Professores na Toponímia de Lisboa

Seguindo uma sugestão do nosso leitor Pedro Guerra, dedicaremos o mês de regresso às aulas aos professores que estão presentes na toponímia de Lisboa, qualquer que seja o grau ou tipo de ensino a que se dedicaram.

Aqueles que já aqui foram referidos em ocasiões anteriores são, por ordem alfabética do nome:

Rua Prof. Adelino da Palma Carlos (freguesia de Santa Clara)
Rua Adriana de Vecchi (freguesia do Lumiar)
Avenida Afonso Costa (freguesia do Areeiro)
Rua Afonso Praça (freguesia de Belém)
Rua Agostinho Lourenço (freguesia do Areeiro)
Largo Agostinho da Silva (freguesias da Misericórdia e de Santo António )
Rua Alberto José Pessoa (freguesia de Marvila)
Rua Dr. Almeida Amaral (freguesias de Santo António e de Arroios)
Rua Álvaro Benamor (freguesia de Carnide)
Rua Álvaro Machado (freguesia de Marvila)
Rua Alexandre Rey Colaço (freguesia de Alvalade)
Avenida Doutor Alfredo Bensaúde (freguesia dos Olivais)
Rua Alfredo Roque Gameiro (freguesia das Avenidas Novas)
Rua Alfredo Soares (freguesia de Belém)
Rua Alice Pestana (freguesia de Belém)
Rua Prof. Almeida Lima (freguesia de Carnide)
Rua Angelina Vidal (freguesias de Arroios e da Penha de França)
Avenida António Augusto de Aguiar (freguesia das Avenidas Novas)
Rua Doutor António Cândido (freguesia das Avenidas Novas)
Rua Prof. António Flores (freguesia de Alvalade)
Rua António Gedeão (freguesia de Marvila)
Rua Doutor António Martins (freguesia de São Domingos de Benfica)
Rua Dr. António Ribeiro dos Santos (freguesias de Belém e da Ajuda)
Alameda António Sérgio (freguesia de Santa Clara)
Jardim Prof. António de Sousa Franco (freguesia do Lumiar)
Rua Padre António Vieira (freguesias das Avenidas Novas e de Campolide)
Rua Armando Ferreira (freguesia de Santa Clara)
Rua Presidente Arriaga (freguesia da Estrela)
Jardim Augusto Monjardino (freguesia das Avenidas Novas)
Rua Augusto Pina (freguesia de São Domingos de Benfica)
Avenida Barbosa du Bocage (freguesia das Avenidas Novas)
Avenida Conselheiro Barjona de Freitas (freguesia de São Domingos de Benfica)
Rua Basílio Teles (freguesias de Campolide e de São Domingos de Benfica)
Praça Bernardino Machado (freguesia do Lumiar)
Rua Prof. Branco Rodrigues (freguesias da Misericórdia e de Santo António)
Rua Câmara Pestana (freguesia de Arroios)
Rua Cândido de Figueiredo (freguesia de São Domingos de Benfica)
Rua Carlos George (freguesia dos Olivais)
Rua Carlos Reis (freguesia das Avenidas Novas)
Rua Carolina Michaëlis de Vasconcelos (freguesias de Benfica e de São Domingos de Benfica)
Largo Castro Soromenho (freguesia dos Olivais)
Rua Cecília Meireles (freguesia de São Domingos de Benfica)
Rua Cesina Adães Bermudes (freguesia de Carnide)
Avenida Columbano Bordalo Pinheiro (freguesias de São Domingos de Benfica e de Campolide)
Rua Conde de Ficalho (freguesia de Alvalade)
Rua Constança Capdeville (freguesia de Santa Clara)
Rua Costa Malheiro (freguesia dos Olivais)
Rua Prof. Delfim Santos (freguesia do Lumiar)
Rua Prof. Dias Amado (freguesia do Lumiar)
Rua Dinah Silveira de Queiroz (freguesia de Marvila)
Rua Domingos Bomtempo (freguesia de Alvalade)
Rua Domingos Rebelo (freguesia de Carnide)
Rua Domingos Sequeira (freguesias da Estrela e de Campo de Ourique)
Jardim Ducla Soares (freguesia de Belém)
Alameda Edgar Cardoso (freguesia das Avenidas Novas)
Praça Eduardo Mondlane (freguesia de Marvila)
Rua Dr. Eduardo Neves (freguesia das Avenidas Novas)
Avenida Prof. Egas Moniz (freguesia de Alvalade)
Rua Abade Faria (freguesia do Areeiro)
Rua Doutor Faria de Vasconcelos (freguesia do Beato)
Rua Fernando Lopes Graça (freguesia do Lumiar)
Rua Fernando Piteira Santos (freguesia de Carnide)
Rua Filipe Duarte (freguesia do Lumiar)
Rua Filipe Folque (freguesia das Avenidas Novas)
Rua Francine Benoit (freguesia do Lumiar)
Rua Francisco Baía (freguesia de São Domingos de Benfica)
Jardim Prof. Francisco Caldeira Cabral (freguesia do Lumiar)
Avenida Dr. Francisco Luís Gomes (freguesia dos Olivais)
Rua Francisco Metrass (freguesia de Campo de Ourique)
Rua Prof. Francisco Pereira de Moura (freguesia de Carnide)
Rua Francisco Sanches (freguesia de Arroios)
Rua Frederico George (freguesia do Lumiar)
Rua Freitas Gazul (freguesia de Campo de Ourique)
Avenida Professor Gama Pinto (freguesia de Alvalade)
Rua Prof. Georges Zbyszewski (freguesia do Lumiar)
Rua Ginestal Machado (freguesia de São Domingos de Benfica)
Rua Prof. Hernâni Cidade (freguesia do Lumiar)
Rua Ildefonso Borges (freguesia da Ajuda)
Rua Irene Lisboa (freguesia de Benfica)
Rua Jaime Batalha Reis (freguesia de Benfica)
Rua Jaime Cortesão (freguesia de Marvila)
Rua Jaime Lopes Dias (freguesia do Lumiar)
Rua João Hogan (freguesia de São Domingos de Benfica)
Rua Actor João Rosa (freguesia do Areeiro)
Rua João dos Santos (freguesia da Ajuda)
Rua Dr. João Soares (freguesia de Alvalade)
Rua Padre Joaquim Aguiar (freguesia dos Olivais)
Rua Joaquim António de Aguiar (freguesias das Avenidas Novas e de Santo António)
Rua Joaquim Fiadeiro (freguesia da Ajuda)
Jardim Jorge Luis Borges (freguesia das Avenidas Novas)
Rua Jorge de Sena (freguesia de Santa Clara)
Rua Prof. Jorge da Silva Horta (freguesia de Benfica)
Rua Jorge Vieira (freguesia de Carnide)
Rua Dr. José Baptista de Sousa (freguesia de Benfica)
Rua José Carlos dos Santos (freguesia de Alvalade)
Largo José Luís Champalimaud (freguesia das Avenidas Novas)
Rua José Maria Rodrigues (freguesia de Alcântara)
Rua José Marinho (freguesia de Benfica)
Rua José Pedro Machado (freguesia do Lumiar)
Rua Prof. José Sebastião e Silva (freguesia de Benfica)
Rua José Sobral Cid (freguesia do Beato)
Avenida Júlio Dinis (freguesia das Avenidas Novas)
Rua Júlio Silva Pinto (freguesia de Belém)
Rua Dr. Lacerda e Almeida (freguesia da Penha de França)
Rua Ladislau Patrício (freguesia do Lumiar)
Rua Leite de Vasconcelos (freguesia de São Vicente)
Rua Lopes de Mendonça (freguesia de Alvalade)
Rua Luciana Stegagno Picchio (freguesia de São Domingos de Benfica)
Rua Luciano Cordeiro (freguesia de Santo António)
Rua Dr. Luís de Almeida e Albuquerque (freguesia da Misericórdia)
Rua Luís Barbosa (freguesia do Beato)
Rua Luís de Freitas Branco (freguesia do Lumiar)
Rua Luís Piçarra (freguesia do Lumiar)
Rua Manuel António Gomes (freguesia de Santa Clara)
Rua Manuel de Azevedo Fortes (freguesia de Campolide)
Rua Frei Manuel do Cenáculo (freguesia da Penha de França)
Rua Engenheiro Manuel Rocha (freguesia de Alvalade)
Rua Prof. Manuel Valadares (freguesia de Santa Clara)
Rua Profª Margarida Vieira Mendes (freguesia do Areeiro)
Largo Maria Isabel Aboim Inglês (freguesia de Belém)
Rua Profª Maria de Lurdes Belchior (freguesia do Areeiro)
Rua Maria Matos (freguesia de Benfica)
Rua Prof. Mário Chicó (freguesia do Lumiar)
Rua Mário Dionísio (freguesia do Lumiar)
Avenida Dr. Mário Moutinho (freguesia de Belém)
Rua Martens Ferrão (freguesia das Avenidas Novas)
Rua Miguel Nogueira Júnior (freguesia de Marvila)
Rua Professor Mira Fernandes (freguesias do Areeiro e do Beato)
Rua Prof. Moisés Amazalak (freguesia do Lumiar)
Rua Prof. Moniz Pereira (freguesia do Lumiar)
Rua Dr. Nicolau de Bettencourt (freguesia das Avenidas Novas)
Rua Newton (freguesia de Arroios)
Rua Nina Pereira (freguesia de Benfica)
Rua Dr. Oliveira Ramos (freguesia da Penha de França)
Rua Professor Orlando Ribeiro (freguesia do Lumiar)
Rua Pardal Monteiro (freguesia de Marvila)
Rua Pascoal de Melo (freguesia de Arroios)
Praça Pasteur (freguesia do Areeiro)
Rua Paul Choffat (freguesia de Alvalade)
Rua Pedro Calmon (freguesia de Alcântara)
Rua Pinheiro Chagas (freguesia das Avenidas Novas)
Rua Prof. Prado Coelho (freguesia do Lumiar)
Rua Ricardo Jorge  (freguesia de Alvalade)
Rua Roberto Duarte Silva (freguesia de São Domingos de Benfica)
Alameda Roentgen (freguesia de Carnide)
Largo Roque Laia (freguesia do Areeiro)
Rua Ruben A. Leitão (freguesia da Misericórdia)
Rua Sá Nogueira (freguesia da Ajuda)
Rua Sabino de Sousa (freguesia da Penha de França)
Rua Professor Santos Lucas (freguesia de Benfica)
Rua Santos Pinto (freguesia da Estrela)
Rua Padre Sena de Freitas (freguesia da Penha de França)
Rua Simões de Almeida (freguesia de São Domingos de Benfica)
Rua Sousa Martins (freguesia de Arroios)
Rua Teixeira Lopes (freguesias de Santa Maria Maior e de São Vicente)
Rua Doutor Teófilo Braga (freguesia da Estrela)
Rua Profª Teresa Ambrósio (freguesia de Alvalade)
Rua Tierno Galvan (freguesia de Campo de Ourique)
Rua Tomás da Anunciação (freguesia de Campo de Ourique)
Rua Tomás Borba (freguesia do Areeiro)
Rua Tomás Cabreira (freguesia das Avenidas Novas)
Rua Tomás del Negro (freguesia do Lumiar)
Rua General Vassalo e Silva (freguesia do Beato)
Rua Professor Veiga Beirão (freguesia de Alvalade)
Rua Veloso Salgado (freguesia das Avenidas Novas)
Avenida Vergílio Ferreira (freguesia de Marvila)
Rua Profª. Virgínia Rau (freguesia do Lumiar)
Largo Vitorino Damásio (freguesia da Estrela)

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Um estrangeiro por freguesia na Toponímia de Lisboa

 

Mário Marzagão sugeriu-nos como um dos temas para 2017 os estrangeiros na toponímia de Lisboa e chegados a agosto é mesmo esse o nosso tema. Como já algumas vezes escrevemos sobre topónimos de estrangeiros resolvemos desta vez usar um topónimo referente a um estrangeiro, de cada uma das 24 freguesias de Lisboa, sendo que apenas a Freguesia do Beato não tem nenhum.

De igual modo, procurámos não repetir nacionalidades. Contundo, combinando com o pressuposto anterior tal não se verificou possível e assim repetiremos 2 alemães (João Frederico Ludovice e Hein Semke) , 2 italianos (Almirante Pessanha e Santo Aleixo) e 2 egípcios ( Santa Catarina e São Ciro) para conseguir abarcar as restantes 23 freguesias.

Fica também aqui a listagem dos topónimos de estrangeiros que já publicámos, ordenados pela sua nacionalidade:
§ – a Rua Albert Einstein traz-nos um caso único porque este cientista que nasceu alemão, abdicou desta nacionalidade e passou depois a ter nacionalidade suíça e norte-americana;
Alemanha: Largo de Dona EstefâniaAlameda RoentgenRua Vicente Borga;
Angola : Rua Agostinho Neto;
Arménia : Avenida Calouste Gulbenkian e Largo Calouste Gulbenkian;
Bélgica : Rua Cardeal MercierRua General Leman;
Brasil : Praça Afrânio PeixotoRua Almirante BarrosoRua Gilberto FreyrePraça João do RioRua Jorge AmadoRua José Lins do RegoRua Luís FernandesLargo Machado de AssisRua Pedro CalmonRua Rui BarbosaAvenida Sérgio Vieira de Mello;
Cabo Verde : Rua Amílcar Cabral;
Chile : Rua Pablo Neruda;
Espanha : Rua CervantesRua do Embaixador (Conde de La Mazeda), Rua Rosália de CastroRua Tierno Galvan;
Estados Unidos da América : Rua EdisonRua FranklimRua Martin Luther KingRua Presidente WilsonRua Washington;
França : Rua Comandante Costeau, Rua Eiffel, Largo Francisco Smith, Rua Prof. Georges Zbyszewski, Rua Luís Braille, Avenida Madame CurieAvenida Poeta MistralRua Vítor Hugo;
Grã-Bretanha:  Rua Alexandre Fleming, Rua Capitão Cook, Parque Eduardo VII, Travessa do Enviado de Inglaterra, Travessa dos Inglesinhos, Rua Newton, Travessa de Paulo Jorge, Rua Poeta Milton, Largo dos Stephens;
Hungria:  Rua Carlos Mardel;
Índia : Alameda Mahatma Gandhi;
Itália : Travessa Carlo PaggiRua Galileu GalileiRua Giovanni AntinoriRua Luciana Stegagno PicchioAvenida MarconiRua Maria PiaRua Miguel Ângelo BlascoRua e Travessa do Possolo;
Moçambique : Praça Eduardo Mondlane.

A Praça da Constituição de 1976

Freguesia da Estrela
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC)

A Praça da Constituição de 1976, homenageia a lei suprema do país que pela alínea 2) do Artº 24º  aboliu, para todos os crimes, a pena de morte em Portugal, justamente definida num triângulo junto à Assembleia da República que a aprovou em 2 de abril de 1976.

Portugal foi o primeiro Estado soberano da Europa a abolir a pena de morte para os crimes civis em 1 de julho de 1867. No nosso país, a pena de morte foi abolida  sucessivamente:  em 1852, para os crimes políticos; em 1867, para os crimes civis;   e com a República, em 16 de março de 1911, para todos os crimes, incluindo os militares.  Só que devido à entrada de Portugal na Primeira Guerra Mundial, em 1916, pelo decreto nº 2867 de 30 de novembro, foi reposta a pena de morte para os crimes militares  «no caso de guerra com país estrangeiro e apenas no teatro da guerra» e tal disposição  só terminou com a Constituição de 1976, quando esta determina a abolição da pena de morte para todos os crimes, assim como a proibição da extradição de pessoas que no seu país possam ser condenadas com pena de morte pelo crime que cometeram.

Quarenta anos passados sobre a aprovação deste marco histórico que é a Constituição Portuguesa, em 2 de abril de 1976, pela Assembleia Constituinte eleita na sequência das primeiras eleições gerais livres no país em 25 de abril de 1975, no 1.º aniversário da Revolução dos Cravos, a edilidade também se associou à efeméride. Em 10 de outubro de 2016 a Comissão Municipal de Toponímia deu parecer favorável a este topónimo sugerido pela  Moção nº8 apresentada pelos Vereadores do PCP, tendo a  Vereadora Catarina Vaz Pinto feito proposta que foi  aprovada por maioria na sessão de câmara de 22 de junho de 2017, a partir da qual foi publicado o Edital nº 63/2017, de 17/07/2017, que fixa  na Freguesia da Estrela, a Praça da Constituição de 1976, na antiga Praça de São Bento, junto ao edifício novo da Assembleia da República, para assinalar o compromisso histórico entre as diversas forças políticas que constituíam a Assembleia Constituinte de 1976 do qual nasceu uma Constituição de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, que entrou em vigor no dia 25 de abril de 1976.

Esta Constituição Portuguesa que é marcante na defesa dos Direitos Humanos em Portugal em todo o seu articulado, e assenta o básico Princípio da igualdade no seu Artigo 13.º – 1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei. ; 2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual. –  já por diversas vezes foi celebrada através da toponímia no nosso país.

Assim, com a data da sua aprovação –  2 de Abril – existem Ruas nos concelhos de  Alcácer do Sal, Anadia, Alpiarça, Évora, Odivelas, Palmela, Sesimbra, Viana do Castelo e Vila Franca de Xira. Torres Vedras tem um Largo 2 de Abril em Runa. E Sesimbra repete o topónimo também num Largo, assim com Évora e Odivelas o fazem em Travessas. Ponte de Sor tem uma Rua da Constituição de 2 de Abril de 1976 e em Foros de Arrão uma Rua da Constituição de 2 de Abril.  Já Castro Verde e Sines possuem uma Rua da Constituição de 1976 e a  Damaia, no concelho da Amadora, tem uma Praceta da Constituição de 1976. Lousada tem uma Rua Constituição da República e Vila Viçosa faz remontar o topónimo à primeira Assembleia Constituinte designando-a Rua Constituição de Abril 1975.

Freguesia da Estrela
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC)

Pena de Morte e Direitos Humanos na Toponímia de Lisboa

Comemora-se este ano, precisamente neste dia 1 de julho, o 150º aniversário da abolição da pena de morte em Portugal, tendo sido o primeiro país a fazê-lo. Ainda hoje em Portugal, de acordo com  o Artigo 24.º, alínea 2, da Constituição Portuguesa, é proibida no nosso país a pena de morte.

Acresce que a Carta de Lei de Abolição da Pena de Morte em Portugal de 1 de julho 1867, é um documento do Arquivo Nacional da Torre do Tombo que em 2015 recebeu a distinção de Marca do Património Europeu, pelo que faz todo o sentido que este mês de julho nos debrucemos sobre a toponímia de Lisboa relacionada com a pena de morte e a defesa dos direitos humanos.

Carta de Lei da Abolição de Pena de Morte em Portugal (  © Torre do Tombo)

Falta referimos quais os topónimos relacionados com esta temática que já aqui usámos:

Alameda António Sérgio, pensador que no decorrer do seu exílio em Paris dinamizou nessa cidade a Liga Portuguesa dos Direitos do Homem, em articulação com Bernadino Machado;
Alameda Mahatma Gandhi, político que alcançou a independência da Índia face à colonização do Reino Unido;
Avenida das Forças Armadas, em homenagem ao MFA que que despoletou o 25 de Abril de 1974 e libertou Portugal de 48 anos de ditadura;
Avenida Magalhães Lima, tribuno republicano que foi o 1º Presidente da Liga Portuguesa dos Direitos do Homem em 1922;
Avenida das Nações Unidas,  organização intergovernamental criada para promover a cooperação internacional com objetivos primordiais de manter a paz mundial e promover os direitos humanos;
Avenida Sérgio Vieira de Mello, Alto Comissário da ONU que morreu vítima de atentado em 2003, quando estava em missão no Iraque;
Avenida Vergílio Ferreira, escritor que se manifestou contra a pena de morte;
Campo Mártires da Pátria, em memória dos 11 companheiros de Gomes Freire de Andrade suspeitos de conspiração contra o general Beresford, que no local foram enforcados no dia 18 de outubro de 1817;
Jardim da Amnistia Internacional, organização empenhada na defesa dos Direitos Humanos, fundada em 1961;
Largo Maria Isabel Aboim Inglês, a primeira mulher membro da comissão central do MUD – Movimento de Unidade Democrática,  que após distribuirem um comunicado de condenação da admissão de Portugal na ONU viram  o Movimento ilegalizado e presa toda a sua Comissão Executiva;
Praça Bernardino Machado, duas vezes Presidente da República,  definia estratégias com António Sérgio no âmbito da Liga Portuguesa dos Direitos do Homem e  já antes, como Ministro das Obras Públicas (1893), elaborou legislação protetora do trabalho das mulheres e dos menores e criou o primeiro Tribunal de Trabalho;
Praça Eduardo Mondlane, 1º presidente da FRELIMO que lutou pela independência de Moçambique face à colonização de Portugal, tendo sido assassinado;
Praça Marechal Humberto Delgado, o «General Sem Medo» que foi candidato presidencial em 1958 contra o candidato de Salazar, tendo sido assassinado;
Rua Adelaide Cabete, médica e propagandista do feminismo em Portugal, fundadora da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas;
Rua Alexandre Herculano,  escritor e historiador que publicou  em 1838 no Diário do Governo um artigo contra a pena de morte, intitulado Da pena de morte;
Rua Amílcar Cabral, fundador do PAIGC que lutou pela independência da Guiné e de Cabo Verde face à colonização de Portugal, tendo sido assassinado;
Rua Ana de Castro Osório, feminista e republicana, autora do 1º manifesto feminista português (1905) intitulado As Mulheres Portuguesas;
Rua Aristides de Sousa Mendes, cônsul português que livrou judeus do Holocausto;
Rua Aurora de Castro, 1ª notária portuguesa que no I Congresso Feminista da Educação (1924) apresentou 2 teses para exigir a igualdade política plena para as mulheres portuguesas através do direito ao voto e a justiça da igualdade na família e no casamento;
Rua Brito Aranha, conhecido defensor da causa da abolição da pena de morte, a quem Vítor Hugo felicitou por carta em 1867 escrevendo «Desde hoje, Portugal é a cabeça da Europa»;
Rua Carolina Ângelo, médica que foi a 1ª mulher a exercer cirurgia em Portugal bem como a 1ª mulher a conseguir exercer o direito de voto no nosso país, em 1911;
Rua Dom Pedro V, rei português de quem Alexandre Herculano foi precetor, que defendeu a abolição dos castigos corporais e da escravatura, bem como a abolição da etiqueta palaciana do beija-mão;
Rua Franklim, cientista e político norte-americano que lutou contra a escravatura;
Rua Gomes Freire, que foi enforcado na Torre de São Julião da Barra no dia 18 de outubro de 1817, tal como 11 companheiros subiram ao cadafalso no que veio a designar-se Campo Mártires da Pátria, suspeitos de conspiração contra o general Beresford;
Rua Guiomar Torresão, escritora que defendeu um maior acesso das mulheres à educação no Portugal Oitocentista;
Rua Leonor Pimentel, jornalista e revolucionária que a 20 de agosto de 1799 foi enforcada na Praça do Mercado de Nápoles;
Rua Maria Lamas, escritora e ativista dos direitos das mulheres participante em congressos feministas internacionais;
Rua Maria de Lourdes Pintasilgo, esteve ligada à ONU como Embaixadora de Portugal junto da UNESCO e membro de três Conselhos da ONU;
Rua Maria Veleda, escritora que foi 1ª presidente da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, em 1911;
Rua Martin Luther King, político norte-americano que lutou pela igualdade entre brancos e negros, líder do Movimento pelos Direitos Civis nos Estados Unidos da América, que foi assassinado;
Rua Melo Antunes, militar de Abril e subdiretor Geral da UNESCO;
Rua Natália Correia, escritora e editora condenada em 1970 pela publicação da Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, e  pela edição das Novas Cartas Portuguesas de Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa e Maria Teresa Horta, em 1971;
Rua Padre António Vieira, defensor da abolição da escravatura;
Rua Profª. Teresa Ambrósio, 1ª mulher que presidiu ao Conselho Nacional de Educação e fundadora da Associação Portuguesa de Mulheres Cientistas;
Rua Rui Barbosa, político brasileiro que se destacou na luta contra a escravatura e na defesa do principio da igualdade das nações nas instâncias internacionais;
Rua Vasco da Gama Fernandes, 1º presidente da Assembleia da República após o 25 de Abril de 1974 que foi também presidente da Liga Portuguesa dos Direitos do Homem;
Rua Vítor Hugo, conhecido defensor da causa da abolição da pena de morte que felicitou Portugal por isso, em carta dirigida a Brito Aranha em 1867.

A Rua a que cada um chama sua

Rua de São Marçal – Freguesias da Misericórdia e de Santo António
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua é o tipo de via mais usado e no plural, Ruas,  serve até para designar o conjunto das outras categorias de arruamentos: são as nossas ruas mesmo que sejam avenidas ou travessas. Lisboa tem hoje 22o4 arruamentos que são Ruas.

Freguesia de Belém – Placa Tipo V
(Foto: José Carlos Batista)

A maioria delas são antropónimos, isto é, o seu topónimo é o do nome de uma pessoa. Lisboa comporta 1494 antropónimos, de figuras locais, nacionais ou estrangeiras, de que são exemplo a Rua da Castiça, a Rua Maria de Lourdes Pintasilgo ou a Rua Vítor Hugo.

Em termos de quantidade temos a seguir os geotopónimos que são 191, onde se incluem 13 países, 38 cidades, 29 vilas, 4 mares e oceanos, 58 rios  e 62 de orientação geográfica, como por exemplo ruas do norte, do meio, do sul, da bela vista, dos arcos, do sol, da praia, do jardim ou do vale. A estes acrescem mais 39 topónimos que revelam as características físicas e típicas do local:  Rua do Aqueduto das Águas Livres, Rua da Atalaia, Rua do Bairro da Cáritas,   Rua da Barroca, Rua das Barracas, Rua da Betesga, Rua da Bica do Marquês, Rua da Bica do Sapato, Rua da Bica Duarte Belo, Rua da Bombarda,  Rua da Cascalheira, Rua da Casquilha, Rua das Chaminés d’El-Rei, Rua da Correnteza, Rua da Correnteza de Baixo, Rua das Courelas, Rua das Cozinhas, Rua da Fonte,  Rua das Fontaínhas, Rua das Fontaínhas a São Lourenço, Rua Fresca, Rua das Janelas Verdes, Rua da Mãe D’Água, Rua do Passadiço, Rua do Poço Coberto, Rua do Poço dos Negros,Rua das Praças, Rua da Regueira, Rua da Ribeira Nova, Rua da Rosa (de divisão dos terrenos de herança), Rua do Saco, Rua das Terras, duas ruas da Torre e a Rua da Judiaria, Rua da Mouraria, Rua dos Mouros (que se referia a ciganos) e Rua das Pretas.

Freguesia de Santo António – Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias)

Já os sítios de que o topónimo guarda memória são 44 : Rua da Achada, Rua da Adiça, Rua de Alcântara, Rua de Alcolena, Rua do Alqueidão, Rua de Andaluz, Rua da Alegria, Rua do Alto do Chapeleiro, Rua do Alvito, Rua da Arrábida, Rua de Arroios, Rua do Beato, Rua da Bela-Flor, Rua de Belém, Rua do Bom Pastor, Rua da Buraca, Rua das Calvanas, Rua do Campo de Ourique, Rua de Campolide, Rua do Casal da Raposa, Rua do Casalinho da Ajuda, Rua do Sítio ao Casalinho da Ajuda, Rua de Castelo Picão, Rua da Cova da Moura, Rua do Desterro, Rua Nova do Desterro, Rua de Entrecampos, Rua da Estrela, Rua das Furnas, Rua do Grafanil, Rua da Guia, Rua da Junqueira, Rua da Lapa, Rua do Lumiar, Rua de Marvila, Rua do Monte Olivete, Rua de Moscavide ao Parque das Nações, Rua das Necessidades, Rua das Pedralvas, Rua de Pedrouços, Rua da Penha de França, Rua Nova de Palma, Rua da Portela e Rua de Xabregas.

Nos biotopónimos encontramos 46, sendo 41 relativos a plantas e árvores – existindo curiosamente 2 ruas com Eucalipto na denominação – e 5 referentes a animais.

Rua 20, no Bairro da Encarnação – Freguesia dos Olivais
(Foto: José António Estorninho)

As ruas com toponímia numérica são 107 e surgem nos bairros cuja génese é de habitação social do séc. XX, como no Bairro da Quinta do Jacinto, no Bairro da Calçada dos Mestres ou no Bairro da Encarnação.

Ainda nos números contam-se 6 topónimos que evocam datas e que são a Rua Primeiro de Dezembro, a Rua Primeiro de Maio, a Rua Primeiro de Maio ao Grafanil, a Rua Quatro de Agosto, a Rua Cinco de Abril e a Rua dos Cravos de Abril cujo propósito foi guardar a memória do 25 de Abril de 1974.

Ruas que fixam nomes de santos, os hagiotopónimos são 103, de que são exemplo a Rua do Loreto ou a Rua do Milagre de Santo António. Refira-se que existem mais 7 ruas com cruzes, cruzeiro ou crucifixo na designação e ainda com referências a doutrina como a Rua dos Sete Céus, a Rua da Samaritana, a Rua da Esperança na Madragoa e ainda, todas paralelas a Rua da Caridade, a Rua da Fé e a Rua da Esperança do Cardal.

Freguesia de Santa Maria Maior – Placa Tipo III
(Foto: Sérgio Dias)

Já ruas com topónimos relativos a profissões e atividades económicas são 89 : Rua Áurea, Rua do Açúcar, Rua das Adelas, Rua da Alfândega, Rua dos Arameiros, Rua dos Archeiros, Rua dos Arneiros, Rua dos Bacalhoeiros, cinco ruas do Cais, Rua das Canastras, Rua dos Caminhos de Ferro, Rua dos Cavaleiros, Rua do Chão da Feira, Rua do Comércio, Rua dos Contrabandistas,  duas ruas dos Cordoeiros, Rua dos Correeiros, Rua dos Douradores, Rua da Fábrica Carp, Rua da Fábrica da Pólvora, Rua da Fábrica das Moagens, Rua da Fábrica de Estamparia, Rua da Fábrica de Material de Guerra, Rua da Fábrica de Tecidos Lisbonenses, Rua dos Fanqueiros, Rua das Farinhas, duas ruas dos Ferreiros, Rua do Forno do Tijolo, Rua da Indústria, Rua dos Industriais, Rua dos Lagares, Rua dos Lagares D’El-Rei, Rua dos Lojistas, Rua da Manutenção, Rua do Mercado, Rua Nova dos Mercadores, Rua da Mestra, Rua da Moeda, Rua das Olarias, Rua dos Operários, Rua da Padaria, Rua da Pedreira do Fernandinho, Rua das Pedreiras, Rua da Prata, Rua dos Remolares, Rua das Salgadeiras, Rua dos Sapadores, Rua dos Sapateiros, Rua dos Sete Moinhos, Rua dos Táxis Palhinhas, duas ruas do Telhal, Rua dos Vaga Lumes a que se somam mais 20 relativas a Quintas e 13 a instrumentos náuticos e tipos de barcos.

Rua das Escolas Gerais – Freguesias de Santa Maria Maior e de São Vicente
(Foto: Ana Luísa Alvim)

Também 58 ruas receberam um topónimo resultante da sua proximidade às mais diversas instituições, como se pode observar na lista seguinte: Rua Aliança Operária, Rua «Amigos de Lisboa», Rua de Artilharia Um, Rua do Arsenal, Rua dos Caetanos, Rua Centro dos Trabalhadores do Alto da Ajuda, Rua Clube Atlético e Recreativo do Caramão, Rua da Academia das Ciências, Rua da Academia Recreativa de Santo Amaro, Rua da Capela, Rua do Centro Cultural, Rua do Colégio de São José, Rua do Convento da Encarnação, Rua da Cozinha Económica, Rua da Cruz Vermelha, Rua do Diário de Notícias, Rua das Enfermeiras da Grande Guerra, Rua das Escolas, Rua das Escolas Gerais, Rua da Escola de Educação Popular, Rua da Escola de Medicina Veterinária, Rua da Escola do Exército, Rua da Escola Politécnica, Rua Flor da Serra, Rua do Forte de Santa Apolónia, Rua das Francesinhas, Rua da Fraternidade Operária, Rua do Grémio Lusitano, Rua do Grilo, Rua Nova do Grilo, Rua da Guarda Nacional Republicana, duas ruas da Igreja e a Rua da Mesquita, Rua da Imprensa à Estrela, Rua da Imprensa Nacional, Rua de Infantaria 16, Rua do Instituto Bacteriológico, Rua do Instituto Dona Amélia, Rua do Instituto Industrial, Rua Instituto Virgílio Machado, Rua dos Jerónimos, Rua das Madres, Rua da Misericórdia, Rua do Montepio Geral, Rua do Museu de Artilharia, Rua das Portas de Santo Antão, Rua do Quatro de Infantaria, Rua dos Quartéis, Rua do Recolhimento, Rua Seara Nova, Rua de O Século, Rua do Seminário, Rua da Sociedade Farmacêutica, Rua do Terreiro do Trigo, Rua da Tobis Portuguesa, Rua das Trinas, Rua do Triângulo Vermelho, Rua da Trindade e  Rua da Voz do Operário.

Lisboa comporta ainda 14 ruas cujo topónimo é literário, quer seja por ser o título de um livro, como por exemplo na Rua dos Lusíadas ou na Rua Sinais de Fogo, quer seja por evocar personagens literárias como no caso da Rua das Musas.

Sobram outras 13 ruas cuja origem não está suficientemente esclarecida e que são a Rua Cascais, a Rua dos Cegos, a Rua das Damas, a Rua da Emenda, a Rua do Gabarete, a Rua do Gravato, a Rua do Mato Grosso, a Rua da Páscoa,  duas ruas da Paz, a Rua das Pedras Negras, a Rua das Raparigas e a Rua da Saudade.

Rua dos Cegos – Freguesia de Santa Maria Maior – Placa Tipo I
(Foto: Rui Mendes)

 

Toponomenclatura de espaços verdes: os Jardins e os Parques

Parque Eduardo VII – Freguesia das Avenidas Novas

Na toponomenclatura oficial de Lisboa constam 30  Jardins e 2 Parques, todos a partir do séc. XX,  cuja enumeração abordaremos de seguida, por décadas.

Por Edital de 17 de abril de 1903, o Parque da Liberdade passou a denominar-se Parque Eduardo VII de Inglaterrapor ocasião da visita do Rei de Inglaterra a Lisboa, sendo aliás a primeira visita ao estrangeiro desse monarca.

Oito anos depois, o Parque Silva Porto, vulgarmente conhecido por Mata de Benfica, foi inaugurado no dia 23 de julho de 1911, mas só em 1918 adquiriu esta designação de homenagem ao pintor António Carvalho da Silva (1850-1893) que adoptara o apelido Porto como demonstração de amor à sua cidade natal. Neste Parque foi colocado um busto seu, da autoria de Costa Mota (Sobrinho), a que no centenário do seu nascimento a Sociedade Nacional de Belas Artes acrescentou uma palma em bronze.

Jardim Nove de Abril – Freguesia da Estrela

Já na década de vinte do séc. XX, por proposta do vereador Alfredo Guisado, deliberação camarária de 31 de maio de 1926 e edital municipal de 17 de junho de 1926, o antigo Jardim Fialho de Almeida passou a denominar-se Jardim Alfredo Keil, consagrando o autor da música do Hino Nacional, composto como A Portuguesa em 1890, como resposta ao Ultimatum Inglês, por naquele espaço se ir erguer um monumento à sua memória. Quase cinco anos depois, por deliberação camarária de 14 de fevereiro de 1925, o espaço conhecido como Jardim das Albertas passou a ser o Jardim Nove de Abril , data da Batalha de La Lys no ano de 1918, ocorrida na Flandres, no teatro de operações da I Guerra Mundial. Entre estas duas datas de 1920 e 1925, a Câmara Municipal de Lisboa deliberou a atribuição de diversas denominações a jardins da cidade, como por exemplo, Jardim Guerra Junqueiro ao Jardim da Estrela ou  Jardim Braamcamp Freire ao Jardim do Campo dos Mártires da Pátria, mas por razões desconhecidas esses registos não integraram o ficheiro de toponímia lisboeta.

Jardim Elisa Baptista da Silva Pedroso – Freguesia da Estrela

Depois, só após o 25 de Abril foi colocado um novo topónimo num jardim. Foi pelo Edital de 3 de setembro de 1976 que o jardim nas traseiras do Palácio de São Bento, vulgarmente conhecido como Jardim Salazar, ficou com a designação Jardim Elisa Baptista de Sousa Pedroso, perpetuando uma conceituada pianista (1876 -1958), fundadora do Círculo de Cultura Musical e  primeira sócia honorária da Juventude Musical Portuguesa.

Jardim Ducla Soares – Freguesia de Belém
(Foto: José Carlos Batista)

Na década de oitenta, Lisboa acolheu mais três jardins: em Belém, o Jardim Pulido Garcia dedicado ao eng.º agrónomo ( 1904 – 1983 ) que chefiou a Repartição de Arborização e Jardinagem camarária tendo sido responsável pela instalação do Parque Florestal de Monsanto ( Edital de 20/08/1985), bem como o  Jardim Ducla Soares (1912 – 1985), perpetuando o maior médico internista português da sua geração que viveu nesta mesma freguesia no Largo da Princesa ( Edital 07/09/1987); sendo o terceiro na Penha de França, o Jardim Luís Ferreira ( 1920-1984 ), para homenagear um antigo presidente dessa Junta de Freguesia (Edital 03/05/1989).

A década de noventa criou mais quatro jardins : o Jardim Alice Cruz ( São Domingos de Benfica ), a fixar a locutora de rádio e televisão (1940 – 1994) tragicamente falecida num acidente rodoviário e o  Jardim Bento Martins, em  Carnide,  para guardar a memória do seu dinamizador teatral (1932 – 1993), ambos por Edital de 17/02/1995; em Belém, pelo Edital de 30/07/1999 o Jardim Fernanda de Castro  , veio consagrar a escritora (1900 – 1994) que publicara justamente Cidade em Flor (1924) e Jardim (1928) e, finalmente, o  Jardim Amália Rodrigues ( Avenidas Novas ), fronteiro ao topo do Parque Eduardo VII a homenagear a celebrada fadista (1920 – 1999), falecida em outubro do ano anterior (Edital de 18/04/2000).

Jardim Amália Rodrigues – Freguesia das Avenidas Novas

Jardim Tristão da Silva – Freguesia do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias)

Na primeira década do séc. XXI, de 2001 a 2010, Lisboa recebeu mais 10 jardins, a saber:  o Jardim Tristão da Silva (Areeiro), fadista (1927 – 1978) que começou a sua carreira a ser conhecido como o Miúdo do Alto do Pina (Edital de 20/11/2003);  o Jardim Amélia Carvalheira ( Avenidas Novas ), junto à Igreja de Nossa Senhora de Fátima por ocasião do centenário desta escultora  (1904 – 1998) de arte sacra (Edital de 23/09/2004); o Jardim Fernando Pessa ( Areeiro ), ao lado do edifício da Assembleia Municipal de Lisboa, local próximo da residência do jornalista (1902 – 2002) e onde ele costumava  andar de bicicleta e fazer os seus passeios ( Edital de 16/12/2004); o  Jardim Irmã Lúcia ( Areeiro ), atribuído em resultado do Voto de Pesar municipal  n.º 4/2005 que deu azo à deliberação municipal e ao Edital de 06/10/2005, fixando  junto à Igreja de São João de Deus esta vidente de Fátima (1907-2005); o  Jardim Maria da Luz Ponces de Carvalho, na Freguesia de Santa Clara (Edital 03/07/2008), evocando a neta  (1918 – 1999) de João de Deus e continuadora da sua obra dos Jardins-Escolas; o Jardim Prof. António de Sousa Franco em Telheiras, estadista e jurisconsulto de mérito, falecido subitamente em campanha eleitoral (1942 – 2004), fruto do Edital de 16/09/2008, sendo que no mês seguinte, o Edital de 07/10/2008, colocou no espaço verde contíguo o Jardim Prof. Francisco Caldeira Cabral (1908 – 1992) que foi o 1º topónimo alfacinha a perpetuar um arquiteto paisagista; e ainda, o Jardim Jorge Luis Borges no Arco do Cego ( Avenidas Novas ), por Edital de 16/09/2009, quando então passava o 110º aniversário deste escritor argentino (1899 – 1986), acolhendo ainda um Memorial a Borges, da autoria de Federico Brook e doado pela Casa da América Latina, faltando apenas referir nesta década o Jardim dos Jacarandás  e o Jardim Garcia de Orta ao Parque das Nações acolhidos através do Edital municipal de 16/09/2009.

Jardim Maria da Luz Ponces de Carvalho -Freguesia de Santa Clara

Finalmente, de 2011 até ao presente adicionaram-se mais 5  Jardins:  o Jardim Augusto Monjardino( Avenidas Novas ), junto à Maternidade Alfredo da Costa para homenagear o médico que foi o seu primeiro director (1871 – 1941), atribuído por Edital de 04/05/2011; o Jardim Amnistia Internacional ( Campolide ) para assinalar o 50.º aniversário desta instituição de defesa dos direitos humanos (Edital de 03/06/2011); o Jardim Adão Barata (1945 – 2008), em Carnide, para perpetuar no seu território um antigo presidente dessa Junta de Freguesia (Edital de 03/12/2012); o Jardim Maria de Lourdes Sá Teixeira ( Olivais ),  para guardar a memória da 1ª Aviadora portuguesa (1907 – 1984), através do Edital de 08/07/2013;  o Jardim Ferreira de Mira ( Benfica ) fixando o investigador e professor (1875 – 1953) da Faculdade de Medicina de Lisboa que foi também historiador da medicina portuguesa ( Edital 10/11/2016).

Jardim Ferreira de Mira – Freguesia de Benfica

Acresce que a palavra «jardim» aparece ainda em mais 5 topónimos alfacinhas. Em Santa Maria Maior, encontramos a Rua do Jardim do Regedor [da Casa da Suplicação] e primeiro presidente da Real Mesa Censória, cardeal D. João Cosme da Cunha; bem como a Rua do Jardim do Tabaco relacionada com a Alfândega do Tabaco, instalada na zona nessa época da segunda metade do séc. XVII. Junto ao Jardim da Estrela, na freguesia da Estrela,  deparamos com a Rua do Jardim à Estrela e a Travessa do Jardim que mostram bem qual a sua origem, tal como a Rua do Jardim Botânico, partilhada pelas freguesias de Belém e da Ajuda, claramente se refere ao Jardim Botânico da Ajuda.

A toponímia das ruas que não o são

O Poço do Borratém em 1951
(Foto: Eduardo Portugal, Arquivo Municipal de Lisboa)

A toponímia das ruas que o não são foi o título da  comunicação de Áppio Sottomayor às III Jornadas de Toponímia de Lisboa (1998), que agora recuperamos para agrupar os doze topónimos que permanecem sem uma das categorias referidas nos anteriores artigos deste mês. Assim acontece em doze casos: o Caracol da Graça e o já desaparecido Caracol da Penha, o Corredor da Torrinha, a Costa do Castelo, as Cruzes da Sé, o Cunhal das Bolas, as Escolas Gerais (que coexistem com a Rua das Escolas Gerais), o Paço da Rainha, o Poço do Borratém, a Rocha do Conde de Óbidos já também extinta, o Telheiro de São Vicente e a Triste Feia. Estes  topónimos são geralmente únicos, antigos e encontram-se nas freguesias seculares da cidade de Lisboa.

Começando pela freguesia de Santa Maria Maior, na confluência da Rua da Madalena, Rua dos Condes de Monsanto e Rua do Arco do Marquês de Alegrete, deparamos com o Poço do Borratém , um pleonasmo, já que de acordo com o arabista David Lopes significa Poço do «poço da figueira». A fixação deste topónimo deve ser pelo menos quinhentista já que Gil Vicente o menciona no seu Pranto de Maria Parda. Norberto de Araújo adianta que «O poço é antiquíssimo, e foi sempre do domínio público. Quando o Estado adquiriu as propriedades, êle continuou a ser respeitado na sua serventia. (…) No meado do século passado [séc. XIX] explorava a água uma companhia de aguadeiros, e, antes, em 1818, existia uma Irmandade de Santo André e das Almas que cobrava um tributo a quem aproveitava o líquido, fiado nas suas virtudes. O poço do Borratem, pertença da Câmara, desde 1849 que não traz encargos para quem bebe a “virtuosa” água.»

Cruzes da Sé – Freguesia de Santa Maria Maior – Placa Tipo I
(Foto: Mário Marzagão)

Ainda em Santa Maria Maior, estendendo-se do Largo da Sé à Rua de São João da Praça fica o arruamento denominado Cruzes da Sé, por se situar nas costas da Igreja de Santa Maria Maior, a Sé Catedral de Lisboa, classificada como Monumento Nacional desde 1910. A fixação deste topónimo na memória de Lisboa tem assim de ser posterior à edificação da Igreja de Santa Maria Maior, que pouco depois de 1147 começou a ser construída , assente sobre uma mesquita que, por sua vez, também terá sido erguida sobre um primitivo templo cristão visigodo. Em termos documentais, o topónimo Cruzes da Sé aparece referido num livro de óbitos de 1690.

Partilhado pelas freguesias de Santa Maria Maior e São Vicente temos o Caracol da Graça, artéria que em escadinhas estabelece a ligação da Rua dos Lagares à Calçada da Graça, ganhando o seu nome do ziguezague ou espiral que faz para galgar tão íngreme subida. Sabe-se da existência do Postigo do Caracol da Graça, aberto na Cerca Fernandina, até à sua destruição em 1700, que servia para se descer da Graça aos Lagares e Olarias.

Referimos aqui também o extinto Caracol da Penha,  que unia a Avenida dos Anjos (veio a ser a Avenida Almirante Reis) à Rua de Arroios e veio a ser transformado na Rua Marques da Silva ( freguesias de Arroios e Penha de França) pelo Edital municipal de 05/10/1891, em agradecimento ao proprietário da Quinta da Imagem, João Marques da Silva, que cedeu à Câmara gratuitamente terrenos para alargamento das ruas próximas.

Escolas Gerais – Freguesias de Santa Maria Maior e de São Vicente – Placa Tipo I
(Foto: Mário Marzagão)

Ainda nas freguesias de Santa Maria Maior e  São Vicente, deparamos com a Costa do Castelo, que  alastra da Rua do Milagre de Santo António até à Calçada de Santo André, que teve honras de título de filme português e deve o seu topónimo à proximidade ao Castelo de São Jorge, que aliás contorna numa grande extensão. De igual modo, encontramos as Escolas Gerais, arruamento que vai da Rua das Escolas Gerais à Calçada de São Vicente, sobre o qual o olisipógrafo Luís Pastor de Macedo explica o seguinte:  «Como decerto o leitor já viu, ao Bairro dos Escolares chamaríamos hoje Bairro Universitário, e as Escolas Gerais ou o Estudo Geral são a Universidade transferida definitivamente para Coimbra em tempo de El-Rei D. João III (1537).  Também com certeza sabe o leitor que na Lisboa de hoje existem duas serventias públicas com nomes determinados pelo Estudo fundado por El-Rei D. Dinis: as Escolas Gerais, artéria inclassificada que pertenceu às antigas freguesias de Santa Marinha e de S. Vicente, que a compartilhavam, e a Rua das Escolas Gerais que pertenceu à antiga freguesia de S. Tomé, e durante algum tempo, pelo menos, também à do Salvador.»

Só da freguesia de São Vicente, junto ao Arco Grande de Cima, temos o Telheiro de São Vicente, que tal como a Calçada, o Largo, a Rua e a Travessa é um topónimo indubitavelmente ligado à Igreja que aí se situa e que Norberto de Araújo, revela do seguinte modo: «A Igreja de S. Vicente foi construída por D. Afonso Henriques, em obediência ao voto que fizera, e revelara ao Arcebispo de Braga, D. João Peculiar, quando do Cerco de Lisboa. A primeira pedra foi lançada em 21 de Novembro de 1147. (…) O primitivo Mosteiro de S. Vicente não tinha a mais leve semelhança com o actual, nem dele resta memória descritiva ou simples alçado” (…) A inauguração do novo Mosteiro e Igreja de São Vicente fêz-se a 28 de Agosto de 1629, sem que as obras estivessem concluídas, pois se prolongaram interiormente quase durante um século.»

Em Arroios, deparamos com o Paço da Rainha que remete para o Palácio da Bemposta e para a Rainha D. Catarina de Bragança (? – 1705) que ao enviuvar de Carlos II de Inglaterra regressou a Portugal (em 1693) e acabou por fazer casa no lugar do Campo da Bemposta, onde é certo já habitava em 1702. A partir daí ficou o local conhecido como Paço da Rainha e assim se manteve até o primeiro edital de toponímia após a implantação da República, de 5 de novembro de 1910, o tornar no Largo da Escola do Exército, por aí se situar esse estabelecimento de ensino. Contudo, cerca de 12 anos mais tarde, o edital de  17/10/1924 designou-o como Largo General Pereira de Eça, topónimo que assim permaneceu perto de 32 anos até o Edital de 23/03/1954 o renomear como Paço da Rainha.

Cunhal das Bolas – Freguesia da Misericórdia – Placa de azulejo
(Foto: Artur Matos)

Na freguesia da Misericórdia, encontramos uma pequena artéria  entre a Rua da Rosa e a Rua Luz Soriano que é o Cunhal das Bolas, por  derivar do quinhentista Palácio do Cunhal das Bolas.

Na freguesia da Estrela, temos o Corredor da Torrinha, ao qual se acede a partir do Beco da Galheta, que o liga à Avenida 24 de Julho, sendo esta artéria o prolongamento natural da Travessa José António Pereira.

Na mesma freguesia a Rocha do Conde de Óbidos, topónimo do século XVII, derivado da proximidade ao Palácio do Conde de Óbidos (actual sede da Cruz Vermelha Portuguesa). Contudo, no âmbito da reconversão paisagística desta zona, que envolveram o aterro entre a Praça de Dom Luís I e Alcântara, após longas negociações entre o Município e a Casa de Óbidos-Sabugal, em 1880, a CML mandou dinamitar a rocha e morro e no seu espaço foi construída uma escadaria dupla que liga a Avenida 24 de Julho ao Jardim 9 de Abril, que mais um século mais tarde foi designada como Escadaria José António Marques, em homenagem ao fundador da Cruz Vermelha Portuguesa.

Ainda na Estrela deparamos com a Triste Feia, artéria na confluência da Rua Maria Pia, Rua da Costa e Rua Prior do Crato, paralela à Rua da Costa e nas costas da estação de comboios de Alcântara-Terra. Após a remodelação paroquial de 1770 já a encontramos nas plantas e descrições das freguesias de Lisboa na «Nova Freguezia do Snr Jezus da Boa Morte» como «Rua da Triste Feya» e igualmente como «rua chamada a Triste-fea». No Atlas de Filipe Folque, a planta nº 39 de 1856 menciona a Triste Feia e a calçada da Triste Feia. E a partir desta data, tanto nos levantamentos de Francisco Goulard (1882) como de Silva Pinto e Alberto Correia de Sá (1910), surge sempre designada como Triste Feia.

Triste Feia em 1965 e nos dias de hoje
(Fotos: Augusto de Jesus Fernandes – Arquivo Municipal de Lisboa; José Carlos Batista)

As Rampas de Lisboa

Toponomenclatura das Necessidades – Freguesia da Estrela
(Planta: Sérgio Dias)

Rampa é uma ladeira, um arruamento em declive, muito semelhante a uma Calçada mas menos íngreme, toponomenclatura que Lisboa ainda usa em duas artérias : a Rampa das Necessidades na Freguesia da Estrela e a Rampa do Mercado na Freguesia de Santa Clara.

A Rampa das Necessidades liga a Praça da Armada à Rua das Necessidades e tal como esta, mais a Calçada, o Largo e a Travessa, o seu topónimo advém de uma antiga ermida da Nª Sr.ª das Necessidades que ali houve a partir de 1607. Pedro de Castilho, conselheiro de D. João IV comprou as casas ligadas à ermida e transformou-as na sua residência, tendo mais tarde, ficado com o assento da ermida e mandou erigir a capela-mor. Depois, D. João V comprou o local, grato à Senhora das Necessidades pelas melhoras da doença que padeceu, e ampliou a ermida, fez um palácio para si (que foi Paço Real até 1910) e ainda um hospício e um convento (que doou em 1744 à Congregação do Oratório). Com a extinção das ordens religiosas em 1834, o edifício do convento foi anexado para os serviços da Casa Real e em 1950, foi transformado em sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Rampa do Mercado – Freguesia de Santa Clara

A Rampa do Mercado, que vai da Azinhaga do Reguengo à Rua Quinta da Assunção, é a  artéria onde está instalado o Mercado das Galinheiras pelo que já era assim conhecida quando em 1988 a Comissão Municipal de Toponímia deu parecer para que assim fosse oficializada o que aconteceu com a publicação do Edital municipal de 29 de fevereiro de 1988.

Rampa do Mercado –
Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias)

 

Os Pátios da toponímia oficial de Lisboa

Pátio do Pinzaleiro em 1946
(Foto: Fernando Martinez Pozal, Arquivo Municipal de Lisboa)

Lisboa acolhe na sua toponímia oficial 17 Pátios, dos quais 6 estão na mais antiga Freguesia de Lisboa (uma vez que Santa Maria Maior reúne as primeiras freguesias de Lisboa) e 5 pertencem à mais recente freguesia da cidade (Parque das Nações). Embora muitos pátios lisboetas tenham desaparecido em resultado de remodelações urbanísticas da cidade,  os que hoje encontramos na toponímia oficial de Lisboa são os que resultaram da análise de todos os topónimos lisboetas pela Comissão Municipal de Toponímia após a sua criação, executada no período de 1943 a 1945, e consequente oficialização, tal como aconteceu com os cinco herdados no Parque das Nações.

Pátio, deriva do latim pactus  e refere-se a uma zona aberta, descoberta situada no interior de um edifício. Tem também o significado de conjunto de habitações modestas dispostas à volta de um recinto descoberto comum. E estes dois significados combinam-se bem na história da cidade de Lisboa uma vez que os primeiros pátios com residentes resultam do aproveitamento de pátios de palacetes abandonados, como o Pátio de Dom Fradique ou o Pátio do Pimenta.

De Ocidente para Oriente, encontramos na Freguesia da Ajuda o Pátio do Seabra, junto ao nº 17 do Largo da Ajuda, que combina antigas casas térreas de perfil rural com alguns prédios novos. Nele funciona o Centro de Atividades Ocupacionais da Ajuda da APPACDM Lisboa.

Na Freguesia da Estrela, na zona de Santos, a ligar a Avenida 24 de Julho à Rua das Janelas Verdes, temos o Pátio do Pinzaleiro, a fixar o fabricante de pincéis que por aqui deve ter trabalhado ou morado. É que de acordo com o Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado, a origem da palavra pinzaleiro está provavelmente em pinzel, uma antiga forma de pincel.

Pátio do Tijolo – Freguesia da Misericórdia
(Foto: Artur Matos)

Passando à freguesia da  Misericórdia, encontramos três Pátios. Na antiga freguesia de Santa Catarina, junto à Rua D. Pedro V, onde começa e termina, topamos com o Pátio do Tijolo, artéria em U que comporta o Palacete Braamcamp, onde funcionou a Escola Francesa antes de se mudar para ser o novo Liceu Charles-Lepierre, sendo que no final do arruamento, no edifício onde existiu um posto dos CTT, viveu o escritor Eduardo de Noronha (1859-1948), conforme placa evocativa que a Câmara Municipal lá colocou.  A nascer na Rua da Boavista, na antiga freguesia de São Paulo, temos o pombalino Pátio da Galega, formado por um beco aberto entre dois prédios, com o nome de uma moradora oriunda da Galiza ou de alguma forma com ela relacionada. Ainda no antigo território de São Paulo, damos com o Pátio do Pimenta,  entre os nºs 11 e 15 da Rua do Ataíde, com uma entrada de características nobres, de cerca de 1780,  o que revela uma pré-existente ocupação do local por uma casa nobre, apresentando ainda um edifício do séc. XIX de um só piso e supomos, como é usual nestes arruamentos que o seu nome derive de um morador ou proprietário no local, tanto mais que existe um requerimento de 1890, de uma Carolina Amélia Pimenta solicitando a aprovação de um projeto de alterações no seu prédio com a numeração de polícia nº 26/27 do Pátio do Pimenta.

Pátio das Canas – Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Mário Marzagão)

Passando à mais antiga freguesia de Lisboa,  Santa Maria Maior, que desde 2012 agrega todas as mais antigas freguesias da cidade de Lisboa, descobrimos seis Pátios.  Na antiga freguesia da Sé, junto à Travessa do Almargem, está o Pátio Afonso de Albuquerque que, segundo Pastor de Macedo « A primeira vez que aparece com o nome de pátio do Monteiro é em 1833 e a última em 1878. Antes desta data porém, já o designavam por pátio do Beco do Albuquerque (1864), passando depois a pátio do Albuquerque (1880) e por fim, em 1889, a ter o nome que hoje tem» , talvez por ser paralelo à Rua Afonso de Albuquerque, topónimo de 1882 para substituir a Rua do Almargem, por ser o sua designação original no séc. XVI. O homenageado é o filho do vice-rei da Índia e que por isso foi autorizado a mudar o seu nome de Braz Albuquerque para Afonso de Albuquerque, tendo mandado construir e residido nas Casas dos Diamantes ou dos Bicos, para além de ter presidido ao Senado Municipal em 1572 e 1573.  O Pátio das Canas, abre-se no nº 4 do Beco das Canas, na antiga freguesia de São Miguel, em Alfama, tal como o Pátio da Cruz junto ao nº 15 da Rua da Galé e perpendicular da Rua de São Miguel junto ao Largo de São Rafael. Próximo da Rua Regueira fica o Largo do Peneireiro em cujo  nº 2 se abre o Pátio do Peneireiro.  Já antigo território de Santiago, junto ao Largo do Limoeiro fica o Pátio do Carrasco que nos finais do séc. XIX Roque Gameiro imortalizou num desenho. O último em Santa Maria Maior é o Pátio de Dom Fradique, próximo da Rua do Chão da Feira, com vestígios dos muros da Alcáçova e das torres e muralhas da Cerca Moura, sendo uma antiga dependência do Palácio de Belmonte (hoje, um hotel de luxo), cuja construção parece remontar ao século XV, sendo a entrada do pátio feita através de um portal do século XVII, época em que o Pátio foi anexado ao Palácio. Norberto de Araújo refuta que o  nome do Pátio derive de D. Fradique de Toledo, comandante general das tropas de Filipe IV de Espanha, ou de seu irmão,  D. Fernando, que foi comandante dos presídios castelhanos no Castelo, defendendo que se refere a D. Fradique Manuel, em 1518 moço fidalgo do Rei Venturoso, tanto mais ser dessa época a construção inicial do Palácio Belmonte.

Na Freguesia de Arroios, deparamos com o Pátio do Sequeiro, na continuação da Travessa das Salgadeiras e ao cimo da Travessa do Forte, na antiga zona do Desterro, a denunciar a antiga ruralidade da zona no seu nome.

E finalmente, a Oriente, temos na Freguesia do Parque das Nações os cinco Pátios herdados da Expo 98, todos com toponímia relacionada com o mar :  o Pátio dos Escaleres ao Parque das Nações, o Pátio das Fragatas, o Pátio das Galeotas ao Parque das Nações, o Pátio das Pirogas e o Pátio do Sextante.

Pátio do Sequeiro – Freguesia de Arroios
(Foto: Mário Marzagão)