A Rua do Professor de Medicina Tropical e de Letras Silva Teles

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Professor de Medicina Tropical e do Curso Superior de Letras que também foi Reitor da Universidade de Lisboa (1928) e Ministro da Instrução Pública (1929), o Dr. Silva Teles está inscrito na toponímia das  Avenidas Novas desde a publicação do Edital municipal de 17 de abril de 1934, a ligar a Rua Tenente Espanca à  Rua da Beneficência.

Francisco Xavier da Silva Teles (Goa/02.09.1860 – 21.05.1930/Lisboa) que fixou residência em Lisboa no ano de 1900, enquanto docente exerceu como professor da cadeira de Higiene e Climatologia na Escola de Medicina Tropical desde 1902, como professor das cadeiras de Geografia (1904), Geografia Económica Geral e Especial, Geografia Económica de Portugal e suas Colónias e Geografia Económica do Brasil, no Curso Superior de Letras. Em 1911 passou a acumular como professor do Instituto Superior do Comércio de Lisboa e em 1927 foi também professor da cadeira de Administração Colonial, cargo que acumulou com os de diretor da Escola de Medicina Tropical de Lisboa para no ano seguinte, a 24 de fevereiro, ser nomeado Reitor da Universidade de Lisboa e no ano que se seguiu, Ministro da Instrução Pública, de 8 de julho a 11 de setembro, já que demitiu por discordâncias de orientação política.

Formado em medicina na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa (1880), tornou-se Médico Naval, tendo começado em Moçambique, fundado o laboratório bacteriológico do Hospital da Marinha em 1895 e terminado com o posto de Capitão-de-mar-e-guerra (1918).

Estudou na École d’Anthropologie de Paris, onde se aperfeiçoou em técnicas antropométricas, tendo publicado diversos estudos e regido um curso de Antropologia na Academia de Estudos Livres de Lisboa, para o qual preparou um programa de observações antropológicas que a Sociedade de Geografia de Lisboa usou depois em trabalhos de campo na Serra da Estrela, associação sob a égide da qual organizou o I Congresso Colonial (1901), temática em que também tinha estudos publicados.

Refira-se ainda que  Silva Teles foi deputado do Partido Progressista e em 1908, um dos fundadores da Liga de Educação Nacional, assim como foi Secretário Geral da Sociedade de Geografia durante 12 anos e Sócio Correspondente da Academia de Ciências de Lisboa. Em 1924 também participou no Guia de Portugal dirigido por Raúl Proença.

Agraciado foi com os graus de Cavaleiro, Oficial e Comendador da Ordem Militar de Avis (1919), com o grau de Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, para além da Medalha de Prata de Comportamento Exemplar, da Medalha de Ouro de Comportamento Exemplar e da Medalha de Bronze de Filantropia e Caridade.

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua Pinto Ferreira em memória do professor da Escola Industrial Marquês de Pombal

Freguesias de Belém e Alcântara  
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Por proposta da Associação de classe dos Maquinistas Portugueses  o engenheiro e professor da Escola de Desenho Industrial Marquês de Pombal, Carlos Augusto Pinto Ferreira, ficou perpetuado  na  Rua do Novo Bairro Industrial da Quinta do Almargem como Rua Pinto Ferreira, desde a publicação do Edital municipal de 27 de maio de 1931.

Carlos Augusto Pinto Ferreira (Lisboa/1828 – 01.02.1902/Lisboa), engenheiro formado na Aula do Arsenal do Exército e no antigo Instituto Industrial e Comercial de Lisboa foi professor  e diretor do curso de máquinas da Escola de Desenho Industrial Marquês de Pombal e deixou como obra publicada o Guia de Mecânica Prática (1862), o Manual Elementar e Prático sobre Máquinas a Vapor Aplicadas à Navegação (1864), Guia do Fogueiro condutor de máquinas a vaporBreve dissertação sobre faróis (1868) e o Engenheiro de Algibeira ou compêndio de fórmulas e dados práticos (1869).

Vinte anos após a criação do Ensino Industrial em Portugal, por decreto-lei de janeiro de 1884 foi ordenada a construção de 8 escolas de Desenho Industrial, três das quais em Lisboa, sendo a de Alcântara, a Escola de Desenho Industrial Marquês de Pombal, inaugurada no dia 17 de novembro de 1884, instalada num prédio arrendado na Rua de Alcântara, sendo a escola subsidiada pelas fábricas da zona, nomeadamente a Companhia de Fiação e Tecidos Lisbonenses. Mais tarde, em 1886, a escola passou para a Rua dos Lusíadas, ainda em Alcântara, para um edifício da autoria do Arqtº Pedro d’Ávila. Em 1962, passa então a ter as instalações que ainda hoje são suas, na Rua Alexandre Sá Pinto, já na zona das Salésias, traçadas pelo Arqtº António Pedroso que fora antigo aluno da escola.

Pinto Ferreira,  para além de professor desenvolveu uma carreira como engenheiro maquinista da Armada, tendo dirigido as oficinas metalúrgicas do Arsenal da Marinha e os Serviços Técnicos de Faróis e sendo considerado um dos mais inteligentes pioneiros da indústria mecânica em Portugal, reformando-se em 12 de fevereiro de 1880. Em missão oficial, visitou as Exposições Universais de Paris de 1855 e 1867, bem como a de Londres de 1862, onde montou na exposição uma máquina de debulhar.

Em paralelo, envolveu-se no associativismo tendo participado na fundação da Associação de Socorros Mútuos dos Pedreiros, Carpinteiros e Artes Correlativas, assim como no Centro Promotor de Melhoramentos das Classes Laboriosas, criado em Alcântara em 1853. Foi ainda vice-secretário da Associação dos Engenheiros Civis Portugueses de que havia sido nomeado sócio, distinção que a Associação da Indústria Fabril também lhe concedeu, para além de ter sido agraciado com a Ordem de Torre e Espada no grau de Cavaleiro.

Freguesias de Belém e Alcântara  
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do Professor da Escola do Exército e bombeiro Augusto Gomes Ferreira

Freguesia da Ajuda
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua Augusto Gomes Ferreira, na freguesia da Ajuda, perpetua desde 1916 o nome deste militar que foi Professor da Escola do Exército e Comandante dos Bombeiros municipais.

O seu nome foi atribuído para substituir a Rua Carlos Príncipe, por deliberação camarária de 21/09/1916 e Edital de 26/09/1916, provavelmente por a denominação anterior estar relacionada com a monarquia e ser característico da 1ª República a substituição deste tipo de topónimos por outros conotados com a República ou com figuras consideradas heróicas. Como a Rua Carlos Príncipe é anterior a 1889, ano da subida ao trono do rei D. Carlos, e considerando a proximidade da artéria ao Palácio da Ajuda onde o monarca nasceu, a homenagem seria provavelmente a D. Carlos I quando ainda príncipe.

À Rua Augusto Gomes Ferreira foi  acrescida a legenda «Professor da Escola do Exército Insp. dos Incêndios/1854 – 1900», 44 anos depois da atribuição do topónimo, por parecer da Comissão Municipal de Toponímia de 13 de março de 1960.

Augusto Gomes Ferreira (05/04/1854 – 28/12/1900) tentou ser comerciante mas abandonou a área para tirar um curso de condutor de obras públicas e minas, matriculando-se depois na Escola Politécnica, onde completou os preparatórios para a Escola do Exército, onde concluiu o curso de Engenharia e alcançou o posto de capitão depois de 1885. Foi também na Escola do Exército que exerceu a docência da 14ª cadeira, tiro de artilharia.

Em 1889 foi nomeado  Inspector-Geral dos incêndios, designação que se dava ao Comandante dos Bombeiros desde 1794, cabendo-lhe a aquisição de material bem como a organização do pessoal, casernas e oficinas. Foi de sua autoria o plano do novo aquartelamento na Avenida D. Carlos I, nascida do Edital municipal de 28 de Dezembro de 1889, tendo o  Senado Municipal determinado dar ao quartel nº 1 a designação de «Caserna Augusto Ferreira».

O comandante Augusto Ferreira integrou ainda a Comissão que estudou do modelo de viaturas para enfermos e dirigiu a missão de estudo dos operários à Exposição de Paris de 1889. Foi por diversas vezes louvado pela Câmara Municipal de Lisboa, como na altura da greve dos padeiros (em 1890) e na greve dos operários da Companhia do Gás (em 1896). Em 1894,  também recebeu a medalha Recompense par les belles actions do governo francês.

Freguesia da Ajuda
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Bolivar, o «pai» da Bolívia numa rua em papel

O político e militar venezuelano Simón Bolívar, «pai» da Bolívia e de outras nações sul-americanas tornadas independentes da colonização espanhola, foi consignado em papel como topónimo de uma rua do Bairro América, na Freguesia de São Vicente, que nunca chegou a ser fisicamente aberta.

A Rua Bolivar nasceu de uma deliberação camarária de 25 de novembro de 1918, com mais 6 topónimos, todos referentes a figuras ligadas ao continente americano, no novo bairro que estava a ser construído na Quinta das Marcelinas e que a edilidade denominou a pedido dos proprietários como Bairro América, quando tinham passado 14 dias após a assinatura do armistício de Compiègne que pôs fim à  I Guerra Mundial e, no ano seguinte ao da entrada dos Estados Unidos da América no conflito.

Aliás, a ata dessa sessão camarária ainda mais elucida que «Os Srs. Manuel José Martins Contreiras, Dr. João José da Silva e Fernão Boto Machado, proprietários da Quinta das Marcelinas, na Rua Vale de Santo António, 30, requereram a esta Câmara que lhes fosse dado ao Bairro que ali estão construindo, a denominação de Bairro da América, a exemplo do que já foi feito para os bairros da Bélgica e da Inglaterra e que os arruamentos tivessem as seguintes denominações: nº 1:Rua Franklin, nº 2: Washington, nº 3: Rui Barbosa, nº 4: Bolívar, nº 5: Dos Cortes Reais, nº 6: de Fernando de Magalhães, nº 7:de Álvaro Fagundes.»

O correspondente Edital municipal só foi publicado em 17 de 0utubro de 1924 e os arruamentos Rua Bolivar e Rua Álvaro Fagundes nunca tiveram execução prática na urbanização do Bairro América , embora em 1971, o nome de Álvaro Fagundes tenha regressado para a toponímia lisboeta para dar nome à Rua C à Rua General Justiniano Padrel, também na Freguesia de São Vicente.

Simón José Antonio de la Santísima Trinidad Bolívar y Palacios Ponte-Andrade y Blanco (Venezuela – Caracas/24.07.1783 – 17.12.1830/Colômbia),  conhecido como Simón Bolívar, destacou-se como militar desde janeiro de 1797 e político sul-americano que quis libertar a América da colonização espanhola. Com José de San Martín (1778 -1850) desempenhou um papel fulcral nas guerras de independência da América espanhola, tendo nesse processo contribuído para lançar as bases ideológicas democráticas na maioria da América hispânica e conseguido o epíteto de O Libertador.

Nos seus 46 anos de vida, Bolívar foi Presidente da Venezuela, de 6 de agosto de 1813 a a 7 de julho de 1814 bem como de 15 de fevereiro de 1819 a 17 de dezembro de 1819, sendo este país desde 1999 denominado República Bolivariana da Venezuela; do Peru, de 17 de fevereiro de 1824 a 28 de janeiro de 1827; da  Bolívia, de 12 de agosto de 1825 a 29 de dezembro de 1825; para além de ter participou na fundação da primeira união de nações independentes na América Latina, a Grã-Colômbia, que integrava a Colômbia, o Equador , a Venezuela e o Panamá, da qual foi Presidente de 17 de dezembro de 1819 a 4 de maio de 1830.

Edital municipal de 17 de outubro de 1924

A Praça do fundador do Escutismo, Baden Powell

Freguesia dos Olivais
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC )

O militar inglês que em 1908 criou o Escutismo, está homenageado na Praça Baden Powell, na freguesia dos Olivais, desde 1992.

A Junta de Freguesia dos Olivais patrocinou uma sugestão do Corpo Nacional de Escutas no sentido de ser atribuído o nome de Baden Powell à rotunda da Avenida de Berlim, a que a Comissão Municipal de Toponímia deu parecer favorável e assim o Edital municipal de 12/10/1992 fixou a Praça Baden Powell na rotunda situada na confluência da Avenida de Berlim com a Avenida Cidade de Luanda, com a legenda «Fundador do Escutismo/1857 – 1941».

Robert Stephenson Smyth Baden Powell (Londres/22.02.1857 – 08.01.1941/Quénia) foi um general inglês que em 1908 fundou os Boy Scouts, conhecidos como escoteiros, e dois anos depois criou também as  Girl Guides, conhecidas como guias. A sua experiência adquirida nos anos na África do Sul, nomeadamente entre a tribo dos Zulus, serviu-lhe  para desenvolver métodos que aplicou no treino dado a novos recrutas militares, procurando levá-los a pensar com independência e a usar a iniciativa própria para sobreviver em regiões remotas e foram estes mesmos métodos que posteriormente adaptou à formação dos escoteiros. De acordo com as suas própria palavras «o Escutismo tem como objectivo a formação do homem, normal, intelectual e fisicamente perfeito através de um método de educação de carácter pelo desenvolvimento das virtudes cívicas».

Na sua carreira militar, Baden Powell serviu na Índia, Afeganistão e África do Sul, tendo conseguido o estatuto de herói inglês depois de um regimento sob o seu comando ter resistido a um cerco de mais de 200 dias (na passagem de 1899 para 1900), na África do Sul. Escreveu também vários livros, sobretudo para formar escoteiros e foi agraciado com o Baronato (1922) e o Pariato (1929).

Em Portugal, o Escutismo iniciou-se em 1911 no território de Macau e os seus impulsionadores ao regressar ao país fundaram em 1913 a Associação dos Escoteiros de Portugal. Dez anos mais tarde, em 1923, na cidade de Braga, foi também fundado o Corpo Nacional de Escutas (Escutismo Católico Português).

Freguesia dos Olivais
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )

A Rua do Prémio Nobel da Paz Isaac Rabin

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC )

Desde a publicação do Edital municipal de 24 de setembro de 1996 que Isaac Rabin dá nome a uma Rua da Freguesia do Lumiar, no ano seguinte a ter sido assassinado, dois anos após ter sido foi Prémio Nobel da Paz e três anos após ter celebrado um Acordo de Paz com a Palestina.

A atribuição deste topónimo resultou de uma moção de pesar, aprovada por unanimidade pela Câmara lisboeta em 15 de novembro de 1995, tendo a Comissão Municipal de Toponímia  designado para o efeito a Rua C à Alameda Mahatma Gandhi, na Urbanização do Paço do Lumiar e inaugurado oficialmente o arruamento em 14 de março de 1997.

Yitzhak Rabin  (Jerusalém/01.03.1922 – 04.11.1995/Telavive), filho de mãe russa e pai norte-americano, foi o primeiro chefe de governo israelita a ter nascido já no território que se tornaria Israel em 1948. Foi assassinado no decorrer de uma manifestação de paz em Telavive, na Praça dos Reis (hoje Praça Yitzhak Rabin), com 3 tiros nas costas, pelo judeu radical de extrema-direita Yigal Amir que se opunha aos Acordos de Paz celebrados com a Palestina.

Na cronologia dos acontecimentos para o estabelecimento da Paz entre Israel e a Pelestina, foi assinada em Oslo a 20 de agosto de 1993 uma Declaração de Princípios (Oslo I) que a 13 de setembro, na Casa Branca, Rabin e Arafat selaram publicamente com um aperto de mão.  A 4 de maio do ano seguinte, no Cairo, Rabin assina o Acordo de Paz. A 24 de julho, junta-se o rei Hussein da Jordânia a assinar a paz entre Israel e a Jordânia, que termina 46 anos de estado de guerra e foi formalizada  em 26 de outubro, mês em que também foi anunciado o Prémio Nobel da Paz para Arafat, Rabin e Peres que foi entregue em dezembro seguinte.

Mas no essencial, o percurso de vida de Isaac Rabin acompanhou o da formação do Estado Israel. Foi soldado do Palmah e combateu na Guerra da Independência (1948-1949); chefiou o Comando do Norte (1956) e o Estado-Maior das Forças Armadas Israelitas (1964- 1967); participou na Guerra dos 6 Dias (iniciada no dia 5 de junho de 1967), finda a qual Israel tinha triplicado o seu território. Depois, assumiu funções políticas como embaixador nos Estados Unidos da América (1968-1973); de líder do Partido Trabalhista (Ha-Avoda) e deputado trabalhista no parlamento (1973); Ministro do Trabalho de Golda Meir (março de 1974) e Ministro da Defesa (1985- 1990) na coligação Likud-Trabalhistas; Primeiro-Ministro em 1974-1977 e de novo, também de 1992 a 1995, período no qual em 1993, em detrimento de uma Terra de Israel Maior preferiu celebrar um Acordo de Paz com Arafat, representante palestiano da OLP, e do qual resultou no ano seguinte de 1994 ser agraciado com Prémio Nobel da Paz, juntamente com Yasser Arafat e Shimon Peres ( era o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Rabin) para em 28 de setembro de 1995, Rabin assinar com Arafat um segundo acordo mais significativo (Oslo II), trazendo assim a Paz.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )

 

A Rua do ourives e arquiteto alemão do Convento de Mafra, João Frederico Ludovice

Freguesia de Benfica
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC )

O arquiteto alemão a quem se atribui o traçado do Convento de Mafra está desde 1964 perpetuado numa artéria de Benfica, a Rua João Frederico Ludovice, com a legenda «Arquitecto-Mor/1670 – 1752».

Foi a Rua 75 – 78 da Célula 4 de Benfica escolhida pela edilidade alfacinha para acolher a Rua João Frederico Ludovice e fixada pelo Edital municipal de 26/11/1964, que também colocou na mesma freguesia, mas no Bairro de Santa Cruz, a Rua da Venezuela. Na década seguinte a Rua João Frederico Ludovice recebeu o Mercado de Benfica.

Refira-se que alguns estudiosos contestam a autoria de João Frederico Ludovice para o Convento de Mafra, atribuindo-lhe apenas o papel de mestre das obras do mesmo, mas vamos neste artigo manter a explicação usual até ser provada outra.

Johann Friedrich Ludwig ( Alemanha – Castelo de Honhardt/19.03.1670 – 18.01.1752/Lisboa) ficou a cargo de seu tio e padrinho que o familiarizou com a arquitetura quando contava 14 anos, após a morte do seu pai. Aos 19 anos começou a estudar  com o Mestre Ourives N. A. Kienle de Jugeren. Quatro anos depois, em 1693,  assentou praça e tomou parte na Guerra de Pflaz, tendo feito campanha até ao fim da guerra (1697), como oficial de Engenharia e assim orientou trabalhos de engenharia em Regensburg e adquiriu conhecimentos e experiência no campo da arquitetura militar e artilharia.

Em 1697 emigrou  para Itália, onde em Roma estudou escultura e arquitetura  e alterou o seu apelido para Ludovici. A sua vasta erudição granjeou-lhe a simpatia dos jesuítas que o converteram ao Catolicismo, ao mesmo tempo que trabalhava ao serviço Companhia de Jesus,  na Igreja del Gesú em Roma, na fundição e cinzelagem da imagem do Santo Inácio de Loyola (da autoria de Groos) e de várias alfaias litúrgicas.

Em 1700 veio para Lisboa, a convite dos jesuítas e instalou-se na Rua dos Canos (nas traseiras da Rua da Palma), relativamente próxima do Colégio dos Jesuítas de Santo Antão – onde é hoje o Hospital de São José – com um contrato de exclusividade por 7 anos com os Jesuítas, comprometendo-se a elaborar um novo sacrário bem como várias outras alfaias. Contudo, em 1701, é pronunciada uma sentença contra Ludovice, pelo não cumprimento do contrato de exclusividade para com a Companhia de Jesus, sendo D. Pedro II que intercedeu a seu favor, pagando as custas da sentença, e convencendo os Jesuítas a permitir que Ludovice trabalhasse pontualmente para algumas Igrejas do Padroado Real, ou mesmo do Paço. Como ourives são atribuídas a Ludovice a autoria dos Sacrário de Prata da Igreja de Santo Antão; da Custódia da Sé de Lisboa e da Capela da Bemposta; do Frontal e Banqueta de prata do Convento do Carmo; do conjunto de Peanhas da Sé de Coimbra; de alfaias várias para a Capela Real do Paço da Ribeira, para a Igreja de São Vicente de Fora e Convento de Mafra.

João Frederico Ludovice começou também a fazer trabalhos de arquitetura. Trabalhou para D. João V na reestruturação do antigo Paço da Ribeira e transformou a sua antiga Capela Manuelina na Igreja Patriarcal. O Decreto de 26 de setembro de 1711 deste monarca prometeu a a construção de um Mosteiro em Mafra e abriu algo semelhante a um concurso público para o efeito, que Ludovice ganhou, apesar da concorrência de alguns famosos arquitectos italianos como Filipo Juvara e Antonio Canevari. Assim, entre 17 de novembro de 1717 e 1730, Ludovice dirigiu as obras de construção do Convento e a Casa do Risco, que servia a obra e se encontrava instalada no local, tendo-lhe sucedido no cargo o seu filho. Quase vinte depois, por decreto régio de 14 de setembro de 1750, e já com D. José I, foi nomeado Arquiteto-mor do Reino,  com patente, soldo e graduação de Brigadeiro de Infantaria.

São também obra sua em Lisboa a ornamentação das ruas – com pórticos, colunas e arcarias  – para a Procissão do Corpo de Deus (em diversos anos à volta de 1719); o Altar-Mor de São Vicente de Fora, tendo sido nomeado em 1720 Arquiteto das Obras de São Vicente de Fora;  o traçado de umas Portas de Santo Antão mais altas e largas (1727); a capela-mor (1748) da lisboeta Igreja de São Domingos, a qual resistiu ao terramoto;  bem como para si construiu em Benfica a Quinta de Alfarrobeira – hoje na Rua António Saúde -, concluída em 1727, mas em cuja capela já em 1720 contraíra segundas núpcias com a irmã de Luís António Verney. Também na Rua Direita de São Pedro de Alcântara, ao cimo da Calçada da Glória, ergueu em 1747 um palácio de cinco pisos e janelas avarandadas para sua residência, onde veio a falecer e foi sepultado na Igreja de São Roque.

Freguesia de Benfica
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )

A Praça Carlos Fabião, militar de Abril

Carlos Fabião falando às tropas em parada no Regimento de Comandos, em 3 de fevereiro de 1975                                                                                                              (Foto: Associação 25 Abril)

Carlos Fabião foi um militar de Abril, daquela geração de militares que teve o mérito de conseguir ajustar contas com a história e desempenhar um importante papel na constituição de um Portugal democrático, estando assim consagrado numa praça lisboeta muito próxima da Avenida das Forças Armadas, também ela uma homenagem aos Capitães de Abril.

Dez anos após o seu falecimento, pelo Edital municipal de 07/04/2016, a edilidade lisboeta perpetuou o nome de Carlos Fabião na Praça Projetada à Avenida das Forças Armadas (Loteamento EPUL), delimitada entre a Rua da Cruz Vermelha e as Ruas Mário Cesariny e Adriano Correia de Oliveira, com a legenda «Militar de Abril/1930 – 2006».

Freguesia das Avenidas Novas – Placa Tipo II (Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )

Carlos Alberto Idães Soares Fabião (Lisboa/09.12.1930 – 02.04.2006/Lisboa) que nasceu lisboeta no Bairro da Graça, foi o último Governador da Guiné, nomeado pela Junta de Salvação Nacional após o 25 de Abril e, até 10 de setembro de 1974, data em que Portugal reconheceu a independência da Guiné-Bissau na sequência do Acordo de Argel. Fabião fizera 4 Comissões de serviço na Guiné e conhecia a população, a ponto de ter aprendido a cultura da etnia Nalú que era a minoritária.

Ainda antes do 25 de Abril, em maio de 1973, Carlos Fabião com Ramalho Eanes, Firmino Miguel e Dias de Lima angariaram outros militares para o movimento de contestação ao Congresso dos Combatentes que Vasco Lourenço considerou a pré-conspiração que levou ao 25 de Abril.  E em 17 de dezembro de 1973, numa aula do curso de majores, no Instituto de Altos Estudos Militares, o então major Carlos Fabião, conforme acordado previamente com Vasco Lourenço, logo no início da primeira aula do dia denunciou publicamente a preparação de um golpe de estado de extrema-direita, conduzido por quatro generais da ditadura – Kaúlza de Arriaga, Luz Cunha, Silvino Silvério Marques e Troni – visando afastar os generais Costa Gomes e António de Spínola, o que lhe valeu a punição de ser transferido para o D.R.M. de Braga e com uma espécie de residência fixa, pelo que era aí que se encontrava a prestar serviço no dia 25 de Abril de 1974, embora tenha participado em reuniões preparatórias do Movimento dos Capitães.

Solidário e amante da Liberdade, o então brigadeiro Fabião foi também o Chefe do Estado Maior do Exército, na sequência do 28 de setembro, escolhido pelos militares do Exército para integrar a Junta de Salvação Nacional, e por inerência o Conselho de Estado. Foi então graduado em general e eleito em Assembleia do MFA para substituir Jaime Silvério Marques no cargo de Chefe do Estado-Maior do Exército. Após o 11 de março de 1975 foi extinta a Junta, passando os seus membros a partir do dia 14 a integrar o novo órgão designado como Conselho da Revolução, no qual Carlos Fabião se manteve até dois dias após o 25 de novembro, sendo substituído pelo General Ramalho Eanes e regressado ao posto de coronel. Neste intervalo de tempo, do 11 de março ao 25 de novembro, Carlos Fabião atravessou o período mais turbulento do processo revolucionário, procurando conciliar as fações e passou a ser presença assídua nos Telejornais. Em agosto de 1975, chegou a ser convidado formalmente pelo Presidente da República, General Costa Gomes, para substituir Vasco Gonçalves e formar o VI Governo Provisório, tendo como vice-primeiro-ministro Melo Antunes, mas recusou.

Fabião que frequentou o Liceu Gil Vicente e  a Escola do Exército, após casar em 1954 com Maria Margarida Cecílio Gonçalves, de quem teve 3 filhos, assentou morada de família no Largo de Santa Marinha. O seu funeral saiu do Grémio Lusitano, já que Carlos Fabião fora iniciado sob os auspícios de Fernando Vale, com o nome de Gomes Freire e chegou a ser Grão-mestre Adjunto do Grande Oriente Lusitano.

Carlos Fabião foi agraciado com a Ordem da Liberdade (2005) no grau de Grande-Oficial e a título póstumo, a Associação 25 de Abril, de que havia sido presidente da Mesa da Assembleia Geral, fê-lo seu Sócio de Honra, tal como a Assembleia da República aprovou por unanimidade, um voto de pesar pela morte deste militar de Abril.

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )

A Avenida Sidónio Pais que esteve para ser trocada por outra figura republicana

Avenida Sidónio Pais – Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias)

A Avenida Sidónio Pais foi uma das artérias que após o 25 de Abril recebeu diversos pedidos de alterações, nomeadamente que fosse Avenida Doutor Afonso Costa, e parte dela chegou a ser, no papel, a Avenida Bernardino Machado.

Logo na 2ª reunião da Comissão Municipal de Toponímia após o 25 de Abril, em 20 dezembro de 1974, foi analisada uma carta do cidadão Alberto Bastos Flores na qual este solicitava que a Avenida Sidónio Pais passasse a ter a Doutor Afonso Costa como denominação. De igual modo, apontava mais pedidos de alterações e sugeria como possíveis futuros topónimos lisboetas os nomes de Abel Salazar, António Sérgio,  Catarina Eufémia, Cuba, Ferreira de Castro e Jaime Cortesão, tendo a Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa registado e respondido que «irá considerá-las na devida oportunidade. Entretanto, entende desde já pertinente que o topónimo Praça do Ultramar seja alterado para Praça das Novas Nações, justificando dessa forma, os topónimos que a rodeiam, como Rua de Timor, Rua de Angola, Rua de Moçambique e outros.»

Em relação ao nome de Afonso Costa, um dos Primeiros Ministros da I República, no tempo da Presidência de Bernardino Machado, a 2ª Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa pós-25 de Abril, na sua reunião de 29 de junho de 1976, sugeriu que fosse o topónimo para o arruamento situado a Norte do Parque Eduardo VII, entre a Avenida Sidónio Pais e a Rua Castilho ( que desde 1982 é a Alameda Cardeal Cerejeira), mas já após as eleições autárquicas que colocaram Aquilino Ribeiro Machado como o 1º Presidente eleito da CML após o 25 de Abril, a Comissão de Toponímia sugeriu que ficasse antes num arruamento com maior extensão «que, partindo da Praça do Areeiro segue para Nascente e é vulgarmente designada por prolongamento da Avenida João XXI», que antes havia estado pendente para ser a Avenida Humberto Delgado.

Também na reunião de 6 de julho de 1976, a Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa indicou o troço da Avenida Sidónio Pais compreendido entre a Avenida Afonso Costa e a Rua Marquês de Fronteira para ser a  Avenida Bernardino Machado, com o a legenda « 1851 – 1944». Contudo, as atas são omissas em relação ao desenvolvimento desta hipótese e Bernardino Machado acabou por ser homenageado numa Praça da freguesia do Lumiar em 1985.

Freguesia das Avenidas Novas – Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias)

A Avenida de Sidónio Pais, que liga a Avenida Fontes Pereira de Melo à Rua Marquês de Fronteira, é um arruamento nascido do Edital municipal de 22 de junho de 1948 no que antes era identificado como arruamento a Oriente do Parque Eduardo VII entre a Avenida Fontes Pereira de Melo e a Rua Marquês de Fronteira.

Sidónio Bernardino Cardoso da Silva Pais (Caminha/01.05.1872 – 14.12.1918/Lisboa), conhecido como o Rei-Presidente, falecera cerca de 30 anos antes em plena Estação do Rossio,  vítima de um atentado. Militar de carreira, também era licenciado em Matemáticas, pela Universidade de Coimbra, onde aderiu à causa republicana. Após a implantação da República em 1910, foi eleito deputado à Constituinte que elaborou a Constituição Portuguesa de 1911; Ministro do Fomento do Governo de  João Chagas (1911); Ministro das Finanças (1911-1912); embaixador de Portugal em Berlim (1912- 1916), até à declaração de guerra da Alemanha a Portugal.

Regressado a Portugal, mostrou-se como figura principal de contestação ao Governo do Partido Democrático e encabeçou o golpe de estado de 5 de dezembro de 1917, tomando posse como Presidente do Ministério no dia 11 e acumulando as pastas da Guerra e  Negócios Estrangeiros, para além de a partir de dia 27 assumir ainda as funções de Presidente da República, num regime que designou como República Nova. A 9 de Maio do ano seguinte foi eleito Presidente da República por sufrágio direto, considerando que apesar do desaire da Batalha de La Lys e de problemas sociais e económicos  Sidónio Pais conseguia apoio popular com a  distribuição da sopa dos pobres (conhecida como Sopa do Sidónio) ou  a visita a hospitais na altura da Gripe Espanhola. No entanto, muitos o o consideravam um traidor aos ideais da República pelo que no 1º aniversário do golpe de estado que o colocou no poder sofreu um atentado de que escapou, para 9 dias depois falecer, a tiro, noutro, na Estação do Rossio.

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias)

 

O General Sem Medo na toponímia de Lisboa

Humberto Delgado que ganhou o epíteto de General Sem Medo, muito por no decorrer da sua candidatura presidencial em 1958, ter afirmado em relação a Salazar «Obviamente, demito-o!», está perpetuado desde 1979 na toponímia de Lisboa, primeiro como Praça General Humberto Delgado e desde o final de 1990, como Praça Marechal Humberto Delgado, considerando a sua promoção póstuma na carreira militar.

Logo após o 25 de Abril foram vários os pedidos para homenagear Humberto Delgado na toponímia de Lisboa, somando 8 sugestões antes da decisão definitiva. Um deles, analisado na reunião da Comissão Municipal de Toponímia de  20 dezembro de 1974, sugeria que o seu nome fosse  dado à Avenida Dom Carlos Primeiro. Essa mesma carta solicitava que a Rua Agostinho Lourenço passasse a Manuel Rodrigues da Silva,  a Avenida Sidónio Pais fosse a Avenida Doutor Afonso Costa, a Rua António Maria Cardoso tivesse antes o nome de José Dias Coelho  – escultor assassinado pela PIDE -, a Rua General Sinel de Cordes ficasse como Rua Alves Redol (o que sucedeu mesmo) , a Praça do Príncipe Real levasse antes o nome de Aquilino Ribeiro, a  Rua Quirino da Fonseca passasse a  Soeiro Pereira Gomes, a Rua de São Lázaro voltasse ao topónimo republicano de Rua Vinte de Abril, a Praça do Areeiro fosse antes Praça Presidente Salvador Allende e que o Largo de Santos ficasse como Largo Ribeiro Santos (tendo sido antes escolhida a Calçada para Calçada Ribeiro Santos).

A 5 de março de 1975, a Comissão Municipal de Toponímia analisou o pedido da Comissão Executiva de Lisboa de Homenagem ao General Humberto Delgado para que fosse consagrado na toponímia de Lisboa e  a Comissão deu parecer favorável, propondo mesmo que «ao arruamento designado por Rua A no plano de urbanização da Quinta dos Condes de Carnide – Unor 36 – seja atribuído o topónimo  Avenida General Humberto Delgado/1906 – 1965». Todavia, tal não se concretizou pelo que mais tarde, pelo Edital municipal de 23/02/1978, esse arruamento foi designado Avenida do Colégio Militar, curiosamente a instituição de que Humberto Delgado fora aluno. Pode supor-se que não se tenha considerado o arruamento condigno para o efeito, considerando que cerca de 4 meses depois, por cartas da Comissão Nacional de Homenagem ao General Humberto Delgado, bem como das Juntas de Freguesia do Alto do Pina, de São João e de Santa Engrácia, foi solicitado à edilidade lisboeta que o nome de Humberto Delgado fosse atribuído à Praça do Areeiro, a que a Comissão Municipal de Toponímia, de acordo com a Ata da reunião de 22 de julho de 1975, respondeu que «Conforme já foi esclarecido pelo presidente da Comissão, aguarde-se o parecer do M.F.A.»

Em 1976, já na vigência da segunda Comissão Municipal de Toponímia pós- 25 de Abril, a reunião de 15 de junho de 1976 esclarece que «A Comissão entende que, em princípio, servirá condignamente para o efeito, a actual Praça do Aeroporto, conhecida vulgarmente por Praceta do Relógio, até porque, tratando-se de uma figura da Aviação, o nome do General Humberto Delgado ficará bem homenageado nas imediações do aeroporto. Todavia, convirá que a decisão definitiva mereça o consenso da Comissão de Homenagem, pelo que deverá pedir-se a comparência de alguns membros desta, à próxima reunião da Comissão, que terá lugar em 29 do corrente mês, só após o que será emitido parecer definitivo.» No dia definido, compareceram 5 membros da Comissão Executiva da Homenagem Nacional ao General Humberto Delgado, a saber, Dr. Abranches Ferrão, Drª Alcina Bastos, Daniel Pires Lourenço, Dr. Duarte Vidal e José Moreira da Assunção. O vogal da Comissão Municipal de Toponímia José Augusto-França «pronunciou-se desfavoravelmente quanto à pretendida alteração do topónimo Praça do Areeiro, por considerar tratar-se de uma nomenclatura que designa um sítio de Lisboa bastante tradicional que nenhuma razão de ordem política justifica que seja alterada, pese embora a muita consideração que lhe merece a figura do falecido General Humberto Delgado». A Comissão Municipal de Toponímia apresentou também a sugestão da Comissão Administrativa do Concelho de Oeiras para que fosse usada para o efeito a Praça Dom Manuel Primeiro, situada em Algés, nos limites dos concelhos de Lisboa e Oeiras, assim como uma avenida situada no prolongamento da Avenida João Vinte e Um que partindo da Praça do Areeiro segue para Nascente – pelo Edital de 30 de dezembro desse ano passou a ser a Avenida Afonso Costa -,  e também a Praça do Chile. No entanto, a «Comissão Executiva da Homenagem recusou todas as sugestões apresentadas, alegando para tanto que o General Humberto Delgado, como percursor do Vinte e Cinco de Abril, bem merece que o seu nome seja consagrado numa praça do centro da cidade ou zona de grande densidade populacional, até porque se pretende que esse local possa vir a servir para comícios ou concentrações. Recordou, a propósito, que a Comissão Administrativa do concelho do Porto não teve relutância em dar o nome do General Delgado à antiga Praça do Município e que, seguindo sua opinião, nada impediria que a cidade de Lisboa procedesse de idêntico modo. Assim entendo, apresentarem como única alternativa aceitável, de preferência a Praça do Município, ou então, a Praça do Areeiro». A Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa acabou por emitir, por unanimidade, parecer de que «Como tradicionais que são, nenhuma razão de ordem política justifica que se alterem os topónimos Praça do Município ou Praça do Areeiro. Como contrapartida, sugere-se que o nome do General Humberto Delgado seja atribuído, em primeira alternativa, à avenida que constitui prolongamento da Avenida João Vinte e Um [hoje Avenida Afonso Costa ] e que partindo da Praça do Areeiro segue para Nascente e, em segunda alternativa, ao Largo dos Caminhos de Ferro, situado em frente da Estação de Santa Apolónia, local que está historicamente ligado à campanha presidencial de 1958».

E assim, Humberto da Silva Delgado (Torres Novas – Brogueira/05.05.1906 – 13.02.1965/Villanueva del Fresno -Espanha), que foi assassinado por um comando da PIDE liderado por Rosa Casaco,  chegou à toponímia de Lisboa através do Edital municipal de Edital de 02/02/1979, como Praça General Humberto Delgado no antigo Largo de Sete Rios, nas freguesias de São Domingos de Benfica , Campolide e Avenidas Novas, após o parecer favorável do Estado-Maior General das Forças Armadas. Em 5 de outubro de 1990, sendo nomeado a título póstumo, Marechal da Força Aérea, e os seus restos mortais trasladados para o Panteão Nacional, foi depois também o topónimo foi alterado para Praça Marechal Humberto Delgado, através do Edital municipal de 13 de dezembro de 1990, tendo ainda a Câmara Municipal de Lisboa promovido uma cerimónia de inauguração das novas placas toponímicas em 18/01/1991, na qual usaram da palavra o vereador Anselmo Aníbal e Fernando Piteira Santos, em representação da Comissão Municipal de Toponímia.

Recentemente, em maio de 2016, Humberto Delgado que esteve ligado desde a primeira hora à criação do primeiro aeroporto civil em Portugal, foi ainda homenageado com a atribuição do seu nome a esse Aeroporto: o de Lisboa.