Pedro Bandeira Freire, fundador do Quarteto, numa Rua do Lumiar

Freguesia do Lumiar
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Com a legenda «Fundador do Cinema Quarteto/1939 – 2008», ficou Pedro Bandeira Freire a ser o topónimo da Rua Particular à Alameda das Linhas de Torres, desde a publicação do Edital municipal de 17 de março de 2017.

O cinéfilo Pedro Bandeira Freire, que fundou o Cinema Quarteto em 1975, ficou assim perpetuado na artéria da Freguesia do Lumiar que une a Alameda das Linhas de Torres à Rua Fernando Vaz, nas proximidades de diversos topónimos ligados ao Cinema, que ali foram sendo atribuídos desde que a Rua da Tobis Portuguesa ali nasceu em 1993.

Pedro Bandeira Freire (Lisboa/02.08.1939 – 16.04.2008/Lisboa), aluno do Colégio Militar, foi uma figura marcante da cultura lisboeta, que com o escritor Almeida Faria como sócio  fundou o cinema Quarteto, o primeiro complexo de quatro salas em Lisboa e no país,  com 716 lugares, em 21 novembro de 1975, no nº 16 da Rua Flores do Lima, traçado pelo Arqt.º Nuno San-Payo.

O Quarteto que usava  justamente o slogan «4 Salas / 4 Filmes», graças à programação de Pedro Bandeira Freire divulgou o mais importante cinema europeu e americano dos anos 70 e deu a conhecer em Portugal realizadores como Scorsese, Godard ou Fassbinder. Na memória dos lisboetas ficaram a exibição de A Religiosa (1967) de Jacques Rivette, um dos mais espantosos sucessos cinematográficos do pós 25 de Abril e o 2º maior êxito do Quarteto; a estreia de Martin Scorcese em Portugal com  Taxi Driver  , a partir de 15 de abril de 1977; o All That Jazz (1980) de Bob Fosse, em exclusivo e nas quatro salas, o maior êxito de sempre do Quarteto; até às maratonas de 24 horas de cinema.

Sempre amante de cinema, Pedro Bandeira Freire realizou a curta-metragem Os Lobos (1978) e o episódio televisivo O Lobisomem (1979); foi ator no Passarinho da Ribeira (1959) de Augusto Fraga e em A Bela e a Rosa (1983) de Lauro António, assim como em A Crónica dos Bons Malandros (1984), de Fernando Lopes, a partir do livro homónimo de Mário Zambujal; bem como argumentista de A Balada da Praia dos Cães (1987) de José Fonseca e Costa, a partir do romance de José Cardoso Pires; para além de ter sido crítico de cinema a partir dos anos 60,  jurado em festivais de cinema nacionais e estrangeiros, como o Internationale Filmfestspiele Berlin, colaborador da imprensa, rádio e televisão – escreveu textos para o concurso da RTP A Visita da Cornélia (1977)-, tendo exercido inclusivamente funções de consultor de cinema na RTP.

Sempre ligado à cultura de Lisboa e conhecido pelo seu sentido de humor, Pedro Bandeira Freire também  fundou a Livraria Opinião e escreveu vários livros de poesia –  como A Cidade e a Criação (1973), A linguagem do gesto (1974), Do Olhar à Palavra (1975) -, o romance Boca a boca (1998), e peças de teatro, publicadas quase na totalidade na colecção de teatro da SPA (Sociedade Portuguesa de Autores) – como O Embaixador Sem Medo (1974), As Lágrimas e os Tubarões Assinalados (1975)-Teatro, Nome de Jogo (1975) que foi Prémio Nacional da SPA ou a comédia musical Felizardo e Companhia. Modas e Confecções (1978) com Raul Solnado -, escreveu letras de canções para nomes como Simone de Oliveira e ainda deixou o volume de memórias Entrefitas e Entretelas (2007).

Pedro Bandeira Freire foi pai de Diogo, a criança que todos lembramos num cartaz do 25 de Abril a colocar um cravo no cano de uma G3.

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