Galileu Galilei

Galileu Galilei, considerado o pai da ciência moderna, desde 2008 que tem o seu nome perpetuado em Lisboa, na que era a Rua Sul (Centro Comercial Colombo). Pelo mesmo Edital de 3 de julho de 2008 a edilidade lisboeta evocou nas proximidades mais dois cientistas, com a Rua Albert Einstein (na Rua Norte) e a Rua Aurélio Quintanilha (na Rua Poente).

Galileu Galilei (Itália-Pisa/15.02.1564 — 08.01.1642/Florença-Itália) foi um catedrático de matemática, físico, astrónomo e filósofo italiano que deu início ao método científico como hoje o conhecemos, sem se basear já na metodologia aristotélica. As suas invenções e descobertas, desenvolvidas entre os séculos XVI e XVII, vieram alterar o conhecimento e a relação do homem com o mundo.

Galileu melhorou significativamente o telescópio refrator e com ele descobriu as manchas solares, as montanhas da Lua, as fases de Vénus, quatro dos satélites de Júpiter, os anéis de Saturno e as estrelas da Via Láctea, e como resultado destas observações publicou em 1610 Siderius Nuncius (Mensageiro das Estrelas). Estas descobertas contribuíram decisivamente para defender que era a Terra que girava à volta do Sol e não o contrário, sistema que já o astrónomo polaco Copérnico havia defendido. Em 1616, a Inquisição pronunciou-se contra a ideia do Sol ser o centro do Universo e considerou herética a teoria heliocêntrica, pelo que Galileu foi proibido falar do heliocentrismo como realidade física e foi convocado ao Tribunal do Santo Ofício, que concluiu que não existiam provas suficientes para concluir afirmar que a Terra se movia em volta do Sol e admoestou Galileu a abandonar a defesa da sua teoria heliocêntrica. Inconformado, Galileu Galilei publicou em 1632 o livro Dialogo di Galileo Galilei sopra i due Massimi Sistemi del Mondo Tolemaico e Copernicano (“Diálogo sobre os dois principais sistemas do mundo – o ptolemaico e o copernicano”), a defender o heliocentrismo, escrito originalmente em italiano e não em latim como era habitual à época tornando-o assim acessível a um universo mais vasto de leitores, para além dos seus pares, alguns dos quais viam com desconfiança as suas teorias. Esta obra foi incluída no Index (lista dos livros proibidos pela Igreja), pelo que foi julgado e condenado a prisão e a abjurar as suas ideias, tendo passado os seus últimos anos de vida em prisão domiciliária.

Galileu desenvolveu também os primeiros estudos sistemáticos do movimento uniformemente acelerado e do movimento do pêndulo, descobriu a lei dos corpos e, enunciou o princípio da inércia e o conceito de referencial inercial, ideias precursoras da mecânica de Newton, assim como inventou novos instrumentos como a balança hidrostática, um tipo de compasso geométrico que permitia medir ângulos e áreas, um termómetro que ficou conhecido pelo seu nome e, foi o precursor do relógio de pêndulo.

A atividade de Galileu Galileu permitiu avanços irreversíveis e foi ponto de partida para novos progressos científicos, sobretudo a partir do recurso ao método da experimentação sistemática cruzando teorias e práticas de vários domínios do saber.

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Régio, «As Encruzilhadas de Deus» e a Alameda António Sérgio

Publicado em 1936
(Imagem: © CER)

José Régio publicou em 1936 As Encruzilhadas de Deus, com capa e desenhos do seu irmão Júlio, nas Edições Presença – Atlântida de Coimbra e enviou esta obra a António Sérgio que lhe retribuiu com o seu parecer, em carta datada de 21 de setembro de 1936, escrita na Pensão Colaço de Alcoentre, sendo sabido que os dois escritores se corresponderam entre 1933 e 1958.

Desde a estreia de Régio em 1926 com Poemas de Deus e do Diabo, que o poeta vilacondense terá delineado manter a temática religiosa e foi assim reunindo os poemas que produzia neste âmbito, para intitular «Novos Poemas de Deus e do Diabo» mas de que acabou por resultar cerca de dez anos o novo título de 1936, por muitos considerado uma obra-prima com a sua poesia torrencial, reflexiva, lírica e dramática. Também em 1926, de  23 a 26 de abril, realizaram-se na Lusa Atenas sessões de divulgação da Seara Nova, dinamizadas por António Sérgio, a que  José Régio assistiu tendo depois colaborado na revista até 1940, ano em que António Sérgio e Mário de Azevedo Gomes abandonaram a da revista embora António Sérgio tenha regressado em 1947 e Régio em 1949, no n° 1116, de 28 de maio de 1949. Nesse ano de 1949, José Régio escreveu o artigo «O recurso ao medo», anunciado pelo jornal República de 16 de Janeiro, acabando por ser publicado num pequeno volume de 64 páginas dos Serviços Centrais da Candidatura de Norton de Matos, com o título genérico de «Depoimento contra Depoimento», numa clara alusão ao discurso «O meu Depoimento», de Salazar, de 7 de janeiro de 1949, no Palácio da Bolsa do Porto.

(Foto: © CER)

António Sérgio, cujo cinquentenário da morte passa este ano, deu nome à Alameda António Sérgio na Freguesia de Santa Clara, onze anos após o seu falecimento, artéria que liga a Rua Jorge de Sena à Rua Vitorino Nemésio, atribuída através da publicação do Edital municipal de 23 de abril de 1980, na via identificada urbanisticamente como Impasse 1 e 2 da Quinta de Santa Clara à Ameixoeira.

António Sérgio de Sousa Júnior (Índia – Damão/03.09.1883 – 12.02.1969/Lisboa) foi um importante pensador do século XX, que em Portugal lançou a ideia do Cooperativismo, mas cuja vasta obra abarca também a teoria do conhecimento e a filosofia política, a pedagogia e a filosofia da educação, assim como a filosofia da história. Radicado em Lisboa desde 1893,  estudou no Colégio Militar, na Escola Politécnica e na Escola Naval, tendo sido oficial da Marinha Portuguesa até 1910.

A partir da implantação da República em 1910, António Sérgio dedicou-se ao mundo editorial, como colaborador da revista Águia (1910), onde conheceu Teixeira de Pascoais e Fernando Pessoa, para no ano seguinte ser o diretor da revista Serões. Em 1918-1919 ( durante o consulado sidonista), fundou e dirigiu a revista Pela Grei, para a qual convocou diversos especialistas para apresentar um programa de Fomento Nacional; a partir de 1923, colabora na revista Seara Nova, como membro da direção  com Raúl Proença e Jaime Cortesão, sendo assim convidado para ministro da Instrução no governo de Álvaro de Castro, onde se manteve apenas dois meses, tempo que lhe foi suficiente para criar o ensino para deficientes, o cinema educativo e o Instituto Português para o Estudo do Cancro (decreto de 29/12/1923).

Integrou também o grupo da Biblioteca Nacional a partir do qual  lançará em 1924 a revista Lusitânia (1924), sendo  mais tarde o diretor da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Depois, residiu na Travessa do Moinho de Vento, no Bairro da Lapa, de 1926 a 1969,  numa habitação traçada pelo Arqt.º Raúl Lino, com excepção do exílio parisiense de 1926 a 1933.

Por outro lado, António Sérgio para além de teórico de pedagogia foi também professor, quer ao ministrar lições particulares na residência de alunos durante o exílio parisiense – após a subida ao poder de António Oliveira Salazar e, de onde passou para Madrid, até ter sido abrangido por uma amnistia- quer em Portugal, como docente de português no Liceu  Pedro Nunes e da Universidade de Santiago de Compostela, em 1932.

Da sua vasta obra destaquem-se Notas sobre os Sonetos e as Tendências Gerais da Filosofia de Antero de Quental (1909), Educação Cívica (1915), Bosquejo da História de Portugal (1923), O Desejado (1924), O Seiscentismo (1926), História de Portugal (1926), Cartesianismo Ideal e Cartesianismo Real (1937), Introdução Actual ao Problema Cooperativista (1937), Antero de Quental e António Vieira (1948), Antologia Sociológica (1956), oito volumes de Ensaios (1920-1958) e Democracia (edição póstuma em 1974).

A título póstumo foi agraciado com a Ordem da Liberdade (Grande Oficial em 30 de junho de 1980) e a Ordem Militar de Sant’Iago da Espada (Grande Oficial em 3 de agosto de 1983) e nessa mesma década, a sua casa da Lapa, passou a servir a Biblioteca do INSCOOP e a Biblioteca António Sérgio, para além do seu nome ser o de um Prémio Cooperação e Solidariedade que a CASES criou em 2012 para distinguir pessoas singulares ou coletivas na Economia Social.

Na sua vida pessoal, António Sérgio casado com Luísa Epifâneo da Silva que chegou a assinar escritos pedagógicos como Luísa Sérgio.

Carta de António Sérgio a José Régio (Foto: © CER)
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Os correspondentes José Régio e Jorge de Sena na toponímia de Lisboa

Na Livraria Leitura, no Porto, (da esquerda para a direita) Eugénio de Andrade, José Régio e Jorge de Sena (Foto: © CER)

José Régio tinha mais 18 anos que Jorge de Sena (que na Presença assinava como Teles de Abreu) mas tal não impediu que os dois escritores tivessem trocado inúmera correspondência ao longo da vida de ambos, que foi reunida por Mécia de Sena e editada pela primeira vez em 1986, tal como ambos se encontram homenageados na toponímia de Lisboa através da Avenida José Régio e da Rua Jorge de Sena.

Cinco meses após o seu falecimento, Jorge de  Sena  foi colocado como topónimo da Rua A da Quinta de Santa Clara à Ameixoeira, na  Freguesia de Santa Clara, enquanto na Rua B ficava Vitorino Nemésio, ambos através de Edital municipal de 20 de novembro de 1978.

De seu nome completo Jorge Cândido Alves Rodrigues Telles Grilo Raposo de Abreu de Sena (Lisboa/02.11.1919 – 04.06.1978/Santa Barbara – E.U.A.), que este ano cumpre o centenário de nascimento, foi um engenheiro de formação que se distinguiu com escritor e professor universitário, ensaísta e historiador da cultura, pelo que desde 2009 os seus restos mortais passaram a repousar em Lisboa, num jazigo do Cemitério dos Prazeres.

Em  março de 1938 era Jorge de Sena um Cadete da Escola Naval quando em foi demitido da Marinha por motivos políticos, tema que ele abordará em Sinais de fogo. Em 1944 concluiu a sua licenciatura em Engenharia Civil na Universidade do Porto e foi depois trabalhar para a Junta Autónoma de Estradas, de 1948 a 1959. Mas nesse mesmo ano de 1959, por causa da ditadura, partiu para o exílio e nunca mais regressou a Portugal a não ser para participação em eventos. Fixou-se no Brasil, receando as perseguições políticas resultantes de uma falhada tentativa de golpe de estado, a 11 de março desse ano, em que esteve envolvido.

No Brasil, Jorge de Sena exerceu como engenheiro e professor de engenharia  em algumas universidades, mas em paralelo doutorou-se em Letras, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara (em São Paulo) em 1964, momento a partir do qual fez uma reconversão profissional e se dedicou ao ensino da literatura. Em 1965, partiu com Mécia de Sena e os nove filhos de ambos, para os Estados Unidos da América, por temor do golpe militar ocorrido no Brasil no ano anterior e aí foi docente na Universidade de Wisconsin, onde se tornou  professor catedrático em 1967, passando depois para a Universidade de Santa Barbara (1970), onde também exerceu funções do diretor do Departamento de Espanhol e Português e do Programa de Literatura Comparada.

Na sua obra literária estreou-se em 1942  com Perseguição e construiu uma obra multifacetada que soma mais de vinte coletâneas de poesia, uma tragédia em verso, uma dezena de peças em um ato, mais de 30 contos, uma novela e um romance, cerca de 40 volumes dedicados à crítica e ao ensaio – com destaque para os estudos sobre Camões e Pessoa-, à história e à teoria literária e cultural -com trabalhos pioneiros sobre o Maneirismo-, ao teatro, ao cinema e às artes plásticas, sem esquecer que traduziu duas antologias gerais de poesia, da Antiguidade Clássica aos Modernismos do século XX assim como autores de ficção como Faulkner, Hemingway, Graham Greene, teatro de Eugene O’Neill e ensaios de Chestov. Do conjunto da sua obra, destacamos os títulos As evidências (1955), Metamorfoses (1963), Peregrinatio ad loca infecta (1969), O Indesejado (1951), Novas andanças do demónio (1966), Os Grão-Capitães (1976), O físico prodigioso(1977) e Sinais de fogo (1979). O seu espólio foi doado pela família à Biblioteca Nacional em 2009.

Jorge de Sena foi ainda cofundador do grupo de teatro Os Companheiros do Páteo das Comédias, em 1948, e colaborador, nesse mesmo ano, de António Pedro, no programa de teatro radiofónico Romance Policial, no Rádio Clube Português; conferencista; crítico de teatro e de literatura em diversos jornais e revistas; comentador de cinema; diretor de publicações como os Cadernos de Poesia e coordenador editorial da revista Mundo Literário; consultor literário da Livros do Brasil (em Lisboa) e da Editora Agir (no Rio de Janeiro).

 

Rua Jorge de Sena na Freguesia de Santa Clara

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Alameda Padre Álvaro Proença

Alameda Padre Álvaro Proença, topónimo atribuído por Edital de 28 de Fevereiro de 1984 a um arruamento da freguesia de Benfica

Álvaro Proença (1912-1983). Padre, professor e escritor. Ordenou-se padre após o curso feito no Seminário de Santarém. Nos anos 40 do século XX, foi professor na Casa Pia de Lisboa e na Escola Industrial Afonso Domingues (Marvila). A sua carreira eclesiástica desenrolou-se na área de Lisboa tendo sido Capelão Naval, Capelão da Casa Pia de Lisboa, Reitor da Igreja da Madre de Deus e pároco de Santa Maria de Loures. Enquanto esteve à frente desta paróquia interessou-se pela história local, tendo publicado em 1940, Subsídios para a história do Concelho de Loures. No ano seguinte escreve Como o povo reza: etnografia, em 1940, Raínha Nossa: coro falado, e em 1949 A grande colheita: coro falado para a festa das colheitas. Por toda a década de 50 publicará várias pequenas obras dedicadas à catequese de jovens e à oração: A nossa oração, Compêndio de Religião e Moral, Nossa Mãe e nossa Vida, Nossa Fé e nossa Lei, A hora triunfal: coro falado e Missal da Juventude.

A partir de 1955 é nomeado pároco de Nossa Senhora do Amparo de Benfica, lugar que manterá até à sua morte em 1983. Dedica-se à sua paróquia promovendo uma renovação da vida paroquial. Logo nesse ano funda o Boletim da Família Paroquial de modo a aproximar a igreja dos seus fiéis. Em 1958, lança o primeiro peditório para a construção dum Centro Paroquial e Social, a ser edificado no lado poente da Igreja, o que se veio a realizar, depois de apresentados vários projectos, em 1959, e terminada a segunda fase em 1964. O Centro destinava-se às actividades próprias da vida paroquial (cartório, casa paroquial, etc.), mas também, previa, desde o início, uma Creche, Jardim Infantil, Biblioteca, Salas de Aulas e Salão Paroquial. É durante o seu ministério que se iniciam os Cursos de Preparação para o Matrimónio, que se institui a Obra da Sagrada Família (para a promoção da oração em família), que se cria o Grupo de Recepção e Acolhimento, se formaliza o grupo de Leitores para a Eucaristia, e se cria o Apoio Pastoral que ainda hoje funcionam. A partir das emissões de televisão, em 1957, cria também um dos primeiros Cineclubes de Lisboa, que funcionava na paróquia.

Mas o seu interesse por Benfica levou-o igualmente, à semelhança do que já havia feito para Loures, a investigar a história desta freguesia. Em 1964 saiu a sua grande obra: Benfica através dos tempos. O Padre Álvaro Proença, ao longo de quase 600 páginas, procurou fazer a história da paróquia, da sua igreja, mas também do seu povo, usos e costumes, de aspectos da vida social, do património edificado da freguesia, das feiras e festas, entre outros temas. Benfica através dos tempos tornou-se, assim, uma obra fundamental para quem quer estudar esta zona e um excelente exemplo de como a olisipografia se pode dedicar a uma pormenorizada história de uma parte da cidade.

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Rua Gomes de Brito

Olisipo, outubro de 1943

Rua Gomes de Brito, topónimo atribuído por Edital de 16 de Setembro de 2009 a um arruamento da freguesia de Marvila

José Joaquim Gomes de Brito (1843 – 1923), jornalista, funcionário da Câmara Municipal de Lisboa, olisipógrafo, foi autor prolífico, redigindo diversos elogios históricos, pareceres sobre a indústria e o comércio, e escrevendo sobre a cidade de Lisboa. Assinou quer com o seu nome, quer sob pseudónimo (Brás Fogaça, Um português obscuro, Nullius, Petintal de Alfama, G. de B.). Foi sócio fundador da Sociedade de Geografia de Lisboa (1875), participou na criação da Sociedade dos Jornalistas e Escritores Portugueses e na Comissão do primeiro mausoléu de Alexandre Herculano (1880). Cursou Belas Artes, mas por influência de Alexandre Herculano, de quem viria a ser discípulo e amigo, licenciou-se em Letras, onde conheceu os irmãos Bordalo Pinheiro. Participou num grupo de teatro amador, ao qual pertencia Rafael Bordalo Pinheiro, vindo a colaborar com este n’O Binóculo (1870) e n’O Calcanhar de Achilles (1870). Publicou artigos na Revista de Educação e Ensino, no Correio Nacional, n’O Occidente, O Commercio de Portugal e o Diário de Notícias, entre outros. Como olisipógrafo, publicou o primeiro trabalho em 1880, A Rua de S. Tomé, publicado no jornal A Revolução de Setembro. Mais de dez anos depois, atendendo à sua vida profissional que o impediu de se dedicar à olisipografia, dá início à publicação de várias obras sobre a cidade: Lisboa de 1578 a 1583: cartas de Filipe Sassetti(…) (1893); O prior de S. Nicolau (…) (1893); Os remolares: o que fossem, onde e quando começariam a ser denominação de um sítio de Lisboa (1899); Os Itinerários de Lisboa (1899-1900); Archeologia musical (1904); Tenças testamentárias da Infanta D. Maria (1907); Notícia de livreiros e impressores em Lisboa na segunda metade do século XVI (1911). Neste último ano, publicou ainda Lisboa do passado, Lisboa dos nossos dias, reunindo num único volume alguns dos artigos dispersos em várias publicações.

Já reformado, prosseguiu os seus trabalhos, embora muito limitado nas suas deslocações, após ter partido uma perna nas escadas dos Paços do Concelho de Lisboa. No entanto, tal não o impediu de trabalhar naqueles que viriam a ser os seus grandes contributos para a história e a olisipografia. Em 1914, foi publicado o seu aprofundado estudo sobre Alexandre Herculano para o Diccionario Bibliographico Português de Inocêncio F. da Silva e Brito Aranha, que viria a ocupar todo o volume XXI.

Em 1923, terminou, pouco antes de falecer, o comentário e as notas à edição do manuscrito anónimo, Estatística de Lisboa de 1552, ao qual atribuiu novo título (Tratado da majestade, grandeza e abastança da cidade de Lisboa, na 2ª metade do século XVI) e cujo autor conseguiu identificar como sendo João Brandão (de Buarcos). Augusto Vieira da Silva conta no discurso que fez em homenagem a Gomes de Brito em sessão da Academia Portuguesa da História, um episódio passado entre os dois a propósito desta obra. Vieira da Silva narra como Gomes de Brito sempre o auxiliou nas suas investigações, quer emprestando-lhe livros da sua biblioteca, quer partilhando o seu conhecimento. No entanto, quando Vieira da Silva o indagou sobre a autoria da Estatística Brito remeteu-se ao silêncio, não querendo revelar o que tinha descoberto antes da edição das anotações. Mas não se esqueceu Gomes de Brito deste episódio. O Gabinete de Estudos Olisiponenses possui o exemplar da Estatística de Vieira da Silva com a seguinte dedicatória, assinada por António Baião, testamenteiro de Gomes de Brito e datada de 14 de Novembro de 1923, isto é um mês após a morte do olisipógrafo: “Exemplar oferecido ao Exmº Sr. A. Vieira da Silva, como homenagem ao seu valioso auxílio para a publicação desta obra e por expressa determinação do anotador e comentador, J.J. Gomes de Brito, antes do seu falecimento.”

A última grande obra da sua autoria publicada por António Baião, é certamente a mais conhecida: As Ruas de Lisboa: notas para a história das vias públicas lisbonenses. Editada em 1935, ela resulta do facto de António Baião, ter sido amigo e o herdeiro do espólio de Gomes de Brito, o qual ao longo da vida recolhera as informações necessárias para a realização do livro, reunindo verbetes sobre topónimos lisboetas. Baião prosseguiu o trabalho de Brito dando-lhe forma de livro, organizado alfabeticamente, tal como as fichas de Brito. Trabalho incompleto e com entradas de dimensões muito variáveis, As Ruas de Lisboa, são, porém, um trabalho inovador. Até então nunca tinha sido impressa uma obra exclusivamente dedicada à toponímia urbana. Gomes de Brito é justamente considerado o fundador dos estudos toponímicos de Lisboa.

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No centenário da morte de Júlio de Castilho – fundador da Olisipografia-, os seus seguidores na Toponímia de Lisboa

 

Júlio de Castilho faleceu no dia 8 de fevereiro de 1919 e este centenário do fundador da Olisipografia é o mote para neste segundo mês do ano de 2019 apresentarmos artigos sobre os antropónimos de olisipógrafos na toponímia da cidade de Lisboa, ou seja, artigos sobre os nomes das ruas que guardam na memória de Lisboa aqueles que se empenharam em fazer a história desta cidade.

 

Inauguração do busto de Júlio de Castilho de 25 de julho de 1929: o 3º é Gustavo de Matos Sequeira, o 5º é Augusto Vieira da Silva e o 8º é o fotógrafo José Artur Leitão Bárcia  (Foto: Ferreira da Cunha, Arquivo Municipal de Lisboa)

Na inauguração do busto de Júlio de Castilho no Jardim também como o seu nome, no dia 25 de julho de 1929, vários olisipógrafos compareceram à cerimónia, demonstrando a sua afeição para com aquele que muitas vezes foi chamado Mestre Júlio de Castilho, quatro após o Edital de municipal de 2 de março de 1925, que atribuíra o Largo Júlio de Castilho no largo contíguo ao arruamento onde o olisipógrafo viveu e veio a falecer.

Em 1939, vinte passados do falecimento de Júlio de Castilho, a Câmara Municipal de Lisboa também instituiu  o Prémio Júlio de Castilho, para distinguir obras de olisipografia, ou como se redige nos Anais da Câmara Municipal de Lisboa desse ano, « elaborou-se e foi aprovado o regulamento do concurso para a concessão do prémio Júlio de Castilho a atribuir à melhor obra impressa em língua portuguesa de carácter arqueológico, histórico, literário ou artístico sôbre o passado ou o presente de Lisboa, publicada ou a publicar nos anos de 1939 e 1940.» O primeiro galardoado foi Norberto de Araújo pelas suas Peregrinações em Lisboa.

São estes olisipógrafos, estes homens e algumas poucas mulheres, que vão aparecer nos nossos artigos deste mês de fevereiro que desta feita terão a colaboração do Grupo de Estudos Olisiponenses, para permitir uma nova abordagem. Os artigos sobre olisipógrafos anteriormente publicados por nós foram:

  1. Largo Júlio de Castilho
  2. Jardim de Júlio de Castilho
  3. Rua Norberto de Araújo
  4. Rua Gustavo de Matos Sequeira
  5. Rua Engenheiro Vieira da Silva
  6. Rua Luís Pastor de Macedo
  7. Rua Gomes de Brito
  8. Rua Julieta Ferrão
  9.  Rua Irisalva Moita
  10. Alameda Padre Álvaro Proença
  11. Praça Rocha Martins
  12. Rua Alberto MacBride
  13. Rua Alfredo Mesquita
  14. Rua Amigos de Lisboa
  15. Rua Dr. Eduardo Neves
  16. Rua Eduardo Bairrada
  17. Rua Gomes de Brito
  18. Rua Jaime Lopes Dias
  19. Rua José da Felicidade Alves
  20. Rua Maia Ataíde
  21. Rua Manuel Ferreira da Silva
  22. Rua Mário Gomes Páscoa
  23. Rua Prof. Mário Chicó

 

Vários olisipógrafos em 1947 (da esquerda para a direita): Norberto de Araújo, Luís Pastor de Macedo, Gustavo de Matos Sequeira, Augusto Vieira da Silva e Luís Teixeira
(Foto: Ferreira da Cunha, Arquivo Municipal de Lisboa)

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A Rua Ruy Cinatti, de Uma Sequência Timorense e dos Cadernos de Poesia

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O autor de Uma Sequência Timorense e editor dos Cadernos de Poesia, Ruy Cinatti, que viveu 20 anos em Timor e nos últimos vinte da sua vida residiu em Lisboa, está desde 1997 perpetuado na toponímia do Bairro dos Sete Céus, com a legenda «Poeta/1915 – 1986», a unir a Rua dos Sete Céus à  Rua João Lourenço Rebelo.

Ruy Cinatti foi fixado no Impasse 1 do Bairro dos Sete Céus pelo Edital municipal de 30 de janeiro de 1987, o mesmo que colocou em outros arruamentos do Bairro os nomes do músico João Lourenço Rebelo, do fadista Joaquim Cordeiro, da cantora lírica Maria Júdice da Costa e dos poetas Vasco de Lima Couto e António Aleixo.

Ruy Cinatti Vaz Monteiro Gomes  (Londres/08.03.1915 – 12.10.1986/Lisboa), estudou no Liceu Passos Manuel e formou-se como engenheiro agrónomo, tendo fixado-se  definitivamente em Lisboa a partir de 1963. Entre 1943 e 1945 desempenhara o cargo de meteorologista aeronáutico da Pan-American Airways e, de 1946 a 1948, exercera a função de chefe de gabinete do governador de Timor (que desde 2002 é a República Democrática de Timor-Leste ou  Timor Loro Sae ), mantendo-se depois no território como chefe dos serviços agronómicos e aí realizando também estudos de arqueologia, ecologia, fitogeografia e antropologia cultural, tendo mesmo feito um doutoramento em Antropologia Geral e Social, em Oxford, em 1958.

Como escritor e poeta estreou-se aos 21 anos, em 1936, com o conto Ossobó, seguindo-se a edição do seu primeiro livro de poesia Nós Não somos deste mundo (1941). São ainda de destacar entre muitas das suas obras,  Anoitecendo, a vida recomeça (1942), Poemas Escolhidos (1951), O Livro do Nómada, Meu Amigo (1958), Manhã Imensa (1967), Cancioneiro para Timor (1968), Sete Septetos (1968), Borda D’ Alma (1969), Uma Sequência Timorense (1970), Memória Descritiva (1971), Conversa de Rotina (1973), Paisagens Timorenses com Vultos (1974), Cravo Singular (1974), Import-Export (1976), 56 Poemas (1981). Em 1967, sob o pseudónimo de Júlio Celso Delgado também publicou Crónica Caboverdeana.

A partir de 1940 dirigiu a publicação Cadernos de Poesia – na 1ª série com Tomás Kim (pseudónimo de Joaquim Monteiro Grilo), João Cabral do Nascimento e José Blanc de Portugal e na 2ª série, com Jorge de Sena, José Blanc de Portugal e  José-Augusto França – com o objetivo de «arquivar a actividade da poesia actual sem dependências de escolas ou grupos literários, estéticas ou doutrinas, fórmulas ou programas». Ruy Cinatti também fundou e dirigiu a revista Aventura, cinco números publicados de 1942 a 1944.

Em 1950 também publicou estudos científicos relacionados com Timor: «Reconhecimento em Timor», «Esboço histórico do Sândalo no Timor Português», «Explorações Botânicas em Timor»e «Reconhecimento Preliminar das Formações Florestais no Timor Português».

Foi Prémio Antero de Quental 1958, Prémio Nacional de Poesia 1968, Prémio Camilo Pessanha 1971 e Prémio P.E.N. de Poesia 1982 e o seu nome está também presente na toponímia dos concelhos da Amadora, Oeiras, Seixal e Sintra.

Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Jardim Garcia de Orta ao Parque das Nações

Freguesia do Parque das Nações
(Foto: António Marques, 1998, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Jardim Garcia de Orta ao Parque das Nações é uma herança toponímica da Expo 98, que pelo Edital municipal de 16 de setembro de 2009 se viu acrescido de «ao Parque das Nações», para evitar equívocos com a Rua Garcia de Orta que desde 1911 existe na freguesia da Estrela (antes, Santos-o-Velho).

Estátua de Garcia de Orta, da autoria de Martins Correia, no IHMT desde 1958
(Foto: 1969, António da Silva Fernandes Duarte, Arquivo Municipal de Lisboa)

Junto ao Passeio das Tágides, o Jardim Garcia de Orta ao Parque das Nações evoca o médico e naturalista que nasceu em Castelo de Vide por volta do ano de 1500 e morreu em Goa em 1568, filho de pais de ascendência judaica, que estudou Artes, Filosofia e Medicina nas Universidades de Salamanca e Alcalá. Regressado a Portugal em 1525, foi médico de D. João III e obteve a cátedra de Filosofia Natural da Universidade de Lisboa em 1530. Todavia, por temer a Inquisição, partiu para a Índia em 1534 e aí se dedicou ao estudo de plantas raras desconhecidas na Europa, publicando em Goa em 1563, o Colóquios dos Simples e Drogas e Coisas Medicinais da Índia e Frutas nela Achadas, com a particularidade de nele incluir a primeira poesia impressa de Camões.

Este jardim integra 5 talhões com floras representativas de 5 locais diferentes: o de África, com vegetação representativa do deserto de Moçâmedes ( Angola) e da ilha de Inhaca (Moçambique); o da Macaronésia, com flora da Madeira, dos Açores e de Cabo Verde; o de S. Tomé e do Brasil, com uma estrutura que ajuda a reproduzir o ambiente das plantas tropicais; o de Goa, baseado nos registos de Garcia de Orta; e o de Coloane que representa a vegetação da China meridional.

Cerca de doze anos após a morte de Garcia de Orta, em 1580, como era uso fazer-se aos judeus que tinham escapado com vida às malhas da Inquisição, foram desenterrados os seus ossos e queimados. Por outro lado, foi criado em Castelo de Vide, o Centro de Estudos Luso-Hebraicos Garcia d’ Orta (1988), o seu nome foi dado ao Hospital de Almada (1991), é o nome de uma Escola no Porto e é também topónimo um pouco por todo o país, como acontece em Abrantes, Albufeira, Almada, Amadora, Baixa da Banheira, Braga, Cabanas de Tavira, Caneças, Casal de Cambra, Corroios, Elvas, Ermesinde, Estoril, Lagos, Linda-a-Velha, Montijo, Odivelas, Oeiras, Portimão, Porto, Quinta do Conde (Sesimbra), Rio de Mouro, Rio Tinto, Seixal, Senhora da Hora (Matosinhos), Vale da Amoreira (Moita), Valongo, Vila do Conde ou Vila Nova de Gaia.

Freguesia do Parque das Nações
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Jardim Ferreira de Mira, o médico do Instituto Rocha Cabral

Freguesia de Benfica
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Médico fisiologista da Faculdade de Medicina de Lisboa e historiador da medicina portuguesa, que a partir de 1922 fundou e dirigiu o Instituto Rocha Cabral, Ferreira de Mira dá o seu nome a um jardim lisboeta de Benfica, próximo do Hospital da Luz, 63 anos após o seu falecimento, através da deliberação camarária de 26 de outubro de 2016 e consequente Edital de 10 de novembro, a partir da sugestão do Prof. José Pedro Sousa Dias enquanto membro da Comissão Municipal de Toponímia em representação da Universidade de Lisboa.

Em 1926 na Ilustração Portuguesa

Mathias Boleto Ferreira de Mira (Montijo – Canha/21.02.1875 – 07.03.1953/Lisboa), formado na  Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa em 1898 e discípulo de Mark Athias, foi um médico e professor universitário que também fundou e dirigiu o Instituto Bento da Rocha Cabral a partir de 1922. Começou por exercer medicina no Hospital da Misericórdia da vila de Canha, mas veio viver para Lisboa em 1910 e dois anos depois era já  professor de Fisiologia, na então nova Faculdade de Medicina de Lisboa, a que mais tarde somou a regência da cadeira de Química.

Como investigador científico, Ferreira de Mira teve a oportunidade de fundar e dirigir a partir de 1922 um Instituto de Investigação na área das Ciências Biológicas, com o nome de um transmontano que no Brasil ficou multimilionário –  Bento da Rocha Cabral (1847-1921)- e que  no seu testamento deixou as verbas necessárias para o efeito com a indicação de quem o devia dirigir. O Instituto de Investigação Científica de Bento da Rocha Cabral ficou instalado na casa adquirida e reconstruída em 1902 pelo benemérito e que até aí lhe servira de morada em Lisboa, no nº 14 da Calçada Bento Rocha Cabral – assim denominada desde 1924 já que antes era a Calçada da Fábrica da Louça – e começou a realizar investigação a partir de 1925 com quatro investigadores: o próprio Matias Boleto Ferreira de Mira, o seu filho Manuel Ferreira de Mira (falecido em 1929), Luís Simões Raposo – na toponímia da freguesia do Lumiar desde 25/10/1989- e Fausto Lopo de Carvalho- na toponímia da freguesia de Marvila desde  04/11/1970-, que na década seguinte conseguiu dominar a tuberculose em Portugal. Foi este Instituto que acolheu as primeiras investigações com animais que permitiram a Egas Moniz a descoberta da angiografia e o desenvolvimento da angiopneumografia em conjunto com Almeida Lima e Lopo de Carvalho. Também aqui trabalho como investigadora a  primeira portuguesa doutorada em ciências biológicas, a fitopatologista Matilde Bensaúde.

Matias Ferreira de Mira foi também um membro dirigente da Sociedade Portuguesa de Biologia e, sobretudo nos jornais e revistas Luta de Brito Camacho, Diário de Notícias e Seara Nova, escreveu dezenas de artigos de vulgarização científica, na área da biologia e de outras ciências, assim como redigiu livros didáticos como Lições de Químico-Fisiologia elementar, Exercícios de Química Fisiológica (com Mark Athias) ou Manual de Química Fisiológica. Também deu dezenas de conferências sobre temas científicos e foi o autor da  História da Medicina Portuguesa (1947) e de biografias como a de Brito Camacho (1942), com Aquilino Ribeiro.

Ferreira de Mira foi também um cidadão empenhado na política tendo sido vereador da Câmara Municipal de Lisboa, com o pelouro da Instrução Primária, a partir de 1912, assim como foi  deputado da Primeira República, de 1922 a 1925, por Santarém, eleito com António Tavares Ferreira, Ginestal Machado e João Teixeira de Queiroz Vaz Guedes.

Matias Ferreira de Mira está também presente na toponímia da Charneca da Caparica.

Freguesia de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Praceta do Historiador da Literatura Portuguesa, António José Saraiva

Freguesia do Lumiar
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

António José Saraiva, conhecido Historiador da Literatura Portuguesa, está perpetuado desde o próprio ano do seu falecimento, com a legenda «Historiador e Ensaísta/1917 – 1993», numa Praceta da freguesia do Lumiar, na zona conhecida como Bairro dos Professores pela sua toponímia.

A Praceta Prof. António José Saraiva está delimitada pela Rua Professor Eduardo Cortesão, Bloco C2 da Rua Professor João Barreira e a Rua Professor Henrique Vilhena, conforme o Edital municipal de 31 de agosto de 1993.

António José Saraiva (Leiria/31.12.1917 – 17.03.1993/Lisboa) foi um historiador da literatura portuguesa que também fez carreira como professor universitário, ensaísta e crítico.

Como historiador da Literatura e da Cultura portuguesas destacam-se as suas Para a História da Cultura em Portugal (1946), História da Literatura Portuguesa (1949), História da Cultura em Portugal (1950) – com Luís de Albuquerque-, História da Literatura Portuguesa (1955)- em colaboração de Óscar Lopes -, A Inquisição Portuguesa (1956), Para a História da Cultura em Portugal (1961),  Literaturas Portuguesa, Brasileira e Galega (1966), Inquisição e Cristãos-Novos (1969), Breve historia de la literatura portuguesa (1971), A Cultura em Portugal (1982),  Iniciação na Literatura Portuguesa (1985),  e A Tertúlia Ocidental: Estudos sobre Antero de Quental, Oliveira Martins, Eça de Queiroz e outros (1991) e a póstuma Cultura (1993).

Licenciado em 1932 e Doutorado em Filologia Românica em 1942, pela Universidade de Lisboa,  com a tese Gil Vicente e o Fim do Teatro Medieval, foi professor assistente da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, do Liceu Passos Manuel e depois, do Liceu de Viana do Castelo (1946-1949). Após o 25 de Abril de 1974 voltou a ser docente  catedrático da Universidade bem como da Universidade Nova de Lisboa.

Foi militante do Partido Comunista Português e combateu o regime salazarista, tendo sido apoiante da candidatura do general Norton de Matos. Assim, foi preso e impedido de ensinar em 1949, pelo que durante os anos seguintes, viveu exclusivamente das suas publicações e da colaboração em jornais e revistas,  nomeadamente no semanário Mundo Literário. Em 1960 exilou-se em França , sendo a partir de 1961 investigador do Centre National de Recherche Scientifique de Paris, em História Moderna. Depois do Maio de 68 foi viver para a Holanda para exercer como catedrático da Universidade de Amesterdão e só regressou a Portugal após a Revolução dos Cravos.

Na sua vida pessoal foi o segundo dos sete filhos do professor de Liceu José Leonardo Venâncio Saraiva e de Maria da Ressurreição Baptista, sendo assim irmão de José Hermano Saraiva, e depois de casar com Maria Isabel Saraiva, pai de António Manuel,  Pedro António  e do mais conhecido Arqº José António Saraiva.

António José Saraiva está também presente na toponímia de Agualva-Cacém (Sintra), Barcarena (Oeiras), Fundão, Guarda, Leiria, Mem Martins (Sintra), Rio de Mouro (Sintra), São Brás (Amadora), Sesimbra, Vale Flores (Almada), Viana do Castelo.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)