Entrevista dada à Rádio DW em 11 de maio de 2018

África pelas ruas e avenidas de Portugal | DW | 11.05.2018

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Os arquitetos de Lisboa

Os arquitetos são os construtores do espaço urbano, desde os seus prédios mais emblemáticos até às urbanizações residenciais, ao traçado das praças e ruas de novas urbanizações até aos jardins. Das escolas aos estádios,  das igrejas aos teatros, são os arquitetos que produzem uma forma de enquadrar a paisagem assim traçando ao longo dos séculos o tecido urbano de Lisboa.

Estes construtores de cidade, inúmeras vezes funcionários públicos da Câmara Municipal de Lisboa ou do Ministério das Obras Públicas, são produtores de património cultural edificado lisboeta e assim são o tema do mês de maio deste Ano Internacional do Património Cultural.

Os nossos artigos deste mês vão incidir sobre as artérias lisboetas que homenageiam os arquitetos Adelino Nunes, Afonso Álvares, Carlos Ramos, Custódio Vieira, Daniel Santa Rita, Domingos Parente, Faria da Costa, Formosinho Sanchez, Francisco da Conceição Silva, Francisco Ferreira Cangalhas, Honorato José Correia, Jorge Segurado, José da Silva Pais, Keil do Amaral, Luís Cristino da Silva, Mateus Vicente, Maurício de Vasconcelos, Norte Júnior, Pedro José Pezerat, Perez Fernandez, Raúl Lino e  Rodrigo Franco.

Já antes publicámos artigos sobre:
Avenida Manuel da Maia
Avenida Ventura Terra
Jardim Prof. Francisco Caldeira Cabral
Praça Cottineli Telmo
Rua Adães Bermudes
Rua Alberto José Pessoa
Rua Álvaro Machado
Rua António do Couto
Rua Carlos Mardel
Rua Cassiano Branco
Rua Eduardo Bairrada
Rua Eugénio dos Santos
Rua Frederico George
Rua Giovanni Antinori
Rua João de Castilho
Rua João Frederico Ludovice
Rua José Luís Monteiro
Rua Leitão de Barros
Rua Maria José Estanco
Rua Miguel Ângelo Blasco
Rua Miguel Nogueira Júnior
Rua Pardal Monteiro
Rua Reinaldo Manuel dos Santos
Travessa Possidónio da Silva

#EuropeForCulture

Amanhã, inauguração do Jardim Mário Soares

O Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, vai proceder amanhã, às 13:00, à inauguração do Jardim Mário Soares.

 

“ Mário Soares é o maior político português do século XX”, disse o seu rival, nas eleições presidenciais de 1986, Diogo Freitas do Amaral. Para Mário Soares, a política era uma vontade e uma vocação, um prazer e uma paixão. E foi-lhe um destino! A sua voz tonou-se, nos momentos em que tudo se jogava, a voz do País – e dizia a palavra Liberdade. Foi fundador e garante da democracia portuguesa, dando o seu nome ao que melhor a prefigurou e configurou. É o rosto do Portugal democrático e europeu. A sua morte apareceu na Imprensa de todo o mundo. Foi o fim de uma grande vida livre.

Nasceu em Lisboa, a 7 de Dezembro de 1924. Do pai, João Soares, ministro da I República, intelectual e pedagogo, recebeu o gosto idealista da política e da cultura. Da mãe, Elisa Nobre Baptista, herdou o senso prático e o realismo.

A Guerra Civil de Espanha foi o seu despertar político. Estudou em colégios, terminando o liceu no Colégio Moderno, fundado pelo pai. Em 1942, ao entrar na Universidade de Lisboa, já tinha uma posição política clara: era antifascista. Licenciou-se em História e Filosofia. Depois, em Direito. Viveu intensamente a II Guerra Mundial, lutando pela vitória dos Aliados. Quando ela aconteceu, organizou grandes manifestações, mas Salazar aguentou-se.

Casou com Maria de Jesus Barroso em 1949, quando estava preso. Tiveram dois filhos: João e Isabel. O MUD Juvenil e o MUD iniciaram-no como dirigente político. Preso 13 vezes, foi deportado em S. Tomé e esteve exilado em França. Participou em todos os grandes combates contra a ditadura. Após o assassinato de Humberto Delgado pela PIDE, foi o advogado da família. Em 1950, tinha-se distanciado do Partido Comunista, iniciando uma travessia do deserto que o levaria, mais tarde, à fundação da ASP e, em 1973, do PS.

Com o 25 de Abril de 1974, regressou a Portugal, no Comboio da Liberdade. Trazia, na bagagem, um Partido, uma rede de relações internacionais, uma ideia para o país. Visitou os seus amigos, que chefiavam muitos governos  na Europa, para obter o reconhecimento da Revolução. Foi ministro dos Negócios Estrangeiros do I e II Governos Provisórios, abrindo Portugal ao mundo. Iniciou as conversações para a descolonização, mas esse processo, logo a seguir, ficou nas mãos do MFA e do PCP.

À medida que se tornava claro que os comunistas queriam tomar o poder, Soares liderou um PS que se opôs firmemente à tentação totalitária. Depois da vitória socialista nas eleições para a Assembleia Constituinte, em Abril de 1975, ergueu a legitimidade democrática acima da legitimidade revolucionária. A unicidade sindical foi rejeitada; o “caso República” levou o país à rua e os socialistas saíram do governo; o comício da Fonte Luminosa foi o símbolo maior da luta contra Vasco Gonçalves e Cunhal. Malraux disse então que, em Portugal, pela primeira vez na história, os mencheviques derrotaram os bolcheviques. Soares tornara-se uma figura mundial.

Em 1976, o PS ganhou as eleições legislativas e ele foi primeiro- ministro do I e II Governos Constitucionais: salvou o país da banca rota, construiu o Estado de Direito, lançou os fundamentos do Estado Social, pediu a adesão à CEE. A seguir, fez oposição à AD, mas celebrou acordos para tornar Portugal uma democracia civilista e europeia. Voltou a chefiar o Governo (IX). Em 1985, assinou o Tratado de Adesão de Portugal à CEE. Contrariando uma ideia falsa, os governos de Soares foram os mais reformistas e eficazes, tomando decisões fundamentais para a economia e a sociedade.

Em 1986, depois de uma dura campanha, que começou, para ele, com previsões baixíssimas nas sondagens, foi eleito Presidente da República, o primeiro civil, após 60 anos. Em 1991, foi reeleito com mais de 70% dos votos. O seu estilo e as Presidências Abertas permanecem como uma maneira contemporânea de fazer política e de olhar o Estado. Nesses anos, o lugar da cultura foi o primeiro.

Depois, Soares continuou presente. Interveio, falou, escreveu, agiu. Animou a Fundação Mário Soares. Fez da defesa do ambiente uma grande causa. Foi Presidente da Comissão Mundial Independente dos Oceanos. Opôs-se á guerra do Iraque, que considerou um desastre para o Ocidente. Foi deputado no Parlamento Europeu. Perdeu as eleições presidenciais de 2006, mas o estado do País, da Europa e do Mundo nos anos seguintes deu razão ao que Soares dissera na campanha eleitoral.

Figura portuguesa, europeia e mundial, Mário Soares exerceu os mais altos cargos e recebeu as maiores distinções. Isso nunca o acomodou. Lutou sempre até ao fim: denunciou, previu, preveniu, advertiu, propôs. Tinha orgulho nos livros que escreveu e nos combates que travou. Nele, a política e a liberdade eram uma da outra e, as duas, inseparáveis da vida e do que a torna grande.

José Manuel dos Santos

 

 

Monumentos e sítios de Lisboa na toponímia alfacinha

Desde 1982 que o dia 18 de abril está consagrado como Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, pelo que dedicaremos este mês aos monumentos e sítios que Lisboa alberga nos seus arruamentos, bem como à forma como se  fixaram ou não na toponímia local.

A escolha dos 30 sítios resultou de uma escolha de ruas associados a locais onde se encontra património relevante e que abranjesse todas as épocas de Lisboa. Assim, de manhã, postaremos o topónimo que no seu arruamento alberga um monumento e à tarde, publicaremos uma ficha do monumento relacionado com o topónimo da manhã.  Excluem-se deste modelo a Gare Marítima de Alcântara por estar situada numa zona portuária sem toponímia atribuída pela Câmara Municipal de Lisboa, bem como a Praça da Figueira e a Praça do Comércio por serem elas próprias o monumento.

Os restantes dias do mês farão pares de topónimo e ficha de monumento, da seguinte forma:
a Avenida de Berna e a Fundação Calouste Gulbenkian;
a Avenida Brasília e a Torre de Belém;
a Calçada da Quintinha e o Aqueduto das Águas Livres;
a Calçada de Santo Amaro e a Capela de Santo Amaro;
o Largo do Carmo e o Convento do Carmo;
o antigo Largo da Esperança e o Chafariz da Esperança;
o Largo da Graça e o Convento da Graça;
o Largo da Memória e a Igreja da Memória;
o Largo de Santo António da Sé e a Igreja de Santo António de Lisboa;
o Largo de São Carlos e o Teatro Nacional de São Carlos;
o Largo de São Domingos e a Igreja de São Domingos;
o Largo de São Miguel e a Igreja de São Miguel de Alfama;
o Largo de São Vicente e o Mosteiro de São Vicente de Fora;
o Largo do Terreiro do Trigo e o Chafariz d’El Rei;
o Largo Trindade Coelho e a Igreja de São Roque;
a Praça das Amoreiras e o Reservatório da Mãe d’Água das Amoreiras;
a Praça da Estrela e a Basílica da Estrela;
a Praça dos Restauradores e o Palácio Foz;
a Rua da Alfândega e a Igreja da Conceição Velha;
a Rua dos Bacalhoeiros e a Casa dos Bicos ou de Brás de Albuquerque;
a Rua dos Correeiros e o seu Núcleo Arqueológico;
a Rua da Madre de Deus e o Mosteiro da Madre de Deus;
a Rua Rodrigo da Fonseca e o Hotel Ritz;
a Rua de Santa Justa e o Elevador de Santa Justa;
a Rua de S. Mamede e o Teatro Romano;
a Rua de O Século e o Convento dos Cardais.

Património teatral na toponímia alfacinha

No dia 27 deste mês comemora-se o Dia Mundial do Teatro, razão para a escolha do tema ser desta feita o Património Teatral na toponímia alfacinha.

Os topónimos com nomes de atores, encenadores, cenógrafos, empresários teatrais, dramaturgos, compositores de ópera e de revista, professores e críticos de teatro, daqueles que se ligaram a esta arte nos palcos, na rádio ou na televisão e finalmente, os próprios edifícios dos teatros, serão os eleitos deste mês para os nossos artigos. Em paralelo, na nossa página do Facebook  também aparecerão vídeos sobre estes arruamentos e sobre alguns teatros ainda de pé ou já desaparecidos como, por exemplo, o Teatro da Rua dos Condes ou  o Teatro Monumental.

No âmbito do património teatral inscrito na toponímia lisboeta já antes escrevemos artigos sobre:

Avenida Carlos Paredes
Avenida Dr. Augusto de Castro
Avenida Glicínia Quartin
O Dia Mundial do Teatro
Jardim Amália Rodrigues
Jardim Bento Martins
Jardim Fernanda de Castro
Largo Álvaro de Andrade
Largo Artur Bual
Largo Carlos Selvagem
Largo Luiz Francisco Rebello
Largo Luzia Maria Martins
Largo Machado de Assis
Largo Mendonça e Costa
Largo Rafael Bordalo Pinheiro
Largo de São Carlos
Praça Bernardo Santareno
Praça Dom João da Câmara
Rua Abel Botelho
Rua Actriz Adelina Abranches
Rua Actriz Maria Matos
Rua Actor António Cardoso
Rua Actor António Silva
Rua Actor Epifânio
Rua Actor João Rosa
Rua Actor Vale
Rua Actor Vasco Santana
Rua Alfredo Mesquita
Rua Almada Negreiros
Rua Álvaro Benamor
Rua Amarelhe
Rua Amélia Rey Colaço
Rua Américo Durão
Rua André Brun
Rua António Lopes Ribeiro
Rua António Vilar
Rua Armando Ferreira
Rua Augusto Pina
Rua de Augusto Rosa
Rua Bernardo Marques
Rua Berta Cardoso
Rua Carlos Daniel
Rua Carlos Gil
Rua Cervantes
Rua Chaby Pinheiro
Rua Conde de Arnoso
Rua Constança Capdeville
Rua Doutor Júlio Dantas
Rua Coronel Luna de Oliveira
Rua Eduardo Brazão
Rua Eduardo Coelho
Rua Eduardo Fernandes (Esculápio)
Rua Emília Eduarda
Rua Ernesto Rodrigues
Rua Félix Bermudes
Rua Francisco Grandela
Rua Francisco Ribeiro (Ribeirinho)
Rua Frederico de Brito
Rua Frederico George
Rua Garrett
Rua Gil Vicente
Rua Guilherme de Azevedo
Rua Gustavo de Matos Sequeira
Rua Hermínia Silva
Rua Ivone Silva
Rua Jaime Cortesão
Rua João Villaret
Rua Jaime Mendes
Rua Jorge de Sena
Rua José Carlos dos Santos
Rua Júlio César Machado
Rua Leitão de Barros
Rua Lino Ferreira
Rua Lopes de Mendonça
Rua Luís de Sttau Monteiro
Rua Luísa Todi
Rua Maestro Frederico de Freitas
Rua Marcelino de Mesquita
Rua Maria Albertina
Rua Maria José da Guia
Rua Maria Lalande
Rua Mário Botas
Rua Mário de Sá Carneiro
Rua Mário Viegas
Rua Norberto de Araújo
Rua Palhaço Luciano
Rua Paulo Renato
Rua Pedro Bandeira
Rua Pinheiro Chagas
Rua Prista Monteiro
Rua Raul de Carvalho
Rua Silva e Albuquerque
Rua Silva Tavares
Rua Stuart Carvalhais
Rua Teresa Gomes
Rua Tomás Del Negro
Rua Varela Silva
Rua Vasco de Lima Couto
Rua Vítor Hugo
Travessa Miguel Verdial
Travessa dos Teatros

 

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Nova Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa toma posse amanhã

 

O Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, dará posse na manhã de amanhã à nova Comissão Municipal de Toponímia, presidida pela Vereadora Catarina Vaz Pinto.

A Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa é o órgão consultivo da CML a que incumbe propor ou emitir parecer sobre a atribuição de topónimos a arruamentos, bem como outras formas alternativas de homenagem, como a denominação de bairros, conjuntos arquitetónicos, equipamentos e infraestruturas. Esta Comissão é composta pelo Vereador que preside, por representantes de serviços municipais, da Universidade de Lisboa, da Universidade Nova de Lisboa, do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, da Sociedade Portuguesa de Autores, do Grupo Amigos de Lisboa, por três cidadãos de reconhecido mérito pelos seus conhecimentos e estudos sobre a Cidade de Lisboa e, ainda, por dois representantes das Juntas de Freguesia, indicados pela Assembleia Municipal, que asseguram a ligação com as instituições, coletividades e associações de residentes e moradores interessadas em participar nesta matéria.

Assim, esta Comissão Municipal de Toponímia que agora inicia funções é constituída pelos seguintes vogais:

    • Vereadora do Pelouro da Cultura, Drª Catarina Vaz Pinto, que preside;
    • Diretor Municipal de Cultura, Dr. Manuel Veiga;
    • Representante da Unidade de Coordenação Territorial, Arqº Rui Encarnação;
    • Representante da Direção Municipal de Projectos e Obras, Arqº Nuno Teixeira;
    • Drª Ana Homem de Melo, em representação do Gabinete de Estudos Olisiponenses (GEO);
    • Professora Doutora Ana Tostões, em representação da Universidade de Lisboa (UL);
    • Professor Doutor José Esteves Pereira, em representação da Universidade Nova de Lisboa (UNL);
    • Professora Doutora Maria João Vaz, em representação do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa;
    • Professora Doutora Maria Alzira Seixo, em representação da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA);
    • Drª Salete Salvado, em representação do Grupo Amigos de Lisboa (GAL);

assim como por escolha do Presidente da Câmara:

    • Professora Doutora Irene Pimentel;
    • Professora Doutora Maria Marques Calado;
    • Professor Doutor Rui Vieira Nery;

e por escolha da Assembleia Municipal:

    • Presidente da Junta de Freguesia de Belém, Dr. Fernando Manuel Pacheco Ribeiro Rosa;
    • Presidente da Junta de Freguesia do Lumiar, Dr. Pedro Filipe Mota Delgado Simões Alves.

Património industrial na toponímia de Lisboa

No decorrer do mês de fevereiro vamos avançar pelos topónimos que guardam memória do património industrial lisboeta, quer seja de manufaturas pombalinas, das fábricas do século XIX e XX que se estabeleceram nas zonas opostas de Alcântara e Xabregas, ou até dos industriais que promoveram indústrias na cidade de Lisboa.

De fora ficam os topónimos que, embora inseridos nesta temática,  já antes aqui tenha sido publicada a sua história, como a Rua da Fábrica Carp em Belém, a Praça das Indústrias e a Praça dos Congressos, a Travessa do Sebeiro no pólo industrial de Alcântara, o Largo Vitorino Damásio em homenagem ao Reitor do Instituto Industrial, escola que também se fixou numa Rua, o Beco da Bolacha e a Rua do industrial Eduardo Costa, a Travessa da Fábrica dos Pentes das manufaturas pombalinas, o Largo dos irmãos Stephens da fábrica de vidro da Marinha Grande, a Rua do Arsenal da Marinha, a Rua da Fábrica de Material de Guerra de Braço de Prata, a Rua do Açúcar, o Largo da Fábrica da Fiação de Xabregas ou do Black.

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Património Cultural lisboeta na toponímia alfacinha

2018 é Ano Europeu do Património Cultural e por isso, este ano todos os nossos temas mensais estarão relacionados com um determinado património cultural lisboeta de que a toponímia alfacinha guarda memória, quer seja uma estrutura escolar, um templo religioso, um monumento, um jardim ou um pavilhão desportivo, sendo cada texto nosso um  convite a todos para conhecer e celebrar esse património alfacinha.

No corrente mês de janeiro, apresentaremos uma miscelânea de topónimos que são a montra do que iremos exibir ao longo de cada mês do ano de 2018, procurando informar e sensibilizar quem nos lê para a diversidade de património cultural que Lisboa possui e que a toponímia foi memorizando nas suas placas toponímicas, quer pela importância que os cidadãos lhe davam e assim impuseram o topónimo, quer pelo cuidado que a administração municipal colocou em preservá-lo na toponímia.

No âmbito deste tema, desde 2012, já aqui publicámos inúmeros artigos sobre diversos topónimos como, por exemplo, os seguintes:

O Alto das Conchas e conchinhas miocénicas
Arco das Portas do Mar
Alameda da Música
Alameda da Universidade
Avenida Torre de Belém
Beco das Atafonas
Beco do Colégio dos Nobres
Beco do Hospital da Marinha
Beco do Imaginário
Beco dos Lóios
Costa do Castelo
Cruzes da Sé
As Cruzes da Toponímia de Lisboa
No Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, o Património Comum do Desporto, na toponímia de Lisboa
Escadinhas da Porta do Carro
Escadinhas da Saúde
O Fado na toponímia de Lisboa
Jardim Alfredo Keil
Jardim Ducla Soares
Largo da Academia Nacional de Belas Artes
Largo da Associação Ester Janz
Largo dos Caminhos de Ferro
Largo da Cantina Escolar
Largo do Carmo
Largo do Nautilius 
Largo das Portas do Sol
Largo da Torre
Santa Maria da Luz em 4 artérias de Carnide
Património Comum do Desporto na Toponímia de Lisboa: o Bilhar e o Boxe
Património Comum do Desporto na Toponímia de Lisboa: o Ciclismo e a Esgrima
Património Comum do Desporto na Toponímia de Lisboa: Clubes na Toponímia de Lisboa
Património Comum do Desporto na Toponímia de Lisboa: os Dirigentes Desportivos
Património Comum do Desporto na Toponímia de Lisboa: Educação Física e Ginástica, Hóquei em Patins e Patinagem
Património Comum do Desporto na Toponímia de Lisboa: o Futebol
Património Comum do Desporto na Toponímia de Lisboa: os jornalistas desportivos
Património Comum do Desporto na Toponímia de Lisboa: a Natação e o Tiro
Parque Eduardo VII
Pena de Morte e Direitos Humanos na Toponímia de Lisboa
Praça Ginásio Clube Português
Praça da Ribeira
Praceta do Chinquilho
Rotunda Pupilos do Exército
Rua da Academia das Ciências
Rua da Academia Recreativa de Santo Amaro
Rua Aliança Operária
Ruas com Arcos
Rua do Arsenal
Rua de Artilharia Um
Rua Corsário das Ilhas
Rua Diário de Notícias
Rua da Estrela
As Ruas das Especiarias do Parque das Nações
Rua da Fraternidade Operária
Ruas com Igreja
Rua do Instituto Industrial
Rua do Instituto Virgílio Machado
Rua Jangada de Pedra
Rua do Jardim do Tabaco
Rua da Judiaria
Rua da Menina do Mar
Rua da Mouraria
Rua do Montepio Geral
Rua Nova do Grilo
Rua de O Século
Rua das Portas de Santo Antão
Rua da Praia do Bom Sucesso
Rua da Praia de Pedrouços
Rua de São Pedro de Alcântara
Rua dos Sapateiros
Rua da Voz do Operário
Rua da Misericórdia
Rua Centro dos Trabalhadores do Alto da Ajuda
Rua Clube Atlético e Recreativo do Caramão
Rua de São Paulo
Rua do Triângulo Vermelho
Toponomenclatura de espaços verdes: os Jardins e os Parques
Toponomenclatura do passado rural: as Azinhagas
Travessa da Fábrica dos Pentes
Travessa das Mónicas
Travessa dos Teatros
Travessa do Vintém das Escolas

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A Rua Áurea a que todos chamam Rua do Ouro

A Rua Áurea no Cartulário Pombalino de 1760
(Arquivo Municipal de Lisboa)

A pombalina Rua Áurea de 1760, topónimo oficial nascido do  primeiro diploma de toponímia de Lisboa, é pela maioria chamada como Rua do Ouro por ser de pronúncia mais fácil mas também porque outrora existiram ruas do Ouro alfacinhas.

No séc. XV,  os vereadores da cidade de Lisboa proibiram o lançamento de esterco e outras sujidades na rua do Ouro, que era a Betesga, estipulando pena por incumprimento, conforme lavrou o escrivão da Câmara Gomes Eanes de Monte Agraço.

A partir da 2ª metade do século XVI, Lisboa começa a apresentar uma Rua Nova dos Ourives do Ouro, também designada Rua da Ourivesaria do Ouro (em 1577 e em 1700), aberta sobre um antigo esteio do Tejo que D. João II mandou parcialmente tapar, talvez situada na área hoje ocupada pelas Ruas de São Nicolau e de São Julião, ou ainda, como Rua dos Ourives do Ouro (por exemplo, em 1577, 1600, 1602, 1619, 1663, 1686, 1688, 1692, 1702, 1704, 1705, 1707, 1719).

Após o Terramoto de 1755 nasceu a nova Rua Áurea, rasgada e integrada no todo simétrico da Baixa Pombalina, em resultado da Portaria de 5 de novembro de 1760, de D. José I, que atribuiu toponímia a todos os novos 14 arruamentos entre a Praça do Rossio (hoje Praça D. Pedro IV) e a Praça do Comércio, bem como regulamentou a distribuição dos vários artesãos e comércios por eles.

No séc. XIX, seguramente a partir de 1849 passou a ser conhecida vulgarmente como Rua do Ouro, tanto mais que em 1906 circulavam postais com o Banco de Portugal e Rua do Ouro na legenda. Aliás, nos postais da primeira década do séc. XX era comum encontrar-se a imagem dos estabelecimentos bancários que a artéria albergava: o Monte Pio dos Empregados Públicos (1840), o Banco de Portugal (na última metade do séc. XIX), o Banco Lisboa & Açores (1907), como mais tarde, também aconteceu com a Agência Havas (1931).

A Rua Áurea em 2012 –
Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Artur Matos)