A Rua Cervantes e o Autoparque Madrid

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Rua Cervantes - Freguesia do Areeiro (Foto: Sérgio Dias)

Rua Cervantes – Freguesia do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias)

A ligar a Avenida João XXI à Avenida de Madrid encontramos hoje a Rua Cervantes, atribuída em 1948, hoje paralela ao Autoparque Madrid, um topónimo de 2001.

A Rua Cervantes resultou da publicação do Edital municipal de 29 de julho de 1948, fixada no arruamento identificado então como Rua D2 da Zona compreendida entre a Alameda Dom Afonso Henriques e a Linha Férrea de Cintura. Este Edital resultou da procura da edilidade lisboeta de imprimir algum cosmopolitismo à cidade, com doze topónimos, todos ligados a personalidades de cariz internacional ou a cidades europeias e brasileiras, onde couberam os nomes dos cientistas europeus Pasteur e Marconi, do inventor americano Edison, dos escritores Vítor Hugo (francês), Afrânio Peixoto e João do Rio (brasileiros), bem como Avenidas para Madrid, Paris e Rio de Janeiro, uma praça para Londres, para além da Avenida João XXI que homenageia o único Papa português.

A Rua Cervantes e o Autoparque Madrid - Freguesia do Areeiro (Planta: Sérgio Dias)

A Rua Cervantes e o Autoparque Madrid – Freguesia do Areeiro
(Planta: Sérgio Dias)

O castelhano Miguel de Cervantes Saavedra (Alcalá de Henares/29(?).09.1547 – 22 ou 23 (?).04.1616/Madrid) foi um romancista, dramaturgo, poeta, soldado e cobrador de impostos, autor do famoso D. Quixote de la Mancha, considerado o primeiro romance moderno, que teve licença de impressão em 26 de setembro de 1604 e alcançou um êxito enorme com 9 edições em 1605: duas em Madrid, três em Lisboa (sem o consentimento do autor) e duas em Valência.

Cervantes enquanto soldado, lutou em Itália (1569), combateu na Batalha de Lepanto (1571), nas Jornadas de Tunes e da Goleta (1573), foi feito cativo por corsários em Argel (1575 – 1580), onde conheceu Manuel de Sousa Coutinho (Frei Luís de Sousa), de quem aliás narrou os amores em Trabajos de Pérsiles y Sesinanda (1616). Regressado a Espanha passou a ser cobrador de impostos e veio para Portugal em 1581 para conseguir entrar na corte de Filipe II de Espanha e I de Portugal, tendo ficado em Lisboa até 1583 e escrito  a ideia «Para festas Milão, para amores Lusitânia».

Em 2001, pelo Edital municipal de 3 de janeiro, o espaço compreendido entre a Avenida de Madrid, Rua Cervantes e Avenida João XXI passou a denominar-se Autoparque Madrid, referindo-se o topónimo à artéria onde se abre o Autoparque, uma nova categoria de via pública essencialmente destinada ao parqueamento automóvel cuja denominação corresponde sempre ao nome da artéria que lhe dá acesso.

Autoparque Madrid - Freguesia do Areeiro (Foto: Sérgio Dias)

Autoparque Madrid – Freguesia do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias)

 

A Rua dedicada ao Alferes Malheiro, do 31 de janeiro de 1891 para capitão do exército brasileiro

Freguesia de Alvalade                                                                                             (Foto: Sérgio Dias)

Após desempenhar um papel importante na insurreição de 31 de janeiro de 1891 o Alferes Malheiro teve de fugir para o Brasil, onde foi reconhecido como capitão honorário do exército brasileiro, teve na toponímia de Lisboa a consagração em dois locais distintos.

Primeiro, por Edital municipal de 8 de junho de 1925, cerca de 6 meses após o seu falecimento, deu nome à Avenida do Parque ao Campo Grande, como Avenida Alferes Malheiro e a legenda «Precursor do regime Republicano». Assim se manteve até o Edital de 23 de dezembro de 1948 transformar esta artéria em Avenida do Brasil e o Alferes  Malheiro ficar num limbo durante quase 23 anos para voltar à toponímia como Rua, pelo Edital municipal de 9 de agosto de 1971, no arruamento de ligação entre a Avenida do Brasil e o prolongamento da Rua Marquês do Soveral, tendo como legenda apenas os anos de nascimento e morte.

Refira-se que na zona do Campo Grande havia sido fundado a 7 de dezembro de 1908 o Centro Escolar Republicano Alferes Malheiro, cuja  primeira sede foi na Rua Oriental do Campo Grande, nº 111, passando depois para a Rua Ocidental, nº 225, onde esteve durante 18 anos, para em 1930 mudar novamente, desta feita para o Campo Grande nº 290.

alferes-malheiroAugusto Rodolfo da Costa Malheiro (Porto/19.01.1869-09.12.1924/Lisboa), foi um oficial do Exército português desde 1886, que incorporado no Batalhão de Caçadores 9, teve um papel importante na insurreição de 31 de janeiro de 1891, no Porto, o primeiro movimento para implantação da República em Portugal. Gorada a revolta fugiu para Espanha e daí partiu de Vigo para o Brasil, tendo sido julgado como desertor por um Tribunal Militar. Instalou-se em Minas Gerais onde frequentou o curso de Engenharia e após o concluir envolveu-se na revolução brasileira surgindo na chefia dos alunos da Escola Militar com a intenção de pôr termo à acção dos revoltosos sob o comando de Saldanha da Gama. Foi ferido em combate e, fruto do reconhecimento do Governo brasileiro pelos serviços prestados tornou-se capitão honorário do exército brasileiro. A sua reintegração no Exército Português foi decretada após a Proclamação da República, e dela teve conhecimento o Alferes Malheiro a 22 de novembro de 1910, na cidade da Baía, de onde escreveu uma carta de agradecimento ao então Ministro da Guerra, o General Correia Barreto, e ao Governo Provisório Republicano.

Regressado a Portugal, ocupou o posto de capitão no Regimento de Infantaria 16. Insistiu em acompanhar o batalhão expedicionário a Angola como voluntário, durante a Primeira Guerra Mundial e no pós-guerra,  comandou  em 1919 a Coluna Negra, destinada a combater a Monarquia do Norte,  em Monsanto e no Norte do País.

Deixou parte dos seus bens para o Centro Escolar Eleitoral Republicano Alferes Malheiro, que em 1910 tinha já uma Escola Primária, para ambos os sexos. Em 11 de novembro de 1987, este Centro foi agraciado com a Comenda da Ordem da Liberdade, Grau Membro Honorário, pelo então Presidente da República, Dr. Mário Soares.

Para além de Lisboa, o Alferes Malheiro também está consagrado na toponímia do Porto, com uma Rua do Alferes Malheiro, em Beja, com uma Travessa e na Charneca da Caparica como Rua Augusto da Costa Malheiro.

Freguesia de Alvalade (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua de Lacerda e Almeida das fronteiras do Brasil e primeiras longitudes de África

Freguesia da Penha de França (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia da Penha de França
(Foto: Sérgio Dias)

No troço do Caminho de Baixo da Penha entre a Avenida General Roçadas e a Rua Jacinto Nunes está desde a publicação do Edital de 23 de março de 1954 a Rua Dr. Lacerda e Almeida, em homenagem ao matemático que integrou a comissão de delimitação das fronteiras do Brasil com a Bolívia e a Venezuela e enquanto governador de Tete, em Moçambique, procedeu a uma exploração onde definiu as primeiras longitudes em África.

Já em 1949 e depois em 1953,  a Comissão Municipal de Toponímia foi do parecer que se denominassem os arruamentos do Vale Escuro com topónimos relacionados com figuras que em África cumpriram a política portuguesa, quer por obra governativa quer por delimitação de fronteiras. E assim para além da Rua Dr. Lacerda e Almeida os outros topónimos sugeridos foram a Praça Aires de Ornelas, a Rua Artur de Paiva, a Avenida Coronel Eduardo Galhardo, a Rua Francisco Pedro Curado, a Praça João de Azevedo Coutinho, o Largo General Pereira de Eça, a Avenida Mouzinho de Albuquerque, a Praça Paiva Couceiro , a Rua Teixeira Pinto e a Rua Eduardo Costa.

Francisco José de Lacerda e Almeida (Brasil – São Paulo/22.08.1750 – 18.10.1798/Cazambe-Moçambique), filho de José António de Lacerda (de Leiria) e de Francisca de Almeida (de São Paulo) concluiu o curso de matemática na Universidade de Coimbra em 1776 e no ano seguinte concluiu o doutoramento, conseguindo em 1778 ser convidado para o serviço do Estado, como geógrafo, astrónomo e matemático. Neste contexto, integrou os trabalhos de demarcação das fronteiras entre Portugal e Espanha (1779), resultantes da assinatura do Tratado de Santo Ildefonso e seguiu depois para o Brasil (1780) para a delimitação das fronteiras com a Bolívia e a Venezuela, para além de ter executado levantamentos que podem ser classificadas como geográficos, para obter dados geodésicos, destinados a apoiar a cartografia da região. Fez ainda uma viagem de investigação dos rios Cuiabá, Paraguai, Taquari, Cochim, Camampoan, Pardo, parte do Paraná e todo o Tieté e regressou a Lisboa em 1790. 

Em setembro do ano seguinte passou a docente de Matemática na Real Academia dos Guarda-Marinhas, funções que exerceu até partir  para Moçambique em maio de 1797. Nesta época de explorações científicas, dentro do espírito do Iluminismo, Lacerda e Almeida queria seguir o curso do Zambeze, até à zona da nascente, para aí procurar a nascente do Cunene, que corria para a costa ocidental e iniciou a expedição em 3 de julho de 1798, no decorrer da qual contraiu malária, chegando o «Geral de Tete», como era conhecido, já bastante debilitado ao Cazembe em outubro, onde veio a falecer.  A sua expedição foi a  primeira a determinar longitudes em África por métodos astronómicos rigorosos, tendo os seus registos sido publicados em 1844 (Diário da viagem de Moçambique para os rios de Senna [na Zambézia] feita pelo governador dos mesmos rios Dr. Francisco José de Lacerda e Almeida).

Supõe-se que tenha sido eleito membro da Academia de Ciências de Lisboa, em 1791 ou 1795, mas nem todos os autores estão de acordo nesta questão.

Para além da rua que lhe foi dedicada em Lisboa 156 anos após o seu falecimento, o seu nome também se tornou topónimo na cidade Pontes e Lacerda no Estado do Mato Grosso (homenagem a Silva Pontes e Lacerda e Almeida); no Rio Lacerda e Almeida no Estado de Rondônia; na Ilha Lacerda e Almeida no Rio Paraná; assim como uma povoação moçambicana na margem direita do Zambeze recebeu em 1893 o nome de Lacerdónia.

 

Freguesia da Penha de França (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia da Penha de França
(Planta: Sérgio Dias)

 

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A Calçada do pai na artéria onde o filho residiu

A Calçada Salvador Correia de Sá em 1946 (Foto: Fernando Martinez Pozal, Arquivo Municipal)

A Calçada Salvador Correia de Sá em 1946 quando se designava Calçada Castelo Branco Saraiva
(Foto: Fernando Martinez Pozal, Arquivo Municipal)

A antiga Calçada de S. João Nepomuceno, que a partir do Edital de 14/10/1915  se denominou Calçada Castelo Branco Saraiva, passou por Edital municipal de 28 de agosto de 1950 a ser a Calçada Salvador Correia de Sá, por referência ao pai do filho com o mesmo nome que ali residiu.

No século XVIII, por ser a morada de seu filho com o mesmo nome, esta calçada já  era conhecida como rua de Salvador Correia de Sá. Por exemplo, no Livro 5º de Consultas e Decretos de D. João V, encontramos com datas de 13 a 20 de julho de 1714, uma consulta sobre a utilização de águas públicas retidas num tanque por um cirurgião inglês, que aforou um andar na rua de Salvador Correia de Sá e que se insurgiu violentamente contra os oficiais do Senado quando estes o proibiram de reter a dita água. Contudo, quando em 1950 a Câmara Municipal deliberou recuperar topónimos antigos escolheu o nome setecentista do filho, mas identificou-o como sendo o pai, que fora Governador do Rio de Janeiro.

salvador-correia-de-saSalvador Correia de Sá e Benevides (Cádis/1602 – 1688/Lisboa), filho do bandeirante Martim Correia de Sá e de mãe espanhola, ainda era primo de Mem de Sá e de Estácio de Sá, os fundadores do Rio de Janeiro. Salvador seguiu a carreira militar e política. Logo em 1625 lutou contra a invasão holandesa em Salvador, a bordo do navio Nossa Senhora da Penha de França. Durante as Guerras da Restauração recuperou da ocupação holandesa a soberania portuguesa de Angola bem como de S. Tomé e Príncipe, pelo que foi nomeado governador de Angola (1648-1651). Desempenhou também as funções de governador do Rio de Janeiro por três vezes (1637-1643, 1648 e 1659-1660) e de governador da capitania do sul do Brasil (1659-1662), para além de ter sido nomeado Almirante das frotas do Brasil e Conselheiro dos Conselhos de Guerra e Ultramarino, assim como administrador de todas as Minas do Brasil, tendo em 1662, superado a chamada Revolta da Cachaça, no Rio de Janeiro.

Refira-se também que em  1639, o conde da Torre colocou sob sua jurisdição, «na guerra e na justiça», também as capitanias de São Vicente e de São Paulo, autorizando-o a perdoar os crimes desde que os agraciados se alistassem na tropa e nesse recrutamento foi auxiliado por António Raposo Tavares que também está na toponímia de Lisboa, assim como Luís Pedroso de Barros, um dos recrutados. E em 1641, quando se soube no Brasil da Restauração, Salvador Correia de Sá aclamou o rei D. João IV, o que lhe custou muitos bens que possuía em Espanha assim como na colónia castelhana do Peru.

Salvador Correia de Sá casou na Argentina com D. Juana Catalina, de origem espanhola mas nascida no continente americano, com quem teve 6 filhos, o que o tornou também um grande latifundiário em Tucumán (hoje, na Argentina). Foi sepultado no Convento de Nossa Senhora dos Remédios dos frades Carmelitas Descalços ou Marianos à Rua das Janelas Verdes, que hoje é a York House.

O Grupo Amigos de Lisboa, evocou Salvador Correia de Sá e Benevides em 8 de dezembro de 1961, colocando uma placa no átrio da igreja do antigo Convento dos Marianos. Em 1948 foi também escolhido para Patrono do Curso desse ano da Escola Naval. E ainda antes, em 1924, o  Liceu de Luanda passou a designar-se Liceu Nacional Salvador Correia de Sá e Benevides.

De forma não exaustiva, referimos ainda que Salvador Correia de Sá é também topónimo de artérias do Barreiro, da Gafanha da Nazaré, de  Gondomar, Mem Martins, Estoril, e no Brasil, por exemplo,  em Fortaleza, Sabará e  São Paulo.

Freguesia da Misericórdia (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia da Misericórdia
(Planta: Sérgio Dias)

 

 

 

 

A Rua do Herói da batalha de Riachuelo, Almirante Barroso

Freguesia de Arroios (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Arroios
(Foto: Sérgio Dias)

O Almirante Barroso, Barão do Amazonas, integrou a toponímia de Lisboa vinte e um anos após o seu falecimento, através do Edital municipal de 16 de dezembro de 1903, na Estrada das Picoas no «arruamento que começa no Largo de Dona Estefânia e termina no Largo do Matadouro [hoje, Praça José Fontana]», a partir de uma proposta do próprio Presidente da Câmara, o Conde d’Ávila.

almirante-barroso-barao_do_amazonasFrancisco Manoel Barrozo da Silva (Lisboa/29.09.1804 – 08.08.1882/Montevideu – Uruguai) partiu em 1808 com a sua família para o Brasil, seguindo a família Real  e aí se tornou Oficial da Marinha de Guerra Brasileira. Distinguiu-se ao comandar a esquadra brasileira na batalha naval de Riachuelo que venceu, em junho de 1865, no contexto da Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai,  pelo que foi considerado um Herói e galardoado pelo governo imperial com a Ordem Imperial do Cruzeiro e o título honorífico de Barão do Amazonas (1866), que era aliás o nome do navio que comandava. Recebeu também as ordens da Rosa, do Cruzeiro e de São Bento de Avis. Em 1868 foi nomeado Comandante-chefe da esquadra e nesse mesmo ano foi promovido a Vice-almirante.

Refira-se que Barroso da Silva nascido português se tornou brasileiro por força da Constituição imperial de 1824.

Para além de Lisboa, o Almirante Barroso também dá o seu nome a inúmeras artérias do Brasil: a ruas de Bagé, Blumenau, Florianópolis, Fortaleza,  Limeira, Paraná, Peruíbe, Porto Alegre, Praia Grande, Pelotas, Rio Grande, Salvador e ainda,  avenidas em Belém, Campina Grande, João Pessoa, Porto Velho e Rio de Janeiro. No Chile também existe um arruamento a que deu nome.

Freguesia de Arroios (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Arroios
(Planta: Sérgio Dias)

Os últimos topónimos atribuídos em 1916

Freguesias de Arroios e Penha de França (Planta: Sérgio Dias)

Freguesias de Arroios e Penha de França
(Planta: Sérgio Dias)

O último Edital municipal de toponímia de 1916 foi publicado no dia 27 de novembro e incluiu 6 topónimos: dois relacionados com o topónimo Penha de França em dois locais distintos da cidade, três de conselheiros já sediados em Arroios aos quais foi retirado esse título,  e um referente a heróis da I Guerra Mundial numa artéria repartida entre a Penha de França e Arroios.

De acordo com as deliberações da sessão de câmara de 23/11/1916, o vereador Manuel Joaquim dos Santos apresentou uma solicitação da Junta de Freguesia de Arroios para que fossem alterados alguns topónimos de forma a «que se instaure um processo de expropriação de uma parcela de terreno na quinta do Fole à estrada da Penha de França e se passe a dar denominação de rua da Penha de França, à rua da Penha de França (á Escola Politecnica) a de calçada da Penha de França, á rua Conselheiro Carrilho a de Antonio Pereira Carrilho, à rua Conselheiro Monteverde a de rua Achiles Monteverde, à Rua Conselheiro Morais Soares, a de rua Morais Soares, e á do Caracol da Penha, a de rua dos Herois do Kionga», o que foi aprovado por unanimidade.

Assim, a Estrada da Penha de França passou a Rua da Penha de França  e importa esclarecer a origem do topónimo Penha de França neste local. António Simões, um escultor de imagens sacras ou imaginário, como se dizia na sua época, encontrando-se perdido em Alcácer Quibir fez promessa de que se voltasse a Portugal fabricaria várias imagens de Nossa Senhora e lhes daria um destino condigno. De regresso,  chamou Senhora da Penha de França (uma invocação de um santuário de Salamanca) à última imagem que produziu  e esta foi inicialmente colocada na Igreja da Vitória da Baixa lisboeta até o escultor ter erguido uma Ermida,  no Monte Alperche, em terrenos de Afonso Torres de Magalhães, onde a dita imagem de Nossa Senhora da Penha de França se acolheu em 1597, apesar da Ermida ter ficado concluída apenas no ano seguinte. Passados seis anos, em 1604, começou a construir-se no local uma nova Igreja, maior e com Casa Conventual, concluída em 1635 e que acabou por estender o nome da Senhora da Penha de França a todo o sítio, até chegar a ser também o da própria freguesia.

Pormenor da planta de Filipe Folque de 1857 (Arquivo Municipal de Lisboa)

Pormenor da planta de Filipe Folque de 1857
(Arquivo Municipal de Lisboa)

Ora já existia uma Rua da Penha de França nas proximidades da Rua da Escola Politécnica,  o que causaria equívocos caso existissem duas na cidade pelo que foi aprovado que esta passasse a designar-se como Calçada da Penha de França em 1916, embora de seguida tenha sido a Calçada João do Rio e hoje a encontremos como Calçada Engº Miguel Pais (desde a publicação do Edital municipal de 23/12/1948). Nesta artéria, quando ainda era designada como Rua da Penha de França, nasceu Maria Matos em 1886.

Já António Pereira Carrilho, Aquiles Monteverde e Morais Soares ficaram sem o título de conselheiro no enunciado dos topónimos, trocado que foi pelos seus próprios nomes, uma vez que na  I República era característico eliminar da toponímia referências à monarquia e o título de conselheiro era atribuído pelo soberano, tradicionalmente aos magistrados do Supremo Tribunal, mas também concedido a quem tivesse prestado serviços honrosos ao país.

Antonio Pereira Carrilho, Diário Ilustrad, 19 de março de 1880

António Pereira Carrilho, Diário Ilustrado, 19 de março de 1880

António Pereira Carrilho, a cujo topónimo acresceu mais tarde a legenda «Notável Economista e Jornalista/1835 – 1903 » por parecer da Comissão Municipal de Toponímia de 03/03/1960, antes de ser Rua do Conselheiro Pereira Carrilho era um troço da antiga Estrada de Circunvalação. O homenageado é António Maria Pereira Carrilho (Lisboa/10.10.1835 – 16.11.1903/Paris) que se notabilizou como Diretor Geral da Contabilidade Pública e Secretário Geral do Ministério da Fazenda, responsável por elaborar o Orçamento Geral do Estado ao serviço de diversos Governos e os explicar na Câmara dos Deputados. Carrilho desempenhou também a função de Presidente do Conselho de Administração da Real Companhia dos Caminhos-de-Ferro e também foi recompensado com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo. Fundou ainda O Economista em 1880 e colaborou com os jornais Diário Mercantil do Porto, Gazeta do Povo, Opinião O Progressista. Esta figura do rotativismo liberal foi ainda diversas vezes deputado a partir de 1875 e par do reino em 1902 e 1903.

aquiles-monteverde-livroAquiles Monteverde, cujo topónimo recebeu mais tarde a legenda «Escritor Didáctico e Diplomata/ 1803 – 1881» por parecer da Comissão Municipal de Toponímia de 19/04/1960, antes de ser Rua do Conselheiro Monteverde (Edital de 14/02/1882) era a Travessa Cruz do Tabuado. Perpetua o nome de Emílio Aquiles Monteverde (Lisboa/09.06.1803 – 07.01.1881/Lisboa), funcionário público desde que em 1821 começou como adido à legação portuguesa de Madrid, tendo chegado a secretário geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros em 1869 e antes, em 1850 foi galardoado com o título de conselheiro, a comenda da Ordem de Cristo e a de Cavaleiro da Torre e Espada. Foi também o autor Manual Enciclopédico para uso das Escola de Instrução Primária, no último quartel do séc. XIX, aprovado pela Junta Consultiva de Instrução Pública, sendo cada edição de dezenas e centenas de milhares de exemplares.

Finalmente, sobre a Rua Morais Soares e a Rua dos Heróis de Quionga, basta aqui carregar nos seus nomes sublinhados para ser dirigido para os artigos que já publicámos sobre eles.

A Avenida Torre de Belém do Cinema Restelo

Freguesia de Belém (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Belém
(Foto: Sérgio Dias)

Desde 1945 que a Avenida Torre de Belém é a  via da capital que segue a direito para o Baluarte de São Vicente – estrutura mais conhecida como Torre de Belém- , e na qual, na década seguinte, se ergueu o Cinema Restelo.

Belém acolheu em 1940 a Exposição do Mundo Português e nessa mesma década os arruamentos da Baixa lisboeta receberam um novo tipo de placa toponímica – a Tipo III – mais trabalhada e luxuosa, para Lisboa exibir dois postais de modernidade. A edilidade também denominou a Avenida CD da Encosta da Ajuda, pelo Edital de 7 de agosto de 1945, como Avenida Torre de Belém que ficou contida, quase três anos depois, pelo Edital de 29 de abril de 1948, entre a Avenida da Índia e a Avenida do Restelo.

Nos anos 50, procedeu-se a um aterro e terraplanagem da zona junto à Torre de Belém, para facilitar a estada e passeio junto a este monumento nacional desde 1907, icónico de uma época de grandeza e modernidade de Portugal. Em 1955 foi exposto no Pavilhão Municipal da Feira Popular o Plano de Urbanização da Encosta do Restelo. Mas já a partir do ano anterior, e durante 45 anos se exibia na Avenida Torre de Belém o Cinema Restelo, da Sociedade Cinema Restelo, Lda.,  para substituir o antigo cinema Belém-Jardim da Rua Bartolomeu Dias, através de um projeto de 1952 dos serviços técnicos da Câmara Municipal de Lisboa (da autoria de Carlos João Chambers Ramos e Carlos Manuel Ventura de Oliveira Ramos), colocando à disposição 1064 lugares, que mais tarde chegaram a ser cerca de 1400. Ainda hoje este Cinema Restelo tem um grupo que lhe é dedicado no Facebook.

 

Cinema Restelo na Avenida Torre de Belém em 1960 (Foto: Arnaldo Madureira., Arquivo Municipal de Lisboa)

Cinema Restelo na Avenida Torre de Belém em 1960
(Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

A icónica Torre de Belém foi erguida num afloramento rochoso da  praia de Belém em 1520, cercada então pelas águas em todo o seu perímetro, denominada em honra do padroeiro da cidade de Lisboa Baluarte de São Vicente a par de Belém, mas também conhecida como Torre de São Vicente ou Baluarte do Restelo. Esta fortificação integrava o plano defensivo da barra do rio Tejo traçado por D. João II que incluía também o Baluarte de Cascais ou Torre de Santo António de Cascais (1488) e o Baluarte da Caparica ou Torre de São Sebastião da Caparica (1481).  A obra só começou em 1514, no reinado de D. Manuel, sendo arquiteto Francisco de Arruda e as obras prosseguiram a cabo de Diogo Boitaca, que dirigia em paralelo as da construção do Mosteiro dos Jerónimos.

Com a evolução dos meios de ataque e defesa, esta estrutura  militar foi gradualmente, perdendo a sua função original de defesa da barra do Tejo, tendo ao longo dos séculos sido utilizada como registo aduaneiro, posto de sinalização telegráfico e farol. Também os seus paióis serviram de masmorras para os presos políticos durante o reinado de Filipe I de Portugal e para o Arcebispo de Braga (1586-1641) por ter feito frente a D. João IV, defendendo Espanha.

A Torre de Belém,  considerada pela UNESCO Património Mundial desde 1983, foi também eleita uma das Sete Maravilhas de Portugal em 7 de julho de 2007.

Nesta artéria, para além do Cinema Restelo nasceu também em 1954 The AngloPortuguese Telephone e em 1965 A Familiar, Sociedade Cooperativa de Pão, Crédito e Consumo, para além de contar com inúmeras moradias  de que se destacam as do nº 26 e nº 30 do Arqº Raul Francisco Tojal; a do Engº António da Cunha Coutinho no nº 10; a do nº 20 em 1943 e a do nº 15 em 1947, ambas do arqº Manuel Joaquim Norte Júnior; a do nº 32  do Arqº Vasco Regaleira que foi Prémio Municipal 1945; a do Arqº João Simões no nº 22 que foi Prémio Valmor 1947; a da autoria do Arqº Jorge Segurado de 1948 e  já demolida; a do nº 14 da autoria de Victor Palla e Bento d’Almeida, bem como a do nº 18 do Arqº Alberto José Pessoa, ambas em 1964; a do nº 9 do Arqº Rodrigues Fernandes e a nº 12  do Arqº Carlos Tojal, ambas de 1966.

Freguesia de Belém (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Belém
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua António Maria Cardoso do Chiado Terrasse e do São Luiz Cine

O Chiado Terrasse na Rua António Maria Cardoso em 1911 (Foto: Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Chiado Terrasse na Rua António Maria Cardoso em 1911
(Foto: Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

Chiado Terrasse e São Luiz Cine são os nomes dos dois cinemas que no séc. XX encheram de gente a Rua António Maria Cardoso, uma resposta toponímica ao Ultimato Inglês de 1890, tal como as vizinhas Rua Paiva de Andrada e Rua Vítor Cordon.

O Chiado Terrasse foi o primeiro cinema especialmente construído de raiz  para esse efeito em Lisboa, em 1908. Já o São Luiz Cine, nascido em 1928, tem uma história de vida mais atribulada. Ainda esta artéria se denominava Rua do Tesouro Velho e o espaço nasceu em 1893 como Teatro Dona Amélia, que a partir do ano seguinte passou também a a dispor do Cinematographo. Com a implantação da República foi rebatizado como Teatro da República e em 1928 foi adaptado para cinema, com a designação de São Luiz Cine e, assim reabriu com  Metropolis, de Fritz Lang, como primeiro filme em cartaz.

A Rua António Maria Cardoso, antes de ser designada como tal em 1890, passou por diversas denominações, todas ligadas ao Paço dos Bragança. Antes do Terramoto de 1 de novembro de 1755 era esta a «rua do Postigo do Duque» por ter a porta do Duque de Bragança aberta na muralha fernandina, e depois foi ganhando novas denominações como  «rua do picadeiro» por via da proximidade ao picadeiro do Paço dos Braganças , «rua do Tesouro» ou «rua Velha do Tesouro» ou «rua do Tesouro Velho», por mor do tesouro da Casa de Bragança arrecadado no mesmo palácio até que, quase no final do século XIX, quando era mais conhecida por Rua do Tesouro Velho e já depois da urbanização deste arruamento nos moldes que hoje ainda encontramos,  o Edital municipal de 6 de fevereiro de 1890 crismou-a como Rua António Maria Cardoso, ao mesmo tempo que também atribuía a Rua Paiva de Andrada e a Rua Vítor Cordon, homenageando assim a edilidade, ainda em vida, três conceituados exploradores da África Portuguesa de então,  cerca de um mês  depois da entrega em 11 de janeiro de 1890 do Ultimato britânico que exigia a Portugal a retirada das forças militares chefiadas por Serpa Pinto do território compreendido entre as colónias de Moçambique e Angola.

António Maria Cardoso, «Ilustração Portuguesa», 21 de abril de1889

António Maria Cardoso, Ilustração Portuguesa, 21 de abril de 1889

António Maria Cardoso (Lisboa/05.05.1849- 17.11.1900/Lisboa)  ingressou na Armada em 1862, atingindo o posto de capitão-de-fragata em 1895 e no decorrer dessa carreira militar desempenhou o cargo de governador dos distritos de Inhambane e de Quelimane, em Moçambique. Em 1882 explorou as terras de Mussila com João de Azevedo Coutinho, e em 1888, com Vítor Cordon, participou na expedição do Niassa, durante a qual catorze régulos prestaram vassalagem à soberania portuguesa. António Maria Cardoso regressou a Lisboa em 1890, ano do Ultimato Inglês, e foi eleito deputado para além de ter sido agraciado com as comendas das ordens de Torre e Espada, de Nª Sª da Conceição, de Cristo e de S. Bento de Aviz, e ainda com a medalha de ouro de serviços prestados no Ultramar.

Nesta arruamento existiu também até ao 25 de Abril de 1974 a sede da PIDE/DGS, um edifício de cinco andares arrendado à Casa de Bragança, e que por isso foi palco das únicas 5 mortes ocorridas no 25 de Abril. Após essa data instalou a sua sede nesta rua a Associação de Ex-Presos Políticos Antifascistas (AEPPA) que então propôs à edilidade a alteração do topónimo para Rua da Leva da Morte, alteração não concretizada de acordo com as normas seguidas de não alterar toponímia já consolidada na cidade, a não ser em caso de «Necessidade de eliminação dos nomes afrontosos para a população, pela sua última ligação ao antigo regime», como sucedeu com a Avenida 28 de Maio que passou a ser a Avenida das Forças Armadas, por Edital municipal de 30 de dezembro de 1974.

Freguesias da Misericórdia e de Santa Maria Maior (Planta: Sérgio Dias)

Freguesias da Misericórdia e de Santa Maria Maior
(Planta: Sérgio Dias)

 

A Rua da Palma que floriu na sepultura do cruzado Henrique e os seus Real Coliseu e Rex

Real Coliseu de Lisboa na Rua da Palma nos primeiros anos do séc. XX (Foto: Alberto Carlos Lima, Arquivo Municipal de Lisboa)

Real Coliseu de Lisboa na Rua da Palma nos primeiros anos do séc. XX
(Foto: Alberto Carlos Lima, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Rua da Palma, formalizada pelo Edital municipal 08/06/1889 sobre a Rua Nova da Palma, nasceu há muitos séculos como arruamento dos comerciantes alemães que veiculavam a lenda da palma que florira na sepultura do cruzado Henrique, que em 1147 perecera na Tomada de Lisboa, e alojou no século XIX o Real Coliseu de Lisboa e no séc. XX o Cinema Rex.

O Real Coliseu de Lisboa foi o espaço onde se estreou em 1896 o cinema em Portugal, já que a 18 de junho foi nele exibido o animatógrafo. Contudo, nos anos 30 do séc. XX tomou o seu lugar a garagem Auto-Lys. Mas a Rua da Palma continuou a ser morada de cinema, desta feita o Rex, de 1929 a 1967, transformando-se depois no  Teatro Laura Alves.

O Cinema Rex na Rua da Palna, em 1960 (Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Cinema Rex na Rua da Palma, em 1960
(Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

O olisipógrafo Norberto Araújo escreveu na década de 40 do século XX que «Esta Rua, desafogada, hoje constituindo uma única artéria, das trazeiras de S. Domingos ao Intendente, divide-se em dois troços. O primeiro chega só à Guia e é muito antigo, havendo sido nos séculos velhos arruamento dos comerciantes alemães que cultivavam religiosamente a lenda da palma que florira na sepultura do cavaleiro cruzado Henrique, sacrificado na Tomada de Lisboa, em 1147; foi rua sempre estreita, muito mais do que hoje é, bastante mercantil, caracterizada pelos negócios de ourives e prateiros.(…) O segundo trôço, ‘Rua Nova da Palma’, data de 1862, e chegava até aqui ao Socorro, começando gradualmente a prolongar-se até ao Intendente; a Câmara começara a comprar terrenos de hortas e campos, que por aqui existiam, desde o ano de 1776.»

O também olisipógrafo Luís Pastor de Macedo esclarece ainda que esta artéria, «(…) é antiquíssima, pelo menos do século XVI. Deve-se porém observar, que ela não tinha então o comprimento que hoje lhe conhecemos, mas só aquele que vai das trazeiras da Igreja de S. Domingos até ao antigo largo de S. Vicente, à Guia (rua Martim Moniz).(…) desde então, por força do decreto de 9 de Maio de 1776 que determinou a expropriação de 16 propriedades do lado norte da rua, ela ficou com a largura que hoje, envergonhada, nos oferece ainda» e acrescenta que parte da Rua Palma que hoje conhecemos também foi Rua da Imprensa:  «(…) Mas a cidade continuava a alargar-se e os seus bairros excêntricos a povoarem-se.(…) e assim, a Câmara não teve mais que fazer se não mandar elaborar a planta do prolongamento da rua da Palma até ao Intendente. Foi isto em 1857 ou princípios de 1858.(…) o projecto do prolongamento estava concluído em Setembro de 1858 e foi aprovado na sessão camarária efectuada no dia 30 daquele mês, mas , na verdade, esse projecto foi aprovado não como o do prolongamento da antiga rua da Palma, mas sim como o de uma artéria independente e que portanto necessitava de ter um nome. E o nome deu-se-lhe: rua da Imprensa. Passaram-se meses. O governador civil, que andava cogitando em acabar com o transtorno que provinha de haver nomes iguais em várias ruas, e em suprimir os nomes de algumas que pareciam ser prolongamento de outras, um dia encheu-se de coragem e deitou cá para fora um edital onde os topónimos citadinos pareciam que dançavam uma quadrilha interminável. Uns iam para a direita, outros para a esquerda; uns avançavam, outros recuavam; muitos desapareciam na grande confusão. Um deste foi o da jovem rua da Imprensa, que viu o seu território ficar sob a denominação de rua Nova da Palma.»

Freguesia de Santa Maria Maior e de Arroios (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Maria Maior e de Arroios
(Foto: Sérgio Dias)

Publicação municipal da toponímia sobre o Almirante Pinheiro de Azevedo

A publicação municipal de toponímia referente ao Almirante Pinheiro de Azevedo, distribuída a partir deste momento, no decorrer da inauguração da Rotunda Almirante Pinheiro de Azevedo, já está on-line.

É só carregar na capa abaixo e poderá ler.

Caso queira conhecer publicações anteriores poderá ir às Publicações Digitais do site da CML e escolher o separador Toponímia.

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