A Rua Eduardo Schwalbach, o jornalista, dramaturgo e homem do Conservatório de Lisboa

Freguesia de Benfica
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Em 1969, o jornalista, dramaturgo e homem do Conservatório de Lisboa Eduardo Schwalbach, chegou à toponímia do Bairro de Santa Cruz, 33 anos decorridos após a sua morte, junto com mais 16 nomes de figuras do séc. XIX e primeira metade do séc. XX.

A Rua Eduardo Schwalbach ficou na Rua 9, pelo Edital municipal de 10 de abril de 1969 e os outros nomes que com ele foram consagrados nesse bairro de Benfica alguns partilhavam as áreas do jornalismo, da escrita ou do teatro, como aconteceu na  Rua Actor Alves da Cunha -1889 – 1956 (na Rua 14), Rua Actor Estêvão Amarante – 1889 – 1951 (Rua 8), Rua Actor Nascimento Fernandes – 1881 – 1955 (Rua 10), Rua Actor Vasco Santana – 1898 – 1958 (Rua 12), Rua Alfredo Pimenta – Escritor/1882 – 1950 (Rua 1), Praça Artur Portela – Escritor e Jornalista/1901 – 1959, Rua Dr. Cunha Seixas – Advogado, Escritor e Jornalista/ 1836 – 1895 (Rua 15),  Rua Helena de Aragão – Escritora e Jornalista/1880-1961 (Rua 18), Rua Irene Lisboa – Escritora e Jornalista/ 1892-1958 (Rua 13), Rua Jaime Brasil – Escritor e Jornalista/1896 – 1966 (Rua 16) e  Rua Moreira de Almeida – Jornalista/1869 – 1925 (Rua 5).

Eduardo Schwalbach em casa
(Foto: José Leitão Bárcia, Arquivo Municipal de Lisboa)

Eduardo Frederico Schwalbach Lucci (Lisboa/18.05.1860 – 08.12.1946) nasceu na então Rua Formosa e hoje Rua de O Século, mas foi morar com sua avó para a Travessa do Colégio, próximo do Hospital de São José e como o seu avô militar, frequentou a Escola do Exército onde chegou a alferes. Contudo, acabou por se demitir do exército para se dedicar ao jornalismo e começou a escrever para o Diário da Manhã. Em 1889, com 29 anos, fundou o diário  A Tarde e mais tarde, chegou mesmo a  dirigir o Diário de Notícias nos períodos de  1924-1939 e 1945-1946, aos 64 e aos 85 anos.

A outra paixão de Schwalbach, o teatro, conduziu-o a escrever a sua primeira peça em 1883,  Surpresas, de matriz cómica e que  subiu ao palco do teatro D. Maria II. Prosseguiu com a comédia-drama em 3 actos o Íntimo (1891) e A Srª Ministra (1898), tendo continuado com dramas, operetas, revistas e até peças infantis, de que se destacam O Dente do Maçarico, levado à cena em 1900 no Teatro da Rua dos Condes,  Retalhos de Lisboa, Anastácia & Cia, A BisbilhoteiraChico das PegasA Cruz da Esmola, Fogo SagradoO João das Velhas, Poema de Amor (1916), Postiços (1923), O Reino da Bolha,  Santa Umbelina ou Tango Cordial (1914),  sendo caricaturado por Rafael Bordalo Pinheiro como Bebé Grande ou Alegre CriançaDepois da aposentação, em 1911, dirigiu exclusivamente o Teatro Apolo, na Rua da Palma e escreveu À Lareira do Passado: Memórias (1944), publicado em edição de autor.

Eduardo Schwalbach foi ainda diretor do Conservatório de Lisboa nomeado por  João Franco, em 1893, por morte de Luís Augusto Palmeirim, com o ordenado de 12 mil réis mensais. Nesse estabelecimento de ensino foi também  professor de arte dramática e inspetor, bem como o diretor da Revista do Conservatório Real de Lisboa, publicada de maio a outubro de 1902.

Colaborou  também na revista Brasil-Portugal e trabalhou como Conservador da Biblioteca Nacional (1867), nomeado por José Luciano de Castro. Foi ainda deputado pelo Partido Regenerador de 1904 a 1908, Procurador à Câmara Corporativa em representação das Artes Gráficas e Imprensa e  redator da câmara dos Pares, nomeado por Hintze Ribeiro, cargos que deixou após a proclamação da República, à exceção do último, em que foi aposentado.

Na sua vida pessoal, viveu e falecido no nº 183 da Calçada da Estrela, onde no dia 18 de maio de 1960, a edilidade lisboeta colocou uma  lápide evocativa do 1º centenário do seu nascimento, descerrada na ocasião por Palmira Bastos. Eduardo Schwalbach está consagrado também numa rua do Estoril.

Freguesia de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

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A Rua da dramaturga Virgínia Vitorino do D. Maria e da Emissora

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

A escritora teatral e poetisa Virgínia Vitorino, ligada ao teatro radiofónico da Emissora Nacional e à Companhia Amélia Rey Colaço-Robles Monteiro sediado no Teatro D. Maria II, foi o nome escolhido para topónimo da Rua I e Dois à Alameda das Linhas de Torres, dois anos após o seu falecimento, ficando a ligar a  Alameda das Linhas de Torres à Rua António Ferro ( que é a  Rua Luís de Freitas Branco desde 28.07.1975), a partir da publicação do Edital municipal de 29 de janeiro de 1969.

Ilustração Portuguesa, 7 de junho de 1920 [clicar na imagem para ver maior]

Virgínia Villa-Nova de Sousa Victorino (Alcobaça/13.08.1895 — 21.12.1967/Lisboa), licenciada em Filologia Românica pela Faculdade de Letras de Lisboa e também com o curso superior de Canto e Piano, bem como o geral de Harmonia e Italiano do Conservatório Nacional de Música, notabilizou-se primeiro como poetisa e  a partir dos anos trinta do séc. xx ligada ao teatro.

Sob o pseudónimo de Maria João do Vale, dirigiu o Teatro Radiofónico da Emissora Nacional de 1935 a 1951, divulgando poesia e teatro de autores portugueses e estrangeiros, principalmente brasileiros.  A convite do presidente Getúlio Vargas foi ao  Brasil,  por volta de 1937. Ainda na Emissora Nacional também integrou os júris de Jogos Florais da Primavera.

Era muito amiga de Amélia Rey Colaço, sendo ambas da mesma geração e as seis peças de teatro que escreveu , todas em 3 atos, foram também todas representadas pela Companhia Amélia Rey Colaço-Robles Monteiro, no palco do Teatro D. Maria II, com muito sucesso. Também assim conheceu Fernanda de Castro, que veio a casar com António Ferro, e terá sido por essa via que recebeu a encomenda para redigir a sua 5ª peça, intitulada Camaradas (estreada em 1937 e publicada em 1938), uma peça de intenção social ao contrário da sua habitual temática do amor com algum pendor feminista, mas que recebeu o prémio Gil Vicente do SNI-Secretariado Nacional de Informação.  As outras cinco peças que escreveu foram Degredados (1931),  A Volta (1932), Fascinação (1933),  Manuela (1934) e Vendaval (1942).

Antes, na década de vinte, publicou quatro livros de poesia em sonetos de bom recorte, repetindo o tema da mulher sofredora e traída mas sempre apaixonada, tendo editado o seu primeiro à sua custa, intitulado Namorados (1920), que se esgotou em 6 dias e somou um total de 12 edições em Portugal e duas no Brasil, êxito que ainda lhe valeu no ano seguinte uma imitação satírica, da autoria da jornalista Marinha de Campos, intitulada Ironias de Namorados.  Em 13 de janeiro de 1922, em entrevista ao jornal A Pátria Virgínia Vitorino manifestou-se contrária a ser concedido o direito de voto às mulheres. Desde o início, Júlio Dantas apoiou-a enquanto escritora. Os outros seus três títulos de poesia foram Apaixonadamente (1923) com capa de Almada Negreiros numa das edições, Renúncia (1926) e Esta Palavra Saudade (1929).

Virgínia Vitorina foi também professora de liceu e do  Conservatório Nacional de Lisboa, tendo ainda deixado vasta colaboração em jornais e revistas portuguesas e brasileiras,  como o Diário de Lisboa ou O Século. Em Lisboa, teve casa na Rua das Flores, junto ao Largo do Barão de Quintela, mas quando foi viver para as Caldas da Rainha para casa de um amiga sempre que vinha à capital ficava antes no Hotel Borges, na Rua Garrett, onde faleceu.

Virgínia Vitorino foi caricaturada por Amarelhe e muitos outros, bem como retratada por Eduardo Malta, Teixeira Lopes, José Paulo Ferro, Manuela Pinheiro e também agraciada com o grau de Oficial da Ordem de Cristo (1929) e a Comendada Ordem de Santiago (1932), bem como a espanhola Cruz de D. Afonso XII (1930). Foi também homenageada com o Teatro Virgínia Victorino em Cabo Verde (na cidade da Praia) e o seu nome numa rua de Alcobaça, sua terra natal.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua Maestro Frederico de Freitas, autor do fado Rua do Capelão

Freguesia de São Domingos de Benfica                                             (Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Maestro Frederico de Freitas, autor das partituras dos filmes A Severa (1931) e Fado (1948), passou a ser o topónimo de uma Rua de São Domingos de Benfica três anos após o seu falecimento, sendo o 1º filme sonoro português sobre a 1ª fadista que o tornou popular e nele pontuou o seu fado Rua do Capelão, ainda hoje uma memória muito presente no imaginário português.

A Rua Maestro Frederico de Freitas, que une a Rua Cidade de Rabat  à Rua Augusto Pina, foi atribuída pelo Edital municipal de 11 de novembro de 1983 na Rua 2 (entre a Rua Augusto Pina e a Rua dos Soeiros), também identificada como Prolongamento da Rua Augusto Pina, artéria onde desde 1972 estava sediada a então Escola Preparatória Prof. Delfim Santos, a partir de uma solicitação da Sociedade Portuguesa de Autores, que além do nome de Frederico de Freitas propôs os escritores Pedro Bandeira e José Galhardo, assim como o ator Paulo Renato, tendo sido todos incluídos no mesmo Edital.

Frederico Guedes de Freitas (Lisboa/15.11.1902- 12.01.1980/Lisboa) notabilizou-se como compositor, maestro, pedagogo, musicólogo e crítico musical. Revelou-se um músico abrangente e eclético, do fado à música erudita. Somou música erudita, como por exemplo, Concerto para Flauta,  Hino Asas AtlânticasMissa SoleneQuarteto ConcertanteRibatejo  ou Suite Medieval, com música produzida para cinema, teatro ou dança. Adicionou ao património musical português tanto música de câmara como Quinteto de sopros ou Dez Canções Galegas como música sinfónica ( A Lenda dos BailarinosSuite Africana ou Sinfonia Os Jerónimos ), música para comédias, óperas, operetas, revistas (1927 – 1937) e até filmes como Pátio das Cantigas ou As Pupilas do Senhor Reitor (de Leitão de Barros como A Severa), de 1930 e até 1947, fazendo música tanto destinada ao público do Parque Mayer como ao do Teatro Nacional de São Carlos.

Funcionário da  Emissora Nacional entre 1935 e 1975, como Segundo Maestro da Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional,  tanto colaborou em 1940 nas comemorações da celebração do Estado Novo  como esteve na fundação da Sociedade Coral de Lisboa (1940-1949) para apresentação de obras do repertório coral sinfónico. Depois, na Orquestra Sinfónica do Conservatório de Música do Porto (1949-1953), dirigiu as primeiras audições no Porto de obras de Fernando Lopes Graça, um resistente musical durante o Estado Novo. Acresce que Frederico de Freitas foi o compositor português de música sacra mais destacado do século XX, autor de As Sete Palavras de Nossa Senhora, tal como foi o responsável por orquestrar A Portuguesa e Grândola Vila Morena. A sua versatilidade revela-se no índice do seu catálogo musical que junta Bailado, Música de Câmara, Música para Cinema, Música Coral, Harmonizações, Hinos, Música para Instrumento Solista, Música de Cena, Ópera, Opereta, Música Sinfónica, Orquestrações, Música de Teatro de Revista, Vaudeville, Voz e Piano. Registe-se ainda que Frederico de Freitas também exerceu  funções de chefe de orquestra no Brasil, na Bélgica, em Espanha, França, Holanda, Itália e Suíça.

Frederico de Freitas  foi  ainda docente de Canto Coral, a partir de 1924, no Liceu Camões (onde fora aluno em 1913 e 1914) e no Liceu Gil Vicente, assim como desde  1967, ensinou Composição, Contraponto e Fuga no Centro de Estudos Gregorianos de Lisboa. Na dança, também trabalhou como diretor musical e compositor na Companhia de Portuguesa de Bailado Verde Gaio fundada pelo Secretariado de Propaganda Nacional/SPN (1940 – 1950), assim como compôs música para dança para o seu amigo de juventude e coreógrafo Francis Graça durante a década de 1940. Somou ainda a direção musical da delegação portuguesa da His Master’s Voice na transição para a década de 1930 e a função de crítico musical no jornal Novidades, sendo ainda autor de vários estudos como «O fado, canção da cidade de Lisboa» ou «O fado veio do Brasil».

Refira-se que Frederico havia iniciado os seus estudos de música com a sua mãe, a pianista Elvira Cândida Guedes de Freitas e a partir de 1915 no Conservatório Nacional em Lisboa. Morou na Rua do Prior Coutinho, entre a Rua de Santa Marta e a Rua do Passadiço. Em 1918, aos 16 anos, compôs as suas primeiras obras – Duas Ave Marias –, cuja primeira audição pública ocorreu em 1922.  Concluiu o curso de Composição no Conservatório Nacional em 1925, e foi seleccionado para Pensionista do Estado no estrangeiro nesse mesmo ano, o que lhe possibilitou a realização de viagens a vários países europeus em 1927 e 1928.

Foi um dos mais empenhados membros da Sociedade Portuguesa de Autores, em cuja fundação participou quando tinha 23 anos (era então denominada Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses) e da qual foi mais tarde Presidente de Honra. Frederico de Freitas foi também agraciado, por ordem cronológica, com  Prémio da CML para a Sonata Violino e Violoncelo (1924), o Prémio Nacional de Composição Carlos Seixas (1926), o Prémio de Composição Domingos Bomtempo ( 1935), a Comenda de Santiago de Espada (1967), o seu nome dado ao Auditório da SPA (1981).

Em 2010,  o espólio do compositor Frederico de Freitas foi doado à Universidade de Aveiro pela filha do compositor, Elvira de Freitas, tendo dois anos depois sido também instituído o Prémio de Interpretação Frederico de Freitas/Universidade de Aveiro.

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua Margarida de Abreu, o 1º topónimo de Dança em Lisboa

Freguesia do Areeiro
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Margarida de Abreu, considerada a «mãe» da dança portuguesa, através da Rua com o seu nome na freguesia do Areeiro e a legenda «Professora de Dança/1915 – 2006», é também o 1º topónimo ligado à Dança na cidade de Lisboa e faz sentido evocá-la aqui hoje quando passam onze anos sobre o seu falecimento.

O topónimo resultou de um sugestão de António Laginha , a que a Comissão Municipal de Toponímia deu parecer favorável, passando a proposta, aprovada na sessão de Câmara de 26/10/2016 e ficando pelo Edital municipal de 10/11/2016 estabelecida a Rua Margarida de Abreu na Via projetada “B” à Avenida Almirante Gago Coutinho.

Margarida de Abreu por Eduardo Malta

Margarida Hoffmann de Barros Abreu Salomão de Oliveira (Lisboa/26.11.1915 – 29.09.2006/Lisboa) fez uma carreira de professora de dança, coreógrafa e diretora artística, tendo tido um importante papel num período em que a pedagogia e a profissionalização no bailado em Portugal eram praticamente inexistentes. Exerceu como Professora do Curso de Bailarinas e do Curso de Teatro do Conservatório Nacional (de 1939 a 1986) e do Centro de Estudos de Bailado do Instituto de Alta Cultura, vulgo Escola do Teatro de S. Carlos (de 1964 a 1972), sendo conhecida pelos seus alunos como Dona Margarida.  Ainda como professora, realizou dois estágios, em 1947 e em 1948, na escola do Sadler’s Wells, hoje Royal Ballet School.

Em paralelo, criou o seu estúdio de ensino e companhia de bailado, o Círculo de Iniciação Coreográfica (CIC), em funcionamento de 1944 a 1960, de onde saíram os Bailados Margarida de Abreu, o Bailado em Acção e o Grupo Studium, assim como surgiram criadores como Águeda Sena, Armando Jorge, Carlos Trincheiras, Fernando Lima, Jorge Trincheiras, Olga Roriz e Vasco Wellenkamp, entre muitos outros. Desempenhou também um papel de mecenas ao proporcionar a vinda a Lisboa de alguns vultos do bailado internacional para trabalhar com o CIC, bem como  períodos de aperfeiçoamento artístico no estrangeiro a alguns alunos. Entre 1960 e 1975, de parceria com o seu discípulo Fernando Lima, também exerceu as funções de diretora artística do Grupo de Bailados Portugueses Verde Gaio.

Coreografou inúmeros bailados, logo desde 1943, de que são exemplo  Bailado Setecentista (1943), O Pássaro de Fogo (1946), Clair de lune (1952), Ab Initio (1953), Prólogo Galante (1961), Festa na Aldeia (1965),  A menina dos Olhos verdes (1971), com música de Bach, Britten, Carlos Seixas, Chopin, Cláudio Carneyro, Debussy, Dvorak, Elvira de Freitas, Ivo Cruz, Jayme de la Téy Sagán, Luís de Freitas Branco, Mahler, Mendelsshon, Mozart,  Mussorgsky, Ruy Coelho, Schumann, Stravinsky, Tchaikovsky, bem como diversas peças do Teatro Nacional de S. Carlos e uma opereta de grande sucesso no Teatro Monumental, As Três Valsas, estreada em 8 de novembro de 1951. No cinema, foi coreógrafa de três filmes de Manoel de Oliveira: Amor de Perdição, Francisca e Os Canibais.

Nascida em casa, no 3º esquerdo do nº 79 da Avenida Duque de Ávila, filha da professora suíça Anna Helena von Hoffmann e do advogado António de Barros Mendes de Abreu, começou na Dança com a rítmica dalcrozeana através da inglesa Cecil Kitkat e da grega Anastasia, em Lisboa, após o que se graduou no Institut Jacques Dalcroze de Genebra, em  1937, tendo ainda complementado os seus estudos na Deutsche Tanz Schule de Berlim e na Hellerau Laxemburg Schule de Viena.

Refira-se que era irmã da pianista Maria Helena de Freitas Branco e cunhada do musicólogo João de Freitas Branco, bem como foi casada com o escultor João Salomão de Oliveira, um seu aluno, e mãe da professora Margarida Carmo e da bailarina Maria João Salomão.

Margarida Abreu foi agraciada com a Ordem de Instrução Pública e o Troféu da Casa da Imprensa (1979), a Medalha Almeida Garrett (1980), o Troféu do Jornal Sete (1988), a Medalha de Mérito Artístico do Conselho Brasileiro da Dança e  o Troféu Verbo(1990), uma edição de selos dos CTT-Correios de Portugal (2006)  e  a título póstumo, com a Medalha Municipal de Mérito da Câmara Municipal de Lisboa, grau ouro ( 2007).

Freguesia do Areeiro
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do mestre de música Marcos Portugal

Freguesias da Misericórdia e de Santo António
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Mestre de Música de princesas e príncipes, Marcos Portugal ficou perpetuado na antiga Rua da Conceição, a ligar a Praça das Flores à Rua da Imprensa Nacional, num dos primeiros Editais municipais de toponímia após a implantação da República.

Pelo Edital de municipal de 7 de agosto de 1911, junto com mais 43 topónimos, a antiga Rua da Conceição que pelo Edital do Governo Civil de 01/09/1859 se tornara Rua de Nossa Senhora da Conceição passou a ser a Rua Marcos Portugal, com a legenda «Músico Compositor/1762-1830». Todavia, após a criação da Comissão Municipal de Toponímia na edilidade lisboeta, em 1943, foi esta Comissão de parecer que a legenda fosse  suprimida, na sua reunião de 16/12/1946, o que foi homologado pelo Presidente da Autarquia em 20/12/1946.

O homenageado é Marcos António da Fonseca Portugal (Lisboa/24.03.1762 – 07.01.1830/Rio de Janeiro) que se distinguiu como organista, maestro e prolífico compositor, com mais de 70 obras dramáticas, cerca de 40 óperas e mais de 140 obras religiosas, tendo ficado conhecido no estrangeiro como Marco Portogallo.

Marcos António estudou composição desde os 9 anos, com João de Sousa Carvalho, no Seminário da Patriarcal de Lisboa, assim como canto e órgão. A partir de 1782, Marcos Portugal iniciou uma longa colaboração com a Família Real, desde a encomenda de música religiosa para as festividades nas Capelas Reais. Aliás, as suas 3 obras sacras mais conhecidas mantiveram-se no repertório durante cerca de um século: a Missa Grande (c. 1790), as Matinas da Conceição (1802) e o Te Deum (1802). De 1783 a 1792  foi organista e compositor da Sé Patriarcal de Lisboa, acumulando com o lugar de Mestre de Música do Teatro do Salitre, a partir de 1784 ou 1785, onde compôs vários entremezes, óperas portuguesas com libretos italianos traduzidos e elogios para festejar os aniversários de Pessoas Reais.

Em 1792 partiu para Itália, onde compôs 21 óperas, cujo sucesso rapidamente lhe granjeou fama internacional. Depois de uma breve visita a Lisboa em 1795, voltou em 1800, época em que se tornou professor dos príncipes, mestre do Seminário da Patriarcal e maestro do Real Teatro de S. Carlos até ao Carnaval de 1807, ano em que se destacou pela enorme quantidade de obras religiosas que compôs utilizando os 6 órgãos de Mafra, numa altura em que o Príncipe Regente (futuro D. João VI) e a corte residiam no Palácio.

Em novembro de 1807, quando as tropas de Napoleão entraram na capital portuguesa, Marcos Portugal permaneceu em Lisboa, reescrevendo a ópera Demofoonte para o aniversário do Imperador francês a 15 de agosto de 1808 e depois, até janeiro de 1811, foi intermitentemente maestro no Real Teatro de S. Carlos. O Príncipe Regente chamou-o para o Rio de Janeiro, onde a Família Real residia desde março de 1808 e para lá foi em 11 de junho de 1811, nomeado Mestre de Música de Suas Altezas Reais e Compositor Real oficial. Dedicado sobretudo à música religiosa, recebeu a Comenda da Ordem de Cristo em 1820, na data de aniversário do Príncipe Pedro. Quando a Corte portuguesa retornou a Lisboa, em 1821, Marcos manteve-se ao serviço do seu aluno, o Príncipe Pedro, que viria a ser D. Pedro I, o Imperador do Brasil, pelo que em setembro de 1822 compôs o Hino da Independência do Brasil e a 10 de dezembro de 1824 foi confirmado como Mestre de Música das princesas.

Freguesias da Misericórdia e de Santo António
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do Professor da António Arroio, Cipriano Dourado

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O pintor e professor da Escola de Artes Decorativas António Arroio, Cipriano Dourado, está desde o ano do seu falecimento consagrado numa artéria do Lumiar, tendo sido acompanhado no mesmo Edital municipal pelo também pintor José Escada.

A partir da Proposta nº 13/81, aprovada em reunião de Câmara de 23/03/1981, foi o nome de Cipriano Dourado dado ao arruamento de ligação da Rua Francisco Stromp ao Campo Grande (incluindo o troço norte-sul da Rua Actor António Silva), o que foi fixado pelo consequente Edital de 4 de dezembro de 1981. Por esse mesmo edital e na mesma freguesia, mas na zona de Telheiras, foi inscrito também numa rua o nome do pintor José Escada.

Cipriano Dourado (Mação- Penhascos/08.02.1921 – 17.01.1981/Lisboa) foi um artista que se dedicou à gravura, ao desenho, à ilustração, à pintura e à aguarela, tendo como os temas mais frequentes da sua obra a mulher e a terra. Por alguns foi considerado neorrealista, nomeadamente por em 1953 ter participado numa experiência conhecida como Ciclo de Arroz, com Júlio Pomar, Alves Redol, Rogério Ribeiro, Alice Jorge e António Alfredo, em que todos percorreram os campos dos arrozais do Ribatejo em busca de inspiração e Cipriano Dourado criou as suas litografias intituladas Plantadoras de Arroz.

Na Escola de Artes Decorativas António Arroio foi docente das disciplinas de desenho, gravura e artes gráficas, de 1978 a 1981.

Cipriano Dourado começara a trabalhar bem novo, como desenhador-litógrafo pelo que só mais tarde, a partir de 1939 , frequentou um curso nocturno na Sociedade Nacional de Belas Artes. Em 1949 fez um estágio na Academia Livre Grande Chaumière, em Paris e em 1956, foi um dos membros fundadores da Gravura- Sociedade Cooperativa de Gravadores, tendo integrado a direção e a comissão técnica.

Como ilustrador, trabalhou em numerosos livros de poesia e prosa de Armindo Rodrigues,  Augusto Gil,  D. H. Laurence, José Carlos de Vasconcelos, Mário Braga, Orlando da Costa, Orlando Gonçalves e Pablo Neruda, para além de ter colaborado com periódicos como, entre outros, a Árvore-Folhas de Poesia, a Cassiopeia-Antologia de Poesia e Ensaio, a Colóquio-Letras, a Seara Nova ou a Vértice.

Refira-se ainda que Dourado desenhou 4 selos dos CTT para uma Emissão Comemorativa do Ano da Conservação das Zonas Húmidas (1976), foi membro do júri da I Exposição Nacional de Gravura na Fundação Calouste Gulbenkian (1977) e também integrou os corpos dirigentes da Sociedade Nacional de Belas Artes de Lisboa.

A sua obra está representada no Museu do Chiado/Museu de Arte Contemporânea, no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, no Museu da CGTP, no Museu do Neo-Realismo (Vila Franca de Xira), no Museu Armindo Teixeira (Mirandela), no Museu Dr. João Calado Rodrigues (Mação), no Museu Municipal Manuel Soares (Albergaria), no Museu Municipal Professor Joaquim Vermelho (Estremoz), no Museu de Angola e, em numerosas coleções particulares.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua da professora de canto e cantora lírica Maria Júdice da Costa

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC )

A cantora lírica e  professora de Canto, Maria Júdice da Costa, desde 1987 dá nome a uma rua do Bairro dos Sete Céus, na freguesia de Santa Clara.

A atribuição deste topónimo resultou de uma sugestão de topónimos para o Bairro dos Sete Céus feita pelo munícipe Manuel Cabaço, tendo a Rua Maria Júdice da Costa ficado no Impasse 5 do Bairro dos Sete Céus, a unir a Rua dos Sete Céus à Rua António Aleixo, com a legenda «Cantora/1870 – 1960», através do Edital municipal de 30 de janeiro de 1987. Nas restantes artérias do bairro ficaram os poetas Ruy Cinatti (Impasse 1), Vasco de Lima Couto (Impasse 3) e António Aleixo (Impasse 6), o músico do séc. XVII João Lourenço Rebelo (Impasse 2) e o fadista Joaquim Cordeiro (Impasse 4).

Maria Bárbara Bicker Júdice da Costa (Lisboa/12.06.1870-16.05.1960/Lisboa) foi uma atriz e cantora lírica que a partir de 1933 se tornou professora de Canto. Iniciou a sua formação artística aos nove anos no Conservatório Nacional, no curso de Piano. Contudo, um de seus professores apercebendo-se dos seus dotes vocais, convenceu-a a mudar e nos dez anos seguintes estudou Canto e  aulas de declamação com o ator João Rosa, tendo se estreado no Teatro de S. Carlos em 31 de janeiro de 1890, na ópera La Gioconda. Em junho partiu para Itália começando uma longa carreira internacional que passou por Roma, Nápoles,  Moscovo, México, Madrid, Buenos Aires, Amesterdão, Málaga, Trieste, Barcelona e Palma de Maiorca, tendo sido considerada então  a maior intérprete feminina de Wagner. Em 1933 regressou ao teatro lírico interpretando zarzuelas e óperas em três novas gloriosas temporadas no Teatro de S. Carlos.

Também no teatro dramático Maria Júdice da Costa se estreou a 30 de julho de 1921 na companhia de Amélia Rey Colaço – Robles Monteiro, na peça Os sedutores.  No ano seguinte, junto com a sua filha Brunilde, integrou a digressão ao Brasil do espectáculo A Casaca Encarnada de Vitoriano Braga, produzido pela companhia de Lucinda Simões.

No cinema, começou em 1921 no Amor de Perdição de Georges Pallu, na pele de Rita Preciosa, a que se seguiram Mulheres da Beira (1923) como Madre Abadessa e Fátima Milagrosa (1928), ambos de Rino Lupo.

Maria Júdice da Costa foi casada durante vinte anos com o barítono italiano Gugliemo Caruson, de quem teve 3 filhos, entre os quais Brunilde Júdice, também inscrita na toponímia de Lisboa.

Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do Professor de Pintura Histórica, Miguel Lupi

Capa de Occidente, 21 de março de 1883

Miguel Lupi que foi Professor de Pintura Histórica e de Desenho e Figura da Academia de Belas Artes de Lisboa dá nome a uma das duas ruas do Bairro Brandão desde 1902, na freguesia da Estrela.

Manuel Francisco de Almeida Brandão construiu um Bairro com o seu nome tendo o Edital municipal de 1 de agosto de 1902 dado à Rua Um do Bairro Brandão o nome de Rua Almeida Brandão e à artéria que parte da Calçada da Estrela, de nordeste para sudoeste fazendo cotovelo, em sentido perpendicular à Rua Almeida Brandão, denominou-a Rua Miguel Lupi.

Freguesia da Estrela
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Miguel Ângelo Lupi (Lisboa/08.05.1826 – 26.02.1883/Lisboa),  filho de Francisco Lupi , de origem italiana, e de Maria Soriana do Carmo, foi pintor toda a sua vida mas após concluir o curso de Desenho Histórico da Academia de Belas Artes de Lisboa em 1843, teve de ingressar no funcionalismo público para sobreviver, tendo trabalhado na Imprensa Nacional (1849- 1851), na Junta da Fazenda Pública em Luanda (1851 – 1853) e no Tribunal de Contas (a partir de 1855).

Em 1860, fez um retrato de D. Pedro V para a Sala de Audiências do Tribunal de Contas, que lhe trouxe sucesso e lhe valeu uma bolsa para estudar para Roma até novembro de 1863. A partir daqui conseguiu o lugar de professor das disciplinas de Pintura Histórica bem como de Desenho e Figura da Academia de Belas Artes. A pintura de Lupi incidiu fundamentalmente no retrato dos ricos e famosos da época – como António Feliciano de Castilho, o 1º Duque de Ávila e Bolama, D. Luís I, Filipe Folque ou Bulhão Pato – embora também tenha pintado cenas da vida familiar e da sociedade portuguesa, nus e alegorias, para além de temas históricos, como o seu famoso óleo Marquês de Pombal examinando o projeto da reconstrução de Lisboa (1881), que foi o seu último quadro e está exposto na sala das sessões privadas da Câmara Municipal de Lisboa.

Também foi incumbido em 1867 de ir em comissão do governo a Paris, averiguar dos trabalhos do monumento a D. Pedro IV que ali se estava a ser executado, assim como em 1879, publicou as suas Indicações para a reforma da Academia Real de Belas Artes de Lisboa, onde salientava a importância pedagógica dos Museus no ensino artístico.

Os seus quadros Mãe (1871) e Lavadeiras do Mondego (1878) foram premiados em Madrid e Paris e a sua obra está representada no Museu do Chiado e no Museu de Lisboa, bem como em diversas instituições oficiais para as quais executou retratos e cenas históricas. Foi condecorado coma Grã-Cruz da Ordem de Santiago e de Cristo. Miguel Lupi faleceu aos 56 anos de idade, na sua casa no nº 218 da Rua de São Bento.

Onze anos depois da atribuição da Rua Miguel Lupi, pelo Edital municipal de 16/05/1913, o arruamento que nasce frente ao nº 44 da Rua Miguel Lupi recebeu a denominação de Travessa Miguel Lupi.

Freguesia da Estrela (Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua Frederico George, membro da 2ª Comissão Municipal de Toponímia pós 25 de Abril

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

O arqº Frederico George integrou a 2ª Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa pós 25 de Abril, a de 1976, e passou a dar o seu nome a uma Rua de Telheiras, na freguesia do Lumiar, dois anos após o seu falecimento.

Esta 2ª Comissão Municipal de Toponímia foi designada por despacho de 14 de junho de 1976 e realizou a sua primeira reunião no dia seguinte. De acordo com as Atas, era presidida pelo Dr. Augusto de Azeredo Costa Santos e tinha como membros o Dr. Fernando Castelo Branco em representação da CML, e mais três personalidades convidadas: o Dr. Jacinto Baptista, o Prof. Dr. José Augusto França e o Prof. Arqtº Frederico George. No último mês de 1976, passou a ser presidida pelo Dr. Orlando Martins Capitão contando com o Dr. Fernando Castelo Branco e o Prof. Arqtº Frederico George como membros.

Um princípio essencial definido por esta Comissão, na esteira do já defendido pela primeira pós 25 de Abril, foi o de não alterar toponímia tradicional, como se pode ler na Ata da reunião de 15 de junho de 1976: «O professor doutor José Augusto França, lembrou a existência de nomenclaturas tradicionais na toponímia de Lisboa, e propôs que, só em casos muito excepcionais, se encarasse a hipótese da sua alteração, não só pelas razões que lhes deram origem, como ainda porque essas alterações provocam sempre grandes inconvenientes, quer para os munícipes, quer para os próprios serviços. Submetida à votação, foi a referida proposta aprovada por unanimidade.»

A Rua Frederico George, com a legenda «Arquitecto e Pintor/1915 – 1994», situada  a partir da confluência da Rua Prof. Prado Coelho e a Rua Armindo Rodrigues até chegar à Rua Daniel Santa Rita, foi atribuída por Edital municipal de 24/09/1996 à Rua B do Alto da Faia e Rua A de Telheiras Norte III. Mais tarde, juntar-se-ão nas proximidades, também em Ruas, os arqºs Daniel Santa Rita (16/02/2005) e Conceição Silva (Edital de 01/08/2005).

autorretrato de Frederico George de 1939

Frederico Henrique George (Lisboa/15.11.1915- 26.01.1994/Lisboa), nascido na freguesia de Santa Isabel, filho de pai inglês e mãe portuguesa, estudou à noite na Escola de Artes Decorativas António Arroio e formou-se em pintura (1936) e em arquitetura (1950) pela Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, seguindo uma carreira de cenógrafo, arquiteto, designer e professor universitário.

É obra sua na cidade de Lisboa o Museu da Marinha (1962) e o Planetário Calouste Gulbenkian (1965) , em Belém, zona onde já havia participado nas pinturas murais da Exposição do Mundo Português (1940), bem como com Manuel Magalhães e Daciano Costa, o Hotel Penta (1975) ou o edifício de escritórios do Metropolitano de Lisboa (1983), a recuperação do Palácio Pancas Palha (1991) e o Pavilhão Gimnodesportivo do Casal Vistoso (1992). Frederico George também desenvolveu os planos de recuperação do Palácio Fronteira (1958 e 1988) e diversos projetos de análise do território e urbanismo para a Câmara Municipal de Lisboa e para o Ministério das Obras Públicas (1969 a 1976) como os blocos de habitação social em Olivais Sul de 1961-1963; executou as Exposições comemorativas do V Centenário do Infante D. Henrique (1958-1960), o Pavilhão de Portugal na Exposição Comemorativa do IV Centenário da cidade do Rio de Janeiro (1964) e com Daciano Costa, traçou o Pavilhão de Portugal da Expo Internacional de Osaka (1970).

Como professor, Frederico George começou nas escolas de ensino técnico de Lisboa e Setúbal e a partir de 1940 na Escolas de Artes Decorativas António Arroio – onde veio a introduzir o ensino do Design – para a partir de 1957, ser Professor do Curso de Arquitetura da Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, desempenhando assim um importante papel pedagógico na formação dos artistas da geração seguinte. Sofreu um interregno de 1948 a 1955, período em que foi exonerado da docência por ter subscrito a candidatura do General Norton de Matos à presidência da República. Também no seu atelier reuniu um conjunto de colaboradores que continuaram o seu legado, particularmente no desenvolvimento e ensino do Design em que foi pioneiro, como Daciano Costa, Fernando Conduto e Sena da Silva. Refira-se ainda que Frederico George participou na 1.ª Exposição de Design Português (em 1971) e defendeu com empenho a profissionalização do Designer em Portugal. Em 1972 foi encarregue pelo Ministério da Educação do estudo para a reforma do ensino de arquitetura e, em 1992, foi ainda o responsável pela criação de novos cursos universitários. Colaborou no Inquérito à Arquitectura Popular Portuguesa, editado em 1961 e publicou Considerações sobre o Ensino da  Arquitectura, a sua dissertação de 1963. 

Na sua vertente de pintor, iniciada na década de 40 do séc. XX com quadros figurativos e estrutura de raiz cubista, marcou presença na II Exposição Geral de Artes Plásticas (1947) e Salão da Primavera da Sociedade Nacional de Belas-Artes tendo alcançado, entre outros, o Prémio Luciano Freire da Academia Nacional de Belas Artes (1936), a 1ª Medalha da SNBA (1945), o Prémio Columbano  (1946) e o Prémio Silva Porto (1947), ambos  do SNI. A sua obra está representada no Museu do Chiado e na Fundação Calouste Gulbenkian. Frederico George foi também galardoado com o oficialato da Ordem de Cristo (1941), a Grã Cruz da Ordem de Mérito (1989), o Prémio  de Arquitectura da AICA (1994) e o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Técnica de Lisboa (2001).

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua Domingos Rebelo, o pintor etnógrafo dos Açores

Freguesia de Carnide (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Carnide
(Foto: Sérgio Dias)

O pintor Domingos Rebelo que desde 2004 dá nome a uma rua de Carnide era um dos que, como Eduardo Viana, Emmérico Nunes, Francisco Smith  ou Manuel Bentes -, frequentava o estúdio nº 21 que Amadeu de Sousa Cardoso arrendara em 1908, em Paris, no 14 Cité Falguiére.

Numa entrevista de Domingos Rebelo ao jornal O Século, em 20 de outubro de 1970, o pintor recordou que « […] o atelier de Amadeo de Sousa Cardoso, no 14 Cité Falguière, que era de todos nós o que vivia com maior abastança, pois era filho de uma rica família de Amarante […] tornou-se um centro de reunião. Iam lá todas as noites o Manuel Bentes, o Ferraz, o arquitecto Collin, o Emmérico Nunes e eu. […] .»

A Rua Domingos Rebelo foi um topónimo proposto pelos jornalistas António Valdemar e Appio Sottomayor enquanto membros da Comissão Municipal de Toponímia, e atribuído à Rua C à Quinta do Bom Nome, com início e fim na Rua José Farinha, pelo Edital  municipal de 10/02/2004. Pelo mesmo Edital e na mesma Freguesia de Carnide, foi também atribuído o nome da pintora Maria de Lourdes de Mello e Castro na Rua B à Avenida Professor Francisco da Gama Caeiro.

Autorretrato

Autorretrato

Domingos Maria Xavier Rebelo (Ponta Delgada/03.12.1891 – 11.01.1975/Lisboa) foi um pintor açoriano que se especializou na temática religiosa e nos cenários rurais da sua terra natal o que lhe valeu o título de Pintor Etnógrafo dos Açores, destacando-se da sua obra o quadro Os Emigrantes (1926) e os frescos da Igreja de São João de Deus (1953), em Lisboa.

Domingos Rebelo estudou no Colégio Fisher, e o seu mestre de talha, João Soares Cordeiro, incentivou-o a seguir uma carreira artística pelo que em 1912, quando estudava em Paris, retratou-o. Foi graças ao apoio desse professor que começou a expor logo aos 13 anos e aos 15 partiu para Paris, para estudar a expensas dos Condes de Albuquerque. Em 1911, aos 20 anos, expôs na Exposição dos Livres, ao lado de Alberto Cardoso, Eduardo Viana, Emmérico Nunes, Francisco Álvares Cabral, Francisco Smith e Manuel Bentes. Foi também professor e diretor (1940 – 1942) da Escola Velho Cabral/Escola Industrial e Comercial de Ponta Delgada.  Em 1942, aos 49 anos, veio fixar residência em Lisboa e completou a obra a fresco iniciada pelo pintor Sousa Lopes (quatro dos sete painéis que decoram o Salão Nobre da Assembleia da República), para além de ter dirigido a Biblioteca-Museu do Ensino Primário, em Benfica, junto da Escola do Magistério Primário de Lisboa.

A sua obra artística incluiu ainda composições para tapeçarias, como as que se encontram na Cidade Universitária de Coimbra, bem como miniaturas em barro de cariz etnográfico e foi galardoado com a Medalha da Sociedade Nacional de Belas Artes (1925), os Prémios Silva Porto (1937), Rocha Cabral e Roque Gameiro, bem como com a  Primeira Medalha em aguarela no Salão do Estoril.

Domingos Rebelo foi ainda diretor e vogal da Sociedade Nacional de Belas Artes (1947 – 1970) e a sua obra está representada no Museu do Chiado/Museu de Arte Contemporânea, Museu da Marinha, Museu Carlos Machado de Ponte Delgada e inúmeras igrejas. A Escola de Artes e Ofícios Velho Cabral, inaugurada no ano do seu nascimento e que o artista frequentou,  passou a partir de 1979 a ostentar o seu nome como Escola Secundária Domingos Rebelo.

Freguesia de Carnide (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Carnide
(Planta: Sérgio Dias)