A Rua Cesina Adães Bermudes e o parto sem dor

Freguesia de Carnide (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Carnide
(Foto: Sérgio Dias)

A médica obstetra Cesina Adães Bermudes, uma das pioneiras em Portugal pela divulgação e prática do primeiro método de parto sem dor, desde a publicação do Edital de 24/09/2009 que dá o seu nome ao que eram as Ruas E e F do Pólo Tecnológico de Lisboa.

Pelo mesmo Edital foram fixados nos restantes arruamentos do Pólo Tecnológico de Lisboa a também médica Laura Ayres, e os industriais e banqueiros António Champallimaud, Carlos Alves, Cupertino de Miranda e Francisco Cortês Pinto.

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Cesina Borges Adães Bermudes (Lisboa/20.05.1908 – 2001), filha de Cândida Bermudes e do escritor Félix Bermudes, concluiu a sua licenciatura na Faculdade de Medicina de Lisboa em 1932, foi assistente na cadeira de Anatomia e Clínica Geral nos Hospitais Civis de Lisboa e, especializou-se em Obstetrícia (1937), com 19 valores na sua dissertação das provas de Doutoramento (1947).

Em 1954, Cesina partiu para Paris para estudar novas técnicas de parto, e ao regressar pugnou pela introdução no nosso país do método do parto sem dor, tendo mesmo publicado sobre esta temática em diversas revistas médicas, de que se destacam os artigos «Bases Científicas do Parto sem Dor» (1955) e «Notas Soltas sobre o Parto sem Dor» (1957). Com o também obstetra Pedro Monjardino foram pioneiros em Portugal no parto psicoprofilático, vulgarmente denominado parto sem dor, na década de cinquenta do séc. XX.

Cesina Adães Bermudes foi também uma cidadã empenhada na política e, após ter participado na campanha de Norton de Matos à presidência, em 1949, ao lado de Maria Lamas e Isabel Aboim Inglês, foi presa no Forte de Caxias a 14 de outubro de 1949, por integrar a Comissão Central do Movimento Nacional Democrático Feminino, de onde foi libertada três meses depois, a 14 de janeiro de 1950 mas,  foi doravante impedida de ensinar na Faculdade de Medicina de Lisboa devido às suas convicções anti-salazaristas, e viu-se assim obrigada a seguir carreira docente na disciplina de Puericultura em várias escolas industriais.

Foi ainda a primeira secretária-geral da Sociedade Teosófica em Portugal e membro da Sociedade Anatómica de Portugal e da Sociedade Anatómica Luso-Espanhola-Americana.

Freguesia de Carnide (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Carnide
(Planta: Sérgio Dias)

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A Rua Profª. Teresa Ambrósio na Cidade Universitária

Freguesia de Alvalade (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade
(Foto: Sérgio Dias)

A partir do voto de pesar da CML, foi o nome da Profª. Teresa Ambrósio inscrito na toponímia de Lisboa, na Rua Interior da Alameda da Universidade, entre a Faculdade de Farmácia e a Faculdade de Medicina Dentária, por Edital de 16/09/2009, com a legenda «Pedagoga e Política/1937 – 2006».

Pelo mesmo Edital, mais 3 arruamentos da zona da Universidade Clássica de Lisboa ganharam nomes de investigadores, a saber, do matemático António Aniceto Monteiro, da química Branca Edmée Marques e do geólogo Paul Choffat.

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Maria Teresa Vieira Bastos Ramos Ambrósio (Vila Nova de Ourém/1937 – 11.09.2006/Lisboa) distribuiu-se pelos domínios académico, de administração e político, tendo sempre pugnado pela ascensão da intervenção da mulher na cultura, na educação e na política.

Licenciada em Ciências Físico-Químicas (1959), Mestre em Sociologia do Desenvolvimento pela Universidade de Grenoble (1975) e Doutora em Ciências da Educação pelas Universidades de Lisboa e de Tours (1986), foi Professora da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa – onde fundou a Secção de Ciências da Educação-, criou a Unidade de Investigação, Educação e Desenvolvimento (UEID) que coordenava assim como o Mestrado em Ciências da Educação, para além de ter sido também Professora «Agrégée» da Universidade de Tours.

Na área de administração, Teresa Ambrósio exerceu funções de Técnica de Planeamento da Educação (no Secretariado Técnico da Presidência do Conselho de Ministros e no Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministério da Educação), de Coordenadora de painéis na área das Ciências da Educação e da Psicologia, bem como da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, sendo de destacar da sua produção de investigação, entre muitos outros títulos, as obras Reinventar o Pensamento Educativo (1998), e Qualificação de Recursos Humanos e Valorização Humana (2003). Foi ainda Diretora do Instituto de Estudos e Desenvolvimento – IED (1979), Presidente do Conselho Nacional de Educação (1996 – 2002), e nessa qualidade Presidente da Rede Europeia de Conselhos Nacionais de Educação (1997), membro do Conselho Executivo da Rede Europeia da «Modelisation de la Complexité» (desde 2003), consultora da Comunidade Europeia na área da Educação e Formação, e participante em várias Redes Internacionais de Formação de Recursos Humanos, Mudança Social e Desenvolvimento. Foi ainda fundadora, em 2003, da Associação Portuguesa de Mulheres Cientistas (AMONET).

Na sua carreira política foi Deputada à primeira Assembleia Municipal de Lisboa (1977-1979) e à Assembleia da República pelo Partido Socialista (1976 – 1983), tendo neste último caso sido Presidente da Comissão Parlamentar da Condição Feminina, Vice – Presidente da Comissão Parlamentar de Educação e Vice – Presidente do Grupo Parlamentar do Partido Socialista.

Freguesia de Alvalade (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias)

 

A Rua da 1ª licenciada em arquitetura em Portugal

Freguesias de Carnide e do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias de Carnide e do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

Maria José Estanco, a primeira licenciada em arquitetura em Portugal, dá o seu nome desde 2009 ao arruamento entre a Azinhaga da Torre do Fato e a Rua Prista Monteiro, com a legenda «Arquitecta e Professora Liceal/1905 – 1999».

Maria José Brito Estanco Machado da Luz (Loulé/26.03.1905 – 30.09.1999) foi a primeira mulher portuguesa a licenciar-se em Arquitetura, recebendo até o prémio de melhor aluno do curso e não obstante, por condicionalismos sociais e de mentalidade da época, nunca conseguiu exercer a profissão e enveredou pela docência liceal.

Maria José Estanco terminou o curso em 1935 e, em 1942, teve oportunidade de defender tese, com um projeto para o que poderia vir a ser o primeiro Jardim-Escola João de Deus a ser construído no Algarve. Só que nessa época, há uns 80 anos atrás, não se acreditava que uma mulher fosse capaz de realizar projetos de arquitectura exequíveis e, apesar de Maria José Estanco ter procurado ingressar em vários ateliers nunca conseguiu ser admitida e, chegou mesmo a ser caricaturada pelos jornais da altura. Embora admitida como membro do Sindicato Nacional dos Arquitetos em 6 de junho de 1945, Maria José Estanco foi  professora ao longo de toda a sua vida, nos liceus D. Filipa de Lencastre, Maria Amália Vaz de Carvalho e Passos Manuel, bem como no Instituto de Odivelas e, ainda deu ainda aulas de desenho e pintura no Estabelecimento Prisional do Linhó, gratuitamente, tendo em paralelo criado a  secção de decoração de interiores e criação de móveis na revista Modas e Bordados.

Maria José Estanco foi mãe do arquiteto e crítico de cinema, Manuel José Estanco Machado Luz e, casada com o pintor Raimundo da Silva Machado da Luz e, em 1992, foi agraciada com  a Distinção de Honra do MDM – Movimento Democrático de Mulheres.

 

Freguesia de Carnide (Planta: Sérgio Dias)

Freguesias  de Carnide e do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

É já amanhã a inauguração das Ruas José Travassos e Vítor Damas

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As Ruas José Travassos e Vítor Damas, na Freguesia do Lumiar, vão ser inauguradas amanhã, dia 27 de Março, a partir das 13:00 horas, com a presença do Vice-Presidente da CML, Fernando Medina, representantes do Sporting Clube de Portugal e o Presidente da Junta de Freguesia do Lumiar, Pedro Delgado Alves.

A inauguração destas artérias através do descerramento das suas placas toponímicas realiza-se no âmbito do lançamento da 1ª pedra do Pavilhão João Rocha.

Freguesia do Lumiar

Freguesia do Lumiar

Berta, a voz de oiro do fado, em Santa Clara

Berta Cardoso por Amarelhe, O Cartaz de Lisboa,1937

Berta Cardoso por Amarelhe, O Cartaz de Lisboa,1937

Dez anos após o seu falecimento, a fadista Berta Cardoso, conhecida como A voz de oiro do fado, deu o seu nome a uma rua da Freguesia de Santa Clara.

Foi pelo Edital municipal de 27/04/2007  que nos arruamentos projetados ao Bairro das Galinheiras foram fixados s nomes de Berta Cardoso na Rua 3, do escultor Barata Feyo (Rua 2) e da pintora Maluda (Rua 1 ), bem como no ano seguinte, do guitarrista Jaime Santos (Rua 4), já pelo edital de 03/07/2008.

Berta dos Santos Cardoso (Lisboa/21.10.1911 – 12.07.1997/Lisboa), nascida alfacinha na Rua da Condessa, no Carmo, foi uma fadista de referência da chamada Época de Ouro,  sendo até considerada como a loucura dos fadistas desde a sua estreia em público, em 1927, no Salão Artístico de Fados, no Parque Mayer, acompanhada por Armandinho e, onde obteve tal êxito que foi convidada para integrar o elenco da casa, o que não se concretizou  por ela ter apenas 16 anos.

Em 1931 gravou o seu primeiro disco, em Espanha, e a partir daí ficou conhecida como A voz de oiro do fado, tendo conseguido no decorrer das décadas de 30, 40 e 50 do século XX uma carreira notável dividida entre os palcos das casas de fado ( Café Luso, Retiro da Severa, Solar da Alegria e Salão Jansen, ) e dos teatros de revista. A partir da década de 60 passou a trabalhar exclusivamente em casas de fado, sobretudo no Faia, na Rua da Barroca e, no Viela. Berta Cardoso finalizou a sua longa carreira artística no ano de 1982, no Poeta, em Alfama, espaço do poeta José Luís Gordo e da sua esposa, a fadista Maria da Fé.

«Fado Antigo», «Fado Faia», «Chinela», «Meu Lar», «Cinta Vermelha»,«Cruz de Guerra»  e «Meu amor fugiu do ninho» foram alguns dos maiores êxitos de Berta Cardoso mas acresce que como nome conceituado do Fado tradicional, esta fadista fez também as suas aparições na televisão, destacando-se a sua presença, em 1969, no programa Zip, Zip e a transmissão da sua festa no programa Bodas de Ouro de uma Fadista. Fez ainda uma aparição no cinema, de atuações suas com Alfredo Marceneiro, para o filme Feitiço do Império, de António Lopes Ribeiro, que estreou em 1940.

Freguesia de Santa Clara (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Clara

Freguesia de Santa Clara

Carolina Michaëlis de Vasconcelos, no papel e na toponímia de Lisboa

Ilustração Portuguesa, 1926

Ilustração Portuguesa, 1926

Carolina Michaelis de Vasconcelos, nascida alemã, casou-se com um português e aqui desenvolveu a sua investigação na área da linguística e da filologia, tendo logo em 1932 dado nome a uma artéria de Lisboa mas desse plano em papel nunca resultou aplicação prática e Carolina só se fixou numa artéria alfacinha quarenta anos depois.

Por deliberação camarária de 23 de março de 1932, o nome de Carolina Michaëlis  de Vasconcelos foi atribuído a um arruamento cujo plano de urbanização não chegou a executar-se, pelo que passados 40 anos, pelo Edital de 5 de junho de 1972, esta professora universitária passou a dar nome à Rua A ao Calhariz de Benfica, também conhecida como arruamento ao longo do Caminho de Ferro, com a legenda «Professora/1851 – 1925».

Carolina Wilhelma Michaëlis de Vasconcelos (Alemanha- Berlim/15.03.1851 – 22.10.1925/Porto) foi uma linguista, filóloga, historiadora da literatura portuguesa e a primeira mulher a ensinar numa universidade portuguesa, que após ter casado em 1876 com o arqueólogo e historiador de arte Joaquim de Vasconcelos se radicou no nosso país e residiu muitos anos na cidade do Porto.

Como primeira mulher docente numa Universidade portuguesa começou na Faculdade de Letras de Coimbra, em 1911, e depois, em Lisboa. Da vasta obra publicada destacam-se Poesia de Francisco Sá de Miranda (1885), História da Literatura Portuguesa (1897), A Infanta D. Maria de Portugal e as Damas da sua Corte – 1521-1577 (1902), a edição monumental do Cancioneiro da Ajuda (1904), Lições de Filologia Portuguesa (1912) e Notas Vicentinas (1912-1922), para além de  ter dirigido a Revista Lusitana.

Carolina Michaëlis e Maria Amália Vaz de Carvalho  foram também as duas primeiras mulheres a ser admitidas na Academia de Ciências de Lisboa, em 1912, apesar das resistências de alguns membros.

Foi distinguida como sócia honorária do Instituto de Línguas Vivas de Berlim (1877), com o título de doutora pelas Universidades de Friburgo (1893), Coimbra (1916) e Hamburgo (1923) e ainda, com o oficialato da Ordem de Santiago (1905).

Freguesias de São Domingos de Benfica e de Benfica (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias de São Domingos de Benfica e de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

Freguesias de São Domingos de Benfica e de Benfica

Freguesias de São Domingos de Benfica e de Benfica

Travassos e Damas em novas ruas de Lisboa

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As Ruas José Travassos e Vítor Damas, na Freguesia do Lumiar, vão ser inauguradas na próxima sexta-feira, dia 27 de Março, ao meio-dia, com a presença do Presidente da CML, António Costa, representantes do Sporting Clube de Portugal e o Presidente da Junta de Freguesia do Lumiar, Pedro Alves.

O ponto de encontro será junto ao Pavilhão Multidesportivo do Sporting Clube de Portugal.

Freguesia do Lumiar

Freguesia do Lumiar

O Largo da Princesa Maria Francisca Benedita

Freguesia de Belém (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Belém
(Foto: Sérgio Dias)

O Largo da Princesa, em Belém, é um topónimo cuja origem radica na antiga Quinta da Princesa que existiu neste local, propriedade da filha mais nova de D. José I.

Esta quinta era propriedade da Infanta D. Maria Francisca Benedita Ana Isabel Josefa Antónia Lourença Inácia Gertrudes Rita Joana Rosa de Bragança (Lisboa-Palácio da Ajuda/25.07.1746- 19.08.1829/Palácio da Ajuda-Lisboa), a quarta e última filha do Rei D. José I e irmã da Rainha D. Maria I. Era também princesa do Brasil desde os seus 30 anos, pelo seu casamento com o Príncipe D. José, seu sobrinho e filho de D. Maria I, então com 15 anos, sendo que com a morte deste onze anos depois, em 1788, a tornou conhecida como a Princesa-viúva.

D. Maria Francisca Benedita fundou em Runa o Asilo dos Inválidos Militares.

Em 1939  (Foto: Eduardo Portugal, Arquivo Municipal de Lisboa)

Em 1939
(Foto: Eduardo Portugal, Arquivo Municipal de Lisboa)

Freguesia de Belém

Freguesia de Belém

A Rua Profª. Virgínia Rau em Telheiras

A historiadora Virgínia Rau tem o seu nome perpetuado numa artéria de Telheiras desde 1978, na zona que ficou conhecido como Bairro dos Professores.

A Rua Profª. Virgínia Rau ficou no Impasse 11 A da Zona de Telheiras, pelo Edital municipal de 27/02/1978, o qual consignou mais 26 topónimos, dos quais 14 foram todos em arruamentos de Telheiras e todos dedicados a Professores Universitários, sendo a primeira vez que Lisboa homenageou esta classe profissional em conjunto, o que originou que a zona ficasse conhecida como Bairro dos Professores. Os restantes escolhidos para além da Profª Virgínia Rau foram os historiadores Prof. Queiroz Veloso e Prof. Damião Peres; os historiadores de arte Prof. João Barreira, Prof. Luís Reis Santos e Prof. Mário Chicó; o historiador da Literatura Portuguesa Prof. Hernâni Cidade; os filósofos Prof. Delfim Santos e Prof. Vieira de Almeida; o matemático Prof. Bento de Jesus Caraça e, os médicos Prof. Mark Athias, Prof. Henrique Vilhena,  Prof. Pulido Valente e Prof. Fernando da Fonseca.

Virgínia Robertes Rau (Lisboa/04.12.1903 – 02.12.1973/Lisboa) foi uma mulher que se notabilizou como professora universitária da Faculdade de Letras de Lisboa e investigadora de história económica. Da sua vasta obra publicada destaquem-se os Subsídios para o Estudo das Feiras Medievais Portuguesas (1943), Sesmarias Medievais Portuguesas (1946), Estudos de História Económica (1961), Portugal e o Mediterrâneo no Século XV (1973), Feiras Medievais Portuguesas (1982) e Estudos de História Medieval (1985).

Refira-se ainda a Virgínia Rau fundou e dirigiu o Centro de Estudos Históricos (Instituto de Alta Cultura) da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (que é hoje o Centro de História da Universidade de Lisboa) , entre 1958 e 1973, para além de ter sido diretora da Faculdade de Letras no período de 1964 a 1969.

Foi agraciada com a Ordem da Instrução Pública em 1969.

Freguesia do Lumiar

Freguesia do Lumiar

A benemérita que deu nome ao Rossio dos Olivais

O Ocidente” , 1 de Agosto de 1892

O Ocidente, 1 de agosto de 1892

A benemérita Viscondessa dos Olivais passou a dar nome ao antigo Rossio dos Olivais, mais ou menos um mês após o seu falecimento, pelo Edital municipal de 22 de julho de 1892.

O conjunto urbano que hoje identificamos como Olivais Velho começou a definir-se no século XVI, com a construção de casas em redor da Igreja matriz e, nas traseiras do templo era o espaço denominado Campo da Feira. O terramoto de 1755 destruiu a Igreja que foi reconstruída logo a seguir e foi também nesta altura traçado o Rossio que a partir de 1892 se passou a denominar Praça  Viscondessa dos Olivais, homenageando assim uma moradora local que em 1866 quis ali fundar um asilo para crianças.

A Viscondessa dos Olivais era Maria Rosa da Veiga Araújo (Macau/1823-25.06.1892/Lisboa), filha de Joaquim José Ferreira da Veiga e de Rosa Joaquina Paiva, que se casou com António Teófilo de Araújo, o qual por Decreto de 22 de março de 1864 se tornou o 1º Visconde dos Olivais e, por inerência, a sua esposa, passou a viscondessa. A Viscondessa protegeu várias instituições de beneficência , como o Asilo da Lapa e fundou o dos Olivais, em 24 de maio de 1866, destinado a crianças pobres – meninas até aos 14 anos e meninos até aos 8 anos- e, ao qual deixou um avultado legado em testamento (14.400$000 réis).

D. Maria Rosa da Veiga Araújo foi distinguida em 1886, com uma medalha de honra da francesa Sociéte de l’encoragement au bien pelos serviços prestados à humanidade.

Freguesia dos Olivais

Freguesia dos Olivais