As ruas das Festas de Lisboa

Neste mês de junho em que as Festas de Lisboa enchem de multidão as ruas da nossa cidade só poderíamos ter como tema as ruas que dão lugar aos festejos, sejam as Marchas pela Avenida da Liberdade, os Arraiais populares em cada bairro e os manjericos,  os Casamentos de Santo António e a música a animar os mais diversos espaços ao ar livre, sempre pontuados pela sardinha, seja a pingar no pão, seja no concurso anual da Sardinha criado desde as Festas de 2003.

© CML | DPC | NT | 2019

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Maio é mês de MURO-Festival de Arte Urbana de Lisboa e da música

O MURO será o nosso tema de maio, já que de 23 a 26 de maio próximo vai decorrer no Lumiar a edição de 2019 do MURO – Festival de Arte Urbana, que este ano terá como tema central a música.

Na área de intervenção do MURO’19 a toponímia tem uma forte presença alusiva à música, desde logo com a Alameda da Música, as fadistas Maria Alice, Maria do Carmo Torres e Maria José da Guia, o guitarrista e compositor Carlos Paredes numa Avenida, os compositores Nóbrega e Sousa e Shegundo Galarza, bem como nomes da música clássica como os cantores Luís Piçarra e Arminda Correia, a violoncelista e professora de música Adriana de Vechi e o trompista, compositor e maestro Tomás del Negro, para além escritores como David Mourão-Ferreira ou José Cardoso Pires. Por outro lado, a edição deste ano do MURO expressa mais uma vez a vontade da GAU – Galeria de Arte Urbana de Lisboa de apostar na divulgação de abordagens artísticas experimentais e inovadoras, preferencialmente de carácter multidisciplinar e menos conhecidas do grande público.

A pintura, criação artística associada à arte urbana, no contexto da experimentação e inovação vai ter na edição deste ano também uma dimensão sonora com algumas das intervenções artísticas do MURO’19 a nascerem de projetos concebidos e desenvolvidos entre artistas de arte urbana e músicos, com uma dimensão visual e outra acústica. Neste mesmo contexto surge a escolha de artistas como Tó Trips (Dead Combo), Surma e NBC (ambos presentes no Festival da Canção 2019) e a realização de uma disputa sonora (um concerto) entre um músico do bairro e outro de fora dele.

Outra característica deste MURO’19 são as características morfológicas, urbanísticas e arquitetónicas encontradas à escala do Bairro/Quarteirão, assumindo o território como fonte de inspiração. Cada obra inspira-se no lugar, através de diferentes epaços/suportes e em formatos completamente distintos uns dos outros.

Na arte urbana vão marcar presença 20 artistas, de 6 nacionalidades – Costah (PT), Flix (VEN), Fulviet (ITA), Glam (PT), Miguel Brum (PT), Mosaik (PT), Muzai (BR), MynameisnotSEM (PT), NSN997 (ESP/ITA), Oze Arv (PT), Pantónio (PT), Peeta (ITA), RAF (PT), Regg (PT), Samina (PT), San Spiga (ARG), Tamara Alves (PT), Third (PT), Tufer (PT) e Utopia (PT). Na fotografia estará exposta a obra da Agência Calipo (PT). E na arte performativa, todos os nomes serão portugueses: Chapitô, Joana Grupo de Teatro, NBC, Orquestra de Câmara Portuguesa, Rádio Quântica, Sons da Lusofonia, Surma, Tó Trips – e mais um conjunto de ações promovidas pelo Centro de Arte e Formação (CAF) e a Biblioteca Maria Keil.

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Locais do 25 de Abril em Lisboa

 

A 25 de Abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas (MFA) organizou um golpe de Estado militar que derrubou a ditadura do Estado Novo e abriu caminho à implantação da democracia em Portugal.

Por isso, 45 anos passados sobre esta data, será a mesma evocada no roteiro 25 Lugares de Abril, elaborado pelo Gabinete de Estudos Olisiponenses com a Associação 25 de Abril, no âmbito das comemorações conjuntas da Câmara Municipal de Lisboa e Associação 25 de Abril, sendo por isso também o nosso tema deste mês Locais do 25 de Abril em Lisboa.

O local da Avenida Elias Garcia onde estava instalada a Rádio Alfabeta dos Emissores Associados de Lisboa que lançou a 1ª senha do 25 de Abril – E Depois do Adeus – pela voz de João Paulo Dinis, a Rua Ivens onde se encontrava a Rádio Renascença que  emitiu a 2ª senha – Grândola Vila Morena – apresentada por Paulo Coelho, a Alameda das Linhas de Torres onde se situava o Quartel da Escola Prática de Administração Militar e os estúdios da Rádio Televisão Portuguesa que foram ocupar, a Rua do Quelhas da Emissora Nacional, a Rua Sampaio Pina do Rádio Clube Português, os decisivos locais da Praça do Comércio, Ribeira da Naus, Rua do Arsenal, Rua do Comércio e Largo do Carmo, entre outros onde também se fez a história deste dia e que trataremos neste mês de Abril e 45º aniversário do 25 de Abril.

© CML | DPC | NT e GEO – Gabinete de Estudos Olisiponenses | 2019

Lisboa Romana – Felicitas Iulia Olisipo

Neste mês de março vamos mostrar a Lisboa Romana –  Felicitas Iulia Olisipo – , que ganhou visibilidade na sequência da reconstrução pós terramoto de 1755, através dos vestígios do seu Teatro, das grandes Termas públicas (Termas do Cássios) e do Criptopórtico Romano da Rua da Prata, vulgarmente designado por Galerias Romanas.

Com a ajuda do CAL – Centro de Arqueologia de Lisboa, foi possível esboçar uma cidade, capital do município de Felicitas Iulia Olisipo que, somado o seu subúrbio, do Tejo rumo ao norte não iria além da Praça do Marquês de Pombal,  a oriente seguia até perto de Santa Apolónia, a ocidente até à colina de São Francisco, com um porto natural ao longo do seu interface ribeirinho, beneficiando de um extenso estuário. Desta cidade estão identificados o Teatro, o Circo, casas de famílias abastadas (Domus), templos, termas, necrópoles, diversas oficinas de produção de produtos piscícolas, estas últimas responsáveis pelos inúmeros vestígios de cetárias que têm vindo a ser descobertas na zona da actual Baixa, como seja o caso das que estão visíveis no Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros ou na Casa dos Bicos, e ainda algumas artérias e vias de comunicação.

Em março, convidamos todos a acompanharem-nos pelas ruas de Felicitas Iulia Olisipo e daí partir para os seus arrabaldes, que hoje são cidade de Lisboa, à descoberta duma época que escondida no subsolo se abre agora perante os nossos olhos: a Lisboa Romana.

© CML | DPC | NT e CAL – Centro de Arqueologia de Lisboa | 2019

No centenário da morte de Júlio de Castilho – fundador da Olisipografia-, os seus seguidores na Toponímia de Lisboa

 

Júlio de Castilho faleceu no dia 8 de fevereiro de 1919 e este centenário do fundador da Olisipografia é o mote para neste segundo mês do ano de 2019 apresentarmos artigos sobre os antropónimos de olisipógrafos na toponímia da cidade de Lisboa, ou seja, artigos sobre os nomes das ruas que guardam na memória de Lisboa aqueles que se empenharam em fazer a história desta cidade.

 

Inauguração do busto de Júlio de Castilho de 25 de julho de 1929: o 3º é Gustavo de Matos Sequeira, o 5º é Augusto Vieira da Silva e o 8º é o fotógrafo José Artur Leitão Bárcia  (Foto: Ferreira da Cunha, Arquivo Municipal de Lisboa)

Na inauguração do busto de Júlio de Castilho no Jardim também como o seu nome, no dia 25 de julho de 1929, vários olisipógrafos compareceram à cerimónia, demonstrando a sua afeição para com aquele que muitas vezes foi chamado Mestre Júlio de Castilho, quatro após o Edital de municipal de 2 de março de 1925, que atribuíra o Largo Júlio de Castilho no largo contíguo ao arruamento onde o olisipógrafo viveu e veio a falecer.

Em 1939, vinte passados do falecimento de Júlio de Castilho, a Câmara Municipal de Lisboa também instituiu  o Prémio Júlio de Castilho, para distinguir obras de olisipografia, ou como se redige nos Anais da Câmara Municipal de Lisboa desse ano, « elaborou-se e foi aprovado o regulamento do concurso para a concessão do prémio Júlio de Castilho a atribuir à melhor obra impressa em língua portuguesa de carácter arqueológico, histórico, literário ou artístico sôbre o passado ou o presente de Lisboa, publicada ou a publicar nos anos de 1939 e 1940.» O primeiro galardoado foi Norberto de Araújo pelas suas Peregrinações em Lisboa.

São estes olisipógrafos, estes homens e algumas poucas mulheres, que vão aparecer nos nossos artigos deste mês de fevereiro que desta feita terão a colaboração do Grupo de Estudos Olisiponenses, para permitir uma nova abordagem. Os artigos sobre olisipógrafos anteriormente publicados por nós foram:

  1. Largo Júlio de Castilho
  2. Jardim de Júlio de Castilho
  3. Rua Norberto de Araújo
  4. Rua Gustavo de Matos Sequeira
  5. Rua Engenheiro Vieira da Silva
  6. Rua Luís Pastor de Macedo
  7. Rua Gomes de Brito
  8. Rua Julieta Ferrão
  9.  Rua Irisalva Moita
  10. Alameda Padre Álvaro Proença
  11. Praça Rocha Martins
  12. Rua Alberto MacBride
  13. Rua Alfredo Mesquita
  14. Rua Amigos de Lisboa
  15. Rua Dr. Eduardo Neves
  16. Rua Eduardo Bairrada
  17. Rua Gomes de Brito
  18. Rua Jaime Lopes Dias
  19. Rua José da Felicidade Alves
  20. Rua Maia Ataíde
  21. Rua Manuel Ferreira da Silva
  22. Rua Mário Gomes Páscoa
  23. Rua Prof. Mário Chicó

 

Vários olisipógrafos em 1947 (da esquerda para a direita): Norberto de Araújo, Luís Pastor de Macedo, Gustavo de Matos Sequeira, Augusto Vieira da Silva e Luís Teixeira
(Foto: Ferreira da Cunha, Arquivo Municipal de Lisboa)

© CML | DPC | Núcleo de Toponímia | 2019

A confirmação em 1919 de 14 topónimos de Carnide belenense

Passados 34 anos sobre a extinção do Concelho de Belém, em 1885, a edilidade alfacinha que o recebera e onde se incluía a jurisdição sobre Carnide, embora sem «a documentação referente à nomenclatura e numeração das vias públicas», resolveu oficializar 14 topónimos dessa recente zona lisboeta, pelo Edital municipal de 19 de julho de 1919.

Tal resolução de oficialização de 14 topónimos proveio da reunião da Comissão Executiva da Câmara de 10 de julho de 1919, na qual o vereador Augusto César de Magalhães Peixoto, propôs a confirmação de 4 Largos, 4 Ruas, 4 Travessas e 2 Becos de Carnide, a saber: o Largo das Pimenteiras (também conhecido então como Largo das Piçarras), o Largo da Praça, o Largo do Jogo da Bola, o Largo (ou Rua) e a Travessa do Malvar, a Rua da Fonte, a Rua e a Travessa do Machado, a Rua e o Beco da Mestra ( ou Rua e Travessa das Mestras), a Rua e o Beco do Norte, a Travessa do Cascão e a Travessa do Pregoeiro. De acordo com as características dos arruamentos a Comissão Executiva da CML também modificou alguns dos limites dos arruamentos, o que também foi publicado no Edital.

Numa planta de Carnide de ano indefinido mas do séc. XIX, a propósito de obras de canalização, encontramos já referidas quase todas estas artérias, a saber: o Largo do Jogo da Bola, o Largo das Pimenteiras, o Largo da Praça (também num alinhamento de 1907), a Rua do Norte, a Travessa e a Rua das Mestras (que a partir de 1919 passarão a Beco e Rua da Mestra), a  Rua e a Travessa do Machado, a Rua da Fonte (também num alinhamento de 1907), a Rua e a Travessa do Malvar e a Travessa do Cascão (também num alinhamento de 1899).

A maioria destes topónimos perpetuam moradores do local mesmo que hoje tenhamos dificuldade em os identificar: o Largo e a Travessa do Malvar, a Rua e a Travessa do Machado, a Rua e o Beco da Mestra, a Travessa do Cascão e a Travessa do Pregoeiro. Juntam-se as referências geográficas da Rua e do Beco do Norte e os topónimos que a partir de um elemento específico do local servem também de referência geográfica e de orientação no espaço: o Largo das Pimenteiras, o Largo da Praça, o Largo do Jogo da Bola e a Rua da Fonte.

Topónimos centenários

Neste primeiro mês de 2019 vamos falar de topónimos centenários.

Em 1919, a Câmara Municipal de Lisboa publicou 7 Editais de topónimos, abarcando o território de hoje das freguesias da Ajuda, de Alcântara, Campo de Ourique, Carnide, Estrela,  Santo António e São Domingos de Benfica.

Como assim não preencheríamos todos os dias úteis do mês de janeiro, adicionámos os 5 Editais de topónimos de 1918, para a zonas da Ajuda, Arroios, Campo de Ourique, Estrela e Misericórdia e ainda 8 Editais de topónimos do ano de 1917, atribuídos na  Ajuda, Belém, Penha de França e Santa Maria Maior.

Discorreremos ainda sobre dois autarcas lisboeta desta época que figuram na toponímia lisboeta: Adães Bermudes e Carlos da Maia.

Publicação municipal da Rua Padre Manuel Antunes

A publicação municipal de toponímia referente à Rua Padre Manuel Antunes, hoje distribuída no decorrer da inauguração oficial deste arruamento, na Freguesia do Lumiar, já está online.

É só carregar no link acima ou na capa abaixo e poderá ler.

Caso queira conhecer publicações anteriores poderá ir às Publicações Digitais do site da CML e escolher o separador Toponímia.

Ou no topo do nosso blogue carregar em 3 – As nossas Edições.

Inauguração da Rua Padre Manuel Antunes na próxima quarta, dia 19

Na próxima quarta-feira, dia 19 de dezembro, às 12:00 horas, Catarina Vaz Pinto, Vereadora da Cultura e das Relações Internacionais da Câmara Municipal de Lisboa,  junto com representantes do Instituto Europeu de Ciências da Cultura Padre Manuel Antunes, procederá à inauguração da Rua Padre Manuel Antunes, na freguesia do Lumiar.

O Padre Manuel Antunes (Sertã/03.11.1918 – 18.01.1985/Lisboa), cujo centenário do nascimento se cumpre este ano, foi um sacerdote jesuíta que se destacou como professor universitário na Faculdade de Letras de Lisboa e na forma como dirigiu a revista Brotéria, abrindo-a a todas as correntes de pensamento.