Franklin

Benjamin Franklin
(Imagem de domínio público)

A Rua Franklim estava identificada como Rua nº 1 do Bairro América, urbanização então de construção recente na Quinta das Marcelinas à Rua do Vale de Santo António, quando a deliberação camarária em 25 de novembro de 1918 decidiu atribuir-lhe um topónimo referente a uma personalidade americana e ficando a ligar a Rua Fernão de Magalhães à Rua dos Cortes Reais, embora o Edital só tenha sido publicado 6 anos depois, em 17 de outubro de 1924.

Bairro América passou a conter os seguintes topónimos: «Que se denomine Bairro America, o bairro em construção na Quinta das Marcelinas na rua do Vale de Santo Antonio e que os respectivos arruamentos tenham as designações seguintes: o nº 1, rua Franklin; o nº 2, rua Washington [o primeiro presidente dos Estados Unidos da América]; o nº3, rua Ruy Barbosa [político e jornalista brasileiro que defendia o princípio da igualdade das nações]; o nº 4, rua Bolivar [Simon Bolívar que combateu o domínio espanhol na América do Sul, comandando as revoluções que promoveram a independência da Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia]; a nº 5, rua do Costa Reais [refere-se à Rua dos Cortes Reais, família de navegadores portugueses que empreenderam navegações para o continente americano]; o nº 6, rua Fernão de Magalhães  [o primeiro navegador a fazer uma viagem de circum-navegação], e o nº7, rua Alvaro Fagundes [navegador português do século XVI que explorou a costa austral da Terra Nova]. Deliberação camararia de 25 de Novembro de 1918». Acrescente-se que os arruamentos Rua Bolivar e Rua Álvaro Fagundes nunca tiveram execução prática, embora, em 1971, o nome de Álvaro Fagundes tenha regressado para a toponímia lisboeta para dar nome à Rua C, à Rua General Justiniano Padrel.

Estadista, cientista e escritor norte-americano Benjamim Franklin (Boston/17.01.1706 – 17.04.1790/Filadélfia), lutou contra a escravatura e fez mesmo o Memorial para a sua abolição enquanto Presidente da Sociedade Pensilvaniana para além do seu papel preponderante na independência dos Estados Unidos da América. Franklin foi o porta-voz dos colonos junto dos ingleses; integrou a Comissão redatorial da Declaração da Independência; foi membro da Convenção para redigir a Constituição Nacional (1787); e assinou com a Grã-Bretanha o Tratado de Versalhes que reconhecia a independência das 13 colónias norte-americanas.

Benjamim Franklin foi ainda um cientista: demonstrou a identidade do raio e da electricidade e inventou o «para-raios», para além de ter sido compositor gráfico, publicado jornais (The New-England Courant), ter sido escritor (Poor Richard’s Almanac)  e o 1º representante do realismo norte-americano (O Sermão do pai Abraão).

Através da observação sistemática e da experimentação, após ter escrito sobre terramotos (1737), Franklin deu particular impulso às áreas da eletricidade e da meteorologia. No âmbito da primeira alcançou várias descobertas, nomeadamente, a existência de cargas positiva e negativa, demonstrou que os raios são um fenómeno de natureza elétrica, inventou o «para-raios», pesquisou sobre eletricidade estática, sendo também responsável pela criação de termos técnicos que são ainda utilizados, como «bateria» e «condensador». No domínio da meteorologia, abriu caminho a grandes avanços posteriores ao contribuir, através da observação, para a interpretação do desenvolvimento dos diferentes fenómenos atmosféricos no planeta terra, defendendo a teoria de que o movimento do tempo atmosférico depende das diferenças de pressão, facto que é considerado por muitos como a base da moderna meteorologia.

A sua intensa atividade em todos estes domínios foi influenciada pelo pensamento liberal e humanista e pelos debates científicos e políticos que então decorriam na Europa, para onde viajava com frequência, já anunciadores do princípio do primado da razão defendida pelo Iluminismo desde os finais do século XVII. Assim, B. Franklin, tal como Thomas Jefferson (1743-1826), estão entre as personalidades mais influentes e decisivas para o surgimento e afirmação do Iluminismo americano.

 

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Sebastião José de Carvalho e Melo, Marquês de Pombal

Gravura de Sebastião José de Carvalho e Melo
(Foto: Alberto Carlos Lima © CML | DPC | Arquivo Municipal de Lisboa)

Sebastião José de Carvalho e Melo, 1.º conde de Oeiras e 1.º marquês de Pombal, nascido a 13 de maio de 1699, dá nome a uma artéria de Lisboa desde o centenário do seu falecimento e, a data do seu nascimento chegou a ser sugerida para feriado municipal na reunião de Câmara de 22 de março de 1926, considerada a importância histórica do estadista para a cidade de Lisboa.

A Praça Marquês de Pombal – hoje na confluência da Avenida da Liberdade, Avenida Fontes Pereira de Melo (então, Rua Fontes), Parque Eduardo VII (na época, Parque da Avenida da Liberdade) e Rua Braamcamp (só denominada como tal em 1888) – , popularmente chamada Rotunda, foi dada pela deliberação de câmara de 6 de maio de 1882, ou seja, no centenário do seu falecimento e quase no 183º aniversário do seu nascimento.

Foi no mesmo ano da atribuição do topónimo em Lisboa que surgiu a ideia de erguer um monumento ao estadista e reedificador de Lisboa e o Parlamento até autorizou o Estado a ceder o bronze necessário. No entanto, a agitação política impediu a sua concretização pelo que a ideia só foi retomada em 1913 através da abertura de concurso público, em que foi escolhido o projeto assinado por Adães Bermudes, António Couto e Francisco Santos. A primeira pedra do monumento foi colocada duas vezes, uma em 15 de agosto de 1917 e outra, em 13 de maio de 1926 e só após mais uns quantos percalços, a estátua foi assente em 2 de dezembro de 1933 e inaugurada em 13 de maio de 1934, no 235º aniversário do Marquês.

Refira-se ainda que o alfacinha Sebastião José de Carvalho e Melo (Lisboa/13.05.1699 – 08.05.1782/Pombal) está presente em mais topónimos lisboetas, que derivam do seu apelido de família (Carvalho), em zonas da cidade onde ele e os seus irmãos detiveram propriedades: a Rua Nova do Carvalho e a Travessa do Carvalho, na zona pombalina do Cais Sodré – São Paulo reconstruída após o Terramoto de 1755, bem como o Alto do Carvalhão, a Rua do Arco do Carvalhão e a Rua do Meio ao Arco do Carvalhão.

Apesar de controverso pelas medidas que implantou e preconizou a nível político, económico, social e cultural, Marquês de Pombal é uma figura incontornável para o estudo do século XVIII, nomeadamente pela sua ligação ao despotismo iluminado. Ainda no reinado de D. João V, teve duas missões diplomáticas (Londres e Viena) entre 1738 e 1749. Porém, foi no reinado de D. José (1750-1777) e após o terramoto de 1755, que viria a tornar-se o homem forte do monarca.

O seu pragmatismo, capacidade de decisão e autoridade permitiram acionar uma resposta rápida e eficaz face à destruição de grande parte do centro de Lisboa. Manuel da Maia, engenheiro militar, dirigiu o plano de reconstrução da cidade que foi aprovado em 1758, delineado por Eugénio dos Santos e Carlos Mardel, ambos, também, engenheiros militares.

O plano geral, claramente inovador, segue de perto referências e modelos filosóficos e racionalistas iluministas sustentados em regulamentos de construção e planificado com ruas alinhadas e hierarquizadas, afirmando o seu pioneirismo face a outros exemplos europeus.

Sebastião José de Carvalho e Melo, ministro plenipotenciário do rei D. José, ficará para sempre associado à história da baixa de Lisboa reconstruída no século XVIII, como um dos principais impulsionadores da sua modernidade.

A estátua do Marquês de Pombal sobre a Baixa Pombalina em 1953
(Foto: Kurt Pinto © CML | DPC | Arquivo Municipal de Lisboa)

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Alexandre de Gusmão

Busto de Alexandre de Gusmão no Palácio das Necessidades
(Foto: Henrique Cayolla © CML | DPC | Arquivo Municipal de Lisboa)

Alexandre de Gusmão, Secretário e Conselheiro de D. João V, com a legenda «Secretário e Conselheiro de D. João V/1695 – 1753» deu nome à Rua dos Chumecos na Freguesia de Campolide, por Edital municipal de 14/12/1990. Este Edital atribuiu nova toponímia a todo o Bairro da Serafina, em resultado das reclamações da população pela que houvera sido imposta pelo Edital de 28 de dezembro do ano anterior, alegadamente numa política de recuperação da toponímia mais antiga e tradicional de Lisboa. A Comissão Municipal de Toponímia deu razão aos residentes considerando que os topónimos atribuídos anteriormente não tinham qualquer relação histórica com o Bairro da Serafina e encarregou seu vogal Engenheiro Manuel Maia Atayde de mediar com a Junta de Freguesia os novos  nomes propostos que foram  na sua grande maioria ligados à construção do Aqueduto das Águas Livres. Em resumo, a inicial Rua J, foi oficializada pela edilidade como Rua 21 do Bairro do Alto da Serafina, pelo Edital de 15/03/1950, tendo a Câmara modificado o topónimo numérico para Rua dos Chumecos pelo Edital de 28/12/1989 e face aos protestos dos moradores passou a ser a Rua Alexandre de Gusmão, pelo Edital de 14/12/1990, em resultado das negociações da autarquia com os residentes locais através da Junta de Freguesia.

Alexandre de Gusmão (Brasil-Santos/17.07.1695 – 31.10.1753/Lisboa), irmão de Bartolomeu de Gusmão e amigo do Cavaleiro de Oliveira, estudou Cânones na Universidade de Coimbra bem como Direito Cível, Romano e Eclesiástico na Universidade de Paris, tendo começado a sua carreira como secretário particular de D. João V (então denominado escrivão da puridade), para em 1731  assumir a Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros e em 1734 ficar encarregue dos despachos da Secretaria de Estado para o Brasil, tendo também durante algum tempo sido secretário da embaixada portuguesa na corte de Luís XIV. Assessorou ainda o Conde de Vila Nova de Cerveira nas negociações do Tratado de Madrid, assinado em 1750, nas quais defendeu o princípio do direito romano uti possidetis, o qual ditava que cada soberania tinha direito às terras que efetivamente ocupava, tendo sido este o primeiro acordo a delimitar os domínios coloniais portugueses e espanhóis na América do Sul. Foi ainda tradutor e autor de diatribes contra o despotismo, a superstição e a «fradaria», sendo célebre a sátira estatística dirigida aos cristãos-velhos que se gabavam do sangue rigorosamente limpo da infecção judaica, num claro ataque aos fundamentos racistas da Inquisição.

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Dom Luís da Cunha

Dom Luís da Cunha
(Foto: Estúdio Mário Novais © CML | DPC | Arquivo Municipal de Lisboa)

O topónimo Rua Dom Luís da Cunha, com a legenda «Diplomata 1662 – 1749», foi atribuído pela Câmara Municipal de Lisboa, através de Edital de 29/01/1979, à Rua «4.3» do Novo Bairro das Fonsecas, junto à Avenida General Norton de Matos. A Escola Básica aí existente assumiu, tal como a Rua, a designação «Dom Luís da Cunha».

Dom Luís da Cunha (Lisboa/25.01.1662 – Paris/09.19.1749) foi um célebre diplomata do tempo de D. João V, enviado extraordinário às cortes de Londres em 1696 onde participou em importantes negociações relacionadas com a intervenção portuguesa na Guerra da Sucessão de Espanha, o acontecimento mais complexo da política internacional daquela época. Também foi embaixador em Madrid e Paris, bem como ministro plenipotenciário de Portugal no congresso de Utreque de 1712 a 1715. Fora antes arcediago da Sé de Évora, desembargador da Relação do Porto, de Lisboa e do Paço, académico da Academia Real de História (fundada por D. João V pelo Decreto de 8 de dezembro de 1720) e galardoado como comendador da Ordem de Cristo.

O seu Testamento Político, uma das obras mais lidas e conhecidas em Portugal na segunda metade de setecentos, circulou inicialmente em cópias manuscritas, sendo apenas impresso em 1815 no jornal português publicado em Londres, o Observador Português e, cinco anos depois editado em livro. Na sua obra Luís da Cunha  fez uma severa crítica ao Tribunal da Inquisição que apelidava de  «insensível e crudelíssima sangria» de portugueses, referindo o peso excessivo do Tribunal e do aparelho eclesiástico bem como a injusta perseguição aos cristãos-novos, forçados a abandonar Portugal e a verem confiscados os seus engenhos no Rio de Janeiro, no que coincidia com as reivindicações de Padre António Vieira cerca de 100 anos antes, contrapondo a ideia de dar aos judeus a possibilidade de viver sua religião como «se pratica entre todas as nações da Europa». No mesmo texto propôs também ao futuro rei D. José I a nomeação de Sebastião de Carvalho e Melo (futuro Marquês de Pombal) para secretário de estado do reino.

Destacado diplomata e político, Luís da Cunha desenvolveu a sua atividade quase sempre no estrangeiro e, por isso, como homem de cultura, conhecia os principais autores da época e estava a par das renovadas estratégias geopolíticas e sociais que emergiam na Europa das Luzes e que mais tarde proporá para Portugal. Assim, algumas das medidas que defendeu inspiradas nos ideais iluministas, entre os quais o de liberdade, o da tolerância, o de combate aos excessos religiosos depurando e reinterpretando a história da Igreja e o seu papel na sociedade, tiveram eco nas reformas de Marquês de Pombal, no que diz respeito à tolerância com os cristãos-novos e à diminuição de religiosos e clérigos.

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José Régio e a candidatura de Norton de Matos à presidência da República

A Comissão Distrital de Portalegre da candidatura de Norton de Matos, vendo-se Régio no centro
(Foto: © CER)

Professor efetivo no Liceu Mouzinho da Silveira de Portalegre desde 1930 e como tal arriscando a expulsão da profissão docente, José Régio participou na Comissão Concelhia do MUD-Movimento de Unidade Democrática de Portalegre desde 1945 e em 1949 foi também membro da Comissão Distrital de Portalegre da campanha de Norton de Matos à Presidência da República, general que apenas foi topónimo de uma Avenida de Lisboa após o 25 de Abril, com a publicação edital de toponímia de Lisboa de 30 de dezembro de 1974, o primeiro de toponímia após a revolução.

A extensa Avenida Norton de Matos passa por cinco freguesias – São Domingos de Benfica, Alvalade, Benfica, Carnide e Lumiar- e veio tomar o lugar de um topónimo então considerado ofensivo: a  Avenida Marechal Carmona. Esse mesmo Edital  nº 161/1974, de 30 de dezembro de 1974, operou mais quatro alterações toponímicas na cidade: a Avenida Vinte e Oito de Maio passou a ser a Avenida das Forças Armadas,  a Calçada de Santos tornou-se a Calçada Ribeiro dos Santos, a Rua General Sinel de Cordes ficou Rua Alves Redol, e a Estrada de Malpique converteu-se na Rua Dr. João Soares.  Após o 25 de Abril de 1974, a Câmara Municipal de Lisboa então gerida por uma Comissão Administrativa presidida pelo Eng.º Caldeira Rodrigues, mudou na toponímia da capital 5 topónimos, de acordo com o parecer da Comissão Municipal de Toponímia emitido na sua primeira reunião (em 15 de novembro de 1974), em que defendeu a «Necessidade de eliminação dos nomes afrontosos para a população, pela sua última ligação ao antigo regime».

José Maria Mendes Ribeiro Norton de Matos (Ponte de Lima/23.03.1867 – 03.01.1955/Ponte de Lima) foi um militar e político que  se candidatou às eleições presidenciais de 1949 reivindicando a liberdade de propaganda e uma melhor fiscalização dos votos, exigências que o regime de Salazar se recusou a satisfazer mas que lhe granjearam vastos apoios populares e da oposição ao Estado Novo.

Norton de Matos havia começado a sua carreira na administração colonial na Índia (1898) e, em missão diplomática, viajou por Macau e pela China, coincidindo o seu regresso a Portugal com a proclamação da República em 1910, novo regime que se dispôs a servir tendo então sido Chefe do Estado-Maior da 5ª divisão militar (1911) e Governador-Geral de Angola (1912-1915). Foi chamado ao Governo como Ministro das Colónias e da Guerra (1915) e nesta função criou o Corpo Expedicionário Português. Exilou-se em Londres no sidonismo.  Em 1919, foi Delegado de Portugal na Conferência da Paz, promovido a General por distinção e ainda, nomeado Alto Comissário da República em Angola, época em que fundou a cidade de Huambo e em 1920 recebeu no território os naturais da Póvoa do Varzim que não se quiseram naturalizar brasileiros para continuar na indústria piscatória.

Norton de Matos exerceu ainda funções de Embaixador de Portugal em Londres (1924-1926), cargo de que foi afastado aquando da instauração da Ditadura Militar. Em 1929 foi eleito Grão-Mestre da Maçonaria Portuguesa (até 1935) e deixou como obra publicada diversos títulos como A Província de Angola (1926), Memórias e Trabalhos da Minha Vida (1943-1946), Ensaio sobre Paiva Couceiro (1948) e A Nação Una (1953).

Norton de Matos com Bernardim Machado em 1917
(Foto: © Arquivo Municipal de Lisboa)

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com o apoio de 

O Largo do fotógrafo e homem de cinema Gérard Castello-Lopes

Freguesia do Lumiar
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Gérard Castello-Lopes foi um homem do cinema e da fotografia a preto e branco, cuja memória está fixada como topónimo da Freguesia do Lumiar desde 2017, seis anos passados sobre o seu falecimento aos 85 anos de idade.

O Largo Gérard Castello-Lopes nasceu no Impasse entre os lotes 2 e 3 da Malha 6 do Projeto de Urbanização do Alto do Lumiar, por deliberação camarária de 22 de fevereiro de 2017 e consequente Edital de 17 de março seguinte, na freguesia onde se encontram a maioria dos topónimos ligados ao cinema português.

Gérard Maria José Leveque de Castello-Lopes (França – Vichy/06.08.1925 — 12.02.2011/Paris-França) foi um português que desenvolveu uma carreira no cinema como distribuidor, crítico e assistente de realização, assim como fotógrafo.

Filho de José Castello-Lopes, dos Filmes Castello-Lopes, e da pianista Marie-Antoinette Lévéque, foi herdeiro e gerente da distribuidora Castello-Lopes. Na década de sessenta foi assistente de realização de Artur Ramos, no filme Os Pássaros de Asas Cortadas (1962) – onde também interpretou o médico Manuel -, tal como o será mais tarde na curta-metragem Nacionalidade: Português (1970), sobre a emigração portuguesa em França, realizada por Fernando Lopes, a partir de texto de Nuno de Bragança, que era também o produtor. Também fez a voz-off da curta A Aventura Calculada (1970) de Fernando Lopes. Exerceu como crítico de cinema  na revista O Tempo e o Modo, de 1964 a 1966, bem como nos jornais A Tarde e o Semanário, entre 1982 e 1984. Esteve entre os fundadores da cooperativa Centro Português de Cinema nos final dos anos 60, foi presidente do júri do Instituto Português de Cinema (1991 a 1993) e integrou o Conselho Consultivo da Culturgest.

Antes do cinema fizera-se fotógrafo pelo desejo de registar o que via quando mergulhava. Começou de forma autodidata, a partir de 1956, através de revistas e livros estrangeiros da especialidade e seguindo os ensinamentos de Henri Cartier-Bresson como mestre e paradigma. Fotografou os modos de viver da Lisboa do Estado Novo para testemunhar a realidade que o rodeava. Realizou dezenas de exposições individuais e coletivas, antes e depois do 25 de Abril de 1974, em Portugal e no estrangeiro mas foi a sua mostra retrospetiva de 1956 a 1982, na Galeria Ether- Vale Tudo Menos Tirar Olhos, no nº 25 da Rua Rodrigo da Fonseca da Lisboa de 1982, que relançou a sua obra para o reconhecimento público. A partir desta passou a fotografar sobretudo objetos e composições mais abstractas, que vão surgir na retrospectiva Oui/Non de 2004, continuando a fotografar e a expor até 2008. Contudo, Gérard Castello-Lopes era muito exigente consigo declarando que «Nunca achei que era excepcional ou muito bom fotógrafo» e que Joshua Benoliel era «o único génio da fotografia portuguesa», mesmo que as suas fotografias estejam representadas no Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado e na The Berardo Collection.

Gérard Castello-Lopes, licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras foi ainda assistente de encenação de duas óperas produzidas pelo Grupo Experimental de Ópera de Câmara, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, já que ele próprio era um pianista talentoso e foi um dos fundadores do Hot Clube de Portugal, em Lisboa, em 1950, com Luiz Villas-Boas, os irmãos Ivo e Augusto Mayer, Helena Villas-Boas e os irmãos Sangareau.

Ao longo da sua vida, Gérard residiu em Lisboa, Cascais, Estrasburgo – quando integrou o Corpo Diplomático da Missão Permanente de Portugal junto do Conselho da Europa – Azóia e Paris, onde fixou residência. Casou com Danièle de quem teve uma filha (1972) e um filho (1982) e foi vítima de  Alzheimer.

O cineasta Fernando Lopes, que afirmou inspirar-se no estilo da fotografia de Gérard para realizar o seu filme Belarmino (1964), rodou em 1997 o seu retrato através do documentário  – Olhar / Ver – Gérard Fotógrafo, com direção de produção de Manuel Costa e Silva, assim como seis meses após a sua morte Jorge Calado concretizou a mostra Aparições (2011) e, em 2012, no Consulado de Portugal em Paris foi organizada uma exposição de homenagem só com fotografias dos anos 50 e de Portugal.

A Rua José Gomes Ferreira para quem está espantado de existir

Freguesia de Campo de Ourique
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Aquele que no seu Panfleto Mágico ousou avisar  «É proibida a entrada a quem não andar espantado de existir» – o escritor José Gomes Ferreira -, desde o próprio ano da sua morte que está perpetuado na artéria de Campo de Ourique que liga a  Rua Joshua Benoliel à Avenida Engº Duarte Pacheco.

Falecido a 8 de fevereiro de 1985, José Gomes Ferreira, diplomata, compositor, escritor e poeta recebeu três dias depois da sua morte uma deliberação da edilidade alfacinha para ser um topónimo lisboeta, sendo fixado pelo Edital de dia 21 desse mês no arruamento construído no prolongamento da Rua D. João V, entre a Rua Silva Carvalho e a Avenida Engº Duarte Pacheco, também identificado como Rua A da Urbanização das Amoreiras.

José Gomes Ferreira (Porto/09.06.1900-08.02.1985/Lisboa), nasceu na portuense Rua das Musas, filho do empresário e benemérito Alexandre Ferreira, que chegou a ser vereador republicano na Câmara lisboeta na Primeira República, veio morar para Lisboa aos 4 anos de idade. O seu pai estabeleceu-se no Lumiar e foi quem doou as suas propriedades para a construção da Casa de Repouso dos Inválidos do Comércio. José estudou nos liceus Camões e Gil Vicente e também se dedicou a ser compositor, chegando a ter a sua obra Idílio Rústico estreada pela orquestra de David de Sousa, no Politeama. Em 1919 integrou o Batalhão Académico Republicano e depois de licenciado em Direito em 1924 seguiu carreira como Cônsul de Portugal na Noruega,  em Kristiansund, até 1930.

De regresso a Lisboa colaborou em inúmeras publicações como a Presença, a Seara NovaDescobrimentoGazeta Musical e de Todas as Artes, Imagem,  Ilustração Senhor Doutor,  para além de sob o pseudónimo de  Álvaro Gomes ter traduzido filmes. Em 1945-1946, colaborou com outros poetas neorrealistas no álbum das Heróicas compostas por Fernando Lopes Graça, sendo sua a letra de «Jornada».

Para a sua carreira literária é um marco o dia 8 de maio de 1931 em que de rajada escreveu o poema «Viver sempre também cansa», que João Gaspar Simões fez publicar logo na Presença. Já antes, na juventude, editara os livros de poesia  Lírios do Monte (1919) e Longe (1921) mas foi depois de 1931 que se dedicou ao ofício de ser escritor.  Na escrita poética salientamos do que deu a lume Poesia I (1948), Poesia III (1961) que foi Grande Prémio da Sociedade Portuguesa de Escritores, Poesia V (1973), Poeta Militante I, II e III (1978) com prefácio de Mário Dionísio.Também gravou discos com a sua poesia: Poesia (1969) e Poesia IV (1971) na Philips, Poesia V (1973) na Decca / Valentim de Carvalho e Entrevista 12 – José Gomes Ferreira (1973) na Guilda da Música/Sassetti.

Na prosa, José Gomes Ferreira publicou entre outros, O Mundo dos Outros – histórias e vagabundagens (1950), O Mundo Desabitado (1960),  Os segredos de Lisboa (1962), o panfleto mágico As Aventuras de João Sem Medo (1963) do Plano Nacional de Leitura, os contos Tempo Escandinavo (1969), O Irreal Quotidiano – histórias e invenções (1971), Gaveta de Nuvens – tarefas e tentames literários (1975), O sabor das Trevas – Romance-alegoria (1976), as crónicas Intervenção Sonâmbula (1977), Coleccionador de Absurdos (1978), Caprichos Teatrais (1978) e O Enigma da Árvore Enamorada – Divertimento em forma de Novela quase Policial (1980).  Somou ainda livros de memórias como A Memória das Palavras – ou o gosto de falar de mim (1965) que recebeu o Prémio da Casa da Imprensa, Imitação dos Dias – Diário Inventado (1966), Relatório de Sombras – ou a Memória das Palavras II (1980), Passos Efémeros – Dias Comuns I (1990) ou Dias Comuns – Derrota Pairante (2018).

Como cidadão exerceu funções de Vice-Presidente da Associação Portuguesa de Escritores em 1978 e no ano seguinte,  nas eleições legislativas intercalares, foi candidato da APU- Aliança Povo Unido pelo círculo de Lisboa e no ano de 1980 tornou-se militante do PCP. Nesta cidade, ficou ligado à Rua Heliodoro Salgado assim como às suas moradas na Rua Marquês de Fronteira e na Avenida Rio de Janeiro e na sua vida pessoal, foi pai do arquiteto Raul Hestnes Ferreira e do poeta Alexandre Vargas.

Em 1978 foi agraciado com a atribuição do seu nome à Escola Secundária de Benfica projectada pelo seu filho arquiteto e a CML colocou uma placa evocativa no prédio da sua última morada em 1990, deu o seu nome dado à Mata de Alvalade e no ano do centenário do seu nascimento, através da Videoteca produziu o documentário Um Homem do Tamanho do Século. José Gomes Ferreira recebeu também o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada (1981) e da Ordem da Liberdade (1985), a distinção de cidadão de mérito de Odemira (1981) e o seu nome consta também da toponímia dos concelhos do Porto, Almada (Charneca da Caparica, Laranjeiro), Amadora (Reboleira), Barreiro (Lavradio, Santo António da Charneca), Beja, Benavente (Samora Correia), Braga, Cascais (São Domingos de Rana), Coimbra, Entroncamento, Gondomar (Baguim do Monte), Évora, Loures (Santo Antão do Tojal, São João da Talha, Unhos), Moita (Alhos Vedros, Baixa da Banheira, Moita, Vale da Amoreira), Montemor-o-Novo, Montijo, Odivelas (Famões, Póvoa de Santo Adrião), Oeiras (Algés), Portimão, Seixal (Arrentela, Corroios), Sesimbra, Setúbal, Sintra (Agualva-Cacém, Mem Martins), Trofa, Vila Franca de Xira ( Forte da Casa, Póvoa de Santa Iria) e Vila Nova de Gaia.

Freguesia de Campo de Ourique
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

O seu poema escrito na noite de 8 de maio de 1931 foi:

Viver sempre também cansa!
O sol é sempre o mesmo e o céu azul
ora é azul, nitidamente azul,
ora é cinza, negro, quase verde…
Mas nunca tem a cor inesperada.
O Mundo não se modifica.
As árvores dão flores,
folhas, frutos e pássaros
como máquinas verdes.
As paisagens também não se transformam.
Não cai neve vermelha,
não há flores que voem,
a lua não tem olhos
e ninguém vai pintar olhos à lua.
Tudo é igual, mecânico e exacto.
Ainda por cima os homens são os homens.
Soluçam, bebem, riem e digerem
sem imaginação.
E há bairros miseráveis, sempre os mesmos,
discursos de Mussolini,
guerras, orgulhos em transe,
automóveis de corrida…
E obrigam-me a viver até à Morte!
Pois não era mais humano
morrer por um bocadinho,
de vez em quando,
e recomeçar depois, achando tudo mais novo?
Ah! se eu pudesse suicidar-me por seis meses,
morrer em cima dum divã
com a cabeça sobre uma almofada,
confiante e sereno por saber
que tu velavas, meu amor do Norte.
Quando viessem perguntar por mim,
havias de dizer com teu sorriso
onde arde um coração em melodia:
“Matou-se esta manhã.
Agora não o vou ressuscitar
por uma bagatela.”
E virias depois, suavemente,
velar por mim, subtil e cuidadosa,
pé ante pé, não fosses acordar
a Morte ainda menina no meu colo…

 

A Rua de Nuno Bragança de «A Noite e o Riso» e de «Os Verdes Anos»

Freguesia de Belém
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Nuno de Bragança, o autor de A Noite e o Riso e argumentista de Os Verdes Anos,  desde 1986 é o topónimo de um arruamento de Belém, na sequência da Proposta nº 34/85, aprovada por maioria na reunião da Câmara de 11 de fevereiro de 1985, quatro dias após a morte do escritor que estava quase a completar 56 anos de idade.

Depois, o Edital municipal de 3 de novembro de 1986 determinou que fosse a Rua A à Rua Tristão Vaz a ser a Rua Nuno Bragança, em Belém, e Alexandre O’Neill também ficou como topónimo de uma artéria de Alcântara por este mesmo Edital.

Nuno Bragança (Lisboa/12.02.1929 – 07.02.1985/Lisboa),  foi o autor de 3 livros fundamentais pela sua linguagem inovadora: A Noite e o Riso (1969), Directa (1977) e Square Tolstoi (1981), que traçam um olhar violento mas cheio de amor pela procura da liberdade e pelas pessoas. São ainda obras suas o livro de contos Estação (1984) e o póstumo Do Fim do Mundo (1990) , tornando-o um escritor de culto, que a si próprio se qualificava como um prático de escrever, com uma obra literária reduzida em número mas relevante em originalidade e qualidade.

De seu nome completo Nuno Manuel Maria Caupers de Bragança,  frequentou Agronomia mas foi Direito o curso que concluiu em 1957, ainda no Palácio Valmor, no Campo dos Mártires da Pátria. Em paralelo, era praticante de boxe e pioneiro de caça submarina em Portugal, tendo sido cofundador do Centro Português de Actividades Subaquáticas. Também publicou os seus primeiros textos literários no órgão da Juventude Universitária Católica: o jornal Encontro. Aliás, com António Alçada Baptista, João Bénard da Costa e Pedro Tamen integrou o denominado catolicismo progressista e foi cofundador da revista O Tempo e o Modo, em 1963, na qual escreveu assiduamente.

Nuno Bragança também trabalhou para Rádio nos anos 50, tendo escrito a peça nonsense radiofónica  A Morte da Perdiz,  em colaboração de Pedro Tamen, Nuno Cardoso Peres e Maria Leonor, assim como O Guardador de Porcos, uma sátira a Salazar escrita com M. S. Lourenço, Luís de Sousa Costa e Manuel de Lucena.

Escreveu ainda inúmeras críticas cinematográficas na 1ª série de O Tempo e o Modo, onde também organizou um dossiê sobre Belarmino, e deixou muito crítica de cinema em inúmeros jornais desde o Expresso ao Diário de Lisboa, tanto mais que o seu amor ao cinema o levara de 1956 a 1959, a fundar e dirigir, um cineclube: o Centro Cultural de Cinema. E foi o argumentista da adaptação e diálogos do filme Os Verdes Anos (1963) de Paulo Rocha, o filme inaugural do Cinema Novo. Em 1970, com Gérard Castello-Lopes, Fernando Lopes e Augusto Cabrita também assinou o documentário Nacionalidade Português sobre a emigração portuguesa em França e que foi estreado em Portugal três anos depois.

Nuno Bragança era funcionário do Estado, no Fundo de Desenvolvimento de Mão de Obra, onde participou na organização do Serviço Nacional de Emprego e, em 1968, aceitou ir para Paris exercer as funções diplomáticas de delegado português na O.C.D.E. e, posteriormente, de consultor de um estudo sobre os problemas de emprego nos países membros subdesenvolvidos. Refira-se que Nuno Bragança a partir da década de 60  era militante do MAR – Movimento de Acção Revolucionária e ao fixar-se em Paris aproximou-se do grupo conhecido como Brigadas Revolucionárias, de Isabel do Carmo e de Carlos Antunes. Regressou a Portugal em 1973.

Na sua vida pessoal, gostava de vinho tinto, de comer e de cozinhar e fez casal, sucessivamente, com Maria Leonor da Fonseca de Matos e Góis Caupers, a psicanalista Maria Belo e Maria Madalena Batalha Pestana.

Foi agraciado pelo Presidente da República Jorge Sampaio, a título póstumo, com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada (1998), com o documentário U Omãi que dava pulus (2008) de João Pinto Nogueira e está presente na toponímia dos concelhos de Almada (Charneca da Caparica), Beja, Oeiras (Porto Salvo), Porto, Seixal (Arrentela, Corroios) e Sesimbra.

O Jardim com o busto de Júlio de Castilho

Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Rui Mendes)

Com um miradouro sobre Alfama, a partir do Largo de Santa Luzia, encontramos o Jardim que desde o dia 25 de julho de 1929 se inaugurou com um busto do olisipógrafo Júlio de Castilho, da autoria do escultor Costa Mota (sobrinho).

Falecido dez anos antes, no dia 8 de fevereiro de 1919, o olisipógrafo Júlio de Castilho, havia sido já consagrado na toponímia de Lisboa por via do Edital municipal de 2 de março de 1925, com o Largo Júlio de Castilho, o largo mais próximo da rua onde morara no Lumiar, acrescido da legenda «Erudito Escritor e Historiador/1840 – 1919».

A inauguração em 25 de julho de 1929
(Foto: Eduardo Portugal, Arquivo Municipal de Lisboa)

Quatro anos mais tarde, em 25 de julho de 1929, a Comissão Administrativa da CML inaugurou o busto de Júlio de Castilho neste pequeno jardim também conhecido por Jardim de Santa Luzia, pela proximidade à Igreja de São Brás ou de Santa Luzia, erguida sobre a muralha da antiga cerca. O miradouro resultou de uma iniciativa de Quirino da Fonseca, para fornecer à cidade uma panorâmica geral de Alfama e do Rio Tejo, sendo que o assunto esteve alguns anos em discussão. Raul Proença no seu Guia de Portugal afirma no seu 1º volume, publicado pela primeira vez em 1924,  afirma que «Pela parte detrás da igreja existe, suportado pela muralha que desce a calçada de S. João da Praça, contornando-a, um troço de terreno, hoje inculto» e defende que «Como o templo não tem nenhum valor, poder-se-ia arrasar todo esse terreno e transformá-lo num jardim público, o que não só ofereceria aos habitantes uma janela aberta sobre o Tejo como também teria a vantagem de evitar o futuro desaparecimento do mais importante trecho de muralha goda que Lisboa possui.» Mais tarde, o espaço somou um painel de azulejos representando A Tomada do Castelo de São Jorge aos Mouros por Dom Afonso Henriques e outro painel com a a antiga Praça do Comércio (da autoria de António Quaresma e produzidos na Fábrica Viúva Lamego)  e ainda um outro, com uma vista de Lisboa com barcos no Tejo (desenho de Martins Barata e pintado em 1939 por Victoria Pereira).

Júlio de Castilho (Lisboa/30.04.1840- 08.02.1919/Lisboa), 2.º visconde de Castilho por ser filho primogénito de António Feliciano de Castilho (também perpetuado em Lisboa na Rua Castilho), é considerado um percursor dos estudos olisiponenses, tendo acumulado ao logo da vida uma importante coleção pessoal de documentos sobre o tema, que se encontra depositada na Biblioteca Nacional.

Freguesia de Santa Maria Maior
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rotunda e a Praça Marquês de Pombal

Freguesia de Santo António
(Foto: Rui Mendes)

A Praça Marquês de Pombal está assim oficialmente denominada desde há 135 anos, ou seja, desde 1882, embora popularmente seja  ainda hoje conhecida como Rotunda, tanto pela sua configuração pouco comum na época, como por esta denominação ter sido reforçada na memória dos lisboetas pelo nome da estação de Metropolitano de Lisboa, que durou de 1959 até 1998.

A Praça Marquês de Pombal é uma homenagem a Sebastião José de Carvalho e Melo (Lisboa/13.05.1699 – 08.05.1782/Pombal), o estadista que coordenou a reconstrução de Lisboa após o terramoto de 1755,  feita no século seguinte pela  deliberação de câmara de 6 de maio de 1882, ou seja, na data do centenário do falecimento do Marquês e quase no dia do 183º aniversário do seu nascimento. O espaço escolhido foi a confluência da Avenida da Liberdade com a Rua Fontes (hoje, Avenida Fontes Pereira de Melo) e o Parque da Avenida da Liberdade (hoje,  Parque Eduardo VII), ou seja, no topo da Baixa lisboeta reconstruída. Quatro anos depois, conforme documento de 2 de novembro de 1886 a Câmara ainda estava a negociar com diversos proprietários os preços das expropriações para completar a execução da Praça Marquês de Pombal.

Já o nome popular de Rotunda a individualizava por então as Rotundas serem pouco frequentes, por ter sido o local de concentração dos Republicanos no 5 de Outubro de 1910 e por ter sido o nome da estação do Metropolitano de Lisboa neste local, inaugurada em 29 de dezembro de 1959, e na qual confluíam ambos os troços do então novo sistema de transporte, quer Sete Rios-Restauradores quer Entrecampos- Restauradores; só a partir de 1998, a estação, já com duas linhas diferentes, passou a denominar-se Marquês de Pombal.

No dia do 235º aniversário de nascimento do Marquês de Pombal ( 13 de Maio de 1934), graças a uma subscrição pública, foi inaugurada no centro da Praça Marquês de Pombal um monumento em sua honra onde a figura feminina simboliza a Lisboa reconstruída. Esta obra resultou do traçado dos arquitetos Adães Bermudes e António do Couto bem como da escultura de Francisco dos Santos, Simões de Almeida e Leopoldo de Almeida.

Freguesias de Santo António
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)