A Rua Comandante Costeau do Calypso

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O Comandante Costeau,  cujas aventuras no seu Calypso ainda perduram nas memórias televisivas de muitos de nós, dá o seu nome a uma rua do Parque das Nações, herança lisboeta da Expo 98 subordinada  ao tema Os oceanos: um património para o futuro.

A Expo 98 nomeou os os arruamentos do evento com topónimos ligados aos oceanos, aos Descobrimentos Portugueses, aos aventureiros marítimos da literatura e banda desenhada mundial, a figuras de relevo para Portugal, a escritores portugueses ou títulos de obras suas e ainda juntou alguns ligados à botânica. Após a reconversão da zona em Parque das Nações foram estes 102 topónimos oficializados pelo Edital municipal de 16/09/2009, sendo a Rua Comandante Costeau definida do Passeio dos Heróis do Mar à Alameda dos Oceanos. Mais recentemente, por Edital municipal de 06/05/2015, foram também oficializados mais 60 topónimos do Parque das Nações Norte.

Jacques-Yves Costeau (França – Saint André de Cubzac/ 11.06.1910 – 25.06.1997/Paris-França), foi um oficial da marinha francesa que ficou mundialmente conhecido como oceanógrafo, pelas suas viagens de pesquisa a bordo do seu Calypso. Com Émile Gagnan inventou o aqualung (equipamento de mergulho que substituiu os pesados escafandros), assim como foi piloto de testes da criação de aparelhos de ultrassom para levantamentos geológicos do relevo submarino e de equipamentos fotocinematográficos para trabalhos em grandes profundidades.

O Comandante Costeau realizou ainda 4 longas-metragens e 70 documentários para televisão, tendo mesmo conquistado um Óscar em 1956 com o documentário O mundo silencioso, filmado no Mediterrâneo e no Mar Vermelho.

Freguesia do Parque das Nações (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Parque das Nações
(Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Parque das Nações

Freguesia do Parque das Nações

A Rua do autor da Mãe d’Água das Amoreiras

Freguesias de Arroios e do Areeiro

Freguesias de Arroios e do Areeiro                                                         (Foto: Sérgio Dias)

A Rua Carlos Mardel foi uma das novas ruas da urbanização do Estado Novo na zona que vai do Mercado do Bairro dos Actores ao Areeiro, atribuída por Edital de 25 de novembro de 1929 ao prolongamento da Rua Francisco Sanches, para homenagear o engenheiro militar e arquiteto húngaro que se destacou pelo seu trabalho no Aqueduto das Águas Livres e na reconstrução de Lisboa após o terramoto.

Carlos Mardel (Martell Károly) que morreu em Lisboa em 8 de setembro de 1763, veio para Portugal cerca de 30 anos antes, em 1732 ou 1733, com o posto de capitão-engenheiro e chegou a coronel em 1762. Foi o mais diligente colaborador do engenheiro-mor Manuel da Maia, na construção do Aqueduto das Águas Livres e, também com Eugénio dos Santos, na Casa do Risco das Obras Públicas, na reconstrução da cidade de Lisboa, após o terramoto de 1755. A gaiola pombalina é uma técnica de construção anti-sísmica inovadora para a época que também é atribuída a Carlos Mardel, tal como o desenho da Praça do Comércio, de gosto barroco.

Para além de arquitecto do Aqueduto, no âmbito do qual desenhou a Mãe d’Água e o Arco das Amoreiras, Carlos Mardel foi também em Lisboa o autor dos Chafarizes da Esperança (de 1752, mas concluído por Miguel Ângelo Blasco em 1768), do Rato (1753-54 ) e o da Rua Formosa (1762) , hoje Rua de O Século ou, o chafariz monumental de São Pedro de Alcântara, com 5 bicas, desaparecido com o terramoto. Ainda em Lisboa saliente-se que projetou o Colégio dos Nobres, a casa de Lázaro Leitão na Junqueira e o Palácio da Inquisição no Rossio, bem como em Oeiras o Palácio Pombal.

Nos anos de 1747 e de 1748 D. João V nomeou-o arquiteto das obras dos Paços Reais da Ribeira de Lisboa, da vila de Sintra, Almeirim e Salvaterra de Magos, bem como do Mosteiro da Batalha, da província do Alentejo e das Ordens Militares de S. Tiago e S. Bento de Avis e, a partir do ano seguinte, também medidor das obras das fortalezas da barra e do Castelo de S. Jorge, com um ordenado anual de 153.200 réis.

Retrato a óleo de Carlos Mardel (Foto: António Passaporte, Arquivo Municipal de Lisboa)

Retrato a óleo de Carlos Mardel
(Foto: António Passaporte, Arquivo Municipal de Lisboa)

Como se Fez o Beco do Maquinez

Placa Tipo I - Freguesia de Santa Maria Maior (Foto: Artur Matos)

Placa Tipo I – Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Artur Matos)

Este Beco do Maquinez que une a Rua do Jardim do Tabaco ao Beco da Lapa, homenageia alguém cuja alcunha parece ter sido mais marcante que o seu nome de família.

Nas suas Ruas de Lisboa, o olisipógrafo Gomes de Brito avança que «Deverá ser Mequinez, gloriosa alcunha de um antepassado dos Ataídes Teives, Gaspar Costa de Ataíde, que foi general do mar no reinado de D. Pedro II, e perseguiu e desbaratou os mouros no porto de Mequinez (junto a Fez). A alcunha foi transmitida a seus numerosos descendentes do continente e da Índia portuguesa.»

Por documentação existente no Arquivo Municipal de Lisboa sabemos que em 1898 se procedeu a um alinhamento deste beco.

Freguesia de Santa Maria Maior (Foto: Artur Matos)

Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Artur Matos)

Freguesia de Santa Maria Maior

Freguesia de Santa Maria Maior

A arte moderna de Dourdil na Rua Dr. Nicolau de Bettencourt

Freguesia das Avenidas Novas (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Doutor Nicolau Bettencourt integra-se no roteiro toponímico de Luís Dourdil por nela encontrarmos desde 1983 o CAM – Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, em cujo espólio está o pintor representado com 12 telas.

Esta rua nasceu a partir de um pedido dos C.T.T. (procº nº 14463/69) para que se atribuísse denominação ao troço da Estrada de Benfica, compreendido entre o Largo de São Sebastião da Pedreira e o Largo conhecido vulgarmente por Praça de Espanha, o que aconteceu com a publicação do Edital de 31 de março de 1970.

E assim, com a legenda «Brigadeiro-Médico/1900 – 1965» foi nesta artéria perpetuado Nicolau José Martins de Bettencourt (Lisboa/01.08.1900 – 28.09.1965/Lisboa) que na Faculdade de Medicina de Lisboa concluiu o curso em 1924, com a tese «A reacção de Meinicke» e, dois anos depois, também o curso de Medicina Tropical. Ao longo da sua carreira militar e clínica trabalhou no Hospital Militar da Terceira que acumulou com as funções de chefe do Serviço da Ilha (até 1944); foi professor do Instituto de Altos Estudos Militares (a partir de 1948), bem como na Escola do Serviço de Saúde Militar que viria a dirigir (1950 a 1955), assim como foi instrutor dos cursos de oficiais milicianos e de enfermeiros militares das escolas centrais de Defesa do Território e, dos cursos de enfermagem da Cruz Vermelha; dirigiu o Hospital Militar de Belém (1945 a 1949) e o Hospital Militar Principal (a partir de 1957) bem como o Serviço de Saúde da Legião Portuguesa e, como adjunto, o da clínica médica da Federação dos Serviços Médicos das Caixas de Previdência. O Dr. Nicolau de Bettencourt desempenhou ainda os cargos de Inspector da instrução do Serviço de Saúde Militar em 1960 e 1961 e de director dos Serviços de Saúde Militar, em 1962.

Refira-se por último que sob a presidência do general França Borges na Câmara Municipal de Lisboa, foi ainda vereador, no mandato de 1960 a 1963.

A Rua Dr Nicolau de Bettencourt  em 1970 (Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Rua Dr Nicolau de Bettencourt em 1970
(Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

Bocage duas vezes em Lisboa

Manuel Maria Barbosa du Bocage num coisa da Fábrica da Pampulha

Manuel Maria Barbosa du Bocage num folheto da lisboeta Fábrica da Pampulha

Manuel Maria Barbosa du Bocage, conhecido pelo seu espírito irónico e satírico, tem na sua relação com a toponímia de Lisboa também uma histórica algo jocosa que o fez migrar de Alcântara para a zona de Carnide-Lumiar.

Em 8 de julho de 1892 a Câmara Municipal de Lisboa deliberou na sua sessão de câmara a atribuição do topónimo Rua Bocage às Ruas nºs 7 e 8 do Bairro do Casal do Rolão. Na mesma deliberação e no mesmo bairro de Alcântara decidiram também fixar Gil Vicente (na Rua nº 9) e Filinto Elísio (Rua nº 2 ). Todavia, no final dos anos 80 supôs-se que a Rua Bocage e a Avenida Barbosa du Bocage, dedicada a um primo em segundo grau do poeta sadino, se referiam à mesma pessoa e resolveu-se eliminar do mapa alfacinha a Rua Bocage transformando-a pelo Edital de 29/02/1988 em Rua Amadeu de Sousa Cardoso.

E assim ficou Lisboa sem o seu Bocage mais de 8 anos, até o Edital de 24/09/1996 o recolocar no Impasse FG da Quinta dos Inglesinhos, à Avenida das Nações Unidas, desta feita para evitar equívocos e, por proposta de Appio Sottomayor na Comissão Municipal de Toponímia, como Rua Poeta Bocage/1765 – 1805.

Placa Tipo IV (Foto: Sérgio Dias)

Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias)

Manuel Maria Barbosa du Bocage (Setúbal/15.09.1765 – 21.12.1805/Lisboa), «Magro, de olhos azuis, carão moreno», também conhecido como Elmano Sadino da Nova Arcádia, viveu em Goa, Damão e Macau, até regressar a Lisboa em 1790, frequentar o Café Nicola no Rossio da cidade e, viver a partir de 1801 no n.º 25 da Travessa André Valente, ao Bairro Alto.

Bocage publicou apenas os três volumes das suas Rimas, de 1791 a 1804, embora os seus versos eróticos e burlescos tenham circulado abundantemente em edições clandestinas. As suas temáticas predominantes fixaram-se na desilusão amorosa e nas dificuldades materiais e pode Bocage ser considerado o maior poeta português do séc. XVIII.

Não é também menor a sua obra como tradutor, mesmo que menos conhecida. As suas versões de textos clássicos latinos, de autores como Virgílio e Ovídio, caracterizam-se por rigor e originalidade, o que também sucedeu nas suas traduções da língua francesa de escritores da época, como Voltaire, La Fontaine, Lesage, Florian, Lacroix, d’Arnaud, Delille e Castel.

Em 7 de agosto de 1797, o Intendente Pina Manique mandou-o prendê-lo por desrespeito ao rei e à Igreja, primeiro no Limoeiro (até 14 de novembro), depois nos calabouços da Inquisição no Rossio e a partir de 17 de fevereiro de 1798 no Real Hospício das Necessidades, a cargo dos Oratorianos, de onde só saiu em liberdade no último dia desse ano.

Freguesia de Carnide (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias de Carnide e Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Carnide

Freguesias de Carnide e Lumiar

André Brun, vizinho do lado de uma rua de Campo de Ourique

O Diário Ilustrado, 26.12.1926

O Diário Ilustrado, 26.12.1926

André Brun, militar que esteva nas trincheiras da I Guerra Mundial e autor de comédias como A Vizinha do Lado ou A Maluquinha de Arroios  tem o seu  nome fixado na memória de Lisboa em Campo de Ourique, na antiga Rua Particular nº 2 aos Prazeres, por Edital de 12/03/1932.

André Brun por Amarelhe

André Brun por Amarelhe

André Francisco Brun (Lisboa/09.05.1881 – 22.12.1926/Lisboa) foi um cronista, dramaturgo, humorista e militar de ascendência francesa que começou pelo curso de Infantaria na Escola do Exército, e após ter estado nas trincheiras da I Guerra Mundial na Flandres, regressou com patente de major e a Medalha da Cruz de Guerra, e fundou o Cenáculo Artístico Águias, onde predominavam literatos, pintores, músicos e caricaturistas e ainda publicou, em 1918, A Malta das Trincheiras – Migalhas da Grande Guerra.

André Brun ficou conhecido como cronista e dramaturgo humorístico, incidindo particularmente na vida da pequena burguesia lisboeta. Inesquecíveis ficaram a sua A Vizinha do Lado (1913), adaptada ao cinema por António Lopes Ribeiro em 1945 e a sua A Maluquinha de Arroios (1916), adaptada pela sua esposa Alice Ogando e passada a película pela lente de Henrique Campos em 1970, para além de adaptações televisivas em 1977 e 1997.

Brun começou em 1907 com colaborações no Novidades e no suplemento humorístico de O Século e foi tal a popularidade que alcançou que esse material ficou no livro Sem pés nem cabeça, a que se seguiu, o Cada vez pior, Sem Cura Possível e outros, como já na década de 20 do séc. XX Filosofia de Feliz Pevide e Os Meus Domingos. Escreveu para diversas publicações periódicas como A Sátira: revista humorística de caricaturas (1911), Miau (1916), a Atlântida e a Contemporânea (ambas no período de 1915 a 1920), Portugal na guerra (1917)  e em O Domingo Ilustrado (1925-1927), na rubrica «Crónica Alegre».

Em 22 de maio de 1925 André Brun foi um dos sócios fundadores da SECTP – Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses) que em 1970 passou a ser a SPA – Sociedade Portuguesa de Autores. Os outros foram Mário Duarte, Júlio Dantas, Henrique Lopes de Mendonça, Félix Bermudes, João Bastos, Ernesto Rodrigues e os compositores Alves Coelho, Carlos Calderón e Luz Júnior, e deram-lhe sede no nº 13 da Praça dos Restauradores, onde funcionava a revista De Teatro.

Freguesia de Campo de Ourique

Freguesia de Campo de Ourique

Freguesia de Campo de Ourique

Freguesia de Campo de Ourique

A Rotunda Pupilos do Exército

Freguesia de São Domingos de Benfica (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

A Câmara Municipal de Lisboa associou-se ao centenário do Instituto dos Pupilos do Exército quando este se comemorou em 2011 dando corpo a um desejo formulado pela Associação dos Pupilos do Exército para homenagear a instituição através da atribuição do seu nome a uma rotunda próxima das suas instalações que assim passou a denominar-se Rotunda Pupilos do Exército.

O Instituto Militar dos Pupilos do Exército, foi fundado em 1911, pelo Decreto-Lei de 25 de maio, por iniciativa do General António Xavier Correia Barreto, ao tempo Ministro da Guerra, com o nome de Instituto Profissional dos Pupilos do Exército de Terra e Mar e a divisa «Querer é Poder».

Ao longo da sua existência esta escola ministrou cursos em vários níveis de ensino, sendo os seus alunos conhecidos por «Pilões». Assim granjeou várias condecorações como Membro-Honorário da Ordem da Instrução Pública (1953), da Ordem Militar de Cristo (1957), da Ordem Militar de Santiago da Espada (1981), da Ordem Militar de Avis (1988), da Ordem do Infante D. Henrique (2011) e a Medalha Grau Ouro de Serviços Distintos (1996), bem como as brasileiras Medalha Marechal Trompowsky (2012) e Medalha Comemorativa do Centenário do Colégio Militar de Porto Alegre (2013).

Freguesia de São Domingos de Benfica - Placa Tipo IV (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de São Domingos de Benfica – Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de São Domingos de Benfica

Freguesia de São Domingos de Benfica

A Alameda das Linhas de Torres Vedras

Freguesias de Alvalade e do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias de Alvalade e do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

A Alameda das Linhas de Torres que hoje vai do Campo Grande à Estrada da Torre nasceu em Lisboa pelo Edital municipal de 07/08/1911 na artéria que era a Alameda do Lumiar, para evocar as Linhas de Torres Vedras, construídas em 1810, para defender militarmente Lisboa das invasões francesas.

A Alameda do Lumiar fazia a ligação com a Estrada para Torres Vedras pelo que o seu nome foi transformado para uma homenagem aos combatentes das Linhas de Torres Vedras e, o Edital de 1911 também homenageou Neves Costa, engenheiro militar que participou no estudo das mesmas.

As Linhas de Torres Vedras ou simplesmente Linhas de Torres  integram o conjunto de fortificações da península de Lisboa que no contexto da Guerra Peninsular foram concebidas para impedir um exército invasor de atingir a capital ou, em caso de derrota, permitir a retirada, em segurança, do Exército Britânico. A ordem para a sua construção foi dada em outubro de 1809,  por Arthur Wellesley, então comandante do exército anglo-luso e o oficial do exército de Wellington responsável pelos trabalhos de engenharia era o Coronel Richard Fletcher. Já em 1807, Junot encarregara o coronel de engenharia Vincent de estudar a defesa de Lisboa e, na execução dessa tarefa esteve o major de engenharia José Maria das Neves Costa e,  após a expulsão das tropas francesas foram feitas diligências pelas autoridades portuguesas no sentido de fazer o levantamento topográfico que servisse de base aos trabalhos da defesa de Lisboa, comissão em que esteve novamente Neves Costa, que já em 1801 publicara Observações sobre o plano de ataque e defesa do reino de Portugal em relação à sua Geografia e topografia.

Na Terceira Invasão Francesa as Linhas de Torres Vedras impediram o exército de Massena de atingir Lisboa e acabaram por provocar a sua retirada de Portugal.

Freguesias de Alvalade e do Lumiar

Freguesias de Alvalade e do Lumiar

 

A Rua do 3º Marquês de Ponte de Lima e do Palácio da Rosa

Freguesia de qualquer coisa (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Marquês de Ponte de Lima que une o Largo do Terreirinho ao Largo da Rosa, foi dada por Edital municipal de 27 de maio de 1902, substituindo a Rua João Carlos d’Oliveira  para homenagear o 3º Marquês de Ponte de Lima e proprietário do Palácio da Rosa.

Segundo o Edital municipal de 8 de setembro de 1899 , a Rua João Carlos d’Oliveira foi o topónimo para «a nova rua projectada para ligar o extremo Norte da calçada , de Santo André e o largo do Terreirinho com a rua das Farinhas, e da qual está actualmente em contrucção o lanço comprehendido entre esta ultima e o largo do Colleginho». Norberto de Araújo defende que a Rua Marquês de Ponte era a antiga Rua do Coleginho.

Por mandado de 10/06/1902, foram os proprietários dos prédios da Rua João Carlos de Oliveira de que esta rua passava a denominar-se Rua do Marquês de Ponte de Lima, conforme edital de 27/05/1902. Por mandado de 30/06/1908, as vias públicas denominadas Rua das Tendas e Largo do Coleginho, ficaram englobadas na Rua Marquês de Ponte de Lima, dado que já o estavam na Rua João Carlos de Oliveira atendendo aos limites fixados para esta rua na delib cam de 31/08/1899 e edital de 08/09/1899.

O 3º Marquês de Ponte de Lima foi D. José Maria Xavier de Lima Vasconcelos Brito Nogueira Teles da Silva (Almeida/12.11.1807 – 21.12.1877/Lisboa) que era também 17º visconde de Vila Nova de Cerveira, comendador da Ordem de Cristo e cavaleiro da Torre-e-Espada, 21º senhor do morgado de Soalhões, 20º do de S. Lourenço de Lisboa (o que incluía o Palácio da Rosa que a família vendeu em 1970 à CML). Em 1826 foi nomeado par do reino segundo a Carta Constitucional mas escolheu a carreira militar, como cadete de Cavalaria 4. No exército dos Liberais fez as campanhas de 1827 e 1828 e, malograda que foi a primeira tentativa contra o governo de D. Miguel emigrou e foi juntar-se aos que nos Açores sustentavam a causa de D. Maria II e da Carta. Em 1834 voltou a tomar assento na Câmara dos Pares da qual foi vários anos secretário.

Freguesia de Santa Maria Maior

Freguesia de Santa Maria Maior