Dez Heróis do Ultramar em Olivais Velho, Benfica e Alcântara

Freguesia dos Olivais - Olivais Velho (Planta: Sérgio Dias)

Os 5 topónimos de «Heróis do Ultramar» em Olivais Velho, na Freguesia dos Olivais 
(Planta: Sérgio Dias)

Dez anos após o início da Guerra Colonial, a edilidade lisboeta colocou através de um único Edital (22 de junho de 1971), de acordo com a legenda, dez «Heróis do Ultramar» em Olivais Velho, Benfica e Alcântara, «falecidos no Ultramar, em combate ao terrorismo», conforme se lê no despacho do Presidente da Câmara de então, Engº Santos e Castro.

Este procedimento está justificado na Ata da reunião da Comissão Consultiva Municipal de Toponímia de 16 de junho de 1971 da seguinte forma: «Despacho de Sua Excelência o Presidente, solicitando parecer sobre a consagração na toponímia de Lisboa, dos nomes dos seguintes militares falecidos no Ultramar, em combate ao terrorismo : major aviador Figueiredo Rodrigues, alferes Mota da Costa, Carvalho Pereira e Santos Sasso, furriel Galrão Nogueira, soldados Rosa Guimarães, Santos Pereira e Purificação Chaves e marinheiros Correia Gomes e Manuel Viana. Considerando justificar-se plenamente uma homenagem à memória de tão heróicos militares e, tendo em vista a circunstância de os soldados e marinheiros não terem patente, a Comissão emite parecer favorável à consagração dos seus nomes». 

Os seis topónimos fixados em Olivais Velho foram a Rua Alferes Mota da Costa/Herói de Ultramar/1937 – 1961, o Largo Américo Rosa Guimarães/Herói de Ultramar/1945 – 1967,  a Rua Furriel Galrão Nogueira/Herói de Ultramar/ 1941 – 1965, a Rua Alferes Carvalho Pereira/Herói de Ultramar/1941 – 1966, a Rua Alferes Santos Sasso/Herói do Ultramar/1941 – 1965 e a Rua Major Figueiredo Rodrigues/Herói de Ultramar/ 1939 – 1969.

Manuel Jorge Mota da Costa (Porto – freg. Cedofeita/14.05.1937 – 14.05.1961/Angola), alferes paraquedista da 1.ª Companhia de Caçadores Paraquedistas do Batalhão de Caçadores 21 em Angola onde chegou a 17 de abril de 1961 e onde faleceu  menos de um mês depois no Bungo, aos 24 anos, condecorado a título póstumo com a Medalha de Prata de Valor Militar com palma, ficou no Impasse 1 do Plano de Urbanização de Olivais Velho. O soldado Américo Rosa Guimarães (Oeiras/21.09.1945 -05.10.1967/Angola), condecorado postumamente com a Medalha de Cobre de Valor Militar com palma, também faleceu  em Angola, aos 22 anos, e foi fixado no  Impasse 2 do Plano de Urbanização de Olivais Velho.

Os outros quatro militares fixados em Olivais Velho faleceram na Guiné. O Furriel Galrão Nogueira (1941 – 1965/Guiné), falecido aos 24 anos, foi perpetuado no Impasse B do Plano de Urbanização de Olivais Velho. Ao alferes miliciano de Infantaria José Alberto de Carvalho Pereira (Lisboa/13.02.1941 – 12.03.1966/Guiné), falecido aos 25 anos e condecorado a título póstumo com a Medalha de Cruz de Guerra de 3ª classe, coube-lhe o Impasse 3 do Plano de Urbanização de Olivais Velho.  O também alferes miliciano de Infantaria Mário Henrique dos Santos Sasso (Lisboa – freg. de Stª Engrácia/14.12.1941 – 05.12.1965/Guiné), da Companhia de Caçadores n.º 728, condecorado com a medalha de Cruz de Guerra de 3ª classe a 2 de julho de 1965 e falecido aos 23 anos, ficou no  Impasse 3′ do Plano de Urbanização de Olivais Velho. E por último, o major piloto aviador António de Figueiredo Rodrigues (Penalva do Castelo/01.01.1939 – 12.07.1969/Guiné) , falecido aos 30 anos,  foi colocado na Rua A do Plano de Urbanização de Olivais Velho.

Em Benfica, homenagearam-se 3 militares falecidos na Guiné nos anos de 1964 e 1965, com a Rua José dos Santos Pereira/Herói do Ultramar/ 1943 – 1964, a Rua José da Purificação Chaves/Herói do Ultramar/1942 – 1964 e a Rua Manuel Correia Gomes/ Herói do Ultramar/1936 – 1965.

O soldado José dos Santos Pereira (Torres Vedras – A-dos-Cunhados/19.09.1943 – 15.12.1964/Guiné) faleceu aos 21 anos e foi condecorado, a título póstumo, com a Medalha da Cruz de Guerra de 2ª classe,  tendo sido perpetuado na Rua C, à Estrada do Calhariz de Benfica (Quinta de Santa Teresinha). O soldado condutor Francisco José da Purificação Chaves (Loures/08.08.1942 – 24.01.1964/Guiné),  falecido aos 21 anos na Ilha do Como e condecorado a título póstumo com a Medalha de Cruz de Guerra de 1ª Classe,  ficou no Impasse I à Estrada do Calhariz de Benfica. O marinheiro fuzileiro especial Manuel Correia Gomes (Vila Verde-Turiz/15.02.1936 – 14.03.1965/Guiné), falecido aos 29 anos e condecorado a título póstumo com a Medalha de Cruz de Guerra de 2ª classe, foi fixado no arruamento de acesso entre a Estrada do Calhariz de Benfica e o arruamento paralelo ao caminho de ferro (Quinta de Santa Teresinha).

Também encontramos a Rua José dos Santos Pereira, em Maceira, no Concelho de Torres Vedras, de onde este soldado era natural, bem como a Rua Francisco José Purificação Chaves em Loures, concelho de nascimento do soldado.

Finalmente, em Alcântara ficou a Rua Manuel Maria Viana/Herói de Ultramar/1944 – 1968, na Rua A à Travessa da Galé, também conhecida por Rua A à Avenida da Índia. O marinheiro fuzileiro especial Manuel Maria Viana (Odemira – S. Teotónio/07.08.1944 – 16.08.1968/Angola), integrado no Destacamento n.º 2 de Fuzileiros Especiais faleceu aos 24 anos e foi condecorado a título póstumo com a Medalha de Cobre de Valor Militar, com palma. Em 1971 a Escola de Fuzileiros criou também o  Prémio Manuel Viana, em sua honra, a  ser atribuído anualmente ao aluno com melhor classificação nos cursos de aplicação do 1.º grau.

A maioria destes topónimos – oito –  são exclusivos de Lisboa e não se encontram na toponímia de mais nenhum local do país, excepto nos 2 casos mencionados de homenagem prestada na terra natal.

Freguesia de Benfica (Planta: Sérgio Dias)

Os 5 topónimos de «Heróis do Ultramar» na Freguesia de Benfica
(Planta: Sérgio Dias)

A Avenida dos Combatentes da Grande Guerra atribuída em 1971

Freguesias das Avenidas Novas, de São Domingos de Benfica e de Alvalade

Em 1938,  a Liga dos Combatentes solicitou à Câmara de Lisboa a atribuição da denominação de «Combatentes da Grande Guerra» a um largo, praça ou avenida da capital  mas a questão foi sendo protelada por falta de arruamento considerado condigno para o efeito e só pelo Edital municipal de 15 de março de 1971 foi atribuída a Avenida dos Combatentes, para englobar todos os combatentes incluindo os da Guerra Colonial que já decorria há 10 anos, na Avenida que era prolongamento da Avenida António Augusto de Aguiar e hoje percorre as Freguesias das Avenidas Novas, São Domingos de Benfica e Alvalade.

O processo municipal era o nº 18905/38, a que se juntou mais tarde o processo nº 17175/55, e foi analisado sucessivamente nas reuniões da Comissão Municipal de Toponímia de 11 de novembro de 1955, 4 de maio de 1956 e 21 de janeiro de 1958, com a resposta de se aguardar oportunidade de novas artérias. A Liga dos Combatentes voltou a insistir pelo ofício nº 4087 sugerindo para o efeito a Avenida do Aeroporto ou o troço da Avenida Almirante Reis, entre a Praça do Chile e a Praça do Areeiro, a que a Comissão na sua reunião de 15 de outubro de 1958 respondeu «que a alteração das nomenclaturas dos arruamentos referidos implicaria profundas despesas e transtornos aos proprietários e moradores dos prédios das mesmas vias públicas, além de que a Comissão, tem por norma recorrer, o menos possível a este sistema, pelo que mantém os seus anteriores pareceres, isto é, deverá aguardar-se que haja uma artéria condigna para atribuição da referida nomenclatura».

E em 1971, a Comissão Consultiva Municipal de Toponímia na sua reunião de 5 de março, finalmente escolheu a «avenida (em projecto) que constitui prolongamento da Avenida António Augusto de Aguiar, seja atribuído o topónimo: Avenida dos Combatentes», a que se deu existência pelo Edital municipal de 15 de março de 1971.

Refira-se que um pouco por todo o país, embora sem sabermos a data de atribuição e a que combatentes se destinava a homenagem, e mesmo que de forma não completamente exaustiva, encontramos muitas artérias – Avenidas, Ruas, Praças, Largos, Travessas, Becos e Rotundas –  com o topónimo «dos Combatentes» em Abrunheira (Sintra), Alcácer do Sal, Aldeia das Dez (Oliveira do Hospital), Alfândega da Fé, Alhandra, Almargem do Bispo, Almeida, Almeirim, Alverca do Ribatejo, Amares, Anadia, Azambuja, Barcelos, Braga, Bucelas,  Cabeceiras de Basto, Carrazeda de Ansiães, Cartaxo, Constância, Ermesinde, Espinho, Esposende, Forte da Casa, Fronteira, Lagoa, Loulé, Lourinhã, na Madeira, Maia,  Mangualde, Marco de Canavezes, Milharado (Mafra), Moita, Oliveira de Azeméis, Oliveira de Frades, Ourém, Ovar, Paços de Ferreira, Parede, Paredes, Pero Pinheiro, Ponte de Sor, Portimão, Póvoa de Varzim, Rio Maior, Rio de Mouro, Sacavém,  Salvaterra de Magos, São João da Talha, na ilha de São Miguel (Açores), Santa Maria da Feira, Santa Maria de Lamas, Santa Marta de Penaguião, Santarém, Santo Tirso, Sátão, Serra d’El-Rei (Peniche), Sesimbra, Setúbal, Terrugem (Sintra), Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Vialonga, Vila do Conde, Vila Franca de Xira, Vila Nova da Barquinha, Vila Nova de Famalicão, Vila Nova de Gaia,Vilar Formoso e Viseu.                                .

E algo semelhante se passa com o topónimo «Combatentes do Ultramar», que em Avenidas, Jardins, Largos,  Ruas e Travessas surge em Almargem do Bispo, Almoçageme, Amarante, Beja, Cadafaz (Góis), Cadaval, Cartaxo, Cascais, Cucujães (Oliveira de Azeméis), Esposende, Guardizela (Guimarães), Lordelo (Guimarães), Louredo (Santa Maria da Feira), Lousada, Loures, Mata de Lobos (Figueira de Castelo Rodrigo), Matosinhos, Monchique, Moreira de Cónegos, Muge (Salvaterra de Magos), Nazaré, Odivelas, Paços de Ferreira, Paredes, Parede, Pedrógão Grande, Penafiel, Penalva do Castelo,  Pero Pinheiro, Ponta Delgada, Ribeirão (Vila Nova de Famalicão), Rio Maior, Rio de Moinhos (Borba), São João da Caparica (Almada), São João da Madeira, Sintra, Tondela, Vila Nova de Gaia, Vila Nova de Poiares e Vila Verde.

Freguesias das Avenidas Novas, de São Domingos de Benfica e de Alvalade (Planta: Sérgio Dias)

Freguesias das Avenidas Novas, de São Domingos de Benfica e de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias)

 

Quatro médicos militares na toponímia de Lisboa em 1970

Francisco Luís Gomes

Em 1970, nove anos após o início da Guerra Colonial, foram colocados na toponímia de Lisboa quatro médicos militares, com a característica comum de terem prestado serviço no Hospital Militar de Lisboa e/ou nos territórios que eram colónias na época: Francisco Luís Gomes, José Baptista de Sousa, Mário Moutinho e Nicolau de Bettencourt.

O primeiro caso ocorreu através do Edital  municipal de 14 de fevereiro e foi a  Avenida Dr. Francisco Luís Gomes (na freguesia dos Olivais), a que se seguiu no Edital de  dia 17  a Avenida Dr. Mário Moutinho (Belém), e que se completou no Edital de 31 de março com a Rua Dr. José Baptista de Sousa (Benfica) e a Rua Dr. Nicolau de Bettencourt (Avenidas Novas).

A Avenida Dr. Francisco Luís Gomes foi atribuída com a legenda «Médico e Escritor/1829 – 1869» no arruamento que começa na Avenida de Berlim (junto à Piscina), no topo das Avenidas Infante Dom Henrique e Dr. Alfredo Bensaúde, para homenagear o cidadão que nasceu em 1829 na Índia e se licenciou em Medicina pela Escola de Goa (1850), tendo sido Cirurgião-mor  do exército português na Índia a partir de 1860, e ainda o autor de A Economia Rural da Índia Portuguesa, entre outras obras. Este topónimo é único no país.

Mário Moutinho

Mário Moutinho

A Avenida Dr. Mário Moutinho, nasceu com a legenda «Oftalmologista/1877-1961», para perpetuar o médico que dirigiu o serviço de Oftalmologia do Hospital Militar Principal de Lisboa a partir de 1909, e que nove anos depois foi seu subdiretor e mais tarde, diretor. Também este é um topónimo exclusivo de Lisboa.

No último dia do mês de março foram atribuídas a Rua Dr. José Baptista de Sousa/ Coronel Médico/1904 – 1967 na  Rua B à Travessa da Granja na freguesia de Benfica, bem como a Rua Dr. Nicolau de Bettencourt/ Brigadeiro-Médico/1900 – 1965 no troço da Estrada de Benfica compreendido entre o Largo de São Sebastião da Pedreira e o Largo então  vulgarmente conhecido como Praça de Espanha,  e as legendas destes dois topónimos expressam claramente a componente militar destes homenageados, sendo neste sentido os dois primeiros na toponímia de Lisboa em que a referência militar se liga à medicina.

A escolha do coronel-médico alfacinha  José Baptista de Sousa foi sugerida por um cidadão de seu nome Eduardo Mimoso Serra e a atribuição do nome de Nicolau de Bettencourt resultou de um pedido dos C.T.T. para que houvesse topónimo que evitasse equívocos na distribuição de correio naquela artéria.

José Baptista de Sousa

José Baptista de Sousa

Baptista de Sousa integrou as Forças Expedicionárias a Cabo Verde, e permaneceu em S. Vicente de 22 de fevereiro de 1942 até 10 de setembro de 1944, como diretor do Hospital Militar Principal de Cabo Verde, trabalhando também para os civis, o que lhe granjeou muitas simpatias locais e o epíteto de engenheiro humano. Ao contrário das orientações oficiais declarou a fome como causa de morte em diversos atestados de óbito, demonstrando coragem cívica. De 1947 a 1950, prestou serviço na Escola Médico-Cirúrgica de Goa. De 1951 a 1961 foi  Chefe da Clínica Cirúrgica do Hospital Militar Principal de Lisboa e a partir de 1964, foi  Consultor de Cirurgia da Direção do Serviço de Saúde Militar. O Dr. José Baptista de Sousa foi agraciado com o grau de oficial da Ordem de Avis e, em Mindelo (S. Vicente) o hospital passou a denominar-se Hospital Baptista de Sousa. Este topónimo é único no país.

Nicolau José Martins de Bettencourt concluiu o curso de Medicina em 1924 e, dois anos depois, também o curso de Medicina Tropical. Na sua carreira destacou-se como instrutor dos cursos de oficiais milicianos e dos enfermeiros militares das Escolas Centrais de Defesa do Território bem como Inspetor da Instrução do Serviço de Saúde Militar (1960 e 1961); dirigiu o Hospital Militar de Belém (1945 a 1949), o Hospital Militar Principal (a partir de 1957), os Serviços de Saúde Militar (a partir de  1962) e o Serviço de Saúde da Legião Portuguesa. Durante a presidência do general França Borges na Câmara Municipal de Lisboa, foi também vereador, no mandato de 1960 a 1963.  O seu nome integra também a toponímia da Marinha Grande.

Antes da Guerra Colonial apenas dois médicos militares tinham integrado a toponímia de Lisboa, a saber, a Rua Dr. Mascarenhas de Melo com a legenda «1868 – 1950», por Edital municipal de 24/07/1957, para homenagear um diretor do Hospital Militar da Estrela, e pelo Edital de 19/09/1960 foi a Praça Dr. Teixeira de Aragão com a legenda «Escritor-numismata/1823-1903» que perpetuou o diretor do gabinete de numismática e arqueologia do rei D. Luís I.

Após o 25 de Abril foram dois os médicos militares que tiveram a honra de serem topónimos alfacinhas: a  Escadaria José António Marques, com a legenda «Fundador da Cruz Vermelha Portuguesa/1822 – 1884», por via do Edital de 11 de fevereiro de 1985; e a Rua Dr. Bastos Gonçalves, com a legenda «Brigadeiro – Médico/1898 – 1985», pelo Edital de 21 de fevereiro de 2001, em memória daquele que dirigiu a Revista Portuguesa de Medicina Militar.

Nicolau de Bettencourt

Nicolau de Bettencourt

Mortos na Guiné e Angola, em 1963, na toponímia de Olivais Norte

Freguesia dos Olivais - Placa Tipo IV (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia dos Olivais – Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias)

No ano de 1964, a Guerra Colonial contava  três anos em Angola desde fevereiro e um ano na Guiné desde janeiro,  e o Edital de 26 de novembro colocou na toponímia de Olivais Norte dois mortos em combate ao serviço da Pátria, um na Guiné e outro em Angola –  a Rua Furriel João Nunes Redondo e a Rua Sargento José Paulo Santos -, ambos com a característica comum de terem abafado com os seus corpos os estilhaços de engenhos de guerra para salvar os outros militares.

A escolha dos arruamentos decorreu a partir das «onze horas e quinze minutos do dia 16 de Novembro de 1964» em que a Comissão Municipal de Toponímia se deslocou « à zona dos Olivais, para emitir parecer sobre a denominação dos seus arruamentos e designar as artérias a que devem ser atribuídos os nomes do sargento José Paulo dos Santos e do furriel miliciano João Nunes Redondo, mortos ao serviço da Pátria nas províncias ultramarinas de Angola e da Guiné, respectivamente. »

A Rua Furriel João Nunes Redondo/Morto na Guiné ao Serviço da Pátria/1963 ficou na Rua F da Zona dos Olivais Norte. João Nunes Redondo (Ílhavo/? – 22.03.1963/Guiné),  era um Furriel Miliciano que quando estava no sul da Guiné, na Tabanca do Cubaque, a proceder ao levantamento de minas, verificou que o dispositivo de disparo de um dos engenhos fora inadvertidamente acionado por um dos sapadores que o auxiliavam na tarefa e deliberadamente, lançou-se sobre a mina prestes a explodir, que o vitimou de imediato evitando a morte dos camaradas próximos. A título póstumo, foi agraciado com o grau de Cavaleiro com Palma da Ordem Militar da Torre de Espada e foi promovido a Sargento Ajudante, a 12 de março de 1964. O seu nome consta também na toponímia da sua terra natal como Rua Sargento Nunes Redondo.
Freguesia dos Olivais - Placa Tipo IV (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia dos Olivais – Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Sargento José Paulo dos Santos/Morto em Angola ao Serviço da Pátria/1963 ficou na Rua G da Zona dos Olivais Norte. José Paulo dos Santos (Covilhã-Aldeia do Peso/07.11.1930 – 16.04.1963/Angola), era 2º Sargento de Infantaria, e havia sido feito prisioneiro quando a União Indiana em 1961 tomou Goa, Damão e Dio, mas depois foi colocado em Angola, no Batalhão de Caçadores, onde em Calabanza, conscientemente, cobriu com o seu corpo uma granada de mão que caíra entre os homens que comandava e teve morte imediata. A título póstumo, foi agraciado com o grau de Cavaleiro com Palma da Ordem Militar da Torre de Espada e o seu nome está inscrito no Memorial aos Combatentes do Ultramar em Belém, assim como consta na toponímia da sua terra natal, numa rua e numa travessa.
A Rua Sargento José Paulo dos Santos tem ainda a particularidade de n0 25º aniversário do 25 de Abril, por iniciativa da Associação 25 de Abril apoiada pela Câmara Municipal de Lisboa, ter passado a apresentar um Memorial da autoria do escultor Francisco Simões onde se pode ler «Neste local, em 5 de Fevereiro de 1974 reuniu-se clandestinamente o Movimento dos Capitães para discutirem o Programa Político a apresentar aos portugueses em 25 de Abril de 1974. Homenagem da Câmara Municipal de Lisboa. 5 de Fevereiro de 1999.» Esta peça localiza-se frente ao nº 43, a casa do Coronel Marcelino Marques.
Freguesia dos Olivais (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia dos Olivais
(Planta: Sérgio Dias)

O Largo do Governador da Guiné do séc. XIX, Honório Barreto, em Lisboa desde 1964

Freguesia do Beato (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Beato
(Foto: Sérgio Dias)

Na Guiné, a Guerra Colonial foi iniciada a 23 de janeiro de 1963, com o ataque do PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde) ao quartel de Tite e no ano seguinte, o Edital de 23 de julho de 1964, atribuiu o Largo Honório Barreto na Freguesia do Beato, por via de uma sugestão da Sociedade de Geografia de Lisboa feita cerca de 11 anos antes, em homenagem  a um Governador da Guiné do séc. XIX, que era natural daquele território.

Em 22 de janeiro de 1953, Luís Nunes da Ponte proferiu uma conferência na Sociedade de Geografia de Lisboa intitulada «Honório Pereira Barreto, heróico governador negro da Guiné» e na reunião da Comissão Municipal de Toponímia de 12 de outubro desse ano, foi  analisado o pedido da Sociedade de Geografia de Lisboa, no qual solicitava que « o nome de Honório Barreto – heróico governador negro da Guiné – e, bem assim, os nomes de Caldas Xavier e Artur de Paiva, sejam atribuídos a artérias da capital» tendo então avançado « que o nome de Honório Barreto denomine a primeira transversal do Parque Eduardo VII, que liga a Avenida António Augusto de Aguiar à Avenida Sidónio Pais». Contudo, o Edital de 28/05/1956 atribuiu a essa mesma artéria a denominação de Rua Eugénio dos Santos que ainda hoje vigora. Assim, só pelo Edital de 23/07/1964 foi fixado o nome de Honório Barreto na toponímia de Lisboa, desta feita na freguesia do Beato, no cruzamento da Rua João do Nascimento Costa com a Calçada da Picheleira.

10-honorio-barretoHonório Pereira Barreto (Guiné – Cacheu/24.04.1813 – 16 ou 24 ou 26.04.1859/Bissau – Guiné), estudou em Portugal até ao falecimento de seu pai, em 1829, e foi um militar que chegou ao posto de tenente-coronel e a Governador da Guiné.

Era filho do caboverdiano, João Pereira Barreto Jr. –  Sargento-Mor e maior comerciante de Cacheu – e da guineense, Rosa de Carvalho Alvarenga,  conhecida por Dona Rosa de Cacheu ou Nha Rosa, uma reconhecida autoridade local. Aliás, Honório Barreto geriu com a sua mãe o negócio de família em Cacheu, onde os principais produtos dos seus negócios mercantis eram escravos obtidos dos Soninké/Mandinga e dos Bijagó.

Este Governador da Guiné manteve o controlo português da área e ainda estendeu territorialmente a sua influência. Desempenhou as funções de Provedor de Cacheu (1834) Capitão-Mor de Cacheu por três vezes (1834 – 1835, 1846 a 1848 e 1852), Governador da Praça de Cacheu (1852 -1854), e Capitão-Mor de Bissau por cinco vezes (1837 –  1839, 1840 – 1841, 1853 – 1854, 1855 – 1858 e de 1858 até à sua morte).

Conseguiu através de luta armada, mas também comprando terrenos, que Bolama e Casamansa não ficassem na posse dos ingleses e reconstruiu Bolama após os incêndios dos britânicos (1839). Em 1843 publicou a sua Memória sobre o Estado Actual da Senegâmbia Portuguesa, Causa da sua Decadência e Meios de a Fazer Prosperar. Também acabou com a sublevação dos Papéis de Bissau (1853) e as investidas dos Nagos (1856) enquanto cedia graciosamente à coroa portuguesa um território seu, na região dos Felupes de Varela (1857).

Honório Barreto foi galardoado com o grau de Comendador da Ordem Militar de Cristo e com o grau de Cavaleiro da Ordem Militar da Torre e Espada, assim como teve a sua efígie em notas da Guiné de 1.000$00 (30 de abril de 1964) e 500$00 (27 de julho de 1971), bem como em selos e ainda deu o seu nome a uma corveta de guerra da Marinha Portuguesa em 1971.

Freguesia do Beato (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Beato
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua do 2º Conde de Almoster, morto em Angola no final do séc. XIX

Freguesia de São Domingos de Benfica (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Conde de Almoster, com a legenda «Herói do Ultramar/1858 – 1897», homenageia na Freguesia de São Domingos de Benfica, João Carlos de Saldanha Oliveira e Daun, o 2º Conde de Almoster que morreu no final do séc. XIX em combate em Angola,  desde a publicação do Edital municipal de 13 de dezembro de 1963, por proposta do então presidente da CML, General França Borges, volvidos que estavam 2 anos e 10 meses sobre o início da Guerra Colonial em Angola.

Até aí esta artéria tinha a designação provisória de Rua C à Travessa de São Domingos de Benfica, ou de Rua projetada à Travessa de São Domingos de Benfica, ou ainda, Rua projetada ao Largo Conde de Ottolini . E com o passar dos anos a via foi aumentando de dimensão. Pelo Edital municipal de 15/04/1969 foi-lhe acrescentado o troço do arruamento ao longo do caminho de ferro, compreendido entre a Rua Inácio de Sousa e a Rua de São Domingos de Benfica, e pelo Edital de 05/06/1972 somou ainda o troço do arruamento, ao longo do caminho de ferro, situado entre as Ruas Inácio de Sousa e Sousa Loureiro.

João Carlos de Saldanha Oliveira e Daun (Barcelos/11.08.1858-12.12.1897/Humbe-Angola), que morreu em combate na mata angolana dos Espinheiros Camafuti, em Humbe, a 12 de Dezembro de 1897, foi o  2º Conde de Almoster, sobrinho do 1º titular, Augusto Carlos de Saldanha de Oliveira e Daun (1822- 1845), sendo-lhe renovado o título  em 1871 por D. Luís I. Concluíra o curso de Cavalaria da Escola do Exército e fora colocado no regimento de Cavalaria nº 4, tendo sido promovido a capitão em 1897, quando integrava o Esquadrão de Dragões do Planalto de Moçâmedes, em Angola, onde faleceu.

O 2º Conde de Almoster era filho do 2º duque de Saldanha, João Carlos Saldanha de Oliveira e Daun e de sua esposa, Júlia Pereira Alves de Sousa Guimarães.

Existe também uma Rua Conde de Almoster em Almoster (Santarém).

Freguesia de São Domingos de Benfica (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias)

Mortos ao serviço da Pátria na Índia na toponímia de Olivais Norte

Capitão Santiago Carvalho,  Chama, 6 de janeiro de 1962

 

A 9 de setembro de 1963, dois militares mortos em 1961, ao serviço da Pátria, na Índia,  foram colocados na toponímia de Olivais Norte: a Rua Capitão Santiago de Carvalho/ Morto em Damão ao Serviço da Pátria – 1961 e a Rua Capitão-Tenente Oliveira e Carmo/ Morto em Dio ao Serviço da Pátria – 1961.

O ano de 1961 foi aquele em que a 18 de dezembro a União Indiana, independente dos britânicos desde 1947,  invadiu os territórios de Goa, Damão e Diu, ainda sob domínio português.  E também aquele em que  eclodiu a guerra colonial, em Angola, no mês de fevereiro. E passaram a ser característica dessa década as atribuições toponímicas na cidade de Lisboa em homenagem aos militares mortos ao serviço da Pátria nas então províncias ultramarinas na zona dos Olivais Norte.

A Rua Capitão Santiago de Carvalho, com a legenda « Morto em Damão ao Serviço da Pátria – 1961» foi atribuída na Rua A da Zona dos Olivais Norte. Já a Rua Capitão-Tenente Oliveira e Carmo, com a legenda « Morto em Dio ao Serviço da Pátria – 1961», foi dada pelo mesmo Edital na Rua E da Zona dos Olivais Norte, em resultado do parecer favorável da Comissão Municipal de Toponímia emitido em 26 de julho de 1963 e « originado por um despacho de Sua Excelência o Presidente [António Vitorino França Borges], no sentido de se colherem os nomes completos e, bem assim, os elementos respeitantes às folhas de serviço do segundo tenente Oliveira e Carmo e do tenente de infantaria Santiago de Carvalho, mortos ao serviço da Pátria aquando da invasão de Goa, para os seus nomes serem perpetuados na toponímia da cidade».
Alberto Santiago de Carvalho (Covilhã – Unhais da Serra/19.12.1935 – 18.12.1961/Damão – Índia) saiu do Seminário Menor do Fundão para o Colégio de São José (Guarda) e ingressou na Academia Militar em 15 de outubro de 1955, tendo chegado a tenente no dia 1 de novembro de 1961. Durante a sua carreira militar, prestou serviço na Escola Prática de Infantaria em Mafra; no Regimento de Infantaria 2, em Abrantes; no regimento de Infantaria nº 12 do CICA do Agrupamento Constantino de Bragança, de Damão, onde chegara em abril de 1960. Morreu em combate em Damão. A título póstumo, foi promovido a capitão e condecorado com a Medalha de Ouro de Valor Militar com palma, bem como a Comenda da Ordem Militar da Torre e da Espada.

Santiago Carvalho tem o seu nome num busto em memória de todos os filhos de Unhais da Serra mortos ao serviço da Pátria, desde 1 de dezembro de 1975; num Externato da vila de Alpedrinha (Fundão),  por proposta do fundador e primeiro diretor do mesmo,  o seu irmão Padre José Carvalho Santiago; e numa Rua do Fundão desde 2006.

Capitão Tenente Oliveira e Carmo

Jorge Manuel Catalão de Oliveira e Carmo (Alenquer/ ?.09.1936 – 18.12.1961/Índia), estudante do Liceu Pedro Nunes  que ingressou na Escola do Exército em outubro de 1954 e depois, na Escola Naval, foi um oficial da Marinha Portuguesa que era 2º Tenente em dezembro de 1961 e comandava a lancha Vega nesse dia em que a União Indiana procurou ter o controlo de toda a Índia. Decidiu entrar em combate com os caça-bombardeiros Vampire, da Força Aérea Indiana, que atacavam as forças portuguesas em Diu, com fogo da peça antiaérea de 20 mm da Vega. Fardou-se até de branco para, segundo o próprio, morrer com mais honra, cumprindo escrupulosamente as ordens do Estado-Maior da Armada, segundo as quais deveria combater até ao último cartucho.

Oliveira e Carmo foi condecorado  a título póstumo, com a Medalha de Valor Militar com Palma, com a comenda da Ordem Militar da Torre e Espada e promovido ao posto de Capitão Tenente. Foi patrono do curso 1962/1967 da Escola Naval e a Marinha Portuguesa batizou uma corveta com o seu nome em 1975. Existe ainda uma estátua em sua homenagem no jardim de Alenquer e o seu nome consta também na toponímia de Alenquer, Almada e Barreiro.

Freguesia dos Olivais (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia dos Olivais
(Planta: Sérgio Dias)

 

Mortos ao Serviço da Pátria em Angola na toponímia de Olivais Norte em 1963

Freguesia dos Olivais - Placa Tipo IV (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia dos Olivais – Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias)

Mais ou menos dois anos após o início da Guerra Colonial em Angola, e o incitamento de Salazar «Para Angola e em força», o Edital municipal de 13/02/1963 trouxe à toponímia da nova urbanização de  Olivais Norte quatro «Mortos ao Serviço da Pátria» em Angola, logo no ano de 1961,  um de cada patente: a Rua General Silva Freire [ já publicado], a Rua Alferes Barrilaro Ruas, a Rua Sargento Armando Monteiro Ferreira e a  Rua 1º Cabo José Martins Silvestre.

A Ata da Reunião da Comissão Consultiva Municipal de Toponímia de 18 de janeiro de 1963 esclarece estas escolhas:
« Por último, a Comissão ocupou-se do processo nº 21 675/62, originado pelo ofício nº 171 da Presidência da Excelentíssima Câmara [António Vitorino França Borges], de 29 de Junho do ano findo, e ofício nº 215/S – Processo 9.0, do Gabinete do Ministro do Exército [Mário José Pereira da Silva], de 5 do mesmo ano, remetendo elementos respeitantes às biografias de militares do Exército falecidos na província de Angola, ao serviço da Pátria, a fim dos seus nomes serem atribuídos a arruamentos da Zona dos Olivais. Depois de várias trocas de impressões a Comissão foi de parecer que o nome do general Silva Freire denomine as ruas C e D do Bairro dos Olivais – Norte; dos dois alferes indicados a folhas 7 e 8 do processo, a Comissão opta pelo nome do Alferes Barrilaro Ruas por ter morrido primeiro e que denominará a Rua D 1 do mesmo Bairro; que o nome do Sargento Armando Monteiro Ferreira denomine a Rua D 11, e que por analogia de critério à Rua B seja atribuído o nome do primeiro Cabo José Martins Silvestre, o primeiro dos quatro cabos indicados que morreu ao serviço da Pátria. Quanto às demais patentes e posto que nenhuma indicação foi fornecida pelo Ministério do Exército e do processo instrutor também não constam os nomes dos dois civis, conforme fora solicitado pelo oficio nº 171, acima referido, pelo que a Comissão sugere que, quanto aos últimos, seja consultado o Ministério do Ultramar.»

Freguesia dos Olivais - Placa Tipo IV (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia dos Olivais – Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Alferes Barrilaro Ruas era a Rua D 1 da Zona dos Olivais Norte, Célula A, e ficou a ligar a Rua General Silva Freire à Rua Sargento Armando Monteiro Ferreira. De seu nome completo José António Barrilaro Fernandes Ruas (Coimbra/? – 29.09.1961/a sul de Nambuangongo- Angola), era filho de Henrique Fernandes Ruas e Eva Adelaide Barrilaro, bem como irmão de Henrique Barrilaro Ruas, que desde a publicação do Edital de 14/07/2004 dá também nome a uma artéria da Penha de França.  Foi o Cadete melhor classificado da Escola de Oficiais Milicianos de 1960 e integrado na Companhia de Caçadores 117 do Batalhão de Caçadores 114, com a especialidade de atirador, e foi também o primeiro oficial português a ser mortalmente atingido na Guerra Colonial, numa emboscada. Foi agraciado postumamente com a Medalha de Prata de Valor Militar com palma (1962). O seu nome consta também da toponímia de Soure, onde está sepultado.
A Rua Sargento Armando Monteiro Ferreira era a Rua D 11 da Zona dos Olivais Norte, Célula A, e uniu a Rua Alferes Barrilaro Ruas à futura Avenida Dr. Francisco Luís Gomes ( Edital de 14/02/1970). O 2º Sargento faleceu a 19 de maio de 1961 em Nova Caipemba. Foi agraciado postumamente com a Medalha de Prata de Valor Militar com palma (1962) e o seu nome consta no Memorial erguido em Belém, denominado Monumento aos Combatentes do Ultramar. O seu nome consta ainda da toponímia do Casal de São Brás, na Amadora.
A Rua 1º Cabo José Martins Silvestre era a Rua B da Zona dos Olivais Norte, a ligar a Circular norte do Bairro da Encarnação à Avenida Doutor Alfredo Bensaúde.  José Martins Silvestre (Idanha-a-Nova – Monsanto/? -03.04.1961/Angola), 1.º Cabo de Infantaria foi mobilizado pelo Batalhão de Caçadores 5 para em Angola ficar integrado na Companhia de Caçadores Especiais 78, onde veio a falecer em combate e ficou sepultado no cemitério de Santana (Catete).
Freguesia dos Olivais - Placa Tipo IV (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia dos Olivais – Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua General Vassalo e Silva, que se rendeu na Índia em dezembro de 1961

Freguesia do Beato (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Beato
(Foto: Sérgio Dias)

O General Vassalo e Silva que era o governador do Estado Português da Índia em  18 de dezembro de 1961, quando a União Indiana invadiu os territórios de Goa, Damão e Dio, quase sem resistência dos soldados portugueses tal era a desproporção das forças, deu o seu nome a uma rua de Lisboa passados 53 anos sobre esse acontecimento e 29 sobre o seu falecimento, em 2014.

Foi pelo Edital municipal de 2 de junho de 2014 na artéria identificada como Rua 5 à Avenida Marechal Francisco da Costa Gomes, na Freguesia do Beato: Rua General Vassalo e Silva/1899 – 1985.

Vassalo e Silva na Paris Match de 13 de janeiro de 1962

Vassalo e Silva na Paris Match de 13 de janeiro de 1962

Manuel António Vassallo e Silva (Torres Novas/08.11.1899 – 11.08.1985/Lisboa), sendo ainda brigadeiro, foi nomeado no final de 1958 como o 128º e último governador do Estado Português da Índia. Salazar tinha-lhe escrito num telegrama que «Não prevejo possibilidade de tréguas nem prisioneiros portugueses, assim como não haverá navios rendidos, pois sinto que apenas pode haver soldados e marinheiros vitoriosos ou mortos». No entanto, 36 horas após a entrada das tropas indianas, Vassalo e Silva rendeu-se com a guarnição portuguesa em Goa, cerca de três mil e quinhentos homens em armas, perante as forças indianas que contavam com cerca de 50 mil soldados. A maioria dos soldados portugueses escolheu a total rendição e apenas 25 morreram. Foram feitos prisioneiros e Vassalo e Silva foi ainda punido com a expulsão das Forças Armadas Portuguesas por ter desobedecido a Salazar, sendo reintegrado após o 25 de Abril de 1974. O General Vassalo e Silva ganhou por isto o epíteto de «Vacila e Salva».

Bacharel em Matemáticas, concluiu os preparatórios de Engenharia Militar e ingressou na vida militar em 13 de novembro de 1922, no Curso de engenharia militar na Escola Militar, que concluiu como aspirante a Oficial em 1926. Prestou serviço no Regimento de Sapadores Mineiros nº 1 (Lisboa), na Escola Prática de Engenharia (Porto), na Escola de Transmissões, como professor-adjunto da 24ª Cadeira da Escola do Exército, como Comandante de engenharia do Quartel General do Comando das Forças Expedicionárias às Colónias em Moçambique, nas Forças Expedicionárias ao Extremo Oriente em Timor, como professor provisório nos Pupilos do Exército, como Professor Catedrático da 24ª Cadeira da Escola do Exército e como Comandante da Escola Prática de Engenharia em Tancos.

Na sua vida particular era filho de Manuel Caetano da Silva e de Maria da Encarnação Vassalo e Silva e assim também o irmão mais novo da escritora Maria Lamas.

Foi agraciado com diversas condecorações como oficial da Ordem Militar de Avis (1938), comendador de Avis (1951) e Grande-Oficial da Ordem Militar de Avis (1958), Oficial da Ordem do Mérito Agrícola e Industrial (1954) e dá nome a Ruas da Charneca da Caparica, Linda-a-Velha e Torres Novas.

Freguesia do Beato (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Beato
(Planta: Sérgio Dias)

Dois antigos Heróis do Ultramar feitos topónimos em novembro de 1961

Freguesia de São Vicente (Foto: Sérgio Dias)

Rua General Justiniano Padrel – Freguesia de São Vicente
(Foto: Sérgio Dias)

Dois antigos «Heróis do Ultramar», conforme consta nas legendas, um na Guiné e Angola e outro em Timor, tornaram-se topónimos de São Vicente e da Penha de França, pelo Edital municipal de 10 de novembro de 1961: a Rua General Justianiano Padrel e o Largo Alferes Francisco Duarte.

A Guerra Colonial iniciara-se há 9 meses em Angola e a toponímia de Lisboa exaltou dois militares que combateram pela manutenção da soberania portuguesa nas colónias, no decorrer do séc. XIX e princípios do séc. XX.

A Rua General Justiniano Padrel nasceu num troço da Rua do Barão de Monte Pedral, por sugestão da Sociedade de Geografia, que também incluía os nomes dos generais Garcia Rosado, Massano de Amorim, João de Almeida, major Neutel de Abreu e coronel Bento Roma a que a Comissão Municipal de Toponímia deu parecer favorável e assim, na sua reunião de 3 de novembro de 1961, esclareceu que «A Comissão foi de parecer que o troço da Rua do Barão de Monte Pedral, desde a sua confluência com a Rua B, passe a denominar-se Rua General Justiniano Padrel, e que a Rua do Barão de Monte Pedral principie na Calçada dos Barbadinhos e abranja a referida Rua B, devendo os respectivos letreiros toponímicos serem escritos da seguinte maneira: Rua General Justiniano Padrel, Herói do Ultramar – 1846 – 1911».

O homenageado, Lourenço Justiniano Padrel (no mar entre Cabo Verde e Guiné/08.01.1846 – 20.06.1911/Luanda) foi um militar que se distinguiu nas Campanhas Militares nas antigas colónias, nomeadamente, no ataque a Caconda (Guiné-Bissau) e no cerco da Fortaleza de Humbe (Angola) onde foi cercado por 10 mil guerreiros e os venceu. Deixou publicado A expedição ao Humbe (1892) e foi agraciado com os graus de cavaleiro, oficial e comendador da Torre e Espada.

O Largo Alferes Francisco Duarte foi gerado na confluência da Rua Sebastião Saraiva Lima e da Praça Paiva Couceiro, no espaço conhecido como Praceta à Rua Sebastião Saraiva Lima, no qual se integrou também o troço do Caminho de Baixo da Penha que tinha os nºs 313 a 329, a partir de uma sugestão do coronel Marino da Cunha Sanches Ferreira dirigida à edilidade por carta.

O alferes Francisco Duarte (?/08.12.1862 – 12.07.1899/Bobonaro – Timor) era «conhecido em Timor pelo cognome de “Arbiru”» – conforme refere a Ata da reunião da Comissão Municipal de Toponímia de 3 de novembro de 1961 – palavra de tétum que significa «homem invencível, homem que nunca descansa». Francisco Duarte estava em  Timor (hoje, Timor Lorosae) desde 1892 e foi um  dirigente militar do distrito cafeicultor de Maubara. Distinguiu-se sobretudo nas campanhas militares que decorreram entre 1893 e 1896, nomeadamente em Lamaquitos, Obulo, Maerobo, Manufai e Deribate, ganhando fama de violento pacificador das revoltas timorenses. Este militar galardoado com a Ordem da Torre e Espada faleceu em combate e foi sepultado no cemitério de Santa Cruz em Díli.

O Largo Alferes Francisco Duarte em 1964 (Foto: Augusto de Jesus Fernandes, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Largo Alferes Francisco Duarte em 1964
(Foto: Augusto de Jesus Fernandes, Arquivo Municipal de Lisboa)