O Largo que perpetua o militar e escritor Carlos, Selvagem por alcunha e pseudónimo

Freguesia de São Domingos de Benfica (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

O escritor Carlos Selvagem, formado em Cavalaria e participante em Moçambique na frente africana da I Guerra Mundial, de cuja experiência publicará Tropa de África (1919), foi perpetuado cerca de dois meses após a sua morte  no impasse projectado à Rua Prof. Reinaldo dos Santos feito Largo lisboeta, através do Edital municipal de 28/08/1973 e com a legenda «Escritor/1890 – 1973».

Alma Nova, novembro de 1925

Alma Nova, novembro de 1925

Carlos Tavares de Andrade Afonso dos Santos (Lisboa/13.08.1890 – 04.06.1973/Lisboa), que na frequência do Colégio Militar (1901-1907) ganhou a alcunha de «Selvagem» que escolheu como pseudónimo, foi um militar de carreira, da arma de Cavalaria, que se reformou com o posto de coronel em 1947, tendo participado no Niassa e no norte de Moçambique na frente africana da I Guerra Mundial. Desempenhou também os cargos de governador do distrito de Inhambane (1931-34) e da província da Huíla (1934-35) bem como de comandante militar de Cabo Verde. Em 1963 publicou também A batalha de La Lys e o marechal Gomes da Costa.

Carlos Selvagem foi ainda jornalista e escritor – ficcionista e dramaturgo – e o 4º presidente da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses no período de 1968 até ao seu falecimento em 1973. A pedido do Ministro do Interior, fundou em 1927 o jornal O Imparcial, com Henrique Galvão, com quem aliás também deu corpo aos 4 volumes de Império ultramarino português : monografia do império, publicado entre 1950 e 1953 pela Empresa Nacional de Publicidade, para além da ligação de ambos ainda ter resultado na defesa de Carlos Selvagem por Henrique Galvão após a tentativa de golpe da Junta de Libertação Nacional comandada pelo Almirante Mendes Cabeçadas, de 10 de abril de 1947, também conhecida por Abrilada e de a inspiração do nome Operação Dulcineia para o assalto ao paquete Santa Maria ser a peça Dulcinéa ou a última aventura de D. Quixote (1943) de Carlos Selvagem.

No teatro, Carlos Selvagem estreou-se com o drama rural Entre Giestas (1915) e a comédia dramática Ninho de águias (1920) tendo recebido ainda o Prémio Gil Vicente pelas suas peças Telmo, o Aventureiro (1937) e Encruzilhada (1941). Saliente-se ainda o seu Portugal Militar editado em 1931,  escolhido em concurso público para compêndio a utilizar nas escolas militares, os contos infantis Picapau – Bonecos Falantes, e em conjunto com Hernâni Cidade, para além de Cultura Portuguesa (1967) terem publicado diversas obras historiográficas nos anos 60 e 70 do século XX,  época durante a qual também discursou em diversos eventos da Câmara Municipal de Lisboa, como em 1963 no descerramento da lápide de homenagem a Gustavo Matos Sequeira na casa onde ele nasceu e faleceu.

Freguesia de São Domingos de Benfica (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias)

A Avenida do oftalmologista Mário Moutinho

Freguesias de Belém e Ajuda (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias de Belém e da Ajuda
(Foto: Sérgio Dias)

O médico oftalmologista Mário Moutinho que integrou o CEP – Corpo Expedicionário Português em França, em 1917 e 1918, sendo por isso condecorado com a medalha de Bons Serviços em Campanha, dá nome a uma Avenida do Restelo que era Rua CD à Avenida das Descobertas, desde a publicação do Edital municipal de 17/02/1970, artéria onde se encontra o Centro Infantil Helen Keller que ele fundou. Dezassete anos depois, o arruamento construído no prolongamento da Avenida Dr. Mário Moutinho foi denominado Avenida Helen Keller, através do edital de 07/09/1987.

Mário Moutinho

Mário Moutinho (Angra do Heroísmo/28.05.1877 – 18.01.1961/ Lisboa) que foi aluno do Colégio Militar de 1888 a 1894, formou-se como médico-cirurgião na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa e ainda completou o curso de Oftalmologia do Prof. Gama Pinto. Este médico militar oftalmologista  integrou o Corpo Expedicionário Português em França em 1917 e 1918,  onde desempenhou o cargo de Chefe dos Serviços de Oftalmologia e por isso foi condecorado com a medalha de Bons Serviços em Campanha. O Tenente Coronel Médico Mário Moutinho havia fundado em 1905 a clínica oftalmológica no Hospital Militar Principal de Lisboa, no Largo da Estrela, serviço que dirigiu a partir de 1909. A partir de 1918 foi mesmo subdiretor e depois diretor deste Hospital pelo que teve de abandonar a Clínica Oftalmológica Militar e assim resolveu fundar uma nova clínica no Asilo-Escola de Cegos A. F. de Castilho (1935) e a Liga Portuguesa de Profilaxia da Cegueira (1936), a que presidiu, e a partir da qual desenvolveu o seu plano de criar uma clínica de reeducação de diminuídos visuais em Portugal, o que veio a concretizar em 1955, com o seu filho, o também oftalmologista Dr. Henrique Moutinho ( existe a Rua Henrique Moutinho na freguesia de Belém desde a publicação do Edital de 03/07/2008), o psiquiatra Dr. João dos Santos  e a pedagoga Drª Maria Amália Borges, que a partir do ano seguinte teve o nome de Centro Infantil Helen Keller, sediado no nº 20 desta que viria a ser a Avenida Dr. Mário Moutinho. Quando em março de 1956 Helen Keller veio a Portugal a convite da LPPC, passou a designar-se Centro Infantil Helen Keller.

Mário Moutinho foi agraciado com a Ordem de Sant’iago da Espada (1928) e as comendas de Avis (1928) e de Mérito (1932).

Freguesia de Belém (Planta: Sérgio Dias)

Freguesias de Belém e Ajuda
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua Contra-Almirante Armando Ferraz, o único português com «Distinguished Service Cross»

Freguesia dos Olivais (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia dos Olivais
(Foto: Sérgio Dias)

O Contra-Almirante Armando Ferraz, imediato do Caça-minas Augusto de Castilho que sob o comando de Carvalho Araújo heroicamente enfrentou o ataque do Submarino Alemão U 139 ao vapor São Miguel e,  o único português condecorado com a Distinguished Service Cross, teve o seu nome atribuído cerca de dois meses após o seu falecimento no prolongamento da Avenida Cidade de Luanda, compreendido entre as Avenidas de Berlim e Dr. Francisco Luís Gomes, pelo Edital municipal de 22/06/1971.

(Foto da coleção de Paulo Jorge Estrela)

(Foto da coleção de Paulo Jorge Estrela)

Manuel Armando Ferraz ( Lisboa/19.04.1897 – 23.04.1971/Lisboa) era um oficial da marinha portuguesa formado pela Escola Naval em 1915 que chegou a ser  Comandante da Canhonheira Cuanza mas que se destacou logo em 14 de outubro de 1918 como imediato do Caça-minas Augusto de Castilho, um arrastão de pesca convertido em Caça-Minas, no episódio em que sob o comando de Carvalho Araújo a guarnição enfrentou o ataque do Submarino Cruzador Alemão U-139 ao vapor São Miguel da Marinha Mercante portuguesa, a 200 milhas dos Açores. Carvalho Araújo bateu-se até à morte e ao afundamento do seu navio e os sobreviventes viveram durante uma semana numa pequena balsa.

O Contra-Almirante Armando Ferraz foi também inspector da marinha e chefe do Estado-Maior da Armada de 1954 a 1957 e acumulou inúmeras condecorações como a Medalha da Cruz de Guerra de 1ª classe (1918), a Medalha dos promovidos por distinção e a Medalha de Ouro de Coragem, Abnegação e Humanidade do Instituto de Socorros a Náufragos (1919), a comenda (1934), o grau de Oficial (1947) e o Colar da Ordem de Avis (1954), bem como a Distinguished Service Cross britânica (1924).

 

Freguesia dos Olivais (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia dos Olivais
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua General José Paulo Fernandes, de Carnide à Ajuda

Freguesia da Ajuda (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia da Ajuda
(Foto: Sérgio Dias)

O General José Paulo Fernandes que no decorrer da I Guerra Mundial integrou o Corpo de Artilharia Pesada em França, e por isso foi condecorado com o grau de cavaleiro da Legião de Honra, está desde 1972 perpetuado na Freguesia da Ajuda.

Seis meses após o falecimento do General José Paulo Fernandes, a Câmara Municipal de Lisboa deu logo o seu nome à Rua B do plano de arruamentos entre a Luz e Carnide, por deliberação de 12/04/1934 e Edital de 17/04/1934. Sete anos depois, no Guia das Ruas de Lisboa de 1941 da Tipografia Gonçalves, aparece referido como «General José Paulo Fernandes (Rua). A construir nuns terrenos, à Rua da Fonte (em Carnide)» e a própria Comissão Municipal de Toponímia na sua reunião de 21/11/1944 confirmou o topónimo. Contudo, este projeto de urbanização não chegou a concretizar-se.

Assim, este topónimo foi recuperado em 1972. Em janeiro, a Comissão sugeriu que o nome do General José Paulo Fernandes fosse atribuído ao arruamento circundante do Hospital Júlio de Matos, onde se integra parte da Azinhaga das Murtas e da Rua do Fidié mas, em maio, considerando um despacho do Presidente do Município «solicitando parecer sobre alteração dos topónimos Rua junto do Quartel e Rua Detrás dos Quartéis, tendo em vista a circunstância de poderem confundir-se com a Rua dos Quartéis» a Comissão alterou a sugestão anterior sugerindo antes que as ruas Junto do Quartel e Detrás dos Quartéis (na Freguesia da Ajuda) passassem a constituir um único arruamento, denominado Rua General José Paulo Fernandes, o que se tornou realidade pelo Edital municipal de 5 de junho de 1972.

General José Paulo Fernandes

José Paulo Fernandes (17.08.1871-29.10.1933) foi um Oficial e escritor militar. Fez parte do Corpo de Artilharia Pesada, em França, durante a guerra de 1914 – 1918, pelo que foi condecorado com o grau de cavaleiro da Legião de Honra. Foi da sua responsabilidade a organização defensiva da estrada militar do Campo Entrincheirado de Lisboa bem como a reorganização do Arsenal do Exército e chegou a General em 1931.

Foi ainda diretor da Revista Militar (fundada em 1848) e colaborou com a Revista de Artilharia e a Révue Militaire Suisse, de que foi correspondente durante 20 anos. Estava também agraciado como grande oficial das Ordens de Sant’iago da Espada (1919) e de Avis (1932).

Freguesia da Ajuda (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia da Ajuda
(Planta: Sérgio Dias)

O General Pereira de Eça e o Paço da Rainha

O Largo General Pereira de Eça em 1949 (Foto: Estúdio Mário Novais, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Largo General Pereira de Eça em 1949
(Foto: Estúdio Mário Novais, Arquivo Municipal de Lisboa)

A artéria que hoje conhecemos como Paço da Rainha foi o Largo General Pereira de Eça durante cerca de 32 anos, de 1922 a 1954, homenageando o militar que era Ministro da Guerra quando eclodiu a I Guerra Mundial.

Em termos toponímicos, o Paço da Rainha remete para o Palácio da Bemposta e para a Rainha D. Catarina (? – 1705) já que esta ao enviuvar de Carlos II de Inglaterra regressou a Portugal (em 1693) e acabou por fazer casa no lugar do Campo da Bemposta, onde já habitava em 1702. A partir daí ficou conhecido como Paço da Rainha e assim se manteve até o primeiro edital de toponímia após a implantação da República, de 5 de novembro de 1910, o tornar no Largo da Escola do Exército, por aí se situar esse estabelecimento de ensino. Contudo, cerca de 12 anos mais tarde, o edital de  17/10/1924, que entre outros topónimos também atribuiu a denominação Bairro América e a dos seus arruamentos, designou-o como Largo General Pereira de Eça, topónimo que assim permaneceu perto de 32 anos até o Edital de 23/03/1954 o renomear como Paço da Rainha. Refira-se que esse mesmo Edital de 1954 transferiu o General Pereira de Eça  para um Largo do Vale Escuro mas esse arruamento nunca chegou a ser executado.

António Júlio da Costa General_Pereira_d'EçaPereira de Eça (31.03.1852 – 06.11.1917/Lisboa) foi um  oficial de  Artilharia que a 9 de fevereiro de 1914 foi nomeado Ministro da Guerra e ocupava esse cargo quando eclodiu a I Guerra Mundial. Foi defensor da participação portuguesa ao lado dos Aliados, posição que não era partilhada pela maioria governamental e o General Pereira de Eça foi exonerado em 12 de dezembro desse ano.

No entanto,  quando em fevereiro de 1915 aumentou o perigo das incursões alemãs no sul de Angola, o Governo reconheceu a conveniência de colocar um oficial general ao comando das operações militares naquela região e escolheu o General Pereira d’Eça para substituir Alves Roçadas  como governador-geral de Angola  e Norton de Matos como comandante das forças expedicionárias, tendo chegado a Luanda em 21 de março de 1915 e assim comandou as tropas portuguesas que foram enviadas para o sul de Angola como reforço após o Combate de Naulila e a revolta dos povos indígenas que se lhe seguiu. Nesta ocasião teve sob o seu comando o Batalhão de Marinha, comandado por Afonso Cerqueira, então primeiro-tenente.

Já antes desempenhara as missões de capitão numa força expedicionária nomeado por Mouzinho de Albuquerque; de governador do distrito de Lourenço Marques (1896) e participara também nos combates de Mapulanguene de 1897; bem como de chefe do estado-maior em Cabo Verde (1903). Em Portugal, combateu as incursões monárquicas após a implantação da República, nomeadamente impedindo o alastramento de rebelião em Viana do Castelo e após ser promovido a general, em 1913, dirigiu o Arsenal do Exército.

Regressado a Lisboa após a pacificação do sul de Angola, tomou posse do comando da 1ª Divisão de Exército até falecer. No seu testamento legou à Armada Portuguesa a sua espada que se encontra no Museu de Marinha e, a título póstumo, foi agraciado  com a Grã-Cruz da ordem do Império Colonial (1932) e a Marinha Portuguesa dedicou-lhe a corveta NRP General Pereira d’Eça.

 

Freguesia de Arroios - Paço da Rainha na planta dos dias de hoje (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Arroios – Paço da Rainha na planta dos dias de hoje
(Planta: Sérgio Dias)

 

A Rua do Condestável de Rovuma

Rua Francisco Pedro Curado Rua

Freguesia da Penha de França                                                                                                    (Foto: Sérgio Dias)

Francisco Pedro Curado ganhou o cognome de «Condestável de Rovuma» por se ter distinguiu na luta contra os alemães em Moçambique, entre 1916 e 1918, e a partir da publicação do Edital municipal de 23/03/1954 ganhou expressão na toponímia de Lisboa ao dar o seu nome à Rua nº 3 do Vale Escuro.

A sugestão deste topónimo resultou de uma carta do General Francisco Higino de Craveiro Lopes, presidente da Comissão Executiva das Comemorações a prestar em maio de 1951 ao Tenente-Coronel Francisco Pedro Curado, solicitando que na mesma data fosse inaugurada em Lisboa uma rua com o nome daquele oficial. Assim a Rua Francisco Pedro Curado nasceu em Lisboa  nos arruamentos do Vale Escuro através do Edital de 23/03/1954, junto com mais 11 denominações: Avenida Caldas Xavier, Avenida Coronel Eduardo Galhardo, Avenida Mouzinho de Albuquerque, Largo General Pereira de Eça, Praça Aires de Ornelas, Praça João de Azevedo Coutinho, Praça Paiva Couceiro, Rua Artur de Paiva, Rua Doutor Lacerda e Almeida, Rua Eduardo Costa, Rua Teixeira Pinto.

Francisco Pedro Curado

Francisco Pedro Curado (Mação – Carvoeiro/02.01.1873 – 24.05.1945/Lisboa) foi um oficial de Infantaria que se alistou em 1889, como voluntário, e após 40 anos de serviço passou à reserva no posto de Tenente-Coronel (7 de dezembro de 1929). Fez comissões em Angola ( com Norton de Matos e Pereira de Eça), Moçambique, Timor e São Tomé, tendo-se distinguido, particularmente, em Timor nos anos de 1911 e 1912,   ao esmagar as forças do fundador da ideia nacionalista timorense, D. Boaventura Soto-maior, o que lhe valeu o epíteto de «Herói de Manufahi», bem como mais tarde, entre 1916 e 1918, na luta contra os alemães no  norte de Moçambique, ganhou uma promoção por distinção e o cognome de «o Condestável de Rovuma».

Foi agraciado com a Medalha Militar de Ouro, a Cruz de Guerra, assim como com as comenda da Torre e Espada (1921), de Avis (1923),  de Cristo (1928) e do Império (1932).

 

Freguesia da Penha de França (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia da Penha de França
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua dedicada ao Prof. Hernâni Cidade que nos campos de prisioneiros fazia conferências de literatura portuguesa

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

Hernâni Cidade foi mobilizado em 1916 para o Corpo Expedicionário Português e na Batalha de La Lys, de 9 de abril de 1918, acabou feito prisioneiro pelas forças alemãs e nos cerca de nove meses em que esteve no campo dos oficiais prisioneiros organizou conferências de literatura portuguesa aos domingos.

Este militar da I Guerra que se tornou depois investigador e professor catedrático de literatura portuguesa foi colocado na toponímia do Bairro dos Professores, na Rua 11 da Zona de Telheiras, através do Edital municipal de 27/02/1978, com a legenda «Historiador da Literatura Portuguesa/1887 – 1975». Pelo mesmo edital foram também atribuídos em Telheiras mais 13 topónimos de professores universitários: Rua Prof. Bento de Jesus Caraça / Matemático 1901 – 1948; Rua Prof. Damião Peres / Historiador 1889 – 1976; Rua Prof. Delfim Santos / Filósofo e Pedagogista 1907 – 1966; Rua Prof. Fernando da Fonseca / Médico – 1895 – 1974; Rua Prof. Henrique Vilhena / Médico e Escritor 1879 – 1958; Rua Prof. João Barreira / Historiador de Arte – 1886 – 1961; Rua Prof. Luís Reis Santos / Historiador e Crítico de Arte – 1898 – 1967; Rua Prof. Mário Chicó/Historiador de Arte – 1905 – 1966; Rua Prof. Mark Athias / Médico 1875 – 1946; Rua Prof. Pulido Valente / Médico 1884 – 1963; Rua Prof. Queiroz Veloso/ Historiador 1860 – 1952; Rua Prof. Vieira de Almeida / Filósofo e Escritor 1888 – 1962; Rua Profª. Virgínia Rau / Historiadora 1907 – 1973.

Hernani Cidade

Hernâni Cidade (Redondo/07.02.1887 – 02.01.1975/Évora)  partiu de Lisboa integrado no Regimento de Infantaria nº 35, em 17 de abril de 1917, e foi Comandante de Pelotão na frente da batalha da Flandres e pela sua bravura recebeu a medalha da Cruz de Guerra. Debaixo de fogo foi à terra de ninguém buscar um soldado alemão ferido que lhe agradeceu com a oferta do seu cinturão e sabre e depois, quando em condições degradantes esteve prisioneiro organizou conferências literárias aos domingos, tendo sido a primeira «Camões, poeta europeu».

Antes, Hernâni Cidade viera para Lisboa para frequentar o Curso Superior de Letras, custeando os seus estudos como perfeito no Colégio Calipolense e explicador particular. Licenciado em Filologia Românica iniciou uma carreira de docente liceal como professor supranumerário do Liceu Passos Manuel e, a partir de 9 de Novembro de 1914, como professor efetivo no Liceu de Leiria onde ministrou as disciplinas de Língua e Literatura Portuguesa.

Depois da I Guerra, foi  professor universitário nas Faculdades de Letras do Porto (a partir de 1919, a convite de Leonardo Coimbra) e de Lisboa ( a partir de 1931), nas cadeiras de Língua e Literatura Francesa, Língua e Literatura Portuguesa, Gramática Comparada das Línguas Românicas, História da Literatura Italiana, Filologia Românica, Filologia Portuguesa e História da Literatura Portuguesa. Foi ainda secretário da última equipa diretiva da Faculdade de Letras do Porto (1930-1931) antes da sua extinção. Também participou em alguns movimentos de oposição ao regime até meados da década de 1930, tendo até dirigido com Joaquim de Carvalho e Mário de Azevedo Gomes o Diário Liberal, entre 1934 e 1935, mas viu-se obrigado a abandoná-los perante a ameaça de expulsão da Universidade de Lisboa.

Até à sua jubilação como Professor Catedrático da Faculdade de Letras de Lisboa, em 1957, dedicou-se a uma extensa produção cultural e científica nos domínios da Literatura e da Cultura Portuguesa, ministrando cursos e participando em conferências em diversas universidades brasileiras, espanholas, francesas e inglesas e mostrou-se um ensaísta prolífero onde se destacam as suas Lições de Cultura e Literatura Portuguesas (1956), A expansão ultramarina e a literatura portuguesa (1943) ou Camões em Lisboa e Lisboa nos Lusíadas (1972).

Hernâni Cidade foi agraciado com a Comenda (1958), o Grande-Oficialato (1969)  e a Grã-Cruz (1973) da Ordem Militar de Santiago da Espada.

Refira-se finalmente que casado com Aida Tâmega desde  1 de julho de 1920, com ela foi pai de Helena Cidade Moura em 1924.

 

Freguesia do Lumiar (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua Coronel Santos Pedroso do Gazcidla

Freguesia de Benfica (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

O  Coronel Santos Pedroso foi um militar que integrou o Corpo Expedicionário Português, bem como um político do Estado Novo, cujo percurso profissional terminou como Presidente da Administração da CIDLA e que desde a publicação do  Edital de 4 de março de 1974 está perpetuado na toponímia de Lisboa, na que era a  Rua H à Estrada do Poço do Chão na Quinta das Palmeiras, na Freguesia de Benfica.

António Rodrigues dos Santos Pedroso (Lisboa/14.02.1894 – 14.11.1969/Lisboa), licenciado em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico, assentou praça em 1916 e chegou ao posto de Coronel em 1947.  Integrado no Corpo Expedicionário Português embarcou para França em 27 de agosto de 1917, país onde permaneceu até 12 de setembro, desembarcando no dia seguinte em Inglaterra, onde esteve até 20 de janeiro de 1918, voltando para França no dia seguinte e daí regressou a Portugal a 12 de fevereiro de 1919.

Na sua carreira militar desempenhou ainda funções de Promotor de Justiça junto dos 1.º e 2.º Tribunais Militares Territoriais, de Subdirector da Fábrica de Material de Guerra, de Presidente da Comissão de Receção de Material Antiaéreo (1943), de Comandante dos Regimentos de Artilharia Ligeira nº4 de Leiria (1944-1945) e de Artilharia Pesada n.º 1 de Sacavém (1946), de Chefe da Secção Técnica de Defesa Marítima de Lisboa (1946) e de Chefe da 1.ª Repartição da Administração Geral do Exército, sendo a partir de 1952 e até à sua reforma em 1964 o Presidente do Conselho de Administração da CIDLA, empresa criada pela Sacor em 6 de outubro de 1939 e que até 1960 detinha o monopólio da venda de gás butano em Portugal.

No seu percurso político, Santos Pedroso foi Vogal da Comissão Distrital de Lisboa da União Nacional (1934) e participou na organização da 1ª campanha eleitoral do Estado Novo para a Assembleia Nacional, vindo a ser deputado nas Legislaturas I e II, para além de ser Diretor de Instrução do Batalhão n.º 5 da Legião Portuguesa bem como dos serviços de camaradagem da Mocidade Portuguesa e ainda, Presidente da Comissão Administrativa da Junta Geral do Distrito de Lisboa. 

António Rodrigues dos Santos Pedroso foi agraciado com a britânica Military Cross (1918) e condecorado com  os graus de Comendador (1938) e de Grande-Oficial (1950) da Ordem Militar de Avis.

Freguesia de Benfica (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Benfica
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua da Fábrica de Material de Guerra de Braço de Prata

Freguesia de Marvila (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias)

A  Fábrica de Material de Guerra de Braço de Prata foi inaugurada em 12 de outubro de 1907 e a Primeira Guerra foi um dos períodos em que a sua laboração aumentou, sendo conhecida a artéria onde estava sediada como Rua da Fábrica de Material de Guerra, pelo que houve necessidade de oficializar o topónimo perpetuando no local a memória de mais de 8 décadas da Fábrica neste local, o que ocorreu através da publicação do Edital municipal de 06/05/2015.

No sítio da antiga Real Vidreira (1798) e da Oficina de Pirotecnia (1869) foi construída, de 1904 a 1908, a Fábrica de Material de Guerra, que apesar de inaugurada em 1907 apenas entrou em funcionamento no dia 15 de julho de 1908, produzindo munições de artilharia na dependência do Arsenal do Exército e ostentado a denominação oficial de Fábrica de Projécteis de Artilharia, embora fosse vulgarmente conhecida como Fábrica de Braço de Prata.

A partir de 1912 a Fábrica ganhou também uma importante oficina de espingardas e depois, com a entrada de Portugal na I Grande Guerra gerou-se uma enorme produção embora ao mesmo tempo se tenha assistido à saída de quase todos os seus engenheiros e operários especializados, mobilizados que foram para equipas de reparação e apoio do material bélico durante o conflito. Com o fim da guerra em 1918 a fábrica passou a um  período de produção reduzida.

Em 1927, com o fim do Arsenal do Exército autonomizou-se esta Fábrica e fruto de uma reformulação legislativa, passou à designação de Fábrica de Munições de Artilharia, Armamento e Viaturas, satisfazendo a partir de 1937 as forças armadas portuguesas e as encomendas de países estrangeiros, que tiveram um substancial aumento por via da Guerra Civil Espanhola e da II Guerra Mundial. A partir de 1947, passou a designar-se como Fábrica Militar de Braço de Prata e beneficiou com a entrada de Portugal na NATO e a ajuda financeira do chamado Plano Marshall de 1949-1950. A partir de 1961, com o despoletar da Guerra Colonial, houve novo incremento da laboração para centenas de milhares de espingardas automáticas, morteiros, metralhadoras, munições e outros equipamentos para as Forças Armadas Portuguesas, bem como para exportação, sobretudo para a República Federal da Alemanha.

Em 1980, a Fábrica Militar de Braço de Prata  foi absorvida pela Indep – Indústrias Nacionais de Defesa, E.P., que por sua vez foi introduzida em 1996 no grupo Empordef – Empresas Portuguesas de Defesa e, ainda nessa década, desativada.

Freguesia de Marvila (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua General Farinha Beirão

Freguesia de Arroios (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Arroios
(Foto: Sérgio Dias)

O General Farinha Beirão que integrou o Corpo Expedicionário Português durante a I Guerra Mundial passou a dar nome à Rua B, do chamado Bairro Catarino, pelo Edital de 14/06/1967 , que também colocou na Rua A 0 General Garcia Rosado, tendo a edilidade afixado em ambos os casos a legenda «Herói do Ultramar».

Augusto Manuel Farinha Beirão (Pinhel/22.07.1869 – 15.10.1942/Lisboa), filho de um advogado de Pinhel, foi um militar que começou no regimento de Infantaria da sua cidade natal e se distinguiu na pacificação de Huíla, em Angola, nos períodos de 1906-1908 e de 1913-1921, que também integrou o Corpo Expedicionário Português em França durante a I Guerra, nomeadamente sob o comando do General Garcia Rosado, nomeadamente, na tomada de Lille.

Foi também comandante da Escola Prática de Infantaria em 1926 e 1927, onde se distinguiu na repressão à revolta de Fevereiro de 1927, a primeira tentativa reviralhista contra a Ditadura Nacional, passando em 31 de março de 1928 a ser o Comandante Geral da Guarda Nacional Republicana, onde continuou a defesa do Estado Novo, particularmente no combate à Revolta de 26 de agosto de 1931, tendo mesmo havido um Prémio General Farinha Beirão para agraciar o melhor comandante de posto territorial da GNR em cada ano.

Refira-se ainda que Farinha Beirão foi  desde a primeira hora adepto do golpe militar de 28 de maio de 1926 e que a partir de 1936  presidiu à Cruzada Nacional Nun’Álvares, um movimento apoiante do Estado Novo se extinguiu em 1938.

Farinha Beirão foi condecorado com a Ordem da Torre e Espada (em 1908 e 1939), o Grande Colar da Ordem de Cristo e da Ordem de Avis (ambos em 1931) e ainda com a Ordem do Império (1932).

Freguesia de Arroios

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