A Rua do Instituto Bacteriológico de Câmara Pestana

Freguesia de Arroios
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Desde 1918 que a Rua do Instituto Bacteriológico homenageia  o instituto nascido em 1892 no Hospital de São José, por iniciativa do médico Luís da Câmara Pestana.

O topónimo Rua do Instituto Bacteriológico, nasceu em resultado da publicação do Edital de 13 de agosto de  1918, sobre a Rua do Convento de Santana, topónimo que por seu vez, viera substituir a  Rua do Convento das Freiras de Santana.

O  Instituto Bacteriológico de Lisboa foi criado por Luís da Câmara Pestana (Funchal/1863 – 1899/Lisboa), numa enfermaria do Hospital de S. José, em  1892, para combater um surto de febre tifóide em Lisboa e arredores, situação formalizada por decreto de 29 de dezembro desse ano, ou seja, apenas 4 anos após a criação do Instituto Pasteur de Paris, o de referência na matéria, e no ano imediatamente seguinte aos congéneres de Berlim (Instituto Robert Koch) e Londres (Instituto Lister). Em 1895 passou a designar-se como Real Instituto Bacteriológico de Lisboa e a partir de 1899 mudou-se para o edifício da Rua Câmara Pestana, obra dos arquitetos Pedro Romano Folque e Joaquim Pedro Xavier da Silva, edificada sobre as ruínas do Convento e Ermida de Sant’Ana e sendo o primeiro exemplar português da arquitectura hospitalar e laboratorial de investigação construído de raiz, denominando-se a partir daí Instituto Câmara Pestana, em homenagem ao seu fundador, falecido nesse mesmo ano, por proposta dos estudantes da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa. Em 1911, o Instituto foi incorporado na Universidade de Lisboa, agregado à  Faculdade de Medicina de Lisboa.

O Instituto foi uma instituição de investigação biomédica, com intervenção no campo da saúde pública, por exemplo, nos domínios da difteria, microbiologia clínica ou verificação de produtos biológicos, tendo sido o laboratório nacional produtor da vacina contra a tuberculose, assim como pela vacina antirrábica. A partir de 2008 a maior parte do edifício da Instituto Bacteriológico foi entregue à Universidade Nova de Lisboa que aí instalou um centro de investigação biomédica e as principais atividades do Instituto Bacteriológico Câmara Pestana passaram para o campus do Hospital de Santa Maria.

Freguesia de Arroios
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Azinhaga de um Jogo com Bola

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

No Paço do Lumiar, ainda hoje permanece a Azinhaga do Jogo da Bola, a ligar a Alameda Mahatma Gandhi ao Largo de São Sebastião, como memória da ruralidade desta zona outrora, antes mesmo de ser parte da cidade de Lisboa.

Referências escritas à Azinhaga do Jogo da Bola surgem em  1907 na planta Topográfica de Lisboa de Júlio Silva Pinto e Alberto de Sá Correia, a correr junto à Quinta dos Ingleses, à Azinhaga e Quinta da Torre do Fato, à Estrada de Telheiras e à Quinta de Santo António.

O jogo da bola evocado neste topónimo deve provavelmente ser o jogo da pela, um antepassado do ténis,  cuja prática aproveitava terrenos amplos ao ar livre usando uma bola de cortiça forrada a flanela que era batida com a mão nua. Mais tarde, passaram a usar-se umas luvas e raquetes especiais.O jogo da pela uma das  atividades de lazer dos nobres e dos burgueses nos séculos XVIII e XIX.

Na cidade de Lisboa, já antes do Terramoto de 1755 existia uma Calçada do Jogo de Pela na freguesia do Socorro, a ligar a Rua da Palma à Rua do Arco da Graça e que é a mesma artéria que existe hoje sob a administração das freguesias de Arroios e de Santa Maria Maior. Também na freguesia de Carnide encontramos hoje a Travessa e o Largo do Jogo da Bola,  junto ao Palácio dos Condes de Carnide, que segundo Adélia Maria Caldas Carreira na sua comunicação nas 4ªs Jornadas de Toponímia de Lisboa «É provável que esse terreno, enquanto ainda parte integrante da Quinta, constituísse o local escolhido para as práticas desportivas dos proprietários e respectivos convidados, especialmente para o jogo da bola ou da péla.»

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Largo das Escolas do Bairro das Terras do Forno em Belém

O Largo das Escolas em data entre 1941 e 1945
(Foto: Domingos Alvão, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Largo das Escolas no Bairro das Terras do Forno, em Belém, nasceu como topónimo do Edital de 15 de março de 1950, que atribuiu toponímia a 6 bairros sociais de Lisboa: o do Alto da Ajuda, o do Alto da Serafina, o da Calçada dos Mestres, o de Caselas, o da Encarnação e o da Terras dos Forno.

O Largo das Escolas foi o único topónimo não numérico atribuído no Bairro das Terras do Forno, ao espaço na confluência das Ruas 1, 2 e 3. A designação de Largo das Escolas, no plural, radica no ensino separado por sexos que era então a norma, sendo estas escolas primárias a masculina e a feminina. O edifício foi construído em 1941 e desde 24 de setembro de 2015 que é um Jardim de Infância da rede pública da autarquia.

O Bairro das Casas Económicas Terras do Forno ou Bairro Económico de Belém, traçado pelo arquiteto Raul Lino a partir de 1933, foi inaugurado em 1938 e era constituído por 204 habitações destinadas a funcionários civis e militares, assim como a sócios dos Sindicatos Nacionais.

Por último, refira-se que o Edital de 15 de março de 1950, atribuiu  denominação sobretudo numérica ao Bairro do Alto da Ajuda, de Caselas e da Encarnação;  exclusivamente numérica ao Bairro do Alto da Serafina, e com apenas um topónimo não numérico ao Bairro da Calçada dos Mestres e ao Bairro das Terras do Forno.

Freguesias de Belém
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua do Arco do Aqueduto a São Mamede

Freguesias de Santo António e Campo de Ourique
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Era a Rua do Arco, por mor de ter em si um dos 127 arcos do Aqueduto das Águas Livres, até lhe ser acrescentada a localização a São Mamede no ano de 1953.

Este arruamento que liga a Rua de São Bento à Rua da Escola Politécnica tem um topónimo posterior a 1748 e que já surge referido nas plantas da cidade de Lisboa após a remodelação paroquial de 1780. A Rua do Arco a São Mamede ostenta um dos 127 arcos do Aqueduto das Águas Livres, equipamento que começou a fornecer água à cidade de Lisboa a partir de 1748, aumentando assim de 6 para 15 litros o volume de água diário que cada cidadão de Lisboa tinha ao seu dispor.

Por volta de 1908, ficou o arco com um chafariz de encosto, da autoria de Honorato Correia de Macedo e Sá, seguindo a influência do modelo de chafariz ligado ao Aqueduto que foi introduzido por Reinaldo Manuel dos Santos. A ordem para a construção deste chafariz,  alimentado pelas águas provenientes da Galeria da Esperança e da Água Livre por intermédio da Casa do Registo das Amoreiras, partiu da Direção das Águas Livres em 12 de junho de 1805.

Já o topónimo ficou a ser Rua do Arco a São Mamede por parecer da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa, que no dia 21 de outubro de 1953 foi  homologado pelo Vice-Presidente da CML que era então Luís Pastor de Macedo.

Refira-se que na parte da rua mais próxima da Rua de São Bento foi morador Frederico Romão Daupiás d’Alcochete (1839-1928) que também tinha aí os seus jardins de ensaio de floricultura.

Também no século XVIII terá ali vivido uma família Soares já que Gustavo de Matos Sequeira menciona que o prédio da Rua do Arco que torneja para a Rua do Noronha tem «uma lápide com os seguintes dizeres : SOARES — N.” 21», para além de acrescentar  que em 1762 é mencionada pela primeira vez uma Rua dos Soares que o olisipógrafo não conseguiu apurar se seria a Rua do Arco ou a Rua do Noronha. Mencione-se que Gustavo de Matos Sequeira residiu numa artéria transversal a esta Rua do Arco a São Mamede, a Rua Nova de Santo António, que depois ficou com o seu nome.

Freguesias de Santo António e Campo de Ourique
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

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A Rua do Instituto Industrial de Fontes Pereira de Melo

Freguesia da Misericórdia
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do Instituto Industrial, que liga a Avenida 24 de Julho à Rua da Boavista, é um topónimo resultante de ser a artéria onde nasceu em 1852 o Instituto Industrial de Lisboa, estabelecimento de ensino técnico criado por Fontes Pereira de Melo, por decreto de 30 de dezembro desse ano.

Refira-se ainda que não muito longe podemos encontrar o Largo Vitorino Damásio, topónimo que consagra o engenheiro do Conselho Superior de Obras Públicas e Minas que dirigiu em 1852 as obras do Aterro – que viriam a permitir a Avenida 24 de Julho –  e a partir do ano seguinte, desempenhou as funções de Reitor do Instituto Industrial.

Dezassete anos após o seu nascimento, em 1869, o Instituto Industrial de Lisboa sofreu uma fusão com a Escola de Comércio e passou a denominar-se Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, denominação que manteve até 1911, ano em que foi divido em duas instituições: o Instituto Superior Técnico e o Instituto Superior de Comércio (hoje ISEG), tendo em 1930 integrado a criação da Universidade Técnica de Lisboa sob a denominação de Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras.

A data de fixação deste topónimo será posterior a 1852, provavelmente ainda atribuído pelo Governo Civil de Lisboa. Na documentação municipal descortinamos as primeiras menções à Rua do Instituto Industrial no último quartel do séc. XIX, nomeadamente numa resolução municipal de 28 de dezembro de 1874 sobre redução do arrendamento de prédios na artéria, bem como num requerimento de 16 de fevereiro de 1878 do Director da Companhia Previdente pedindo a prorrogação do prazo para a conclusão da reconstrução do edifício da Fábrica da Companhia neste arruamento, ou ainda na identificação do traçado de uma casa de banhos que Teresa de Jesus Soares pretendia em 1883 construir no prédio com o nº 91 da Rua da Boavista, fazendo esquina para a Rua do Instituto Industrial. Certo também é que a primeira planta em que surge a Rua do Instituto Industrial como topónimo é na de 1876, executada por Francisco Goullard para a Câmara Municipal de Lisboa.

Freguesia da Misericórdia
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

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Do Largo do Matadouro público ao Largo da Escola Municipal nº 1

O Largo da Escola Municipal no início do séc. XX
(Foto: Paulo Guedes, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Largo da Escola Municipal, na confluência da Rua de São Lázaro, Rua Nova do Desterro e Rua do Saco, consagra desde a publicação do Edital municipal de 8 de agosto de 1889 a Escola Municipal nº 1, ali construída 14 anos antes – em 1875 – no local onde fora o matadouro público que havia dado ao local o nome de Largo do Matadouro.

Sobreposição da planta de Filipe Folque de 1858 com a dos nossos dias para se ver o Largo da Escola Municipal no Largo do Matadouro

Como se pode ver  na planta de Filipe Folque de 1858, o espaço deste Largo da Escola Municipal era o Largo do Matadouro, contíguo ao Matadouro público instalado entre a Rua das Forçureiras [vendedoras de forçuras que eram  os bofes e os intestinos das reses] e o Beco do Saco [hoje Rua do Saco] que não deve ser confundido com o Largo do Matadouro que mais tarde alojou o Matadouro Municipal e hoje conhecemos como Praça José Fontana.

Dois anos depois da abertura da Escola nº 1, um ofício de 25 de junho de 1877, do professor António Simões Lopes, pedia à Câmara providências para um muro com apenas 5 a 6 cm de altura do lado do edifício escolar, pelo perigo dos alunos caírem para o lado da rua. Também oito anos depois, em 5 de agosto de 1883, nasceu encostada a esta Escola Municipal nº 1 a então Biblioteca Municipal de São Lázaro.

O Serviço de Instrução fora criado na Câmara Municipal de Lisboa dois anos antes desta Escola nº 1, em 16 de setembro de 1873, sucedendo ao «Pelouro das escolas municipaes de artes e industria, e Beneficencia» que existia desde 1852. Este Serviço dependia do Pelouro da Instrução que teve como primeiro vereador José Elias Garcia, que desempenhou essas funções em 1873-1875 e 1878-1881, com competências no domínio da instrução primária e das bibliotecas municipais.

Quando da atribuição do Largo da Escola Municipal, em 8 de agosto de 1889, era vereador Augusto José da Cunha que manteve as funções até ao final desse ano. Três anos depois, em 1892, a responsabilidade da instrução primária passou para o Estado e o Pelouro da Instrução municipal foi extinto, ficando apenas uma delegação na 1ª Repartição do Serviço de Fazenda Municipal que durou até setembro de 1913, porque o Decreto de 29 de junho de 1913 procedera à descentralização do ensino primário e a Câmara Municipal de Lisboa voltou a ter responsabilidades na área da instrução primária até 1918, quando o Decreto de 12 de julho transferiu novamente a responsabilidade da instrução primária para o Estado, o que gerou contestação por parte de alguns vereadores.

Em 1919, por proposta do vereador Vladimiro Contreiras, a Instrução passou a inserir-se nos serviços da Secretaria Geral da edilidade, na 2ª Secção da 3ª Repartição (Instrução, Estatística, Bibliotecas e Arquivos), à qual competia as direções das bibliotecas municipais e dos estabelecimentos de instrução pública.  Em 1921, com uma reorganização dos Serviços Municipais, a Instrução passou para a 6ª Repartição dos Serviços Técnicos, de Bibliotecas, Museus, Arquivos e Escolas. Em  1924, o Pelouro passou a denominar-se Pelouro da Instrução e Assistência, responsável pela instrução primária e pela assistência do município, sendo Alexandre Ferreira o vereador, até junho de 1926.

Freguesia dos Arroios
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Avenida da Universidade Técnica

Freguesia da Ajuda
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Como nos anos setenta do século passado a Câmara Municipal de Lisboa consagrara a Alameda da Universidade também no dealbar do novo século fixou na toponímia da cidade a Universidade Técnica de Lisboa, através da Avenida da Universidade Técnica, no Pólo Universitário da Ajuda.

A pedido da própria Universidade Técnica a edilidade lisboeta denominou a Rua B do Pólo Universitário da Ajuda como Avenida da Universidade Técnica, através do Edital municipal de 19 de abril de 2004, que também colocou nas restantes Ruas  nomes de professores  ligados à instituição e às faculdades ali instaladas: os veterinários  Ildefonso Borges Rua Joaquim Fiadeiro, o professor de Medicina Social e Antropologia Cultural Almerindo Lessa e ainda, o pintor Sá Nogueira, professor de arquitetos e designers.

Criada em 1930, a Universidade Técnica de Lisboa aglutinou a Escola Superior de Medicina Veterinária (depois, Faculdade de Medicina Veterinária), o Instituto Superior de Agronomia, o Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras (depois, Instituto Superior de Economia e Gestão) e o Instituto Superior Técnico. Somaram-se o Instituto Superior de Estudos Ultramarinos em 1961, o Instituto Nacional de Educação Física em 1976 e a Faculdade de Arquitetura em 1979.

Em 2004, no ano de atribuição do topónimo, a Universidade Técnica de Lisboa integrava a Faculdade de Medicina Veterinária (FMV), o Instituto Superior de Agronomia (ISA), o Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), o Instituto Superior Técnico (IST), o Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), a Faculdade de Motricidade Humana (FMH) e a Faculdade de Arquitectura (FA).

Na década de 90 do século XX, a instalação do Instituto Superior de Agronomia, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, da Faculdade de Medicina Veterinária e da Faculdade de Arquitectura, no Pólo Universitário do Alto da Ajuda, contíguo à Tapada, a Monsanto, ao Casalinho da Ajuda e à envolvente do Palácio da Ajuda, contribuiu em muito para a consolidação e a requalificação desta área de Lisboa, para além do ensino e da investigação científica, ao fazer acorrer diariamente a esta zona da cidade várias centenas de cidadãos, entre estudantes, professores, investigadores e frequentadores de actividades científicas e culturais da Universidade.

No ano de 2013, a partir do Decreto-Lei n.º 266-E/2012, de 31 de dezembro, operou-se a fusão da Universidade Técnica de Lisboa com a Universidade de Lisboa, ficando ambas as Universidades novamente unidas sob o nome de Universidade de Lisboa.

Freguesia da Ajuda
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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Da Cruz do Tabuado à Rua da Escola de Medicina Veterinária

O Instituto de Agronomia e Veterinária em data entre 1898 e 1908
(Foto: Machado & Souza, Arquivo Municipal de Lisboa)

A antiga Travessa do Abarracamento da Cruz do Tabuado passou pelo edital municipal de 10 de junho 1884 a ser a Rua do Instituto Agrícola dada a proximidade a esta escola. Após a implantação da República, por edital de 7 de agosto de 1911, foi o topónimo alterado para Rua da Escola de Medicina Veterinária, correspondendo assim também à mudança do nome do estabelecimento de ensino, e é esse hoje que ainda encontramos na artéria que liga a Rua de Dona Estefânia à  Praça José Fontana.

No séc. XIX,  no lugar da Cruz do Taboado, foi inaugurado oficialmente em 16 de dezembro de 1852 o Instituto Agrícola, que a partir  1855 integrou a Escola de Veterinária, e em 1884 ficou na toponímia lisboeta como Rua do Instituto Agrícola.

O ensino da medicina veterinária nasceu por decreto de 1830, do então rei D. Miguel, instalando-se a  Escola Militar Veterinária nos arrabaldes de Lisboa, no sítio da Luz, paredes meias com o Colégio Militar, sendo em 1833 transferida para o edifício do Convento dos Padres Brunos na Rua do Salitre e ganhando em 1836 o nome de Escola Nacional e Real de Economia Rural Veterinária. Nela se formaram médicos veterinários  como Ferreira Lapa,  Bernardo Lima, de José Maria dos Santos e Gualdino Gagliardini, entre outros. Depois, em 1864, deu-se a fusão do Instituto Agrícola de Lisboa com a Real Escola Veterinária Militar da Rua do Salitre sob a denominação global de  Instituto Geral de Agricultura que em 1886 mudará para Instituto de Agronomia e Veterinária.

Após a implantação da República, em dezembro de 1910 o Instituto de Agronomia e Veterinária passou a ser duas escolas – o Instituto de Agronomia e a Escola de Medicina Veterinária -, tendo em 1911 passado à toponímia como Rua da Escola de Medicina Veterinária para substituir a Rua do Instituto Agrícola.

Em 1930 tanto a Escola Superior de Medicina Veterinária como o Instituto Superior de Agronomia foram duas das 4 escolas fundadoras da Universidade Técnica de Lisboa, com o Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras e o Instituto Superior Técnico. Em 1 de agosto de 1989 passou a denominar-se Faculdade de Medicina Veterinária e na década seguinte passou a estar instalada no pólo universitário do Alto da Ajuda, ficando na memória toponímica de Lisboa a recordação das suas antigas instalações. O antigo edifício da escola na Rua da Escola de Medicina Veterinária começou a ser demolido em 2011 para dar lugar ao novo complexo da Polícia Judiciária, inaugurado em 2014.

Freguesia de Arroios
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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Do Pé da Costa à Calçada do Correio Velho

Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Calçada do Correio Velho que hoje liga a Rua de Santo António da Sé, junto ao Largo de Santo António da Sé,  à Rua de São Mamede é uma das mais antigas serventias de Lisboa que foi tomando novos topónimos, até se fixar no serviço de Correio que ali perto existiu.

Esta artéria corria paralela à muralha moura e em meados do séc. XV era denominada como Pé da Costa. No Tombo de 1573 surge como rua pública e calçada que vay para a costa ou Rua da Costa.  Depois, de 1606 até 1797 aí esteve instalado o edifício do serviço de correio, que foi privilégio da família Gomes da Mata e antes do Terramoto de 1755 chamava-se Calçada do Correio. O edifício da Calçada do Correio foi derrubado pela catástrofe  e o serviço dos correios passou entretanto para a alçada direta da Coroa e foi instalado de 1801 a 1881, em regime de arrendamento, no Palácio Marim-Olhão, no nº 38 da Calçada do Combro junto ao Largo do Calhariz,  pelo que o palácio também é designado como Palácio do Correio-Mor.

Freguesia de Santa Maria Maior – Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

No Cartulário Pombalino, na década de 70 do séc. XVIII, o arruamento surgia como Rua de Santo António. E sabendo que o acrescento Velho num topónimo costuma resultar da mudança do serviço para outra localização, como aconteceu na  Rua do Cais da Alfândega Velha e nos já desaparecidos Largo das Cortes Velhas e Travessa do Tesouro Velho, parece mais plausível que Calçada do Correio Velho seja um topónimo posterior a 1797.

No Atlas de  Filipe Folque de 1858 surge como Travessa do Correio Velho mas em 1879, no levantamento de Francisco e César Goullard já é Calçada do Correio Velho, como depois surge sempre em documentos municipais de 1904 e 1905, assim como na planta de 1909 de Júlio Silva Pinto.

O serviço de correios públicos em Portugal foi estabelecido por D. Manuel I que mandou passar carta de Correio-Mor a Luís Homem, cavaleiro de sua casa, em 1520. Este ofício de Correio-Mor manteve-se na família Gomes da Mata, entre 1606 e 1797 e sobre o edifício do Correio-Mor foi construído o Palácio Penafiel, em cujas traseiras se situa o Largo do Correio Mor, topónimo de 1867, atribuído por sugestão do Conde de Penafiel, dirigida ao Governo Civil de Lisboa. Em 1797, os serviços de Correio passaram para a alçada direta da Coroa e foi extinto o ofício de Correio-Mor do Reino, pelo que o 8.º e último Correio Mor, Manuel José da Mata de Sousa Coutinho, recebeu várias compensações  como o título de Conde de Penafiel.

Freguesia de Santa Maria Maior
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua do Instituto Dona Amélia junto à Avenida 24 de Julho

Freguesia da Misericórdia
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Junto ao então edifício da Assistência Nacional aos Tuberculosos nasceu em 1947 a Rua do Instituto Dona Amélia, a ligar a Avenida 24 de Julho à Rua da Ribeira Nova.

Nas suas visitas regulares a arruamentos de Lisboa para estudar a nomenclatura a atribuir-lhes, a Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa decidiu em 22 de maio de 1946 propor «que o arruamento sem nome que começa na Avenida Vinte e Quatro de Julho e finda na Rua da Ribeira Nova, entre o Mercado Vinte e Quatro de Julho e o edifício da Assistência Nacional aos Tuberculosos, tenha a denominação de Rua do Instituto Dona Amélia», a que a edilidade respondeu favoravelmente atribuindo esse topónimo através do Edital municipal de 18 de dezembro de 1947.

Quando a tuberculose era uma doença temível,  com uma taxa de cerca de 297 a 396 mortes por 100 mil habitantes, a Rainha D. Amélia de Orleães e Bragança (1865 – 1951), fundou a Assistência Nacional aos Tuberculosos através da Lei de 17 de agosto de 1899, a primeira instituição oficial portuguesa de luta contra a tuberculose. A sede abriu em 1906 no Instituto Rainha D. Amélia, na então Rua 24 de Julho ( e Avenida depois de 1928). Começou por ser uma associação de beneficência, que recolheu à época uma enorme adesão e cuja lei potenciou a disseminação um pouco por todo o país de hospitais, sanatórios e dispensários para combater a tuberculose.

Em 1911 foi criada uma Comissão permanente incumbida de estudar a reorganização geral da Assistência Geral aos Tuberculosos e de propor acções profiláticas e de assistência, de carácter oficial ou privado. Todavia, a proliferação da tuberculose levou à criação em 1924, de um fundo de assistência aos tuberculosos ferroviários, para a construção e manutenção de sanatórios.

Em 1931 foi criado o lugar de diretor dos serviços gerais da Assistência Nacional aos Tuberculosos e uma Comissão encarregada de apresentar um projeto de reorganização dos serviços  tendo quatro anos depois sido aprovados novos estatutos. Em 7 de novembro de 1945 (Decreto-Lei n.º 35.108) foi criado o Instituto Nacional de Assistência aos Tuberculosos (IANT) que absorveu a Assistência Nacional aos Tuberculosos criada pela Rainha D. Amélia.

Em 1975 foi criado o SLAT – Serviço de Luta Anti-Tuberculosa (Decreto-Lei 260/75 de 26 de maio) que foi absorvendo progressivamente as atribuições do Instituto Nacional de Assistência aos Tuberculosos para na década de noventa tudo ficar na tutela da Administração Regional de Saúde de Lisboa.

Freguesia da Misericórdia
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

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