Inauguração da Rotunda República Argentina amanhã

Amanhã, dia 21 de novembro,  às 12:00 horas, a Câmara Municipal de Lisboa, representada pela Srª Vereadora Catarina Vaz Pinto, e a Embaixada da República da Argentina, procederão à inauguração da Rotunda República Argentina, na Freguesia do Parque das Nações, com o descerramento das respetivas placas toponímicas.

Nesta mesma ocasião em que a edilidade lisboeta se associa às comemorações dos 200 anos da Independência da Argentina, será também inaugurado no local um busto do General José de San Martín, militar argentino fundamental na independência da Argentina, Chile e Peru na primeira metade do séc. XIX, oferecido pela Embaixada argentina à cidade de Lisboa.

A Rotunda República Argentina resultou da aprovação da proposta da Vereadora Catarina Vaz Pinto em reunião de câmara de 7 de dezembro de 2016, fixando assim o Edital municipal nº 15/2017, de 20 de janeiro de 2017,  na Rotunda à Avenida Ulisses o topónimo Rotunda República Argentina.

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O Fado Há Festa na Mouraria por Alfredo Marceneiro

Há Festa na Mouraria
Compositor: António Amargo (Fado Marcha do Marceneiro)

Desde manhã, os fadistas
Jaquetão, calça esticada
Se aprumam com galhardia
Seguem as praxes bairristas
É data santificada
Há festa na Mouraria

Toda aquela que se preza
De fumar, falar calão
Pôr em praça a juventude
Nessa manhã chora e reza
É dia da procissão
Da Senhora da Saúde

Nas vielas do pecado
Reina a paz tranquila e santa
Vive uma doce alegria
À noite, é noite de fado
Tudo toca, tudo canta
Até a Rosa Maria

A chorar de arrependida
A cantar com devoção
Numa voz fadista e rude
Aquela rosa perdida
Da Rua do Capelão
Parece que tem virtude

O Fado A minha rua por Camané

Mudou muito a minha rua
Quando o Outono chegou
Deixou de se ver a lua
Todo o trânsito parou

Muitas portas estão fechadas
Já ninguém entra por elas
Não há roupas penduradas
Nem há cravos nas janelas

Não há marujos na esquina
De manhã não há mercado
Nunca mais vi a varina
A namorar o soldado

O padeiro foi-se embora
Foi-se embora o professor
Na rua só passa agora
O abade e o doutor

O homem do realejo
Nunca mais por lá passou
O Tejo já não o vejo
Um grande prédio o tapou

O relógio da estação
Marca as horas em atraso
E o menino do pião
Anda a brincar ao acaso

A livraria fechou
A tasca tem outro dono
A minha rua mudou
Quando chegou o Outono

Há quem diga “ainda bem,
Está muito mais sossegada”
Não se vê quase ninguém
E não se ouve quase nada

Eu vou-lhes dando razão
Que lhes faça bom proveito
E só espero pelo Verão
P´ra pôr a rua a meu jeito

Letra: Manuela de Freitas

O Fado Maria Severa

O Fado Maria Severa, de José Galhardo e Raúl Ferrão, interpretado por Argentina Santos.

Num beco da Mouraria,
Onde a alegria
Do sol não vem
Morreu Maria Severa
Sabem quem era
Talvez ninguém

Uma voz sentida e quente
Que hoje à terra disse adeus
Voz sentida, mas ardente
Mas que vive eternamente
Dentro em nós e junto a deus
Além nos céus

Bem longe o luar
No azul tem mais luz
Eu vejo-a rezar
Aos pés de uma cruz
Guitarras trinai
Viradas ao céu
Fadistas chorai
Porque ela morreu

Caía a noite na viela
Quando o olhar dela
Deixou de olhar
Partiu p’ra sempre, vencida
Cantando a vida
Que a fez chorar

Deixa um filho idolatrado
Que outro afeto igual não tem
Chama-se ele o triste fado
Que vai ser desse enjeitado?
Se perdeu o maior bem:
O amor de mãe

O Fado A Rua mais lisboeta

Fado de José Lourenço Rodrigues e Vasco de Macedo

na voz de Hermínia Silva:

na voz de Aldina Duarte:

Cá p´ra mim a minha rua
É um risonho canteiro
Tem gatos miando à lua
Nos telhados em Janeiro

Tudo ali é português
Tudo lá, vive contente
Vive o pobre e o burguês
É pequenina?… talvez
Mas cabe lá toda a gente

Melhor eu nunca vi
Do que a rua onde nasci
Rua pobrezinha, mas tem uma graça infinda
É humilde, qual aldeia
Embora digam que é feia
Cá p´ra mim é a mais linda

Não há ódios nem maldade
Tudo ali é singeleza
Não pode haver na cidade
Rua assim mais portuguesa

Nada tem que seja novo
Nessa rua da gentalha
Ali, canto e me comovo
Pois é rua do povo
Que labuta e que trabalha

O Fado na toponímia de Lisboa

No dia 27 deste mês passam já seis anos sobre a data em que o Fado foi reconhecido como Património Cultural e Imaterial da Humanidade pela UNESCO, pelo que o nosso mote de novembro é O Fado na Toponímia de Lisboa.

Neste tema já publicámos artigos dos seguintes topónimos
de fadistas: Jardim Amália Rodrigues, Rua Berta CardosoRua Fernando FarinhaRua Fernando Maurício, Rua Lucília do Carmo, Rua Maria Albertina, Rua Maria Alice, Rua Maria Teresa de Noronha, Jardim Tristão da Silva;
de guitarristas: Rua Armandinho;
de compositores de fado: Rua Filipe Duarte, Rua Jaime Mendes, Rua Nóbrega e Sousa;
e de letristas de fado: Rua João Linhares Barbosa e Rua Vasco de Lima Couto.

A estes acresce a Rua do Capelão, na Mouraria, onde viveu e faleceu a Severa, nasceu Fernando Maurício e é o lugar de um monumento que representa uma guitarra portuguesa, intitulado Mouraria – Berço do Fado. De igual modo, já abordámos a Rua da Graça e o Pátio do Carrasco, onde morou a Severa, assim como o Campo Grande onde residiu no palacete do último Conde de Vimioso. Também já aludimos à Rua Alfredo Duarte (Marceneiro), assim como o Largo de Santo Antoninho, na Bica, onde se encontra uma lápide comemorativa de Ti Alfredo  ali ter cantado na noite de 30 de junho de 1971, com 83 anos de idade, tal como aconteceu com a Rua Hermínia Silva, na Ajuda e com a Rua da Esperança, na Madragoa, onde no nº 146 uma placa assinala que ali a fadista se estreou profissionalmente em 1926 ali, no então Cine-Esperança (hoje, Museu da Marioneta). Por último, também já abordámos a Rua da Bica de Duarte Belo, em cujo nº 45 o fadista Manuel de Almeida  viveu a maior parte da sua vida, no  1º andar.

Cabe ainda no Fado a Rua Dr. Júlio Dantas, que escreveu A Severa (1901), peça exibida no São Luiz e que em 1931 serviu de base ao 1º filme sonoro português, de Leitão de Barros.