Jardim Garcia de Orta ao Parque das Nações

Freguesia do Parque das Nações
(Foto: António Marques, 1998, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Jardim Garcia de Orta ao Parque das Nações é uma herança toponímica da Expo 98, que pelo Edital municipal de 16 de setembro de 2009 se viu acrescido de «ao Parque das Nações», para evitar equívocos com a Rua Garcia de Orta que desde 1911 existe na freguesia da Estrela (antes, Santos-o-Velho).

Estátua de Garcia de Orta, da autoria de Martins Correia, no IHMT desde 1958
(Foto: 1969, António da Silva Fernandes Duarte, Arquivo Municipal de Lisboa)

Junto ao Passeio das Tágides, o Jardim Garcia de Orta ao Parque das Nações evoca o médico e naturalista que nasceu em Castelo de Vide por volta do ano de 1500 e morreu em Goa em 1568, filho de pais de ascendência judaica, que estudou Artes, Filosofia e Medicina nas Universidades de Salamanca e Alcalá. Regressado a Portugal em 1525, foi médico de D. João III e obteve a cátedra de Filosofia Natural da Universidade de Lisboa em 1530. Todavia, por temer a Inquisição, partiu para a Índia em 1534 e aí se dedicou ao estudo de plantas raras desconhecidas na Europa, publicando em Goa em 1563, o Colóquios dos Simples e Drogas e Coisas Medicinais da Índia e Frutas nela Achadas, com a particularidade de nele incluir a primeira poesia impressa de Camões.

Este jardim integra 5 talhões com floras representativas de 5 locais diferentes: o de África, com vegetação representativa do deserto de Moçâmedes ( Angola) e da ilha de Inhaca (Moçambique); o da Macaronésia, com flora da Madeira, dos Açores e de Cabo Verde; o de S. Tomé e do Brasil, com uma estrutura que ajuda a reproduzir o ambiente das plantas tropicais; o de Goa, baseado nos registos de Garcia de Orta; e o de Coloane que representa a vegetação da China meridional.

Cerca de doze anos após a morte de Garcia de Orta, em 1580, como era uso fazer-se aos judeus que tinham escapado com vida às malhas da Inquisição, foram desenterrados os seus ossos e queimados. Por outro lado, foi criado em Castelo de Vide, o Centro de Estudos Luso-Hebraicos Garcia d’ Orta (1988), o seu nome foi dado ao Hospital de Almada (1991), é o nome de uma Escola no Porto e é também topónimo um pouco por todo o país, como acontece em Abrantes, Albufeira, Almada, Amadora, Baixa da Banheira, Braga, Cabanas de Tavira, Caneças, Casal de Cambra, Corroios, Elvas, Ermesinde, Estoril, Lagos, Linda-a-Velha, Montijo, Odivelas, Oeiras, Portimão, Porto, Quinta do Conde (Sesimbra), Rio de Mouro, Rio Tinto, Seixal, Senhora da Hora (Matosinhos), Vale da Amoreira (Moita), Valongo, Vila do Conde ou Vila Nova de Gaia.

Freguesia do Parque das Nações
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Anúncios

Jardim Ferreira de Mira, o médico do Instituto Rocha Cabral

Freguesia de Benfica
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Médico fisiologista da Faculdade de Medicina de Lisboa e historiador da medicina portuguesa, que a partir de 1922 fundou e dirigiu o Instituto Rocha Cabral, Ferreira de Mira dá o seu nome a um jardim lisboeta de Benfica, próximo do Hospital da Luz, 63 anos após o seu falecimento, através da deliberação camarária de 26 de outubro de 2016 e consequente Edital de 10 de novembro, a partir da sugestão do Prof. José Pedro Sousa Dias enquanto membro da Comissão Municipal de Toponímia em representação da Universidade de Lisboa.

Em 1926 na Ilustração Portuguesa

Mathias Boleto Ferreira de Mira (Montijo – Canha/21.02.1875 – 07.03.1953/Lisboa), formado na  Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa em 1898 e discípulo de Mark Athias, foi um médico e professor universitário que também fundou e dirigiu o Instituto Bento da Rocha Cabral a partir de 1922. Começou por exercer medicina no Hospital da Misericórdia da vila de Canha, mas veio viver para Lisboa em 1910 e dois anos depois era já  professor de Fisiologia, na então nova Faculdade de Medicina de Lisboa, a que mais tarde somou a regência da cadeira de Química.

Como investigador científico, Ferreira de Mira teve a oportunidade de fundar e dirigir a partir de 1922 um Instituto de Investigação na área das Ciências Biológicas, com o nome de um transmontano que no Brasil ficou multimilionário –  Bento da Rocha Cabral (1847-1921)- e que  no seu testamento deixou as verbas necessárias para o efeito com a indicação de quem o devia dirigir. O Instituto de Investigação Científica de Bento da Rocha Cabral ficou instalado na casa adquirida e reconstruída em 1902 pelo benemérito e que até aí lhe servira de morada em Lisboa, no nº 14 da Calçada Bento Rocha Cabral – assim denominada desde 1924 já que antes era a Calçada da Fábrica da Louça – e começou a realizar investigação a partir de 1925 com quatro investigadores: o próprio Matias Boleto Ferreira de Mira, o seu filho Manuel Ferreira de Mira (falecido em 1929), Luís Simões Raposo – na toponímia da freguesia do Lumiar desde 25/10/1989- e Fausto Lopo de Carvalho- na toponímia da freguesia de Marvila desde  04/11/1970-, que na década seguinte conseguiu dominar a tuberculose em Portugal. Foi este Instituto que acolheu as primeiras investigações com animais que permitiram a Egas Moniz a descoberta da angiografia e o desenvolvimento da angiopneumografia em conjunto com Almeida Lima e Lopo de Carvalho. Também aqui trabalho como investigadora a  primeira portuguesa doutorada em ciências biológicas, a fitopatologista Matilde Bensaúde.

Matias Ferreira de Mira foi também um membro dirigente da Sociedade Portuguesa de Biologia e, sobretudo nos jornais e revistas Luta de Brito Camacho, Diário de Notícias e Seara Nova, escreveu dezenas de artigos de vulgarização científica, na área da biologia e de outras ciências, assim como redigiu livros didáticos como Lições de Químico-Fisiologia elementar, Exercícios de Química Fisiológica (com Mark Athias) ou Manual de Química Fisiológica. Também deu dezenas de conferências sobre temas científicos e foi o autor da  História da Medicina Portuguesa (1947) e de biografias como a de Brito Camacho (1942), com Aquilino Ribeiro.

Ferreira de Mira foi também um cidadão empenhado na política tendo sido vereador da Câmara Municipal de Lisboa, com o pelouro da Instrução Primária, a partir de 1912, assim como foi  deputado da Primeira República, de 1922 a 1925, por Santarém, eleito com António Tavares Ferreira, Ginestal Machado e João Teixeira de Queiroz Vaz Guedes.

Matias Ferreira de Mira está também presente na toponímia da Charneca da Caparica.

Freguesia de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Praceta do Historiador da Literatura Portuguesa, António José Saraiva

Freguesia do Lumiar
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

António José Saraiva, conhecido Historiador da Literatura Portuguesa, está perpetuado desde o próprio ano do seu falecimento, com a legenda «Historiador e Ensaísta/1917 – 1993», numa Praceta da freguesia do Lumiar, na zona conhecida como Bairro dos Professores pela sua toponímia.

A Praceta Prof. António José Saraiva está delimitada pela Rua Professor Eduardo Cortesão, Bloco C2 da Rua Professor João Barreira e a Rua Professor Henrique Vilhena, conforme o Edital municipal de 31 de agosto de 1993.

António José Saraiva (Leiria/31.12.1917 – 17.03.1993/Lisboa) foi um historiador da literatura portuguesa que também fez carreira como professor universitário, ensaísta e crítico.

Como historiador da Literatura e da Cultura portuguesas destacam-se as suas Para a História da Cultura em Portugal (1946), História da Literatura Portuguesa (1949), História da Cultura em Portugal (1950) – com Luís de Albuquerque-, História da Literatura Portuguesa (1955)- em colaboração de Óscar Lopes -, A Inquisição Portuguesa (1956), Para a História da Cultura em Portugal (1961),  Literaturas Portuguesa, Brasileira e Galega (1966), Inquisição e Cristãos-Novos (1969), Breve historia de la literatura portuguesa (1971), A Cultura em Portugal (1982),  Iniciação na Literatura Portuguesa (1985),  e A Tertúlia Ocidental: Estudos sobre Antero de Quental, Oliveira Martins, Eça de Queiroz e outros (1991) e a póstuma Cultura (1993).

Licenciado em 1932 e Doutorado em Filologia Românica em 1942, pela Universidade de Lisboa,  com a tese Gil Vicente e o Fim do Teatro Medieval, foi professor assistente da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, do Liceu Passos Manuel e depois, do Liceu de Viana do Castelo (1946-1949). Após o 25 de Abril de 1974 voltou a ser docente  catedrático da Universidade bem como da Universidade Nova de Lisboa.

Foi militante do Partido Comunista Português e combateu o regime salazarista, tendo sido apoiante da candidatura do general Norton de Matos. Assim, foi preso e impedido de ensinar em 1949, pelo que durante os anos seguintes, viveu exclusivamente das suas publicações e da colaboração em jornais e revistas,  nomeadamente no semanário Mundo Literário. Em 1960 exilou-se em França , sendo a partir de 1961 investigador do Centre National de Recherche Scientifique de Paris, em História Moderna. Depois do Maio de 68 foi viver para a Holanda para exercer como catedrático da Universidade de Amesterdão e só regressou a Portugal após a Revolução dos Cravos.

Na sua vida pessoal foi o segundo dos sete filhos do professor de Liceu José Leonardo Venâncio Saraiva e de Maria da Ressurreição Baptista, sendo assim irmão de José Hermano Saraiva, e depois de casar com Maria Isabel Saraiva, pai de António Manuel,  Pedro António  e do mais conhecido Arqº José António Saraiva.

António José Saraiva está também presente na toponímia de Agualva-Cacém (Sintra), Barcarena (Oeiras), Fundão, Guarda, Leiria, Mem Martins (Sintra), Rio de Mouro (Sintra), São Brás (Amadora), Sesimbra, Vale Flores (Almada), Viana do Castelo.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Virgílio Correia, o arqueólogo de Conímbriga, numa Rua de São Domingos de Benfica

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Virgílio Correia, o coordenador dos trabalhos arqueológicos da cidade romana de Conímbriga entre 1930 e 1944, está inscrito como topónimo de uma artéria da freguesia de São Domingos de Benfica desde 1979, ou seja, 35 anos após o seu falecimento.

Foi pelo Edital municipal de 14 de maio de 1979 que a Rua 9 da zona a nascente da Estrada da Luz, junto ao Bairro São João, passou a ser a Rua Virgílio Correia,  que hoje liga a Rua Abranches Ferrão à Rua Tomás da Fonseca. Pelo mesmo Edital também a Rua 5 da mesma zona tornou-se a Rua Lúcio de Azevedo, fixando outro historiador.

Virgílio Correia Pinto da Fonseca (Peso da Régua/19.10.1888-03.06.1944/Coimbra) – cujo nome é por vezes também grafado como Vergílio- foi um dos arqueólogos que descobriu a cidade romana de Conímbriga, no concelho de Condeixa-a-Nova, e que aí procedeu a escavação sistemática de toda a área durante 14 anos, entre 1930 e 1944.

Virgílio Correia foi ainda um eminente historiador de arte, etnólogo e professor universitário. Nas primeiras décadas do séc. XX foi conservador de dois museus lisboetas: o Museu Etnológico Português, a partir de 1912, e o de Arte Antiga, desde 1915. Sobre Lisboa também publicou «Lisboa pré-histórica» na revista A Águia, de janeiro a março de 1913; «Oleiros e pintores de louça e azulejo, de Lisboa» na revista Atlântida de março e abril de 1918; «Azulejadores e pintores de azulejos, de Lisboa» na revistaA Águia, de maio a junho de 1918;  «Oleiros quinhentistas de Lisboa» na revista A Águia, de abril a junho de 1919, assim como revista Atlântida de junho de 1919 apresentou «Lisboa dos Azulejos». Fundou ainda em Lisboa,  em 1916, a revista Terra Portuguesa, definida pelo subtítulo de «revista ilustrada de arqueologia artística e etnografia».

Ainda em Lisboa, conseguiu uma memória triste: chegou a estar preso  oito dias no Aljube, no começo da década de 1930, acusado de apoiar o comandante Aragão e Melo, opositor à ditadura, e de dar abrigo a um refugiado político.

Virgílio Correia  licenciou-se em Direito por pressão familiar, em 1911, na Universidade de Coimbra,  mas em 1935 tornou-se por vontade própria Doutor em Letras, pela Faculdade de Letras de Coimbra, onde era professor. Primeiro, em 1921, foi docente de Estética e História da Arte,  e a partir de 1923, também de Arqueologia. Em Coimbra dirigiu ainda o Museu Machado de Castro, desde 1921 e até falecer. Fundou também a revista  Arte e Arqueologia, em 1930 e mais tarde, entre 1938 e 1944, dirigiu o Diário de Coimbra.

Destaque-se na etnografia e na história de arte, o seu vasto interesse desde o carro de bois à talha barroca, expresso nos seus dois volumes do Inventário Artístico de Portugal, em que a fotografia desempenhou um papel primordial. Nas Acta Universitatis Conimbrigensis foram editadas as suas obras, em cinco volumes : o 1.º volume (1946), Estudos de história da arte: arquitectura (1949), Estudos de história da arte: escultura e pintura (1953),  Estudos arqueológicos (1972) e Estudos monográficos (1978).

Virgílio Correia pertenceu à Academia Nacional de Belas-Artes, à Academia Portuguesa da História, ao Instituto Arqueológico Alemão e à Academia de História de Madrid.

Vergílio dos Cacos como lhe chama o escritor Miguel Torga no seu Diário, foi um acérrimo defensor dos valores republicanos da liberdade e do acesso à educação e à cultura, maçon e agnóstico, que foi galardoado em 3 de abril de 1920 com o Oficialato da Ordem Militar de Santiago da Espada. Morreu aos 55 anos em Coimbra, na sequência de uma queda do elétrico e o Município de Condeixa-a-Nova criou o Centro de Estudos Vergílio Correia. O seu nome está também na toponímia de Coimbra e Lamego, assim como na sua terra natal,  em Peso da Régua, como como Rua Professor Vergílio Correia.

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Alameda Padre Álvaro Proença, na freguesia que estudou e onde foi pároco

Freguesia de Benfica
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O Padre Álvaro Proença permanece ainda nos nossos dias ligado a Benfica, por aí ter sido pároco durante 28 anos, por se ter debruçado sobre a história da Freguesia, e por lá continuar na Alameda com o seu nome, entre a Rua das Garridas e a Avenida Grão Vasco, estabelecida em 1984 pelo Edital municipal de 28 de fevereiro.

O Padre Álvaro Proença (Lisboa/12.08.1912 – 10.05.1983/Lisboa) dedicou-se à olisipografia da Freguesia de Benfica, nomeadamente através do estudo que deu a lume com o título Benfica através dos tempos (1964). Já antes, tendo sido pároco de Loures a partir de 1936, também publicou Subsídios para a História do Concelho de Loures (1940) e ainda, Como o Povo reza (1941).

O Reverendo Padre entrou para o Seminário de Santarém em outubro de 1923 e na maior parte da sua vida de sacerdote exerceu no concelho de Lisboa, quer como professor e capelão da Casa Pia de Lisboa ( a partir de 1942), quer como Reitor da Igreja da Madre de Deus ( desde 1942) e professor da Escola Industrial Afonso Domingues, quer como capelão da Marinha quer como pároco na igreja de Nossa Senhora do Amparo de Benfica, durante quase 28 anos,  entre janeiro de 1955 e a data da sua morte em 1983, paróquia onde desenvolveu uma extraordinária obra religiosa, social e cultural, por nela ter criado o Salão de Festas, o Centro Paroquial, o Centro Social, o Jardim Infantil e o Refeitório, sem esquecer o Boletim da Família Paroquial. O Padre Álvaro Proença foi ainda o prior da então nova freguesia de São Domingos de Benfica, de 1959 a 1963, a funcionar na Igreja de Nossa senhora do Rosário no antigo Convento de São Domingos de Benfica, legado que passou ao padre Carlos dos Santos.

No Adro da Igreja de Benfica foi em 1984 erigido um busto de bronze do Padre Álvaro Proença, da autoria do escultor António Duarte e a Escola Básica do 1.º ciclo sediada no nº 535 da Estrada de Benfica também tem o nome do Padre Álvaro Proença, que em termos de toponímia também se encontra presente numa praceta do Casal de São Brás (Amadora) e numa rua em Loures.

Freguesia de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Diogo de Macedo das Tágides da Fonte Monumental da Alameda, numa Rua do Rego

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Diogo de Macedo, o autor do grupo escultórico do Tejo e das Tágides da Fonte Monumental da Alameda Dom Afonso Henriques, ficou consagrado numa Rua do Bairro do Rego desde 1965, zona em cuja toponímia já se encontravam diversos artistas plásticos.

Na reunião da Comissão de Arte e Arqueologia municipal de 31 de outubro de 1962 foi sugerido pelo Sr. Acúrsio Pereira a atribuição do nome do escultor Diogo de Macedo, falecido três anos antes, a uma artéria da capital, oportunidade que se concretizou quando um requerimento da Domus Nostra – Residência de Estudantes solicitou denominação para o arruamento projetado à Rua Jorge Afonso, que pelo Edital municipal de 11 de março de 1965 passou a ser a Rua Diogo de Macedo, definida entre e Avenida Álvaro Pais e a Praça Nuno Gonçalves.

Freguesia das Avenidas Novas – Placa Tipo IV
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Diogo Cândido de Macedo (Vila Nova de Gaia- Mafamude/22.11.1889 – 19.02.1959/Lisboa), o autor do conjunto das Tágides da Fonte Monumental da Alameda Dom Afonso Henriques, nasceu no Largo de São Sebastião, em Mafamude, e faleceu na sua casa em Lisboa, no n º 110 da Avenida António Augusto de Aguiar.

Na sua juventude, frequentava a oficina do vizinho Fernandes Caldas, mestre santeiro e imaginário, com quem aprendeu os rudimentos do desenho e modelação. Em 1902 ingressou no curso de Escultura da Academia Portuense de Belas Artes que concluiu em 1911, sendo  aluno de Desenho de José Brito e Marques de Oliveira e de António Teixeira Lopes, em Escultura. Nesse mesmo ano de 1911 partiu para Paris, onde frequentou as Academias de Montparnasse, sendo influenciado pelos escultores Bourdelle e Rodin. Em 1913 participou no Salão dos Artistas Franceses, esculpiu o busto de bronze de Camilo Castelo Branco, fez a sua primeira exposição individual, no Porto, e conseguiu o 3º prémio com a maqueta para um monumento a Camões, apresentada em Paris.

Regressou a Portugal em 1914, sendo de destacar a sua participação na I Exposição de Humoristas e Modernistas  no Porto – com desenhos assinados sob o pseudónimo de Maria Clara-, a sua Menção Honrosa de Escultura na 12ª Exposição da SNBA (ambas em 1915) e na Exposição dos Fantasistas (1916), também no Porto. Casou-se em 1919 e no ano seguinte voltou a fixar-se em Paris, fase de que se salienta o grupo escultórico L’Adieu ou Le pardon (1920).

Em 1926, estabeleceu-se definitivamente em Lisboa e publicou a sua primeira obra, 14, Cité Falguière, as suas memórias parisienses. Produziu os bustos de Sarah Afonso (1927), António Botto (1928), Antero de Quental  (1929) e Mário Eloy (1932) e em 1929, conseguiu a 2ª Medalha em Escultura na Exposição anual da SNBA. Entre estas décadas de 20 e de 30 editou as suas primeiras obras, colaborou em jornais e revistas, como no Ocidente. E de 1939 a 1940 executou o conjunto Tejo e quatro Tágides para a Fonte Monumental da Alameda Dom Afonso Henriques, bem como as esculturas do pórtico do Museu Nacional de Arte Antiga.

A sua cuja obra está representada no Museu do Chiado- Museu Nacional de Arte Contemporânea, Soares dos Reis (Porto), Casa-Museu Camilo Castelo Branco (S. Miguel de Seide), Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian,  Museu do Abade de Baçal (Bragança), Museu Grão Vasco (Viseu), Museu João de Deus, Museu José Malhoa (Caldas da Rainha), Museu Nacional João de Castilho (Tomar), Museu Santos Rocha (Figueira da Foz).

Em 1941, após enviuvar renunciou à escultura e passou a dedicar-se à escrita de biografias de artistas, estudos e  prefácios de catálogos de exposições de que se salientam as monografias sobre Columbano (1952), Domingos Sequeira (1956), Mário Eloy e Machado de Castro (1958). Deixou inúmeros artigos em publicações como o Boletim da Academia Nacional de Belas-ArtesContemporâneaMocidade Portuguesa Feminina, Mundo Gráfico, Mundo Literário, OcidentePanorama ou The Connoisseur. Diogo de Macedo esteve também ligado à Academia Nacional de Belas Artes, primeiro como  vogal (1938) e depois como secretário (1948).

A  partir de 1945 e até ao final da vida, dirigiu o Museu Nacional de Arte Contemporânea (hoje Museu do Chiado), onde iniciou a prática de o abrir diariamente ao público, com entrada independente pela Rua Serpa Pinto, a que somou um programa de exposições temporárias e pequenas monografias editadas pelo museu sobre artistas representativos da sua coleção.

Em 1946 voltou a casar,  com Eva Botelho Arruda, e dois anos depois foi incumbido pelo Ministério das Colónias de dirigir e acompanhar uma exposição itinerante de Artes por Angola e Moçambique. Em 1949, promoveu também uma Semana Cultural Portuguesa em Santiago de Compostela. Nos anos cinquenta foi convidado a organizar os processos de classificação dos imóveis de interesse público e voltou a a apresentar obras suas na Bienal de Veneza (1950) ou no Pavilhão Português da Exposição Internacional de Bruxelas (1958).

Em sua homenagem,  a Escola Secundária de Olival, em Vila Nova de Gaia, passou a designar-se Escola Secundária Diogo de Macedo (em 1995) e ficou também perpetuado na toponímia do Porto, de Mafamude e de Santa Marinha (Vila Nova de Gaia), da Arrentela (Seixal) e de Sesimbra.

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Prof. Lindley Cintra numa rua de Carnide

Freguesia de Carnide
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Por sugestão da Assembleia Municipal de Lisboa, através da sua Moção de 10 de outubro de 1991, foi o nome do Prof. Prof. Lindley Cintra,  docente de Românica e Linguística, fixado na toponímia de Lisboa, pelo Edital camarário de 19/02/1992, na Rua A da Nova Urbanização do Bairro Padre Cruz, na freguesia de  Carnide, com a legenda «Filólogo e Investigador/1925 – 1991».

Pelo mesmo edital mais 3 professores catedráticos foram atribuídos nesta zona de Carnide, a saber, na Rua Prof. Pais da Silva, a Rua Prof. Arsénio Nunes e a Rua Prof. Almeida Lima. Este núcleo toponímico de professores universitários em Carnide conta ainda com a Rua Fernando Piteira Santos,  a Rua Prof. Francisco Pereira de Moura, a Rua Jorge Vieira, a Rua Profª Maria Leonor Buescu, a Rua Professor Sedas Nunes e a Rua Prof. Tiago de Oliveira.

Luís Filipe Lindley Cintra (Espariz – Tábua/05.03.1925 – 18.08.1991/Lisboa) foi um investigador, filólogo, linguista, historiador da cultura e professor universitário na Faculdade de Letras de Lisboa, docente de Românica e Linguística desde 195o até ao seu falecimento e catedrático desde 1962, tendo também aí criado o Departamento de Linguística Geral e Românica e reformado o Centro de Estudos Filológicos.

Como investigador, dedicou-se principalmente às origens da língua portuguesa – literatura medieval, linguística românica, dialetologia – e ao espaço da língua portuguesa, da sua geografia nos nossos dias, isto é, do espaço geográfico definido como produto da expansão extraeuropeia da língua nascida do latim vulgar do Noroeste peninsular. Lindley Cintra colaborou no Atlas Linguístico da Península Ibérica e dirigiu o Glossário Medieval, destacando-se da ainda na sua obra Alguns Estudos de Fonética com base no Atlas Linguístico da Península Ibérica (1958), A Linguagem dos Foros de Castelo Rodrigo (1959),  Áreas Lexicais no Território Português (1962), os três volumes de Crónica Geral de Espanha de 1344 (1951-1961), Estudos de Dialectologia Portuguesa (1983) e com Celso Cunha a a elaboração da Nova Gramática do Português Contemporâneo (1984).

Refira-se ainda que em 1950 começou logo a colaborar no Centro de Estudos Filológicos do Instituto de Alta Cultura e, quatro anos depois, passou a dirigir o Boletim de Filologia, tal como a Revista Lusitana, para além de pertencer a diversas sociedades científicas. Foi agraciado com a Ordem da Liberdade (1983) e a  Ordem da Instrução Pública (1988).

Freguesia de Carnide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Largo Prof. Arnaldo Sampaio da Escola Nacional de Saúde Pública

Freguesia de Campolide
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Prof. Arnaldo Sampaio foi um médico que se repartiu por três sectores fundamentais – o ensino, a investigação e a administração de Saúde Pública – e que desde 1986 tem o seu nome fixado num Largo situado em frente do Centro de Saúde de Sete Rios, na Freguesia de Campolide.

Com a legenda «Médico de Saúde Pública/1908 – 1984», o Largo Prof. Arnaldo Sampaio foi atribuído pelo Edital municipal de 08/07/1986 ao largo situado em frente do Centro de Saúde de Sete-Rios, por proposta da Administração Regional de Saúde de Lisboa.

António Arnaldo Carvalho Sampaio (Guimarães/07.06.1908 – 16.10.1984/Lisboa), licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (1933), junto com Gonçalves Ferreira, foi na década de 50 do séc. XX, responsável pela reforma do ensino da Saúde Pública no País, o que muito contribuiu para o desenvolvimento da Escola Nacional de Saúde Pública, a cujos destinos presidiu durante alguns anos, como Professor Catedrático de Administração de Saúde Pública.

Começou na investigação em 1939, no Laboratório do Instituto Dr. Ricardo Jorge e, em 1948, após regressar dos Estados Unidos da América – onde obteve o Mestrado em Saúde Pública pela John Hopkins (1945) -, desenvolveu novas técnicas e promoveu a formação de uma equipa de técnicos especializados para a melhoria da saúde em Portugal, bem como impulsionou o Centro de Bacteriologia, particularmente na descoberta das doenças da sífilis e brucelose, baseado na evidência epidemiológica e científica das doenças transmissíveis em Portugal. Em 1953, após um ano de trabalho como investigador do Centro Mundial da Gripe, em Londres, foi encarregado de montar e dirigir, no Instituto Superior de Higiene, o Centro Nacional da Gripe, ligado à Organização Mundial de Saúde e aí criou os Laboratórios de Bacteriologia e Virologia do Instituto Ricardo Jorge, que depressa se desenvolveu e distinguiu como um dos mais acreditados no País. Em 1955, foi nomeado Inspetor Superior de Saúde, continuando sempre a trabalhar no sentido de melhorar os serviços de Saúde, o que o levou à realização de um pormenorizado inquérito sobre os laboratórios existentes no País, com vista à instituição de uma rede laboratorial de Saúde Pública, que só viria a materializar-se com a reforma de 1971.

Na administração, Arnaldo Sampaio dirigiu o Instituto Superior de Higiene, de outubro de 1968 a janeiro de 1972. Entretanto, fora chamado, em 1970, a dirigir o recém-criado Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministério da Saúde e Assistência, tendo promovido a publicação dos «Trabalhos Preparatórios do IV Plano de Fomento — 1971», que constituíram um pormenorizado diagnóstico da situação de Saúde do País, com uma profundidade nunca antes atingida para além da sua contribuição pessoal para a elaboração do Decreto-Lei 413/71, peça fundamental da legislação portuguesa de Saúde  que lançou os fundamentos de uma moderna política de saúde e determinou uma completa reestruturação dos serviços, com a criação de uma rede de cuidados primários, destinada a cobrir todo o País. Foi depois nomeado Diretor-geral de Saúde (de 1972 a 1978), concebendo, elaborando e aplicando a reforma dos Serviços de Saúde portugueses de 1971, da autoria do seu grande amigo Gonçalves Ferreira. Destaque-se ainda que  em 1969, criou a Associação Portuguesa para a Promoção da Saúde Pública (APPSP).

Este Professor Catedrático de Administração de Saúde Pública dirigiu a Escola Nacional de Saúde Pública (1974-1976),  foi ainda membro da Organização Mundial de Saúde e, a partir de certa data e durante muitos anos, chefe da delegação portuguesa à Assembleia Mundial de Saúde. Pertenceu ainda aos Comités de Peritos da OMS e foi consultor da Organização. Quando, em 1977, Portugal foi eleito para o Comité Executivo — a mais alta instância técnico-científica e operacional da OMS — o governo Português incumbiu-o dessa representação.

Arnaldo Sampaio foi agraciado com Grande-Oficial da Ordem de Benemerência (1973) e a Grã-Cruz da Ordem do Mérito (1993), bem como com a criação em  1988 do Prémio Professor Arnaldo Sampaio pela APPSP  para o melhor trabalho de Investigação em Saúde Pública realizado em Portugal.

Refira-se ainda que o Prof. Dr. Arnaldo Sampaio foi o pai do antigo Presidente da República Jorge Sampaio (1939) e do psiquiatra e escritor Daniel Sampaio (1946).

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

A Avenida Doutor Alfredo Bensaúde que poderia ter sido Avenida 25 de Abril

Freguesia dos Olivais
(Foto: Sérgio Dias)

A Avenida Doutor Alfredo Bensaúde poderia ter sido Avenida 25 de Abril caso tivesse sido aceite a sugestão Almerindo Martins da Cruz, endereçada por carta à edilidade.

Esta proposta foi analisada na reunião da Comissão Municipal de Toponímia de 20 de dezembro de 1974 e também incluía o pedido de mudança da Avenida 28 de Maio para Avenida 28 de Setembro e da Avenida dos Combatentes para Avenida das Forças Armadas. O primeiro Edital municipal relativo a toponímia, publicado após o 25 de Abril, de 30 de dezembro de 1974, concretizou a mudança da Avenida 28 de Maio para Avenida das Forças Armadas. Sobre a mudança de topónimo da Avenida Doutor Alfredo Bensaúde a Comissão deliberou que «será futuramente considerada, quando se julgar pertinente». O 25 de Abril acabou por ser topónimo lisboeta por ocasião do aniversário do 25º aniversário do 25 de Abril, como Praça 25 de Abril, atribuída pelo Edital municipal de 22/04/1999, na freguesia de Marvila.

Na sequência de solicitações de J. Sequeira bem como de António Emídio, a Avenida Doutor Alfredo Bensaúde havia sido atribuída à Rua I Circular, no troço compreendido entre a Praça de Acesso à Auto-Estrada do Norte e Moscavide,  por Edital municipal de 21/08/1968, com a legenda «Professor e homem de ciência/1856-1941», estendendo-se hoje entre a Praça José Queirós e a Avenida Cidade do Porto.

Alfredo Bensaúde ( Ponta Delgada/04.03.1858 – 02.01.1941/Ponta Delgada), formado na Escola Técnica Superior de Hanover, na Escola de Minas de Clausthal  onde se fez engenheiro de minas em 1878, e na Universidade de Gottingen onde se doutorou em Mineralogia em 1881, tornou-se a partir de 1884 e até 1910, professor de Mineralogia e Geologia no Instituto Industrial e Comercial de Lisboa e introduziu os métodos laboratoriais no ensino, revolucionando a forma de ensino dessas disciplinas. A ele se deve também a introdução em Portugal do ensino da Cristalografia e das técnicas de Petrografia. A convite de Brito Camacho, que era então Ministro do Fomento, foi o primeiro diretor do Instituto Superior Técnico,  de 1911 a 1922, exercendo também como docente, tendo tido assim a oportunidade de renovar os métodos de ensino da Engenharia no nosso país. A partir de 1924 foi nomeado Diretor Honorário. Das suas diversas publicações são de destacar Da Incongruência Entre a Observação e a Teoria em Alguns Cristais Cúbitos (1884), os seus  Relatórios sôbre vários jazigos minerais de Portugal, os Estudos sobre o sismo do Ribatejo de 23 de Abril de 1909  (1912) com o geólogo Paul Choffat e ainda, as Notas Histórico-Pedagógicas sobre o Instituto Superior Técnico (1922).

Com a morte do seu pai em 1922 retirou-se para Ponta Delgada, para assumir a administração da empresa industrial paterna e escreveu a biografia dele –  Vida de José Bensaúde -, publicada em 1936. Foi casado com Jeanne Oulman Bensaúde, autora de livros pedagógicos e infantis, bem como pai da bióloga Matilde Bensaúde, também desde 2016 homenageada na toponímia de Lisboa numa artéria próxima. 

Refira-se ainda a sua paixão pela construção e restauro de violinos, tendo construído o seu primeiro em 1874 e imprimido diferença nos que fazia através do verniz de produção própria que aplicava, bem como pela simetria na curvatura dos tampos. Chegou mesmo a interromper os estudos no ano letivo de 1874/1875 para aprender a arte de construir violinos. Na área musical também publicou, em 1905,  Uma concepção evolucionista da música e As canções de F. Schubert.

 

 

O pedido de mudança da Rua Agostinho Lourenço, nome igual ao do diretor da PIDE

Rua Agostinho Lourenço – Freguesia do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Agostinho Lourenço, nascida por Edital de 1903, foi das que após o 25 de Abril recebeu inúmeros pedidos de alteração do topónimo por parte dos munícipes e cidadãos em geral, já que o nome era igual ao daquele que foi o primeiro diretor da PIDE.

Lembrava o topónimo o nome do Capitão Agostinho Lourenço (Lisboa/05.09.1886 – 1964) que fora diretor da Polícia Internacional desde 1931,  da PVDE a partir de 1933 e da PIDE, de 1945 até 5 de setembro de 1956, data em que atingiu o limite de idade.

Entre os diversos pedidos para se proceder a esta alteração, todos de 1974 e 1975,  um deles sugeria mesmo que a artéria passasse a ter o nome de Manuel Rodrigues da Silva (Brasil/10.04.1909 – 22.07.1968/Moscovo), um militante operário que passou grande parte da sua existência preso no Tarrafal e em  Peniche. Passados mais de vinte anos, o nome de Manuel Rodrigues da Silva veio mesmo a ser um topónimo lisboeta, por Edital de 24 de setembro de 1996, na freguesia de Carnide.

Edital de 1903

Como topónimo, a Rua Agostinho Lourenço nasceu  em 1903, determinando o Edital municipal de 8 de junho «Que a nova via publica, entre a Avenida Antonio Augusto d’Aguiar e a rua de S. Sebastião da Pedreira, tenha a denominação de: rua Agostinho Lourenço». Todavia, passados 43 anos, em 18 de junho de 1946, a Comissão Municipal de Toponímia visitou diversos arruamentos da cidade, e concluiu « Que, em virtude das obras de urbanização efectuadas no respectivo local, o troço ainda existente da Rua Agostinho Lourenço, seja integrado na Rua Filipe Folque, devendo atribuir-se a outra via pública o nome de Agostinho Lourenço.»

Durante 9 nove anos não voltou a ser reposto o topónimo em Lisboa até que, na reunião de 11 de novembro de 1955, a Comissão Municipal de Toponímia deu o parecer de «que o nome de Agostinho Lourenço denomine o troço da Rua Alves Torgo, a Norte da Avenida do Aeroporto, até à linha férrea, mantendo a Rua Alves Torgo esta denominação entre a Rua de Arroios e a Rua António Pereira Carrilho». E assim ficou registada uma nova Rua Agostinho Lourenço, que hoje une a Avenida Almirante Gago Coutinho à Avenida São João de Deus, pelo Edital municipal de 15/03/1956, ou seja, cerca de 6 meses antes do Capitão Agostinho Lourenço deixar de ser o diretor da PIDE por atingir o limite de idade.

A figura de Agostinho Lourenço que está perpetuada na toponímia de Lisboa desde 1903 é de seu nome completo Agostinho Vicente Lourenço (Índia-Goa/1822 ou 1826- 1893/Lisboa), um químico e professor universitário, formado na Escola Médica de Nova Goa, onde foi docente, tal como na Escola Politécnica de Lisboa, a partir de 1862. Frequentou centros universitários em Paris, Munique, Heidelberg e Londres, tendo na capital francesa desenvolvido a maior parte da sua atividade científica, nomeadamente, trabalhando com Adolphe Würtz, que nos seus artigos lhe atribuiu a categoria de ter sido o primeiro investigador a obter o álcool dietilénico ou éter intermediário do glicol. Em 1867, Agostinho Lourenço publicou Trabalhos preparatorios ácerca das aguas minerais do Reino e providencias do Governo sobre proposta da Commissão respectiva, assim como organizou uma colecção de amostras das águas minerais portuguesas que integrou o trabalho Renseigments sur les eaux minerales portugaises, que foi nesse mesmo ano premiado na Exposição Internacional de Paris com medalha de ouro.

Edital de 1956