A Rua do autor do Chafariz de São Sebastião, Francisco António Ferreira, o Cangalhas

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Francisco Ferreira Cangalhas, o arquiteto do Chafariz de São Sebastião inaugurado em 1791,  um dos chafarizes públicos ligados ao Aqueduto das Águas Livres, está numa artéria do Bairro da Serafina, em Campolide, como Rua Francisco Ferreira Cangalhas, com a legenda «Arquitecto-Geral das Águas Livres de 1791 a 1808», desde 1990.

Pelo Edital municipal de 28 de dezembro de 1989, a Rua 8 do Bairro do Alto da Serafina, passou a designar-se Rua Francisco António Ferreira, com a legenda «Mestre do Aqueduto/Século XVIII», legenda igual à que foi colocada também para as então atribuídas Rua José da Silva Pais, Rua Miguel Ângelo Blasco  e Rua Rodrigo Franco.  Depois das alterações toponímias solicitadas pelos residentes do Bairro um novo Edital municipal, de 14 de dezembro de 1990, reformulou  o topónimo para Rua Francisco Ferreira Cangalhas, bem como a legenda para «Arquitecto-Geral das Águas Livres de 1791 a 1808», assim como acrescentou mais dois topónimos referentes a arquitetos ligados à construção do Aqueduto das Águas Livres: a Rua Honorato José Correia e a  Rua Reinaldo Manuel dos Santos.

Assim,  o nome deste arquiteto homenageado parece ser Francisco António Ferreira Cangalhas (? – 1808), podendo Cangalhas ter sido uma alcunha que acabou por ficar integrada como nome de família. Era arquiteto geral da cidade e das Águas Livres, filho e discípulo de João Ferreira Cangalhas, o qual havia sido formado na Escola do Risco de Mafra. Por morte de Reinaldo Manuel dos Santos, sucedeu-lhe em 20 de dezembro de 1791 Francisco António Ferreira Cangalhas como Primeiro Arquiteto da Real Obra da Água Livre.

É da sua autoria, com Reinaldo Manuel dos Santos, o Chafariz urbano de São Sebastião da Pedreira, de traço neoclássico com as armas reais encimadas por uma esfera e seguindo a tipologia de chafariz de espaldar com duas bicas simples, mandado construir por aviso de 21 de novembro de 1787, que recebia água a partir do ramal de Santa Ana. Ficou construído em 25 de  setembro de 1789, mas só por aviso de 29 de agosto de 1791 se mandou aí correr água, a qual começou a jorrar quatro dias depois, abastecido pelo ramal da Cruz das Almas que ía para o Campo Santana. Custou 12 472$701 réis. Ainda com Reinaldo Manuel dos Santos projetou em 1779 o Chafariz de Benfica, tal como 1791 , com Honorato José Correia, traçou o Chafariz das Laranjeiras, com decoração barroca.

Também com Honorato José Correia foi o autor da reedificação de 1770 da Igreja da Conceição dos Freires ou Conceição Velha, no arruamento que hoje identificamos como Rua da Alfândega, no local onde se erguia a antiga Igreja destruída pelo Terramoto, embora tenha aproveitado o portal manuelino do antigo templo bem como duas janelas.

No vizinho concelho de Loures, foi ainda o autor do Aqueduto das Alvogas e do seu Chafariz.

Freguesia de Campolide
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

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A Rua do arquiteto das estações dos CTT, Adelino Nunes

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Adelino Nunes, o arquitecto das estações dos CTT dos anos 30 e 40 do século XX, foi o topónimo atribuído ao arruamento formado pelas Ruas 2 e 3 da Zona N 2 de Chelas que desde 1978 encontramos a ligar a Rua Álvaro Machado à Rua Luís Cristino da Silva.

O Edital municipal de 10 de Agosto de 1978 criou nesta Zona N2 da freguesia de Marvila um Bairro toponímico de arquitetos que, para além da Rua Adelino Nunes, com as Ruas Adães Bermudes, Álvaro Machado, Cassiano Branco, Domingos Parente, José Luís Monteiro, Keil do Amaral, Luís Cristino da Silva, Miguel Nogueira Júnior, Norte Júnior, Pardal Monteiro e Pedro José Pezerat.

Adelino Alves Nunes (Lisboa/14.08.1903 – 07.12.1948/Lisboa) foi um arquiteto formado em 1928 no Curso Especial de Arquitectura Civil da Escola de Belas Artes de Lisboa. Ainda estudante começou a trabalhar no atelier do arquiteto Carlos Ramos, onde durante cerca de 8 anos colaborou na elaboração de obras de linguagem modernista desde o Pavilhão da Rádio aos Concursos dos Novos Liceus, sendo por exemplo co-autor do geométrico liceu masculino de Coimbra (1929-1931).  As suas primeiras obras individuais na arquitetura e no mobiliário foram expostas no Salão dos Independentes de 1930, podendo por isso ser considerado da 1ª geração de modernistas, ao lado  do Grupo dos Cinco:  Cristino da Silva, Cassiano Branco,  Pardal Monteiro, Carlos Ramos e Jorge Segurado.

Depois, Adelino Nunes fez carreira na arquitetura institucional onde ficou a sua marca na arquitetura portuguesa da primeira metade do século XX. Convidado por Duarte Pacheco em novembro de 1934 para a DGEMN, trabalhou para a administração geral dos Correios, Telégrafos e Telefones (CTT), responsável na Comissão Construtora de Novos Edifícios dos CTT por traçar a quase totalidade de novas estações dos CTT construídas nas décadas 30 e 40 do século XX em todo o país. Em Lisboa, traçou  em 1941 o Palácio das Comunicações de Lisboa ou Palácio dos Correios, na Praça Dom Luís I, prédio que começou a ser construído no ano seguinte, contando-se a este propósito que o projeto inicial seria modernista, todo em tijolo e em vidro, mas que depois de todas as aprovações necessárias o que foi construído foi um exemplar típico de arquitetura do Estado Novo.

Ainda como funcionário público, com Jorge Segurado e Amílcar Pinto, conceberamo edifício-emissor da antiga Emissora Nacional, em Barcarena, assim como os interiores do edifício dos estúdios na Rua do Quelhas nº 2, traçados em 1933 e inaugurados em 1935. Em Lisboa,  é ainda obra sua o Edifício dos Herbários (1930) do Jardim Botânico do Museu Nacional de História Natural da Universidade de Lisboa, na Rua da Escola Politécnica.

Adelino Alves Nunes doou o seu espólio ao Sindicato Nacional dos Arquitectos e, para além de Lisboa, também tem a sua memória perpetuada em  Algueirão-Mem Martins através da Rua Arquitecto Adelino Nunes.

Freguesia de Marvila
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

 

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Afonso Álvares, o arquiteto do Alentejo do séc. XVI, numa Rua de Lisboa

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Arquiteto do século XVI, Afonso Álvares, o autor de variadas obras no Alentejo e de diversas igrejas e conventos lisboetas, está perpetuado numa artéria da freguesia de São Domingos de Benfica desde a publicação do Edital municipal de 14 de maio de 1979, tal como o arquiteto Mateus Vicente, o autor da Basílica e Convento da Estrela.

A Rua Afonso Álvares ficou no Impasse 2 da Urbanização do Bairro D. Leonor para homenagear o arquiteto e mestre de obras régias que em Lisboa morreu  no dia 15 de fevereiro de 1575. Na capital terá sido o arquiteto de várias igrejas como a primitiva de São Sebastião, mandada erigir por Dom Sebastião, o Desejado, aquando de uma peste que assolou Lisboa em 1569, tendo o rei informado o Senado Municipal em 24 de dezembro de 1569 que mandaria para a cidade Afonso Álvares para coordenar a obra. Foi ainda o autor da  ampliação  de 1565 da Igreja de São Roque, no Bairro Alto de São Roque, tendo-lhe sucedido na execução da obra, em 1577, Baltazar Álvares.

Afonso Álvares, como Cavaleiro fidalgo da Casa do Cardeal Infante D. Henrique foi nomeado Mestre-de-obras das Fortificações do reino e Mestre-de-obras Reais da Comarca do Alentejo, sendo da sua autoria o Chafariz da Praça do Giraldo (1571) em Évora, a Igreja de São Salvador de Veiros (1559), bem como a Sé de Leiria (1551-1574) e provavelmente, a Sé de Portalegre (1556). A partir de 1571 sucedeu a Francisco Arruda na condução da 2ª etapa das obras do Aqueduto da Amoreira, em Elvas. Após a morte de Afonso Álvares, sucedeu-lhe Baltasar Álvares nas obras do Alentejo , que seria provavelmente sobrinho do primeiro.

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

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A Rua do autor dos Banhos de São Paulo, Pedro José Pezerat

Freguesia de Marvila
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Pedro José Pezerat, o autor dos Banhos de  São Paulo que hoje acolhem a sede da Ordem dos Arquitectos, na Travessa do Carvalho, dá o seu nome à Rua que liga a Rua Miguel Nogueira Júnior à Rua Keil do Amaral desde 1978, na freguesia de Marvila. No primeiro Bairro toponímico dos Arquitetos em Lisboa, na freguesia de Marvila, criado pelo Editado municipal  de 10 de agosto de 1978, coube à Rua Pedro José Pezerat o espaço da Rua 10 da Zona N 2 de Chelas e a legenda «Arquitecto/1801 – 1872».

Pierre-Joseph Pézerat (França- La Guiche/1801- 01.05.1872/Lisboa) que em Portugal ficou conhecido como Pedro José Pezerat formou-se em 1821 no curso de engenharia civil na Escola Politécnica de Paris, cidade onde também estudou na Academia de Arquitetura, tendo depois produzido obra no Brasil, Argélia e Portugal, especialmente em Lisboa, tendo sido funcionário da Câmara Municipal desde 1841 e até falecer.

Serviu o Imperador D. Pedro no Brasil onde chegou em 1825, integrando a Academia Militar do Rio de Janeiro para trabalhar na execução de planos geodésicos e mapas. D. Pedro I contratou-o como engenheiro particular  – entre 1824 e 1827 – para lhe remodelar  com uma fisionomia neoclássica o casarão colonial no Rio de Janeiro que havia comprado à Marquesa de Santos e como arquiteto imperial – a partir de 1828 e até 1831-, época em que  também deu uma aparência neoclássica ao Paço de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro. Pézerat  abandonou o Brasil com a família real, após a abdicação de D. Pedro I, sendo então professor da jovem rainha D. Maria II.

Entre 1831 e 1840 trabalhou para o governo francês na Argélia. No ano seguinte estabeleceu-se em Portugal. Foi contratado pela Câmara Municipal de Lisboa em 1841, encarregado primeiro de trabalhos de Abastecimento de Águas e Rede de Esgotos, tendo elaborado, nomeadamente, o plano de mudança do Chafariz do Loreto para o Largo do Picadeiro. Depois, foram-lhe atribuídos projetos urbanísticos e arquitectónicos, de que se destacam os Banhos de São Paulo (1850) e o novo Matadouro Municipal (1852). Em 1865, José Pedro Pezerat incorporou a Comissão de Melhoramentos da Cidade de Lisboa e apresentou vários projetos para a revitalização e modernização urbanística da cidade, mesmo que as limitações económicas tenha levado a  Câmara a não os executar.

O edifício dos Banhos de São Paulo traçado por Pézerat foi construído entre 1850 e 1858, pela Santa Casa da  Misericórdia de Lisboa, para aproveitar uma nascente de águas medicinais que havia sido descoberta junto à ala Poente da Praça do Comércio em 1829. Na época, os Banhos de São Paulo dispunham dos equipamentos mais modernos e eram considerados um dos melhores da Europa.  Este balneário serviu a população lisboeta até 1975, data em que foi encerrado ao público, em virtude dos índices de poluição da fonte abastecedora. A edilidade lisboeta cedeu o edifício em 1990, à Ordem dos Arquitectos, que aí instalou a sua sede, após as necessárias obras de remodelação concebidas pelos arquitetos Graça Dias e Egas Vieira.

Pezerat desempenhou ainda funções de professor de desenho da Escola Politécnica de Lisboa a partir de 1853, assim como de parceria com o engº Silva e Costa foi responsável pela remodelação do imóvel após um incêndio, para além de ter projetado alguns prédios na artéria da Escola.

Pedro José Pezerat, fora de Lisboa, projetou uma remodelação do Hospital Termal Rainha D. Leonor em Caldas da Rainha (1861) que é hoje o Museu do Hospital das Caldas e foi condecorado com a Ordem de Cristo.

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua José da Silva Pais, Codiretor da Obra do Aqueduto de 1732 a 1733

Freguesia de Campolide
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

José da Silva Pais dá nome a uma Rua de Campolide,  colocando a memória deste arquiteto do Aqueduto das Águas Livres nas proximidades da estrutura que ajudou a construir, já que sucedeu a Manuel da da Maia na direção da execução da obra.

A Rua José da Silva Pais,  que liga a Rua dos Arcos [do Aqueduto] à Rua de São Vicente de Paulo, foi atribuída pelo Edital municipal de 28 de dezembro de 1989, à Rua 5 do Bairro do Alto da Serafina, com a legenda «Mestre do Aqueduto – Século XVIII» e foi dos poucos topónimos desse último Edital de 1989 que não sofreu contestação local dos residentes do Bairro. Assim, o Edital municipal de 14 de dezembro de 1990 que veio recolocar toponímia acordada com a os moradores e a Junta de Freguesia confirmou este topónimo e alterou apenas a sua legenda para «Co-Director da Obra do Aqueduto de 1732 a 1733». O mesmo Edital de 1990 incluiu nos topónimos do Bairro, os nomes de outros arquitetos ligados à execução do Aqueduto, como Honorato José Correia, Miguel Ângelo Blasco Reinaldo Manuel dos Santos  e, alterou também a legenda da Rua Rodrigo Franco para «Arquitecto do Aqueduto – Século XVIII», assim como mudou a designação da Rua Francisco António Ferreira para Rua Francisco Ferreira Cangalhas, com a legenda «Arquitecto-Geral das Águas Livres de 1791 a 1808».

Noutras freguesias de Lisboa encontramos mais três arquitetos do Aqueduto: Avenida Manuel da Maia (Areeiro e Arroios), Rua Carlos Mardel (Areeiro e Arroios), Rua Custódio Vieira (Campo de Ourique).

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

José da Silva Pais (Lisboa – Mercês/25.10.1679 – 14.11.1760/Lisboa)  surge cedo na construção do Aqueduto determinada por alvará régio de 1731, na comissão de direção composta com Manuel da Maia e Custódio José Vieira, por nomeação de D. João V que dispensara o primeiro arquiteto responsável pela obra, António Canevari, sendo assim codiretor da obra nos dois primeiros anos da mesma, em 1732 e 1733.

José da Silva Pais foi militar desde os  22 anos, em Lisboa, seguindo nesse ano para a Praça de Olivença, nas funções de ajudante-engenheiro, para depois ficar na Praça de Campo Maior (1712) e ser nomeado Coronel de Engenheiros (1713). É assim que de 1729 a 1733 foi encarregado da implantação de obras em Lisboa, num século em que as profissões de arquiteto e engenheiro eram ainda confundidas uma com a outra.

Em março de 1735 desembarca no Brasil como Brigadeiro, designado para projetar e construir as fortificações do Rio de Janeiro e na Barra de Santos. Traçou também o novo edifício da Alfândega. Depois, como político, fundou a cidade de Rio Grande em 1737 e tornou-se o primeiro governador da Capitania de Santa Catarina, garantindo a presença portuguesa no Prata, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, tendo regressado a Portugal em fevereiro de 1749. Curiosamente, cinco anos depois encontramos uma consulta sobre uma petição de José da Silva Pais, referido como sargento-mor de batalha, que pretendia saldar a sua dívida, propondo a retenção de um terço do seu ordenado por parte do Senado Municipal de Lisboa, quando fossem feitos os pagamentos às tropas.

 

A Rua do arquiteto dos 5 Prémios Valmor e 2 Menções Honrosas, Norte Júnior

Freguesia de Marvila
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Norte Júnior, o arquiteto  mais vezes agraciado com o Prémio Valmor, está homenageado desde 1979 no primeiro núcleo toponímico de arquitetos em Lisboa, na freguesia de Marvila.

Manuel Joaquim Norte Júnior ficou no arruamento formado pelas Ruas 8 e 11 A da Zona N 2 de Chelas, com o topónimo Rua Norte Júnior e a legenda «Arquitecto 1878 – 1962». Tudo isto foi possível através da publicação do Edital municipal de 10 de agosto de 1978 que criou o primeiro Bairro dos Arquitetos na toponímia de Lisboa, com mais os seguintes dez topónimos: Rua Adães Bermudes, Rua Adelino Nunes, Rua Álvaro MachadoRua Cassiano BrancoRua Domingos ParenteRua José Luís Monteiro, Rua Luís Cristino da SilvaRua Miguel Nogueira JúniorRua Pardal Monteiro e Rua Pedro José Pezerat.

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Manuel Joaquim Norte  Júnior ( Lisboa/24.12.1878 -11.12.1962/Sintra ), foi um  arquitecto que depois de ter estudado Arquitetura em Lisboa e em Paris, conhecimento a que acrescentou viagens de estudo por Espanha, França e Bélgica, conseguiu imprimir na Lisboa de 1900 a 1930 novas tendências arquitetónicas através das suas criações a ponto de ter recebido cinco vezes o Prémio Valmor e mais duas Menções Honrosas do mesmo galardão, o que o torna o arquiteto mais agraciado com tal prémio, já que possui mais uma Menção do que Pardal Monteiro.

Norte Júnior pode também ser considerado o arquiteto das Avenidas Novas pelo número de obras que realizou nesta zona da cidade, que era a que estava a ser urbanizada no seu período de trabalho mais produtivo. Aqui e na Avenida da Liberdade traçou as seguintes obras:

  • 1905 – Casa Atelier de José Malhoa – Prémio Valmor 1905 – na Avenida Cinco de Outubro, 6 – Classificada como Imóvel de Interesse Público – hoje é a Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves;
  • 1908 – Residência da Avenida da República, 36  ou Avenida de Berna, 1 – Menção Honrosa do Prémio Valmor 1908 propriedade de Henrique Pereira Barreiros que foi demolido em 1949 e 1950, dando lugar a um prédio de habitação com 8 andares e lojas no piso térreo;
  • 1910 – Residência da Praça Duque de Saldanha, 12 –Menção Honrosa do Prémio Valmor 1912- Classificada como Imóvel de Interesse Público –  moradia de Nuno Pereira de Oliveira;
  • 1911 – Prédio da Avenida Fontes Pereira de Melo, 28 –  Prémio Valmor 1914 – residência de José Maria Marques – Classificada como Imóvel de Interesse Público – desde os anos 80 do séc. XX é a sede do Metropolitano de Lisboa;
  • 1912/1915 – Prédios geminados da Avenida da Liberdade, 206 e Rua Rodrigues Sampaio, 27 – Prémio Valmor 1915 – Classificação camarária;
  • 1920 – Prédios da Avenida Duque d’Ávila, 28 e 30;
  • 1921- Prédio da Rua Braamcamp, 40;
  • 1924 – Hotel Liz -na Avenida da Liberdade,180- construído de 1924 a 1927- Prémio Valmor 1927 – alterações nos anos trinta do séc. XX com a introdução de mais dois andares – hoje existe a fachada, integrada no Hotel NH Liberdade;
  • 1929 – Prédio da Avenida da República, 55.

Em outras zonas de Lisboa, Norte Júnior esteve também presente com uma arquitetura emblemática e distintiva, de que realçamos os seguintes traçados:

  • 1907 – Bairro Estrela de Ouro – Conjunto de Interesse Público – inclui hoje um Aparthotel na Rua Rosalina, 14 ; e a Vivenda Rosalina para residência do proprietário do Bairro: Agapito Serra Fernandes – remodelada de 1917 a 1921 com formas semelhantes à  fachada lateral dos Armazéns Abel Pereira da Fonseca;
  • 1912 – Palacete da Alameda das Linhas de Torres, 22 – Prémio Valmor  1912 – conhecida como Vila Sousa por ter sido residência de José Carreira de Sousa;
  • 1913 – Sede da Voz do Operário – Rua da Infância (1880)/Rua da Voz do Operário (1915) –  construída pela maior Associação Operária de Socorros Mútuos da época em Portugal, com  o próprio Presidente da República, Manuel de Arriaga, a presidir à cerimónia de lançamento da primeira pedra em 1912 e inaugurada em 1923;
  • 1917 – Instalações e armazéns de Abel Pereira da Fonseca na Praça David Leandro da Silva, 4;
  • 1922 – Café «A Brasileira» na Rua Garrett;
  • 1928 – Escola Industrial António Manuel Gonçalves (depois Escola de Artes Decorativas António Arroio) – Rua Almirante Barroso, 25;
  • 1929 – Café «Nicola» na Praça Dom Pedro IV – em equipa com o Arqº Raul Tojal;
  • 1929 – Royal Cine – de Agapito Serra Fernandes – na Rua da Graça, próximo do Bairro Estrela de Ouro e com a mesma simbologia  – cinema onde foi exibido o primeiro filme sonoro em Portugal – hoje é um supermercado;
  • 1929 – antigo Cinema Max, um cinema de bairro na Rua Barão de Sabrosa – hoje e desde 1968 é a Igreja da Paróquia de São João Evangelista;
  • 1931 – Antigo Instituto do Trigo e Cereais na Avenida 24 de Julho, 70.

Norte Júnior residiu e teve o seu atelier em Lisboa na Praça Ilha do Faial.

A Casa-Atelier de José Malhoa na Ilustração Portuguesa, 27 de fevereiro de 1905

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Mateus Vicente que traçou a Basílica da Estrela numa Rua de São Domingos de Benfica

A Rua Mateus Vicente na Freguesia de São Domingos de Benfica e a assinatura do arqº Mateus Vicente de Oliveira
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Mateus Vicente, o «Arquiteto das Reais Obras» e nessa qualidade autor do primeiro traçado da Basílica da Estrela, a sua obra de maior relevo, é o topónimo da Via envolvente e Impasse 5 da Urbanização do Bairro D. Leonor desde a publicação do Edital municipal de 14 de maio de 1979, quase 200 anos após a sua morte.

A Rua Mateus Vicente, com a legenda «Arquitecto/1706 – 1785», homenageia Mateus Vicente de Oliveira (Barcarena/1706 – 1785/Lisboa) – que era como assinava -, que foi  Arquiteto do Senado da Câmara de Lisboa de 1760 a 1785 e que por ser também o  «Architeto das Reaes Obras», foi o principal responsável pela arquitetura e execução dos edifícios monumentais do Portugal do século XVIII, tendo trabalhado ao longo de cinquenta anos em obras de construção de palácios e igrejas do país, ao serviço dos reis D. João V, D. José I e D. Maria I, produzindo obras em estilo barroco e em rococó.

Filho de Domingos João e Mariana de Oliveira da Purificação, nasceu e cresceu em Barcarena e começou em 1737 como canteiro na construção do Palácio e Convento Nacional de Mafra, tornando-se assim o principal discípulo de João Frederico Ludovice na Escola do Risco de Mafra. Aí conheceu também o arquiteto Manuel da Costa Negreiros que o introduziu ao serviço da Casa do Infantado, pelo que o infante D. Pedro o encarregou de construir o palácio de Queluz,  a sua primeira grande obra iniciada em 1747: uma residência real de verão, em estilo rococó e neoclássico, na qual trabalhou até ao ano da sua morte.

De seguida, Mateus Vicente de Oliveira colaborou nas obras da Igreja de Santo Estêvão, em Alfama (1749-1752); foi requisitado pelo Marquês de Pombal para a reconstrução de Lisboa, após o terramoto de 1755,  sendo sua, nomeadamente, a recuperação da Igreja de Santo António da Sé, a partir de 1767, sensivelmente no mesmo local do templo primitivo destruído pelo terramoto. A partir de 1760, conduziu as obras da construção da Igreja da Memória, concebida pelo italiano Giovanni Carlo Bibienna, a quem também substituiu como arquiteto após a sua morte embora mantendo as características essenciais desse templo.

A Basílica da Estrela em data entre o final do séc. XIX e inicio do séc. XX
(Foto: Arquivo Municipal de Lisboa)

A sua última obra em Lisboa, por solicitação da Rainha D. Maria I, data de 1779 e foi quando executou a traça da Basílica e do Real Convento da Estrela que por morte do primeiro teve de ser acabada pelo Arqº Reinaldo Manuel dos Santos,  tendo este último acrescentado detalhes clássicos no exterior da mesma. A igreja inicialmente sóbria de Mateus Vicente, seguindo o estilo do arquiteto italiano Francesco Borromini (1599 — 1667),  ficou concluída como um edifício mais elaborado e ornamentado, no estilo do Barroco tardio e já com inclusão de elementos neoclássicos.

O arquiteto Mateus Vicente especializou-se no traçado de igrejas, conventos, palácios e jardins, tendo trabalhado fora de Lisboa em Coimbra, Vila Viçosa ou Caldas da Rainha, mas demonstrando também uma enorme versatilidade profissional elaborou ainda a reconstrução do Moinho de Maré de Corroios, da Fábrica de Biscoito de Coina e do Lazareto da Trafaria.

Mateus Vicente faleceu no Palácio da Bemposta, na época conhecido como Paço da Rainha da Grã-Bretanha, como consta no seu registo de óbito na paróquia dos Anjos. Teve sete filhos de  Maria Micaela de Jesus do Amaral, com quem foi casado em 1753.

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do arquiteto da remodelação do Gambrinus e do Cinema Avis

Freguesia do Lumiar
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Maurício de Vasconcelos, o arquiteto autor da remodelação do Restaurante Gambrinus e do Cinema Avis na década de sessenta do séc. XX,  está desde 2009 homenageado numa rua do Lumiar, na artéria da Quinta dos Alcoutins que começa na Rua Formosinho Sanchez, com a legenda «Arquitecto 1925 – 1997».

Foi pelo Edital nº 91/2009,  de 25 de setembro de 2009, que as novas artérias da Quinta dos Alcoutins acolheram um novo núcleo toponímico de arquitetos: Daciano Costa, Formosinho Sanchez, Jorge Segurado e Maurício de Vasconcelos, a quem coube a via formada pelas Ruas D2 e D1 à Quinta dos Alcoutins.

Maurício Reinaldo da Trindade de Vasconcelos e Faria Gonçalves (Lisboa/27.03.1925 – 01.06.1997/Lisboa) foi um arquitecto formado pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa em 1955 e que antes, entre 1950 e 1952, estagiara em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde em 1951 foi o autor da moradia Marques da Costa em São Paulo, a sua primeira moradia tendo depois traçado muitas mais em Portugal, de 1952 até 1980.

Em Lisboa,  sobressaem as suas remodelações do Cinema Avis, na Avenida do Duque d’Ávila, em 1956 e do Restaurante Gambrinus, na Rua das Portas de Santo Antão, em 1964.  O Cinema Avis nasceu de uma remodelação sobre o cinema Trianon-Palácio em 1956 tendo encerrado no final dos anos 80 e sido demolido na década seguinte. A remodelação de Maurício de Vasconcelos no Gambrinus incluiu a decoração do espaço e desenho exclusivo dos candeeiros, das mesas de dimensões generosas e das cadeiras em madeira e couro português, gravadas com o logótipo do restaurante, tornando-o assim um restaurante de luxo.

Por décadas do século XX, a obra de Maurício de Vasconcelos revela que dedicou os anos 50 a projetar o Pavilhão de Bruxelas (1956), em colaboração com o Arqº José Luís Tinoco;  a ser consultor do Secretariado Nacional de Informação – S.N.I. para projetos de utilidade turística e a delinear o posto da Guarda Fiscal do Vimioso (1959).

Na década de 60, elaborou a sede da British European Airways e da Sociedade Portuguesa de Automóveis, ambas  na Avenida da Liberdade, em 1960;  a Fábrica Cristiano Cabral Nunes (1961) na Covilhã, com o Arqº Luís Alçada Baptista; assumiu as funções de coordenador do Gabinete de Urbanismo da Câmara Municipal de Almada e dos Planos de Urbanização da Costa da Caparica e Trafaria  (1962) e projetou o Restaurante Carolina do Aires (1964) na Costa da Caparica; em equipa com o Arqº Conceição Silva traçou o Aparthotel de Quarteira,  o Hotel Gibalta em Caxias e o Hotel da Balaia (1965) assim como os  Apartamentos da Balaia e de Sesimbra (1966); a partir de 1968 foi administrador do GPA – Grupo de Planeamento e Arquitectura, projetou com o Arqº J. A. Pinto de Oliveira o  Restaurante Escorial (1968), na Rua das Portas de Santo Antão,  e no ano seguinte traçou o Cinema de Santo António de Cavaleiros.

Os anos 70 começam com a sua dedicação  ao Plano de Urbanização da Brandoa, ao Plano de Recuperação do aglomerado marginal da Brandoa,  ao Plano UNOR 1 de Lisboa, bem como  a desenhar  a sede  da Sociedade Portuguesa de Autores, na Avenida Duque de Loulé, com Bartolomeu Costa Cabral. Seguiu para o Plano de Recuperação do aglomerado marginal das Galinheiras (1971) e o conjunto habitacional para o FFH no Plano Integrado de Almada (1974/1976), a Fábrica Sado Internacional de Setúbal (1972), o Edifício Portugal na Rua Febo Moniz (1973); somando ainda estruturas escolares – a Universidade da Beira Interior e o  Instituto Superior Politécnico, ambos na Covilhã (1972 e 1973), remodelação do Liceu de Bissau e Internato de Bubaque (1976) – e estruturas hoteleiras –  o Hotel Residencial St.º André e Pinhal de Negreiros (1976).

Na passagem da década de 70 para a de 80, destaquem-se as estruturas aeroportuárias a que Maurício de Vasconcelos se consagrou no seu GPA : o Terminal de Passageiros Aerogare 2 para Lisboa (1979 e 1980/1984 ), o Terminal de Passageiros, carga, VIP, TC para o Porto (1986 e 1987/1989) , o Terminal de Passageiros para o Aeroporto de Faro (1986), o  Terminal de Passageiros para o Aeroporto de São Miguel (1989) e o Terminal de Passageiros para Ponta Delgada (1990).

Finalmente nos anos oitenta e noventa manteve os projetos para estruturas escolares – Escola Superior Agrária de Bragança e Núcleo de Guimarães da Universidade do Minho(1981), Residências de Estudantes do Instituto Superior Politécnico de Bragança (1991) – e turísticas  – ampliação do Hotel do Mar (1989) – para além de ter intervenção na cidade de Lisboa, na Fundação Mário Soares na Rua de São Bento (1991), bem como na recuperação do Coliseu dos Recreios (1992/1994).

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A rua do coautor do Bairro das Estacas, Formosinho Sanchez

Freguesia do Lumiar
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Formosinho Sanchez que com Ruy Jervis Athouguia traçou o Bairro das Estacas, o conjunto habitacional da célula 8 do Bairro de São João de Deus em Alvalade, erguido entre 1952 e 1955, que foi Prémio Municipal de Arquitectura de 1954 e Menção Honrosa na Bienal de São Paulo do mesmo ano, desde 2009 dá nome a uma rua do Lumiar, na Quinta dos Alcoutins,  com a legenda «Arquitecto 1922 – 2004».

Foi pelo Edital nº 91/2009,  de 25 de setembro de 2009, que as novas artérias da Quinta dos Alcoutins acolheram um novo núcleo toponímico lisboeta de arquitetos: Daciano Costa, Jorge Segurado, Maurício de Vasconcelos e Formosinho Sanchez, sendo este último que passou a ser o topónimo da Rua Principal da Quinta dos Alcoutins, unindo a Rua André de Gouveia à Azinhaga do Porto.

Sebastião Pedro Leal Formosinho Sanchez (Lisboa/1922 – 2004) foi um arquiteto formado pela Escola de Belas Artes de Lisboa no ano de 1949, por muitos considerado o arquiteto do rigor, que com Diogo Lino Pimentel fundou em 1966 o Atelier Canon, Lda. na Praça do Comércio, a que mais tarde se associaram mais outros três arquitetos: António Flores Ribeiro, Germano Venade e José Luis Zúquete.

Bairro das Estacas

Em Lisboa, a sua grande obra, em equipa com Ruy Jervis Athouguia, foi o  Bairro das Estacas que retira o seu nome dos blocos de edifícios de habitação estarem assentes sobre pilares, a que os construtores chamavam estacas, permitindo a  ocupação da parte inferior por um espaço verde. Os blocos de habitação são  paralelos entre si, mas perpendiculares ao eixo viário e aplicam princípios do urbanismo moderno definidos na Carta de Atenas de 1933, rompendo assim através de premissas modernistas com o modelo da arquitetura tradicional ao gosto do Estado Novo. A mesma dupla de arquitetos traçou também, entre 1949 e 1953, o Mercado de Alvalade Sul e a Escola Básica do Bairro de São Miguel, ainda em Alvalade.

Ainda em Lisboa, Formosinho Sanchez foi professor do curso de Arquitectura da Escola onde se formara, no período de 1964 a 1973 assim como novamente a partir dos anos 80 e até 1992; o autor do Hospital da Cruz Vermelha (1965); membro da Brigada técnica do Bairro da Quinta das Fonsecas, no âmbito do SAAL, de acordo com o projeto de Raúl Hestnes Ferreira (de  outubro de 1974 a setembro de 1976); o coordenador das obras para a Exposição de Arte, Ciência e Cultura de 1983.

Já fora da capital, esboçou o Palácio da Justiça de Rio Maior (1956) e o Tribunal Judicial do Redondo (1965), edifícios que inovaram os modelos de tribunais portugueses. Por outro lado, a partir da década de 1960, apoiado na sua experiência profissional, publicou teorização sobre a construção hospitalar, como em Hospitais: Da Organização à Saúde, publicado em 1969. Do risco de Formosinho Sanchez saíram ainda o Hospital de Chaves e o de Miranda do Douro, o Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão (1959), o Hospital Termal das Caldas de Monchique (1960) e o Centro de Reabilitação e Sanatório Hélio Marítimo da Figueira da Foz, em colaboração com Alçada Baptista  e Estêvão da Silva (1965).

Foi um dos fundadores do Movimento para a Renovação da Arte Religiosa, com os arquitetos Diogo Lino Pimentel, Luís Cunha, Nuno Portas e Nuno Teotónio Pereira assim como os  artistas Eduardo Nery, José Escada e Madalena Cabral, entre outros. Formosinho Sanchez projetou também o Externato Diocesano D. Manuel de Mello no Barreiro (1961) e a Igreja Paroquial de Rio Maior, inaugurada em 1968.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)