A Rua do Professor de Medicina Tropical e de Letras Silva Teles

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Professor de Medicina Tropical e do Curso Superior de Letras que também foi Reitor da Universidade de Lisboa (1928) e Ministro da Instrução Pública (1929), o Dr. Silva Teles está inscrito na toponímia das  Avenidas Novas desde a publicação do Edital municipal de 17 de abril de 1934, a ligar a Rua Tenente Espanca à  Rua da Beneficência.

Francisco Xavier da Silva Teles (Goa/02.09.1860 – 21.05.1930/Lisboa) que fixou residência em Lisboa no ano de 1900, enquanto docente exerceu como professor da cadeira de Higiene e Climatologia na Escola de Medicina Tropical desde 1902, como professor das cadeiras de Geografia (1904), Geografia Económica Geral e Especial, Geografia Económica de Portugal e suas Colónias e Geografia Económica do Brasil, no Curso Superior de Letras. Em 1911 passou a acumular como professor do Instituto Superior do Comércio de Lisboa e em 1927 foi também professor da cadeira de Administração Colonial, cargo que acumulou com os de diretor da Escola de Medicina Tropical de Lisboa para no ano seguinte, a 24 de fevereiro, ser nomeado Reitor da Universidade de Lisboa e no ano que se seguiu, Ministro da Instrução Pública, de 8 de julho a 11 de setembro, já que demitiu por discordâncias de orientação política.

Formado em medicina na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa (1880), tornou-se Médico Naval, tendo começado em Moçambique, fundado o laboratório bacteriológico do Hospital da Marinha em 1895 e terminado com o posto de Capitão-de-mar-e-guerra (1918).

Estudou na École d’Anthropologie de Paris, onde se aperfeiçoou em técnicas antropométricas, tendo publicado diversos estudos e regido um curso de Antropologia na Academia de Estudos Livres de Lisboa, para o qual preparou um programa de observações antropológicas que a Sociedade de Geografia de Lisboa usou depois em trabalhos de campo na Serra da Estrela, associação sob a égide da qual organizou o I Congresso Colonial (1901), temática em que também tinha estudos publicados.

Refira-se ainda que  Silva Teles foi deputado do Partido Progressista e em 1908, um dos fundadores da Liga de Educação Nacional, assim como foi Secretário Geral da Sociedade de Geografia durante 12 anos e Sócio Correspondente da Academia de Ciências de Lisboa. Em 1924 também participou no Guia de Portugal dirigido por Raúl Proença.

Agraciado foi com os graus de Cavaleiro, Oficial e Comendador da Ordem Militar de Avis (1919), com o grau de Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, para além da Medalha de Prata de Comportamento Exemplar, da Medalha de Ouro de Comportamento Exemplar e da Medalha de Bronze de Filantropia e Caridade.

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua do Professor da António Arroio, Cipriano Dourado

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O pintor e professor da Escola de Artes Decorativas António Arroio, Cipriano Dourado, está desde o ano do seu falecimento consagrado numa artéria do Lumiar, tendo sido acompanhado no mesmo Edital municipal pelo também pintor José Escada.

A partir da Proposta nº 13/81, aprovada em reunião de Câmara de 23/03/1981, foi o nome de Cipriano Dourado dado ao arruamento de ligação da Rua Francisco Stromp ao Campo Grande (incluindo o troço norte-sul da Rua Actor António Silva), o que foi fixado pelo consequente Edital de 4 de dezembro de 1981. Por esse mesmo edital e na mesma freguesia, mas na zona de Telheiras, foi inscrito também numa rua o nome do pintor José Escada.

Cipriano Dourado (Mação- Penhascos/08.02.1921 – 17.01.1981/Lisboa) foi um artista que se dedicou à gravura, ao desenho, à ilustração, à pintura e à aguarela, tendo como os temas mais frequentes da sua obra a mulher e a terra. Por alguns foi considerado neorrealista, nomeadamente por em 1953 ter participado numa experiência conhecida como Ciclo de Arroz, com Júlio Pomar, Alves Redol, Rogério Ribeiro, Alice Jorge e António Alfredo, em que todos percorreram os campos dos arrozais do Ribatejo em busca de inspiração e Cipriano Dourado criou as suas litografias intituladas Plantadoras de Arroz.

Na Escola de Artes Decorativas António Arroio foi docente das disciplinas de desenho, gravura e artes gráficas, de 1978 a 1981.

Cipriano Dourado começara a trabalhar bem novo, como desenhador-litógrafo pelo que só mais tarde, a partir de 1939 , frequentou um curso nocturno na Sociedade Nacional de Belas Artes. Em 1949 fez um estágio na Academia Livre Grande Chaumière, em Paris e em 1956, foi um dos membros fundadores da Gravura- Sociedade Cooperativa de Gravadores, tendo integrado a direção e a comissão técnica.

Como ilustrador, trabalhou em numerosos livros de poesia e prosa de Armindo Rodrigues,  Augusto Gil,  D. H. Laurence, José Carlos de Vasconcelos, Mário Braga, Orlando da Costa, Orlando Gonçalves e Pablo Neruda, para além de ter colaborado com periódicos como, entre outros, a Árvore-Folhas de Poesia, a Cassiopeia-Antologia de Poesia e Ensaio, a Colóquio-Letras, a Seara Nova ou a Vértice.

Refira-se ainda que Dourado desenhou 4 selos dos CTT para uma Emissão Comemorativa do Ano da Conservação das Zonas Húmidas (1976), foi membro do júri da I Exposição Nacional de Gravura na Fundação Calouste Gulbenkian (1977) e também integrou os corpos dirigentes da Sociedade Nacional de Belas Artes de Lisboa.

A sua obra está representada no Museu do Chiado/Museu de Arte Contemporânea, no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, no Museu da CGTP, no Museu do Neo-Realismo (Vila Franca de Xira), no Museu Armindo Teixeira (Mirandela), no Museu Dr. João Calado Rodrigues (Mação), no Museu Municipal Manuel Soares (Albergaria), no Museu Municipal Professor Joaquim Vermelho (Estremoz), no Museu de Angola e, em numerosas coleções particulares.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do arqtº José Luís Monteiro da Estação do Rossio e Professor de Belas Artes

Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

José Luís Monteiro é o arquiteto e professor de quatro décadas da Escola de Belas Artes que desde o Edital de 10/08/1978  está consagrado no arruamento formado pelas Ruas 11-B e 12 da Zona N2 de Chelas, que se inicia na Rua Domingo Parente,  na freguesia de Marvila, aquela em cuja toponímia mais arquitetos podemos encontrar.

O Edital municipal de 10 de agosto de 1978 foi aquele que pela primeira vez na toponímia de Lisboa incluiu um conjunto significativo de nomes da arquitetura nacional, a saber: Álvaro Machado, Adães Bermudes, Adelino Nunes, Cassiano Branco, Domingos Parente, José Luís Monteiro, Keil do Amaral, Luís Cristino da Silva, Miguel Nogueira Júnior, Norte Júnior, Pardal Monteiro e  Pedro José Pezerat.

José Luís Monteiro no seu gabinete de trabalho, cerca de 1910
(Foto: Alberto Carlos Lima, Arquivo Municipal de Lisboa)

José Luís Monteiro (Montelavar/25.10.1849 – 27.01.1942/Lisboa), um arquiteto formada nas Belas Artes de Lisboa e de Paris, foi professor de Arquitetura Civil durante mais de 40 anos e funcionário da Câmara Municipal de Lisboa.

Concluído o ensino que desde os 12 anos iniciara na Real Academia das Belas Artes de Lisboa, somou-lhe em 28 de novembro de 1878 o diploma de arquiteto da École Nationale et Spéciale des Beaux Arts de Paris, curso que começara a 17 de novembro de 1873. Ainda nesse ano da sua licenciatura participou com seu mestre Pascal na Exposição Portuguesa no Champ de Mars, em Paris.

Em 1 de março de 1880, começou a trabalhar na Câmara  Municipal de Lisboa sendo Arquitecto Chefe da 1ª secção da  Repartição Técnica e no ano seguinte, a 23 de junho, ingressou como  professor de Arquitetura Civil da Escola de Belas Artes de Lisboa, escola onde a partir de 1912 também assumiu a função de diretor, razão para que a sua obra tenha sobretudo Lisboa como cenário.

O primeiro plano do Liceu Passos Manuel é da sua autoria (1882), alterado depois por Rafael da Silva e Castro em 1888 e por Rosendo Carvalheira em 1896, sendo revisto em 1907 e finalmente inaugurado no ano letivo de 1911-12. Também a Estação do Rossio, na Praça Dom João da Câmara, é obra sua de 1886 – 1887, enquanto  consultor e superintendente do gabinete técnico da Companhia Carris de Ferro, introduzindo o ferro na construção portuguesa. Alguns elementos de decoração dos Paços de Concelho de Lisboa, como os portões de ferro forjado da fachada, os fogões de mármore de Carrara do Salão Nobre, o brasão da cidade na Sala das Sessões Privadas, o mobiliário da Sala do Arquivo, são também obra sua de 1887 a 1891.

Destacam-se ainda do seu traço a antiga Escola Fröbel no Jardim da Estrela (1882), Candeeiros do Monumento aos Restauradores da Independência, na Praça dos Restauradores (1886), o Hotel Avenida Palace  (1890-1892) também na Praça dos Restauradores, o Quartel do Batalhão de Sapadores Bombeiros (1892) na Avenida Dom Carlos I, o Salão Portugal da Sociedade de Geografia (1897) na então Rua de Santo Antão (depois, Rua Eugénio dos Santos e Rua das Portas de Santo Antão), bem como a nova Igreja dos Anjos inaugurada no dia 11 de março de 1910. Delineou ainda diversos coretos para a cidade como o do Jardim de São Pedro de Alcântara ou o da Avenida da Liberdade, tendo este último sido transferido em  1932 para o Jardim da Estrela onde ainda hoje pode ser visto. José Luís Monteiro construiu ainda o carro da cidade de Lisboa no Centenário do Marquês de Pombal e o pavilhão da Praça do Comércio para as comemorações do Centenário de Luís de Camões.

No distrito de Lisboa são ainda obra sua o Palácio de Conde Castro Guimarães e Casa Nova do Duque de Palmela (em Cascais), o Chalet Biester na Estrada da Pena, a Casa da Rainha D. Maria Pia no Estoril, a Casa da Condessa de Cuba em Paço de Arcos e o Palacete de veraneio dos Condes de Tomar na Cruz Quebrada, tendo ainda publicado no Anuário da sociedade dos arquitetos portugueses, de 1905 a 1910.

José Luís Monteiro deu o seu nome a um Prémio  em 1930, instituído na Escola de Belas Artes de Lisboa para distinguir alunos excepcionais do Curso de Arquitetura  e foi agraciado com o grau de Cavaleiro da espanhola Ordem de Isabel a Católica (1881) e com o grau de cavaleiro da Ordem Nacional da Legião de Honra pelo Presidente da República Francesa (1901).

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Praça do Professor de Matemática Santos Andrea

Freguesias de Benfica
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Professor de Matemática de Liceu e Universitário, Santos Andrea, dá nome a uma Praça de Benfica desde 1970 e 33 anos passados sobre a sua morte.

O topónimo foi sugerido pelo  Vereador Teixeira Bastos e concretizou-se pelo Edital municipal de 11/07/1970 num troço da Travessa da Granja, compreendido entre a Estrada de Benfica e a Rua Dr. José Baptista de Sousa.

O Prof. Santos Andrea, em 1922, lendo o elogio de Gago Coutinho e Sacadura Cabral, na cerimónia de doutoramento dos aviadores, na Faculdade de Ciências de Lisboa (Foto: Arquivo Municipal de Lisboa)

Eduardo Ismael dos Santos Andrea (Lisboa/10.11.1879 – 15.02.1937/Lisboa), filho do Oficial da Armada e Professor de Astronomia da Escola Naval Álvaro José de Sousa Soares de Andrea e de Leopoldina dos Santos, formou-se  em Matemática e começou por trabalhar no Observatório Astronómico de Lisboa, na Tapada da Ajuda, sendo que a partir de 1901 exerceu como professor liceal em Bragança, Vila Real (1903) e em Lisboa, no então Liceu Normal de Lisboa ou Liceu da Lapa e depois Pedro Nunes (1906) e no Liceu Camões (1931). Executou também compêndios de Aritmética, Álgebra, Geometria, Matemática e Trigonometria.

A partir de 1903 passou a ser também professor da Escola Politécnica de Lisboa (depois, Faculdade de Ciências de Lisboa), das disciplinas de Astronomia, Mecânica Celeste, Álgebra Superior, Cálculo Infinitesimal e Análise Superior, tendo sido catedrático em 1913. Em 1914 publicou as suas lições das cadeiras de Cálculo Infinitesimal e Análise Superior. Santos Andrea também dirigiu o Observatório Astronómico da Faculdade e criou os cursos de Aperfeiçoamento de Astronomia e de Engenheiros Geógrafos. Foi também membro do Senado da Universidade de Lisboa e do Conselho Superior de Instrução Pública.

O Professor Santos Andrea também integrou a Escola Normal Superior, de 13 de novembro de 1915 até à sua extinção em 1930, como professor de Metodologia Geral das Ciências Matemáticas, secretário e diretor.

Freguesias de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua da primeira catedrática de Química, Branca Edmée Marques

Freguesias de Alvalade
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Branca Edmée Marques  foi a primeira catedrática de Química do nosso país, em 1966, pelo que dá nome a uma artéria da Cidade  Universitária, na freguesia de Alvalade, desde 2009.

O topónimo nasceu a  partir de uma proposta do Professor José Pedro Sousa Dias, membro da Comissão Municipal de Toponímia em representação da Universidade de Lisboa e a Comissão escolheu a Rua Interior da Alameda da Universidade entre a Avenida Prof. Aníbal Bettencourt e a Avenida Gama Pinto, que a deliberação de câmara de 02/09/2009 aprovou e assim foi a Rua Branca Edmée Marques fixada pelo Edital municipal de 16/09/2009. Pelo mesmo Edital mais 3 arruamentos da zona da Universidade Clássica de Lisboa ganharam nomes de investigadores, a saber, os do matemático António Aniceto Monteiro, do geólogo Paul Choffat e da pedagoga Teresa Ambrósio.

Branca Edmée Marques (Lisboa/14.04.1899 – 19.07.1986/Lisboa), filha de Berta Rosa Marques e de Alexandre Théodor Roux, licenciada em Ciências Físico-Químicas pela Faculdade de Ciências de Lisboa no ano de 1925, começou nesse mesmo ano a ser professora dessa Faculdade, onde regeu vários cursos teóricos, entre os quais os de Químicas Orgânica e Análise Química, embora só tenha chegado a Catedrática em 1966, e foi a 1ª mulher em Portugal a atingir essa categoria na área da Química.

Ainda antes de concluir a sua licenciatura, no ano letivo de 1923-24, a convite de Aquiles Machado, estagiou no Laboratório de Química Analítica no Instituto Superior Técnico sob orientação de Charles Lepierre.   Depois, com uma bolsa atribuída pela Junta de Educação Nacional, de 1931 a 1935 fez trabalho de investigação em física nuclear no Laboratoire Curie do Instituto do Rádio, primeiro sob a orientação de Marie Curie e depois da morte desta, em 1934, sob a de André Debierne, doutorando-se em 1935 na Faculdade de Ciências de Paris, com a tese intitulada «Nouvelles Recherches sur le Fractionnement des Sels de Baryum Radifère».

Em 1936, já de volta a Portugal, foi-lhe reconhecida a equiparação do seu Doctorat d’État ao grau de Doutor em Ciências Físico-Químicas das Universidades Portuguesas em 13 de Junho de 1936, tendo criado o Laboratório de Radioquímica, que dirigiu que até à sua jubilação, o qual originaria o Centro de Estudos de Radioquímica  da Comissão de Estudos de Energia Nuclear (em 1953), o 1º centro de investigação em Química da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, hoje extinto.

Branca Edmée Marques publicou 6 trabalhos nos Comptes Rendus de l’Académie des Sciences de Paris, quatro dos quais ainda antes do seu doutoramento e em 1936 publicou 3 artigos no Journal de Chimie Physique, todos na área dos seus estudos sobre o bário radífero. Refira-se ainda que escreveu uma breve biografia de Marie Curie para a revista Ciência, e outra de Jean Perrin, a convite do Instituto Francês em Portugal, no primeiro aniversário da morte do grande cientista.

No centésimo aniversário do nascimento de Madame Curie, Branca Edmée Marques foi convidada pelo Instituto de Rádio de Paris para as cerimónias de homenagem que se realizaram na Universidade de Paris, em outubro de 1967, na qualidade de antiga colaboradora da nobelizada Maria Sklodowska Curie.

Branca Edmée Marques foi casada com o naturalista, geólogo e professor da Faculdade de Ciências António da Silva e Sousa Torres (1876-1958).

Freguesias de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua Pinto Ferreira em memória do professor da Escola Industrial Marquês de Pombal

Freguesias de Belém e Alcântara  
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Por proposta da Associação de classe dos Maquinistas Portugueses  o engenheiro e professor da Escola de Desenho Industrial Marquês de Pombal, Carlos Augusto Pinto Ferreira, ficou perpetuado  na  Rua do Novo Bairro Industrial da Quinta do Almargem como Rua Pinto Ferreira, desde a publicação do Edital municipal de 27 de maio de 1931.

Carlos Augusto Pinto Ferreira (Lisboa/1828 – 01.02.1902/Lisboa), engenheiro formado na Aula do Arsenal do Exército e no antigo Instituto Industrial e Comercial de Lisboa foi professor  e diretor do curso de máquinas da Escola de Desenho Industrial Marquês de Pombal e deixou como obra publicada o Guia de Mecânica Prática (1862), o Manual Elementar e Prático sobre Máquinas a Vapor Aplicadas à Navegação (1864), Guia do Fogueiro condutor de máquinas a vaporBreve dissertação sobre faróis (1868) e o Engenheiro de Algibeira ou compêndio de fórmulas e dados práticos (1869).

Vinte anos após a criação do Ensino Industrial em Portugal, por decreto-lei de janeiro de 1884 foi ordenada a construção de 8 escolas de Desenho Industrial, três das quais em Lisboa, sendo a de Alcântara, a Escola de Desenho Industrial Marquês de Pombal, inaugurada no dia 17 de novembro de 1884, instalada num prédio arrendado na Rua de Alcântara, sendo a escola subsidiada pelas fábricas da zona, nomeadamente a Companhia de Fiação e Tecidos Lisbonenses. Mais tarde, em 1886, a escola passou para a Rua dos Lusíadas, ainda em Alcântara, para um edifício da autoria do Arqtº Pedro d’Ávila. Em 1962, passa então a ter as instalações que ainda hoje são suas, na Rua Alexandre Sá Pinto, já na zona das Salésias, traçadas pelo Arqtº António Pedroso que fora antigo aluno da escola.

Pinto Ferreira,  para além de professor desenvolveu uma carreira como engenheiro maquinista da Armada, tendo dirigido as oficinas metalúrgicas do Arsenal da Marinha e os Serviços Técnicos de Faróis e sendo considerado um dos mais inteligentes pioneiros da indústria mecânica em Portugal, reformando-se em 12 de fevereiro de 1880. Em missão oficial, visitou as Exposições Universais de Paris de 1855 e 1867, bem como a de Londres de 1862, onde montou na exposição uma máquina de debulhar.

Em paralelo, envolveu-se no associativismo tendo participado na fundação da Associação de Socorros Mútuos dos Pedreiros, Carpinteiros e Artes Correlativas, assim como no Centro Promotor de Melhoramentos das Classes Laboriosas, criado em Alcântara em 1853. Foi ainda vice-secretário da Associação dos Engenheiros Civis Portugueses de que havia sido nomeado sócio, distinção que a Associação da Indústria Fabril também lhe concedeu, para além de ter sido agraciado com a Ordem de Torre e Espada no grau de Cavaleiro.

Freguesias de Belém e Alcântara  
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Prof. Lindley Cintra numa rua de Carnide

Freguesia de Carnide
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Por sugestão da Assembleia Municipal de Lisboa, através da sua Moção de 10 de outubro de 1991, foi o nome do Prof. Prof. Lindley Cintra,  docente de Românica e Linguística, fixado na toponímia de Lisboa, pelo Edital camarário de 19/02/1992, na Rua A da Nova Urbanização do Bairro Padre Cruz, na freguesia de  Carnide, com a legenda «Filólogo e Investigador/1925 – 1991».

Pelo mesmo edital mais 3 professores catedráticos foram atribuídos nesta zona de Carnide, a saber, na Rua Prof. Pais da Silva, a Rua Prof. Arsénio Nunes e a Rua Prof. Almeida Lima. Este núcleo toponímico de professores universitários em Carnide conta ainda com a Rua Fernando Piteira Santos,  a Rua Prof. Francisco Pereira de Moura, a Rua Jorge Vieira, a Rua Profª Maria Leonor Buescu, a Rua Professor Sedas Nunes e a Rua Prof. Tiago de Oliveira.

Luís Filipe Lindley Cintra (Espariz – Tábua/05.03.1925 – 18.08.1991/Lisboa) foi um investigador, filólogo, linguista, historiador da cultura e professor universitário na Faculdade de Letras de Lisboa, docente de Românica e Linguística desde 195o até ao seu falecimento e catedrático desde 1962, tendo também aí criado o Departamento de Linguística Geral e Românica e reformado o Centro de Estudos Filológicos.

Como investigador, dedicou-se principalmente às origens da língua portuguesa – literatura medieval, linguística românica, dialetologia – e ao espaço da língua portuguesa, da sua geografia nos nossos dias, isto é, do espaço geográfico definido como produto da expansão extraeuropeia da língua nascida do latim vulgar do Noroeste peninsular. Lindley Cintra colaborou no Atlas Linguístico da Península Ibérica e dirigiu o Glossário Medieval, destacando-se da ainda na sua obra Alguns Estudos de Fonética com base no Atlas Linguístico da Península Ibérica (1958), A Linguagem dos Foros de Castelo Rodrigo (1959),  Áreas Lexicais no Território Português (1962), os três volumes de Crónica Geral de Espanha de 1344 (1951-1961), Estudos de Dialectologia Portuguesa (1983) e com Celso Cunha a a elaboração da Nova Gramática do Português Contemporâneo (1984).

Refira-se ainda que em 1950 começou logo a colaborar no Centro de Estudos Filológicos do Instituto de Alta Cultura e, quatro anos depois, passou a dirigir o Boletim de Filologia, tal como a Revista Lusitana, para além de pertencer a diversas sociedades científicas. Foi agraciado com a Ordem da Liberdade (1983) e a  Ordem da Instrução Pública (1988).

Freguesia de Carnide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua da professora de canto e cantora lírica Maria Júdice da Costa

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC )

A cantora lírica e  professora de Canto, Maria Júdice da Costa, desde 1987 dá nome a uma rua do Bairro dos Sete Céus, na freguesia de Santa Clara.

A atribuição deste topónimo resultou de uma sugestão de topónimos para o Bairro dos Sete Céus feita pelo munícipe Manuel Cabaço, tendo a Rua Maria Júdice da Costa ficado no Impasse 5 do Bairro dos Sete Céus, a unir a Rua dos Sete Céus à Rua António Aleixo, com a legenda «Cantora/1870 – 1960», através do Edital municipal de 30 de janeiro de 1987. Nas restantes artérias do bairro ficaram os poetas Ruy Cinatti (Impasse 1), Vasco de Lima Couto (Impasse 3) e António Aleixo (Impasse 6), o músico do séc. XVII João Lourenço Rebelo (Impasse 2) e o fadista Joaquim Cordeiro (Impasse 4).

Maria Bárbara Bicker Júdice da Costa (Lisboa/12.06.1870-16.05.1960/Lisboa) foi uma atriz e cantora lírica que a partir de 1933 se tornou professora de Canto. Iniciou a sua formação artística aos nove anos no Conservatório Nacional, no curso de Piano. Contudo, um de seus professores apercebendo-se dos seus dotes vocais, convenceu-a a mudar e nos dez anos seguintes estudou Canto e  aulas de declamação com o ator João Rosa, tendo se estreado no Teatro de S. Carlos em 31 de janeiro de 1890, na ópera La Gioconda. Em junho partiu para Itália começando uma longa carreira internacional que passou por Roma, Nápoles,  Moscovo, México, Madrid, Buenos Aires, Amesterdão, Málaga, Trieste, Barcelona e Palma de Maiorca, tendo sido considerada então  a maior intérprete feminina de Wagner. Em 1933 regressou ao teatro lírico interpretando zarzuelas e óperas em três novas gloriosas temporadas no Teatro de S. Carlos.

Também no teatro dramático Maria Júdice da Costa se estreou a 30 de julho de 1921 na companhia de Amélia Rey Colaço – Robles Monteiro, na peça Os sedutores.  No ano seguinte, junto com a sua filha Brunilde, integrou a digressão ao Brasil do espectáculo A Casaca Encarnada de Vitoriano Braga, produzido pela companhia de Lucinda Simões.

No cinema, começou em 1921 no Amor de Perdição de Georges Pallu, na pele de Rita Preciosa, a que se seguiram Mulheres da Beira (1923) como Madre Abadessa e Fátima Milagrosa (1928), ambos de Rino Lupo.

Maria Júdice da Costa foi casada durante vinte anos com o barítono italiano Gugliemo Caruson, de quem teve 3 filhos, entre os quais Brunilde Júdice, também inscrita na toponímia de Lisboa.

Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do Professor de Coimbra e político, Carlos Alberto da Mota Pinto

Freguesias de Campo de Ourique e de Santo António
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Carlos Alberto da Mota Pinto foi um político e vice-reitor da Universidade de Coimbra que desde o ano do seu falecimento, através do Edital municipal de  29/08/1985, passou a dar nome a uma artéria hoje pertença das freguesias de Campo de Ourique e Santo António, que era a Rua A do plano de Reordenamento das Amoreiras, compreendida entre a Rua José Gomes Ferreira e a Avenida Engº Duarte Pacheco, com a legenda «Professor Universitário e Político/1936 – 1985».

Carlos Alberto da Mota Pinto (Pombal/25.07.1936 – 07.05.1985/Coimbra), licenciou-se  em Direito pela Universidade de Coimbra, tendo nessa instituição sido Professor catedrático desde 1975, bem como docente de Teoria Geral do Direito Civil, Direito das Obrigações, Direitos Reais  e Direito Público da Economia, tendo ainda sido Vice Reitor e Presidente do Conselho Diretivo da Faculdade de Direito, para além de ter sido também professor da Universidade Católica. É de destacar ainda o seu manual de Teoria Geral do Direito Civil.

Enquanto político, Mota Pinto junto com Francisco Sá Carneiro, Pinto Balsemão e Magalhães Mota fundou após o 25 de Abril o PPD (PSD) e foi Deputado logo na Assembleia Constituinte e depois, na Assembleia da República, tendo sido presidente do Grupo Parlamentar do PSD e mandatário nacional do candidato da AD, general Soares Carneiro, à presidência da República, em 1980. Liderou o Partido Social Democrata em 1983 a 1984, na chamada “Troika“, com Nascimento Rodrigues e Eurico de Melo, bem como a Comissão Política Nacional do partido, entre 1984 e 1985, passando depois a Presidente do partido. Foi ainda Ministro do Comércio e Turismo no I Governo constitucional de Mário Soares (25 de março de 1977 a 30 de janeiro de 1978 ), Primeiro-Ministro no  IV Governo constitucional nomeado por iniciativa presidencial de Ramalho Eanes ( 22 de novembro de 1978 a 1 de agosto de 1979) e ainda Vice-Primeiro-Ministro e Ministro da Defesa no IX Governo constitucional de Pinto Balsemão (9 de junho de 1983 a 15 de fevereiro de 1985).

Carlos da Mota Pinto foi agraciado com um Doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Coimbra (1982), a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo (1981), a Grã- Cruz da Ordem da Instrução Pública (1985, póstuma), a Grã-Cruz de Isabel a Católica (Espanha), a Grã-Cruz de Ouro da Ordem do Mérito da Áustria, a Grã-Cruz da Ordem de Danburg do Reino da Dinamarca, bem como Grande-Oficial do Mérito Civil da Itália (1985).

Freguesias de Campo de Ourique e de Santo António
(Planta: Sérgio Dias| NT

 

A Rua do professor de Liceu e pintor António Saúde

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

António Saúde, pintor e professor de Liceu, dá nome ao troço da Estrada do Calhariz de Benfica, compreendido entre a Estrada de Benfica e a Rua F, incluindo o arruamento de acesso às traseiras desta Rua e a Praceta adjacente, na Freguesia de São Domingos de Benfica, desde 1972.

Para dar resposta aos moradores desta zona que solicitavam designação para os arruamentos onde residiam a Câmara Municipal de Lisboa atribuiu pelo Edital municipal de 1 de fevereiro de 1972 a Rua António Saúde, bem como a Rua Ten. Coronel Ribeiro dos Reis na Rua F à Estrada do Calhariz de Benfica.

António Manuel da Saúde ( Lisboa/02.07.1875 – 24.12.1958/Lisboa) foi um pintor naturalista, do chamado paisagismo português, discípulo de Carlos Reis e Silva Porto,  que como professor exerceu  nos Liceus de Santarém e no Gil Vicente e Passos Manuel, em Lisboa.

Formado em Desenho e Pintura de Paisagem na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, expôs pela primeira vez em 1899, na última Exposição do Grémio Artístico. Integrou a Sociedade Silva Porto, constituída em 1900 pelo próprio António Saúde, junto com Falcão Trigoso e  Alves Cardoso, a que depois também se associaram Armando Lucena, Frederico Aires e José Campas.

Destacam-se os seus quadro Manhã de Outono – Lousa (1901), Dia de Trovoada, Chão da Serra, Ruas em Góis (1912), Arredores de Abrantes (1915), A Ponte da Ribeira de Calvos (1943), Caramulinho (1952), Praia da Rocha ou Margens do Sena.

A sua obra foi premiada em diversas exposições do Grémio Artístico, da Sociedade Nacional de Belas-Artes, tendo sido o  1º prémio Silva Porto do  Secretariado Nacional de Informação, assim como  como também o foi no Panamá, em Sevilha, no Rio de Janeiro, estando a sua obra patente no Museu de Sevilha, no Museu Nacional Soares dos Reis, no Museu Regional Grão-Vasco e no Museu do Chiado.

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)