a 1935, sendo assim que participou do movimento regionalista de 33 organizado por Gilberto Freyre no Recife. Em Maceió, colaborou no Jornal de Alagoas e participou no grupo de Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, Aurélio Buarque de Holanda, Jorge de Lima, Valdemar Cavalcanti, Aloísio Branco e Carlos Paurílio, entre outros. Publicou o seu 1º livro, Menino de engenho (1932), que foi Prémio da Fundação Graça Aranha e impulsionou a literatura regionalista do nordeste do Brasil. Em 1933 publicou Doidinho, o 2º livro do «Ciclo da Cana-de-Açúcar», a que se seguiram Bangüê (1934), O Moleque Ricardo (1935), e Usina (1936), no mesmo ano em que deu à estampa o seu único livro infantil: Histórias da Velha Totonha.

Em 1935 mudou-se para o Rio de Janeiro e passou a colaborar com O Globo e Diários Associados. Foi também este o ano em que ganhou  paixão pelo futebol, passando de sócio do Flamengo a cronista desportivo e a dirigente do Clube de Regatas do Flamengo, tendo publicado 1571 crónicas desportivas só no Jornal dos Sports. A sua obra passou a espelhar  o neorrealismo pós-modernista brasileiro, com títulos como Fogo Morto (1942) ou Cangaceiros (1953). Entre muitas outras obras de Lins do Rego, destacam-se Água mãe (Prémio da Fundação Felipe de Oliveira), Eurídice (Prémio Fábio Prado). Lins do Rego foi ainda membro da Academia Paraibana de Letras e da Academia Brasileira de Letras (1955).

No presente, podemos encontrar o seu nome também perpetuado em artérias brasileiras de Belo Horizonte, Curitiba, Estado de São Paulo, Estado do Paraná, Goiás, Paraíba, Pelotas, Petrolina, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Freguesia de Alvalade (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias)