Prof. Lindley Cintra numa rua de Carnide

Freguesia de Carnide
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Por sugestão da Assembleia Municipal de Lisboa, através da sua Moção de 10 de outubro de 1991, foi o nome do Prof. Prof. Lindley Cintra,  docente de Românica e Linguística, fixado na toponímia de Lisboa, pelo Edital camarário de 19/02/1992, na Rua A da Nova Urbanização do Bairro Padre Cruz, na freguesia de  Carnide, com a legenda «Filólogo e Investigador/1925 – 1991».

Pelo mesmo edital mais 3 professores catedráticos foram atribuídos nesta zona de Carnide, a saber, na Rua Prof. Pais da Silva, a Rua Prof. Arsénio Nunes e a Rua Prof. Almeida Lima. Este núcleo toponímico de professores universitários em Carnide conta ainda com a Rua Fernando Piteira Santos,  a Rua Prof. Francisco Pereira de Moura, a Rua Jorge Vieira, a Rua Profª Maria Leonor Buescu, a Rua Professor Sedas Nunes e a Rua Prof. Tiago de Oliveira.

Luís Filipe Lindley Cintra (Espariz – Tábua/05.03.1925 – 18.08.1991/Lisboa) foi um investigador, filólogo, linguista, historiador da cultura e professor universitário na Faculdade de Letras de Lisboa, docente de Românica e Linguística desde 195o até ao seu falecimento e catedrático desde 1962, tendo também aí criado o Departamento de Linguística Geral e Românica e reformado o Centro de Estudos Filológicos.

Como investigador, dedicou-se principalmente às origens da língua portuguesa – literatura medieval, linguística românica, dialetologia – e ao espaço da língua portuguesa, da sua geografia nos nossos dias, isto é, do espaço geográfico definido como produto da expansão extraeuropeia da língua nascida do latim vulgar do Noroeste peninsular. Lindley Cintra colaborou no Atlas Linguístico da Península Ibérica e dirigiu o Glossário Medieval, destacando-se da ainda na sua obra Alguns Estudos de Fonética com base no Atlas Linguístico da Península Ibérica (1958), A Linguagem dos Foros de Castelo Rodrigo (1959),  Áreas Lexicais no Território Português (1962), os três volumes de Crónica Geral de Espanha de 1344 (1951-1961), Estudos de Dialectologia Portuguesa (1983) e com Celso Cunha a a elaboração da Nova Gramática do Português Contemporâneo (1984).

Refira-se ainda que em 1950 começou logo a colaborar no Centro de Estudos Filológicos do Instituto de Alta Cultura e, quatro anos depois, passou a dirigir o Boletim de Filologia, tal como a Revista Lusitana, para além de pertencer a diversas sociedades científicas. Foi agraciado com a Ordem da Liberdade (1983) e a  Ordem da Instrução Pública (1988).

Freguesia de Carnide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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O Largo Prof. Arnaldo Sampaio da Escola Nacional de Saúde Pública

Freguesia de Campolide
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Prof. Arnaldo Sampaio foi um médico que se repartiu por três sectores fundamentais – o ensino, a investigação e a administração de Saúde Pública – e que desde 1986 tem o seu nome fixado num Largo situado em frente do Centro de Saúde de Sete Rios, na Freguesia de Campolide.

Com a legenda «Médico de Saúde Pública/1908 – 1984», o Largo Prof. Arnaldo Sampaio foi atribuído pelo Edital municipal de 08/07/1986 ao largo situado em frente do Centro de Saúde de Sete-Rios, por proposta da Administração Regional de Saúde de Lisboa.

António Arnaldo Carvalho Sampaio (Guimarães/07.06.1908 – 16.10.1984/Lisboa), licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (1933), junto com Gonçalves Ferreira, foi na década de 50 do séc. XX, responsável pela reforma do ensino da Saúde Pública no País, o que muito contribuiu para o desenvolvimento da Escola Nacional de Saúde Pública, a cujos destinos presidiu durante alguns anos, como Professor Catedrático de Administração de Saúde Pública.

Começou na investigação em 1939, no Laboratório do Instituto Dr. Ricardo Jorge e, em 1948, após regressar dos Estados Unidos da América – onde obteve o Mestrado em Saúde Pública pela John Hopkins (1945) -, desenvolveu novas técnicas e promoveu a formação de uma equipa de técnicos especializados para a melhoria da saúde em Portugal, bem como impulsionou o Centro de Bacteriologia, particularmente na descoberta das doenças da sífilis e brucelose, baseado na evidência epidemiológica e científica das doenças transmissíveis em Portugal. Em 1953, após um ano de trabalho como investigador do Centro Mundial da Gripe, em Londres, foi encarregado de montar e dirigir, no Instituto Superior de Higiene, o Centro Nacional da Gripe, ligado à Organização Mundial de Saúde e aí criou os Laboratórios de Bacteriologia e Virologia do Instituto Ricardo Jorge, que depressa se desenvolveu e distinguiu como um dos mais acreditados no País. Em 1955, foi nomeado Inspetor Superior de Saúde, continuando sempre a trabalhar no sentido de melhorar os serviços de Saúde, o que o levou à realização de um pormenorizado inquérito sobre os laboratórios existentes no País, com vista à instituição de uma rede laboratorial de Saúde Pública, que só viria a materializar-se com a reforma de 1971.

Na administração, Arnaldo Sampaio dirigiu o Instituto Superior de Higiene, de outubro de 1968 a janeiro de 1972. Entretanto, fora chamado, em 1970, a dirigir o recém-criado Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministério da Saúde e Assistência, tendo promovido a publicação dos «Trabalhos Preparatórios do IV Plano de Fomento — 1971», que constituíram um pormenorizado diagnóstico da situação de Saúde do País, com uma profundidade nunca antes atingida para além da sua contribuição pessoal para a elaboração do Decreto-Lei 413/71, peça fundamental da legislação portuguesa de Saúde  que lançou os fundamentos de uma moderna política de saúde e determinou uma completa reestruturação dos serviços, com a criação de uma rede de cuidados primários, destinada a cobrir todo o País. Foi depois nomeado Diretor-geral de Saúde (de 1972 a 1978), concebendo, elaborando e aplicando a reforma dos Serviços de Saúde portugueses de 1971, da autoria do seu grande amigo Gonçalves Ferreira. Destaque-se ainda que  em 1969, criou a Associação Portuguesa para a Promoção da Saúde Pública (APPSP).

Este Professor Catedrático de Administração de Saúde Pública dirigiu a Escola Nacional de Saúde Pública (1974-1976),  foi ainda membro da Organização Mundial de Saúde e, a partir de certa data e durante muitos anos, chefe da delegação portuguesa à Assembleia Mundial de Saúde. Pertenceu ainda aos Comités de Peritos da OMS e foi consultor da Organização. Quando, em 1977, Portugal foi eleito para o Comité Executivo — a mais alta instância técnico-científica e operacional da OMS — o governo Português incumbiu-o dessa representação.

Arnaldo Sampaio foi agraciado com Grande-Oficial da Ordem de Benemerência (1973) e a Grã-Cruz da Ordem do Mérito (1993), bem como com a criação em  1988 do Prémio Professor Arnaldo Sampaio pela APPSP  para o melhor trabalho de Investigação em Saúde Pública realizado em Portugal.

Refira-se ainda que o Prof. Dr. Arnaldo Sampaio foi o pai do antigo Presidente da República Jorge Sampaio (1939) e do psiquiatra e escritor Daniel Sampaio (1946).

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

A Avenida Doutor Alfredo Bensaúde que poderia ter sido Avenida 25 de Abril

Freguesia dos Olivais
(Foto: Sérgio Dias)

A Avenida Doutor Alfredo Bensaúde poderia ter sido Avenida 25 de Abril caso tivesse sido aceite a sugestão Almerindo Martins da Cruz, endereçada por carta à edilidade.

Esta proposta foi analisada na reunião da Comissão Municipal de Toponímia de 20 de dezembro de 1974 e também incluía o pedido de mudança da Avenida 28 de Maio para Avenida 28 de Setembro e da Avenida dos Combatentes para Avenida das Forças Armadas. O primeiro Edital municipal relativo a toponímia, publicado após o 25 de Abril, de 30 de dezembro de 1979, concretizou a mudança da Avenida 28 de Maio para Avenida das Forças Armadas. Sobre a mudança de topónimo da Avenida Doutor Alfredo Bensaúde a Comissão deliberou que «será futuramente considerada, quando se julgar pertinente». O 25 de Abril acabou por ser topónimo lisboeta por ocasião do aniversário do 25º aniversário do 25 de Abril, como Praça 25 de Abril, atribuída pelo Edital municipal de 22/04/1999, na freguesia de Marvila.

Na sequência de solicitações de J. Sequeira bem como de António Emídio, a Avenida Doutor Alfredo Bensaúde havia sido atribuída à Rua I Circular, no troço compreendido entre a Praça de Acesso à Auto-Estrada do Norte e Moscavide,  por Edital municipal de 21/08/1968, com a legenda «Professor e homem de ciência/1856-1941», estendendo-se hoje entre a Praça José Queirós e a Avenida Cidade do Porto.

Alfredo Bensaúde ( Ponta Delgada/04.03.1858 – 02.01.1941/Ponta Delgada), formado na Escola Técnica Superior de Hanover, na Escola de Minas de Clausthal  onde se fez engenheiro de minas em 1878, e na Universidade de Gottingen onde se doutorou em Mineralogia em 1881, tornou-se a partir de 1884 e até 1910, professor de Mineralogia e Geologia no Instituto Industrial e Comercial de Lisboa e introduziu os métodos laboratoriais no ensino, revolucionando a forma de ensino dessas disciplinas. A ele se deve também a introdução em Portugal do ensino da Cristalografia e das técnicas de Petrografia. A convite de Brito Camacho, que era então Ministro do Fomento, foi o primeiro diretor do Instituto Superior Técnico,  de 1911 a 1922, exercendo também como docente, tendo tido assim a oportunidade de renovar os métodos de ensino da Engenharia no nosso país. A partir de 1924 foi nomeado Diretor Honorário. Das suas diversas publicações são de destacar Da Incongruência Entre a Observação e a Teoria em Alguns Cristais Cúbitos (1884), os seus  Relatórios sôbre vários jazigos minerais de Portugal, os Estudos sobre o sismo do Ribatejo de 23 de Abril de 1909  (1912) com o geólogo Paul Choffat e ainda, as Notas Histórico-Pedagógicas sobre o Instituto Superior Técnico (1922).

Com a morte do seu pai em 1922 retirou-se para Ponta Delgada, para assumir a administração da empresa industrial paterna e escreveu a biografia dele –  Vida de José Bensaúde -, publicada em 1936. Foi casado com Jeanne Oulman Bensaúde, autora de livros pedagógicos e infantis, bem como pai da bióloga Matilde Bensaúde, também desde 2016 homenageada na toponímia de Lisboa numa artéria próxima. 

Refira-se ainda a sua paixão pela construção e restauro de violinos, tendo construído o seu primeiro em 1874 e imprimido diferença nos que fazia através do verniz de produção própria que aplicava, bem como pela simetria na curvatura dos tampos. Chegou mesmo a interromper os estudos no ano letivo de 1874/1875 para aprender a arte de construir violinos. Na área musical também publicou, em 1905,  Uma concepção evolucionista da música e As canções de F. Schubert.

 

 

O pedido de mudança da Rua Agostinho Lourenço, nome igual ao do diretor da PIDE

Rua Agostinho Lourenço – Freguesia do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Agostinho Lourenço, nascida por Edital de 1903, foi das que após o 25 de Abril recebeu inúmeros pedidos de alteração do topónimo por parte dos munícipes e cidadãos em geral, já que o nome era igual ao daquele que foi o primeiro diretor da PIDE.

Lembrava o topónimo o nome do Capitão Agostinho Lourenço (Lisboa/05.09.1886 – 1964) que fora diretor da Polícia Internacional desde 1931,  da PVDE a partir de 1933 e da PIDE, de 1945 até 5 de setembro de 1956, data em que atingiu o limite de idade.

Entre os diversos pedidos para se proceder a esta alteração, todos de 1974 e 1975,  um deles sugeria mesmo que a artéria passasse a ter o nome de Manuel Rodrigues da Silva (Brasil/10.04.1909 – 22.07.1968/Moscovo), um militante operário que passou grande parte da sua existência preso no Tarrafal e em  Peniche. Passados mais de vinte anos, o nome de Manuel Rodrigues da Silva veio mesmo a ser um topónimo lisboeta, por Edital de 24 de setembro de 1996, na freguesia de Carnide.

Edital de 1903

Como topónimo, a Rua Agostinho Lourenço nasceu  em 1903, determinando o Edital municipal de 8 de junho «Que a nova via publica, entre a Avenida Antonio Augusto d’Aguiar e a rua de S. Sebastião da Pedreira, tenha a denominação de: rua Agostinho Lourenço». Todavia, passados 43 anos, em 18 de junho de 1946, a Comissão Municipal de Toponímia visitou diversos arruamentos da cidade, e concluiu « Que, em virtude das obras de urbanização efectuadas no respectivo local, o troço ainda existente da Rua Agostinho Lourenço, seja integrado na Rua Filipe Folque, devendo atribuir-se a outra via pública o nome de Agostinho Lourenço.»

Durante 9 nove anos não voltou a ser reposto o topónimo em Lisboa até que, na reunião de 11 de novembro de 1955, a Comissão Municipal de Toponímia deu o parecer de «que o nome de Agostinho Lourenço denomine o troço da Rua Alves Torgo, a Norte da Avenida do Aeroporto, até à linha férrea, mantendo a Rua Alves Torgo esta denominação entre a Rua de Arroios e a Rua António Pereira Carrilho». E assim ficou registada uma nova Rua Agostinho Lourenço, que hoje une a Avenida Almirante Gago Coutinho à Avenida São João de Deus, pelo Edital municipal de 15/03/1956, ou seja, cerca de 6 meses antes do Capitão Agostinho Lourenço deixar de ser o diretor da PIDE por atingir o limite de idade.

A figura de Agostinho Lourenço que está perpetuada na toponímia de Lisboa desde 1903 é de seu nome completo Agostinho Vicente Lourenço (Índia-Goa/1822 ou 1826- 1893/Lisboa), um químico e professor universitário, formado na Escola Médica de Nova Goa, onde foi docente, tal como na Escola Politécnica de Lisboa, a partir de 1862. Frequentou centros universitários em Paris, Munique, Heidelberg e Londres, tendo na capital francesa desenvolvido a maior parte da sua atividade científica, nomeadamente, trabalhando com Adolphe Würtz, que nos seus artigos lhe atribuiu a categoria de ter sido o primeiro investigador a obter o álcool dietilénico ou éter intermediário do glicol. Em 1867, Agostinho Lourenço publicou Trabalhos preparatorios ácerca das aguas minerais do Reino e providencias do Governo sobre proposta da Commissão respectiva, assim como organizou uma colecção de amostras das águas minerais portuguesas que integrou o trabalho Renseigments sur les eaux minerales portugaises, que foi nesse mesmo ano premiado na Exposição Internacional de Paris com medalha de ouro.

Edital de 1956

A Rua Comandante Fontoura da Costa, das tábuas náuticas e descobrimentos

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

Com a legenda «Investigador histórico e cartógrafo/1869 – 1940» foi o Comandante Fontoura da Costa colocado na toponímia de Lisboa, através do Edital de 13/11/1967, na via que era referenciada como Rua Terceira T.E. ou arruamento projetado entre a Estrada Militar e a Estrada do Desvio, ou ainda, arruamento B da Zona adjacente à Calçada de Carriche e Estrada do Desvio.

A Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa analisara em 16/05/1958 um ofício da Comissão Executiva do 5º Centenário da Morte do Infante Dom Henrique, solicitando que fossem atribuídos a arruamentos de Lisboa os nomes dos historiadores dos Descobrimentos Luciano Pereira da Silva, Professor António Barbosa, Comandante Fontoura da Costa, Comandante Quirino da Fonseca e Henrique Lopes de Mendonça. Mais tarde, em 22/05/1967, a Comissão tomou conhecimento de um pedido de Henriqueta Vasconcelos Sousa Coutinho para que o nome do Comandante Abel Fontoura da Costa fosse dado a um arruamento. E finalmente, na reunião da Comissão de 03/11/1967, ao analisar uma notícia do Diário de Lisboa, de 27 de Setembro, criticando a falta de denominação dos arruamentos construídos entre a Estrada do Desvio e a Estrada Militar, a Comissão considerou prematura a atribuição de nome aos arruamentos por se tratar de uma zona ainda em  fase de urbanização e sujeita a alterações e considerou apenas aconselhável denominar a Rua Terceira T.E., artéria na qual nasceu a Rua Comandante Fontoura da Costa.

Na Ilustração Portuguesa

Na Ilustração Portuguesa

Abel Fontoura da Costa (Alpiarça/09.12.1869 – 07.12.1940/Lisboa), foi um Oficial da Marinha que  logo em 1901 foi membro da Comissão de Delimitação de Fronteiras entre Angola e o Estado independente do Congo e durante largos anos ensinou na Escola Auxiliar da Marinha (1901 a 1913), como Professor da cadeira de Agulhas, Cronómetros e Navegação, sendo ainda Comandante Superior das Escolas de Marinha (1923). Foi também docente na Escola Náutica  (1924 a 1939), da qual foi  director de 1936 a 1939 tal como já havia sido diretor das Escolas Naval e  de Educação Física da Armada (1932). Publicou, entre outras obras, Aplicação das tábuas de estrada e logaritmos de subtracção do método de Ste Hilaire (1889), Tábuas Náuticas (1907), Marinharia dos Descobrimentos (1933), A Carta de Pêro Vaz de Caminha (1940) Roteiros portugueses inéditos da carreira da Índia do século XVI (1940) e La Science Nautique dês Portuguais à l’époque dês Découvertes (1941), para além de muitos artigos para os Anais do Clube Militar Naval de que se destaca «A Marinharia dos Descobrimentos». Fontoura da Costa também procedeu à compilação das obras completas de Pedro Nunes, à publicação do Roteiro da primeira viagem de Vasco da Gama de Álvaro Velho e ainda organizou uma importante exposição de roteiros portugueses dos séculos XVI e XVII.

Fontoura da Costa desempenhou igualmente funções políticas enquanto governador de Cabo Verde (1915-1917) e Ministro da Agricultura e da Marinha, de 9 de janeiro a 18 de agosto de 1923. Representou Portugal no Congresso de Ciências Históricas de Zurique e foi ainda membro da Academia Portuguesa de Ciências e História e da Comissão organizadora do Museu Naval (1936), bem como presidente da Associação de Futebol de Lisboa, em 1910. Foi agraciado com a Comenda (1919) e o  Grande-Oficialato (1920) da Ordem Militar de Avis.

Freguesia do Lumiar (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do Padre Felicidade, dos Jerónimos prior e estudioso

Freguesia de Campolide (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Campolide
(Foto: Sérgio Dias)

O padre José da Felicidade Alves, reconhecido como olisipógrafo pelos seus estudos sobre o Mosteiro dos Jerónimos bem como pela coordenação da coleção «Cidade de Lisboa» na Livros Horizonte, tem o seu nome na que era a Rua A da Quinta da Bela Flor desde a publicação do Edital de 14/07/2004, com a legenda «Olisipógrafo/1925 – 1998».

Freguesia de Campolide - Placa Tipo II (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Campolide – Placa Tipo II (Foto: Sérgio Dias)

José da Felicidade Alves (Caldas da Rainha-Vale da Quinta/11.03.1925 – 14.12.1998) entrou para o seminário com 11 anos e em 1948 foi ordenado sacerdote e  colocado como professor de Grego e Matemática no Seminário de São Paulo (em Almada), e depois em Lisboa, no dos Olivais.

Na sua carreira sacerdotal foi também prior da Paróquia de Santa Maria de Belém, de 1956 a 1968, onde se evidenciou pelo conteúdo das suas homilias, nas quais abordava temas incómodos ao poderes político e eclesiástico de então, como a guerra colonial, a perseguição política, ou os problemas sociais, tornando-se uma das figuras centrais da oposição dos católicos à ditadura. Em 19 de abril de 1968, na presença de 80 pessoas, proferiu uma comunicação ao Conselho Paroquial de Belém, intitulada «Perspectivas actuais de transformação nas estruturas da Igreja» e «Sentido da responsabilidade pessoal na vida pública do meu país», colocando em causa a forma como a Igreja se apresentava à sociedade, a sua organização, e mesmo a maneira como eram transmitidos os ensinamentos cristãos e a abordagem da própria figura de Deus, o que lhe valeu um processo que determinou, em novembro de 1968, o afastamento das suas funções de prior titular de Belém, e, mais tarde, a suspensão das suas funções sacerdotais, terminando, em 1970, com a sua excomunhão.

Após o afastamento da paróquia de Belém, o padre Felicidade tornou-se no grande impulsionador, em conjunto com Nuno Teotónio Pereira e o padre Abílio Tavares Cardoso, da publicação dos Cadernos GEDOC, de que saíram onze números, entre 1969 e 1970. Abordando criticamente questões ligadas à hierarquia católica e à guerra colonial, a publicação foi condenada pelo Cardeal Cerejeira e considerada ilegal pela PIDE, sendo instaurado um processo aos seus responsáveis, de que resultou em 19 de maio de 1970 a prisão de Felicidade Alves.  Ainda em 1970, no dia 1 de agosto, casou civilmente com Elisete Alves mas o processo para obter da hierarquia católica o reconhecimento do seu casamento pela via canónica oficial só foi autorizado quase 30 anos depois, sendo o seu casamento religioso então celebrado pelo Cardeal Patriarca D. José Policarpo em 10 de junho de 1998, o mesmo ano em que Felicidade Alves viria a falecer.

Afastado da hierarquia da Igreja, o padre Felicidade trabalhou em diversas empresas, como o Anuário Comercial e a editora Livros Horizonte. Continuou a sua produção literária, com estudos de natureza teológica e pastoral, como Católicos e Política (1969), Pessoas Livres e É Preciso Nascer de Novo (ambos em 1970)  e Jesus de Nazaré (1994), mas também de carácter histórico. Publicou, um conjunto de estudos originais – em  três volumes –  sobre o Mosteiro dos Jerónimos (1989 -1994), coordenou  uma coleção relativa à obra de Francisco de Holanda (seis obras entre 1984 e 1989), bem como a coleção de textos históricos sobre a cidade de Lisboa (cinco obras, entre 1987 e 1990) da Livros Horizonte. Saliente-se ainda o seu Roteiro da Produção Literária Portuguesa no Século XVI, tema a que Felicidade Alves se dedicou desde 1981 e O Mosteiro de São Vicente de Fora que deixou concluído e foi publicado postumamente. O seu trabalho bibliográfico foi premiado pela Academia Nacional de Belas Artes, que o tornou seu académico em 1994.

Depois do 25 de Abril de 1974, José da Felicidade Alves aderiu ao PCP, onde se manteve até morrer.  Desempenhou ainda as funções de presidente da Segurança Social entre agosto e dezembro de 1978 e de autarca do concelho de Oeiras, primeiro, na freguesia de Carnaxide e depois, na freguesia da Cruz Quebrada/Dafundo, onde residia. E foi agraciado com a  Ordem da Liberdade (1994) e o  prémio Júlio de Castilho de Olisipografia da Câmara Municipal de Lisboa (1995).

 

Freguesia de Campolide (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias)

 

A Rua que homenageia Jacinto Prado Coelho em Telheiras

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

O ensaísta Jacinto do Prado Coelho também escreveu sobre Vergílio Ferreira, nomeadamente no seu artigo «Vergílio Ferreira: um estilo de narrativa à beira do intemporal», inserido na coletânea Ao contrário de Penélope, publicada em 1976.

Enquanto topónimo lisboeta Jacinto do Prado Coelho foi fixado como Rua Prof. Prado Coelho, no próprio ano do seu falecimento, pelo Edital municipal  de 22/10/1984, no arruamento até aí denominado Rua 5 de Telheiras Norte, e com a legenda «Filólogo/1920 – 1984», dando assim cumprimento à proposta nº 119/84 aprovada por unanimidade na sessão de câmara de 21 de maio de 1984.

O alfacinha Jacinto Almeida do Prado Coelho (Lisboa/01.09.1920 – 19.05.1984/Lisboa), nascido na Freguesia de Santa Isabel,  foi um ensaísta e professor catedrático de Literatura Portuguesa Moderna da Faculdade de Letras de Lisboa, durante 40 anos, onde aliás se licenciara em Filologia Românica.  Foi ainda presidente do Centro de Estudos Filológicos entre 1954 e 1965. Da sua vasta obra, publicada desde os 15/16 anos, destaque-se A Educação do Sentimento Poético (1944), A Poesia de Teixeira de Pascoaes, Ensaio e Antologia (1945) , Introdução ao Estudo da Novela Camiliana (1946), Diversidade e Unidade em Fernando Pessoa (1951), Situação de Fialho na Literatura Portuguesa (1959), Problemática da História Literária (1961), A Letra e o Leitor (1969), Originalidade da Literatura Portuguesa (1977)  e Camões e Pessoa, Poetas da Utopia (1984), para além de ter sido o responsável pela edição das obras completas de Camilo Castelo Branco e de Teixeira de Pascoaes.

Este intelectual e investigador internacionalmente reconhecido dirigiu também a publicação do Dicionário das Literaturas Portuguesa, Galega e Brasileira (1960) e a revista Colóquio/Letras entre 1975 e 1984, para além de ter sido  Presidente da Sociedade Portuguesa de Escritores até ao seu encerramento em 1965, bem como da Academia das Ciências de Lisboa, em 1972.

Por último, refira-se que Jacinto Prado Coelho casou com a professora Dália dos Reis de Almeida, de quem teve um filho, o escritor e ensaísta Eduardo Prado Coelho.

Freguesia do Lumiar (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

Vergílio Ferreira e Jorge de Sena

Freguesia de Santa Clara (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Sérgio Dias)

Durante vários anos Vergílio Ferreira e Jorge de Sena mantiveram correspondência. Mécia de Sena organizou-a e foi publicada em 1987, com uma introdução de Vergílio Ferreira.

Nove antes, no próprio ano do seu falecimento, Jorge de  Sena deu nome a uma artéria da Freguesia de Santa Clara, a Rua A da Quinta de Santa Clara à Ameixoeira, enquanto na Rua B era colocado Vitorino Nemésio, através do Edital municipal de 20 de novembro de 1978.

Freguesia de Santa Clara - Placa Tipo II (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Clara – Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias)

Jorge Cândido Alves Rodrigues Telles Grilo Raposo de Abreu de Sena (Lisboa/02.11.1919 – 04.06.1978/Santa Barbara – E.U.A.), foi um escritor e professor universitário, ensaísta e historiador da cultura, considerado  uma das figuras centrais da cultura  portuguesa do século XX.

Era Cadete da Escola Naval quando em março de 1938 foi demitido da Marinha por motivos políticos, tema que ele abordará em Sinais de fogo. Licenciado em Engenharia Civil em 1944, pela Universidade do Porto, foi trabalhar para a Junta Autónoma de Estradas, de 1948 a 1959. Ainda nesse ano de 1959 fixou-se no Brasil, receando as perseguições políticas resultantes de uma falhada tentativa de golpe de estado, a 11 de março desse ano, em que esteve envolvido. Nesse país exerceu como engenheiro e professor de engenharia  em algumas universidades, acabando por se doutorar em Letras, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara (São Paulo) em 1964. A partir daqui fez uma reconversão profissional e dedicou-se ao ensino da literatura, passando logo em 1965, com Mécia de Sena e os nove filhos de ambos, para os Estados Unidos da América, por temor do golpe militar ocorrido no Brasil no ano anterior. Ensinou na Universidade de Wisconsin e depois, na de Santa Barbara (1970). Em Wisconsin tornou-se professor catedrático em 1967 e, em Santa Barbara, foi diretor do Departamento de Espanhol e Português e do Programa de Literatura Comparada. Foi ainda membro da Hispanic Society of America, da Modern Languages Association of America e da Renaissance Society of America.

Jorge de Sena estreou-se literariamente em 1942  com Perseguição mas a sua obra multifacetada compreende mais de vinte coletâneas de poesia, uma tragédia em verso, uma dezena de peças em um ato, mais de 30 contos, uma novela e um romance, cerca de 40 volumes dedicados à crítica e ao ensaio – com destaque para os estudos sobre Camões e Pessoa-, à história e à teoria literária e cultural -com trabalhos pioneiros sobre o Maneirismo-, ao teatro, ao cinema e às artes plásticas, sem esquecer que traduziu duas antologias gerais de poesia, da Antiguidade Clássica aos Modernismos do século XX, autores de ficção como Faulkner, Hemingway, Graham Greene, teatro de Eugene O’Neill) e ensaios de Chestov. Podem destacar-se da sua obra títulos como As evidências (1955), Metamorfoses (1963), Peregrinatio ad loca infecta (1969), O Indesejado (1951), Novas andanças do demónio (1966), Os Grão-Capitães (1976), O físico prodigioso(1977) e Sinais de fogo (1979).

Jorge de Sena foi ainda conferencista; crítico de teatro e de literatura em diversos jornais e revistas; comentador de cinema nas «Terças-feiras Clássicas» do Jardim Universitário de Belas-Artes no cinema Tivoli; diretor de publicações como os Cadernos de Poesia e coordenador editorial da revista Mundo Literário; consultor literário na Livros do Brasil e na Editora Agir (do Rio de Janeiro); cofundador do grupo de teatro Os Companheiros do Páteo das Comédias, em 1948, e colaborador, nesse mesmo ano, de António Pedro, no programa de teatro radiofónico Romance Policial, no Rádio Clube Português.

Freguesia de Santa Clara (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias)

O Círculo que liga Vergílio Ferreira à Rua Prof. Jorge da Silva Horta

Freguesia de Benfica (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

Vergílio Ferreira teve os seus livros também reeditados pelo Círculo de Leitores, como Manhã Submersa (1975),  Cântico final (1982) ou Aparição, Signo Sinal, Para Sempre, Até ao Fim, Mudança (todos em 1988),  Estrela Polar, Apelo da Noite, Alegria Breve, Rápida a Sombra (em 1989), Em nome da Terra (1991), e esse único clube do livro português encontra-se sediado na Rua Prof. Jorge da Silva Horta nº 1.

O Professor Jorge da Silva Horta, assim como o Professor José Pinto Correia, ambos  médicos e professores catedráticos, foram consagrados na toponímia de Lisboa pelo Edital municipal de 30/10/1990, a partir de uma sugestão da Ordem dos Médicos que mereceu parecer favorável da Comissão Municipal de Toponímia. O primeiro ficou numa rua de Benfica (entre a Rua Comandante Augusto Cardoso e o ponto onde confluem as Ruas Jaime Brasil, Dr. José Alberto de Faria e da Venezuela) e o segundo, num troço da Estrada Militar, compreendido entre a Calçada de Carriche e a Calçada do Poço.

Jorge Augusto da Silva Horta (Lisboa/23.12.1907 – 01.01.1989/Lisboa) de seu nome completo, foi um catedrático de relevo na Faculdade de Medicina de Lisboa, desde 1948, tendo sido também Professor de Anatomia Patológica, diretor do Instituto de Medicina Legal (1949 a 1954) e da Faculdade de Medicina (1955 a 1966), bem como Bastonário da Ordem dos Médicos (1956 a 1962).

O Prof. Jorge da Silva Horta iniciou a sua carreira hospitalar no Laboratório de Anatomia Patológica da Maternidade Alfredo da Costa (1933 a 1935), no Hospital de Santa Marta (1934) e no Laboratório do Hospital Militar do Faial (1941), tendo ficado ligado à identificação da substância amiloide, com Corino de Andrade, e alguns dos seus discípulos, como Arsénio Nunes, continuaram a sua obra.

Silva Horta foi ainda sócio da Academia das Ciências de Lisboa, dirigente da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa e o fundador da Sociedade Portuguesa de Anatomia Patológica, para além de dar colaboração especializada em diversa imprensa médica e ter publicado várias obras das quais se destaca a sua tese de doutoramento «Hiperparatiroidismo experimental» (1940) e «Reacção dos tecidos ao torotraste: referência especial a casos examinados por biopsia e na autópsia vários anos após a introdução do torotraste no organismo» (1951). Foi galardoado com o 1º Prémio Pfizer (1956), o Prémio Baron Portal da Academia de Medicina de Paris (1960) e como Grande Oficial da Ordem da Instrução Pública (1979).

Freguesia de Benfica (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Benfica
(Planta: Sérgio Dias)

A Avenida do professor e político António Augusto de Aguiar

Avenida António Augusto Aguiar entre 1955 e 1970 (Foto: Artur Pastor, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Avenida António Augusto Aguiar em data entre 1955 e 1970
(Foto: Artur Pastor, Arquivo Municipal de Lisboa)

Vergílio Ferreira publicou  a sua Aparição em 1959, na colecção «Contemporânea» da Portugália Editora e teve   sucessivas reedições, das quais destacamos  a primeira em formato de bolso, de 1971, na «Biblioteca Básica Verbo – Livros RTP». A  Editorial Verbo está sediada no 2º andar do nº 148 da Avenida António Augusto de Aguiar, artéria que liga a Avenida Fontes Pereira de Melo à Praça de Espanha nascida pelo Edital municipal de 11/12/1902, na que era a Rua António Augusto de Aguiar desde 10/01/1888.

O plano de crescimento de Lisboa para Norte, intitulado Avenida das Picoas ao Campo Grande, da autoria do Engenheiro Ressano Garcia, foi aprovado em 1888 e as terraplanagens nas ruas Fontes Pereira de Melo e António Augusto de Aguiar começaram em 1897. Em 1901, a canalização de água para esta zona da Cidade estava concluída e considerou-se que as artérias já podiam ser abertas. Neste arruamento Júlio de Andrade comprou terrenos em 1898, 1899 e 1903 e Francisco de Almeida Grandela no ano de 1901.

antonio augusto de aguiarAntónio Augusto de Aguiar (Lisboa/05.09.1838 – 04.09.1887/Lisboa), licenciado em Ciências Naturais e de Química na Escola Politécnica, foi  professor  de química mineral dessa Escola e publicou estudos no campo da Química, dando primazia aos temas vinícolas. Também foi docente  de química aplicada no Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, escola que também dirigiu a partir de 1871.

A partir de 1875 empenhou-se na política, tendo sido eleito deputado em 1879 e par do reino em 1884. Fez parte do governo presidido por Fontes Pereira de Melo, como Ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria,  entre 1883 e 1885, distinguindo-se pela criação de escolas profissionais, sobretudo de ensino industrial, bem como de museus industriais e comerciais para além de campanhas públicas em prol do melhoramento da qualidade dos vinhos portugueses com vista à exportação.

António Augusto Aguiar foi ainda presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa e grão-mestre da Maçonaria Portuguesa (1886-87), para além de ter exercido os cargos de membro da Comissão dos Trabalhos Geológicos (1862), da comissão encarregada do estudo dos vinhos portugueses (1866), de Comissário Real da representação portuguesa na Exposição Vinícola de Londres (1874), de membro da Comissão Geral das Alfândegas (1874), de Presidente da Comissão que organizou a representação portuguesa à Exposição Industrial de Filadélfia (1876), de Comissário Real na Índia para a negociação do Tratado do Sal entre Portugal e a Grã-Bretanha e de Comissário Técnico da representação portuguesa à Exposição Universal de Paris  (1878).

 

Freguesia das Avenidas Novas (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias)