A Rua do fadista humorístico Joaquim Cordeiro

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Cinco anos após o seu falecimento,  o fadista humorístico Joaquim Cordeiro passou a dar o seu nome a uma artéria do Bairro dos Sete Céus, na freguesia de Santa Clara, em 1987, a partir de uma sugestão de um munícipe.

O munícipe Manuel Cabaço, indicou vários nomes para se preencher a toponímia do Bairro dos Sete Céus e assim, o Impasse 4 do Bairro dos Sete Céus passou a ser a Rua Joaquim Cordeiro pelo Edital municipal de 30 de janeiro de 1987. Pelo mesmo edital a Câmara lisboeta atribuiu mais 5 topónimos nesse Bairro, sendo quatro provenientes da sugestão já referida: os dedicados ao poeta Vasco de Lima Couto (Impasse 3) cujos poemas serviram muitos fados, ao poeta popular Rua António Aleixo (Impasse 6), à cantora lírica Maria Júdice da Costa (Impasse 5) e ao músico setecentista João Lourenço Rebelo (Impasse 2). Somou-se ainda o poeta Ruy Cinatti (Impasse 1) para denominar o arruamento restante já que da sugestão inicial do munícipe não foi aproveitado o nome de Adriano Correia de Oliveira.

Joaquim dos Anjos Cordeiro (Lisboa/20.03.1903 ou 1904-18.11.1982/Faro), por alguns considerado o fadista mais popular de Lisboa, impôs-se no fado da década de quarenta do séc. XX ao mudar-se  do fado castiço para o fado humorístico e jocoso,  com um estilo próprio, por influência de Vasco Santana. Cantava fados como Belchior no JapãoBendito seja o descansoBom Conselho, Casa Bera (versão cómica de Uma Casa Portuguesa), Estranha Vida do Diabo (reformulação de Estranha Forma de Vida), Guitarra não os acordes,  O Homem que sabia demaisNão me falem da SeveraÓ Rita Volta p’ra Casa ( uma hilariante versão de O Tempo Volta para Trás), No Tasco do Zé Pinguinhas (versão da Casa da Mariquinhas), Reza-te a sina, Trabalho, vai-te embora ( a partir da Saudade vai-te embora de Tony de Matos),  O vinho mora em LisboaZé Caloteiro (uma versão jocosa do  Fado do Cacilheiro) ou Zé Vigarista.

Joaquim Cordeiro começou a cantar fado em retiros e tascas alfacinhas com 11 anos de idade, mas após a morte da mãe, foi viver com o seu tio Carlos Cordeiro, sapateiro e poeta popular, que lhe ensinou o ofício e lhe deu algumas das  letras que depois virá a cantar em fado. Cumprido o serviço militar no país e em Angola (1927-1929) começou a sua carreira profissional de fadista em 1929, no Bar Anjos e no Café Luso. Em 1931, mudou-se para Olhão embora em 1943 tenha regressado a Lisboa. Ganhou o epíteto de «Rei do Riso» e apresentou-se em várias casas de fado, como o Retiro dos Marialvas e o Café Latino, contando com António Chainho e Carlos Gonçalves entre os guitarristas que o acompanharam. Nos letristas, usou mais Aureliano Lima da Silva, Armando Coutinho Dias e Domingos Gonçalves Costa. Colaborou com a Emissora Nacional nos Serões para Trabalhadores, assim como com a RTP, tendo ainda integrado os agrupamentos Estrelas de Portugal e Caravana de Vedetas que promoveram espetáculos em Portugal, Angola e Moçambique.

Numa outra faceta, Joaquim Cordeiro coordenava uma festa de beneficência da Associação Os Amigos do Minho, para angariar fundos para as crianças necessitadas, que se realizava anualmente no dia 8 de dezembro e em cujo elenco artístico costumava incluir Fernando Maurício, Amélia Maria, David José, Fernando Manuel, Joaquim Silveirinha, José Gomes e Tristão da Silva (pai). Sabe-se também que foi ele que em 1955 inscreveu Julieta Estrela no concurso Rainhas das Cantadeiras e Ases do Fado, organizado pelo jornal A Voz de Portugal, que ela ganhou (ex-aqueo com Florinda Maria) e assim também a carteira profissional.

Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua Maestro Raúl Ferrão da popular tendinha

Freguesia de Benfica
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Raúl Ferrão, o compositor da lisboeta A tendinha celebrizada por Hermínia ou Amália, está perpetuado numa Rua do Bairro de Santa Cruz de Benfica, desde 1969 e dezasseis anos após a morte do maestro.

A sugestão de topónimo partiu do próprio Presidente da CML de então, António Vitorino França Borges, tendo o  Edital municipal de 10 de abril de 1969 atribuído a Rua Maestro Raúl Ferrão à Rua 6 do Bairro de Santa Cruz. O mesmo Edital também deu topónimo às restantes ruas do Bairro de Santa Cruz, correspondendo à solicitação da Junta de Freguesia de Benfica já feita em 25 de março de 1966, tendo sido escolhidos para o efeito o nome de 2 militares, 4 atores, 7 jornalistas e escritores, um escultor, um médico e um benemérito, a saber: a Rua Comandante Augusto Cardoso, a Rua Coronel Campos Gonzaga, a Rua Actor Alves da Cunha, a Rua Actor Estêvão Amarante, a Rua Actor Nascimento Fernandes, a Rua Actor Vasco Santana, a Rua Alfredo Pimenta, a Rua Dr. Cunha Seixas, a Rua Eduardo Schwalbach, a Rua Helena de Aragão, a Rua Irene Lisboa, a Rua Jaime Brasil, a Rua Moreira de Almeida, a Rua Júlio Vaz Júnior, a Rua Dr. José Alberto de Faria e a Rua Albino Sousa Cruz.

Raul Ferrão (Lisboa/25.10.1890 – 30.04.1953/Lisboa) era um oficial de artilharia que em paralelo desenvolveu uma carreira de compositor e maestro de música ligeira produzindo para centenas de revistas, operetas, marchas populares e até para alguns filmes como a Canção de Lisboa (1933), a Maria Papoila (1937), Aldeia da Roupa Branca e Varanda dos Rouxinóis (ambos de 1939). Os seus dois temas mais populares foram o fado «A Tendinha» e a canção «Coimbra» (também conhecida como «Avril au Portugal»), que ainda hoje nos assomam à memória. Todavia, também foram êxitos na época inúmeros fados ou canções da sua autoria como «Adeus», «O Balãozinho»«Campino», «Canção de Alcântara», «Carta de um Soldado», «O Cochicho»«Fado das Caldas», «Fado do Marinheiro», «Fado da Melancia», «Lá vai Lisboa»«Lisboa não sejas francesa»«Madragoa», «Maldito Fado», «Maria Severa», «Não Gosto de Ti», «Rosa Enjeitada», «Só à noitinha»ou «Velho Friagem» .  Somou também as vozes de Alberto Ribeiro, Amália, Beatriz Costa, Carlos Ramos, Fernando Farinha, Hermínia, José Pracana, Júlia Barroso, Lucília do Carmo, Maria Clara, Maria da Fé, Maria Teresa de Noronha, Max, Nuno da Câmara Pereira ou Vicente da Câmara, como intérpretes das suas composições.

Raúl Ferrão foi um militar de carreira que frequentou o Colégio Militar e alcançou o posto de tenente-coronel do Exército, tendo sido ainda professor na Escola de Guerra (1917 e 1918), depois de ter cumprido comissões de serviço em África durante a I Guerra Mundial. Foi agraciado com a Comenda da Ordem de Mérito Industrial (1932) e a Comenda da Ordem Militar de Avis (1935), assim como recebeu em 1945/1946 o Prémio Filipe Duarte do SNI  por «Menina Lisboa» da opereta A Invasão (juntamente com José Galhardo e Mirita Casimiro) e em 1946/1947, o Prémio Del Negro por «Trapeiras de Lisboa» incluída na revista Canções Unidas, para além de em Coimbra existir uma Rua Raúl Ferrão.

Freguesia de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Canção do Mar original, por Carlos Fernando

A Canção do Mar, com letra de  Frederico de Brito e música de Ferrer Trindade, foi concebida à volta do ano de 1953 e originalmente foi cantada por Carlos Fernando, membro de um conjunto musical da Linha de Cascais. Foi assim que chegou a um programa da manhã do Rádio Clube Português.

Em 1954 estava em Lisboa o realizador francês Henry Vernueil a rodar parte do seu Os Amantes do Tejo e convidou Amália a participar com um pequeno papel e cantando dois fados: uma versão suave e inócua de Mãe Preta do brasileiro Caco Velho com o título de Barco Negro, e a Canção do Mar mas com uma nova letra realizada por David Mourão-Ferreira, intitulada Solidão, versão que não se tornou popular e a Canção do Mar original é que seguiu caminho sendo alvo de versões dos brasileiros Agostinho dos Santos (1956) e Almir Ribeiro (1957).

Letra da Canção do Mar de Frederico de Brito:
Fui bailar no meu batel
Além no mar cruel
E o mar bramindo
Diz que eu fui roubar
A luz sem par
Do teu olhar tão lindo
Vem saber se o mar terá razão
Vem cá ver bailar meu coração
Se eu bailar no meu batel
Não vou ao mar cruel
E nem lhe digo aonde eu fui cantar
Sorrir, bailar, viver, sonhar…contigo

A Rua do Britinho da revista, do fado e da Canção do Mar

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Frederico de Brito, conhecido como Britinho, nome de autor do teatro de revista e do fado e  figura muito querida em Lisboa, tem desde 2009 o seu nome perpetuado numa Rua da freguesia de Santa Clara, com a legenda «Compositor e Poeta/1894 – 1977», a partir da proposta de Appio Sottomayor enquanto membro da Comissão Municipal de Toponímia.

A Rua Frederico de Brito foi fixada na Rua A à Azinhaga da Cidade (junto à Estrada de São Bartolomeu) pelo Edital municipal de 16/09/2009, que colocou também nesta área do Vale da Ameixoeira mais dois nomes ligados ao teatro, a saber, a actriz Glicínia Quartin e o encenador Artur Ramos.

Joaquim Frederico de Brito (Oeiras-Carnaxide/15.09.1894-24.03.1977/Lisboa) foi um poeta e compositor famoso pela sua rapidez de composição que escreveu mais de um milhar de letras e compôs algumas centenas de músicas. Distinguia-o também a alcunha carinhosa de Britinho, usada sobretudo no mundo do fado, ao qual se ligara desde os 8 anos de idade, quando morava com a família em Alcântara,  já que após ler Lira do Fado de Avelino de Sousa, escreveu versos que o seu irmão mais velho – João de Brito – cantava em festas de amadores. São êxitos seus a Canção do MarCanoas do Tejo cantada por Carlos do Carmo, a Janela virada para o Mar celebrizada por Tristão da Silva, ou ainda Carmencita interpretada por Amália, para além do Fado do Britinho, Fado dos Sonhos, Biografia do Fado, Não digam ao fado, em vozes como as de Beatriz da Conceição, Carlos RamosFernanda Maria ou Lucília do Carmo. Em paralelo, Frederico de Brito também colaborou intensamente com o jornal Guitarra de Portugal assim como foi diretor e editor do jornal O Galarim.

Por outro lado, de 1934 a 1969, tornou-se também autor de marchas para os bairros de Lisboa, de que são exemplo maiores É raparigas, com música de Raul Ferrão para a Marcha de Benfica de 1934 ou a Marcha de Marvila de 1964, com música de Ferrer Trindade. O Britinho produziu poemas para as marchas dos bairros da Ajuda, Alcântara, Alfama, Alto do Pina, Bairro Alto, Benfica, Bica, Campo de Ourique, Campolide, Castelo, Graça, Madragoa, Marvila, Mouraria, Olivais, Santa Catarina e São Vicente.

Frederico de Brito foi também  o autor de inúmeras músicas e poemas para o teatro de revista, onde se estreou em 1935, no Anima-te Zé, no palco do Teatro Maria Vitória, onde ficou famoso o tema Soldado do Fado, com letra sua e música de Frederico Valério. Além deste palco a sua obra também passou no Éden, no Variedades e no ABC. Refira-se ainda que  participou como cantor na opereta História do Fado de Avelino de Sousa, tal como Alfredo Marceneiro.

E durante muitos anos, juntou à sua paixão uma ocupação: de estucador, de motorista de táxi em Lisboa e ainda, de empregado da Companhia de Petróleos Atlantic que viria a ser a BP. O táxi também o inspirou para em 1930 publicar Musa ao Volante: quadras, com prefácio de Albino Forjaz de Sampaio.  Dois anos depois também lançou Terra Brava: versos, desta feita com uma carta prefácio de Teixeira de Pascoais.

Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua Carlos Conde em Campolide

Freguesia de Campolide
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Carlos Conde,  poeta popular que viveu cerca de 50 anos na Rua Vítor Bastos, em Campolide, foi justamente consagrado na toponímia dessa freguesia em 2001, ano do centenário deste letrista de cegadas e fados.

O poeta oriundo da Murtosa deu o seu nome ao arruamento do Conjunto Habitacional do Bairro do Alto da Serafina com início na Rua da Igreja,  por Edital municipal de 31 de janeiro de 2001, com a legenda «Poeta Popular/1901-1981», tendo a inauguração ocorrido em conjunto com a Rua da Igreja  no dia 14 de novembro desse mesmo ano.

Carlos Conde (Murtosa- Monte/22.11.1901 – 13.07.1981/Lisboa),  filho dos pescadores Maria Antónia da Silva Conde e Manuel José Conde, distinguiu-se como poeta, autor de populares cegadas dos anos 20 e 30 do século XX  e de centenas de letras de fados. Veio ainda em criança para Lisboa e para usufruir do fado, Carlos Conde trabalhava como chefe de escritório na firma F.H. de Oliveira, na Avenida 24 de Julho, sendo oportuno aqui recordar a sua quadra: Trabalho é letra vencida/Que o suor já pagou bem./Quem trabalha toda a vida/Não deve nada a ninguém.

As suas letras evocam a Lisboa da primeira metade do séc. XX, caracterizando os seus bairros do Alto do Pina, de Alfama, de Alvalade, do Areeiro, do Bairro Alto, da Baixa, de Benfica, de Belém, da Bica, de Campolide, de Campo de Ourique, do Castelo, da Fonte Santa, da Graça, do Lumiar, da Madragoa, da Mouraria e de Xabregas. Em entrevista à revista ABC (23 de janeiro de 1931) Carlos Conde definiu os seus temas favoritos como «O amor, as mulheres, o campo. Adoro as flores, as águas claras, o sol, a luz, a natureza. Tudo o que tenha vida, que tenha alma.»

A notoriedade de Carlos Conde foi muitas vezes referenciada pelos periódicos de fado que foram surgindo ao longo das décadas de 20, 30 e 40 do  século passado, tanto mais quanto a sua poesia foi celebrizada por vozes reconhecidas como as de Ada de Castro, Alfredo Marceneiro ( É tão bom ser pequenino ou Bairros de Lisboa), Amália (A mulher que já foi tua ou O Fado da Bica), Argentina Santos, Carlos do Carmo (Trem desmantelado), Carlos Ramos,  Ercília Costa, Fernanda Maria (Não Passes Com Ela à Minha Rua) , Fernando Maurício (Sótão da Amendoeira ou Feira da Ladra, Gabino Ferreira (Lenda da Amendoeira ou Ri Sempre), Hermínia, João Ferreira Rosa (O Marquês de Linda a Velha), Lucília do Carmo, Maria da Fé ou a do seu neto Vítor Conde (Não chamem nomes ao fado),  entre outras. Ficaram ainda célebres as suas letras para os fados Baile dos QuintalinhosFins do século passado, Não sou ciumenta, Rapsódia de fado antigo, Recordar é viver,  Saudades do fado, A Saudade é Minha ou Um resto de Mouraria.

Carlos Conde recebeu em vida mais de uma vintena de prémios, tendo o primeiro sido em 1927, no concurso de quadras do Diário de Lisboa. Destaque-se que em  1966 também venceu o concurso para a letra do Hino da Força Aérea. Foi agraciado com um almoço comemorativo do seu 50º aniversário na Adega Mesquita (1951), com a Festa de Homenagem ao poeta popular Carlos Conde em 1958. Em 2016, no dia do seu aniversário, a Junta de Freguesia de Campolide também o homenageou com uma exposição sobre a sua vida e obra, bem como a colocação de uma placa evocativa na casa onde viveu na Rua Vítor Bastos.

Para além da morada acima referida, Carlos Conde também viveu em Lisboa na Praça das Amoreiras  e era casado com Laura dos Santos, desde 18 de setembro de 1936, com quem teve três filhas: Noémia, Maria de Lourdes e Flora. Faleceu numa esplanada de Campolide, num trágico atropelamento quando estava com amigos a conversar.

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

 

 

Inauguração da Rotunda República Argentina amanhã

Amanhã, dia 21 de novembro,  às 12:00 horas, a Câmara Municipal de Lisboa, representada pela Srª Vereadora Catarina Vaz Pinto, e a Embaixada da República da Argentina, procederão à inauguração da Rotunda República Argentina, na Freguesia do Parque das Nações, com o descerramento das respetivas placas toponímicas.

Nesta mesma ocasião em que a edilidade lisboeta se associa às comemorações dos 200 anos da Independência da Argentina, será também inaugurado no local um busto do General José de San Martín, militar argentino fundamental na independência da Argentina, Chile e Peru na primeira metade do séc. XIX, oferecido pela Embaixada argentina à cidade de Lisboa.

A Rotunda República Argentina resultou da aprovação da proposta da Vereadora Catarina Vaz Pinto em reunião de câmara de 7 de dezembro de 2016, fixando assim o Edital municipal nº 15/2017, de 20 de janeiro de 2017,  na Rotunda à Avenida Ulisses o topónimo Rotunda República Argentina.

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A Rua Maria José da Guia no «Bairro das Marias»

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Bairro da Cruz Vermelha, conhecido popularmente como Bairro das Marias, recebeu no ano 2000 mais três topónimos marianos, todos de fadistas, todos por sugestão de Appio Sottomayor enquanto membro da Comissão Municipal de Toponímia e um desses três foi a Rua Maria José da Guia.

A Rua Maria José da Guia,   com início na Rua Pedro Queirós Pereira e fim na Rua Maria Carlota do Bairro da Cruz Vermelha, nasceu do Edital municipal de 5 de julho de 2000, junto com a Rua Maria Alice e a Rua Maria do Carmo Torres, ambas homenageando também fadistas, tendo a cerimónia de inauguração ocorrido em 27 de junho de 2001.

Maria José dos Santos Guia de Freitas (Angola/16.10. 1929 – 02.09.1992/Espanha) que usou Maria José da Guia como nome artístico foi uma das protagonistas nascidas para o Fado na década de 40 do século XX. Desde os quatro anos que morava em Alfama e foi nesse Bairro que começou a cantar tendo até sido mascote da Marcha de Alfama. A sua carteira profissional data de 1944 e a sua voz sustentada num corpo vestido de negro e xaile traçado cantou por várias casas de fado do Bairro Alto e de Alfama, sendo de referir o ter integrado os os elencos do Café Luso, do Retiro da Severa, do Faia ou da Adega Machado.

Maria José da Guia celebrizou fados como Coimbra ou Lisboa Antiga – ambos com letra de José Galhardo e música de Raúl Ferrão -, Casa Portuguesa ( letra de Matos Sequeira e Reinaldo Ferreira com música de Artur Fonseca), Sempre que Lisboa Canta ( letra de Aníbal Nazaré e música de Carlos Rocha), Barro Divino (letra e música de Álvaro Duarte Simões), Ciúme duma Verdade (letra de Fernando Peres e música de Jaime Santos, Victor Ramos e Santos Moreira),  Fado da Minha Saudade ( letra de Fernando Peres e música de Francisco José Marques), Um Golpe de Vento (letra de Linhares Barbosa e música de Nuno Meireles), Grão de Arroz ( letra e música de Belo Marques), a Marcha dos Centenários (letra de Norberto de Araújo e música de Raúl Ferrão), Não é Preciso (letra de José António Sabrosa e música de Guilherme Pereira da Rosa) ou A Saudade que me deste (letra de Fernando Peres e música de António Bragança).

No Fado, Maria José da Guia foi ainda madrinha artística de Ada de Castro mas também passou pela rádio e televisão, assim como participou em várias revistas dos Teatros Maria Vitória, Variedades e ABC, no Parque Mayer, para além de ter entrado no filme O Homem do Dia (1958) de Henrique Campos.

Na vida pessoal, Maria José da Guia casou com Amadeu José de Freitas, profissional do relato desportivo nos jornais, na rádio e na televisão, com quem teve dois filhos.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Fado Há Festa na Mouraria por Alfredo Marceneiro

Há Festa na Mouraria
Compositor: António Amargo (Fado Marcha do Marceneiro)

Desde manhã, os fadistas
Jaquetão, calça esticada
Se aprumam com galhardia
Seguem as praxes bairristas
É data santificada
Há festa na Mouraria

Toda aquela que se preza
De fumar, falar calão
Pôr em praça a juventude
Nessa manhã chora e reza
É dia da procissão
Da Senhora da Saúde

Nas vielas do pecado
Reina a paz tranquila e santa
Vive uma doce alegria
À noite, é noite de fado
Tudo toca, tudo canta
Até a Rosa Maria

A chorar de arrependida
A cantar com devoção
Numa voz fadista e rude
Aquela rosa perdida
Da Rua do Capelão
Parece que tem virtude

As Escadinhas da Calçada do Duque de Cadaval

Freguesias da Misericórdia e Santa Maria Maior
(Foto: Toze Ribeiro)

A Calçada do Duque, que em escadaria une hoje o Largo Trindade Coelho à Calçada do Carmo, é um topónimo que perpetua um antigo proprietário local, o Duque de Cadaval, sendo o arruamento também conhecido popularmente como Escadinhas do Duque, forma que o guitarrista  António Chainho escolheu para dar título a um tema do seu álbum Guitarradas.

Esta antiga calçada íngreme foi  em meados do século XIX suavizada através da colocação de escadas e a partir daí  ganhou o epíteto de escadinhas. O topónimo Calçada do Duque foi atribuído oficialmente pelo Edital do Governo Civil de 5 de agosto de 1867 que também atribuiu no sítio a Rua do Duque, em ambos os casos por referência às propriedades dos Duques de Cadaval naquela zona. Refira-se ainda que a zona nas traseiras da Rua Primeiro de Dezembro junto à Estação Ferroviária, onde está implantada uma esplanada, corresponde ao Pátio do Palácio do Duque do Cadaval do séc. XIX e também é vulgarmente conhecido como Largo Duque de Cadaval apesar de não ser um topónimo oficial.

Em 1 de setembro de 1887, L. Mendonça e Costa num artigo n’Occidente precisa que «É toda a frente occidental deste lado (…) que vai ser demolida para a construcção da grande estação central dos caminhos de ferro [hoje é denominada Estação Ferroviária do Rossio], testa da linha urbana de Lisboa. (…) sendo um o palacio do sr. Duque do Cadaval, que tem dois andares com 8 janellas de frente cada um (…) nas trazeiras d’estes dois predios estende-se a quinta e jardim pertencente ao primeiro, e que confina com a cêrca da Misericórdia e pateo do Penalva, seguindo, por detraz dos demais predios que formam a parte occidental da rua do Principe [ hoje é a Rua Primeiro de Dezembro], até à calçada do Duque, que também assim se chama por pertencer o seu terreno do lado direito, á velha casa Cadaval».

O 1º Duque de Cadaval

O título de Duque de Cadaval foi criado pelo rei Dom João IV no dia 26 de abril de 1648, a favor de D. Nuno Álvares Pereira de Melo (1638-1727), filho de D. Francisco de Melo, 3.º marquês de Ferreira e um dos sustentáculos da Restauração de 1640. O título continuou a ver reconhecida a sucessão desde a sua instituição em 1648, até à morte do 6º duque, D. Nuno Caetano Álvares Pereira de Melo, em 1837.

O 1º duque também mandou construir uma casa nobre, antes de 1761, na sua quinta de Pedrouços, que era então um arrabalde de Lisboa, que também ficou marcada na toponímia lisboeta como Alto do Duque. Existiu também um Casal Duque de Cadaval, junto à Estrada de Benfica, como documenta a planta de 1909 de Júlio Silva Pinto.

Sobre a Calçada do Duque refira-se ainda o Palácio da Marquesa de Nisa,  na propriedade de Francisco José Caldas Júnior, foi mandado demolir pela Câmara por edital de dezembro de 1835. Neste local morou António Feliciano de Castilho e nasceu em 30 de abril de 1840 Júlio de Castilho. António Florêncio dos Santos adquiriu toda a propriedade e em 8 de janeiro de 1865 aí inaugurou a Escola Académica que em 1927 foi transferida para o Monte Agudo. Em 1900, os  nºs  3, 5 e 7 desta artéria albergavam um café chamado Inferno.

Freguesias da Misericórdia e de Santa Maria Maior      (Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)