Virgílio Correia, o arqueólogo de Conímbriga, numa Rua de São Domingos de Benfica

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Virgílio Correia, o coordenador dos trabalhos arqueológicos da cidade romana de Conímbriga entre 1930 e 1944, está inscrito como topónimo de uma artéria da freguesia de São Domingos de Benfica desde 1979, ou seja, 35 anos após o seu falecimento.

Foi pelo Edital municipal de 14 de maio de 1979 que a Rua 9 da zona a nascente da Estrada da Luz, junto ao Bairro São João, passou a ser a Rua Virgílio Correia,  que hoje liga a Rua Abranches Ferrão à Rua Tomás da Fonseca. Pelo mesmo Edital também a Rua 5 da mesma zona tornou-se a Rua Lúcio de Azevedo, fixando outro historiador.

Virgílio Correia Pinto da Fonseca (Peso da Régua/19.10.1888-03.06.1944/Coimbra) – cujo nome é por vezes também grafado como Vergílio- foi um dos arqueólogos que descobriu a cidade romana de Conímbriga, no concelho de Condeixa-a-Nova, e que aí procedeu a escavação sistemática de toda a área durante 14 anos, entre 1930 e 1944.

Virgílio Correia foi ainda um eminente historiador de arte, etnólogo e professor universitário. Nas primeiras décadas do séc. XX foi conservador de dois museus lisboetas: o Museu Etnológico Português, a partir de 1912, e o de Arte Antiga, desde 1915. Sobre Lisboa também publicou «Lisboa pré-histórica» na revista A Águia, de janeiro a março de 1913; «Oleiros e pintores de louça e azulejo, de Lisboa» na revista Atlântida de março e abril de 1918; «Azulejadores e pintores de azulejos, de Lisboa» na revistaA Águia, de maio a junho de 1918;  «Oleiros quinhentistas de Lisboa» na revista A Águia, de abril a junho de 1919, assim como revista Atlântida de junho de 1919 apresentou «Lisboa dos Azulejos». Fundou ainda em Lisboa,  em 1916, a revista Terra Portuguesa, definida pelo subtítulo de «revista ilustrada de arqueologia artística e etnografia».

Ainda em Lisboa, conseguiu uma memória triste: chegou a estar preso  oito dias no Aljube, no começo da década de 1930, acusado de apoiar o comandante Aragão e Melo, opositor à ditadura, e de dar abrigo a um refugiado político.

Virgílio Correia  licenciou-se em Direito por pressão familiar, em 1911, na Universidade de Coimbra,  mas em 1935 tornou-se por vontade própria Doutor em Letras, pela Faculdade de Letras de Coimbra, onde era professor. Primeiro, em 1921, foi docente de Estética e História da Arte,  e a partir de 1923, também de Arqueologia. Em Coimbra dirigiu ainda o Museu Machado de Castro, desde 1921 e até falecer. Fundou também a revista  Arte e Arqueologia, em 1930 e mais tarde, entre 1938 e 1944, dirigiu o Diário de Coimbra.

Destaque-se na etnografia e na história de arte, o seu vasto interesse desde o carro de bois à talha barroca, expresso nos seus dois volumes do Inventário Artístico de Portugal, em que a fotografia desempenhou um papel primordial. Nas Acta Universitatis Conimbrigensis foram editadas as suas obras, em cinco volumes : o 1.º volume (1946), Estudos de história da arte: arquitectura (1949), Estudos de história da arte: escultura e pintura (1953),  Estudos arqueológicos (1972) e Estudos monográficos (1978).

Virgílio Correia pertenceu à Academia Nacional de Belas-Artes, à Academia Portuguesa da História, ao Instituto Arqueológico Alemão e à Academia de História de Madrid.

Vergílio dos Cacos como lhe chama o escritor Miguel Torga no seu Diário, foi um acérrimo defensor dos valores republicanos da liberdade e do acesso à educação e à cultura, maçon e agnóstico, que foi galardoado em 3 de abril de 1920 com o Oficialato da Ordem Militar de Santiago da Espada. Morreu aos 55 anos em Coimbra, na sequência de uma queda do elétrico e o Município de Condeixa-a-Nova criou o Centro de Estudos Vergílio Correia. O seu nome está também na toponímia de Coimbra e Lamego, assim como na sua terra natal,  em Peso da Régua, como como Rua Professor Vergílio Correia.

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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Fonseca Benevides, o homem do Ensino Industrial que fez a história do Teatro São Carlos

Freguesia da Ajuda
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Francisco da Fonseca Benevides, o homem do Ensino Industrial também tomou por paixão o papel de historiador  ao fazer a história do Teatro São Carlos e das Rainhas de Portugal, estando desde 1978 na memória toponímia da freguesia da Ajuda com a legenda «Físico e Historiador/1835 – 1911».

A Rua Fonseca Benevides vai da Rua do Casalinho da Ajuda à Rua do Sítio do Casalinho à Ajuda e ficou com o espaço da Rua C ao Casalinho da Ajuda desde a publicação do Edital municipal de 10 de agosto de 1978. Em 22 de maio de 1978, atendendo aos pedidos dos moradores locais, a Comissão Municipal de Toponímia foi de parecer que o nome de Fonseca de Benevides fosse atribuído em substituição da Rua Roy Campbell, por este último topónimo não ser funcional num bairro de características populares. Contudo, tal parecer nunca chegou a ser homologado e no mês de agosto desse ano foi atribuído um novo arruamento para o topónimo Rua Fonseca Benevides que é este onde ainda hoje permanece.

Francisco da Fonseca Benevides (Lisboa/28.01.1835 -19.05.1911), filho do Dr. Inácio António da Fonseca Benevides, concluiu o curso da Escola Politécnica de Lisboa e nesse mesmo ano de 1851 ingressou na Marinha como aspirante, onde ficou até 1856, tendo nessa altura completado também o curso da Escola Naval em 1853 e feito algumas viagens a bordo de navios de guerra.

Depois, foi o ensino industrial que prendeu a sua atenção.  Em 1854 passou a ser professor de Física do Instituto Industrial de Lisboa, bem como de Hidrografia, de que foi também diretor na década de 90 oitocentista. Na Escola Naval de Lisboa foi docente de Mecânica e Artilharia (1865). Também desempenhou funções de Inspetor das Escolas Industriais de Portugal em 1884. Colaborou até em vários projetos de reforma este ensino, sobretudo no de Emídio Navarro apresentado em 1891. E ainda fundou o Museu Tecnológico do Instituto Industrial de Lisboa. Neste contexto publicou Curso de artilharia da Escola Naval: descrição do material de guerra (1858), Curso elementar de Física, contendo algumas noções de mecânica, e aplicações cientificas e industriais (1863), Tratado elementar de electricidade e magnetismo, contendo numerosas aplicações às ciências, artes e industria Princípios de óptica, e suas aplicações aos instrumentos, aos faróis, à fotografia, aos efeitos teatrais, etc. (ambos em 1868).

Deste modo fez também parte das Comissões encarregadas de estudar as exposições Internacional do Porto (1856) e Universal de Paris (1867). Refira-se ainda que em agosto de 1869 sob os auspícios da Academia Real das Ciências, onde tinha sido admitido três anos antes, publicou Descrição dum novo aparelho para a demonstração das propriedades físicas dos vapores que foi denominado de Benevides e que também foi referido em revistas de Paris e de Madrid.

Mas a sua ligação à história de Lisboa, à olisipografia, opera-se em 1883 com a edição de O Real Teatro de S. Carlos de Lisboa, estudo histórico, a historia deste teatro desde a sua fundação, com muitos retratos, cromos e outras ilustrações, sendo que em 1902 saiu uma segunda parte com o movimento do teatro até este ano. Já em 1878 e 1879 dera a lume os dois volumes de Rainhas de Portugal. Recorde-se que em 1894 também publicou um romance histórico com o título No tempo dos franceses.

Fonseca Benevides foi agraciado com os graus de Cavaleiro da Ordem de Cristo (1862), Cavaleiro da Ordem de Santiago (1866) e Comendador da Ordem de Cristo (1867), bem como Cavaleiro de S. Maurício e de S. Lázaro de Itália.

Por documentação do Arquivo Municipal de Lisboa sabe-se que em 30 de setembro de 1908 comprou a Maria José Pombal e Silva e seu marido Henrique Ferreira, um jazigo no Cemitério dos Prazeres.

Francisco da Fonseca Benevides também se encontra na toponímia de Porto Salvo (Oeiras) e da Amadora.

Freguesia da Ajuda
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

O arqueólogo vimaranense da Citânia de Briteiros, Martins Sarmento, numa Rua da Penha de França

Freguesia da Penha de França
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O  arqueólogo Martins Sarmento, o investigador da Citânia de Briteiros no último quartel do séc. XIX – a principal referência da cultura castreja em Portugal que foi referência internacional – e pioneiro da fotografia científica, dá nome a uma artéria da Penha de França, entre a Rua Mestre António Martins e a Travessa do Calado, desde 1933.

Foi pelo  Edital municipal de 18 de julho de 1933 que foi atribuída a Rua Martins Sarmento, na Rua nº 5 do Olival do Monte Alperche à Penha de França, tendo na Rua nº 4 ficado outro arqueólogo na Rua Estácio da Veiga e nas Ruas nº 3 e nº 6 as dos geólogos:  Rua Carlos Ribeiro e Rua Néry Delgado. Neste bairro foram então também estabelecidos os seguintes topónimos: Rua Conde de Monsaraz (Rua nº 1), Rua Cesário Verde (Rua nº 2), Rua Visconde de Juromenha (Rua nº 7) e Rua Padre Sena de Freitas (Rua nº 8).

O Occidente, 30 de agosto de 1899

Francisco Martins de Gouveia de Morais Sarmento (Guimarães/09.03.1833 – 09.08.1899/Guimarães), bacharel em  Direito por  Coimbra, foi sobretudo um homem de sólida cultura que se notabilizou como  arqueólogo pela descoberta  e metódica investigação de 1874 a 1879 da Citânia de Briteiros, sítio arqueológico da Idade do Ferro próximo de Guimarães e junto ao solar paterno, a Casa da Ponte. Martins Sarmento trabalhou também no Castro do  Sabroso a partir de 1877, assim como em inúmeros sítios arqueológicos do Noroeste de Portugal. Destaquem-se as sua obras Ora marítima [de] R. Festus Avienus : estudo deste poema na parte respectiva à Galiza e Portugal (1880), Os Lusitanos (1880), Os argonautas : subsídios para a antiga historia do ocidente (1887), Lusitanos, Lígures e Celtas (1893).

Nascido numa família abastada, filho de Francisco Joaquim de Gouveia de Morais Sarmento e de Joaquina Cândida de Araújo Martins da Costa, conseguiu promover reuniões em Guimarães, como a célebre Conferência da Citânia, em 1877, assim como acolher o grupo de congressistas europeus que em 1880 se deslocou ao então remoto Vale do Ave para visitar a Citânia de Briteiros.

Foi igualmente importante ter-se dedicado à fotografia a partir de 1868, o que junto com a arqueologia o revelou como pioneiro da fotografia de carácter científico, tendo deixado centenas de negativos em vidro, na sua maior parte de temática arqueológica. Escreveu também sobre esta área entre 1868 e 1876, escritos que foram publicados em 2012 sob o título de Cadernos de Fotografia de Martins Sarmento.

Em 1882, um grupo de vimaranenses fundou em Guimarães,  a Sociedade Martins Sarmento, em cujo museu – criado em 1885  – se conservam uma grande parte dos objectos arqueológicos por si encontrados e à qual o arqueólogo legou inúmeros bens em testamento.

Martins Sarmento também se dedicou à poesia ultra-romântica, com títulos como Poesias (1855), para além de colaborar em revistas e jornais científicos como as revistas Renascença e O Pantheon ou o semanário Branco e Negro.

Martins Sarmento foi casado com Maria de Freitas Aguiar e condecorado pelo Governo francês com a Legião de Honra, assim como está homenageado com o seu nome numa Escola Secundária de Guimarães, bem como surge como Martins Sarmento  na toponímia de Oliveira do Castelo (Guimarães), Ronfe (Guimarães), Serzedelo (Guimarães), Braga, Porto, São Martinho (Trofa), Valongo, Amadora e Fernão Ferro,  tal como enquanto  Francisco Martins Sarmento está nos topónimos das  Caldas das Taipas (Guimarães), Salvador de Briteiros (Guimarães), Póvoa de Varzim e Agualva-Cacém.

Freguesia da Penha de França
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

O Largo Luís Chaves, etnógrafo de «Lisboa nas Auras do Povo e da História»

Freguesia do Lumiar
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Com a legenda «Etnógrafo/1889 – 1975» foi atribuído o topónimo Largo Luís Chaves na Rua DC à Avenida Rainha Dona Leonor e Impasse CD, na Quinta das Mouras, através do Edital municipal de 20 de novembro de 1978, ficando assim a ligar a Avenida Rainha Dona Amélia à Avenida Rainha Dona Leonor.

O mesmo Edital colocou na Rua B da Quinta das Mouras a Rua Mário Sampaio Ribeiro, para homenagear um historiador e musicólogo.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Luís Rufino Chaves Lopes (Chaves/09.05.1888 – 09.01.1975 ou abril/Lisboa), formado em Estudos Matemáticos pela Escola Politécnica de Lisboa e pela Universidade de Coimbra, notabilizou-se como  etnógrafo e arqueólogo, autor dos  quatro tomos de Lisboa nas Auras do Povo e da História – Ensaios de Etnografia.

Como etnólogo, desde 1912 desempenhou funções no Museu Etnológico Dr. Leite de Vasconcelos (hoje, Museu Nacional de Arqueologia), primeiro como preparador do Museu. Logo no ano seguinte foi encarregue do prosseguimento dos trabalhos arqueológicos que decorriam em Outeiro da Assenta (Óbidos) e em Santa Vitória do Ameixoal (Estremoz), entre 1915 e 1916. Também realizou pesquisa etnográfica de que resultou a publicação em 1916 de  Os Barristas de Estremoz (séc. XVIII-XX) (1916), Etnografia alentejana – o rancho da azeitona (Estremoz e Elvas), Folclore de Santa Vitória do Ameixoal (Estremoz) e no ano seguinte de Arte popular no Alentejo: os ganchos de meia de barro de Estremoz (séc.XX), tendo-se centrado no estudo da arte popular. Em 1916, Luís Chaves passou a Conservador interino embora as suas ligações aos ideais monárquicos tenham contribuído para o seu afastamento do Museu em 1919, ao qual regressou em 1931, após concurso público para Conservador, ocupando o lugar de Manuel Heleno quando este passou a ser o diretor do Museu. Assim permaneceu até 1957, data da sua aposentação.

No entretanto, revelou-se uma figura central na Etnografia como colaborador oficial da atividade folclorista do Secretariado de Propaganda Nacional (SPN/SNI), no âmbito da política do Estado Novo: integrou a Comissão de Etnografia Nacional; participou nas iniciativas desenvolvidas pelo SPN/SPI, como o Concurso da Aldeia mais Portuguesa de Portugal (1938) e o Centro Regional da Exposição do Mundo Português (1940), sendo também autor de uma parte significativa das obras editadas neste contexto; organizou a Exposição de Arte Popular Portuguesa  em 1936 e o seu catálogo, em colaboração com o etnógrafo Cardoso Marta com quem, dois anos mais tarde participou nos trabalhos de instalação do Museu de Arte Popular, sobre o qual escreveu  O Novo Museu de Arte Popular (1948).

Deixou ainda obra publicada  na revista O Arqueólogo Português, assim como dirigiu em 1940,  com Francisco Lage e Paulo Ferreira, Vida e Arte do Povo Português, para além de manter durante vários anos na Revista Ocidente, uma crónica intitulada Nos Domínios da Etnografia Portuguesa, e participado regularmente no Mensário das Casas do Povo. Publicou ainda Páginas Folclóricas (1942)Folclore Religioso (1945), O Povo Português através da Etnografia e das Tradições Artísticas (1946).

Paralelamente, foi  Vice-Presidente do Instituto Português de Arqueologia, História e Etnografia até 1964, instituição que representou na Junta Nacional de Educação, assim como trabalhou como bibliotecário da Casa Cadaval. Foi também professor  de Matemática do Colégio Académico, cuja direção chegou a integrar, tal como da cadeira de História de Arte e Iluminura do Curso Superior de Bibliotecário Arquivista, bem como do Estágio para Conservadores dos Museus, Palácios e Monumentos Nacionais.

Na política foi monárquico, membro do chamado «Grupo dos Cinco», com Alfredo Pimenta, Caetano Beirão, Alberto Ramires dos Reis e Mateus de Oliveira Monteiro, que fundaram a Ação Realista Portuguesa em julho de 1921, que além do mensário com o nome da organização publicava também o semanário A Voz Nacional que Luís Chaves dirigiu.

Inauguração da Rotunda Nelson Mandela na véspera dos seus 100 anos

De hoje a uma semana, ao meio-dia de 17 de julho próximo, véspera do centenário de nascimento de Nelson Mandela – o Mandela Day designado pela ONU – , será inaugurada na Freguesia do Lumiar, a Rotunda Nelson Mandela, com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina e da Vereadora da Cultura e Relações Internacionais, Catarina Vaz Pinto.

Nelson Mandela (18.07.1918 – 05.12.2013), antigo presidente da África do Sul e o primeiro Presidente Negro desse país, foi um conhecido ativista anti-apartheid que foi galardoado com o prémio Nobel da Paz em 1993, tento dedicado a sua vida à luta contra a discriminação racial e as injustiças sobre a população negra.

Advogado e ativista do Congresso Nacional Africano, Nelson Mandela foi preso em 1962, numa altura em que o regime de apartheid na África do Sul intensificava a sua campanha brutal contra os opositores políticos e tendo então com 44 anos, passou os 28 anos seguintes na prisão, sendo libertado apenas a 11 de fevereiro de 1990.

O historiador da cartografia portuguesa, Avelino Teixeira da Mota, numa Avenida de Lisboa

Freguesia de Marvila
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Avelino Teixeira da Mota, historiador da cartografia portuguesa a quem o jornalista Norberto Lopes apelidou de «Um Sábio Ignorado», está inscrito na toponímia de Lisboa, numa Avenida de Marvila, passados que eram dois anos  sobre o seu falecimento, através do Edital municipal de 28 de fevereiro de 1984.

Resultado de imagem para avelino teixeira da mota Reflexos do Tratado de Tordesilhas na Cartografia Náutica do Século XVI Avelino Teixeira da Mota (Lisboa/22.09.1920 – 10.04.1982/Lisboa), filho de Avelino da Mota e de Isaura Teixeira, estudou na Escola Primária Oficial N.º 44 e seguiu para o Liceu Passos Manuel até 1938 e nesse mesmo ano, entrou para a Faculdade de Ciências para frequentar as disciplinas necessárias à admissão na Escola Naval (Álgebra, Física, Química e Desenho), onde foi aceite em 15 de setembro de 1939 e assim assentou praça na Armada. Terminado o curso em 1943 ficou com o posto de Segundo Tenente.

Como oficial da Marinha, esteve na Guiné (de 1945 e 1957), primeiro como Ajudante-de-campo do Governador da Guiné, Sarmento Rodrigues, para de 1948 a 1957 integrar a Missão Geo-Hidrográfica da Guiné . Foi também deputado pela Guiné, entre 1957 e 1961. A partir de 1953 foi também incumbido de realizar o inventário e reprodução fotográfica da cartografia antiga portuguesa dos territórios ultramarinos e a partir de 1958, passou a dirigir o Centro de Estudos de Cartografia Antiga da Junta de Investigações do Ultramar, até 1982. Em 1964, era Vogal do Conselho Ultramarino e em 1970 e 1971, foi o chefe do estado-maior do Comando Naval de Angola. Passou à reserva no ano de 1976, quando era presidente do Tribunal da Marinha, no posto de contra-almirante.

Avelino Teixeira da Mota exerceu também como docente, na Escola Naval de 1959 a 1964 e, na Faculdade de Letras de Lisboa,  de 1965 a 1969, como professor de História da Expansão Portuguesa. Com Armando Cortesão, publicou em 1960 duas obras: Portugaliae Monumenta Cartographica Tabularum Grographicarum Lusitanorum Specimen. Da sua obra publicada sobressaem Dom João de Castro, navegador e hidrógrafo (1949), Fernão Vaz: explorador ignorado do Golfo da Guiné e Topónimos de Origem Portuguesa na Costa Ocidental de África desde o Cabo Bojador ao Cabo de Santa Catarina (ambos em 1950), Cinco séculos de cartografia das Ilhas de Cabo Verde (1961), A Cartografia Antiga da África Central e a Travessia entre Angola e Moçambique 1500-1860 (1964), O cosmógrafo Bartolomeu Velho em Espanha (1966), Evolução dos roteiros portugueses durante o século XVI (1969), D. João Bemoim e a expedição portuguesa ao Senegal em 1489 (1971), A África ocidental em Os Lusíadas (1972), Duarte Coelho, capitão-mor de Armadas no Atlântico (1531-1535) (1972), Reflexos do Tratado de Tordesilhas na Cartografia Náutica do Século XVI (1973), A África no planisfério português anónimo “Cantino”: 1502 (1977), Acerca de algumas recentes reuniões internacionais de interesse para a História Marítima (1977) e postumamente, Bartolomeu Dias: Descobridor do Cabo de Boa-Esperança (1988).

Pertenceu a várias instituições nacionais e estrangeiras, entre as quais foi membro da Academia Portuguesa de História, a partir de 1954, sócio da Academia das Ciências de Lisboa desde 1959, académico da Academia  Portuguesa de História (1962), bem como Presidente da Comissão do Infante D. Henrique da Sociedade de Geografia e da Academia de Estudos da Marinha (1979 a 1982).

Para além de Lisboa, Teixeira da Mota está homenageado na toponímia de Oeiras e de Lagos.

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

 

A Praça Afonso do Paço, do militar por profissão e arqueólogo por paixão

Freguesia de Campo de Ourique
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

No ano seguinte ao seu falecimento, pelo Edital de 29 de janeiro de 1969, a edilidade lisboeta homenageou na sua toponímia o militar de carreira e arqueólogo por paixão Afonso do Paço, responsável pela escavação da estação calcolítica de Monsanto na década de quarenta, através de uma Praça situada na confluência da Rua Pereira e Sousa e da Rua Francisco Metrass, vulgarmente conhecida por Praceta da Vila Benitez, em Campo de Ourique.

Afonso do Paço em 1969
(Foto: João Marques de Oliveira, Arquivo Municipal de Lisboa)

Manuel Afonso do Paço (Viana do Castelo – Outeiro/30.11.1895 – 29.10.1968/Estoril) foi um militar de carreira que se apaixonou pela arqueologia, área pela qual ainda hoje é  evocado, muito pelo estudo das estações paleolíticas e epipaleolíticas do litoral, domínio de estudos que continuou a tratar ao longo dos anos, sobretudo com o padre Eugénio Jalhay. Em 1944, ambos e o Dr. Leonel Ribeiro, fizeram em Lisboa a escavação da estação calcolítica de Monsanto, recolhendo um enorme espólio cerâmico (sobretudo, campaniforme) e lítico, de machados polidos e pontas de sílex. Ainda com Eugénio Jalhay, procedeu à escavação  do povoado calcolítico fortificado de Vila Nova de São Pedro, iniciada por ambos em 1937 até ao falecimento de Jalhay – em 1950 – e depois prosseguida apenas por Afonso do Paço até falecer, mesmo se as autoridades oficiais da época jamais tivessem reconhecido como relevante a investigação daquele morro pré-histórico, mesmo se os resultados publicados a nível internacional fizessem acorrer às escavações os mais importantes pré-historiadores da época. Também pesquisou em Sanfins (Paços de Ferreira) e participou em duas expedições arqueológicas (1958 e 1960) ao sítio onde se deu a Batalha de Aljubarrota, Campo de São Jorge, em que se identificaram cerca de 830 estruturas denominadas covas de lobo, armadilhas para a cavalaria, junto à Capela de São Jorge. Destas escavações resultaram as publicações Necrópole de Alapraia (1955), Tesouro Monetário da Citânia de Sanfins (1955) e Castro de Vila Nova de S. Pedro : campanha de escavações de 1956.

Afonso do Paço também estudou do património etnográfico de Viana do Castelo, centrando-se  no traje, sendo assim autor das obras Contribuição para o estudo do trajo popular dito «à lavradeira» no concelho de Viana do Castelo (1925), O trajo “à lavradeira” (de Outeiro a Perre em especial e das outras aldeias em geral) (1930), Mordomarias (1932) e O trajo popular do Minho – Do trajo “à lavradeira” em geral e do de “Santa Marta” em especial. De igual modo, interessou-se pelo estudo e recolha da tradição oral, sobretudo do cancioneiro popular português, com recolha de quadras populares que compilou no Cancioneiro de Viana do Castelo (1928), Lisboa no Cancioneiro Ribatejano (1948) e no Cancioneiro popular ribatejano: Contribuição de Vila Nova de S. Pedro (1952).

Afonso do Paço estudara Filologia Românica na Faculdade de Letras de Lisboa e em 1917 foi também oficial de infantaria, tendo mesmo combatido na Flandres  no decorrer da I Guerra Mundial- integrado no 4.º Grupo de Metralhadoras Pesadas – e sido feito prisioneiro pelos alemães na Batalha de La Lys, em 9 de abril de 1918. Alcançou o posto de Tenente Coronel e chegou a ser condecorado com a Cruz de Guerra de 2.ª Classe, duas “fourragères” da Cruz de Guerra e a medalha da Victória. Regressou a Portugal a 16 de janeiro de 1919 e a partir de 1924, estava colocado como funcionário da Administração Militar e foi como oficial do Exército que assegurou o seu sustento e o de sua família. Em 1925 foi professor provisório do Colégio Militar e depois, Tesoureiro da Inspeção do Serviço Telegráfico Militar e Chefe da Contabilidade do Batalhão de Telegrafistas (Braga). Também produziu estudos sobre a história e a vida militar como Linguagem da Malta (1924), Gírias Militares Portuguesas (1926), Cartas às Madrinhas de Guerra (1929), Da Influência da Guerra no Léxico Português (1931), A vida Militar no Rifoneiro Português (1934-1936) ou As Comunicações Militares de Relação em Portugal – Subsídios para a sua história (1938).

Em 1969, Afonso do Paço foi homenageado  na Associação dos Arqueólogos Portugueses com a Câmara Municipal de Lisboa. Está também na toponímia de Paços de Ferreira, de Sanfins de Ferreira, de Cascais, do Estoril, da Sobreda (Almada) e de Setúbal como Afonso do Paço, bem como surge como  Tenente Coronel Afonso do Paço no nomes das artérias da sua terra natal, tanto em Outeiro como em Viana do Castelo.

Freguesia de Campo de Ourique
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Alameda Padre Álvaro Proença, na freguesia que estudou e onde foi pároco

Freguesia de Benfica
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O Padre Álvaro Proença permanece ainda nos nossos dias ligado a Benfica, por aí ter sido pároco durante 28 anos, por se ter debruçado sobre a história da Freguesia, e por lá continuar na Alameda com o seu nome, entre a Rua das Garridas e a Avenida Grão Vasco, estabelecida em 1984 pelo Edital municipal de 28 de fevereiro.

O Padre Álvaro Proença (Lisboa/12.08.1912 – 10.05.1983/Lisboa) dedicou-se à olisipografia da Freguesia de Benfica, nomeadamente através do estudo que deu a lume com o título Benfica através dos tempos (1964). Já antes, tendo sido pároco de Loures a partir de 1936, também publicou Subsídios para a História do Concelho de Loures (1940) e ainda, Como o Povo reza (1941).

O Reverendo Padre entrou para o Seminário de Santarém em outubro de 1923 e na maior parte da sua vida de sacerdote exerceu no concelho de Lisboa, quer como professor e capelão da Casa Pia de Lisboa ( a partir de 1942), quer como Reitor da Igreja da Madre de Deus ( desde 1942) e professor da Escola Industrial Afonso Domingues, quer como capelão da Marinha quer como pároco na igreja de Nossa Senhora do Amparo de Benfica, durante quase 28 anos,  entre janeiro de 1955 e a data da sua morte em 1983, paróquia onde desenvolveu uma extraordinária obra religiosa, social e cultural, por nela ter criado o Salão de Festas, o Centro Paroquial, o Centro Social, o Jardim Infantil e o Refeitório, sem esquecer o Boletim da Família Paroquial. O Padre Álvaro Proença foi ainda o prior da então nova freguesia de São Domingos de Benfica, de 1959 a 1963, a funcionar na Igreja de Nossa senhora do Rosário no antigo Convento de São Domingos de Benfica, legado que passou ao padre Carlos dos Santos.

No Adro da Igreja de Benfica foi em 1984 erigido um busto de bronze do Padre Álvaro Proença, da autoria do escultor António Duarte e a Escola Básica do 1.º ciclo sediada no nº 535 da Estrada de Benfica também tem o nome do Padre Álvaro Proença, que em termos de toponímia também se encontra presente numa praceta do Casal de São Brás (Amadora) e numa rua em Loures.

Freguesia de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Junto à Torre do Tombo, a rua do historiador A. H. de Oliveira Marques, da História de Portugal

Freguesia de Alvalade
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Mais conhecido junto dos portugueses como o autor da História de Portugal recomendada no ensino secundário, o historiador A. H. de Oliveira dá o seu nome a uma artéria da Cidade Universitária junto à Torre do Tombo –  a Rua Prof. Oliveira Marques – desde a publicação do Edital municipal de 2 de agosto de 2013.

Freguesia de Alvalade
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

António Henrique Rodrigo de Oliveira Marques (São Pedro do Estoril/23.08.1933 – 23.01.2007/Lisboa) tinha uma paixão pela História que o fez construir-se como um historiador, especialista em História Medieval portuguesa, pioneiro na sua vertente económica e social, bem como em História Contemporânea da I República de um ponto de vista estruturalista, para além de ter introduzido em Portugal como temas históricos a vida quotidiana, a urbanização medieval, as técnicas, o clima ou a Maçonaria Portuguesa, tendo sido ainda responsável pela adaptação ao caso português dos conceitos de Feudalismo e de Fascismo, sendo aqui de destacar as suas obras A Sociedade Medieval Portuguesa (1959), Introdução à História da Agricultura em Portugal (1962), Afonso Costa (1972), A Maçonaria Portuguesa e o Estado Novo (1975), Guia da História da 1ª República Portuguesa (1981), História da Maçonaria em Portugal (1990). Refira-se que foi também o autor da primeira História de Lisboa em banda desenhada (1998-2000), com desenhos de Filipe Abranches .

O Prof. Oliveira Marques foi também o primeiro diretor da Biblioteca Nacional de Lisboa após o 25 de Abril de 1974 – a partir de outubro e até abril de 1976-, por despacho do então Ministro Vitorino Magalhães Godinho e como docente trabalhou na Faculdade de Letras de Lisboa (de 1957 até 1962, tendo sido afastado por ter participado na greve académica ao lado dos estudantes), nas Universidades americanas de Auburn, Flórida, Columbia, Minnesota e Chicago (de 1965 a 1970) e a partir de julho de 1976, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova, nos departamentos de História, Estudos Alemães, Ciência Política e Relações Internacionais, tendo ainda sido o primeiro presidente da Comissão Instaladora desta Faculdade, onde também fundou o Centro de Estudos Históricos (CEH) em 1980 e desempenhou as funções de presidente do Conselho Científico (de 1981 a 1984 e de 1984 a 1986).

Este professor catedrático estudou nos liceus Camões e Gil Vicente e licenciou-se em 1956 em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa com a dissertação «A Sociedade em Portugal nos séculos XII a XIV», após o que estagiou na Universidade de Wufrzburg (Alemanha), tendo feito o seu doutoramento  em História no ano 1960, na Faculdade de Letras de Lisboa, com a tese «Hansa e Portugal na Idade Média».

Oliveira Marques foi agraciado com o doutoramento honoris causa pela Universidade de La Trombe em Melbourne (Austrália) e a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade (1998).

Em Lisboa está também homenageado na Escola Básica Professor Oliveira Marques, na Calçada das Lajes e na toponímia portuguesa consta ainda num Jardim de São Pedro do Estoril.

Freguesia de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)