Brotero

Gravura de Félix de Avelar Brotero
(Foto: Eduardo Portugal © CML | DPC | Arquivo Municipal de Lisboa)

Félix de Avelar Brotero, médico que preferiu dedicar-se à botânica e assim dirigiu o Jardim Botânico da Ajuda, começou por ter Rua em Lisboa na freguesia de Alcântara no final do séc. XIX e em 1916, também passou a dar nome a uma artéria da Ajuda e depois, foi também o nome do Jardim do Alto de Santo Amaro em Alcântara.

Por deliberação camarária de 8 de julho de 1892 passou a existir em Alcântara, na Rua 6 do Bairro Rolão ou de Santo Amaro, a Rua Avelar Brotero. Já no séc. XX, o Edital municipal de 26 de setembro de 1916, alterou o topónimo Rua da Paz para Rua Brotero, considerando a localização desta entre o Largo da Paz e o Jardim Botânico que Brotero dirigira. Nos anos 80 do séc. XX, perante a manifesta escassez de novos arruamentos na cidade, a edilidade alterou pelo Edital de 7 de setembro de 1987 a Rua Avelar Brotero para Rua Pedro Calmon, passando a existir apenas uma rua dedica a Brotero em Lisboa, a da Ajuda, à qual em 1992 foi aditada a legenda «Félix de Avelar Brotero / Médico e Botânico/1744 – 1828», a partir da sugestão de um munícipe para se identificar convenientemente o antropónimo.

Ainda em Alcântara, no início do séc. XX, o Jardim do Alto de Santo Amaro, sito na Rua Filinto Elísio- que antes de 8 de julho de 1892 era a Rua 2 do Bairro Rolão ou de Santo Amaro-, foi denominado Jardim Avelar Brotero mas tal resolução nunca tornou oficial o topónimo do Jardim. A CML aumentou o número de bancos deste espaço verde nos anos 50, a pedido dos moradores da zona e a última remodelação do Jardim aconteceu no ano passado.

Nascido Félix da Silva de Avelar (Loures – Santo Antão do Tojal/25.11.1744 – 04.08.1828/Lisboa), pela forte amizade que o ligava a Filinto Elísio (Francisco Manuel do Nascimento) e pelo ardor com que se dedicava à ciência tornou-se suspeito para o Santo Ofício e para fugir à polícia de Pina Manique, emigrou para Paris em 1778, com Filinto Elísio. Durante os 12 anos de permanência em Paris, fez os principais estudos de história natural e doutorou-se na Escola de Medicina de Reims, assim como adotou o apelido de Brotero, que significa amante dos mortais (pela junção do grego brothos com eros). Publicou o Compêndio Botânico (Compendio de Botanica ou Noçoens Elementares desta Sciencia, segundo os melhores Escritores modernos, expostas na língua Portugueza) em 1788, em Paris.

Regressou a Lisboa no ano de 1790, tendo sido logo nomeado lente de Botânica e Agricultura na Universidade de Coimbra, em 1791 e que manteve até 1807, acumulando com a direção do Jardim Botânico da Universidade e publicou Flora Lusitanica (1804). As invasões francesas alcançaram Coimbra em 1807 e Brotero veio refugiar-se em Lisboa e só lá voltou para ser jubiliado, o que sucedeu por Carta Régia de 27 de abril e Decreto de 16 de agosto de 1811. Passou então a dirigir o Real Museu e Jardim Botânico da Ajuda (o primeiro jardim botânico português e o 15.º da Europa, desenhado em 1768 por Domingos Vandelli por ordem de D. José I), reabilitando o Jardim Botânico e elaborando o seu catálogo. Da sua investigação, resultaram também as suas obras Phytographia Lusitaniae selectior – em 2 tomos- 1816 e 1827 – e a História Natural dos Pinheiros, Larices, e Abetos (1827).

Em 1821, Félix Avelar Brotero foi eleito deputado às Cortes Constituintes pela Estremadura, tendo participado na discussão da lei dos cereais, onde exortou os agricultores a cultivarem centeio e trigo, para que fosse possível produzir pão para toda a população e a um preço acessível à bolsa de todos mas 4 meses depois pediu dispensa, pela idade avançada (77 anos) e foi-lhe concedida. Faleceu aos 83 anos de idade na sua casa, na Calçada do Galvão, em Alcolena, em Belém.

Brotero foi homenageado com a atribuição do seu nome a várias plantas, como é o caso da Brotera ovata e da Brotera trinervata e está também na toponímia de Coimbra, do seu concelho natal – em Loures, Santo António dos Cavaleiros e Santo Antão do Tojal-, da Amadora, do Barreiro, Carnaxide, Custóias, Mafra, Matosinhos, Montijo, Odivelas (em Ramada e em Caneças), do Porto, Santa Maria da Feira, Seixal e Setúbal.

Também os seus pares, perpetuando a sua memória e sua importância decisiva para o desenvolvimento da Botânica em Portugal fundaram em Coimbra, em 1880, a agremiação científica “Sociedade Broteriana”. O seu prestígio internacional de Brotero é confirmado pelas várias Sociedades e Academias a que pertenceu, entre outras, a Sociedade de Horticultura e a de Linnean, ambas de Londres, a Academia de História Natural e Filomática de Paris, a Sociedade Fisiográfica de Lunden na Suécia, a Sociedade de História Natural de Rostock e a Academia Cesarea de Bona (Alemanha). Em Portugal, pertenceu à Academia Real das Ciências de Lisboa.

O sucesso dos seus trabalhos de registo, inventariação e compilação de espécies botânicas, traduz na prática o enquadramento do novo espírito científico e filocientífico de oitocentos, bem como o prestígio crescente das ciências naturais que decorreu dos novos paradigmas do pensamento Iluminista.

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Filinto Elísio

 

Filinto Elísio, pintado por António Nunes Júnior nos Paços do Concelho de Lisboa

O sacerdote Francisco Manuel do Nascimento que enquanto poeta neoclássico usou o pseudónimo de Filinto Elísio, é o topónimo de uma Rua da freguesia de Alcântara desde o final do séc. XIX.

A Rua Filinto Elísio nasceu na Rua nº 2 do Bairro Rolão pela deliberação camarária de 8 de julho de 1892, na presidência do Conde de Ottolini na edilidade lisboeta. E nessa mesma deliberação mais artérias do Bairro Rolão tiveram também topónimos de escritores atribuídos: João de Barros ficou na Rua n.º 1, Soares dos Passos na Rua n.º 4, Bocage nas Ruas n.º 7 e 8 (que é a Rua Amadeu de Sousa Cardoso desde os anos oitenta do séc. XX, pelo Edital municipal de 29/02/1988), Gil Vicente na Rua n.º 9, e o botânico Avelar Brotero ficou na Rua n.º 6 (que é a Rua Pedro Calmon desde os anos oitenta do séc. XX, pelo Edital municipal de 07/09/1987).

Na década de trinta do século XX a Rua Rua A, situada no prolongamento da Rua Filinto Elísio passou também a ser parte integrante da primeira, conforme Edital municipal em 20 de junho de 1938 e este arruamento dedicado ao poeta arcádico, com dimensão aumentada passou assim a ligar a Rua da Indústria à Rua Soares de Passos.

O homenageado Filinto Elísio é Francisco Manuel do Nascimento (Lisboa/23.12.1734 – 25.02.1819/Paris) de seu nome. Nasceu na freguesia de São Julião, como filho de um casal de Ílhavo, um fragateiro e uma peixeira, que sempre viveram com João Manuel, um Mestre das Fragatas Reais e depois, Patrão-mor da Ribeira das Naus, que Filinto sempre considerou seu pai.

Francisco Manuel do Nascimento tornou-se sacerdote ordenado em 1754 e o Filinto Elísio poeta arcádico. Quando Leonor de Almeida Portugal, a futura Marquesa de Alorna, estava presa no Mosteiro de São Félix, em Chelas, com a sua irmã Maria, antes da Viradeira, ele começou a ser visita do local e também como era moda na época começou a cortejar uma das reclusas, Maria, a quem deu o nome árcade Daphne e à sua irmã, Leonor, o de Alcípe. Leonor retribuiu-lhe esse gesto dando-lhe o nome de Filinto Elísio, para substituir o pseudónimo de Niceno que usara até então no círculo poético do Grupo da Ribeira das Naus.

Este poeta neoclássico compôs odes, epístolas, epigramas e sátiras, tendo as suas poesias sido publicadas ainda em vida, em Paris, em 11 volumes, entre 1817 e 1819, mas só após a sua morte foram editadas em Lisboa as suas Obras Completas, num total de 22 tomos, entre 1836 e 1840, sendo a sua obra considerada precursora do Romantismo. Também os seus restos mortais foram transladados do Père Lachaise para o claustro da Sé de Lisboa em 1843, e mais tarde, para o cemitério do Alto de São João.

Refira-se que a partir de 1778 se refugiou em França, com Avelar Brotero, e foi lá que acabou por falecer, tendo nesses 41 anos conhecido o poeta Lamartine, que até lhe dedicou um poema. As suas ideias enciclopedistas e liberais levaram a que fosse denunciado à Inquisição em 22 de junho de 1778, por leituras heréticas proibidas e afirmações blasfemas, o que somado a uma forte amizade que o ligava a Félix da Silva de Avelar tornou-os a ambos suspeitos para o Santo Ofício, pelo que exilaram em Paris. E para sobreviver na capital francesa fez trabalhos de tradução: Os Mártires de Chateaubriand, As Fábulas de La Fontaine, Púnica de Sílio Itálico e o Elogio do Doutor António Nunes Ribeiro Sanches de M. Vicq-d’Azyr para português e verteu as Cartas de Mariana Alcoforado para francês como Lettres Portugaises de Mariana Alcoforado. A ida para França de Filinto Elísio permitiu-lhe contactar com personalidades relevantes da cultura francesa o que foi decisivo para a obra e para a sua defesa dos ideais enciclopedistas e iluministas e, também, das revoluções francesa e americana.

Filinto Elísio está também como topónimo nos concelhos de Ílhavo, Almada, Barreiro, Caldas da Rainha, Gondomar, Odivelas, Oeiras, assim como Francisco Manuel do Nascimento surge em dois topónimos da Charneca da Caparica, no concelho de Almada.

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Poeta Bocage

Litogravura de Bocage
(Foto: José Leitão Bárcia © CML | DPC | Arquivo Municipal de Lisboa)

Manuel Maria Barbosa du Bocage, conhecido pelo seu espírito irónico e satírico, tem na sua relação com a toponímia de Lisboa também uma histórica algo jocosa que o fez migrar de Alcântara para a zona de Carnide-Lumiar.

Em 8 de julho de 1892 a Câmara Municipal de Lisboa deliberou na sua sessão de câmara a atribuição do topónimo Rua Bocage às Ruas nºs 7 e 8 do Bairro do Casal do Rolão. Na mesma deliberação e no mesmo bairro de Alcântara decidiram também fixar Gil Vicente (na Rua nº 9) e Filinto Elísio (Rua nº 2 ). Todavia, no final dos anos 80 supôs-se que a Rua Bocage e a Avenida Barbosa du Bocage, dedicada a um primo em segundo grau do poeta sadino, se referiam à mesma pessoa e resolveu-se eliminar do mapa alfacinha a Rua Bocage transformando-a pelo Edital de 29/02/1988 em Rua Amadeu de Sousa Cardoso.

E assim ficou Lisboa sem o seu Bocage mais de 8 anos, até o Edital de 24/09/1996 o recolocar no Impasse FG da Quinta dos Inglesinhos, à Avenida das Nações Unidas, desta feita para evitar equívocos e, por proposta de Appio Sottomayor na Comissão Municipal de Toponímia, como Rua Poeta Bocage/1765 – 1805.

Manuel Maria Barbosa du Bocage (Setúbal/15.09.1765 – 21.12.1805/Lisboa), «Magro, de olhos azuis, carão moreno», também conhecido como Elmano Sadino da Nova Arcádia (Academia literária fundada em 1790), viveu em Goa, Damão e Macau, até regressar a Lisboa em 1790, frequentar o Café Nicola no Rossio da cidade e, viver a partir de 1801 no n.º 25 da Travessa André Valente, ao Bairro Alto.

Bocage publicou apenas os três volumes das suas Rimas, de 1791 a 1804, embora os seus versos eróticos e burlescos tenham circulado abundantemente em edições clandestinas. As suas temáticas predominantes fixaram-se na desilusão amorosa e nas dificuldades materiais e pode Bocage ser considerado o maior poeta português do séc. XVIII.

Não é também menor a sua obra como tradutor, mesmo que menos conhecida. As suas versões de textos clássicos latinos, de autores como Virgílio e Ovídio, caracterizam-se por rigor e originalidade, o que também sucedeu nas suas traduções da língua francesa de escritores da época, como Voltaire, La Fontaine, Lesage, Florian, Lacroix, d’Arnaud, Delille e Castel.

Em 7 de agosto de 1797, o Intendente Pina Manique mandou-o prendê-lo por desrespeito ao rei e à Igreja, primeiro no Limoeiro (até 14 de novembro), depois nos calabouços da Inquisição no Rossio e a partir de 17 de fevereiro de 1798 no Real Hospício das Necessidades, a cargo dos Oratorianos, de onde só saiu em liberdade no último dia desse ano.

Autor unanimemente considerado como um vulto maior do arcadismo em Portugal, a produção literária de Bocage foi influenciada pelos ideais Iluministas, sobretudo de influência francesa, com os quais tomou contacto quando, com 18 anos, chegou a Lisboa. Integrou, assim, o Arcadismo, escola literária que reagiu aos excessos estilísticos e ao virtuosismo do barroco, trazendo novos temas (mais simples e acessíveis), redigidos numa linguagem mais clara e significativa, adequada ao público leitor a que se pretende dirigir, nomeadamente à burguesia urbana. Tal como em outros domínios, também a literatura foi permeável às “Luzes” e, influenciada pela razão, pela experiência e pelo espírito científico, contribuiu para perspectivar uma nova visão do mundo.

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Cavaleiro de Oliveira

Resultado de imagem para Memórias das viagens de Francisco Xavier de Oliveira (1741)

Francisco de Oliveira, conhecido como Cavaleiro de Oliveira, funcionário da Coroa no século XVIII e escritor proibido pela Inquisição, é desde a publicação do Edital municipal de 17 de outubro de 1924 o topónimo de uma Rua de Arroios que hoje une a Rua Morais Soares à Praça Olegário Mariano.

Note-se que já Camilo o pretendera biografar mas foi na primeira metade do séc. XX que a sua biografia foi publicada por Jordão de Freitas, Aquilino Ribeiro e o Prof. Gonçalves Rodrigues, com acesas polémicas nessa época.

Francisco Xavier de Oliveira (Lisboa/21.05.1702 – 18.10.1783/Hackey – Inglaterra), filho de José de Oliveira e Sousa e de Isabel da Silva Neves, ficou conhecido como Cavaleiro de Oliveira por tradução de Chevalier d’Oliveira, nome que ele a si próprio atribuiu depois de ter sido feito Cavaleiro da Ordem de Cristo, em 11 de dezembro de 1729. O seu pai fora Contador dos Contos do Reino e Secretário em embaixadas, como a de Utreque e de Viena, o que facilitou que fosse admitido como funcionário do Tribunal dos Contos do Reino, na qualidade de Oficial, aos 14 anos. Como a sua família, Francisco Xavier de Oliveira era bastante considerado em Lisboa. Em 25 de fevereiro de 1730 casou com Ana Inês de Almeida.

Em 1734 foi destacado para substituir o seu pai que falecera, como Secretário da Embaixada Portuguesa em Viena. Contudo, desde o início o embaixador Conde de Tarouca não o apreciou e fez antes seu Secretário um arquiteto milanês, dispensando-o oficialmente uns três anos depois, em 1737. No ano seguinte, em 26 de junho de 1738 casou em Viena com Maria Eufrosina de Puechberg Enzing. Passou seis anos a tentar exercer a função de secretário da embaixada portuguesa e reclamou mas nunca foi empossado, por razões nunca expostas.

Em 1740, arruinado, partiu para a Holanda, onde começou a publicar, em francês, assumindo-se como escritor sem mecenas: Memoires de Portugal (1741), Memórias das viagens de Francisco Xavier de Oliveira (1741), 3 tomos de Cartas Familiares, Históricas, Políticas e Críticas: Discursos Sérios e Jocosos (1741- 1742), e Viagem à ilha do amor escripta a Philandro (1744) que é comum aceitar-se como uma tradução livre de uma obra de 1664, anónima mas atribuída ao abade Paul Tallemant.

Em 1744 fixou residência de exilado em Londres e um pouco antes, o Inquisidor Frei Manuel do Rosário proibiu a entrada de todos os seus livros em Portugal. O embaixador português em Londres, o futuro Marquês de Pombal, também não simpatizou com ele e o Cavaleiro de Oliveira fez amizade com um pastor anglicano que lhe permitiu sobreviver economicamente. Casou numa igreja anglicana em 1 de fevereiro de 1746, com Françoise Hammon, de origem luterana, e abjurou da fé católica em junho de 1746. Pouco depois do nascimento de uma filha, foi preso por dívidas e cumprida a pena (21 meses e dez dias) passou a receber uma pensão do Príncipe de Gales.

Em 1751 publicou Amusement Périodique, traduzido em 1922 por Aquilino Ribeiro como Recreação Periódica, no qual traçou um conjunto de traços anedóticos sobre a corte portuguesa de D. João V e fez proposições heréticas para a Fé católica e a Inquisição. Após o Terramoto de 1755 defendeu que foi um castigo divino em Discours pathétique au sujet des calamités présentes arrivées en Portugal. Adressé à mes compatriotes et en particulier a Sa Majesté Très-Fidèle Joseph I, Roi de Portugal (1756), obra com tradução inglesa no mesmo ano e a proibição de leitura e circulação pelo Santo Ofício – por denúncia do dr. Joaquim Pereira da Silva Leal, membro da Academia Real da História – que acabou por se estender a todas as suas obras. O Cavaleiro de Oliveira, dito herege, foi condenado a ser queimado em estátua, no mesmo auto da fé de 20 de setembro de 1761 em Lisboa, em que o padre Gabriel Malagrida padeceu a horrível morte pela fogueira. No ano seguinte respondeu com Le Chevalier d’Oliveyra brulé en effigie comme hérétique. Comment et Pourquoi? Anecdotes et Réflexions sur ce Sujet, données au Public par lui-même. Já em 1757 havia respondido com Suite du Discours Pathétique: ou Réponse aux Objections et aux Murmures que cet Ecrit s’est attiré à Lisbonne. Adressée aux Portugais par le Chevalier d’Olyveira, Auteur du Discours qu’il défend. Em 1767, usando um anagrama dele próprio dá a lume Reflexões de Félix Vieyra Corvina de Arcos, Cristão Velho Ulissiponense, com uma forte crítica à Inquisição, a práticas da Igreja e em defesa da liberdade de consciência.

Muito se falou também da sua vida galante, tanto mais que ele próprio se vangloriou nos seus escritos do seu amor por uma freira de Santa Mónica, uma cigana e uma judia que chegou a ser presa pela Inquisição.

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José Anastácio da Cunha

José Anastácio da Cunha (Lisboa, 11/05/1744-Lisboa, 01/01/1787), foi militar, matemático e poeta. Fez a sua formação académica em Lisboa, no Convento de Nossa Senhora das Necessidades que pertencia à Congregação do Oratório, onde, até aos 19 anos, aprendeu Gramática, Retórica e Lógica, desenvolvendo como autodidata o seu gosto pela Física e Matemática.

A sua nomeação como Tenente do Regimento de Artilharia do Porto (1764) levou-o a desenvolver outras áreas de interesse, dedicando-se ao estudo da História, das Línguas (latim, grego, inglês, francês e italiano) e das Belas Artes, o que em parte ficou a dever-se ao seu convívio com oficiais protestantes ingleses. Cruzando os seus conhecimentos com a atividade militar, em 1769, redigiu a Carta Fisico-Mathematica sobre a Theoria da Polvora em geral e a determinação do melhor comprimento das peças em particular (editada em 1838, no Porto), na qual eram identificados erros em trabalhos anteriores sobre artilharia.

No âmbito da reforma da Universidade empreendida pelo Marquês de Pombal, em 1773, Anastácio da Cunha foi nomeado professor de geometria da Faculdade de Matemática da Universidade de Coimbra, sendo-lhe concedido o título de doutor. Porém, cerca de cinco anos depois, com a subida ao trono de D. Maria I e com a alteração do contexto político que deu origem ao período conhecido como “Viradeira”, foi denunciado à Inquisição (1778), sendo acusado de ler autores que defendiam ideais iluministas (como Rousseau, Voltaire e Hobbes) e de exercer uma influência nefasta junto dos seus alunos através da apologia do racionalismo e da liberdade de consciência.

No final do processo, Anastácio da Cunha foi condenado a três anos de reclusão na Casa das Necessidades da Congregação do Oratório e a quatro anos de degredo em Évora, tendo sido afastado dos seus cargos universitários e confiscados os seus títulos e bens. Nos finais de 1780, foi aceite pela Inquisição o seu pedido de perdão. Porém, eram já muitas as dificuldades económicas, a par da sua perda de prestígio social. Neste difícil período da sua vida foi apoiado pelo Intendente Pina Manique que nomeou Anastácio da Cunha como professor de Matemática, na recém-criada Casa Pia (1781).

Anastácio da Cunha traduziu para português obras de autores como Voltaire, Pope, Rousseau e Holbach publicadas ainda durante a sua vida, mas as suas obras científicas e poéticas só foram editadas postumamente. Entre as primeiras, refiram-se: Principios mathematicos para instrucção dos alunos do Colegio de S. Lucas da Real Casa Pia do Castello de S. Jorge (terminada em 1786; publicada em 1790, em Lisboa), considerada a sua obra mais importante pela reformulação da Geometria de Euclides e que foi traduzida para francês (publicada em 1811, em Bordéus); e, Ensaio sobre os Principios de Mechanica que deu um contributo decisivo para o desenvolvimento das ciências físico-matemáticas (publicado em 1807, em Londres).

A sua obra poética, considerada como precursora do romantismo, só deu à estampa em 1839, por iniciativa de Inocêncio da Silva, com o título Composições poéticas do Doutor José Anastácio da Cunha, cujos exemplares foram depois apreendidos e apenas reeditados em 1930.

Foram necessários mais de dois séculos após a sua morte para que fosse reconhecida a importância e valor de José Anastácio da Cunha como matemático e como poeta que, partilhando os princípios da Europa das Luzes, defendia um ensino voltado para a experiência, aliando a teoria à prática e às demonstrações, aspetos que, entre os anteriormente referidos, o levariam a ser condenado pela Inquisição.

Em Lisboa, foram também necessários 202 anos após a sua morte, para que através do Edital municipal de 28 de dezembro de 1989 se tornasse o topónimo da Rua Dois do Bairro do Alto da Serafina, como Rua Anastácio da Cunha. No ano seguinte, num processo de remodelação da toponímia do Bairro da Serafina a pedido dos seus moradores, passou a Rua José Anastácio da Cunha, pelo Edital municipal de 14 de dezembro de 1990 e assim continua.

 

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Dr. António Ribeiro Santos

António Ribeiro dos Santos
(Imagem de domínio público)

Este reputado jurista e professor da Universidade de Coimbra publicou em 1814 no Jornal de Coimbra o «Discurso sobre a Pena de Morte e Reflexões sobre alguns Crimes» onde defendeu que a pena de morte é «ir além dos limites da necessidade do remédio, é exceder a moderação e violar a Lei Sagrada, que nos manda não fazer maior mal do que o que nos é absolutamente necessário para a nossa conservação, para a defesa da nossa vida», afirmando claramente que a pena capital «não é nem útil nem necessária».

Ainda neste âmbito da abolição da pena de morte e direitos humanos, António Ribeiro dos Santos foi também membro  da Junta de Revisão do Novo Código de Direito Público de Pascoal de Melo, tendo havido acesa polémica entre ambos. As ideias iluministas mas despóticas, de raiz absolutista, de Pascoal de Melo foram contestadas por Ribeiro dos Santos que defendia que o Poder vem de Deus ao Povo que é o único a poder outorgá-lo ao rei. Pascoal de Melo após não ver o seu  projeto aprovado, apodou Ribeiro dos Santos de republicano.

Em Lisboa, o  Dr. António Ribeiro dos Santos está fixado numa Rua junto à Calçada do Galvão, desde a publicação do Edital municipal de  14/06/1967, no arruamento identificado provisoriamente como Rua projetada à Calçada da Memória. Já em 1954, a Comissão Consultiva Municipal de Toponímia na sua reunião de 23 de abril propusera que o Dr. António Ribeiro dos Santos fosse homenageado na toponímia lisboeta na avenida A do plano de arruamentos dos terrenos da Cidade Universitária, então em construção. Todavia, em 1963 essa artéria passou a ser a Avenida Professor Egas Moniz e só treze anos mais tarde foi fixada a Rua Dr. António Ribeiro dos Santos, cerca de 150 anos após a sua morte, na então freguesia da Ajuda, através do edital de 14/06/1967, que atribuiu mais quatro topónimos: a Rua das Pedralvas e a Rua Almirante Campo Rodrigues (rua A e rua B da Quinta das Pedralvas), a Rua Manuel Múrias (rua C da Quinta das Pedralvas) e a Avenida Professor Gama Pinto (avenida F da Cidade Universitária).

António Ribeiro dos Santos (Porto/30.11.1745 – 16.01.1818/Lisboa) foi um homem de vasta cultura que a partir de 1796 passou a ser o primeiro Bibliotecário Mor da Real Biblioteca Pública da Corte (hoje Biblioteca Nacional), instituição que dirigiu até 1816 e nessa qualidade propôs em 1805 a primeira lei de depósito legal, que obrigou as tipografias a entregar à Biblioteca pública exemplares das obras produzidas, para além de ter batalhado pela obtenção de verbas que permitissem a aquisição de novas obras no mercado nacional e internacional.

Estudara Humanidades no Brasil (entre 1756 e 1763) e Direito na Universidade de Coimbra, onde se doutorou em 1771 e exerceu como Professor de Cânones a partir de 1779. Aos 32 anos, em 9 de outubro de 1777, foi também nomeado por Carta Régia Rainha D. Maria I bibliotecário da quinhentista Biblioteca da Universidade de Coimbra (Biblioteca Joanina) , tendo procedido à sua reorganização de acordo com a sua Minuta para o regimento da Livraria da Universidade de Coimbra, onde além de questões de organização interna, tratamento documental e criação de catálogos, propôs o reforço da biblioteca como serviço público aberto a todos os interessados, a ampliação dos fundos da biblioteca com novidades literárias, artísticas, científicas bem como periódicos, mesmo que proibidas pela Real Mesa Censória, destacando-se a atenção especial que dava aos leitores quando determina «que todas as pessoas, que entrarem nela sejam recebidos e servidos com muita prontidão com muito decoro, e com todo o agasalho, e cortesia». Permaneceu neste lugar até 1796 quando foi chamado a Lisboa para organizar e dirigir a que viria a ser a Biblioteca Nacional, criada então por D. Maria I por alvará de 29 de fevereiro de 1796 e instalada no Torreão Ocidental da Praça do Comércio.

Homem culto, aberto à modernidade que caracterizou a Europa das Luzes, Ribeiro dos Santos que enquanto jurista deixou inédita a maior parte da sua obra, foi ainda membro da Academia das Ciências (1778) e dedicou-se aos estudos linguísticos, sendo filólogo, tradutor das Odes de Horácio e até poeta fundador da Arcádia Lusitana e publicando Poesias de Elpino Duriense, onde se encontra já poesia científica. Legou-nos ainda inúmeros estudos sobre o povo e a literatura sacra judaica, as origens e progressos da poesia portuguesa, a história das matemáticas, as origens e a evolução da tipografia em Portugal com Memória para a história da typografia portugueza do século XVI (1792) e Memória sobre as origens da tipografia em Portugal no século XV (1812). Defendeu uma filosofia de vida bucólica, com retiro do mundo e frugalidade, envolta em bons amigos e excelentes livros.

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Franklin

Benjamin Franklin
(Imagem de domínio público)

A Rua Franklim estava identificada como Rua nº 1 do Bairro América, urbanização então de construção recente na Quinta das Marcelinas à Rua do Vale de Santo António, quando a deliberação camarária em 25 de novembro de 1918 decidiu atribuir-lhe um topónimo referente a uma personalidade americana e ficando a ligar a Rua Fernão de Magalhães à Rua dos Cortes Reais, embora o Edital só tenha sido publicado 6 anos depois, em 17 de outubro de 1924.

Bairro América passou a conter os seguintes topónimos: «Que se denomine Bairro America, o bairro em construção na Quinta das Marcelinas na rua do Vale de Santo Antonio e que os respectivos arruamentos tenham as designações seguintes: o nº 1, rua Franklin; o nº 2, rua Washington [o primeiro presidente dos Estados Unidos da América]; o nº3, rua Ruy Barbosa [político e jornalista brasileiro que defendia o princípio da igualdade das nações]; o nº 4, rua Bolivar [Simon Bolívar que combateu o domínio espanhol na América do Sul, comandando as revoluções que promoveram a independência da Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia]; a nº 5, rua do Costa Reais [refere-se à Rua dos Cortes Reais, família de navegadores portugueses que empreenderam navegações para o continente americano]; o nº 6, rua Fernão de Magalhães  [o primeiro navegador a fazer uma viagem de circum-navegação], e o nº7, rua Alvaro Fagundes [navegador português do século XVI que explorou a costa austral da Terra Nova]. Deliberação camararia de 25 de Novembro de 1918». Acrescente-se que os arruamentos Rua Bolivar e Rua Álvaro Fagundes nunca tiveram execução prática, embora, em 1971, o nome de Álvaro Fagundes tenha regressado para a toponímia lisboeta para dar nome à Rua C, à Rua General Justiniano Padrel.

Estadista, cientista e escritor norte-americano Benjamim Franklin (Boston/17.01.1706 – 17.04.1790/Filadélfia), lutou contra a escravatura e fez mesmo o Memorial para a sua abolição enquanto Presidente da Sociedade Pensilvaniana para além do seu papel preponderante na independência dos Estados Unidos da América. Franklin foi o porta-voz dos colonos junto dos ingleses; integrou a Comissão redatorial da Declaração da Independência; foi membro da Convenção para redigir a Constituição Nacional (1787); e assinou com a Grã-Bretanha o Tratado de Versalhes que reconhecia a independência das 13 colónias norte-americanas.

Benjamim Franklin foi ainda um cientista: demonstrou a identidade do raio e da electricidade e inventou o «para-raios», para além de ter sido compositor gráfico, publicado jornais (The New-England Courant), ter sido escritor (Poor Richard’s Almanac)  e o 1º representante do realismo norte-americano (O Sermão do pai Abraão).

Através da observação sistemática e da experimentação, após ter escrito sobre terramotos (1737), Franklin deu particular impulso às áreas da eletricidade e da meteorologia. No âmbito da primeira alcançou várias descobertas, nomeadamente, a existência de cargas positiva e negativa, demonstrou que os raios são um fenómeno de natureza elétrica, inventou o «para-raios», pesquisou sobre eletricidade estática, sendo também responsável pela criação de termos técnicos que são ainda utilizados, como «bateria» e «condensador». No domínio da meteorologia, abriu caminho a grandes avanços posteriores ao contribuir, através da observação, para a interpretação do desenvolvimento dos diferentes fenómenos atmosféricos no planeta terra, defendendo a teoria de que o movimento do tempo atmosférico depende das diferenças de pressão, facto que é considerado por muitos como a base da moderna meteorologia.

A sua intensa atividade em todos estes domínios foi influenciada pelo pensamento liberal e humanista e pelos debates científicos e políticos que então decorriam na Europa, para onde viajava com frequência, já anunciadores do princípio do primado da razão defendida pelo Iluminismo desde os finais do século XVII. Assim, B. Franklin, tal como Thomas Jefferson (1743-1826), estão entre as personalidades mais influentes e decisivas para o surgimento e afirmação do Iluminismo americano.

 

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Capitão Cook

Captainjamescookportrait

A Rua Capitão Cook é uma herança toponímica da Expo 98, subordinada  ao tema Os oceanos: um património para o futuro, fixando o nome deste capitão da Marinha Real Britânica  que foi  o primeiro a mapear a Terra Nova e cujas realizações no mapeamento do Pacífico, Nova Zelândia e Austrália mudaram as visões da geografia mundial.

A Expo 98 nomeou os arruamentos do evento com topónimos ligados aos oceanos, a navegadores e aos Descobrimentos Portugueses, aos aventureiros marítimos da literatura e banda desenhada mundial, a figuras de relevo para Portugal, a escritores portugueses ou títulos de obras suas e ainda juntou alguns ligados à botânica. Após a reconversão da zona em Parque das Nações foram oficializados 102 topónimos  pelo Edital municipal de 16/09/2009, e mais tarde, pelo Edital municipal de 06/05/2015, foram oficializados mais 60 topónimos do Parque das Nações Norte, onde se inclui esta Rua Capitão Cook, que liga o Passeio dos Heróis do Mar à Via do Oriente.

James Cook ( Inglaterra – Marton-in-Cleveland/07.11.1728 – 14.02.1779/Kealakekua) foi um capitão da Marinha Real Britânica que pela primeira vez fez um mapa da Terra Nova. Em 1770, Cook partiu da Nova Zelândia para descobrir a costa oriental da Nova Holanda (hoje Austrália), que ainda não tinha sido visto por nenhum europeu. Daí, navegaram para norte e ancoraram na baía Botânica. Cook concluiu três viagens para o Oceano Pacífico nas quais conseguiu o 1º contato europeu com a costa leste da Austrália e o Arquipélago do Havai, bem como a 1ª circum-navegação registada da Nova Zelândia. Também os estudos etnográficos de Cook sobre os povos das ilhas do Pacífico, da Nova Zelândia e da Austrália transmitiram aos europeus do século XVIII uma 1ª visão dessas áreas pouco exploradas da Terra.

James Cook começou a trabalhar em navios-carvoeiros pelas costas inglesas e aprendeu matemática, hidrografia e navegação praticamente sozinho. Alistou-se em 1755  na Marinha Real Britânica, participou da Guerra dos Sete Anos e foi rapidamente promovido. Em 1757 já era dono do seu próprio navio (o Pembroke) e em setembro de 1759, esteve ao lado do Capitão Wolfe durante a conquista de Quebeque (hoje Canadá). De 1760 a 1767 realizou o levantamento cartográfico do rio São Lourenço, do canal de Orleans, da foz do rio Hudson, da costa da Terra Nova e de Labrador. Os mapas que reuniu e seu relato de um eclipse solar mostraram sua competência, tornando-o forte candidato a comandar expedições científicas a mando da Coroa Britânica. Considerado o pai da Oceânia morreu na baía havaiana de Kealakekua em luta com os nativos durante a sua 3ª viagem exploratória na região do Pacífico.

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Sebastião José de Carvalho e Melo, Marquês de Pombal

Gravura de Sebastião José de Carvalho e Melo
(Foto: Alberto Carlos Lima © CML | DPC | Arquivo Municipal de Lisboa)

Sebastião José de Carvalho e Melo, 1.º conde de Oeiras e 1.º marquês de Pombal, nascido a 13 de maio de 1699, dá nome a uma artéria de Lisboa desde o centenário do seu falecimento e, a data do seu nascimento chegou a ser sugerida para feriado municipal na reunião de Câmara de 22 de março de 1926, considerada a importância histórica do estadista para a cidade de Lisboa.

A Praça Marquês de Pombal – hoje na confluência da Avenida da Liberdade, Avenida Fontes Pereira de Melo (então, Rua Fontes), Parque Eduardo VII (na época, Parque da Avenida da Liberdade) e Rua Braamcamp (só denominada como tal em 1888) – , popularmente chamada Rotunda, foi dada pela deliberação de câmara de 6 de maio de 1882, ou seja, no centenário do seu falecimento e quase no 183º aniversário do seu nascimento.

Foi no mesmo ano da atribuição do topónimo em Lisboa que surgiu a ideia de erguer um monumento ao estadista e reedificador de Lisboa e o Parlamento até autorizou o Estado a ceder o bronze necessário. No entanto, a agitação política impediu a sua concretização pelo que a ideia só foi retomada em 1913 através da abertura de concurso público, em que foi escolhido o projeto assinado por Adães Bermudes, António Couto e Francisco Santos. A primeira pedra do monumento foi colocada duas vezes, uma em 15 de agosto de 1917 e outra, em 13 de maio de 1926 e só após mais uns quantos percalços, a estátua foi assente em 2 de dezembro de 1933 e inaugurada em 13 de maio de 1934, no 235º aniversário do Marquês.

Refira-se ainda que o alfacinha Sebastião José de Carvalho e Melo (Lisboa/13.05.1699 – 08.05.1782/Pombal) está presente em mais topónimos lisboetas, que derivam do seu apelido de família (Carvalho), em zonas da cidade onde ele e os seus irmãos detiveram propriedades: a Rua Nova do Carvalho e a Travessa do Carvalho, na zona pombalina do Cais Sodré – São Paulo reconstruída após o Terramoto de 1755, bem como o Alto do Carvalhão, a Rua do Arco do Carvalhão e a Rua do Meio ao Arco do Carvalhão.

Apesar de controverso pelas medidas que implantou e preconizou a nível político, económico, social e cultural, Marquês de Pombal é uma figura incontornável para o estudo do século XVIII, nomeadamente pela sua ligação ao despotismo iluminado. Ainda no reinado de D. João V, teve duas missões diplomáticas (Londres e Viena) entre 1738 e 1749. Porém, foi no reinado de D. José (1750-1777) e após o terramoto de 1755, que viria a tornar-se o homem forte do monarca.

O seu pragmatismo, capacidade de decisão e autoridade permitiram acionar uma resposta rápida e eficaz face à destruição de grande parte do centro de Lisboa. Manuel da Maia, engenheiro militar, dirigiu o plano de reconstrução da cidade que foi aprovado em 1758, delineado por Eugénio dos Santos e Carlos Mardel, ambos, também, engenheiros militares.

O plano geral, claramente inovador, segue de perto referências e modelos filosóficos e racionalistas iluministas sustentados em regulamentos de construção e planificado com ruas alinhadas e hierarquizadas, afirmando o seu pioneirismo face a outros exemplos europeus.

Sebastião José de Carvalho e Melo, ministro plenipotenciário do rei D. José, ficará para sempre associado à história da baixa de Lisboa reconstruída no século XVIII, como um dos principais impulsionadores da sua modernidade.

A estátua do Marquês de Pombal sobre a Baixa Pombalina em 1953
(Foto: Kurt Pinto © CML | DPC | Arquivo Municipal de Lisboa)

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Alexandre de Gusmão

Busto de Alexandre de Gusmão no Palácio das Necessidades
(Foto: Henrique Cayolla © CML | DPC | Arquivo Municipal de Lisboa)

Alexandre de Gusmão, Secretário e Conselheiro de D. João V, com a legenda «Secretário e Conselheiro de D. João V/1695 – 1753» deu nome à Rua dos Chumecos na Freguesia de Campolide, por Edital municipal de 14/12/1990. Este Edital atribuiu nova toponímia a todo o Bairro da Serafina, em resultado das reclamações da população pela que houvera sido imposta pelo Edital de 28 de dezembro do ano anterior, alegadamente numa política de recuperação da toponímia mais antiga e tradicional de Lisboa. A Comissão Municipal de Toponímia deu razão aos residentes considerando que os topónimos atribuídos anteriormente não tinham qualquer relação histórica com o Bairro da Serafina e encarregou seu vogal Engenheiro Manuel Maia Atayde de mediar com a Junta de Freguesia os novos  nomes propostos que foram  na sua grande maioria ligados à construção do Aqueduto das Águas Livres. Em resumo, a inicial Rua J, foi oficializada pela edilidade como Rua 21 do Bairro do Alto da Serafina, pelo Edital de 15/03/1950, tendo a Câmara modificado o topónimo numérico para Rua dos Chumecos pelo Edital de 28/12/1989 e face aos protestos dos moradores passou a ser a Rua Alexandre de Gusmão, pelo Edital de 14/12/1990, em resultado das negociações da autarquia com os residentes locais através da Junta de Freguesia.

Alexandre de Gusmão (Brasil-Santos/17.07.1695 – 31.10.1753/Lisboa), irmão de Bartolomeu de Gusmão e amigo do Cavaleiro de Oliveira, estudou Cânones na Universidade de Coimbra bem como Direito Cível, Romano e Eclesiástico na Universidade de Paris, tendo começado a sua carreira como secretário particular de D. João V (então denominado escrivão da puridade), para em 1731  assumir a Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros e em 1734 ficar encarregue dos despachos da Secretaria de Estado para o Brasil, tendo também durante algum tempo sido secretário da embaixada portuguesa na corte de Luís XIV. Assessorou ainda o Conde de Vila Nova de Cerveira nas negociações do Tratado de Madrid, assinado em 1750, nas quais defendeu o princípio do direito romano uti possidetis, o qual ditava que cada soberania tinha direito às terras que efetivamente ocupava, tendo sido este o primeiro acordo a delimitar os domínios coloniais portugueses e espanhóis na América do Sul. Foi ainda tradutor e autor de diatribes contra o despotismo, a superstição e a «fradaria», sendo célebre a sátira estatística dirigida aos cristãos-velhos que se gabavam do sangue rigorosamente limpo da infecção judaica, num claro ataque aos fundamentos racistas da Inquisição.

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