A Rua a que cada um chama sua

Rua de São Marçal – Freguesias da Misericórdia e de Santo António
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua é o tipo de via mais usado e no plural, Ruas,  serve até para designar o conjunto das outras categorias de arruamentos: são as nossas ruas mesmo que sejam avenidas ou travessas. Lisboa tem hoje 22o4 arruamentos que são Ruas.

Freguesia de Belém – Placa Tipo V
(Foto: José Carlos Batista)

A maioria delas são antropónimos, isto é, o seu topónimo é o do nome de uma pessoa. Lisboa comporta 1494 antropónimos, de figuras locais, nacionais ou estrangeiras, de que são exemplo a Rua da Castiça, a Rua Maria de Lourdes Pintasilgo ou a Rua Vítor Hugo.

Em termos de quantidade temos a seguir os geotopónimos que são 191, onde se incluem 13 países, 38 cidades, 29 vilas, 4 mares e oceanos, 58 rios  e 62 de orientação geográfica, como por exemplo ruas do norte, do meio, do sul, da bela vista, dos arcos, do sol, da praia, do jardim ou do vale. A estes acrescem mais 39 topónimos que revelam as características físicas e típicas do local:  Rua do Aqueduto das Águas Livres, Rua da Atalaia, Rua do Bairro da Cáritas,   Rua da Barroca, Rua das Barracas, Rua da Betesga, Rua da Bica do Marquês, Rua da Bica do Sapato, Rua da Bica Duarte Belo, Rua da Bombarda,  Rua da Cascalheira, Rua da Casquilha, Rua das Chaminés d’El-Rei, Rua da Correnteza, Rua da Correnteza de Baixo, Rua das Courelas, Rua das Cozinhas, Rua da Fonte,  Rua das Fontaínhas, Rua das Fontaínhas a São Lourenço, Rua Fresca, Rua das Janelas Verdes, Rua da Mãe D’Água, Rua do Passadiço, Rua do Poço Coberto, Rua do Poço dos Negros,Rua das Praças, Rua da Regueira, Rua da Ribeira Nova, Rua da Rosa (de divisão dos terrenos de herança), Rua do Saco, Rua das Terras, duas ruas da Torre e a Rua da Judiaria, Rua da Mouraria, Rua dos Mouros (que se referia a ciganos) e Rua das Pretas.

Freguesia de Santo António – Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias)

Já os sítios de que o topónimo guarda memória são 44 : Rua da Achada, Rua da Adiça, Rua de Alcântara, Rua de Alcolena, Rua do Alqueidão, Rua de Andaluz, Rua da Alegria, Rua do Alto do Chapeleiro, Rua do Alvito, Rua da Arrábida, Rua de Arroios, Rua do Beato, Rua da Bela-Flor, Rua de Belém, Rua do Bom Pastor, Rua da Buraca, Rua das Calvanas, Rua do Campo de Ourique, Rua de Campolide, Rua do Casal da Raposa, Rua do Casalinho da Ajuda, Rua do Sítio ao Casalinho da Ajuda, Rua de Castelo Picão, Rua da Cova da Moura, Rua do Desterro, Rua Nova do Desterro, Rua de Entrecampos, Rua da Estrela, Rua das Furnas, Rua do Grafanil, Rua da Guia, Rua da Junqueira, Rua da Lapa, Rua do Lumiar, Rua de Marvila, Rua do Monte Olivete, Rua de Moscavide ao Parque das Nações, Rua das Necessidades, Rua das Pedralvas, Rua de Pedrouços, Rua da Penha de França, Rua Nova de Palma, Rua da Portela e Rua de Xabregas.

Nos biotopónimos encontramos 46, sendo 41 relativos a plantas e árvores – existindo curiosamente 2 ruas com Eucalipto na denominação – e 5 referentes a animais.

Rua 20, no Bairro da Encarnação – Freguesia dos Olivais
(Foto: José António Estorninho)

As ruas com toponímia numérica são 107 e surgem nos bairros cuja génese é de habitação social do séc. XX, como no Bairro da Quinta do Jacinto, no Bairro da Calçada dos Mestres ou no Bairro da Encarnação.

Ainda nos números contam-se 6 topónimos que evocam datas e que são a Rua Primeiro de Dezembro, a Rua Primeiro de Maio, a Rua Primeiro de Maio ao Grafanil, a Rua Quatro de Agosto, a Rua Cinco de Abril e a Rua dos Cravos de Abril cujo propósito foi guardar a memória do 25 de Abril de 1974.

Ruas que fixam nomes de santos, os hagiotopónimos são 103, de que são exemplo a Rua do Loreto ou a Rua do Milagre de Santo António. Refira-se que existem mais 7 ruas com cruzes, cruzeiro ou crucifixo na designação e ainda com referências a doutrina como a Rua dos Sete Céus, a Rua da Samaritana, a Rua da Esperança na Madragoa e ainda, todas paralelas a Rua da Caridade, a Rua da Fé e a Rua da Esperança do Cardal.

Freguesia de Santa Maria Maior – Placa Tipo III
(Foto: Sérgio Dias)

Já ruas com topónimos relativos a profissões e atividades económicas são 89 : Rua Áurea, Rua do Açúcar, Rua das Adelas, Rua da Alfândega, Rua dos Arameiros, Rua dos Archeiros, Rua dos Arneiros, Rua dos Bacalhoeiros, cinco ruas do Cais, Rua das Canastras, Rua dos Caminhos de Ferro, Rua dos Cavaleiros, Rua do Chão da Feira, Rua do Comércio, Rua dos Contrabandistas,  duas ruas dos Cordoeiros, Rua dos Correeiros, Rua dos Douradores, Rua da Fábrica Carp, Rua da Fábrica da Pólvora, Rua da Fábrica das Moagens, Rua da Fábrica de Estamparia, Rua da Fábrica de Material de Guerra, Rua da Fábrica de Tecidos Lisbonenses, Rua dos Fanqueiros, Rua das Farinhas, duas ruas dos Ferreiros, Rua do Forno do Tijolo, Rua da Indústria, Rua dos Industriais, Rua dos Lagares, Rua dos Lagares D’El-Rei, Rua dos Lojistas, Rua da Manutenção, Rua do Mercado, Rua Nova dos Mercadores, Rua da Mestra, Rua da Moeda, Rua das Olarias, Rua dos Operários, Rua da Padaria, Rua da Pedreira do Fernandinho, Rua das Pedreiras, Rua da Prata, Rua dos Remolares, Rua das Salgadeiras, Rua dos Sapadores, Rua dos Sapateiros, Rua dos Sete Moinhos, Rua dos Táxis Palhinhas, duas ruas do Telhal, Rua dos Vaga Lumes a que se somam mais 20 relativas a Quintas e 13 a instrumentos náuticos e tipos de barcos.

Rua das Escolas Gerais – Freguesias de Santa Maria Maior e de São Vicente
(Foto: Ana Luísa Alvim)

Também 58 ruas receberam um topónimo resultante da sua proximidade às mais diversas instituições, como se pode observar na lista seguinte: Rua Aliança Operária, Rua «Amigos de Lisboa», Rua de Artilharia Um, Rua do Arsenal, Rua dos Caetanos, Rua Centro dos Trabalhadores do Alto da Ajuda, Rua Clube Atlético e Recreativo do Caramão, Rua da Academia das Ciências, Rua da Academia Recreativa de Santo Amaro, Rua da Capela, Rua do Centro Cultural, Rua do Colégio de São José, Rua do Convento da Encarnação, Rua da Cozinha Económica, Rua da Cruz Vermelha, Rua do Diário de Notícias, Rua das Enfermeiras da Grande Guerra, Rua das Escolas, Rua das Escolas Gerais, Rua da Escola de Educação Popular, Rua da Escola de Medicina Veterinária, Rua da Escola do Exército, Rua da Escola Politécnica, Rua Flor da Serra, Rua do Forte de Santa Apolónia, Rua das Francesinhas, Rua da Fraternidade Operária, Rua do Grémio Lusitano, Rua do Grilo, Rua Nova do Grilo, Rua da Guarda Nacional Republicana, duas ruas da Igreja e a Rua da Mesquita, Rua da Imprensa à Estrela, Rua da Imprensa Nacional, Rua de Infantaria 16, Rua do Instituto Bacteriológico, Rua do Instituto Dona Amélia, Rua do Instituto Industrial, Rua Instituto Virgílio Machado, Rua dos Jerónimos, Rua das Madres, Rua da Misericórdia, Rua do Montepio Geral, Rua do Museu de Artilharia, Rua das Portas de Santo Antão, Rua do Quatro de Infantaria, Rua dos Quartéis, Rua do Recolhimento, Rua Seara Nova, Rua de O Século, Rua do Seminário, Rua da Sociedade Farmacêutica, Rua do Terreiro do Trigo, Rua da Tobis Portuguesa, Rua das Trinas, Rua do Triângulo Vermelho, Rua da Trindade e  Rua da Voz do Operário.

Lisboa comporta ainda 14 ruas cujo topónimo é literário, quer seja por ser o título de um livro, como por exemplo na Rua dos Lusíadas ou na Rua Sinais de Fogo, quer seja por evocar personagens literárias como no caso da Rua das Musas.

Sobram outras 13 ruas cuja origem não está suficientemente esclarecida e que são a Rua Cascais, a Rua dos Cegos, a Rua das Damas, a Rua da Emenda, a Rua do Gabarete, a Rua do Gravato, a Rua do Mato Grosso, a Rua da Páscoa,  duas ruas da Paz, a Rua das Pedras Negras, a Rua das Raparigas e a Rua da Saudade.

Rua dos Cegos – Freguesia de Santa Maria Maior – Placa Tipo I
(Foto: Rui Mendes)

 

Toponomenclatura de espaços verdes: os Jardins e os Parques

Parque Eduardo VII – Freguesia das Avenidas Novas

Na toponomenclatura oficial de Lisboa constam 30  Jardins e 2 Parques, todos a partir do séc. XX,  cuja enumeração abordaremos de seguida, por décadas.

Por Edital de 17 de abril de 1903, o Parque da Liberdade passou a denominar-se Parque Eduardo VII de Inglaterrapor ocasião da visita do Rei de Inglaterra a Lisboa, sendo aliás a primeira visita ao estrangeiro desse monarca.

Oito anos depois, o Parque Silva Porto, vulgarmente conhecido por Mata de Benfica, foi inaugurado no dia 23 de julho de 1911, mas só em 1918 adquiriu esta designação de homenagem ao pintor António Carvalho da Silva (1850-1893) que adoptara o apelido Porto como demonstração de amor à sua cidade natal. Neste Parque foi colocado um busto seu, da autoria de Costa Mota (Sobrinho), a que no centenário do seu nascimento a Sociedade Nacional de Belas Artes acrescentou uma palma em bronze.

Jardim Nove de Abril – Freguesia da Estrela

Já na década de vinte do séc. XX, por proposta do vereador Alfredo Guisado, deliberação camarária de 31 de maio de 1926 e edital municipal de 17 de junho de 1926, o antigo Jardim Fialho de Almeida passou a denominar-se Jardim Alfredo Keil, consagrando o autor da música do Hino Nacional, composto como A Portuguesa em 1890, como resposta ao Ultimatum Inglês, por naquele espaço se ir erguer um monumento à sua memória. Quase cinco anos depois, por deliberação camarária de 14 de fevereiro de 1925, o espaço conhecido como Jardim das Albertas passou a ser o Jardim Nove de Abril , data da Batalha de La Lys no ano de 1918, ocorrida na Flandres, no teatro de operações da I Guerra Mundial. Entre estas duas datas de 1920 e 1925, a Câmara Municipal de Lisboa deliberou a atribuição de diversas denominações a jardins da cidade, como por exemplo, Jardim Guerra Junqueiro ao Jardim da Estrela ou  Jardim Braamcamp Freire ao Jardim do Campo dos Mártires da Pátria, mas por razões desconhecidas esses registos não integraram o ficheiro de toponímia lisboeta.

Jardim Elisa Baptista da Silva Pedroso – Freguesia da Estrela

Depois, só após o 25 de Abril foi colocado um novo topónimo num jardim. Foi pelo Edital de 3 de setembro de 1976 que o jardim nas traseiras do Palácio de São Bento, vulgarmente conhecido como Jardim Salazar, ficou com a designação Jardim Elisa Baptista de Sousa Pedroso, perpetuando uma conceituada pianista (1876 -1958), fundadora do Círculo de Cultura Musical e  primeira sócia honorária da Juventude Musical Portuguesa.

Jardim Ducla Soares – Freguesia de Belém
(Foto: José Carlos Batista)

Na década de oitenta, Lisboa acolheu mais três jardins: em Belém, o Jardim Pulido Garcia dedicado ao eng.º agrónomo ( 1904 – 1983 ) que chefiou a Repartição de Arborização e Jardinagem camarária tendo sido responsável pela instalação do Parque Florestal de Monsanto ( Edital de 20/08/1985), bem como o  Jardim Ducla Soares (1912 – 1985), perpetuando o maior médico internista português da sua geração que viveu nesta mesma freguesia no Largo da Princesa ( Edital 07/09/1987); sendo o terceiro na Penha de França, o Jardim Luís Ferreira ( 1920-1984 ), para homenagear um antigo presidente dessa Junta de Freguesia (Edital 03/05/1989).

A década de noventa criou mais quatro jardins : o Jardim Alice Cruz ( São Domingos de Benfica ), a fixar a locutora de rádio e televisão (1940 – 1994) tragicamente falecida num acidente rodoviário e o  Jardim Bento Martins, em  Carnide,  para guardar a memória do seu dinamizador teatral (1932 – 1993), ambos por Edital de 17/02/1995; em Belém, pelo Edital de 30/07/1999 o Jardim Fernanda de Castro  , veio consagrar a escritora (1900 – 1994) que publicara justamente Cidade em Flor (1924) e Jardim (1928) e, finalmente, o  Jardim Amália Rodrigues ( Avenidas Novas ), fronteiro ao topo do Parque Eduardo VII a homenagear a celebrada fadista (1920 – 1999), falecida em outubro do ano anterior (Edital de 18/04/2000).

Jardim Amália Rodrigues – Freguesia das Avenidas Novas

Jardim Tristão da Silva – Freguesia do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias)

Na primeira década do séc. XXI, de 2001 a 2010, Lisboa recebeu mais 10 jardins, a saber:  o Jardim Tristão da Silva (Areeiro), fadista (1927 – 1978) que começou a sua carreira a ser conhecido como o Miúdo do Alto do Pina (Edital de 20/11/2003);  o Jardim Amélia Carvalheira ( Avenidas Novas ), junto à Igreja de Nossa Senhora de Fátima por ocasião do centenário desta escultora  (1904 – 1998) de arte sacra (Edital de 23/09/2004); o Jardim Fernando Pessa ( Areeiro ), ao lado do edifício da Assembleia Municipal de Lisboa, local próximo da residência do jornalista (1902 – 2002) e onde ele costumava  andar de bicicleta e fazer os seus passeios ( Edital de 16/12/2004); o  Jardim Irmã Lúcia ( Areeiro ), atribuído em resultado do Voto de Pesar municipal  n.º 4/2005 que deu azo à deliberação municipal e ao Edital de 06/10/2005, fixando  junto à Igreja de São João de Deus esta vidente de Fátima (1907-2005); o  Jardim Maria da Luz Ponces de Carvalho, na Freguesia de Santa Clara (Edital 03/07/2008), evocando a neta  (1918 – 1999) de João de Deus e continuadora da sua obra dos Jardins-Escolas; o Jardim Prof. António de Sousa Franco em Telheiras, estadista e jurisconsulto de mérito, falecido subitamente em campanha eleitoral (1942 – 2004), fruto do Edital de 16/09/2008, sendo que no mês seguinte, o Edital de 07/10/2008, colocou no espaço verde contíguo o Jardim Prof. Francisco Caldeira Cabral (1908 – 1992) que foi o 1º topónimo alfacinha a perpetuar um arquiteto paisagista; e ainda, o Jardim Jorge Luis Borges no Arco do Cego ( Avenidas Novas ), por Edital de 16/09/2009, quando então passava o 110º aniversário deste escritor argentino (1899 – 1986), acolhendo ainda um Memorial a Borges, da autoria de Federico Brook e doado pela Casa da América Latina, faltando apenas referir nesta década o Jardim dos Jacarandás  e o Jardim Garcia de Orta ao Parque das Nações acolhidos através do Edital municipal de 16/09/2009.

Jardim Maria da Luz Ponces de Carvalho -Freguesia de Santa Clara

Finalmente, de 2011 até ao presente adicionaram-se mais 5  Jardins:  o Jardim Augusto Monjardino( Avenidas Novas ), junto à Maternidade Alfredo da Costa para homenagear o médico que foi o seu primeiro director (1871 – 1941), atribuído por Edital de 04/05/2011; o Jardim Amnistia Internacional ( Campolide ) para assinalar o 50.º aniversário desta instituição de defesa dos direitos humanos (Edital de 03/06/2011); o Jardim Adão Barata (1945 – 2008), em Carnide, para perpetuar no seu território um antigo presidente dessa Junta de Freguesia (Edital de 03/12/2012); o Jardim Maria de Lourdes Sá Teixeira ( Olivais ),  para guardar a memória da 1ª Aviadora portuguesa (1907 – 1984), através do Edital de 08/07/2013;  o Jardim Ferreira de Mira ( Benfica ) fixando o investigador e professor (1875 – 1953) da Faculdade de Medicina de Lisboa que foi também historiador da medicina portuguesa ( Edital 10/11/2016).

Jardim Ferreira de Mira – Freguesia de Benfica

Acresce que a palavra «jardim» aparece ainda em mais 5 topónimos alfacinhas. Em Santa Maria Maior, encontramos a Rua do Jardim do Regedor [da Casa da Suplicação] e primeiro presidente da Real Mesa Censória, cardeal D. João Cosme da Cunha; bem como a Rua do Jardim do Tabaco relacionada com a Alfândega do Tabaco, instalada na zona nessa época da segunda metade do séc. XVII. Junto ao Jardim da Estrela, na freguesia da Estrela,  deparamos com a Rua do Jardim à Estrela e a Travessa do Jardim que mostram bem qual a sua origem, tal como a Rua do Jardim Botânico, partilhada pelas freguesias de Belém e da Ajuda, claramente se refere ao Jardim Botânico da Ajuda.

A toponímia das ruas que não o são

O Poço do Borratém em 1951
(Foto: Eduardo Portugal, Arquivo Municipal de Lisboa)

A toponímia das ruas que o não são foi o título da  comunicação de Áppio Sottomayor às III Jornadas de Toponímia de Lisboa (1998), que agora recuperamos para agrupar os doze topónimos que permanecem sem uma das categorias referidas nos anteriores artigos deste mês. Assim acontece em doze casos: o Caracol da Graça e o já desaparecido Caracol da Penha, o Corredor da Torrinha, a Costa do Castelo, as Cruzes da Sé, o Cunhal das Bolas, as Escolas Gerais (que coexistem com a Rua das Escolas Gerais), o Paço da Rainha, o Poço do Borratém, a Rocha do Conde de Óbidos já também extinta, o Telheiro de São Vicente e a Triste Feia. Estes  topónimos são geralmente únicos, antigos e encontram-se nas freguesias seculares da cidade de Lisboa.

Começando pela freguesia de Santa Maria Maior, na confluência da Rua da Madalena, Rua dos Condes de Monsanto e Rua do Arco do Marquês de Alegrete, deparamos com o Poço do Borratém , um pleonasmo, já que de acordo com o arabista David Lopes significa Poço do «poço da figueira». A fixação deste topónimo deve ser pelo menos quinhentista já que Gil Vicente o menciona no seu Pranto de Maria Parda. Norberto de Araújo adianta que «O poço é antiquíssimo, e foi sempre do domínio público. Quando o Estado adquiriu as propriedades, êle continuou a ser respeitado na sua serventia. (…) No meado do século passado [séc. XIX] explorava a água uma companhia de aguadeiros, e, antes, em 1818, existia uma Irmandade de Santo André e das Almas que cobrava um tributo a quem aproveitava o líquido, fiado nas suas virtudes. O poço do Borratem, pertença da Câmara, desde 1849 que não traz encargos para quem bebe a “virtuosa” água.»

Cruzes da Sé – Freguesia de Santa Maria Maior – Placa Tipo I
(Foto: Mário Marzagão)

Ainda em Santa Maria Maior, estendendo-se do Largo da Sé à Rua de São João da Praça fica o arruamento denominado Cruzes da Sé, por se situar nas costas da Igreja de Santa Maria Maior, a Sé Catedral de Lisboa, classificada como Monumento Nacional desde 1910. A fixação deste topónimo na memória de Lisboa tem assim de ser posterior à edificação da Igreja de Santa Maria Maior, que pouco depois de 1147 começou a ser construída , assente sobre uma mesquita que, por sua vez, também terá sido erguida sobre um primitivo templo cristão visigodo. Em termos documentais, o topónimo Cruzes da Sé aparece referido num livro de óbitos de 1690.

Partilhado pelas freguesias de Santa Maria Maior e São Vicente temos o Caracol da Graça, artéria que em escadinhas estabelece a ligação da Rua dos Lagares à Calçada da Graça, ganhando o seu nome do ziguezague ou espiral que faz para galgar tão íngreme subida. Sabe-se da existência do Postigo do Caracol da Graça, aberto na Cerca Fernandina, até à sua destruição em 1700, que servia para se descer da Graça aos Lagares e Olarias.

Referimos aqui também o extinto Caracol da Penha,  que unia a Avenida dos Anjos (veio a ser a Avenida Almirante Reis) à Rua de Arroios e veio a ser transformado na Rua Marques da Silva ( freguesias de Arroios e Penha de França) pelo Edital municipal de 05/10/1891, em agradecimento ao proprietário da Quinta da Imagem, João Marques da Silva, que cedeu à Câmara gratuitamente terrenos para alargamento das ruas próximas.

Escolas Gerais – Freguesias de Santa Maria Maior e de São Vicente – Placa Tipo I
(Foto: Mário Marzagão)

Ainda nas freguesias de Santa Maria Maior e  São Vicente, deparamos com a Costa do Castelo, que  alastra da Rua do Milagre de Santo António até à Calçada de Santo André, que teve honras de título de filme português e deve o seu topónimo à proximidade ao Castelo de São Jorge, que aliás contorna numa grande extensão. De igual modo, encontramos as Escolas Gerais, arruamento que vai da Rua das Escolas Gerais à Calçada de São Vicente, sobre o qual o olisipógrafo Luís Pastor de Macedo explica o seguinte:  «Como decerto o leitor já viu, ao Bairro dos Escolares chamaríamos hoje Bairro Universitário, e as Escolas Gerais ou o Estudo Geral são a Universidade transferida definitivamente para Coimbra em tempo de El-Rei D. João III (1537).  Também com certeza sabe o leitor que na Lisboa de hoje existem duas serventias públicas com nomes determinados pelo Estudo fundado por El-Rei D. Dinis: as Escolas Gerais, artéria inclassificada que pertenceu às antigas freguesias de Santa Marinha e de S. Vicente, que a compartilhavam, e a Rua das Escolas Gerais que pertenceu à antiga freguesia de S. Tomé, e durante algum tempo, pelo menos, também à do Salvador.»

Só da freguesia de São Vicente, junto ao Arco Grande de Cima, temos o Telheiro de São Vicente, que tal como a Calçada, o Largo, a Rua e a Travessa é um topónimo indubitavelmente ligado à Igreja que aí se situa e que Norberto de Araújo, revela do seguinte modo: «A Igreja de S. Vicente foi construída por D. Afonso Henriques, em obediência ao voto que fizera, e revelara ao Arcebispo de Braga, D. João Peculiar, quando do Cerco de Lisboa. A primeira pedra foi lançada em 21 de Novembro de 1147. (…) O primitivo Mosteiro de S. Vicente não tinha a mais leve semelhança com o actual, nem dele resta memória descritiva ou simples alçado” (…) A inauguração do novo Mosteiro e Igreja de São Vicente fêz-se a 28 de Agosto de 1629, sem que as obras estivessem concluídas, pois se prolongaram interiormente quase durante um século.»

Em Arroios, deparamos com o Paço da Rainha que remete para o Palácio da Bemposta e para a Rainha D. Catarina de Bragança (? – 1705) que ao enviuvar de Carlos II de Inglaterra regressou a Portugal (em 1693) e acabou por fazer casa no lugar do Campo da Bemposta, onde é certo já habitava em 1702. A partir daí ficou o local conhecido como Paço da Rainha e assim se manteve até o primeiro edital de toponímia após a implantação da República, de 5 de novembro de 1910, o tornar no Largo da Escola do Exército, por aí se situar esse estabelecimento de ensino. Contudo, cerca de 12 anos mais tarde, o edital de  17/10/1924 designou-o como Largo General Pereira de Eça, topónimo que assim permaneceu perto de 32 anos até o Edital de 23/03/1954 o renomear como Paço da Rainha.

Cunhal das Bolas – Freguesia da Misericórdia – Placa de azulejo
(Foto: Artur Matos)

Na freguesia da Misericórdia, encontramos uma pequena artéria  entre a Rua da Rosa e a Rua Luz Soriano que é o Cunhal das Bolas, por  derivar do quinhentista Palácio do Cunhal das Bolas.

Na freguesia da Estrela, temos o Corredor da Torrinha, ao qual se acede a partir do Beco da Galheta, que o liga à Avenida 24 de Julho, sendo esta artéria o prolongamento natural da Travessa José António Pereira.

Na mesma freguesia a Rocha do Conde de Óbidos, topónimo do século XVII, derivado da proximidade ao Palácio do Conde de Óbidos (actual sede da Cruz Vermelha Portuguesa). Contudo, no âmbito da reconversão paisagística desta zona, que envolveram o aterro entre a Praça de Dom Luís I e Alcântara, após longas negociações entre o Município e a Casa de Óbidos-Sabugal, em 1880, a CML mandou dinamitar a rocha e morro e no seu espaço foi construída uma escadaria dupla que liga a Avenida 24 de Julho ao Jardim 9 de Abril, que mais um século mais tarde foi designada como Escadaria José António Marques, em homenagem ao fundador da Cruz Vermelha Portuguesa.

Ainda na Estrela deparamos com a Triste Feia, artéria na confluência da Rua Maria Pia, Rua da Costa e Rua Prior do Crato, paralela à Rua da Costa e nas costas da estação de comboios de Alcântara-Terra. Após a remodelação paroquial de 1770 já a encontramos nas plantas e descrições das freguesias de Lisboa na «Nova Freguezia do Snr Jezus da Boa Morte» como «Rua da Triste Feya» e igualmente como «rua chamada a Triste-fea». No Atlas de Filipe Folque, a planta nº 39 de 1856 menciona a Triste Feia e a calçada da Triste Feia. E a partir desta data, tanto nos levantamentos de Francisco Goulard (1882) como de Silva Pinto e Alberto Correia de Sá (1910), surge sempre designada como Triste Feia.

Triste Feia em 1965 e nos dias de hoje
(Fotos: Augusto de Jesus Fernandes – Arquivo Municipal de Lisboa; José Carlos Batista)

As Rampas de Lisboa

Toponomenclatura das Necessidades – Freguesia da Estrela
(Planta: Sérgio Dias)

Rampa é uma ladeira, um arruamento em declive, muito semelhante a uma Calçada mas menos íngreme, toponomenclatura que Lisboa ainda usa em duas artérias : a Rampa das Necessidades na Freguesia da Estrela e a Rampa do Mercado na Freguesia de Santa Clara.

A Rampa das Necessidades liga a Praça da Armada à Rua das Necessidades e tal como esta, mais a Calçada, o Largo e a Travessa, o seu topónimo advém de uma antiga ermida da Nª Sr.ª das Necessidades que ali houve a partir de 1607. Pedro de Castilho, conselheiro de D. João IV comprou as casas ligadas à ermida e transformou-as na sua residência, tendo mais tarde, ficado com o assento da ermida e mandou erigir a capela-mor. Depois, D. João V comprou o local, grato à Senhora das Necessidades pelas melhoras da doença que padeceu, e ampliou a ermida, fez um palácio para si (que foi Paço Real até 1910) e ainda um hospício e um convento (que doou em 1744 à Congregação do Oratório). Com a extinção das ordens religiosas em 1834, o edifício do convento foi anexado para os serviços da Casa Real e em 1950, foi transformado em sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Rampa do Mercado – Freguesia de Santa Clara

A Rampa do Mercado, que vai da Azinhaga do Reguengo à Rua Quinta da Assunção, é a  artéria onde está instalado o Mercado das Galinheiras pelo que já era assim conhecida quando em 1988 a Comissão Municipal de Toponímia deu parecer para que assim fosse oficializada o que aconteceu com a publicação do Edital municipal de 29 de fevereiro de 1988.

Rampa do Mercado –
Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias)

 

Os Pátios da toponímia oficial de Lisboa

Pátio do Pinzaleiro em 1946
(Foto: Fernando Martinez Pozal, Arquivo Municipal de Lisboa)

Lisboa acolhe na sua toponímia oficial 17 Pátios, dos quais 6 estão na mais antiga Freguesia de Lisboa (uma vez que Santa Maria Maior reúne as primeiras freguesias de Lisboa) e 5 pertencem à mais recente freguesia da cidade (Parque das Nações). Embora muitos pátios lisboetas tenham desaparecido em resultado de remodelações urbanísticas da cidade,  os que hoje encontramos na toponímia oficial de Lisboa são os que resultaram da análise de todos os topónimos lisboetas pela Comissão Municipal de Toponímia após a sua criação, executada no período de 1943 a 1945, e consequente oficialização, tal como aconteceu com os cinco herdados no Parque das Nações.

Pátio, deriva do latim pactus  e refere-se a uma zona aberta, descoberta situada no interior de um edifício. Tem também o significado de conjunto de habitações modestas dispostas à volta de um recinto descoberto comum. E estes dois significados combinam-se bem na história da cidade de Lisboa uma vez que os primeiros pátios com residentes resultam do aproveitamento de pátios de palacetes abandonados, como o Pátio de Dom Fradique ou o Pátio do Pimenta.

De Ocidente para Oriente, encontramos na Freguesia da Ajuda o Pátio do Seabra, junto ao nº 17 do Largo da Ajuda, que combina antigas casas térreas de perfil rural com alguns prédios novos. Nele funciona o Centro de Atividades Ocupacionais da Ajuda da APPACDM Lisboa.

Na Freguesia da Estrela, na zona de Santos, a ligar a Avenida 24 de Julho à Rua das Janelas Verdes, temos o Pátio do Pinzaleiro, a fixar o fabricante de pincéis que por aqui deve ter trabalhado ou morado. É que de acordo com o Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado, a origem da palavra pinzaleiro está provavelmente em pinzel, uma antiga forma de pincel.

Pátio do Tijolo – Freguesia da Misericórdia
(Foto: Artur Matos)

Passando à freguesia da  Misericórdia, encontramos três Pátios. Na antiga freguesia de Santa Catarina, junto à Rua D. Pedro V, onde começa e termina, topamos com o Pátio do Tijolo, artéria em U que comporta o Palacete Braamcamp, onde funcionou a Escola Francesa antes de se mudar para ser o novo Liceu Charles-Lepierre, sendo que no final do arruamento, no edifício onde existiu um posto dos CTT, viveu o escritor Eduardo de Noronha (1859-1948), conforme placa evocativa que a Câmara Municipal lá colocou.  A nascer na Rua da Boavista, na antiga freguesia de São Paulo, temos o pombalino Pátio da Galega, formado por um beco aberto entre dois prédios, com o nome de uma moradora oriunda da Galiza ou de alguma forma com ela relacionada. Ainda no antigo território de São Paulo, damos com o Pátio do Pimenta,  entre os nºs 11 e 15 da Rua do Ataíde, com uma entrada de características nobres, de cerca de 1780,  o que revela uma pré-existente ocupação do local por uma casa nobre, apresentando ainda um edifício do séc. XIX de um só piso e supomos, como é usual nestes arruamentos que o seu nome derive de um morador ou proprietário no local, tanto mais que existe um requerimento de 1890, de uma Carolina Amélia Pimenta solicitando a aprovação de um projeto de alterações no seu prédio com a numeração de polícia nº 26/27 do Pátio do Pimenta.

Pátio das Canas – Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Mário Marzagão)

Passando à mais antiga freguesia de Lisboa,  Santa Maria Maior, que desde 2012 agrega todas as mais antigas freguesias da cidade de Lisboa, descobrimos seis Pátios.  Na antiga freguesia da Sé, junto à Travessa do Almargem, está o Pátio Afonso de Albuquerque que, segundo Pastor de Macedo « A primeira vez que aparece com o nome de pátio do Monteiro é em 1833 e a última em 1878. Antes desta data porém, já o designavam por pátio do Beco do Albuquerque (1864), passando depois a pátio do Albuquerque (1880) e por fim, em 1889, a ter o nome que hoje tem» , talvez por ser paralelo à Rua Afonso de Albuquerque, topónimo de 1882 para substituir a Rua do Almargem, por ser o sua designação original no séc. XVI. O homenageado é o filho do vice-rei da Índia e que por isso foi autorizado a mudar o seu nome de Braz Albuquerque para Afonso de Albuquerque, tendo mandado construir e residido nas Casas dos Diamantes ou dos Bicos, para além de ter presidido ao Senado Municipal em 1572 e 1573.  O Pátio das Canas, abre-se no nº 4 do Beco das Canas, na antiga freguesia de São Miguel, em Alfama, tal como o Pátio da Cruz junto ao nº 15 da Rua da Galé e perpendicular da Rua de São Miguel junto ao Largo de São Rafael. Próximo da Rua Regueira fica o Largo do Peneireiro em cujo  nº 2 se abre o Pátio do Peneireiro.  Já antigo território de Santiago, junto ao Largo do Limoeiro fica o Pátio do Carrasco que nos finais do séc. XIX Roque Gameiro imortalizou num desenho. O último em Santa Maria Maior é o Pátio de Dom Fradique, próximo da Rua do Chão da Feira, com vestígios dos muros da Alcáçova e das torres e muralhas da Cerca Moura, sendo uma antiga dependência do Palácio de Belmonte (hoje, um hotel de luxo), cuja construção parece remontar ao século XV, sendo a entrada do pátio feita através de um portal do século XVII, época em que o Pátio foi anexado ao Palácio. Norberto de Araújo refuta que o  nome do Pátio derive de D. Fradique de Toledo, comandante general das tropas de Filipe IV de Espanha, ou de seu irmão,  D. Fernando, que foi comandante dos presídios castelhanos no Castelo, defendendo que se refere a D. Fradique Manuel, em 1518 moço fidalgo do Rei Venturoso, tanto mais ser dessa época a construção inicial do Palácio Belmonte.

Na Freguesia de Arroios, deparamos com o Pátio do Sequeiro, na continuação da Travessa das Salgadeiras e ao cimo da Travessa do Forte, na antiga zona do Desterro, a denunciar a antiga ruralidade da zona no seu nome.

E finalmente, a Oriente, temos na Freguesia do Parque das Nações os cinco Pátios herdados da Expo 98, todos com toponímia relacionada com o mar :  o Pátio dos Escaleres ao Parque das Nações, o Pátio das Fragatas, o Pátio das Galeotas ao Parque das Nações, o Pátio das Pirogas e o Pátio do Sextante.

Pátio do Sequeiro – Freguesia de Arroios
(Foto: Mário Marzagão)

Nova toponomemclatura do Parque das Nações : a esplanada, a estacada e o passeio

Esplanada D. Carlos I ao Parque das Nações
(Foto: Sérgio Dias)

Lisboa adquiriu nova toponomenclatura já no presente século, embora apenas exista na Freguesia do Parque das Nações, uma vez que a mesma é herança da realização da Expo 98 no local, oficializada pela edilidade lisboeta através dos Editais de 16/09/2009 e de 06/05/2015. Encontramos assim uma Esplanada, duas Estacadas e 31 Passeios.

A Esplanada D. Carlos I ao Parque das Nações resultou como memória das  investigações oceanográficas que esse rei realizou a bordo seu iate «Amélia» e sobre as quais publicou estudos.

Estacadas são duas: a Estacada das Gaivotas ao Parque das Nações, sobre o rio Tejo, no final do Caminho das Gaivotas ao Parque das Nações e a Estacada do Arboreto que nasce após o Caminho do Arboreto, devendo o seu nome à zona verde próxima, o Arboreto, destinado ao cultivo de uma coleção de árvores, arbustos, plantas herbáceas, medicinais e ornamentais, mantidas e ordenadas cientificamente,  como espaço aberto ao público para recreação, educação e pesquisa.

Também os Passeios incluem na sua toponímia os temas característicos da Expo 98 que subordinada ao tema «Os oceanos: um património para o futuro» usou topónimos ligados aos oceanos; aos Descobrimentos Portugueses como a Avenida D. João II ou a Rua da Pimenta; aos navegadores portugueses e de outras nacionalidades como o Largo Bartolomeu Dias  ao Parque das Nações ou a Rua Capitão Cook; a aventureiros marítimos da literatura e da banda desenhada mundial como  Sandokan ou Corto Maltese em Travessas; a figuras de relevo para Portugal como a Avenida Fernando Pessoa ao Parque das Nações; a obras de escritores portugueses relacionadas com o mar como a Rua Corsário das Ilhas de Vitorino Nemésio ou a Rua Jangada de Pedra  de José Saramago e ainda,  outros ligados à botânica e a aves que ali têm o seu habitat ou o incluem no seu percurso migratório.

Relativos aos oceanos, a barcos e instrumentos náuticos temos o Passeio das Fragatas, o Passeio das Âncoras, o Passeio das Gáveas ao Parque das Nações,  o Passeio dos Mastros, bem como o Passeio de Neptuno, o deus dos mares na mitologia romana.

Referentes a rios e mares mundiais deparamos com o Passeio do Tejo no Parque Tejo, o Passeio do Trancão junto ao rio do mesmo nome, o Passeio do Báltico, o Passeio do Cantábrico e o Passeio do Ródano.

Passeio dos Heróis do Mar
(Foto: Sérgio Dias)

Respeitante a aventureiros marítimos e escritores da literatura mundial temos o Passeio dos Aventureiros, o Passeio dos Argonautas, o Passeio dos Fenícios, o Passeio dos Heróis do Mar, o Passeio dos Navegadores, o Passeio de Ulisses e o Passeio Júlio Verne.

Alusivos aos oceanos e a escritores portugueses temos o Passeio da Ilha dos Amores, o Passeio das Amazonas, o Passeio das Musas, o Passeio das Tágides e o Passeio do Adamastor, todos referentes a episódios de Os Lusíadas de Luís de Camões, bem como o Passeio da Nau Catrineta,  história do romanceiro popular recolhida por Almeida Garrett.

No que a concerne a aves e botânica locais temos o Passeio das Garças e o Passeio dos Jacarandás, assim como concernente ao próprio espaço local encontramos o Passeio da Vila Expo, o Passeio do Campo da Bola, o Passeio do Parque [ Tejo] e o Passeio do Sapal.

Finalmente, existem ainda o Passeio do Levante que evoca as terras da costa leste do Mediterrâneo e o Passeio dos Cruzados, que contribuíram para a conquista de Lisboa e de muito do território português a partir do momento em que D. Afonso Henriques quis construir e expandir o reino de Portugal.

Estacada do Arboreto

Lisboa do caminho, do casal, do sítio, do terreiro e do outeiro

Caminho da Rainha – Freguesia do Parque das Nações

Na sua toponomenclatura de cariz rural Lisboa ainda comporta para além das azinhagas, mais 17 caminhos, um casal, dois sítios, dois terreiros e mais 6 referências a eles, a que se somam ainda 4 menções a outeiros.

Dos 17 caminhos existentes, 11 são topónimos herdados pelo concelho de Lisboa já no séc. XXI em resultado da Expo 98, na maioria caminhos de terra em parques ajardinados, sendo 8 referentes a aves  – Caminho das Andorinhas, Caminho das Cegonhas, Caminho dos Estorninhos, Caminho dos Flamingos, Caminho das Gaivotas ao Parque das Nações, Caminho dos Melros, Caminho dos Pardais e Caminho dos Rouxinóis -, outros 2 a árvores Caminho do Arboreto, Caminho dos Pinheiros ao Parque das Nações – e ainda um Caminho da Rainha. Este último deve o seu topónimo à Estátua da Rainha D. Catarina de Bragança no Parque do Tejo onde o Caminho se insere que já estava na toponímia de Lisboa pelo Paço da Rainha. Esta estátua é uma réplica da original da artista Audrey Flack, realizada para celebrar o mais famoso bairro de Nova Iorque, Queens, que deve o seu nome à Rainha D. Catarina, que enquanto Rainha de Inglaterra introduziu a tradição do Chá das Cinco.

Caminho da Feiteira – Freguesia de Benfica
(Foto: José Carlos Batista)

Os outros 6 são mesmo memórias de freguesias rurais que se guardaram no tecido urbano de Lisboa: o Caminho de Palma de Cima em São Domingos de Benfica; assim como o Caminho da Feiteira  e ainda o Caminho Velho do Outeiro, um pequeno troço na junção da Estrada da Buraca com o Alto da Boavista, ambos em Benfica; o Caminho da Raposa em Caselas, na freguesia de Belém, mais o  Caminho de Baixo da Penha e o Caminho do Alto do Varejão na Penha de França.

Na Freguesia da Estrela e com início à Estrada do Loureiro  está o Casal de Colares. Restam-nos dúvidas quanto à origem do topónimo já que a planta de Francisco Goullard de julho de 1884 inclui junto à Estrada do Loureiro o Sertão e o Casal do Colares  mas outra planta municipal de 1908 já o denomina como Casal dos Colares. Será alcunha, apelido de família ou refere-se mesmo a acessórios de pescoço?…

Freguesia de Benfica – Placa Tipo IV
(Foto: José Carlos Batista)

Em Benfica e São Domingos de Benfica estão o  Sítio do Barcal e o Sítio do Calhau. O Sítio do Barcal que ainda hoje apresenta características da ruralidade das velhas quintas de recreio é um topónimo registado em documentos desde o tempo de D. Afonso II, no século XIII. Hoje, este arruamento do Bairro do Calhau termina no Largo de São Domingos de Benfica e começa num arruamento vulgarmente conhecido como Avenida 24 de Janeiro que não integra a toponímia oficial de Lisboa. O Sítio do Calhau, já em São Domingos de Benfica, resulta de um surto de povoamento no séc. XVIII devido à necessidade de mão-de-obra para a construção do Aqueduto das Águas Livres. De entre os lugares que cresceram nessa época sobressaem além do Calhau a Estrada da Luz, Bom Nome, Adeão de Baixo, Penedo, Presa, Mira, Alfarrobeira, Venda Nova, Porcalhota, Adeão de Baixo, Adeão de Cima, Borel, Feiteira, Buraca, Salgado e Pedralvas.

No que se relaciona com Terreiros, encontramos dois no Parque das Nações: o Terreiro das Ondas e o Terreiro dos Corvos ao Parque das Nações. Já memórias de terreiros noutras toponomenclaturas Lisboa ainda  tem seis. No norte da cidade, em Santa Clara, temos o Largo do Terreiro, na confluência da Azinhaga das Galinheiras, Rua Direita da Ameixoeira, Azinhaga da Torrinha e Calçada do Forte da Ameixoeira, oficializado por Edital municipal de 16/06/1928, guardando a memória do terreiro desta antiga zona rural. Já ao sul, muito perto do Tejo, na freguesia de Santa Maria Maior, temos 4 arruamentos – Escadinhas, Largo, Rua e Travessa do Terreiro do Trigo – cujo topónimo recorda o edifício do Celeiro Público ou Terreiro do Trigo pombalino, que nesta zona foi construído entre 1765 e 1768, sendo atribuída a sua autoria a Reinaldo Manuel dos Santos, arquiteto da Casa do Risco e que veio substituir o antigo celeiro do reinado de D. Manuel. E por último, na freguesia da Misericórdia, temos a Travessa do Terreiro a Santa Catarina, artéria sem saída que se abre junto à Travessa do Alcaide, que assim se denomina desde a publicação do Edital municipal de 27/02/1917, e antes era a Travessa do Terreirinho, a mostrar o diminuto tamanho do terreiro que ali seria.

Finalmente, ainda topamos com 4 menções a outeiros e outeirinhos, para além do já acima referido Caminho Velho do Outeiro. Frente ao nº 67 da Rua da Bela Vista à Lapa está a Travessa do Outeiro,  numa cota mais elevada do que a rua onde nasce, que ainda não surge nos arruamentos da freguesia de Nª Srª da Lapa em 1780. Relativo ao >Outeirinho da Amendoeira , temos o Beco em Santa Maria Maior, a ligar em escadas a Rua do Vigário ao Beco dos Paus e que de acordo com Luís Pastor de Macedo, se refere a um outeiro já mencionado em 1465 onde eram moradores o almocreve João Anes e a sua mulher Catarina e que  após a remodelação paroquial de 1780 já aparece na Freguesia de Santo Estêvão  como «o becco intitullado o Outeiro da Amendoeira». Em  São Vicente, está o Largo do Outeirinho da Amendoeira que vai do Campo de Santa Clara à Cruz de Santa Helena, e que segundo Norberto de Araújo teria sido a Rua do Arco Pequeno, onde assentou o Postigo do Arcebispo, da muralha fernandina. Ainda em São Vicente, temos o Outeirinho do Mirante, a ligar a Rua do Mirante à Rua de Entre Muros do Mirante e nas proximidades do Beco do Mirante.

Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Mário Marzagão)

Publicações municipais de toponímia sobre o Prof. Moniz Pereira e o Visconde de Alvalade

As publicações municipais de toponímia referentes à Rua Prof. Moniz Pereira e à Rotunda Visconde de Alvalade, hoje distribuídas no decorrer das inauguração oficiais destes arruamentos, na Freguesia do Lumiar, já estão online.

É só carregar nas capas abaixo e poderá ler.

 

Caso queira conhecer publicações anteriores poderá ir às Publicações Digitais do site da CML e escolher o separador Toponímia.

Ou no topo do nosso blogue carregar em 3 – As nossas Edições.

As Estradas e as Circulares da toponímia oficial de Lisboa

Estrada de Benfica –
Freguesias de Benfica, São Domingos de Benfica e Campolide
(Foto: Sérgio Dias)

Lisboa é um concelho que ainda comporta na sua toponomenclatura 38 Estradas e também 2 Circulares. Estas últimas só existem nos Olivais, em redor da Praça do Norte e da Praça das Casas Novas do Bairro da Encarnação e as Estradas surgem nas freguesias que formam a coroa circular de Lisboa, não existindo por isso nas freguesias mais antigas do casco velho da cidade como Arroios, Santo António, Misericórdia, Santa Maria Maior, São Vicente, bem como nas freguesias do Areeiro e de Alcântara. A sua toponímia refere-se aos locais que lhe estão próximos, sobretudo por fixação da memória e apenas poucas vezes em resultado de uma deliberação municipal.

Estrada, do latim strata, é um caminho geralmente empedrado ou alcatroado, onde podem transitar veículos, pessoas ou animais. Circular também provém do latim circularis e designa uma via que circunda uma zona urbana ou liga zonas periféricas, sem passar pelo centro, o que é equivalente a circunvalação e se repararmos no conjunto das freguesias por onde passa a Estrada da Circunvalação –  Belém, Benfica ,  Carnide , Olivais e Santa Clara – está explicada a origem do seu nome.

A Circular Norte e a Circular Sul, ambas no Bairro da Encarnação e ambas atribuídas pelo Edital municipal de 27/11/1957 à Rua K e à Rua J do Bairro da Encarnação, contornam a urbanização da autoria do Arqº Paulino Montez, construída de 1940 a 1943.

Na freguesia de Carnide, encontramos a Estrada da Pontinha que servia de ligação à quinta do mesmo nome, que existia, pelo menos, desde 1657, mas que ao longo dos séculos foi tendo o seu nome alterado de acordo com os seus proprietários – Quinta dos Brasileiros e Quinta dos Valadares no séc. XVIII – tendo-se fixado como Quinta da Pontinha no séc. XIX. A   Estrada da Correia é posterior a esta e tal como da Ruas do Machado ou do Cascão, está provavelmente ligado a algum habitante local. Carnide reparte ainda com Benfica a Estrada do Poço do Chão e com São Domingos de Benfica a Estrada da Luzderivada do Sítio da Luz.

Já a freguesia de Benfica, possui a Estrada dos Arneiros; a Estrada do Calhariz de Benfica que  deriva do sítio do Calhariz conhecido desde o séc. XIV; a Estrada de A-da-Maia que era ortograficamente identificada como Estrada da Damaia até um  parecer da Comissão Municipal de Toponímia de 18/01/1944, repor Estrada de A – da – Maia, derivada do sítio A-da-Maia que tal como Alfornel, Alfragide, Barcal, Calhariz, Falagueira, Granja, Louro, Monsanto, Reboleira, Safardom, Vale Melhorado e Vale de Tareja, eram lugares da freguesia de Benfica já no início do século XV; a Estrada da Buraca que remonta à 2ª metade do séc. XVIII; a Estrada das Garridas derivada da Quinta das Garridas; a Estrada da Portela que liga a Estrada da Circunvalação ao Alto da Boavista; e a Estrada de Monsanto que resulta de uma deliberação camarária de 20/08/1896 e ganha o nome da Serra de Monsanto que nessa época ainda era coberta por searas e pastos para gado.

Com São Domingos de Benfica e Campolide, Benfica reparte a Estrada de Benfica que foi a Estrada Real nº 82 até o Edital municipal de 08/06/1889 a tornar toponímia lisboeta. Por seu turno, São Domingos de Benfica também partilha com a freguesia das Avenidas Novas a Estrada das Laranjeiras, memória da  Quinta das Laranjeiras.

Freguesia de Belém – Placa Tipo IV
(Foto: José Carlos Batista)

Ainda sobre Benfica , esta freguesia partilha com as freguesias de Belém  e da  Ajuda a Estrada de Queluz,  compreendida entre a Avenida das Descobertas e o Caramão da Ajuda, um topónimo oficializado pela edilidade lisboeta por Edital de 26-09-1916, no qual assumiu os topónimos herdados do extinto concelho de Belém.

Estrada do Forte do Alto do Duque é um topónimo belenense evocativo da quinta do Duque do Cadaval que existia já no séc. XVII e onde viria a ser construído em 1865 o Forte do Alto do Duque que foi oficializado pelo edital municipal de 24/04/1986. A freguesia de Belém reparte ainda com a  Ajuda a Estrada de Caselas,  sítio já referido  em 1373, na  doação de terras que D. Fernando fez  a Gonçalo Tendeiro, capitão-mor da Frota Real; assim como a Estrada Velha do Caselas que por Edital municipal de 16/01/1929 se passou a denominar  Estrada da Cruz.

A Ajuda conta com a Estrada dos Marcos, denominação antiga herdada do concelho de Belém e oficializada Câmara Municipal de Lisboa no Edital de 26/09/1916, bem como com a Estrada de Pedro Teixeira, derivada da proximidade ao Casal Pedro Teixeira – de que hoje resta apenas um exemplar de arquitetura setecentista com as originais chaminés octogonais- , propriedade de um criado e confidente particular do rei José I, particularmente no caso dos amores com a Marquesa de Távora.

Campo de Ourique e a Estrela partilham a Estrada dos Prazeres cujo nome advém da Ermida de Nossa Senhora dos Prazeres que deu o nome a uma extensa Quinta pertencente então ao Conde da Ilha do Príncipe. A freguesia da Estrela possui ainda a Estrada do Loureiro, nome também derivado de uma Quinta: a do Loureiro.

A freguesia de Santa Clara, comporta 6 Estradas que são só suas: a Estrada de São Bartolomeu,  também por vezes denominada como Estrada da Ameixoeira à Charneca ou Estrada da Charneca, oficialmente consignada por Edital municipal de 12/10/1891 devendo o seu nome à antiga paróquia local de São Bartolomeu da Charneca, cujo registo mais antigo está datado de 1583; a Estrada do Poço de Baixo que deriva o seu nome de um poço profundo que o povo da Charneca abriu em 1619, que foi chamado o Poço de Baixo; a Estrada do Forte da Ameixoeira que também foi conhecida como Estrada de serventia para o reduto da Ameixoeira e o se nome deriva do Forte de D. Carlos I, popularmente conhecido como forte da Ameixoeira, erguido no final do século XIX; a Estrada do Manique, da Quinta do Manique; a Estrada da Póvoa que conduz à Rua dos Eucaliptos às Galinheiras e a Estrada do Pisa Pimenta, da Quinta do Pisa-Pimenta, já referida antes de 1712 como a Quinta Nova, a de Manique, Alto, Altinho, Carrapata, Policarpo e Granja, que desapareceram com a construção do aeroporto a partir de 1940.

Santa Clara ainda partilha com o Lumiar mais duas: a Estrada do Desvio , cujo nome espelha mesmo que é um desvio pelo Lumiar para fugir ao trânsito na Calçada de Carriche e permitir o descongestionamento desta, já que grosso modo, esta Estrada corre paralela à Calçada de Carriche; e a Estrada da Ameixoeira, cuja  situação de lugar retirado, escondido até, ainda no início do século XX e até 1928, a tornava um sítio preferido para a realização de duelos, de «lavagens da honra ofendida», como por exemplo o duelo que opôs Afonso Costa ao Conde de Penha Garcia, em 14 de julho de 1908.

O Lumiar tem ainda três vias com esta toponomemclatura: a Estrada do Lumiar, a Estrada de Telheiras do sítio de Telheiras (ou Teleiras ou Tilheyras) – que significa fábrica de telha ou olaria – que já aparece referido cerca de 1220 por lá estar sediado o Mosteiro de São Vicente de Fora e a Estrada da Torre que advém da Torre do Lumiar, do séc. XVI. Lumiar reparte ainda com Carnide a Estrada do Paço do Lumiar que faz referência ao Paço do Infante D. Afonso Sanches, que no reinado de D. Afonso IV tomou esta designação, a qual acabou por abranger a povoação vizinha.

A Freguesia de Alvalade tem no Bairro de São de Brito a Estrada da Portela que começa na Rua Engenheiro Manuel Rocha e cujo traçado ainda na planta municipal de 1950 estava identificada como Estrada da Portela de Sacavém.

Na zona oriental de Lisboa, as freguesias da Penha de França,  Beato e Marvila partilham a Estrada de Chelas, assim a Estrada de Marvila se reparte por Beato e Marvila. Finalmente, na freguesia do Parque das Nações, encontramos a Estrada de Moscavide, fixada pelo Edital de 15/03/1950 que ainda em 1907 se designava Rua Direita de Moscavide.

Estrada de Benfica –
Freguesias de Benfica, São Domingos de Benfica e Campolide
(Foto: Sérgio Dias)

As quietas Travessas de Lisboa

Freguesia da Estrela  – Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias)

Lisboa tem hoje 361 Travessas. Só as Freguesias do Areeiro e de Marvila não possuem nenhuma. A Travessa é uma rua estreita, secundária e transversal a duas outras artérias principais que põe em comunicação e, a sua toponímia é na sua grande maioria antiga e vinculativa das vivências locais.

Assim, começamos por mencionar as Travessas cujo topónimo é igual a uma Rua, Calçada ou Largo próximo, mesmo se no decorrer do tempo foi substituído por outro, que são 104. São disso exemplo a Travessa da Cruz da Era ( Benfica ), a Travessa de Palma ( São Domingos de Benfica ), a Travessa da Luz ( Carnide ), a Travessa dos Jerónimos ( Belém ), a Travessa Dom João de Castro (Ajuda), a Travessa Artur Lamas ( Belém, Alcântara ), a Travessa do Calvário (Alcântara), a Travessa dos Prazeres ( Campo de Ourique ), a Travessa do Possolo ( Estrela ), a Travessa de São Paulo ( Misericórdia ), a Travessa da Glória (Santo António), a Travessa da Cruz do Torel (Santo António, Arroios), a Travessa de Dona Estefânia,  a Travessa do Desterro ( Arroios , Santa Maria Maior ), a Travessa de Santa Luzia ( Santa Maria Maior ), a Travessa de São Tomé ( Santa Maria Maior, São Vicente ), a Travessa de Santa Marinha ( São Vicente ), a Travessa do Alto do Varejão (Penha de França),  a  Travessa da Picheleira ( Beato ), a Travessa de São Sebastião da Pedreira (Avenidas Novas), a Travessa do Pote de Água ( Alvalade ), a Travessa do Alqueidão (Lumiar) e a Travessa de São Bartolomeu (Santa Clara).

Também alguns becos viram ao longo do tempo a sua toponomemclatura ser mudada para Travessa, quer por pedido dos residentes, quer por as suas características urbanísticas se terem modificado.  Neste caso, encontramos 19 Travessas, como por exemplo, Travessa de Paulo Jorge (Belém), Travessa do Chafariz (Ajuda), Travessa do Livramento (Alcântara), Travessa do Barbosa (Campo de Ourique),  Travessa do Norte à Lapa (Estrela), Travessa do Carvalho ( Misericórdia ), Travessa do Chão da Feira (Santa Maria Maior), Travessa de Gaspar Trigo (  Santa Maria Maior, Arroios ), Travessa da Pena (Arroios), Travessa dos Remédios ( São Vicente , Santa Maria Maior ), Travessa de Santo André à Ameixoeira (Santa Clara).

Freguesia da Estrela – Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias)

Já as Travessas cujas características e o local onde estão inseridas se reproduz no topónimo são 118. Escolhendo uma por freguesia podemos apontar como exemplos a Travessa do Poço (Parque das Nações),  a Travessa dos Buracos (Olivais), a Travessa de Santo António (Santa Clara), a Travessa do Canavial (Lumiar), a Travessa do Jogo da Bola (Carnide), a  Travessa do Rio (Benfica), a Travessa das Águas-Boas (São Domingos de Benfica), a Travessa do Espírito Santo ( São Domingos de Benfica , Avenidas Novas ), a Travessa do Rio Seco ( Ajuda ), Travessa da Memória ( Ajuda , Belém ), Travessa dos Algarves ( Belém ), a Travessa da Praia ( Alcântara ), a Travessa da Rabicha ( Campolide ), a Travessa de Cima dos Quartéis ( Campo de Ourique ), a Travessa do Convento das Bernardas (Estrela), a Travessa da Fábrica dos Pentes (Santo António), a Travessa do Poço da Cidade (Misericórdia), a Travessa do Cotovelo( Misericórdia , Santa Maria Maior ), a Travessa dos Teatros ( Santa Maria Maior ), a Travessa do Hospital ( Santa Maria Maior , Arroios ),  Travessa do Forno do Maldonado ( Arroios ), Travessa do Açougue ( Santa Maria Maior , São Vicente ), Travessa do Recolhimento de Lázaro Leitão (São Vicente).

Freguesia de Santo António – Placa de Azulejo
(Foto: Mário Marzagão)

Também as figuras com relevância local deram o seu nome a 72 Travessas. No seguimento de uma por freguesia, destacamos a Travessa do Morais ( Lumiar ), a Travessa do Pregoeiro (Carnide), a Travessa do Desembargador (Belém), a Travessa do Machado ( Ajuda ), a Travessa do Conde da Ponte (Alcântara), a Travessa de Estêvão Pinto ( Campolide ), a Travessa do Pasteleiro ( Estrela ), a Travessa do Fala-Só (Santo António), a  Travessa dos Inglesinhos (Misericórdia),  a Travessa do Almada (Santa Maria Maior), a Travessa do Torel (Arroios), a Travessa das Mónicas ( São Vicente ) e a Travessa do Calado (Penha de França).

Mas também figuras com relevância nacional foram colocadas em 12 Travessas, em épocas em que a carência de novos arruamentos se fazia sentir em Lisboa. Na Ajuda, pelo Edital de 07/08/1911, foi  Travessa Silva Porto, com a legenda «Herói de Ultramar/1817 – 1890» e a  Travessa Rui de Pina (um cronista do séc. XV ao serviço de D. João II).  Em Alcântara, pelo Edital de 27/04/1914 foi a vez da Travessa Teixeira Júnior, um jornalista republicano. Cerca de 12 anos depois foi a vez do Edital de 18/06/1926 atribuir em Benfica as Travessas Abade Pais, Miguel VerdialSargento Abílio, todos participantes do 31 de Janeiro de 1891, o escritor e polemista de jornais absolutista com a Travessa de José Agostinho de Macedo, um compositor com a Travessa Marques Lésbio e um pintor com a  Travessa de Francisco Rezende. Seis dias depois foi o Edital que 24/06/1926 que colocou em Alvalade a Travessa Henrique Cardoso, jornalista que também participou no 31 de Janeiro de 1891. E cerca de dois meses depois, pelo Edital de 20/08/1926, foi a vez de colocar o compositor e fundador dos Bombeiros Voluntários Guilherme Cossoul numa Travessa da hoje freguesia da Misericórdia. E finalmente, pelo Edital de  03/11/1986, em São Domingos de Benfica, foi atribuída a  Travessa Carlo Paggi, que homenageia um diplomata genovês do séc. XVII que publicou a sua tradução de Os Lusíadas em 1658. Aqui podemos juntar uma 13ª Travessa que trata de uma associação nacional, a Travessa do Vintém das Escolas em Benfica, atribuída pelo Edital de 14/10/1915, sendo Vintém das Escolas uma associação criada no Porto em 1901, para recolher por todo o país contribuições individuais de um vintém (20 réis) e assim reunir fundos destinados a um vasto movimento em benefício da instrução e educação das classes menos privilegiadas, dirigida por Francisco Gomes da Silva, Filipe da Mata e Heliodoro Salgado, entre outros.

Freguesia do Parque das Nações
(Foto: Sérgio Dias)

A freguesia do Parque das Nações tem ainda algumas peculiaridades nas suas Travessas herdadas da Expo 98. Tem 6 dedicadas a personagens da literatura, da banda desenhada e à mascote da Expo 98 – Travessa Corto MalteseTravessa do Gulliver, Travessa Robinson Crusoé, Travessa Sandokan, Travessa Sinbad, o Marinheiro Travessa do Gil – , mais 4 que fixam especiarias que os portugueses comerciaram a partir dos Descobrimentos – Travessa da Canela, Travessa da Malagueta, Travessa do Açafrão, Travessa do Gengibre – e ainda outras 3 referentes a aves: Travessa das Corujas, Travessa dos Mochos e Travessa dos Pintassilgos. 

Existem ainda em Lisboa outras 7 Travessas de universo florais que quando são usadas e não correspondem à flora local indicam a colocação de uma toponímia a que propositadamente não se quer dar sentido. São elas a  Travessa da Giesta, a Travessa do Alecrim, a Travessa da Madressilva, a Travessa da Verbena e a Travessa das Verduras na Ajuda;  a Travessa do Jasmim na Misericórdia e a Travessa das Flores em São Vicente.

Restam 12 Travessas cuja origem é um mistério e sobre as quais se podem levantar as mais variadas hipóteses. A Travessa da Galé em  Alcântara refere uma prisão ou um barco?… As outras onze são a Travessa das Florindas na  Ajuda, a Travessa da Paz e a Travessa do Castro na Estrela, a Travessa da Água-da-Flor, a Travessa da Cara, a Travessa da Arrochela, a Travessa da Espera e a Travessa da Portuguesa, todas na Misericórdia, a Travessa da Légua da Póvoa e a Travessa do Despacho em  Santo António e a Travessa da Amorosa, repartida pela  Penha de França e Beato.

Freguesias da Penha de França e do Beato – Placa de Azulejo
(Foto: Mário Marzagão)