A Avenida Doutor Alfredo Bensaúde que poderia ter sido Avenida 25 de Abril

Freguesia dos Olivais
(Foto: Sérgio Dias)

A Avenida Doutor Alfredo Bensaúde poderia ter sido Avenida 25 de Abril caso tivesse sido aceite a sugestão Almerindo Martins da Cruz, endereçada por carta à edilidade.

Esta proposta foi analisada na reunião da Comissão Municipal de Toponímia de 20 de dezembro de 1974 e também incluía o pedido de mudança da Avenida 28 de Maio para Avenida 28 de Setembro e da Avenida dos Combatentes para Avenida das Forças Armadas. O primeiro Edital municipal relativo a toponímia, publicado após o 25 de Abril, de 30 de dezembro de 1979, concretizou a mudança da Avenida 28 de Maio para Avenida das Forças Armadas. Sobre a mudança de topónimo da Avenida Doutor Alfredo Bensaúde a Comissão deliberou que «será futuramente considerada, quando se julgar pertinente». O 25 de Abril acabou por ser topónimo lisboeta por ocasião do aniversário do 25º aniversário do 25 de Abril, como Praça 25 de Abril, atribuída pelo Edital municipal de 22/04/1999, na freguesia de Marvila.

Na sequência de solicitações de J. Sequeira bem como de António Emídio, a Avenida Doutor Alfredo Bensaúde havia sido atribuída à Rua I Circular, no troço compreendido entre a Praça de Acesso à Auto-Estrada do Norte e Moscavide,  por Edital municipal de 21/08/1968, com a legenda «Professor e homem de ciência/1856-1941», estendendo-se hoje entre a Praça José Queirós e a Avenida Cidade do Porto.

Alfredo Bensaúde ( Ponta Delgada/04.03.1858 – 02.01.1941/Ponta Delgada), formado na Escola Técnica Superior de Hanover, na Escola de Minas de Clausthal  onde se fez engenheiro de minas em 1878, e na Universidade de Gottingen onde se doutorou em Mineralogia em 1881, tornou-se a partir de 1884 e até 1910, professor de Mineralogia e Geologia no Instituto Industrial e Comercial de Lisboa e introduziu os métodos laboratoriais no ensino, revolucionando a forma de ensino dessas disciplinas. A ele se deve também a introdução em Portugal do ensino da Cristalografia e das técnicas de Petrografia. A convite de Brito Camacho, que era então Ministro do Fomento, foi o primeiro diretor do Instituto Superior Técnico,  de 1911 a 1922, exercendo também como docente, tendo tido assim a oportunidade de renovar os métodos de ensino da Engenharia no nosso país. A partir de 1924 foi nomeado Diretor Honorário. Das suas diversas publicações são de destacar Da Incongruência Entre a Observação e a Teoria em Alguns Cristais Cúbitos (1884), os seus  Relatórios sôbre vários jazigos minerais de Portugal, os Estudos sobre o sismo do Ribatejo de 23 de Abril de 1909  (1912) com o geólogo Paul Choffat e ainda, as Notas Histórico-Pedagógicas sobre o Instituto Superior Técnico (1922).

Com a morte do seu pai em 1922 retirou-se para Ponta Delgada, para assumir a administração da empresa industrial paterna e escreveu a biografia dele –  Vida de José Bensaúde -, publicada em 1936. Foi casado com Jeanne Oulman Bensaúde, autora de livros pedagógicos e infantis, bem como pai da bióloga Matilde Bensaúde, também desde 2016 homenageada na toponímia de Lisboa numa artéria próxima. 

Refira-se ainda a sua paixão pela construção e restauro de violinos, tendo construído o seu primeiro em 1874 e imprimido diferença nos que fazia através do verniz de produção própria que aplicava, bem como pela simetria na curvatura dos tampos. Chegou mesmo a interromper os estudos no ano letivo de 1874/1875 para aprender a arte de construir violinos. Na área musical também publicou, em 1905,  Uma concepção evolucionista da música e As canções de F. Schubert.

 

 

O pedido de mudança da Rua Agostinho Lourenço, nome igual ao do diretor da PIDE

Rua Agostinho Lourenço – Freguesia do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Agostinho Lourenço, nascida por Edital de 1903, foi das que após o 25 de Abril recebeu inúmeros pedidos de alteração do topónimo por parte dos munícipes e cidadãos em geral, já que o nome era igual ao daquele que foi o primeiro diretor da PIDE.

Lembrava o topónimo o nome do Capitão Agostinho Lourenço (Lisboa/05.09.1886 – 1964) que fora diretor da Polícia Internacional desde 1931,  da PVDE a partir de 1933 e da PIDE, de 1945 até 5 de setembro de 1956, data em que atingiu o limite de idade.

Entre os diversos pedidos para se proceder a esta alteração, todos de 1974 e 1975,  um deles sugeria mesmo que a artéria passasse a ter o nome de Manuel Rodrigues da Silva (Brasil/10.04.1909 – 22.07.1968/Moscovo), um militante operário que passou grande parte da sua existência preso no Tarrafal e em  Peniche. Passados mais de vinte anos, o nome de Manuel Rodrigues da Silva veio mesmo a ser um topónimo lisboeta, por Edital de 24 de setembro de 1996, na freguesia de Carnide.

Edital de 1903

Como topónimo, a Rua Agostinho Lourenço nasceu  em 1903, determinando o Edital municipal de 8 de junho «Que a nova via publica, entre a Avenida Antonio Augusto d’Aguiar e a rua de S. Sebastião da Pedreira, tenha a denominação de: rua Agostinho Lourenço». Todavia, passados 43 anos, em 18 de junho de 1946, a Comissão Municipal de Toponímia visitou diversos arruamentos da cidade, e concluiu « Que, em virtude das obras de urbanização efectuadas no respectivo local, o troço ainda existente da Rua Agostinho Lourenço, seja integrado na Rua Filipe Folque, devendo atribuir-se a outra via pública o nome de Agostinho Lourenço.»

Durante 9 nove anos não voltou a ser reposto o topónimo em Lisboa até que, na reunião de 11 de novembro de 1955, a Comissão Municipal de Toponímia deu o parecer de «que o nome de Agostinho Lourenço denomine o troço da Rua Alves Torgo, a Norte da Avenida do Aeroporto, até à linha férrea, mantendo a Rua Alves Torgo esta denominação entre a Rua de Arroios e a Rua António Pereira Carrilho». E assim ficou registada uma nova Rua Agostinho Lourenço, que hoje une a Avenida Almirante Gago Coutinho à Avenida São João de Deus, pelo Edital municipal de 15/03/1956, ou seja, cerca de 6 meses antes do Capitão Agostinho Lourenço deixar de ser o diretor da PIDE por atingir o limite de idade.

A figura de Agostinho Lourenço que está perpetuada na toponímia de Lisboa desde 1903 é de seu nome completo Agostinho Vicente Lourenço (Índia-Goa/1822 ou 1826- 1893/Lisboa), um químico e professor universitário, formado na Escola Médica de Nova Goa, onde foi docente, tal como na Escola Politécnica de Lisboa, a partir de 1862. Frequentou centros universitários em Paris, Munique, Heidelberg e Londres, tendo na capital francesa desenvolvido a maior parte da sua atividade científica, nomeadamente, trabalhando com Adolphe Würtz, que nos seus artigos lhe atribuiu a categoria de ter sido o primeiro investigador a obter o álcool dietilénico ou éter intermediário do glicol. Em 1867, Agostinho Lourenço publicou Trabalhos preparatorios ácerca das aguas minerais do Reino e providencias do Governo sobre proposta da Commissão respectiva, assim como organizou uma colecção de amostras das águas minerais portuguesas que integrou o trabalho Renseigments sur les eaux minerales portugaises, que foi nesse mesmo ano premiado na Exposição Internacional de Paris com medalha de ouro.

Edital de 1956

A Rua Comandante Fontoura da Costa, das tábuas náuticas e descobrimentos

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

Com a legenda «Investigador histórico e cartógrafo/1869 – 1940» foi o Comandante Fontoura da Costa colocado na toponímia de Lisboa, através do Edital de 13/11/1967, na via que era referenciada como Rua Terceira T.E. ou arruamento projetado entre a Estrada Militar e a Estrada do Desvio, ou ainda, arruamento B da Zona adjacente à Calçada de Carriche e Estrada do Desvio.

A Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa analisara em 16/05/1958 um ofício da Comissão Executiva do 5º Centenário da Morte do Infante Dom Henrique, solicitando que fossem atribuídos a arruamentos de Lisboa os nomes dos historiadores dos Descobrimentos Luciano Pereira da Silva, Professor António Barbosa, Comandante Fontoura da Costa, Comandante Quirino da Fonseca e Henrique Lopes de Mendonça. Mais tarde, em 22/05/1967, a Comissão tomou conhecimento de um pedido de Henriqueta Vasconcelos Sousa Coutinho para que o nome do Comandante Abel Fontoura da Costa fosse dado a um arruamento. E finalmente, na reunião da Comissão de 03/11/1967, ao analisar uma notícia do Diário de Lisboa, de 27 de Setembro, criticando a falta de denominação dos arruamentos construídos entre a Estrada do Desvio e a Estrada Militar, a Comissão considerou prematura a atribuição de nome aos arruamentos por se tratar de uma zona ainda em  fase de urbanização e sujeita a alterações e considerou apenas aconselhável denominar a Rua Terceira T.E., artéria na qual nasceu a Rua Comandante Fontoura da Costa.

Na Ilustração Portuguesa

Na Ilustração Portuguesa

Abel Fontoura da Costa (Alpiarça/09.12.1869 – 07.12.1940/Lisboa), foi um Oficial da Marinha que  logo em 1901 foi membro da Comissão de Delimitação de Fronteiras entre Angola e o Estado independente do Congo e durante largos anos ensinou na Escola Auxiliar da Marinha (1901 a 1913), como Professor da cadeira de Agulhas, Cronómetros e Navegação, sendo ainda Comandante Superior das Escolas de Marinha (1923). Foi também docente na Escola Náutica  (1924 a 1939), da qual foi  director de 1936 a 1939 tal como já havia sido diretor das Escolas Naval e  de Educação Física da Armada (1932). Publicou, entre outras obras, Aplicação das tábuas de estrada e logaritmos de subtracção do método de Ste Hilaire (1889), Tábuas Náuticas (1907), Marinharia dos Descobrimentos (1933), A Carta de Pêro Vaz de Caminha (1940) Roteiros portugueses inéditos da carreira da Índia do século XVI (1940) e La Science Nautique dês Portuguais à l’époque dês Découvertes (1941), para além de muitos artigos para os Anais do Clube Militar Naval de que se destaca «A Marinharia dos Descobrimentos». Fontoura da Costa também procedeu à compilação das obras completas de Pedro Nunes, à publicação do Roteiro da primeira viagem de Vasco da Gama de Álvaro Velho e ainda organizou uma importante exposição de roteiros portugueses dos séculos XVI e XVII.

Fontoura da Costa desempenhou igualmente funções políticas enquanto governador de Cabo Verde (1915-1917) e Ministro da Agricultura e da Marinha, de 9 de janeiro a 18 de agosto de 1923. Representou Portugal no Congresso de Ciências Históricas de Zurique e foi ainda membro da Academia Portuguesa de Ciências e História e da Comissão organizadora do Museu Naval (1936), bem como presidente da Associação de Futebol de Lisboa, em 1910. Foi agraciado com a Comenda (1919) e o  Grande-Oficialato (1920) da Ordem Militar de Avis.

Freguesia do Lumiar (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do Padre Felicidade, dos Jerónimos prior e estudioso

Freguesia de Campolide (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Campolide
(Foto: Sérgio Dias)

O padre José da Felicidade Alves, reconhecido como olisipógrafo pelos seus estudos sobre o Mosteiro dos Jerónimos bem como pela coordenação da coleção «Cidade de Lisboa» na Livros Horizonte, tem o seu nome na que era a Rua A da Quinta da Bela Flor desde a publicação do Edital de 14/07/2004, com a legenda «Olisipógrafo/1925 – 1998».

Freguesia de Campolide - Placa Tipo II (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Campolide – Placa Tipo II (Foto: Sérgio Dias)

José da Felicidade Alves (Caldas da Rainha-Vale da Quinta/11.03.1925 – 14.12.1998) entrou para o seminário com 11 anos e em 1948 foi ordenado sacerdote e  colocado como professor de Grego e Matemática no Seminário de São Paulo (em Almada), e depois em Lisboa, no dos Olivais.

Na sua carreira sacerdotal foi também prior da Paróquia de Santa Maria de Belém, de 1956 a 1968, onde se evidenciou pelo conteúdo das suas homilias, nas quais abordava temas incómodos ao poderes político e eclesiástico de então, como a guerra colonial, a perseguição política, ou os problemas sociais, tornando-se uma das figuras centrais da oposição dos católicos à ditadura. Em 19 de abril de 1968, na presença de 80 pessoas, proferiu uma comunicação ao Conselho Paroquial de Belém, intitulada «Perspectivas actuais de transformação nas estruturas da Igreja» e «Sentido da responsabilidade pessoal na vida pública do meu país», colocando em causa a forma como a Igreja se apresentava à sociedade, a sua organização, e mesmo a maneira como eram transmitidos os ensinamentos cristãos e a abordagem da própria figura de Deus, o que lhe valeu um processo que determinou, em novembro de 1968, o afastamento das suas funções de prior titular de Belém, e, mais tarde, a suspensão das suas funções sacerdotais, terminando, em 1970, com a sua excomunhão.

Após o afastamento da paróquia de Belém, o padre Felicidade tornou-se no grande impulsionador, em conjunto com Nuno Teotónio Pereira e o padre Abílio Tavares Cardoso, da publicação dos Cadernos GEDOC, de que saíram onze números, entre 1969 e 1970. Abordando criticamente questões ligadas à hierarquia católica e à guerra colonial, a publicação foi condenada pelo Cardeal Cerejeira e considerada ilegal pela PIDE, sendo instaurado um processo aos seus responsáveis, de que resultou em 19 de maio de 1970 a prisão de Felicidade Alves.  Ainda em 1970, no dia 1 de agosto, casou civilmente com Elisete Alves mas o processo para obter da hierarquia católica o reconhecimento do seu casamento pela via canónica oficial só foi autorizado quase 30 anos depois, sendo o seu casamento religioso então celebrado pelo Cardeal Patriarca D. José Policarpo em 10 de junho de 1998, o mesmo ano em que Felicidade Alves viria a falecer.

Afastado da hierarquia da Igreja, o padre Felicidade trabalhou em diversas empresas, como o Anuário Comercial e a editora Livros Horizonte. Continuou a sua produção literária, com estudos de natureza teológica e pastoral, como Católicos e Política (1969), Pessoas Livres e É Preciso Nascer de Novo (ambos em 1970)  e Jesus de Nazaré (1994), mas também de carácter histórico. Publicou, um conjunto de estudos originais – em  três volumes –  sobre o Mosteiro dos Jerónimos (1989 -1994), coordenou  uma coleção relativa à obra de Francisco de Holanda (seis obras entre 1984 e 1989), bem como a coleção de textos históricos sobre a cidade de Lisboa (cinco obras, entre 1987 e 1990) da Livros Horizonte. Saliente-se ainda o seu Roteiro da Produção Literária Portuguesa no Século XVI, tema a que Felicidade Alves se dedicou desde 1981 e O Mosteiro de São Vicente de Fora que deixou concluído e foi publicado postumamente. O seu trabalho bibliográfico foi premiado pela Academia Nacional de Belas Artes, que o tornou seu académico em 1994.

Depois do 25 de Abril de 1974, José da Felicidade Alves aderiu ao PCP, onde se manteve até morrer.  Desempenhou ainda as funções de presidente da Segurança Social entre agosto e dezembro de 1978 e de autarca do concelho de Oeiras, primeiro, na freguesia de Carnaxide e depois, na freguesia da Cruz Quebrada/Dafundo, onde residia. E foi agraciado com a  Ordem da Liberdade (1994) e o  prémio Júlio de Castilho de Olisipografia da Câmara Municipal de Lisboa (1995).

 

Freguesia de Campolide (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias)

 

A Rua que homenageia Jacinto Prado Coelho em Telheiras

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

O ensaísta Jacinto do Prado Coelho também escreveu sobre Vergílio Ferreira, nomeadamente no seu artigo «Vergílio Ferreira: um estilo de narrativa à beira do intemporal», inserido na coletânea Ao contrário de Penélope, publicada em 1976.

Enquanto topónimo lisboeta Jacinto do Prado Coelho foi fixado como Rua Prof. Prado Coelho, no próprio ano do seu falecimento, pelo Edital municipal  de 22/10/1984, no arruamento até aí denominado Rua 5 de Telheiras Norte, e com a legenda «Filólogo/1920 – 1984», dando assim cumprimento à proposta nº 119/84 aprovada por unanimidade na sessão de câmara de 21 de maio de 1984.

O alfacinha Jacinto Almeida do Prado Coelho (Lisboa/01.09.1920 – 19.05.1984/Lisboa), nascido na Freguesia de Santa Isabel,  foi um ensaísta e professor catedrático de Literatura Portuguesa Moderna da Faculdade de Letras de Lisboa, durante 40 anos, onde aliás se licenciara em Filologia Românica.  Foi ainda presidente do Centro de Estudos Filológicos entre 1954 e 1965. Da sua vasta obra, publicada desde os 15/16 anos, destaque-se A Educação do Sentimento Poético (1944), A Poesia de Teixeira de Pascoaes, Ensaio e Antologia (1945) , Introdução ao Estudo da Novela Camiliana (1946), Diversidade e Unidade em Fernando Pessoa (1951), Situação de Fialho na Literatura Portuguesa (1959), Problemática da História Literária (1961), A Letra e o Leitor (1969), Originalidade da Literatura Portuguesa (1977)  e Camões e Pessoa, Poetas da Utopia (1984), para além de ter sido o responsável pela edição das obras completas de Camilo Castelo Branco e de Teixeira de Pascoaes.

Este intelectual e investigador internacionalmente reconhecido dirigiu também a publicação do Dicionário das Literaturas Portuguesa, Galega e Brasileira (1960) e a revista Colóquio/Letras entre 1975 e 1984, para além de ter sido  Presidente da Sociedade Portuguesa de Escritores até ao seu encerramento em 1965, bem como da Academia das Ciências de Lisboa, em 1972.

Por último, refira-se que Jacinto Prado Coelho casou com a professora Dália dos Reis de Almeida, de quem teve um filho, o escritor e ensaísta Eduardo Prado Coelho.

Freguesia do Lumiar (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

Vergílio Ferreira e Jorge de Sena

Freguesia de Santa Clara (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Sérgio Dias)

Durante vários anos Vergílio Ferreira e Jorge de Sena mantiveram correspondência. Mécia de Sena organizou-a e foi publicada em 1987, com uma introdução de Vergílio Ferreira.

Nove antes, no próprio ano do seu falecimento, Jorge de  Sena deu nome a uma artéria da Freguesia de Santa Clara, a Rua A da Quinta de Santa Clara à Ameixoeira, enquanto na Rua B era colocado Vitorino Nemésio, através do Edital municipal de 20 de novembro de 1978.

Freguesia de Santa Clara - Placa Tipo II (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Clara – Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias)

Jorge Cândido Alves Rodrigues Telles Grilo Raposo de Abreu de Sena (Lisboa/02.11.1919 – 04.06.1978/Santa Barbara – E.U.A.), foi um escritor e professor universitário, ensaísta e historiador da cultura, considerado  uma das figuras centrais da cultura  portuguesa do século XX.

Era Cadete da Escola Naval quando em março de 1938 foi demitido da Marinha por motivos políticos, tema que ele abordará em Sinais de fogo. Licenciado em Engenharia Civil em 1944, pela Universidade do Porto, foi trabalhar para a Junta Autónoma de Estradas, de 1948 a 1959. Ainda nesse ano de 1959 fixou-se no Brasil, receando as perseguições políticas resultantes de uma falhada tentativa de golpe de estado, a 11 de março desse ano, em que esteve envolvido. Nesse país exerceu como engenheiro e professor de engenharia  em algumas universidades, acabando por se doutorar em Letras, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara (São Paulo) em 1964. A partir daqui fez uma reconversão profissional e dedicou-se ao ensino da literatura, passando logo em 1965, com Mécia de Sena e os nove filhos de ambos, para os Estados Unidos da América, por temor do golpe militar ocorrido no Brasil no ano anterior. Ensinou na Universidade de Wisconsin e depois, na de Santa Barbara (1970). Em Wisconsin tornou-se professor catedrático em 1967 e, em Santa Barbara, foi diretor do Departamento de Espanhol e Português e do Programa de Literatura Comparada. Foi ainda membro da Hispanic Society of America, da Modern Languages Association of America e da Renaissance Society of America.

Jorge de Sena estreou-se literariamente em 1942  com Perseguição mas a sua obra multifacetada compreende mais de vinte coletâneas de poesia, uma tragédia em verso, uma dezena de peças em um ato, mais de 30 contos, uma novela e um romance, cerca de 40 volumes dedicados à crítica e ao ensaio – com destaque para os estudos sobre Camões e Pessoa-, à história e à teoria literária e cultural -com trabalhos pioneiros sobre o Maneirismo-, ao teatro, ao cinema e às artes plásticas, sem esquecer que traduziu duas antologias gerais de poesia, da Antiguidade Clássica aos Modernismos do século XX, autores de ficção como Faulkner, Hemingway, Graham Greene, teatro de Eugene O’Neill) e ensaios de Chestov. Podem destacar-se da sua obra títulos como As evidências (1955), Metamorfoses (1963), Peregrinatio ad loca infecta (1969), O Indesejado (1951), Novas andanças do demónio (1966), Os Grão-Capitães (1976), O físico prodigioso(1977) e Sinais de fogo (1979).

Jorge de Sena foi ainda conferencista; crítico de teatro e de literatura em diversos jornais e revistas; comentador de cinema nas «Terças-feiras Clássicas» do Jardim Universitário de Belas-Artes no cinema Tivoli; diretor de publicações como os Cadernos de Poesia e coordenador editorial da revista Mundo Literário; consultor literário na Livros do Brasil e na Editora Agir (do Rio de Janeiro); cofundador do grupo de teatro Os Companheiros do Páteo das Comédias, em 1948, e colaborador, nesse mesmo ano, de António Pedro, no programa de teatro radiofónico Romance Policial, no Rádio Clube Português.

Freguesia de Santa Clara (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias)

O Círculo que liga Vergílio Ferreira à Rua Prof. Jorge da Silva Horta

Freguesia de Benfica (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

Vergílio Ferreira teve os seus livros também reeditados pelo Círculo de Leitores, como Manhã Submersa (1975),  Cântico final (1982) ou Aparição, Signo Sinal, Para Sempre, Até ao Fim, Mudança (todos em 1988),  Estrela Polar, Apelo da Noite, Alegria Breve, Rápida a Sombra (em 1989), Em nome da Terra (1991), e esse único clube do livro português encontra-se sediado na Rua Prof. Jorge da Silva Horta nº 1.

O Professor Jorge da Silva Horta, assim como o Professor José Pinto Correia, ambos  médicos e professores catedráticos, foram consagrados na toponímia de Lisboa pelo Edital municipal de 30/10/1990, a partir de uma sugestão da Ordem dos Médicos que mereceu parecer favorável da Comissão Municipal de Toponímia. O primeiro ficou numa rua de Benfica (entre a Rua Comandante Augusto Cardoso e o ponto onde confluem as Ruas Jaime Brasil, Dr. José Alberto de Faria e da Venezuela) e o segundo, num troço da Estrada Militar, compreendido entre a Calçada de Carriche e a Calçada do Poço.

Jorge Augusto da Silva Horta (Lisboa/23.12.1907 – 01.01.1989/Lisboa) de seu nome completo, foi um catedrático de relevo na Faculdade de Medicina de Lisboa, desde 1948, tendo sido também Professor de Anatomia Patológica, diretor do Instituto de Medicina Legal (1949 a 1954) e da Faculdade de Medicina (1955 a 1966), bem como Bastonário da Ordem dos Médicos (1956 a 1962).

O Prof. Jorge da Silva Horta iniciou a sua carreira hospitalar no Laboratório de Anatomia Patológica da Maternidade Alfredo da Costa (1933 a 1935), no Hospital de Santa Marta (1934) e no Laboratório do Hospital Militar do Faial (1941), tendo ficado ligado à identificação da substância amiloide, com Corino de Andrade, e alguns dos seus discípulos, como Arsénio Nunes, continuaram a sua obra.

Silva Horta foi ainda sócio da Academia das Ciências de Lisboa, dirigente da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa e o fundador da Sociedade Portuguesa de Anatomia Patológica, para além de dar colaboração especializada em diversa imprensa médica e ter publicado várias obras das quais se destaca a sua tese de doutoramento «Hiperparatiroidismo experimental» (1940) e «Reacção dos tecidos ao torotraste: referência especial a casos examinados por biopsia e na autópsia vários anos após a introdução do torotraste no organismo» (1951). Foi galardoado com o 1º Prémio Pfizer (1956), o Prémio Baron Portal da Academia de Medicina de Paris (1960) e como Grande Oficial da Ordem da Instrução Pública (1979).

Freguesia de Benfica (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Benfica
(Planta: Sérgio Dias)

A Avenida do professor e político António Augusto de Aguiar

Avenida António Augusto Aguiar entre 1955 e 1970 (Foto: Artur Pastor, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Avenida António Augusto Aguiar em data entre 1955 e 1970
(Foto: Artur Pastor, Arquivo Municipal de Lisboa)

Vergílio Ferreira publicou  a sua Aparição em 1959, na colecção «Contemporânea» da Portugália Editora e teve   sucessivas reedições, das quais destacamos  a primeira em formato de bolso, de 1971, na «Biblioteca Básica Verbo – Livros RTP». A  Editorial Verbo está sediada no 2º andar do nº 148 da Avenida António Augusto de Aguiar, artéria que liga a Avenida Fontes Pereira de Melo à Praça de Espanha nascida pelo Edital municipal de 11/12/1902, na que era a Rua António Augusto de Aguiar desde 10/01/1888.

O plano de crescimento de Lisboa para Norte, intitulado Avenida das Picoas ao Campo Grande, da autoria do Engenheiro Ressano Garcia, foi aprovado em 1888 e as terraplanagens nas ruas Fontes Pereira de Melo e António Augusto de Aguiar começaram em 1897. Em 1901, a canalização de água para esta zona da Cidade estava concluída e considerou-se que as artérias já podiam ser abertas. Neste arruamento Júlio de Andrade comprou terrenos em 1898, 1899 e 1903 e Francisco de Almeida Grandela no ano de 1901.

antonio augusto de aguiarAntónio Augusto de Aguiar (Lisboa/05.09.1838 – 04.09.1887/Lisboa), licenciado em Ciências Naturais e de Química na Escola Politécnica, foi  professor  de química mineral dessa Escola e publicou estudos no campo da Química, dando primazia aos temas vinícolas. Também foi docente  de química aplicada no Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, escola que também dirigiu a partir de 1871.

A partir de 1875 empenhou-se na política, tendo sido eleito deputado em 1879 e par do reino em 1884. Fez parte do governo presidido por Fontes Pereira de Melo, como Ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria,  entre 1883 e 1885, distinguindo-se pela criação de escolas profissionais, sobretudo de ensino industrial, bem como de museus industriais e comerciais para além de campanhas públicas em prol do melhoramento da qualidade dos vinhos portugueses com vista à exportação.

António Augusto Aguiar foi ainda presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa e grão-mestre da Maçonaria Portuguesa (1886-87), para além de ter exercido os cargos de membro da Comissão dos Trabalhos Geológicos (1862), da comissão encarregada do estudo dos vinhos portugueses (1866), de Comissário Real da representação portuguesa na Exposição Vinícola de Londres (1874), de membro da Comissão Geral das Alfândegas (1874), de Presidente da Comissão que organizou a representação portuguesa à Exposição Industrial de Filadélfia (1876), de Comissário Real na Índia para a negociação do Tratado do Sal entre Portugal e a Grã-Bretanha e de Comissário Técnico da representação portuguesa à Exposição Universal de Paris  (1878).

 

Freguesia das Avenidas Novas (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do criador da Geografia moderna em Portugal

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

O Professor Orlando Ribeiro, o criador da Geografia moderna em Portugal, dignificou com o seu nome a Rua D da Urbanização do Paço do Lumiar, situada entre a Rua Prof. Alfredo de Sousa e a Rua Prof. Fernando de Mello Moser, desde a publicação do Edital de 15/12/1997, menos de um mês depois do seu falecimento o que é demonstrativo do enorme valor deste investigador e docente.

Com a legenda «Geógrafo/1911 – 1997», este topónimo homenageia o criador da Geografia moderna em Portugal, Orlando da Cunha Ribeiro (Lisboa/16.02.1911 – 17.11.1997/Lisboa), licenciado em História e Geografia pela Faculdade de Letras de Lisboa em 1932, e quatro depois doutorado em Geografia com uma tese sobre a Serra da Arrábida, pela mesma Faculdade, onde foi discípulo de Leite de Vasconcelos e de Silva Teles.

A sua preocupação da ligação da investigação ao ensino da Geografia esteve sempre presente ao longo da vida de docente desde que a iniciou num colégio de Lisboa enquanto preparava o seu doutoramento.  Foi leitor assistente de português na Universidade de Paris (1937- 1940), professor na Universidade de Coimbra (1940-1942) e professor catedrático da Faculdade de Letras de Lisboa (de 1942 em diante), instituição onde criou o Centro de Estudos Geográficos em 1943 e que 23 anos anos depois passou a publicar a revista Finisterra. Orlando Ribeiro procurava suscitar nos seus discípulos o interesse pela Geografia como mais um ramo da Ciência e considerava que à escala universitária a docência e a investigação estão intimamente relacionadas, sendo praticamente inseparáveis.

Orlando Ribeiro foi autor de uma vasta obra sobre Geografia Física, Humana, Regional, Zonal, Metodologia e História da Geografia, Geologia, Etnologia, História e organização da vida científica universitária, de que destacamos Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico (1945), A Ilha do Fogo e as suas Erupções (1954), Geografia e Civilização. Temas Portugueses (1961), Ensaios de Geografia Humana e Regional (1970), Introduções Geográficas à História de Portugal (1977), A Ilha da Madeira até Meados do Século XX (1985), Iniciação em Geografia Humana (1986), Introdução ao Estudo de Geografia Regional (1987) e os 4 volumes de Geografia de Portugal (1987-1989).

Orlando Ribeiro que foi também colaborador dos Serviços Geológicos (1945), organizou o 1º Congresso Internacional de Geografia do pós-guerra (em abril de 1949), com a participação de 800 investigadores de 37 países, tendo para o efeito escolhido como colaboradores Fernandes Martins, Mariano Feio, Georges Zbyszewski, Carlos Teixeira, Virgínia Rau e Jorge Dias, e daqui ainda editou 8 volumes de Atas e 5 volumes das 5 excursões científicas realizadas no seu decorrer.

Freguesia do Lumiar (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

 

A Rua do professor do Liceu Francês Rui Grácio

Freguesia de Marvila (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias)

O professor do Liceu Francês e renovador dos métodos de ensino no ensino secundário, Rui Grácio, dá nome a um arruamento de Marvila, da Zona N 1 de Chelas, que estabelece a ligação entre a Rua Pedro Cruz e a Rua Luísa Neto Jorge, desde a publicação do Edital municipal de 12/11/1991, com a legenda «Investigador e Pedagogo/1921 – 1991».

Placa Tipo IV - Freguesia de Marvila (Foto: Sérgio Dias)

Placa Tipo IV – Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias)

Rui dos Santos Grácio (Moçambique-Maputo/01.08.1921 – 30.03.1991/Lisboa), licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas pela Universidade de Lisboa, deu como professor  um tributo  importante para a renovação do ensino da filosofia em Portugal, assim como desenvolveu estudos de psicopedagogia escolar da língua materna e da metodologia de ensino da matemática elementar. Desde 1947 e durante 25 anos foi professor do Liceu Francês em Lisboa (Lycée Français Charles Lepierre).

Em paralelo, a partir de 1963, desenvolveu investigação científica através da Fundação Calouste Gulbenkian, instituição onde dirigiu o departamento de pedagogia do Centro de Investigação Pedagógica, onde promoveu ações de formação destinadas a docentes, algo bastante inovador para a época. Deixou ainda vasta obra publicada nesta área, para além das conferências, colóquios e seminários que organizou e trouxeram a Portugal conhecidos investigadores e especialistas em educação.

Cidadão empenhado politicamente, Rui Grácio foi um dos fundadores do Partido Socialista em 1973 e desenvolveu acções de intervenção no  sindicalismo docente, no âmbito do Sindicato dos Professores do Ensino  Particular, o único existente antes do 25 de Abril, e após a Revolução dos Cravos, exerceu funções governativas, como Secretário de Estado da Orientação Pedagógica no III Governo Provisório presidido por Vasco Gonçalves (de 30 de setembro de 1974 a 26 de março de 1975), e nesse período operacionalizou políticas inovadoras, entre as quais a reforma da orientação dos estágios pedagógicos, a gestão colegial das escolas e a criação de área curricular de educação cívica.

Foi galardoado como Grande-Oficial da Ordem da Instrução Pública (1991) e  Grande-Oficial da Ordem da Liberdade (2001).

Freguesia de Marvila (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias)