Lisboa do caminho, do casal, do sítio, do terreiro e do outeiro

Caminho da Rainha – Freguesia do Parque das Nações

Na sua toponomenclatura de cariz rural Lisboa ainda comporta para além das azinhagas, mais 17 caminhos, um casal, dois sítios, dois terreiros e mais 6 referências a eles, a que se somam ainda 4 menções a outeiros.

Dos 17 caminhos existentes, 11 são topónimos herdados pelo concelho de Lisboa já no séc. XXI em resultado da Expo 98, na maioria caminhos de terra em parques ajardinados, sendo 8 referentes a aves  – Caminho das Andorinhas, Caminho das Cegonhas, Caminho dos Estorninhos, Caminho dos Flamingos, Caminho das Gaivotas ao Parque das Nações, Caminho dos Melros, Caminho dos Pardais e Caminho dos Rouxinóis -, outros 2 a árvores Caminho do Arboreto, Caminho dos Pinheiros ao Parque das Nações – e ainda um Caminho da Rainha. Este último deve o seu topónimo à Estátua da Rainha D. Catarina de Bragança no Parque do Tejo onde o Caminho se insere que já estava na toponímia de Lisboa pelo Paço da Rainha. Esta estátua é uma réplica da original da artista Audrey Flack, realizada para celebrar o mais famoso bairro de Nova Iorque, Queens, que deve o seu nome à Rainha D. Catarina, que enquanto Rainha de Inglaterra introduziu a tradição do Chá das Cinco.

Caminho da Feiteira – Freguesia de Benfica
(Foto: José Carlos Batista)

Os outros 6 são mesmo memórias de freguesias rurais que se guardaram no tecido urbano de Lisboa: o Caminho de Palma de Cima em São Domingos de Benfica; assim como o Caminho da Feiteira  e ainda o Caminho Velho do Outeiro, um pequeno troço na junção da Estrada da Buraca com o Alto da Boavista, ambos em Benfica; o Caminho da Raposa em Caselas, na freguesia de Belém, mais o  Caminho de Baixo da Penha e o Caminho do Alto do Varejão na Penha de França.

Na Freguesia da Estrela e com início à Estrada do Loureiro  está o Casal de Colares. Restam-nos dúvidas quanto à origem do topónimo já que a planta de Francisco Goullard de julho de 1884 inclui junto à Estrada do Loureiro o Sertão e o Casal do Colares  mas outra planta municipal de 1908 já o denomina como Casal dos Colares. Será alcunha, apelido de família ou refere-se mesmo a acessórios de pescoço?…

Freguesia de Benfica – Placa Tipo IV
(Foto: José Carlos Batista)

Em Benfica e São Domingos de Benfica estão o  Sítio do Barcal e o Sítio do Calhau. O Sítio do Barcal que ainda hoje apresenta características da ruralidade das velhas quintas de recreio é um topónimo registado em documentos desde o tempo de D. Afonso II, no século XIII. Hoje, este arruamento do Bairro do Calhau termina no Largo de São Domingos de Benfica e começa num arruamento vulgarmente conhecido como Avenida 24 de Janeiro que não integra a toponímia oficial de Lisboa. O Sítio do Calhau, já em São Domingos de Benfica, resulta de um surto de povoamento no séc. XVIII devido à necessidade de mão-de-obra para a construção do Aqueduto das Águas Livres. De entre os lugares que cresceram nessa época sobressaem além do Calhau a Estrada da Luz, Bom Nome, Adeão de Baixo, Penedo, Presa, Mira, Alfarrobeira, Venda Nova, Porcalhota, Adeão de Baixo, Adeão de Cima, Borel, Feiteira, Buraca, Salgado e Pedralvas.

No que se relaciona com Terreiros, encontramos dois no Parque das Nações: o Terreiro das Ondas e o Terreiro dos Corvos ao Parque das Nações. Já memórias de terreiros noutras toponomenclaturas Lisboa ainda  tem seis. No norte da cidade, em Santa Clara, temos o Largo do Terreiro, na confluência da Azinhaga das Galinheiras, Rua Direita da Ameixoeira, Azinhaga da Torrinha e Calçada do Forte da Ameixoeira, oficializado por Edital municipal de 16/06/1928, guardando a memória do terreiro desta antiga zona rural. Já ao sul, muito perto do Tejo, na freguesia de Santa Maria Maior, temos 4 arruamentos – Escadinhas, Largo, Rua e Travessa do Terreiro do Trigo – cujo topónimo recorda o edifício do Celeiro Público ou Terreiro do Trigo pombalino, que nesta zona foi construído entre 1765 e 1768, sendo atribuída a sua autoria a Reinaldo Manuel dos Santos, arquiteto da Casa do Risco e que veio substituir o antigo celeiro do reinado de D. Manuel. E por último, na freguesia da Misericórdia, temos a Travessa do Terreiro a Santa Catarina, artéria sem saída que se abre junto à Travessa do Alcaide, que assim se denomina desde a publicação do Edital municipal de 27/02/1917, e antes era a Travessa do Terreirinho, a mostrar o diminuto tamanho do terreiro que ali seria.

Finalmente, ainda topamos com 4 menções a outeiros e outeirinhos, para além do já acima referido Caminho Velho do Outeiro. Frente ao nº 67 da Rua da Bela Vista à Lapa está a Travessa do Outeiro,  numa cota mais elevada do que a rua onde nasce, que ainda não surge nos arruamentos da freguesia de Nª Srª da Lapa em 1780. Relativo ao >Outeirinho da Amendoeira , temos o Beco em Santa Maria Maior, a ligar em escadas a Rua do Vigário ao Beco dos Paus e que de acordo com Luís Pastor de Macedo, se refere a um outeiro já mencionado em 1465 onde eram moradores o almocreve João Anes e a sua mulher Catarina e que  após a remodelação paroquial de 1780 já aparece na Freguesia de Santo Estêvão  como «o becco intitullado o Outeiro da Amendoeira». Em  São Vicente, está o Largo do Outeirinho da Amendoeira que vai do Campo de Santa Clara à Cruz de Santa Helena, e que segundo Norberto de Araújo teria sido a Rua do Arco Pequeno, onde assentou o Postigo do Arcebispo, da muralha fernandina. Ainda em São Vicente, temos o Outeirinho do Mirante, a ligar a Rua do Mirante à Rua de Entre Muros do Mirante e nas proximidades do Beco do Mirante.

Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Mário Marzagão)

Publicações municipais de toponímia sobre o Prof. Moniz Pereira e o Visconde de Alvalade

As publicações municipais de toponímia referentes à Rua Prof. Moniz Pereira e à Rotunda Visconde de Alvalade, hoje distribuídas no decorrer das inauguração oficiais destes arruamentos, na Freguesia do Lumiar, já estão online.

É só carregar nas capas abaixo e poderá ler.

 

Caso queira conhecer publicações anteriores poderá ir às Publicações Digitais do site da CML e escolher o separador Toponímia.

Ou no topo do nosso blogue carregar em 3 – As nossas Edições.

As Estradas e as Circulares da toponímia oficial de Lisboa

Estrada de Benfica –
Freguesias de Benfica, São Domingos de Benfica e Campolide
(Foto: Sérgio Dias)

Lisboa é um concelho que ainda comporta na sua toponomenclatura 38 Estradas e também 2 Circulares. Estas últimas só existem nos Olivais, em redor da Praça do Norte e da Praça das Casas Novas do Bairro da Encarnação e as Estradas surgem nas freguesias que formam a coroa circular de Lisboa, não existindo por isso nas freguesias mais antigas do casco velho da cidade como Arroios, Santo António, Misericórdia, Santa Maria Maior, São Vicente, bem como nas freguesias do Areeiro e de Alcântara. A sua toponímia refere-se aos locais que lhe estão próximos, sobretudo por fixação da memória e apenas poucas vezes em resultado de uma deliberação municipal.

Estrada, do latim strata, é um caminho geralmente empedrado ou alcatroado, onde podem transitar veículos, pessoas ou animais. Circular também provém do latim circularis e designa uma via que circunda uma zona urbana ou liga zonas periféricas, sem passar pelo centro, o que é equivalente a circunvalação e se repararmos no conjunto das freguesias por onde passa a Estrada da Circunvalação –  Belém, Benfica ,  Carnide , Olivais e Santa Clara – está explicada a origem do seu nome.

A Circular Norte e a Circular Sul, ambas no Bairro da Encarnação e ambas atribuídas pelo Edital municipal de 27/11/1957 à Rua K e à Rua J do Bairro da Encarnação, contornam a urbanização da autoria do Arqº Paulino Montez, construída de 1940 a 1943.

Na freguesia de Carnide, encontramos a Estrada da Pontinha que servia de ligação à quinta do mesmo nome, que existia, pelo menos, desde 1657, mas que ao longo dos séculos foi tendo o seu nome alterado de acordo com os seus proprietários – Quinta dos Brasileiros e Quinta dos Valadares no séc. XVIII – tendo-se fixado como Quinta da Pontinha no séc. XIX. A   Estrada da Correia é posterior a esta e tal como da Ruas do Machado ou do Cascão, está provavelmente ligado a algum habitante local. Carnide reparte ainda com Benfica a Estrada do Poço do Chão e com São Domingos de Benfica a Estrada da Luzderivada do Sítio da Luz.

Já a freguesia de Benfica, possui a Estrada dos Arneiros; a Estrada do Calhariz de Benfica que  deriva do sítio do Calhariz conhecido desde o séc. XIV; a Estrada de A-da-Maia que era ortograficamente identificada como Estrada da Damaia até um  parecer da Comissão Municipal de Toponímia de 18/01/1944, repor Estrada de A – da – Maia, derivada do sítio A-da-Maia que tal como Alfornel, Alfragide, Barcal, Calhariz, Falagueira, Granja, Louro, Monsanto, Reboleira, Safardom, Vale Melhorado e Vale de Tareja, eram lugares da freguesia de Benfica já no início do século XV; a Estrada da Buraca que remonta à 2ª metade do séc. XVIII; a Estrada das Garridas derivada da Quinta das Garridas; a Estrada da Portela que liga a Estrada da Circunvalação ao Alto da Boavista; e a Estrada de Monsanto que resulta de uma deliberação camarária de 20/08/1896 e ganha o nome da Serra de Monsanto que nessa época ainda era coberta por searas e pastos para gado.

Com São Domingos de Benfica e Campolide, Benfica reparte a Estrada de Benfica que foi a Estrada Real nº 82 até o Edital municipal de 08/06/1889 a tornar toponímia lisboeta. Por seu turno, São Domingos de Benfica também partilha com a freguesia das Avenidas Novas a Estrada das Laranjeiras, memória da  Quinta das Laranjeiras.

Freguesia de Belém – Placa Tipo IV
(Foto: José Carlos Batista)

Ainda sobre Benfica , esta freguesia partilha com as freguesias de Belém  e da  Ajuda a Estrada de Queluz,  compreendida entre a Avenida das Descobertas e o Caramão da Ajuda, um topónimo oficializado pela edilidade lisboeta por Edital de 26-09-1916, no qual assumiu os topónimos herdados do extinto concelho de Belém.

Estrada do Forte do Alto do Duque é um topónimo belenense evocativo da quinta do Duque do Cadaval que existia já no séc. XVII e onde viria a ser construído em 1865 o Forte do Alto do Duque que foi oficializado pelo edital municipal de 24/04/1986. A freguesia de Belém reparte ainda com a  Ajuda a Estrada de Caselas,  sítio já referido  em 1373, na  doação de terras que D. Fernando fez  a Gonçalo Tendeiro, capitão-mor da Frota Real; assim como a Estrada Velha do Caselas que por Edital municipal de 16/01/1929 se passou a denominar  Estrada da Cruz.

A Ajuda conta com a Estrada dos Marcos, denominação antiga herdada do concelho de Belém e oficializada Câmara Municipal de Lisboa no Edital de 26/09/1916, bem como com a Estrada de Pedro Teixeira, derivada da proximidade ao Casal Pedro Teixeira – de que hoje resta apenas um exemplar de arquitetura setecentista com as originais chaminés octogonais- , propriedade de um criado e confidente particular do rei José I, particularmente no caso dos amores com a Marquesa de Távora.

Campo de Ourique e a Estrela partilham a Estrada dos Prazeres cujo nome advém da Ermida de Nossa Senhora dos Prazeres que deu o nome a uma extensa Quinta pertencente então ao Conde da Ilha do Príncipe. A freguesia da Estrela possui ainda a Estrada do Loureiro, nome também derivado de uma Quinta: a do Loureiro.

A freguesia de Santa Clara, comporta 6 Estradas que são só suas: a Estrada de São Bartolomeu,  também por vezes denominada como Estrada da Ameixoeira à Charneca ou Estrada da Charneca, oficialmente consignada por Edital municipal de 12/10/1891 devendo o seu nome à antiga paróquia local de São Bartolomeu da Charneca, cujo registo mais antigo está datado de 1583; a Estrada do Poço de Baixo que deriva o seu nome de um poço profundo que o povo da Charneca abriu em 1619, que foi chamado o Poço de Baixo; a Estrada do Forte da Ameixoeira que também foi conhecida como Estrada de serventia para o reduto da Ameixoeira e o se nome deriva do Forte de D. Carlos I, popularmente conhecido como forte da Ameixoeira, erguido no final do século XIX; a Estrada do Manique, da Quinta do Manique; a Estrada da Póvoa que conduz à Rua dos Eucaliptos às Galinheiras e a Estrada do Pisa Pimenta, da Quinta do Pisa-Pimenta, já referida antes de 1712 como a Quinta Nova, a de Manique, Alto, Altinho, Carrapata, Policarpo e Granja, que desapareceram com a construção do aeroporto a partir de 1940.

Santa Clara ainda partilha com o Lumiar mais duas: a Estrada do Desvio , cujo nome espelha mesmo que é um desvio pelo Lumiar para fugir ao trânsito na Calçada de Carriche e permitir o descongestionamento desta, já que grosso modo, esta Estrada corre paralela à Calçada de Carriche; e a Estrada da Ameixoeira, cuja  situação de lugar retirado, escondido até, ainda no início do século XX e até 1928, a tornava um sítio preferido para a realização de duelos, de «lavagens da honra ofendida», como por exemplo o duelo que opôs Afonso Costa ao Conde de Penha Garcia, em 14 de julho de 1908.

O Lumiar tem ainda três vias com esta toponomemclatura: a Estrada do Lumiar, a Estrada de Telheiras do sítio de Telheiras (ou Teleiras ou Tilheyras) – que significa fábrica de telha ou olaria – que já aparece referido cerca de 1220 por lá estar sediado o Mosteiro de São Vicente de Fora e a Estrada da Torre que advém da Torre do Lumiar, do séc. XVI. Lumiar reparte ainda com Carnide a Estrada do Paço do Lumiar que faz referência ao Paço do Infante D. Afonso Sanches, que no reinado de D. Afonso IV tomou esta designação, a qual acabou por abranger a povoação vizinha.

A Freguesia de Alvalade tem no Bairro de São de Brito a Estrada da Portela que começa na Rua Engenheiro Manuel Rocha e cujo traçado ainda na planta municipal de 1950 estava identificada como Estrada da Portela de Sacavém.

Na zona oriental de Lisboa, as freguesias da Penha de França,  Beato e Marvila partilham a Estrada de Chelas, assim a Estrada de Marvila se reparte por Beato e Marvila. Finalmente, na freguesia do Parque das Nações, encontramos a Estrada de Moscavide, fixada pelo Edital de 15/03/1950 que ainda em 1907 se designava Rua Direita de Moscavide.

Estrada de Benfica –
Freguesias de Benfica, São Domingos de Benfica e Campolide
(Foto: Sérgio Dias)

As quietas Travessas de Lisboa

Freguesia da Estrela  – Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias)

Lisboa tem hoje 361 Travessas. Só as Freguesias do Areeiro e de Marvila não possuem nenhuma. A Travessa é uma rua estreita, secundária e transversal a duas outras artérias principais que põe em comunicação e, a sua toponímia é na sua grande maioria antiga e vinculativa das vivências locais.

Assim, começamos por mencionar as Travessas cujo topónimo é igual a uma Rua, Calçada ou Largo próximo, mesmo se no decorrer do tempo foi substituído por outro, que são 104. São disso exemplo a Travessa da Cruz da Era ( Benfica ), a Travessa de Palma ( São Domingos de Benfica ), a Travessa da Luz ( Carnide ), a Travessa dos Jerónimos ( Belém ), a Travessa Dom João de Castro (Ajuda), a Travessa Artur Lamas ( Belém, Alcântara ), a Travessa do Calvário (Alcântara), a Travessa dos Prazeres ( Campo de Ourique ), a Travessa do Possolo ( Estrela ), a Travessa de São Paulo ( Misericórdia ), a Travessa da Glória (Santo António), a Travessa da Cruz do Torel (Santo António, Arroios), a Travessa de Dona Estefânia,  a Travessa do Desterro ( Arroios , Santa Maria Maior ), a Travessa de Santa Luzia ( Santa Maria Maior ), a Travessa de São Tomé ( Santa Maria Maior, São Vicente ), a Travessa de Santa Marinha ( São Vicente ), a Travessa do Alto do Varejão (Penha de França),  a  Travessa da Picheleira ( Beato ), a Travessa de São Sebastião da Pedreira (Avenidas Novas), a Travessa do Pote de Água ( Alvalade ), a Travessa do Alqueidão (Lumiar) e a Travessa de São Bartolomeu (Santa Clara).

Também alguns becos viram ao longo do tempo a sua toponomemclatura ser mudada para Travessa, quer por pedido dos residentes, quer por as suas características urbanísticas se terem modificado.  Neste caso, encontramos 19 Travessas, como por exemplo, Travessa de Paulo Jorge (Belém), Travessa do Chafariz (Ajuda), Travessa do Livramento (Alcântara), Travessa do Barbosa (Campo de Ourique),  Travessa do Norte à Lapa (Estrela), Travessa do Carvalho ( Misericórdia ), Travessa do Chão da Feira (Santa Maria Maior), Travessa de Gaspar Trigo (  Santa Maria Maior, Arroios ), Travessa da Pena (Arroios), Travessa dos Remédios ( São Vicente , Santa Maria Maior ), Travessa de Santo André à Ameixoeira (Santa Clara).

Freguesia da Estrela – Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias)

Já as Travessas cujas características e o local onde estão inseridas se reproduz no topónimo são 118. Escolhendo uma por freguesia podemos apontar como exemplos a Travessa do Poço (Parque das Nações),  a Travessa dos Buracos (Olivais), a Travessa de Santo António (Santa Clara), a Travessa do Canavial (Lumiar), a Travessa do Jogo da Bola (Carnide), a  Travessa do Rio (Benfica), a Travessa das Águas-Boas (São Domingos de Benfica), a Travessa do Espírito Santo ( São Domingos de Benfica , Avenidas Novas ), a Travessa do Rio Seco ( Ajuda ), Travessa da Memória ( Ajuda , Belém ), Travessa dos Algarves ( Belém ), a Travessa da Praia ( Alcântara ), a Travessa da Rabicha ( Campolide ), a Travessa de Cima dos Quartéis ( Campo de Ourique ), a Travessa do Convento das Bernardas (Estrela), a Travessa da Fábrica dos Pentes (Santo António), a Travessa do Poço da Cidade (Misericórdia), a Travessa do Cotovelo( Misericórdia , Santa Maria Maior ), a Travessa dos Teatros ( Santa Maria Maior ), a Travessa do Hospital ( Santa Maria Maior , Arroios ),  Travessa do Forno do Maldonado ( Arroios ), Travessa do Açougue ( Santa Maria Maior , São Vicente ), Travessa do Recolhimento de Lázaro Leitão (São Vicente).

Freguesia de Santo António – Placa de Azulejo
(Foto: Mário Marzagão)

Também as figuras com relevância local deram o seu nome a 72 Travessas. No seguimento de uma por freguesia, destacamos a Travessa do Morais ( Lumiar ), a Travessa do Pregoeiro (Carnide), a Travessa do Desembargador (Belém), a Travessa do Machado ( Ajuda ), a Travessa do Conde da Ponte (Alcântara), a Travessa de Estêvão Pinto ( Campolide ), a Travessa do Pasteleiro ( Estrela ), a Travessa do Fala-Só (Santo António), a  Travessa dos Inglesinhos (Misericórdia),  a Travessa do Almada (Santa Maria Maior), a Travessa do Torel (Arroios), a Travessa das Mónicas ( São Vicente ) e a Travessa do Calado (Penha de França).

Mas também figuras com relevância nacional foram colocadas em 12 Travessas, em épocas em que a carência de novos arruamentos se fazia sentir em Lisboa. Na Ajuda, pelo Edital de 07/08/1911, foi  Travessa Silva Porto, com a legenda «Herói de Ultramar/1817 – 1890» e a  Travessa Rui de Pina (um cronista do séc. XV ao serviço de D. João II).  Em Alcântara, pelo Edital de 27/04/1914 foi a vez da Travessa Teixeira Júnior, um jornalista republicano. Cerca de 12 anos depois foi a vez do Edital de 18/06/1926 atribuir em Benfica as Travessas Abade Pais, Miguel VerdialSargento Abílio, todos participantes do 31 de Janeiro de 1891, o escritor e polemista de jornais absolutista com a Travessa de José Agostinho de Macedo, um compositor com a Travessa Marques Lésbio e um pintor com a  Travessa de Francisco Rezende. Seis dias depois foi o Edital que 24/06/1926 que colocou em Alvalade a Travessa Henrique Cardoso, jornalista que também participou no 31 de Janeiro de 1891. E cerca de dois meses depois, pelo Edital de 20/08/1926, foi a vez de colocar o compositor e fundador dos Bombeiros Voluntários Guilherme Cossoul numa Travessa da hoje freguesia da Misericórdia. E finalmente, pelo Edital de  03/11/1986, em São Domingos de Benfica, foi atribuída a  Travessa Carlo Paggi, que homenageia um diplomata genovês do séc. XVII que publicou a sua tradução de Os Lusíadas em 1658. Aqui podemos juntar uma 13ª Travessa que trata de uma associação nacional, a Travessa do Vintém das Escolas em Benfica, atribuída pelo Edital de 14/10/1915, sendo Vintém das Escolas uma associação criada no Porto em 1901, para recolher por todo o país contribuições individuais de um vintém (20 réis) e assim reunir fundos destinados a um vasto movimento em benefício da instrução e educação das classes menos privilegiadas, dirigida por Francisco Gomes da Silva, Filipe da Mata e Heliodoro Salgado, entre outros.

Freguesia do Parque das Nações
(Foto: Sérgio Dias)

A freguesia do Parque das Nações tem ainda algumas peculiaridades nas suas Travessas herdadas da Expo 98. Tem 6 dedicadas a personagens da literatura, da banda desenhada e à mascote da Expo 98 – Travessa Corto MalteseTravessa do Gulliver, Travessa Robinson Crusoé, Travessa Sandokan, Travessa Sinbad, o Marinheiro Travessa do Gil – , mais 4 que fixam especiarias que os portugueses comerciaram a partir dos Descobrimentos – Travessa da Canela, Travessa da Malagueta, Travessa do Açafrão, Travessa do Gengibre – e ainda outras 3 referentes a aves: Travessa das Corujas, Travessa dos Mochos e Travessa dos Pintassilgos. 

Existem ainda em Lisboa outras 7 Travessas de universo florais que quando são usadas e não correspondem à flora local indicam a colocação de uma toponímia a que propositadamente não se quer dar sentido. São elas a  Travessa da Giesta, a Travessa do Alecrim, a Travessa da Madressilva, a Travessa da Verbena e a Travessa das Verduras na Ajuda;  a Travessa do Jasmim na Misericórdia e a Travessa das Flores em São Vicente.

Restam 12 Travessas cuja origem é um mistério e sobre as quais se podem levantar as mais variadas hipóteses. A Travessa da Galé em  Alcântara refere uma prisão ou um barco?… As outras onze são a Travessa das Florindas na  Ajuda, a Travessa da Paz e a Travessa do Castro na Estrela, a Travessa da Água-da-Flor, a Travessa da Cara, a Travessa da Arrochela, a Travessa da Espera e a Travessa da Portuguesa, todas na Misericórdia, a Travessa da Légua da Póvoa e a Travessa do Despacho em  Santo António e a Travessa da Amorosa, repartida pela  Penha de França e Beato.

Freguesias da Penha de França e do Beato – Placa de Azulejo
(Foto: Mário Marzagão)

Inauguração da Rua Prof. Moniz Pereira e da Rotunda Visconde de Alvalade no dia 21

Já depois de amanhã, dia 21 de junho,  às 16:30 horas, o Sr. Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, acompanhado pelo Presidente do Sporting Clube de Portugal, Bruno de Carvalho, procederão à inauguração da Rua Prof. Moniz Pereira e da Rotunda Visconde Alvalade, nas imediações do Estádio de Alvalade.

O Prof. Moniz Pereira (Lisboa/11.02.1921 – 31.07.2006/Lisboa), conhecido como o Senhor Atletismo, licenciado e docente do Instituto Nacional de Educação Física, é um símbolo maior do desporto nacional, tendo conseguido através dos atletas que treinou, como Fernando Mamede, Domingos e Dionísio Castro e Carlos Lopes, as primeiras medalhas do Atletismo português a nível internacional e nos Jogos Olímpicos. Teve ainda outra faceta de composição musical, sobretudo no fado, a que deram voz, entre outros, Carlos Ramos, Lucília do Carmo, Maria da Fé, Ada de Castro, Amália Rodrigues  ou Tristão da Silva.

O Visconde de Alvalade, por decreto do Rei D. Carlos I de 22 de junho de 1898, de seu nome completo Alfredo Augusto das Neves Holtreman (Santarém/06.04.1837 – 07.06.1920/Lisboa) foi um prestigiado advogado da capital que apoiou a ideia do seu neto para a fundação do Sporting Clube de Portugal, cedendo terrenos seus nas Quinta das Mouras, comparticipando as obras do primeiro campo, para além de ter redigido os primeiros Estatutos e sido o seu 1º Presidente.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

Os Becos ou Vielas de Lisboa

Beco dos Beguinhos – Freguesia de São Vicente
(Foto: Mário Marzagão)

Lisboa conta nos nossos dias com 153 Becos, sendo que no decorrer dos séculos alguns deles ganharam o estatuto de travessa por via de alterações urbanísticas ou por solicitação dos residentes.

O Beco é uma rua estreita e curta, muitas vezes sem saída, ou se quisermos numa só palavra, é sinónimo de viela. A toponímia empregue nos becos lisboetas caracteriza-se pelo uso das suas peculiaridades, do tipo de artesãos que lá trabalhavam, das referências geográficas próximas como igrejas ou outras instituições passíveis de rápida identificação e  dos nomes dos seus moradores.

Freguesia de Benfica
(Foto: José Carlos Batista)

Primeiro, falemos da excepção que confirma a regra enunciada no parágrafo anterior: o Beco Pato Moniz, em Benfica, que homenageia um escritor ( 1781-1826) que faleceu no desterro a que o condenaram após a Vilafrancada por ser liberal. Atribuído pelo Edital municipal de 18/06/1926,  foi acompanhado na mesma zona com a atribuição em  Travessas e Largos dos também escritores José Agostinho de Macedo e Curvo Semedo, de três intervenientes no 31 de Janeiro de 1891 – Abade Pais, Sargento Abílio e Miguel Verdial – e do também republicano General Sousa Brandão, para além do compositor Marques Lésbio e do pintor Francisco Resende.

Beco do Quebra Costas – Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Artur Matos)

Dos outros 152 Becos alfacinhas, encontramos 32 relativos às características do próprio local: Beco do Norte ( Carnide ); Beco do CasalBeco da Pedreira da Caneja ( Campo de Ourique ); Beco da Galheta por corruptela de Calheta junto ao Tejo,  Beco do Olival, Beco do Tremoceiro ( Estrela );  Beco do Sabugueiro ( Alcântara ); Beco dos Aciprestes, Beco da Boavista do Alto de Santa Catarina ( Misericórdia); Beco da Achada, Beco do Alfurja, Beco do Funil, Beco da Amendoeira, Beco do Azinhal, Beco das Barrelas, Beco das Canas, Beco Cascalho, Beco do Forno junto ao Largo da Severa, Beco da Lapa,  Beco do Loureiro, Beco da Oliveira,  Beco do Pocinho, Beco do Quebra Costas por ser tão íngreme e dois Becos do Jasmim (todos em Santa Maria Maior ); Beco da Bombarda,  Beco do Monte de S. Gens ( Arroios ); Beco da Laje ( São Vicente e Santa Maria Maior ); Beco da Bica do Sapato, Beco da Era, Beco do Mirante ( São Vicente ); Beco das Taipas  ( Marvila ).

Beco da Mó – São Domingos de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

Referindo as profissões neles exercidas temos 23 : Beco dos Ferreiros ( Santa Clara ); Beco da Mestra ( Carnide ); Beco da Botica ( São Domingos de Benfica ); Beco do Fogueteiro ( Campo de Ourique ); Beco da Bolacha,  Beco dos Contrabandistas, Beco do Funileiro ( Estrela ); Beco dos Armazéns do LinhoBeco do Carrasco ( Misericórdia ); Beco do Almotacé, Beco da Atafona, Beco das Atafonas, Beco dos Cortumes por curtumes, Beco das FarinhasBeco do Imaginário pelo escultor de imagens de santos, Beco das Olarias,  Beco do Surra, Beco dos Surradores, Beco dos Três Engenhos ( Santa Maria Maior ); Beco dos Agulheiros, Beco da Mó, Beco dos Vidros ( São Vicente ); Beco dos Toucinheiros ( Beato ).

Com referências próximas  são 38 : Beco do Vintém das Escolas ( Benfica); Beco da Enfermaria por referência a um pequeno hospital que ali existiu no séc. XIX para os criados da Casa Real ( Belém ); Beco das Fontaínhas ( Alcântara ); Beco do Paiol da pólvora, Beco de Santa Quitéria por referência à Travessa do mesmo nome para substituir o Beco dos Mortos ( Campo de Ourique ); Beco dos Apóstolos que queria dizer jesuítas ( Misericórdia ); Beco da Cruz pela proximidade à  Rua da Cruz dos Poiais, Beco do Forno a São Paulo, Beco da Moeda por estar junto à Casa da Moeda ( Misericórdia ); Beco do Colégio dos Nobres, Beco de Santa Marta do Convento da mesma invocação que hoje vemos como Hospital (Santo António); Beco do Arco Escuro, Beco do Benformoso junto à Rua do Benformoso, Beco da Caridade  por via da Ermida do mesmo nome, Beco do Castelo Beco do Forno do Castelo de São Jorge, Beco dos Cavaleiros para substituir o Beco do Forno junto à Rua dos Cavaleiros, Beco das Cruzes  em Alfama, Beco do Espírito Santo da Ermida da mesma invocação que depois passou a ser dos Remédios, Beco do Forno da Galé junto à Rua da Galé, Beco das Gralhas pela proximidade ao Largo das Gralhas para substituir o Beco do Jasmim, Beco da Guia por mor de um oratório embutido numa parede, Beco do Outeirinho da Amendoeira, Beco do Penabuquel por proximidade ao Arco do Penabuquel da muralha fernandina, Beco de Santa Helena pelo Palácio seiscentista conhecido pelo mesmo nome, Beco de São Francisco por estar junto ao Terreirinho de São Francisco que depois passou a Largo da Achada, Beco de São Miguel pela proximidade à igreja da mesma invocação, Beco do Recolhimento de Nossa Senhora da Encarnação ( Santa Maria Maior ); Beco de São Lázaro junto à Rua do mesmo nome, Beco de São Luís da Pena por mor da Igreja da mesma invocação ( Santa Maria Maior e Arroios); Beco do Forno do Sol junto à Rua do Sol à Graça, Beco do Hospital de Marinha, Beco dos Lóios pela proximidade ao Largo dos Lóios e para substituir o Beco das Cabras, Beco dos Peixinhos por proximidade à Quinta dos Peixinhos, Beco do Salvador da Ermida de Jesus Salvador da Mata, Beco da Verónica pela proximidade à Ermida de Santa Verónica ( São Vicente ); Beco do Grilo dos Conventos dos Agostinhos Descalços ( Beato ) e Beco da Mitra ( Marvila ).

Beco do Penabuquel – Santa Maria Maior
(Foto: Artur Matos)

Com nomes ou alcunhas de moradores e/ou proprietários temos 36 : Beco do Chão Salgado do Palácio do Duque de Aveiro arrasado e salgado o seu chão, Beco de Domingos Tendeiro ( Belém); Beco da Ferrugenta, Beco dos GalegosBeco de João Alves ( Ajuda ); Beco de Estêvão Pinto ( Campolide ); Beco do Batalha,  Beco do Julião ( Campo de Ourique ); Beco do Machadinho  do Tabaco ( Estrela ); Beco do Caldeira por estar próximo da Travessa do Caldeira e substituir o Beco do Esfola Bodes, Beco de Francisco André ( Misericórdia ); Beco do Alegrete por estar junto ao Palácio dos Marqueses do Alegrete, Beco da Barbadela,  Beco do Belo, Beco da Cardosa, Beco do Chanceler de D. Dinis de seu nome Pedro Salgado, Beco dos Clérigos, Beco da Corvinha, Beco dos Fróis, Beco do Garcês, Beco do Guedes, Beco do Maldonado, Beco do Maquinez, Beco de Maria da Guerra, Beco do Marquês de Angeja, Beco do Melo, Beco do Mexias, Beco da Ricarda, Beco do Rosendo que seria Resende, Beco do Vigário ( Santa Maria Maior ); Beco dos Birbantes que esmolavam, Beco do Borralho de António de Moura Borralho, Beco do Félix, Beco de Maria Luísa, Beco do Petinguím ( Arroios ) e Beco da Amorosa ( Beato ).

Outros de ainda indefinida génese e alvo de discussão entre os olisipógrafos são 23: Beco da Ré por ser uma arguida ou um termo naval?( Belém ); Beco do Viçoso por ser alcunha ou um local verdejante, Beco do Xadrez por ser alcunha ou um padrão na arquitetura local? ( Ajuda ); Beco do Monteiro por ser alcunha ou sítio de montado? ( Campolide ); Beco dos Capachinhos por alcunha ou local de feitura de capachos?, Beco das Pirralhas por alcunha ou pela presença de crianças? ( Estrela ); Beco da Rosa por ser nome de moradora ou pela presença da flor? (Misericórdia );  Beco da Bicha por ser alcunha ou um animal?,  Beco do Bugio por se cravarem estacas no chão ou por haver um macaco?, Beco do Carneiro por ser apelido ou alcunha ou animal?, Beco dos Cativos por ter escravos ou presos?, Beco das Flores por ser inócuo ou por ter mesmo flores?, Beco da Formosa por uma mulher ou por uma paisagem bonita?, Beco do Leão por alcunha ou por símbolo?, Beco das Mil Patacas por uma lenda ou por uma comunidade macaense?, Beco dos Paus em sentido literal ou figurado?, Beco dos Ramos em sentido literal ou um apelido?, Beco de São Marçal por um azulejo do santo ou por um oratório dessa invocação? ( Santa Maria Maior ); o Beco da Bempostinha por alcunha ou outra coisa?, o Beco do Índia, o Beco da Índia aos Anjos uma alcunha ou alguém que esteve na Índia?( Arroios ); Beco das Beatas e o Beco dos Beguinhos ( São Vicente ).

Beco do Mexias – Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Mário Marzagão)

Os Campos e o Campus

Campus de Campolide – Freguesia de Campolide

A toponomemclatura  de Lisboa comporta ainda hoje 6 Campos que guardam algumas das suas memórias mais antigas – rurais, mercantis, militares, religiosas e políticas – e um Campus que sendo foneticamente semelhante se trata, como a sua grafia indica, de uma área universitária em Campolide.

O Campus de Campolide é um topónimo resultante da solicitação da Universidade Nova de Lisboa para que o espaço onde tem a sua Reitoria, as Faculdades de Economia e de Direito, bem como o Instituto Superior de Estatística e Gestão de Informação, tivesse essa designação a que a Câmara respondeu positivamente com a atribuição do mesmo através do Edital de 5 de julho de 2000, ficando delimitado pela Rua Marquês de Fronteira, Travessa de Estêvão Pinto e Rua da Mesquita.

Campo das Amoreiras – Freguesia de Santa Clara
(Foto: Ana Luísa Alvim)

Durante séculos a toponímia de Lisboa dependeu do arbítrio dos seus habitantes, fixando nela os pontos que permitiriam a sua identificação como os edifícios religiosos, as casas mais nobres ou as características específicas do local, como os seus terreiros também denominados como campos.

O Campo das Amoreiras, na freguesia de  Santa Clara, foi atribuído pelo Edital municipal de 12 de outubro de 1891, fixando-lhe uma toponomenclatura que nunca havia sido a sua, já que antes fora denominado como Largo da Charneca, Rocio da Charneca ou Largo das Amoreiras. Refira-se que a Charneca do Lumiar ou Charneca de Sacavém, foi uma povoação do  concelho dos Olivais entre 1852 e 18 de julho de 1885, data em que as povoações do Termo de Lisboa foram incorporadas no território da Cidade de Lisboa, que as distinguiu, como se vê neste caso, com uma toponomemclatura evidentemente rural.

O Campo Grande ( das freguesias das Avenidas Novas, de Alvalade e do Lumiar) era o Campo de Alvalade do sítio de Alvalade e durante séculos o escolhido para a edificação de solares nobres e algumas vezes destinado a concentração de tropas. O arvoredo que nele foi mandado plantar no reinado de D. Maria I, no final do séc. XVIII , transformou-o num dos parques mais aprazíveis de Lisboa e consequentemente, apetecível para mudanças na toponímia que se foram sucedendo. As Ruas paralelas ao parque, a Oriental e a Ocidental do Campo Grande, já eram assim referidas pelo menos desde 1891 de acordo com uma planta municipal, e foram unidas no topónimo único de Campo Grande pelo Edital municipal de 19 de janeiro de 1916. Nove anos depois, em 1925, a antiga  Rua Ocidental do Campo Grande passou a ser a  Avenida Sacadura Cabral, a Oriental  Avenida Óscar Monteiro Torres – os aviadores que três anos haviam concluído a primeira travessia aérea do Atlântico Sul –  e a Rua do topo norte do Campo Grande passou a ser a  Rua António Stromp. Após o golpe de 28 de Maio de 1926, foi resolvido fazer regressar a sua antiga denominação de Campo Grande. Decorridos mais nove anos, por deliberação de Câmara de 16/05/1935, transmutou-se em Campo 28 de Maio.

Refira-se que treze anos depois, o Edital de 23/12/1948, voltou a repor a denominação de Campo Grande, por contraponto com o Campo Pequeno, que também regressou pelo mesmo Edital municipal.

O sítio do Campo Pequeno no início do século XVI era um logradouro público, espaço a descoberto na periferia da cidade, no qual se realizavam exercícios militares, por vezes paradas e feiras improvisadas e até algumas touradas, só sendo instalada uma   Praça de Touros definitiva em 1892. Era conhecido como Largo do Campo Pequeno ou Campo Pequeno e passou a ser o Largo Doutor Afonso Pena por Edital de 8 de outubro de 1908 da já vereação republicana da edilidade lisboeta, e assim ficou durante 40 anos, até voltar a ser Campo Pequeno em 1948.

O antigo Campo de Santana,  passou a designar-se Campo dos Mártires da Pátria, por Edital municipal de 11 de julho de 1879, em memória dos 11 companheiros de Gomes Freire de Andrade suspeitos de conspiração contra o general Beresford, que no local foram enforcados no dia 18 de Outubro de 1817.

O Campo das Cebolas deve ter tido origem no comércio local de produtos hortícolas já que desde os fins do séc. XV o mercado de víveres anteriormente sediado no Terreiro do Paço havia sido transferido para a Praça da Ribeira Velha. De acordo com Gomes de Brito «Era antigamente Rua direita da Ribeira. (…) Comquanto no Tombo da Cidade (1755), venha designado sob o nome de ‘Rua direita da Ribeira’, já a planta de J. Nunes Tinoco (1650), o menciona com o título actual.»  Como Campo das Cebolas aparece na descrição paroquial da freguesia de Santa Maria Mayor anterior ao terramoto de 1755 e, como rua da praya, ou Campo das Cebollas, na planta da freguesia de S. João da Praça após a remodelação paroquial de 1770.

Por último, temos o Campo de Santa Clara  que deve o seu nome a um convento de freiras claristas que ali se estabeleceu e julga-se que a denominação remonte a cerca de 1294 quando se iniciou a construção do Convento de Santa Clara, onde mais tarde será instalada a Fundição de Santa Clara ou Fábrica de Armas. Contudo, ainda no séc. XVI era vulgarmente conhecido por Campo da Forca por nele se realizarem execuções capitais.

Campo de Santa Clara -Freguesia de São Vicente

 

 

Lisboa das Escadinhas, Escadas e Escadaria

A Escadaria José António Marques quando era vulgarmente conhecida por Escadinhas da Rocha, em 1965
(Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

Lisboa, com as suas colinas, tem escadas que auxiliam as subidas e as descidas e isso também se espelha na sua toponomenclatura, através de 34 Escadinhas, umas Escadas repartidas por Arroios e São Vicente e ainda, uma Escadaria na freguesia da Estrela.

A Escadaria, construída entre 1880 e 1882, era vulgarmente conhecida por Escadinhas da Rocha, dando acesso a partir da Rua 24 de Julho (desde 1928 é a Avenida 24 de Julho) ao Jardim das Albertas (desde 1925 é o Jardim 9 de Abril), até o Edital municipal de 21/02/1985 a tornar a Escadaria José António Marques, para homenagear o fundador da Cruz Vermelha Portuguesa conforme está na legenda, um lisboeta de nascimento (Lisboa/29.01.1822 – 08.11.1884/Lisboa) que foi cirurgião do Exército e em 11 de fevereiro de 1865 fundou a Comissão Provisória para Socorros e Feridos e Doentes em Tempo de Guerra, sendo o seu primeiro Secretário Geral, influenciado pela participação em representação de Portugal, na Conferência Internacional de Genebra, em que Portugal foi um dos doze países que assinou a I Convenção de Genebra de 22 de agosto de 1864, destinada a melhorar a sorte dos militares feridos em campanha.

A unir a Rua Damasceno Monteiro à Rua das Olarias encontramos as Escadas do Monte, ainda atribuídas por do Edital do Governo Civil de Lisboa, em 11 de janeiro de 1876, que se caracteriza segundo Norberto de Araújo assim: « A empinada Calçada do Monte, defronte do Largo, é, como estás vendo, a resultante de um caminho ou vereda que nos séculos velhos dividia a Cerca do Convento da Graça da encosta poente do Monte de S. Gens».

Escadinhas do Alto do Restelo – Freguesia de Belém

Já Escadinhas são 34 e qualquer que seja a sua época de construção, do início de Lisboa até ao nosso séc. XXI, têm a característica comum de terem recebido, informalmente da população ou do município lisboeta, denominações relativas ao local onde estão implantadas.

Em  Belém,  na Urbanização da Encosta do Restelo estão as Escadinhas do Alto do Restelo, firmadas pelo Edital municipal de 30/07/1999.

Na Ajuda, encontramos as Escadinhas do Mirador do antigo Alto das Pulgas, fixadas pelo Edital municipal de   17/11/1917.

Escadinhas da Saúde – Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Ana Luísa Alvim)

Em Alcântara, por via da Ermida de Santo Amaro edificada em 1549 temos as Escadinhas de Santo Amaro e as Escadinhas do Quebra Costas a avisar do perigo que as mesmas representam.

Em Campolide, no Bairro da Liberdade , estão as Escadinhas da Liberdade, fixadas pelo Edital municipal de 12/04/1995.

Em Campo de Ourique, encontramos as Escadinhas dos Terramotos relativas à Ermida do Senhor Jesus dos Terramotos, situada na Rua Arco do Carvalhão.

Na freguesia da Estrela temos as Escadinhas da Praia fluvial da Madragoa.

Na freguesia da Misericórdia deparamos com as Escadinhas de São João Nepomuceno  a denunciarem a proximidade ao Convento do mesmo santo.

Escadinhas do Carmo – Freguesia de Santa Maria Maior

Em Santa Maria Maior concentram-se 16 Escadinhas. Relativas à proximidade a Ermidas ou Igrejas surgem as Escadinhas de Santo Estêvão próximas da Igreja de Santo Estêvão, as Escadinhas de São Crispim da Ermida de São Crispim, as Escadinhas de São Cristóvão da Igreja de São Cristóvão, as Escadinhas dos Remédios da Ermida de Nossa Senhora dos Remédio (Edital municipal de 24/12/1879), as Escadinhas da Saúde próximas da Ermida da Senhora da Saúde (Edital de 17/05/1906), as Escadinhas de São Miguel, resultado das remodelações de Alfama nos anos 60 do séc. XX e próximas da Igreja da mesma invocação (Edital de 25/01/1963), e também através da recuperação do Chiado após o incêndio de 1988, da autoria do Arqº Siza Vieira, nasceram as  Escadinhas do Santo Espírito da Pedreira pegando no nome do convento dessa Irmandade que ali existiu antes de passar a Armazéns do Chiado (Edital de 12/04/1995), bem como as  Escadinhas do Carmo que permitem a circulação pelos Terraços do Carmo (Edital de 06/06/2016). Com toponímia relativa a moradores locais encontramos as Escadinhas do Marquês de Ponte de Lima (Edital de 01/11/1905) e as Escadinhas de João de Deus (Edital de 08/11/1917). E por último, existem aquelas que guardam a memória do sítio: as Escadinhas Costa do Castelo, as Escadinhas da Rua das Farinhas, as Escadinhas do Terreiro do Trigo, as Escadinhas das Portas do Mar que até ao séc. XVIII eram conhecidas como Escada de Pedra,  as Escadinhas da Oliveira da Rua da Oliveira, ao Carmo (Edital de 29/09/1920) e as Escadinhas da Achada (Edital de 02/05/1940).

Santa Maria Maior ainda partilha com  Arroios as Escadinhas da Barroca, por referência ao Palácio da Barroca já citado em 1755, bem como as Escadinhas das Olarias que vieram susbtituir o antigo Beco dos Empenhadores por Edital municipal de  04/12/1883.

A freguesia de Arroios detém em exclusivo as Escadinhas da Porta do Carro  de abastecimentos do Hospital de S. José e partilha com  São Vicente as Escadinhas Damasceno Monteiro, junto à Rua Damasceno Monteiro (Edital de  21/03/1914).

São Vicente tem 3: as Escadinhas de São Tomé da Igreja de São Tomé do Penedo, as Escadinhas do Bairro América (Edital de 28/12/1932) e as Escadinhas das Comendadeiras de Santos da Quinta das Comendadeiras de Santos (Edital de 10/04/2007). Partilha ainda com  Santa Maria Maior as Escadinhas das Escolas Gerais e as Escadinhas do Arco de Dona Rosa que ali morou numa casa com capela.

Por último, a freguesia do Beato apresenta as Escadinhas de Dom Gastão junto à Calçada de Dom Gastão.

Escadinhas do Santo Espírito da Pedreira – Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Sérgio Dias)

As Calçadas e Calçadinhas lisboetas

Calçadinha da Figueira – Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Mário Marzagão)

Lisboa comporta nos nossos dias 83 Calçadas e 6 Calçadinhas, distribuídas por quase toda a cidade,  excepto em seis freguesias – Areeiro, Alvalade, Avenidas Novas, Campo de Ourique, Carnide, Parque das Nações -, todas mais planas, guardando nelas as memórias de antigas igrejas, árvores e outros vestígios rurais do local, produções artesanais, características específicas do sítio, moradores locais e ainda algumas figuras públicas da época da sua atribuição.

Do latim vulgar calciata, Calçada é uma rua pavimentada com material duro ou uma ladeira íngreme, aludindo às vias romanas, sendo uma toponomenclatura muito  frequente em Portugal e na Galiza, onde é Calzada.  Da Calçada deriva a Calçadinha de menor dimensão.

As 6 Calçadinhas de Lisboa concentram-se na zona mais antiga da cidade sendo pertença da freguesia de Santa Maria Maior três delas e ainda parte de outra, a saber, a Calçadinha da Figueira; a Calçadinha de Santo Estêvão derivada da igreja do séc. XIII da mesma invocação; a Calçadinha de São Lourenço junto à Igreja de São Lourenço do séc. XIII; a Calçadinha de São Miguel na proximidade à Igreja de São Miguel do séc. XII; e repartida com São Vicente, a Calçadinha do Tijolo que já existia antes do Terramoto de 1755. A que falta das seis é a Calçadinha dos Olivais, na freguesia do mesmo nome.

Calçada de Santo André – Freguesias de Santa Maria Maior e de São Vicente
(Foto: Sérgio Dias)

Já as Calçadas lisboetas são 83. De Ocidente para Oriente, comecemos pelas Freguesias de Belém e da Ajuda que partilham entre si a Calçada da Ajuda, a Calçada da Memória da salvação de D. José num atentado e a Calçada do Galvão, em homenagem a um funcionário da Secretaria de Estado dos Estrangeiros e da Guerra. A Calçada da Boa-Hora, derivada da Igreja,  reparte-se pelas Freguesias de  Belém , Ajuda e Alcântara, tendo a Ajuda em exclusivo a Calçada Ernesto Silva, nas proximidades da Liga Portuguesa dos Deficientes Motores com que o homenageado colaborou, bem como a Calçada do Mirante à AjudaAlcântara também tem só suas a Calçada de Santo Amaro e a Calçada da Tapada (das Necessidades).

Campolide tem 5 :  a Calçada do Baltazar, a Calçada da Estação dos Caminhos de Ferro, a Calçada dos Mestres que construíram o Aqueduto das Águas Livres, a Calçada da Quintinha e a Calçada dos Sete Moinhos, por mor dos moinhos de vento ali existentes.

São Domingos de Benfica só tem a Calçada de Palma de Baixo e Benfica a Calçada do Tojal.

Por seu turno,  Arroios tem 4 Calçadas só suas: a de Arroios, a  do Conde de Pombeiro junto ao seu palácio, a Calçada Nova do Colégio e a de Santana. Reparte com  Santo António mais 3 – a Calçada do Lavra derivada de Manuel Lopes do Lavre e com elevador desde 1884, a Calçada do Moinho de Vento e a Calçada de Santo António – e com Santa Maria Maior, outras tantas: a Calçada do Desterro evocativa do Convento do mesmo nome, a Calçada do Garcia e a Calçada do Jogo da Pela.

Já a Freguesia de  Santo António tem a Calçada Bento da Rocha Cabral, antiga Calçada da Fábrica da Loiça  e a Calçada da Patriarcal, partilhando ainda com a Misericórdia a Calçada Engenheiro Miguel Pais, engenheiro militar autor de Melhoramentos de Lisboa e Seu Porto e a Calçada da Glória com o seu elevador desde 1885.

Pelo lado da Misericórdia esta soma só suas 6 Calçadas: a da Bica Grande, a da Bica Pequena, a do Cabra, a do Combro, a de Salvador Correia de Sá que lá morou e a do Tijolo. Reparte ainda a Calçada do Duque D. Pedro de Meneses, Alferes-mor de D. Manuel e a Calçada do Ferragial com Santa Maria Maior, tal como acontece com a Estrela, nos casos da Calçada da Estrela e da Calçada Marquês de Abrantes aberta após o Terramoto.

A  freguesia da Estrela conta 5 exclusivamente suas: a Calçada de Castelo Picão da Madragoa, a Calçada do Livramento do Convento do mesmo nome, a Calçada das Necessidades, a Calçada da Pampulha e  a Calçada Ribeiro Santos, em memória do estudante assassinado pela PIDE em 1972.

Calçada do Menino Deus – Freguesias de Santa Maria Maior e de São Vicente
(Foto: Rui Mendes)

Santa Maria Maior  tem 9 exclusivas do seu território: a  Calçada do Carmo, a Calçada do Conde de Penafiel que foi o  último Correio-Mor do Reino, a Calçada do Correio Velho, a Calçada do Marquês de Tancos junto ao seu palácio, a Calçada da Mouraria, a Calçada da Rosa, a Calçada do Sacramento, a Calçada de São Francisco e a Calçada Nova de São Francisco, ambas relativas ao antigo grande mosteiro dessa invocação. E para além das partilhadas já acima referidas esta freguesia ainda reparte com São Vicente mais 5: a Calçada Agostinho de Carvalho industrial de cerâmica da zona das Olarias, a Calçada do Menino Deus pela proximidade à Igreja de 1737 com a mesma invocação, a Calçada do Forte seiscentista de Santa Apolónia, a Calçada de Santo André e a Calçada de São Vicente.

Já São Vicente guarda 7: a Calçada dos Barbadinhos, a Calçada do Cardeal da Mota, a Calçada dos Cesteiros, a Calçada do Cascão onde morou João Cascão, a Calçada da Graça, a Calçada do Monte de S. Gens e Calçada de Santa Apolónia. E ainda partilha a Calçada da Cruz da Pedra com a Penha de França, que tem mais 3: a Calçada da Ladeira, a Calçada das Lajes e a Calçada do Poço dos Mouros.

Na Freguesia do Beato, estão mais 6: a Calçada do Carrascal, a Calçada de Dom Gastão da família Coutinho ali com palácio, a Calçada do Grilo, a Calçada do Olival, a Calçada de Santa Catarina a Chelas e a Calçada do Teixeira. O Beato partilha com Marvila mais 2: a Calçada do Duque de Lafões e a Calçada da Picheleira. Por seu turno, Marvila dispõe também de 2: a Calçada do Perdigão relativa à Quinta de Manuel Sequeira Perdigão e a Calçada dos Vinagreiros.

Falta referir que na zona norte de Lisboa ainda existem mais 4 calçadas: a do Forte da Ameixoeira em Santa Clara, mais a Calçada de Carriche (que António Gedeão imortalizou num poema) e  a Calçada do Poço partilhadas por Santa Clara e Lumiar, e ainda, a Calçada do Picadeiro, exclusiva do Lumiar.

Calçada do Duque – Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Sérgio Dias)

 

Altos e Cabeços de Lisboa

Freguesia de Arroios
(Foto: Mário Marzagão)

Já aqui abordámos os Altos das 7 colinas de Lisboa mas de toponomenclaturas de lugares mais elevados faltam os seus Cabeços, guardando a cidade ainda dois.

Do latim capitìum, que significa capuz, um cabeço é um  cume arredondado de um monte, um outeiro isolado ou um penedo.

Na freguesia de Arroios resiste um topónimo que guarda memória de um cabeço que como sítio se finou no séc. XIX: o Largo do Cabeço de Bola, na confluência da Rua da Escola do Exército e da Rua das Barracas. Foi o Edital camarário de 10 de junho de 1884 que integrou o antigo sítio do Cabeço de Bola na Rua da Escola do Exército. Curiosamente, apesar do local estar mais elevado que algumas artérias circundantes parece que o topónimo não deriva dessa circunstância. Segundo Luís Pastor de Macedo, era antes Cabeça de Bola, referindo-se à alcunha de Belchior de Oliveira que encontramos em 1644 como padrinho dum baptismo realizado na Igreja dos Anjos ou então Jerónimo de Oliveira, que tinha a mesma alcunha e em 1662 vivia na mesma freguesia dos Anjos, sendo certo que em 1724 já os registos paroquiais referem paroquianos como morador à Cabeça de Bola. Em 1858, Filipe Folque no seu Atlas da Carta Topográfica de Lisboa, com o nome de Cabeço da Bola, assinala nesta zona a existência do Largo, mas também de uma Azinhaga ( que ainda existia em 1875, surgindo em 1878 um beco na planta de Francisco e César Goullard)  e de um quartel.

O Cabeço das Rolas que nasce na Rua Corsário das Ilhas, perpetua o facto de no passado este lugar ser frequentado por rolas durante o seu trajeto migratório e foi uma toponomenclatura oficializada pelo Edital de 16/09/2009, pelo qual o concelho de Lisboa aceitou 102 topónimos da Expo 98 após a sua reconversão em Parque das Nações.

Cabeço das Rolas – Freguesia do Parque das Nações