Publicação municipal da Alameda Coronel Marques Júnior

A publicação municipal de toponímia referente à Alameda Coronel Marques Júnior, hoje distribuída no decorrer da inauguração oficial deste arruamento, na Freguesia das Avenidas Novas, já está online

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Inauguração da Alameda Coronel Marques Júnior no próximo dia 3 de julho

Na próxima quarta-feira, dia 3 de julho, data do 73 º aniversário de nascimento do Capitão de Abril Marques Júnior, a Câmara Municipal de Lisboa vai inaugurar às 12:00 horas, uma Alameda com o seu nome, na freguesia das Avenidas Novas.

António Marques Júnior (1946 – 2012), participante  desde a primeira hora na revolução de 25 de Abril de 1974, desde as primeiras reuniões de oficiais em setembro de 1973,  integrou a Comissão Coordenadora do Programa do MFA e foi o mais jovem membro do Conselho da Revolução. A partir de 1985 foi eleito deputado para a Assembleia da República, inicialmente pelo PRD, mas a partir de 1991, integrando listas socialistas até ao ano de 2011.

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Junto ao coreto de Carnide o arraial da Rua Neves Costa

Rua Neves Costa – Freguesia de Carnide

Junto ao coreto construído em 1927 no núcleo antigo de Carnide, na Rua Neves Costa – que por isso é conhecida popularmente como Largo do Coreto -, decorre até 29 de junho o Arraial do Carnide Clube, no âmbito das Festas de Lisboa 2019.

O Carnide Clube, sediado na Rua Neves Costa nºs 69-71, foi fundado em 11 de novembro de 1920, dia escolhido por ser justamente o Dia do Armistício. A fundação da associação ocorreu antes da participação de Portugal na I Guerra, com o seu primeiro auto de posse a ser assinado em 25 de abril de 1916, quando ainda se denominava Carnide Club Ciclista. Contudo, o envio de sócios como tropas portuguesas para a Primeira Guerra Mundial forçou o encerramento do clube no dia 1 de outubro de 1917. O fim da Guerra permitiu aos antigos sócios retomarem a dinamização do desporto em Carnide e assim retomaram o Carnide Clube, escolhendo por isso como data de fundação o dia do fim da Primeira Guerra, em 1918, que a partir daí passou a ser o Dia do Armistício.

Já a Rua Neves Costa era a antiga Rua Direita de Carnide que no ano seguinte à implantação da República, por Edital municipal de 7 de agosto de 1911, passou a homenagear o engenheiro militar natural de Carnide, com a legenda «Engenheiro Militar/1774 – 1841», mas que também comandara exércitos portugueses contra tropas espanholas e francesas em 1797 e que foi um pioneiro na cartografia militar portuguesa, a partir da qual concebeu a ideia da criação das Linhas de Torres Vedras.

José Maria das Neves Costa (Lisboa/14.08.1774 – 19.11.1841/Lisboa), filho de Josefa Maria Vieira e de Manuel Cláudio da Costa,  formou-se na Academia de Fortificação, Artilharia e Desenho e destacou-se como oficial do Real Corpo de Engenheiros pela execução da carta topográfica da área a norte de Lisboa, para garantir melhor defesa da capital portuguesa, por encomenda do Ministério da Guerra. Aliás, este levamento surgiu na sequência de uma exposição que havia feito em 26 de novembro de 1808,  aquando das invasões francesas, lembrando a importância do relevo do terreno a norte de Lisboa para a defesa da capital. Em 1810, trabalhou nas Linhas de Torres, às ordens do engenheiro inglês Fletcher e no ano seguinte, como Major do Real Corpo de Engenharia ofereceu a Carta Militar das Linhas de Torres Vedras ao Marechal Beresford.

Neves Costa havia sido comandante do Exército que lutou no Alentejo contra os espanhóis e franceses em 1797 e em 1802, foi nomeado para o Estado-Maior da fiscalização  das praças e fortes de fronteira e costas marítimas. Coube-lhe também o reconhecimento da fronteira do Alentejo, bem como a execução da carta da península de Setúbal (1813). Em 1806, foi escolhido pelo Visconde Sá da Bandeira para organizar o Arquivo Militar e, cinco anos depois, para dirigir os trabalhos de fortificação da praça de Almeida (1811).

Em 1822, foi eleito deputado liberal constitucional por Setúbal e no ano seguinte, foi nomeado ministro da guerra, por decreto de 28 de maio de 1823, mas não chegou a exercer por D. Miguel ter voltado ao poder. Tratou dos direitos e dos deveres do soldado perante a sociedade civil, em 1827, na sua Memoria sobre a organização e disciplina do exercito portuguez, em relação ao systema constitucional. Em 1835, a Câmara dos Pares incumbiu-o de propor um plano de reforma do sistema de pesos e medidas e introdução do sistema decimal, com o Visconde de Vilarinho de São Romão e Manuel Gonçalves de Miranda.

O Brigadeiro José Maria das Neves Costa,  foi consagrado como patrono do Centro de Informação Geoespacial do Exército pela sua importância para a cartografia militar e também o seu nome foi dado a uma Rua de Torres Vedras e a uma Travessa da Cova Piedade (Almada), para além de estar referido numa placa evocativa das Linhas de Torres.

Rua Neves Costa – Freguesia de Carnide

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O 25 de Abril, o Colégio Militar e o Largo da Luz

Ao Colégio Militar chegou às 04H00 do dia 23 de abril o cabo da linha de transmissões para daí seguir para o último ponto – o Posto de Comando do MFA – e às 21H30 do dia 25 de abril de 1974, foi também o local da refeição quente do dia, de almôndegas com massa, da coluna militar da EPC – Escola Prática de Cavalaria.

Para a linha telefónica militar (ponto-a-ponto) necessária ao Posto de Comando do MFA, instalado no RE 1- Regimento de Engenharia n° 1, na Pontinha, foi instalado cabo telefónico aéreo pelo seguintes pontos: Regimento de Transmissões (Rua de Sapadores) – Pupilos do Exército (Estrada de Benfica) – Colégio Militar (Largo da Luz) –  Posto de Comando do MFA (Pontinha). O então tenente-coronel Garcia dos Santos – responsável pelas transmissões do Movimento das Forças Armadas- assinara o pedido urgente da linha telefone militar na zona dos Pupilos do Exército que foi autorizada pelo Estado Maior do Exército em 15 de abril de 1974. Clandestinamente, deu-se seguimento ao processo a partir das 20:00 horas do dia 22 de abril de 1974, com um cabo aéreo de 5 pares com 2.000 metros, primeiro até ao Colégio Militar  onde chegou às 4 horas do dia 23, para depois, com um novo cabo de 3.000 metros chegar até ao RE 1, tendo chegado à Porta d’Armas às 6 horas do dia 24 de abril e após diversos testes, à sala do Posto de Comando cerca das 18 horas.

Já no dia 25 de abril, cerca das 21h horas, a Chaimite Bula oriunda do Largo do Carmo a transportar os membros do Governo deposto, escoltada pela coluna da Escola Prática de Cavalaria, chegaram ao RE 1 – Regimento de Engenharia, na Pontinha, onde estava instalado o Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas. E cerca de meia hora depois, por volta das 21:30, esta coluna militar da EPC instalou-se no Colégio Militar, onde lhe foi servida uma refeição quente:  almôndegas com massa.

Findo o jantar, às 22:30, o major Monge, o capitão Salgueiro Maia e os tenentes Alfredo Assunção e Santos Silva dirigiram-se com as viaturas blindadas para a Calçada da Ajuda, onde conseguiram a rendição dos regimentos de Cavalaria 7 e Lanceiros 2, tendo sido presos os comandantes dessas unidades.  À meia-noite e meia, forças da EPC escoltaram a Junta de Salvação Nacional na deslocação à RTP. À 1:30 de dia 26, as forças que acompanharam Salgueiro Maia à Ajuda ficaram a pernoitar no Regimento de Cavalaria 7. Às 2 horas, a coluna que fez a escolta até à RTP regressou ao Colégio Militar para passar a noite.

Refira-se ainda que dos envolvidos no 25 de Abril de 1974, foram  alunos do Colégio Militar os seguintes: General António de Spínola e  General Francisco da Costa Gomes (Junta de Salvação Nacional); Major José Sanches Osório, Tenente-coronel Nuno Fisher Lopes Pires, Capitão Luís Macedo (Posto de Comando do MFA); Furriel João Gomes Pereira Carmona, Capitão Mário Delfim Tavares de Almeida, Alferes Miguel Sequeira Marcelino (da coluna da EPC do Capitão Salgueiro Maia); bem como Tenente Américo Henriques, Major António Carlos de Magalhães Arnão Metelo, Capitão Duarte Nuno Pinto Soares, Capitão Francisco Faria Paulino, Capitão Francisco Sousa Lobo, Tenente –Coronel João de Almeida Bruno, Tenente José Balula Cid, Capitão José Bernardo do Canto e Castro, Capitão José Fernandes Décopete dos Santos Coelho, Capitão Mário Alfredo Brandão Rodrigues dos Santos, Major Pedro Pezarat Correia, Capitão-Tenente Vasco Fernando Leote de Almeida e Costa (dados recolhidos em NRP Cacine).

O Colégio Militar estava, em abril de 1974 como hoje, sediado no Largo da Luz, topónimo que também surge repetido nas proximidades na Azinhaga da Luz, Estrada da Luz e Travessa da Luz, todos por referência comum a Santa Maria da Luz.

Conta uma lenda que Nossa Senhora, aureolada de luz, terá aparecido a um natural de Carnide, de seu nome Pêro Martins. Das  sucessivas vezes prometeu livrá-lo do cativeiro com o compromisso de ao regressar a Carnide erigir na Fonte da Machada uma ermida dedicada a Santa Maria da Luz, cuja imagem até encontraria perto daquele local. Pêro Martins  foi libertado e regressou a Portugal em 1463, após o que encontrou a imagem de Nossa Senhora da Luz nas cercanias da Fonte da Machada e se empenhou em recolher contribuições dos seus vizinhos, assim como a licença do Bispo de Lisboa, para construir a ermida, na qual a imagem foi solenemente entronizada no dia 8 de setembro de 1464. Pêro Martins foi sepultado na ermida em 1466 e esta foi depois anexada à igreja de São Lourenço de Carnide, cujo pároco ficou com o encargo de manter o culto e dar continuidade às festividades religiosas em honra de Nossa Senhora da Luz, a 8 de setembro, as quais persistiram até aos nossos dias no decorrer desse mês.

O Colégio Militar, no Largo da Luz, cerca de 1960
(Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

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A PIDE/DGS e a Rua António Maria Cardoso

Na manhã de 25 de abril de 1974
(Foto: Arquivo Municipal de Lisboa)

Duas tentativas de ocupação da sede da PIDE/DGS, na Rua António Maria Cardoso, foram feitas pelas tropas do Movimento das Forças Armadas no dia 25 de abril mas só às 09H46 do dia seguinte se verificou a rendição, sendo o edifício então ocupado por forças do Exército e da Marinha. Ainda no dia 25 a multidão aglomerou-se na artéria e tanto depois das 13H30 como cerca das 20 horas os agentes da polícia política abriram fogo e causaram 4 mortos e dezenas de feridos. 

O decreto-lei n.º 171/74, datado de 25 de abril de 1974, assinado pelo Presidente da Junta de Salvação Nacional, António de Spínola, extinguiu a PIDE/DGS. Contudo, a sede da polícia política – de nome de código Moscovo – na Rua António Maria Cardoso nº 22 –  um edifício de cinco andares arrendado à Casa de Bragança -, só na manhã do dia 26 de abril foi ocupada por forças do Exército e da Marinha após a rendição dessa força cerca das 9:45 horas. Também foi do dia 26 de abril, já de noite e à luz de archotes, que começaram a ser libertados os presos políticos e a sair da prisão de Caxias (Pequim).

A tomada da sede da PIDE/DGS teve várias etapas: a mal sucedida operação inicial dos fuzileiros, na manhã de dia 25; o cerco mantido, sobretudo por forças do Regimento de Cavalaria 3 de Estremoz e depois reforçado com fuzileiros; a aglomeração de populares na Rua António Maria Cardoso a cantar o Hino Nacional e dar vivas aos militares a que atiradores da PIDE/DGS reagiram depois das 13:30 e depois das 20 horas com rajadas de metralhadora e granadas de mão de que resultaram 45 feridos e quatro mortos ( Fernando Gesteiro, empregado de escritório de 18 anos; João Arruda, estudante de 20 anos; Fernando dos Reis, um soldado de 24 anos que estava de licença na cidade e José Barnetto, natural de Vendas Novas com 37 anos de idade); a rendição da PIDE/DGS na manhã de dia 26, pouco depois das 9 e meia da manhã, ao capitão-tenente Costa Correia, da Marinha e major Campos Andrada, de Cavalaria do Exército.

A Rua António Maria Cardoso, antes de ser assim designada em 1890 passou por diversas denominações, todas ligadas ao Paço dos Bragança. Antes do Terramoto de 1 de novembro de 1755 era esta a «rua do Postigo do Duque» por ter a porta do Duque de Bragança aberta na muralha fernandina, e depois, foi ganhando novas denominações como  «rua do picadeiro» por via da proximidade ao picadeiro do Paço dos Braganças , «rua do Tesouro» ou «rua Velha do Tesouro» ou «rua do Tesouro Velho», por mor do tesouro da Casa de Bragança arrecadado no mesmo palácio até que, quase no final do século XIX, quando era mais conhecida por Rua do Tesouro Velho e já depois da urbanização deste arruamento nos moldes que hoje ainda encontramos,  o Edital municipal de 6 de fevereiro de 1890 crismou-a como Rua António Maria Cardoso, ao mesmo tempo que também atribuía a Rua Paiva de Andrada e a Rua Vítor Cordon, homenageando assim a edilidade, ainda em vida, três conceituados exploradores da África Portuguesa de então,  cerca de um mês  depois da entrega em 11 de janeiro de 1890 do Ultimato britânico que exigia a Portugal a retirada das forças militares chefiadas por Serpa Pinto do território compreendido entre as colónias de Moçambique e Angola.

António Maria Cardoso (Lisboa/05.05.1849- 17.11.1900/Lisboa)  ingressara na Armada em 1862, atingindo o posto de capitão-de-fragata em 1895 e no decorrer dessa carreira militar também desempenhou o cargo de governador dos distritos de Inhambane e de Quelimane, em Moçambique. Em 1882 explorou as terras de Mussila com João de Azevedo Coutinho, e em 1888, com Vítor Cordon, participou na expedição do Niassa, durante a qual catorze régulos prestaram vassalagem à soberania portuguesa. António Maria Cardoso regressou a Lisboa em 1890, ano do Ultimato Inglês, e foi eleito deputado para além de ter sido agraciado com as comendas das Ordens de Torre e Espada, de Nª Sª da Conceição, de Cristo e de S. Bento de Aviz e ainda, com a medalha de ouro de serviços prestados no Ultramar.

Após as 20 horas de 25 de abril de 1974
(Foto: Vida Mundial, 3 de maio de 1974)

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O 25 de Abril e a Avenida Ribeira das Naus ou do Arsenal

A Avenida da Ribeira das Naus foi o palco de momentos tensos na manhã de 25 de Abril de 1974, com o pelotão de RC 7 às 7H30 horas, a fragata Almirante Gago Coutinho posicionada no Tejo às 9 horas e as tropas do major Pato Anselmo cerca de meia hora depois a confrontarem-se com os militares do Movimento das Forças Armadas.

As forças da EPC – Escola Prática de Cavalaria comandadas pelo capitão Maia (como nesse dia foi denominado) assumiram o controlo da Praça do Comércio e artérias adjacentes antes das 6 da manhã. Às 7:30 horas chegou à Avenida da Ribeira das Naus um pelotão de reconhecimento Panhard do RC 7 – Regimento de Cavalaria 7, comandado pelo  tenente-coronel Ferrand de Almeida que acabou por se render meia hora depois. Às 9 horas, tomou posição intimidatória no Tejo a  fragata Almirante Gago Coutinho mas até ao meio-dia, quando se afastou para o Mar da Palha, nunca abriu fogo. A artilharia do Movimento das Forças Armadas, estacionada no Cristo-Rei, também recebeu ordens do Posto de Comando para afundar a fragata caso esta abrisse fogo. A partir das 9:35 horas dois carros de combate M47, comandados pelo major Pato Anselmo, tomaram posições na Avenida da Ribeira das Naus e outros dois na Rua do Arsenal, mas cerca de uma hora depois essas tropas passaram-se para o Movimento dos Capitães, graças ao civil e ex-alferes miliciano Fernando Brito e Cunha. De seguida,  o brigadeiro Junqueira dos Reis dirigiu as tropas  que lhe restavam da Rua do Arsenal para a Avenida da Ribeira das Naus e ordenou ao alferes miliciano Fernando Sottomayor (do RC 7) que abrisse fogo sobre Salgueiro Maia mas este recusou obedecer pelo que foi detido. Repetiu a ordem ao cabo apontador José Alves Costa mas este fechou-se dentro do carro de combate. O oficial-general foi então para a Rua do Arsenal mas todos os cabos se recusaram a abrir fogo. Às 10:20, o capitão Tavares de Almeida, o major Jaime Neves e os alferes milicianos Maia Loureiro e David e Silva negociaram a rendição do major Pato Anselmo na Avenida da Ribeira das Naus, e esta acabou por acontecer.

Tanto a Avenida da Ribeira das Naus como a Rua do Arsenal foram palco de acontecimentos tensos no dia 25 de Abril de 1974. Também ambos os topónimos partilham a mesma origem: o Arsenal da Marinha, descendente das tercenas de D. Manuel I.

A doca seca do Arsenal da Marinha foi atulhada em 1939 para permitir a construção da Avenida da Ribeira das Naus, paralela à Rua do Arsenal. Este novo arruamento teve topónimo atribuído em 1948, pelo Edital municipal de 22 de junho.

A zona marginal do Tejo, entre a Praça do Município e a Igreja da Conceição Velha, era a Ribeira até que com D. Manuel I passou a ser o local das tercenas onde se construíram os navios necessários, a ponto de o rei  ter mandado construir o seu Paço mesmo ao lado para melhor verificar esses trabalhos. O terramoto de 1755 destruiu esse importante complexo naval mas a sua reconstrução iniciou-se logo em 1759, sob o traçado de Eugénio dos Santos.  Durante muito tempo o local foi conhecido como Ribeira das Naus, sendo extensivo ao Arsenal da Ribeira das Naus, depois designado Arsenal Real da Marinha e a partir de 1910 ficou apenas Arsenal da Marinha. Em 1936, o Arsenal começou a ser transferido para as instalações navais do Alfeite e terminou a sua laboração em 1939 quando se começou a construir a Avenida da Ribeira das Naus.

Refira-se ainda que no mesmo ano de 1948, pelo Edital de 29 de Abril, foram atribuídos mais topónimos evocativos do antigo Império Português, mas em Belém, onde em 1940 havia decorrido a Exposição do Mundo Português. Foram atribuídos a Praça do Império, a Avenida da Índia, a Praça de Goa, a Praça de Damão, a Praça de Dio, a Rua Soldados da Índia, assim como topónimos de figuras ligadas à Expansão Portuguesa, como navegadores – Avenida Dom Vasco da Gama, Rua Dom Cristóvão da Gama, Rua Dom Jerónimo Osório, Rua Fernão Mendes Pinto -, representantes das autoridades de Portugal – Rua Dom Lourenço de Almeida, Rua Tristão da Cunha – , historiadores da época – Rua Damião de Góis, Rua Fernão Lopes de Castanheda -, bem como cientistas – Rua Duarte Pacheco Pereira – e missionários – Rua São Francisco Xavier – e o próprio rei dessa época do Império Português com a Praça Dom Manuel I. Refira-se que ainda em 1948, a 29 de dezembro, a edilidade lisboeta colocou uma lápide nesta Avenida da Ribeira das Naus na qual se podia ler «Neste local construíram-se as naus que descobriram novas terras e novos mares e levaram a todo o mundo o nome de Portugal».

(Foto: Flama, 3 de maio de 1974)

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O Regimento de Transmissões e a Rua dos Sapadores Mineiros de Engenharia

Em menos de 24 horas foram montados quatro quilómetros de cabo, com apoio dos capitães Veríssimo da Cruz, Madeira e furriel Cerdoura, para garantir que a partir de 24 de abril,  no Regimento de Transmissões, se escutassem as redes de comunicação da GNR, Legião, PIDE/DGS e PSP e se tivessem escutas telefónicas permanentes ao Ministro e Subsecretário de Estado do Exército, Chefe do Estado Maior do Exército e Ministro da Defesa. As operações foram dirigidas pelo capitão Fialho da Rosa. 

Em 15 de abril de 1974 foi autorizada pelo Estado Maior do Exército a montagem de uma linha telefónica militar direta entre o Regimento de Transmissões – na Rua de Sapadores – e o Regimento de Engenharia n° 1 – na Pontinha, onde vai funcionar o Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas-, a partir da proposta assinada pelo então tenente-coronel Garcia dos Santos. Depois, uma equipa chefiada pelo furriel Cerdoura, montou essa linha em menos de 24 horas para garantir que a partir de 24 de Abril, numa operação dirigida pelo capitão Fialho da Rosa se pudesse assegurar escutas às comunicações da GNR, Legião Portuguesa, PIDE/DGS e Polícia de Segurança Pública,  assim como dos Ministros da Defesa e Ministro do Exército, Subsecretário de Estado do Exército e Chefe do Estado Maior do Exército.

Já a Rua dos Sapadores nasceu no final do século XIX num bairro operário embora o seu topónimo guarde uma memória militar, a do quartel dos Sapadores Mineiros.

Foi por deliberação camarária de 8 de julho de 1892 que foram atribuídas denominações aos arruamentos do Bairro Operário à Calçada dos Barbadinhos. Assim, a Rua dos Sapadores foi a designação para a Rua A, tal como o foi Rua dos Operários para a Rua B, Pedro Alexandrino para a Rua C, Machado de Castro para a Rua D, Bartolomeu da Costa para a Rua E e Afonso Domingues para a Rua F. Note-se o relevo que se quis dar a várias artes, através do pintor Pedro Alexandrino, do escultor Machado de Castro, do militar especialista em fundição Bartolomeu da Costa e do arquiteto Afonso Domingues.

Até poucos anos antes, em 1889, segundo Norberto de Araújo, a artéria denominava-se Rua dos Quatro Caminhos e dos Sapadores, sendo o topónimo derivado de um quartel lá existente, esclarecendo o olisipógrafo o seguinte:
«Na primeira metade do século do Terramoto [séc. XVIII]  já aqui havia um aquartelamento, embora de reduzida superfície: era o Regimento da Segunda Armada, aos Quatro Caminhos, e, em boa verdade, não consegui saber a que correspondia aquela designação do regimento. No século passado [isto é, no séc. XIX], e durante longos anos, esteve aqui o Regimento de Engenharia, fazendo-se por várias vezes obras e ampliações, sempre restritas. Em 1911, pela reorganização do Exército, subdividiu-se a arma de engenharia, ficando neste quartel os Sapadores Mineiros. Fizeram-se então novas ampliações, e ergueu-se êste edíficio que vês, corpo central de comando, recuado um pouco de frente, para alargamento da nova Rua de Sapadores (1912-1913). Em 1927, após a revolução de 7 de Fevereiro, os Sapadores saíram e entraram os Telegrafistas.»

Em 1969
(Foto: Artur Inácio Bastos, Arquivo Municipal de Lisboa)

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O Comando Geral da Legião Portuguesa e o Largo da Penha de França

O Quartel-general da Legião Portuguesa, foi ocupado pelas 14H00,  por uma força da Escola Prática de Cavalaria de Santarém, saída do Terreiro do Paço e comandada pelo major Jaime Neves, evitando qualquer tentativa de oposição ao MFA.

Da Praça do Comércio saíram duas forças da Escola Prática de Cavalaria de Santarém: uma força comandada por Salgueiro Maia para o Quartel da GNR no Largo do Carmo e outra, dirigida por Jaime Neves – com forças do Regimento de Cavalaria 7, Regimento de Lanceiros 2 e Regimento de Infantaria 1-, para o Comando da Legião Portuguesa, no nº 1 do Largo da Penha de França. As instalações da Legião – com o nome de código Marrocos – foram ocupadas às 14 horas evitando assim qualquer oposição ao movimento.

Este Largo da Penha de França, na confluência da Rua da Penha de França e da Rua Marques da Silva, tem a sua origem no próprio topónimo do sitio: a Penha de França. Um escultor de imagens sacras ou imaginário, de seu nome António Simões,  encontrando-se perdido em Alcácer Quibir fez a promessa de que se voltasse a Portugal fabricaria várias imagens de Nossa Senhora e lhes daria um destino condigno. Já regressado a Portugal, chamou Senhora da Penha de França (crê-se que por invocação de um santuário de Salamanca) à última imagem que produziu e esta foi inicialmente colocada na Igreja da Vitória, na  Baixa de Lisboa. Depois, o escultor lá conseguiu erguer uma Ermida, no Monte Alperche, em terrenos de Afonso Torres de Magalhães, e foi nessa Ermida ainda em construção, em 1597, que foi acolhida a dita imagem de Nossa Senhora da Penha de França, sendo apenas no ano seguinte que ficou terminado o seu templo. Em 1604, começou a construir-se no sítio uma nova Igreja, bastante maior e até com Casa Conventual que ficou terminada em 1635, sendo esta que acabou por estender o nome da Senhora da Penha de França a todo o sítio, até chegar a ser também o da própria freguesia.

O sítio foi habitado pelo menos desde a época muçulmana, memória que parece ter ficado na Calçada do Poço dos Mouros, ou até em períodos anteriores, uma vez que a toponímia portuguesa usa muitas vezes a palavra «Mouro» e seus derivados para locais ocupados ainda em períodos neolíticos ou para assinalar gente de diferentes culturas.

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O Quartel da EPAM, a RTP e a Alameda das Linhas de Torres

A Capital, 25 de abril de 1974, edição das 12 horas

Pelas 02H50, saiu da Escola Prática de Administração Militar uma força com o objetivo de ocupar os estúdios da  Rádio Televisão Portuguesa, na Alameda das Linhas de Torres, ao Lumiar. Estiveram envolvidos cerca de 100 militares, comandados pelo capitão Teófilo Bento.

Na madrugada do dia 25 de abril de 1974, após a audição de Grândola, Vila Morena de José Afonso, foi controlada a EPAM – no nº 179 da Alameda das Linhas de Torres -, de onde saiu uma força de 130 homens comandada pelo capitão Teófilo Bento, que ocupou Mónaco com êxito e sem incidentes, isto é, ocupou os estúdios da RTP, no nº 44  da mesma Alameda das Linhas de Torres, impedindo a sua utilização pelas forças do regime e colocando-os ao serviço do MFA, que passou a transmitir regularmente pelas 19:00, com a imagem e a voz de Fernando Balsinha e de Fialho Gouveia. Na madrugada do dia 26 de abril é através da RTP que se transmite a proclamação ao país da Junta de Salvação Nacional, presidida pelo General António de Spínola.

Esta Alameda das Linhas de Torres, que hoje vai do Campo Grande à Estrada da Torre, nasceu após a implantação da República, através do Edital municipal de 7 de agosto de 1911, na artéria que era a Alameda do Lumiar, para homenagear na memória do local os combatentes das Linhas de Torres Vedras, erguidas em 1810 para defender militarmente Lisboa das invasões francesas e tanto mais que este arruamento fazia a ligação com a Estrada para Torres Vedras. O mesmo Edital de 1911 também homenageou Neves Costa, engenheiro militar que participou no estudo das mesmas.

As Linhas de Torres Vedras ou simplesmente Linhas de Torres  integram o conjunto de fortificações da península de Lisboa que no contexto da Guerra Peninsular foram concebidas para impedir um exército invasor de atingir a capital ou, em caso de derrota, permitir a retirada, em segurança, do Exército Britânico. A ordem para a sua construção foi dada em outubro de 1809,  por Arthur Wellesley, então comandante do exército anglo-luso, sendo o Coronel Richard Fletcher o oficial do exército de Wellington responsável pelos trabalhos de engenharia. Já em 1807, Junot encarregara o coronel de engenharia Vincent de estudar a defesa de Lisboa e na execução dessa tarefa esteve o major de engenharia José Maria das Neves Costa. Após a expulsão das tropas francesas foram feitas diligências pelas autoridades portuguesas no sentido de fazer o levantamento topográfico que servisse de base aos trabalhos da defesa de Lisboa, comissão em que esteve novamente Neves Costa, que já em 1801 publicara Observações sobre o plano de ataque e defesa do reino de Portugal em relação à sua Geografia e topografia. Refira-se ainda que na Terceira Invasão Francesa as Linhas de Torres Vedras impediram o exército de Massena de atingir Lisboa e acabaram por provocar a sua retirada de Portugal.

A Capital, 26 de abril de 1974

 

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O 25 de Abril e a Rua do Arsenal

(Foto: Diário Popular, 25 de abril de 1974)

Local de confrontos entre forças revoltosas da Escola Prática de Cavalaria de Santarém e de forças fiéis ao regime, do Regimento de Cavalaria 7. Entre as 07H00 e as 10H30, distinguiu-se o tenente Alfredo Assunção, ao procurar negociar com os opositores, mantendo-se sereno, mesmo depois de ter sido agredido por um oficial das forças do regime.

 

Este topónimo fixou na memória de Lisboa a presença no local do Arsenal da Marinha. Os estaleiros das Tercenas navais  mandados construir por D. Manuel I foram destruídos pelo Terramoto de 1755 mas logo foi determinada a sua reconstrução, sob o risco de Eugénio dos Santos, que se iniciou em 1759.  Durante muito tempo o local foi conhecido como Ribeira das Naus, sendo extensivo ao Arsenal da Ribeira das Naus, depois Arsenal Real da Marinha e a partir de 1910, apenas Arsenal da Marinha. Manteve-se em laboração até 1939, ano em que a sua doca seca foi atulhada por motivo da abertura da Avenida da Ribeira das Naus, apesar de já desde 1936 tivesse começado a transferência do Arsenal para as instalações navais do Alfeite.

O arruamento começou a ser a Rua dos Arcos Cobertos, com uma configuração diferente. Após o Terramoto ficou conhecido como Rua Direita do Arsenal e ainda assim surge em 1856 no Atlas da Carta Topográfica de Lisboa de Filipe Folque, para depois perdurar até hoje como Rua do Arsenal, tal como já em 1907 se assinala nas plantas de Silva Pinto.

(Foto: Diário Popular, 25 de abril de 1974)

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