O maestro jorgense Francisco Lacerda numa rua de Campo de Ourique

Freguesia de Campo de Ourique                                                     (Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Francisco Lacerda, o maestro açoriano da Ilha de São Jorge, que fora discípulo do maestro Freitas Gazul,  voltou a juntar-se ao seu mestre na toponímia de Campo de Ourique ao passar o ser o topónimo da Rua Projetada à Rua Freitas Gazul, pelo Edital municipal de 1 de agosto de 2005.

Freguesia de Campo de Ourique
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Francisco Inácio da Silveira de Sousa Pereira Forjaz de Lacerda (Ilha de S. Jorge – Ribeira Seca/11.05.1869 -18.06.1934/Lisboa) recebeu a primeiras lições de música de seu pai, João Caetano Pereira de Sousa e Lacerda, aos 4 anos e construiu-se como um compositor e musicólogo que veio a ser o primeiro chefe de orquestra português a alcançar renome internacional, trabalhando em França e na Suíça.

Já em 1886, na Terceira, onde frequentava o Liceu, compôs a mazurka Uma Garrafa de Cerveja, dedicada ao amigo Luiz da Costa e nesse mesmo ano passou a  residir na cidade do Porto, para frequentar o curso de Medicina. Ao mesmo tempo, fazia estudos musicais com António Maria Soller, que o aconselhou a estudar no Conservatório de Lisboa e ele assim procedeu,  tendo sido aluno de Freitas Gazul e logo no ano de conclusão do seu curso, sido professor dessa escola de artes, de 1891 a 1895, sendo nesse último ano que partiu para Paris, como bolseiro da Coroa (foi a 1ª bolsa oficial de música em Portugal), para se aperfeiçoar no Conservatório e depois na então nova Schola Cantorum, em piano, órgão e composição, onde se tornou discípulo e também amigo de Vincent d’Indy que o incentivou a revelar a sua vocação para chefe de orquestra em 1900 e o escolheu para seu substituto na classe de orquestra, sendo inegável  a influência da escola francesa nas suas composições e no seu estilo de direção musical.

De 1904 a 1913, dirigiu concertos em França, nomeadamente, no Casino de La Baule e no Kursaal de Montreux, sendo o primeiro chefe de orquestra português a alcançar renome internacional. Por isso, foi a sua obra escassa como compositor, mesmo que de alta qualidade e dela se destacam os poemas para orquestra Almourol, Alcácer e Epitáfio para um Herói, as Trovas para canto e piano ou orquestra, a música de cena para A Intrusa de Maeterlinck, os bailados Danse du voile e Três Danças Rítmicas,  peças para órgão, piano, guitarra, trios e quartetos de cordas ou Anteriana, Trente Six Histoires e Petites histoires pour amuser l’enfant d’un artiste, bem como a Canção do Berço para o Centenário do Nascimento de Almeida Garrett (1899).

Consideremos ainda Francisco de Lacerda como professor de direção de orquestra;  fundador em 1905 da Association des Concerts Historiques de Nantes, que dirigiu até 1908;  estudioso do folclore que se dedicou  à recolha de música tradicional açoriana (em 1899-1900 e de 1913 a 1921); bem como quando viveu em Lisboa a partir de 1921, foi conferencista e fundador  de Uma Hora de Arte (1922) dedicada aos operários, assim como no ano seguinte da Pró-arte, com Eugénio de Castro, Afonso Lopes Vieira, Carlos Malheiro Dias e Raúl Lino, bem como da  Filarmónica de Lisboa que se apresentou em concertos em Lisboa e no Porto. Regressou a França  entre 1925 e 1928, para voltar a dirigir os Grands Concerts Classiques de Marseille e ser chefe de orquestra em Paris, Marselha, Nantes, Toulouse e Angers.

Impedido de reger por motivos de saúde (tuberculose pulmonar), voltou a Lisboa em 1928, onde organizou as iniciativas musicais da representação portuguesa na Exposição Ibero-Americana de Sevilha de 1929, para além de se dedicar à composição, ao estudo do folclore e da música antiga portuguesa, tendo o resultado das suas recolhas pelo país sido publicado postumamente como Cancioneiro Musical Português. Quando buscou cura nos ares da Madeira ainda presidiu à Comissão das Festas da Cidade do Funchal (1932).

Foi agraciado com o 1º  prémio da Revue Musical (1904) pela Danse du Voile; Ordre National de la Légion d’ Honneur (1905); como Oficial da Ordem de Santiago (1910) e a Medalha de Serviços Distintos da Cruz Vermelha (1920) pelos serviços prestados «na grippe pneumonica de 1918» na ilha de S. Jorge.

O seu nome está presente num Museu açoriano da sua ilha natal, desde 1991, assim como também na toponímia da Calheta e na de Velas (São Jorge), assim como na de Alhos Vedros.

Música – Revista de Artes, 1 de setembro de 1924

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A Rua do flautista e compositor sacro Dom Pedro Cristo

Freguesia de Alvalade
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Domingos de seu nome secular, Dom Pedro de Cristo por escolha, exímio flautista e compositor sacro coimbrão da passagem do séc. XVI para o XVII, quando o Mosteiro de Santa Cruz era um centro de produção musical, cujo 4º centenário da morte passa este ano, está homenageado numa Rua de Alvalade desde a publicação do Edital municipal de 14 de junho de 1950.

Era a Rua 36 do Sítio de Alvalade situada na confluência das Ruas Domingos Bomtempo e Filipe de Magalhães, ambos compositores, tanto mais que a Câmara alfacinha colocou pelo mesmo Edital de 1950 mais 7 topónimos de músicos no Bairro: Rua Alexandre Rey Colaço (Rua 35), Rua Carlos de Seixas (Rua 38), Rua Domingos Bomtempo (Rua 37), Rua Duarte Lobo (Rua 34-A), Rua Filipe Magalhães (Rua 40), Rua Frei Manuel Cardoso (Rua 34) e Rua Viana da Mota (Rua 35-A).

Freguesia de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

De seu nome Domingos (Coimbra/c. 1545 a 1551 – 16.12.1618/Coimbra) e filho de António Nunes e Isabel Pires, ao tomar o hábito  de monge de Santo Agostinho em 4 de setembro de 1571 escolheu ser Pedro de Cristo. Destacou-se como um excelente executante de flauta e de fagote renascentista, assim como de harpa e ainda um celebrado cantor e professor de música.  Foi o mais célebre compositor de música sacra do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra e mestre de capela a partir de 1597. Produziu vasta obra vocal polifónica de 3 a 6 vozes, com motetos, responsórios, salmos, missas, hinos, paixões, lamentações, cânticos e vilancicos espirituais (denominados chansonetas no Mosteiro). As suas obras conservam todo o elevado sentido espiritual da oração cantada mas moldada na polifonia do Renascimento. Permaneceu também algum tempo no mosteiro-irmão de São Vicente de Fora, em Lisboa. Quando faleceu era cantor-mor do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, cargo em que sucedera a D. Francisco Castelhano.

Existe em Coimbra um Coro com o seu nome desde 1970 e também integra a toponímia de Coimbra e de Fernão Ferro.

A Rua Dom Pedro de Cristo em 1961
(Foto: Artur João Goulart, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Rua do Casimiro, compositor dos teatros lisboetas oitocentistas

Freguesia da Estrela
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Joaquim Casimiro, um compositor que começou na música sacra para depois enveredar na criação para o universo teatral lisboeta do século XIX, está desde 1925 imortalizado numa Rua que liga a Rua do Olival à  Rua Maestro António Taborda.

Foi pelo Edital municipal de 8 de junho de 1925 que a Rua nº 1 do novo Bairro da Lapa passou a ter topónimo: Rua Joaquim Casimiro. O mesmo documento municipal inclui no mesmo Bairro novo da Lapa outros dois topónimos ligados à música: a Rua Maestro António Taborda (na Rua nº 2) e a Rua Santos Pinto (na Rua nº 3).

Joaquim Casimiro num medalhão nos Paços do Concelho de Lisboa

O lisboeta Joaquim Casimiro Júnior (Lisboa/30.12.1802 – 28.12.1862/Lisboa), filho de Joaquim Casimiro da Silva (1767-1860), músico e copista da Casa Real e do Teatro São Carlos, também se tornou músico, primeiro como organista e depois, como compositor. Aos 5 anos, começou nas lições de Rodrigues Palma. Dos 6 aos 9, frequentou a aula dos frades do Carmo onde teve educação primária e religiosa. Seguiu então para a aula de música da Sé de Lisboa, com o mestre José Gomes  e  Frei António, sendo que com este último teve aulas de canto que lhe permitiu depois ingressar na Irmandade de Santa Cecília e concorrer com sucesso ao lugar de soprano na Real Capela da Bemposta.

Em pouco tempo, Casimiro começou também a fazer acompanhamentos ao órgão para o coro de um hospício de frades, situado na antiga Carreira dos Cavalos (hoje, Rua Gomes Freire), função que se estendeu pouco depois à Real Capela da Bemposta, como organista substituto. Apoiado por D. João VI, tornou-se discípulo do Mestre da Capela Real, Frei José Marques da Silva, aprofundando os conhecimentos de órgão e composição e aos 24 anos concorreu a primeiro organista da Capela e ganhou o lugar, uma orquestra completa e um coro. Ao longo da sua vida criou 97 peças de música sacra, como as matinas de Santa Luzia, as de Reis, missas, responsórios, ofícios e um credo para vozes e orquestra, das quais se salientam Grandiosa Missa (1830),  Missa dita da Arruda (1835), Missa a 4 Vozes (1850), Kirie e Gloria para Quinta Feira Sancta (1856), Septenário das Dores de Nossa Senhora (1865) e Miserere (1886).

Entretanto, surge a  guerra civil e Casimiro alistou-se como voluntário das tropas de D. Miguel, compôs o Novo Hino Realista Militar (1830) e a sua lealdade ao regente absolutista valeu-lhe a prisão. Na época, a ópera usada pelo Teatro São Carlos era quase exclusivamente a italiana e Joaquim Casimiro traçou o intuito de ser  compositor teatral e foi assim que se estreou em 1841, no Teatro do Salitre, com a farsa Os cegos fingidos, relançando a sua carreira. Com a vitória liberal de 1834, o compositor deixou a Real Capela da Bemposta e só mais tarde será provido num dos lugares  da Sé, com uma remuneração bastante inferior.

Ao longo de 21 anos, de 1841 a 1862, escreveu 209 partituras para dramas, comédias, operetas, farsas, revistas e mágicas para os teatros da Lisboa de oitocentos, das quais se destacam O Peão Fidalgo (1842) no Teatro do Salitre; a farsa lírica O ensaio da Norma (1849) ou a peça fantástica A Filha do Ar (1856) no Teatro do Ginásio; A assinatura em branco e a ópera cómica A batalha de Montereau, ambas no Teatro de D. Fernando em 1850, onde na temporada de 1850/51 foi o diretor musical; a opereta Ópio e Champanhe (1854) no Teatro da Rua dos Condes; a comédia mágica A Lotaria do Diabo (1858) no Teatro de Variedades (antigo Salitre) ou É perigoso ser rico (1862) no  Teatro de D. Maria II. Refira-se  que além da música de cena que criava Joaquim Casimiro também integrou como instrumentista as orquestras dos teatros de Lisboa.

Em 1857 voltará a ser organista permanente da Sé e no ano seguinte, mestre de capela para além de, por outro lado, formar cantores e músicos em aulas particulares, dirigir o periódico musical Semanário Harmónico e exercer diversos cargos na Irmandade de Santa Cecília, no Montepio Filarmónico, na Associação Música 24 de Junho e na Academia Melpomenense, de que foi um dos fundadores e maestro, sendo suas as obras da Semana Santa na Igreja de S. Nicolau, em 1851.

Na sua vida pessoal foi a partir de 1853 pai de Angelina Vidal, também presente na toponímia lisboeta.

No reconhecimento póstumo de Joaquim Casimiro encontramos um medalhão com o seu retrato em perfil nos Paços do Concelho de Lisboa, para além da homenagem toponímica que também se encontra em Aldeia Galega da Merceana (Alenquer), Queluz e Sesimbra.

Freguesia da Estrela
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Largo do 1º Mestre das Filarmónicas Portuguesas, Rodrigues Cordeiro

Freguesia de Alvalade
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

A partir da proposta do então Vice-Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Luís Pastor de Macedo, nasceu o Largo Rodrigues Cordeiro, em Alvalade, para guardar a memória do primeiro Mestre das Filarmónicas Portuguesas,  que ainda no séc. XIX dedicou grande parte da sua vida a ensinar diversos instrumentos, nas sociedades filarmónicas do país.

Foi pelo Edital de 20 de outubro de 1955 que se fixou junto à Rua Guilhermina Suggia o Largo Rodrigues Cordeiro, arruamento antes identificado como Praceta III da Rua 59 ou Praceta à Rua 58 do Sítio de Alvalade. O mesmo edital atribuiu naquele bairro os nomes da violoncelista Guilhermina Suggia (Rua 59), dos irmãos cantores líricos António (Rua 57) e Francisco Andrade (Rua 58) e ainda, do barítono Dom Francisco de Sousa Coutinho (Rua 56).

João Rodrigues Cordeiro (Brasil- Rio de Janeiro/1826 – 11.05.1881/Lisboa) foi um compositor musical, filho do médico português Rodrigues Curto que veio para Lisboa com apenas 2 anos. Ainda jovem perdeu o pai, o que conduziu a dificuldades para a sua família, tendo sido um protetor que lhe pagou os estudos na Escola Médica de Lisboa, onde se inscrevera em 1842, mas da qual acabou por desistir para se matricular em 1844 no Conservatório de Lisboa, onde frequentou as classes de contrabaixo e de harmonia, tendo sido aluno de contrabaixo de João Jordani.

Como instrumentista podia sustentar-se e começou logo a tocar em orquestras e a ensinar nas sociedades de amadores, acabando por ser conhecido como o primeiro mestre das filarmónicas portuguesas. As suas composições espalharam-se pelas bandas filarmónicas e militares, de Portugal e do Brasil, sendo muito estimado no meio filarmónico e muito requisitado pelos seus preços convidativos.

A banda filarmónica foi criada no meio militar no decorrer do séc. XVIII mas no século XIX adquiriu uma identidade própria, em termos orgânicos e de repertório, dando origem ao desenvolvimento do «movimento filarmónico», com a criação de dezenas de bandas filarmónicas civis, a partir dos meios urbanos e expandindo-se para a periferia. Ainda na primeira metade do séc. XIX, Lisboa viu nascer diversas sociedades musicais, com pequenas orquestras e as primeiras bandas civis, como a Academia Philarmonica (1838), a Sociedade Philarmonica Portuguesa (1840), a Academia Melponense (1846), a Academia Philarmonica Lusitana (1848), a Sociedade Recreação Philarmonica (1842), a Academia Apollinea Lisbonense (1846) e a Academia Philarmonica Lisbonense (1850). As sociedades filarmónicas protagonizaram essa onda de democratização da cultura musical, através dos eventos frequentados pela burguesia nos espaços públicos ao ar livre, onde se podiam encontrar grupos com diferentes origens sociais.

Rodrigues Cordeiro teve uma produção musical considerável em que também somou aberturas para orquestras, solos para diversos instrumentos, música para igreja, música de baile, marchas, hinos, trechos para piano e canto, música para comédias e dramas teatrais e ainda, a opereta Qual dos três? representada no Teatro Ginásio em 1870.  Sabe-se que foi para entrar a Associação Musica 24 de Junho que em 1864 criou Fantasia para contrabaixo.

O seu nome foi também perpetuado, postumamente, numa dessas associações para quem mais trabalhou: na Sociedade Filarmónica João Rodrigues Cordeiro, fundada em 4 de março de 1896 no nº 46 da Rua da Fé.

Freguesia de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

O maestro Ivo Cruz numa praceta de Benfica

Freguesia de Benfica
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Oito anos após o seu falecimento, junto à artéria da pianista Nina Marques Pereira, em Benfica, nasceu no Impasse A à Rua Nina Marques Pereira a Praceta Maestro Ivo Cruz, em homenagem a este compositor que durante 33 anos dirigiu o Conservatório Nacional de Lisboa. O topónimo nasceu pela publicação do Edital municipal de 15 de outubro de 1993 e a partir de uma sugestão do Sindicato dos Músicos.

Ivo Cruz em 19 de janeiro de 1925
(Foto: Eduardo Portugal, Arquivo Municipal de Lisboa)

O maestro Manuel Ivo Cruz (Brasil – Mato Grosso – Corumbá/19.05.1901 – 08.09.1985/Lisboa), filho de Manuel Pereira da Cruz e de Palmira Machado, um casal de Olhão,  distinguiu-se como compositor, maestro e professor de música. Desde criança viveu em Lisboa e começou a aprender música com António Tomás de Lima e Tomás Borba. Logo a partir de 1921 estudou a  génese da música portuguesa, investigando em arquivos públicos e particulares, sendo também essa uma época em que colaborava regularmente em revistas como a Contemporânea Música, enquanto cursava  Direito na Universidade de Lisboa e que concluiu em 1924. Casou em janeiro do ano seguinte e o casal partiu no dia 19 de janeiro desse ano de 1925, no Vapor Holm da companhia Hugo Stinnes – Holm  para a Alemanha, onde permaneceram 5 anos, enquanto Ivo Cruz estudava Composição, Direção de Orquestra, Estética e História da Música.

O casal regressou a  Portugal em 1931, residindo em Lisboa na Rua do Salitre. Ivo Cruz trabalhava como professor do Conservatório e  organizou a Sociedade Coral de Duarte Lobo, promovendo as primeiras audições modernas de compositores portugueses como Carlos Seixas e João de Sousa Carvalho. Em 1935, dirigia a  Orquestra da Emissora Nacional e dois anos depois fundou a Orquestra Filarmónica de Lisboa, para divulgar o repertório musical português e no ano seguinte, sucedeu a Viana da Mota, como diretor do Conservatório Nacional de Lisboa, função que ocupou durante 33 anos, de 1938 a 1971.

Da sua vasta e diversificada obra musical, de estilo impressionista ao gosto português, sobressaem duas sinfonias, dois concertos para piano e múltiplas canções e peças instrumentais. A sua obra mais conhecida talvez seja a Sinfonia de Amadis, estreada em Lisboa em 1953. Em 1961, entregou a  partitura manuscrita de obras de música sinfónica sobre Lisboa ao presidente da edilidade, general França Borges. E dez anos depois, em 15 de maio de 1971 assinou com o presidente da autarquia, engenheiro Santos e Castro, o contrato para dirigir a Orquestra Filarmónica Municipal.

Reuniu uma importante coleção bibliográfica de temática musical que se encontra integrada na Biblioteca Nacional de Lisboa, como Colecção Ivo Cruz, que inclui o maior conjunto conhecido de autógrafos de João Domingos Bomtempo, tal como dirigiu muitos concertos de festivais ou as temporadas dos Bailados Verde Gaio, dentro e fora do país, sendo ainda diretor dos concertos do Museu do Conde de Castro Guimarães.

Desempenhou ainda funções de Presidente da Associação dos Músicos Portugueses (1933) – em cuja qualidade integrou a Câmara Corporativa -, Presidente do Sindicato Nacional dos Músicos (1936-1948), Vice-presidente da Caixa dos Profissionais de Espectáculos (1936), Vereador da Câmara Municipal de Lisboa (1938 – 1941) sob a presidência de Duarte Pacheco e de Eduardo Rodrigues de Carvalho, deputado em quatro legislaturas ( 1935-1949 ) e membro consultivo do Teatro Nacional de São Carlos e do Instituto de Alta Cultura.

Na sua vida pessoal, casou com Isaura Cavalheiro em 3 de janeiro de 1925, na Igreja de São Sebastião da Pedreira e o Arquivo Municipal de Lisboa possui o álbum desse casamento, fotografado por Eduardo Portugal. Na sequência desse casamento foi pai de Maria Teresa Cavalheiro Cruz (1926)  e do seu segundo casamento com Maria Adelaide Burnay Soares Cardoso (Lalá), foi pai do também maestro Manuel Ivo Soares Cardoso Cruz (1935). Em 1985 publicou, em edição de autor, a sua  autobiografia, intitulada O que fiz e o que não fiz.

O maestro Ivo Cruz foi galardoado com a Comenda da Ordem de S. Tiago, o Grande Oficialato da Ordem de Instrução Pública, a Medalha Municipal de Lisboa (1981) entregue numa sessão de homenagem no São Luiz, bem como a distinção de Cavaleiro da Ordem Espanhola de Afonso o Sábio e da Ordem Brasileira Cruzeiro do Sul, sendo ainda presença das toponímias de Corroios, Mem Martins e Porto.

Freguesia de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do cantor lírico Hugo Casaes

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Aceitando a proposta da viúva, Beatriz Casaes,  a edilidade lisboeta consagrou o cantor lírico Hugo Casaes na Rua projetada à Rua Particular na Quinta da Torrinha da Ameixoeira, pelo Edital municipal de 1 de fevereiro de 1993.

Esse mesmo Edital usou mais 4 arruamentos da antiga Quinta da Torrinha para homenagear outros nomes ligados à música : os compositores Constança Capdeville, Jorge Croner de Vasconcelos e Rui Coelho, para além de Brunilde Júdice, uma atriz filha de cantores líricos.

Hugo César de Castro Meneses de Campos Casaes (Lisboa/26.12.1919 – 25.02.1989/Lisboa) foi um barítono que trocou uma carreira de engenheiro pela de cantor lírico e triunfou graças à sua mestria vocálica, ao volume da voz bem timbrada e uma dicção perfeita, como todo o lastro de ter sido aluno de piano desde os 7 anos e do Conservatório de Música de Lisboa desde os quinze.

A carreira lírica de Hugo Casaes nasceu no Teatro Nacional de São Carlos, na ópera Leonor Teles, de João Arroio. A sua qualidade angariou-lhe bolsas de estudo dos governos de Itália e de Portugal, como bolseiro do Instituto de Alta Cultura, bem como da Fundação Calouste Gulbenkian, tendo estudado canto e representação em Milão.

Cantou em palcos famosos da Europa e no Cornegie Hall de New York. Todavia, o fim da Companhia Portuguesa de Ópera, em 1975, foi um golpe rude para a carreira de Casaes. Em 1985, aos 66 anos de idade, interpretou o Barão Mirko Zeta da Viúva Alegre, no palco do São Luiz.

Hugo Casaes também trabalhou como ator cinematográfico, em Pássaros de Asas Cortadas (1963) de Artur Ramos,  A Culpa (1980) de António Vitorino de Almeida e A Estrangeira (1982) de João Mário Grilo, para além de ter sido professor de canto e de ópera.

Foi galardoado com o Prémio da Imprensa – Música Erudita (1967), o Prémio Tomás Alcaide (1968) e, a título póstumo, com a Medalha de Mérito Cultural (1990), sendo que  também integra  a toponímia da Charneca da Caparica (Almada) e de Fernão Ferro (Seixal).

Freguesia de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do Mestre Lagoa Henriques, autor do Fernando Pessoa de A Brasileira

Freguesia de Belém
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Junto ao antigo Atelier de Mestre Lagoa Henriques, no local onde hoje funciona o CAL – Centro de Arqueologia de Lisboa, está também na toponímia fixada a memória deste escultor através da Rua Lagoa Henriques, nascida por via do Edital municipal de 24 de julho de 2015, a partir de uma proposta da Profª Maria Calado enquanto membro da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa.

António Augusto Lagoa Henriques (Lisboa/27.12.1923 — 21.02.2009/Lisboa), filho de Delfim Augusto Henriques e de Palmira C. de Almeida Lagoa Henriques, começou por viver  no Bairro dos Açores, na Rua da Ilha Terceira, até que a morte da avó os fez mudar-se para a casa do avô viúvo, na Baixa lisboeta, no 2º Dtº do nº 21 da Rua dos Douradores.

Foi por conselho do professor Agostinho da Silva,  nas aulas particulares que deu a Lagoa Henriques que este seguiu, em 1945,  para o Curso Especial de Escultura na Escola de Belas Artes de Lisboa. Três anos depois pediu transferência para o Porto, para ser aluno do escultor Barata Feyo. Concluiu o Curso em 1954, no decorrer do qual foi também discípulo de Carlos Ramos e de Dórdio Gomes.

Será também docente de ambas as escolas de belas artes de Lisboa e do Porto: na Escola Superior de Belas-Artes do Porto de 1960-1965, como professor de Escultura e de Desenho; na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa de 1966 a 1987, na cadeira de Desenho, tendo em 1974, quando da reestruturação dos cursos da Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, criado a disciplina de Comunicação Visual, assim como fez a Escola sair à rua para a experienciar. Na década de noventa foi professor de Desenho na Escola Superior de Conservação e Restauro e mais tarde, também Catedrático da Universidade Autónoma de Lisboa. Acrescente-se que Lagoa Henriques foi ainda Presidente do Conselho Cientifico e Pedagógico da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa a partir de 6 de junho de 1981.

Lagoa Henriques tinha atelier em Belém, nos pavilhões junto ao Tejo que tinham sido da Exposição do Mundo Português, mas ocorreu um  incêndio no  início dos anos 70 do séc. XX e a Câmara Municipal de Lisboa distribuiu então novos espaços por todos os lesados, como Raúl Xavier ou Martins Correia, calhando a Lagoa Henriques uns armazéns na Avenida da Índia para criar um novo atelier.

Da obra de Lagoa Henriques que pode ser fruída em espaços públicos destaca-se desde logo a estátua de Fernando Pessoa na esplanada do café A Brasileira do Chiado, na Rua Garrett, produzida nos anos 80. Ainda em Lisboa encontramos a estátua em bronze de Guerra Junqueiro na Praça de Londres mais o bronze O segredo (1961) no Jardim Amália Rodrigues e ainda, o Grupo das Varinas e o Memorial a Antero de Quental (1991), de pedra e aço, no Jardim do Príncipe Real.

Fora de Lisboa, destacamos a União do Lis e Lena (1973) em Leiria; a escultura de Alves Redol nu e com a sua boina, em Vila Franca de Xira (2004); o António Aleixo sentado em Loulé; Camões e Ilha dos Amores, em Constância; o monumento ao Condestável Nuno Álvares Pereira, em Abrantes;  A Conquista de Ceuta, no Jardim do Ouro de Lordelo do Ouro, no Porto; o D. Sebastião em bronze, de Esposende; as  esculturas da Imperatriz Sissi e do Papa João Paulo II, na Ilha da Madeira; ou Ano do Cão nas proximidades das ruínas de S. Paulo, em Macau.

Refira-se ainda que em 1982 foi requisitado pelo Instituto Português do Património Cultural para coordenar um projeto de divulgação do património cultural até 1984, bem como foi membro do Júri do Concurso para uma Medalha de Homenagem a Almada Negreiros. Na sua vida, dedicou-se ainda à cenografia,  bem como a ser um grande comunicador de temas de arte, quer através de conferências, quer através dos programas televisivos de que também foi autor- Risco Inadiável, Pare, Escute e Olhe, Portugal Passado e Presente e Lisboa Revisitada-, e ainda ao colaborar na dinamização cultural  de instituições como a Fundação Calouste Gulbenkian, o Museu Nacional de Arte Antiga, o Centro Nacional de Cultura e o Instituto Português do Património Cultural.

No seu palmarés somou a Medalha de Escultura na Sociedade Nacional de Belas Artes e o Prémio Soares dos Reis (1954), o Prémio Teixeira Lopes e a Medalha de Honra na Exposição Internacional de Bruxelas (1958), o Prémio Rotary Clube do Porto, o Prémio Diogo de Macedo (1961), o 1º Prémio de Escultura da II Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian (1963), a 1.ª Medalha da Sociedade Nacional de Belas-Artes e foi também agraciado com a Grã-Cruz de Honra e Mérito (1988) e a atribuição do seu nome no  Auditório da Faculdade de Belas Artes de Lisboa em abril de 2009, para além de estar também representado na toponímia da Nazaré, onde o Mestre até aos seus 20 anos passou férias.

Freguesia de Belém
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Vítor Bastos, autor do Monumento a Camões, numa rua de Campolide

Freguesia de Campolide
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Desde 1903 que Vítor Bastos, o pintor e escultor que idealizou e concretizou o Monumento a Camões, para a Praça do mesmo nome, considerado o escultor mais importante do Romantismo português, está perpetuado na toponímia do então Bairro Novo de Campolide.

O Bairro Novo de Campolide construído nos finais do século XIX, teve as suas ruas denominadas por deliberação camarária de 23 de setembro de 1903 e edital municipal de dia 25 seguinte, fixando nelas os nomes dos escultores Vítor Bastos e Soares dos Reis, bem como dos militares Dom Carlos de Mascarenhas, General Taborda e Conde das Antas, sendo que este último também se distinguiu como político. Vítor Bastos ficou na Rua nº 3 e esta artéria aumentou pelo edital camarário de 7 de agosto de 1911, ao incorporar nela a rua no prolongamento da Rua Vítor Bastos até à Calçada dos Mestres, sendo que a Rua Vítor Bastos dos dias de hoje se estende da Rua de Campolide à Rua General Taborda.

O Occidente, 1 de julho de 1894

António Vítor Figueiredo de Bastos (Lisboa/entre 1829 e 1834 –17.06.1894/Lisboa) estudou na Academia Real das Belas Artes a partir de 1845, tendo tido aulas de Desenho Histórico, Arquitetura Civil e Gravura Histórica. Também foi discípulo de António Manuel da Fonseca em Pintura Histórica e concluiu o curso com a sua tela Amor e Psiché, em 1852. É ainda na Academia de Belas-Artes de Lisboa que se liga ao grupo de artistas da geração romântica e é assim o único escultor representado no retrato de grupo Cinco Artistas em Sintra (1855), de João Cristino da Silva, porque na época era ainda apenas pintor. Este grupo de românticos convivia no Marrare do Chiado e depois de 1847, na oficina de ourives de Cristino da Silva na Rua da Prata ou na oficina de Manuel Maria Bordalo na Praça da Alegria.

Vítor Bastos é contudo mais recordado como escultor e, sobretudo, como o autor do monumento a Luís de Camões (1867), na praça que lhe está destinada. Sob a base octogonal onde assenta a estátua do poeta do Dia de Portugal, estão representadas figuras das letras e das ciências da época do Renascimento: Fernão Lopes de Castanheda, Fernão Lopes, Francisco de Sá de Meneses, Gomes Eanes de Azurara, Jerónimo Corte Real, João de Barros, Pedro Nunes e Vasco Mouzinho de Quevedo.

Também para o Arco da Rua Augusta, em 1872, executou as estátuas de Vasco da Gama, Viriato, Marquês de Pombal, D. Nuno Álvares Pereira e as figuras alegóricas dos rios Tejo e Douro. Já em 1870 modelara a estátua de corpo inteiro em bronze de José Estêvão que foi inaugurada em 1878 no então designado Largo das Cortes, passando depois para o Palácio de São Bento, para voltar em 15 de outubro de 1984 à praça agora denominada Praça da Constituição de 1976. Refira-se ainda o baixo-relevo Colera Morbus (1861), a estátua do Conde das Antas no seu túmulo no Cemitério dos Prazeres e os bustos do Duque de Saldanha, de Joaquim António de Aguiar ou de João Anastácio da Rosa.

Vítor Bastos exerceu também a docência. Em 1854 foi aprovado para professor de Desenho na Universidade de Coimbra e seis anos depois, obteve a cátedra de Escultura na Academia lisboeta, com a obra Adónis partindo para a caça ao javali. Pertenceu ainda à comissão nomeada pela Academia de Belas-Artes de Lisboa para a reforma do ensino artístico em 1870.

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do escultor Machado de Castro de D. José I da Praça do Comércio

Freguesia de São Vicente
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O escultor da estátua equestre de D. José I na Praça do Comércio, Machado de Castro, está perpetuado numa artéria do Bairro Operário à Calçada dos Barbadinhos, a ligar a Rua Pedro Alexandrino à Rua dos Sapadores, desde a última década do séc. XIX.

A Rua Machado de Castro foi atribuída por deliberação camarária de 8 de julho de 1892 na Rua D do Bairro Operário à Calçada dos Barbadinhos. Pela mesma deliberação as restantes ruas do Bairro passaram a denominar-se Rua dos Sapadores (para a Rua A), Rua dos Operários (Rua B), enquanto o pintor Pedro Alexandrino deu nome à Rua C, o militar especialista em fundição de peças de bronze Bartolomeu da Costa ficou na Rua E e o arquiteto Afonso Domingues na Rua F.

Joaquim Machado de Castro (Coimbra/19.06.1731– 17.11.1822/Lisboa), filho de Teresa Angélica Taborda e de Manuel Machado Teixeira, um santeiro ou imaginário coimbrão, com quem aprendeu os primeiros rudimentos de escultura em madeira, veio fixar-se em Lisboa por volta de 1746, com os seus 14 ou 15 anos. Primeiro, trabalhou na oficina do santeiro Nicolau Pinto e depois passou para atelier do escultor em pedra José de Almeida, que estudara na Academia de Portugal em Roma, e daqui transitou  em 1756 para a Escola de Mafra, sendo assistente do Mestre Alexandre Giusti.

A sua obra mais famosa é a estátua equestre do rei D. José I, cuja concurso ganhou no final do ano de 1770 e que foi inaugurada em 1775, como parte central da icónica Praça da reconstrução de Lisboa após o terremoto de 1755: a Praça do Comércio. Refira-se que o escultor costumava descrever extensamente o seu trabalho e sobre esta estátua publicou  em 1810  a Descrição analytica da execução da estátua equestre, sendo o primeiro escultor português a escrever sobre escultura e até escreveu poesia.

Como escultor oficial desde 1782, recebeu diversas encomendas da corte, nomeadamente para túmulos e monumentos régios, como a estátua de D. Maria I (1783) para a Biblioteca Nacional – executada em parte por Faustino José Rodrigues-, a  estátua de D. João VI para o Rio de Janeiro. Machado de Castro também foi chamado a coordenar o programa escultórico da Basílica da Estrela onde fez o pleno de madeira, pedra, mármore e barro com o presépio de cerca de 500 figuras, bem como para  dirigir o programa escultórico do Palácio da Ajuda (1802), onde é autor das  peças ConselhoGenerosidade e Gratidão, assim como foi o autor da estátua de Neptuno que desde 1925 encontramos no centro do Largo de Dona Estefânia mas que foi concebida para o Chafariz do Loreto. Neste cargo,  exerceu ainda o magistério nas aulas reais, bem como na Academia de São José e na Casa Pia e ainda , na sua oficina, onde é sabido que usava modelos de barro por si feitos para os seus discípulos executarem em pedra ou madeira. São ainda obra sua  o presépio da Sé de Lisboa (o seu único dos seus presépios que assinou), o de São Vicente ou a estátua de S. Pedro de Alcântara para o pórtico do convento desta invocação, que foi um dos primeiros trabalhos que o tornaram conhecido.

A Estátua de D. José I na Praça do Comércio da autoria de Machado de Castro
(Foto: Arquivo Municipal de Lisboa, Legado Seixas, 1890)

Joaquim Machado de Castro  foi consagrado em 1814 com a sua admissão como sócio da Academia Real das Ciências, tendo modelado o busto do Duque de Lafões para a sede da instituição.

Faleceu na sua casa na Rua do Tesouro Velho (que a partir de 1890 será Rua António Maria Cardoso) e foi sepultado na Igreja dos Mártires.

Machado de Castro dá ainda o seu nome a um Museu Nacional que lhe foi dedicado em Coimbra, desde a publicação do decreto de 26 de maio de 1911. O seu nome está também num Largo de Aguim (Anadia), numa Praça de Rio de Mouro, numa Praceta de Almada, noutra de Coimbra e ainda noutra de Massamá, em Ruas de Agualva-Cacém, de  Almargem do Bispo, de Aguim, da Brandoa, da Charneca da Caparica, de Coimbra, de Corroios, de Famões, da Gafanha da Nazaré, de Leiria, do Montijo, de Oeiras, de Portimão, da Quinta do Conde, de Rio de Mouro, de Vila Real de Santo António e finalmente, numa travessa da Charneca da Caparica.

Freguesia de São Vicente
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua da ilustradora e pintora Raquel Roque Gameiro

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

A ilustradora Raquel Roque Gameiro foi homenageada no 2º Impasse à Rua Padre Francisco Álvares, uma artéria paralela ao 1º Impasse à Rua Padre Francisco Álvares, onde ficou o seu cunhado Leitão de Barros, na freguesia de São Domingos de Benfica, ambos pela publicação do Edital municipal de 4 de novembro de 1970, por sugestão do próprio Presidente da edilidade de então, Engº Santos e Castro.

Ilustração Portuguesa, 27 de novembro de 1911

Raquel Roque Gameiro Ottolini (Lisboa/15.08.1889 – 01.10.1970/Lisboa) foi uma pintora e ilustradora, filha primogénita e discípula do mestre aguarelista Alfredo Roque Gameiro, com Maria da Assunção de Carvalho Forte. Viveu a infância e juventude na Amadora, na Venteira, na hoje Casa Roque Gameiro, como o seu irmão Manuel e as suas irmãs Helena e Maria Emília (conhecida por Màmia) e foi a autora de um cartaz sedutor, para a firma de vinho do Porto Ramos Pinto, em que Pã espreme uvas para uma ninfa.

Estreou-se na ilustração em 1903, na literatura infantil dos Contos para Crianças de Ana de Castro Osório, bem como nas aguarelas para as exposições da Sociedade Nacional de Belas Artes a partir de 1909 e até 1937. Em ambos os casos, Raquel usava cores vivas, figuras de pescadores e camponeses, tipos e costumes de saloios dos arredores de Lisboa ou interiores rústicos e pobres mas airosos com chitas de ramagens. Em 1917, desenhou O Livro do Bébé, com versos de Delfim Guimarães, onde os pais podiam registar os momentos mais marcantes da vida do filho, desde o nascimento até a primeira comunhão. Na década de vinte, ilustrou obras de Adolfo Portela, Agostinho de Campos, António Sérgio, Augusto de Santa-Rita, Emília de Sousa Costa, Rodrigues Lapa, Sara Beirão e Tomás Borba, bem como na década seguida, entre outros, ilustrou o Livro de Leitura para a 1.ª Classe (1932) e, com Martins Barata e Emérico Nunes,  A lição de Salazar (1938).

Participou em várias mostras no país e no estrangeiro, como a Exposição de Artistas Portugueses no Rio de Janeiro e o Salão Internacional de Aguarela Hispano-Português de Madrid (1945). Teve destaque na “Exposição da Obra Feminina, antiga e moderna de caráter literário, artístico e científico”, organizada pelo jornal O Século e por Maria Lamas, em 1930. Foi distinguida com uma 1ª Medalha de Honra da SNBA (1929) e o prémio Ex-Libris da Imprensa Nacional. Está representada no Museu do Chiado-Museu Nacional de Arte Contemporânea, no Museu José Malhoa nas Caldas da Rainha e no Museu de Arte Contemporânea de Madrid.

Refira-se que além da ilustração de livros e manuais escolares, Raquel Roque Gameiro também colaborou, sobretudo na década de trinta,  com diversas publicações periódicas como o ABCzinhoComércio do Porto, Diário de Notícias, O Domingo IlustradoEvaIlustração PortuguesaJoaninhaJornal dos Pequeninos,  LusitasModas e BordadosO MosquitoMickeyPortugal Feminino, O Século, Serões, Sphinx e Tic-Tac.

Raquel Roque Gameiro foi também professora particular de Desenho, Aguarela e Pastel. Manteve grupos de alunos, primeiro no atelier da família na Rua Dom Pedro V e depois, na sua casa de Benfica. Com o pai, Raquel caricaturou várias personalidades da Amadora, do que resultou uma coleção de desenhos com forte sentido humorístico.

Na sua vida pessoal, casou com o 4º Conde de Ottolini, Jorge Gomes Ottolini e foi mãe da ilustradora Guida Ottolini e de mais duas filhas e um filho, vivendo primeiro na casa da família da Amadora e mudando-se depois para Benfica, em Lisboa.

O seu nome está também atribuído à Escola do 1.º Ciclo do Ensino Básico/Jardim de Infância Raquel Gameiro, na Freguesia da Venteira, na Amadora, bem como a uma Praceta de Odivelas.

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)