Inauguração da Rotunda República Argentina amanhã

Amanhã, dia 21 de novembro,  às 12:00 horas, a Câmara Municipal de Lisboa, representada pela Srª Vereadora Catarina Vaz Pinto, e a Embaixada da República da Argentina, procederão à inauguração da Rotunda República Argentina, na Freguesia do Parque das Nações, com o descerramento das respetivas placas toponímicas.

Nesta mesma ocasião em que a edilidade lisboeta se associa às comemorações dos 200 anos da Independência da Argentina, será também inaugurado no local um busto do General José de San Martín, militar argentino fundamental na independência da Argentina, Chile e Peru na primeira metade do séc. XIX, oferecido pela Embaixada argentina à cidade de Lisboa.

A Rotunda República Argentina resultou da aprovação da proposta da Vereadora Catarina Vaz Pinto em reunião de câmara de 7 de dezembro de 2016, fixando assim o Edital municipal nº 15/2017, de 20 de janeiro de 2017,  na Rotunda à Avenida Ulisses o topónimo Rotunda República Argentina.

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Da Praça das Colónias à do Ultramar e à das Novas Nações

Freguesia de Arroios (Foto: Ana Luísa Alvim)

Freguesia de Arroios
(Foto: Ana Luísa Alvim)

Em 1933, nasceu em junho no Bairro das Colónias a Praça das Colónias que em julho passou a ser Praça do Ultramar e que em 1975 com o processo de descolonização a decorrer se tornou a Praça das Novas Nações.

Uma das propostas do Movimento das Forças Armadas era o fim da Guerra Colonial , promessa que após a vitória em 25 de Abril de 1974 se cumpriu através da descolonização, em conformidade com o Programa dos Três «D» – Democratizar, Descolonizar e Desenvolver – e dessa nova mentalidade nasceu também em Lisboa a Praça das Novas Nações sobre a antiga Praça do Ultramar, na confluência da Rua da Ilha do Príncipe, Rua de Timor, Rua de Moçambique e Rua de Angola.

Recorde-se que a 8 de junho de 1974 uma Assembleia do MFA, na Manutenção Militar, decidiu o cessar-fogo imediato no Ultramar, que aliás foi uma reivindicação muita ouvida nas ruas após o 25 de Abril, e assim se definiu a urgência de avançar para a descolonização considerando até o atraso que já existia em relação a outras ex-colónias europeias cujo processo de descolonização se concluíra nos anos 60. No ano seguinte, por Edital municipal de 17 de fevereiro de 1975, a toponímia de Lisboa espelhou a nova realidade através do nascimento da Praça das Novas Nações, como forma de homenagear as 5 novas nações no continente africano –  Guiné (independência declarada unilateralmente em 24 de setembro de 1973 e reconhecida em 10 de setembro de 1974), Moçambique (25 de junho de 1975), Cabo Verde (5 de julho de 1975), São Tomé e Príncipe (12 de julho de 1975) e Angola (11 de novembro de 1975),  – e substituir a denominação Praça do Ultramar, cuja nomenclatura remetia para o Estado Novo e o domínio colonial.

A artéria havia nascido como Praça das Colónias, por edital municipal de 19/06/1933, e um mês depois passou a Praça do Ultramar. Pelo mesmo edital e no mesmo bairro – Bairro das Colónias – foram atribuídos também os seguintes topónimos, de acordo com a ordem do Edital: Rua de Angola, Rua de Moçambique, Rua da Guiné, Rua do Zaire, Rua da Ilha do Príncipe, Rua de Cabo Verde,  Rua da Ilha de São Tomé, Rua de Macau e Rua de Timor.

Freguesia de Arroios (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Arroios
(Planta: Sérgio Dias)

 

 

 

 

 

Seis cidades e vilas da Guiné, Cabo Verde, Índia e Timor na toponímia de Olivais Sul

Freguesia dos Olivais - Placa Tipo IV (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia dos Olivais – Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias)

Após a eclosão da guerra colonial, no decorrer das décadas de 60 e 70 do século XX, a edilidade lisboeta crismou os novos arruamentos dos Olivais com os nomes de militares mortos em combate (na Zona Norte) e também com os nomes de cidades e vilas que então pertenciam ao Império Português (na Zona Sul) e foi neste contexto que o edital municipal de 11 de julho de 1970 perpetuou na toponímia olivalense as guineenses cidades de Bafatá, Bissau e Bolama, bem como a cabo-verdiana Cidade da Praia, a indiana Cidade de Margão e a timorense Cidade de Dili, todas na célula D de Olivais Sul.

A Rua Cidade de Bafatá ficou no espaço das Ruas 1, 2, 3 e 4 da Célula D de Olivais Sul, a começar na Rua Cidade da Praia. Bafatá é uma cidade no centro da Guiné-Bissau, capital da Região de Bafatá e que ficou muito conhecida  por ser a terra natal de Amílcar Cabral. Em Portugal existe também uma Rua Bafatá na Cruz de Pau (Seixal).

A Rua Cidade de Bissau foi fixada na Rua D  da Célula D de Olivais Sul, a ligar a Avenida Marechal Gomes da Costa à Rua Cidade de Lourenço Marques. Bissau foi fundada em 1692 como vila, com fortificação militar e entreposto de tráfico de escravos dada a sua localização na costa atlântica e tornou-se a capital do país em 1836, bem como em 1915 e a partir de 9 de dezembro de 1941, sendo também a capital da Guiné-Bissau a partir de setembro de 1974. Existem Ruas de Bissau em Bragança, Guimarães, Valpaços, Ermesinde (Valongo), Vila Nova de Gaia, Marinha Grande, Prior Velho (Loures), Amadora, Cruz de Pau (Seixal), Quinta do Conde (Sesimbra), Santo André (Barreiro), uma Praceta de Bissau na Amora (Seixal) e Travessas de Bissau em Alcabideche e no Montijo.

Rua Cidade de Bolama colocada na Rua D2 com o Impasse DG e abrangendo os lotes 377 a 379, 382 a 387 e os lotes 389 a 393 da Célula D de Olivais Sul, tem início e fim na Rua Cidade de Bissau.  Bolama situa-se na ilha homónima e desde 1879 era a vila capital da antiga Guiné portuguesa, tendo sido  elevada à categoria de cidade em 1913, conservando-se como capital até 9 de dezembro de 1941. Existem no nosso país uma Avenida Cidade de Bolama na Aroeira, uma Rua Cidade de Bolama em Faro  e Ruas Bolama no Porto, Prior Velho e na Amora (Seixal).

A Rua Cidade da Praia ficou na Rua D1 com o Impasse DE e abrangendo os Lotes 342 a 345 e 355 a 373 da Célula D de Olivais Sul, ligando a Avenida Cidade de Lourenço Marques à Rua Vila de Catió.  Cidade desde 1858, a Praia começou a ser construída na segunda metade do séc. XVIII, junto da Praia de Santa Maria. É a capital de Cabo Verde desde 1770, por ordem do Marquês de Pombal, e também por ser a maior cidade do país. O topónimo repete-se em Bragança, Guimarães, Porto, Caldas da Rainha, Marinha Grande, Buarcos (Figueira da Foz), Prior Velho (Loures), Amadora, Alcabideche (Cascais), São Domingos de Rana (Cascais), Santo André (Barreiro), Montijo, Palmela, Amora (Seixal), Quinta do Conde (Sesimbra) e Faro.

A Rua Cidade de Margão foi fixada nas Ruas 5, 6, 7 e 8 da Célula D de Olivais Sul, com início na Rua Cidade da Praia. É a  segunda maior cidade do estado de Goa.

A Praça Cidade de Dili fixada no Impasse DB e incluindo os impasses DB’, DB”, DB”’ da Célula D de Olivais Sul, também começa na Rua Cidade da Praia. Em 10 de outubro de 1769 substituiu Lifau como capital de Timor português em meados do séc. XVII e até 11 de agosto de 1769, tendo sido elevada a cidade em janeiro de 1864.  É hoje a  capital de Timor Lorosae.  Este topónimo encontra-se também em Vila Real, Chaves, Bragança, Valpaços, Gondomar, Matosinhos, Valongo, Coimbra, Santarém, Prior Velho, Loures, Ericeira, Amadora, Alcabideche, Santo André (Barreiro), Montijo, Évora e Beja.

Freguesia dos Olivais (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia dos Olivais
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua Cidade de Negage para facilitar o trabalho dos CTT

Freguesia dos Olivais (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia dos Olivais
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Cidade de Negage nasceu nos Olivais Sul por Edital municipal de 9 de fevereiro de 1971, para facilitar a distribuição de correio por parte dos CTT, a pedido destes.

A Rua Cidade do Negage, com início e fim na Rua Cidade de Carmona, era um troço desta designado por Impasse CK ou por Impasse C I L, com os prédios com números de Lotes 183 a 194. Assim, os C.T.T. – Correios e Telecomunicações de Portugal, com o intuito de ver o seu trabalho facilitado e sobretudo, evitar equívocos na distribuição de correio, solicitaram à Câmara pelo ofício nº 9898 de 3 de dezembro de 1970 que o troço passasse a ter designação própria, pretensão a que a Comissão Municipal de Toponímia deu parecer favorável, sugerindo para o efeito Rua Cidade de Negage, uma recente cidade, por ser uma cidade de Angola tal como as artérias circundantes.
A cidade de Negage é um dos 16 municípios da província do Uíge, no extremo norte de Angola mas localizado no quadrante sul da província do Uíge, a cerca de 37 Km da Vila General Carmona e depois de 1956, Cidade de Carmona (hoje Uíge), onde na década de 70 do séc. XX foi construída a Igreja de S. José Operário. Negage ou Ngage foi o nome duma sanzala que existia na zona, e a povoação foi fundada em 1925 como parte do Posto do Dimuca do Concelho de Ambaca. Tornou-se sede do Posto de Ngage ainda pertencendo ao Concelho de Ambaca mas em 1955 passou para o Concelho do Bembe do Distrito do Uíge. No ano seguinte criou-se o Concelho do Negage com sede em Negage, que em 1958 foi elevada à categoria de Vila e, 12 anos depois, em 26 de Junho de 1970 passou à categoria de Cidade.
Freguesia dos Olivais (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia dos Olivais
(Planta: Sérgio Dias)

Doze cidades de Angola na toponímia de Olivais Sul desde 1969

Freguesia dos Olivais - Placa Tipo IV (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia dos Olivais – Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias)

Pelo Edital de 10 de abril de 1969 a edilidade alfacinha colocou doze cidades de Angola na toponímia da Célula C de Olivais Sul, uma em Avenida, três em Praças e as restantes dez  em ruas.

As escolhidas ficaram assim nas placas toponímicas: Avenida Cidade de Luanda, Praça Cidade do Luso, Praça Cidade de Salazar, Praça Cidade de São Salvador, Rua Cidade de Benguela, Rua Cidade de Cabinda, Rua Cidade de Gabela, Rua Cidade de Lobito, Rua Cidade de Malanje, Rua Cidade de Nova Lisboa, Rua Cidade de Novo Redondo e Rua Cidade de Porto Alexandre.

Aliás, as atribuições toponímicas na cidade de Lisboa no decorrer da década de sessenta caracterizam-se justamente por referências à Guerra Colonial e à reafirmação do Império Colonial Português, com fixação do nome dos militares mortos em combate nos arruamentos de Olivais Norte  e das vilas e cidades das então colónias portuguesas nas artérias de Olivais Sul. Em 1967 foram 15 cidades e vilas de Moçambique na Célula B, a que se somaram em 1969 estas 12 denominações de Angola na Célula C, tendo sido acrescentadas em 1970 nomes da Guiné na Célula D e em 1971, foram mais 12 designações de vilas moçambicanas nos arruamentos da Célula E. Repare-se que tal procedimento na toponímia da cidade remonta ao início da década, já que na Ata da reunião da Comissão Municipal de Toponímia de 29 de novembro de 1963 se pode ler : «Despacho de Sua Excelência o Presidente, solicitando o parecer da Comissão acerca da oportunidade de se homenagear Angola através da denominação dos nomes das suas cidades, na toponímia de Lisboa; quais os novos arruamentos a que esses nomes poderiam ser atribuídos e, bem assim, se nessa homenagem se poderiam compreender as cidades de outras províncias ultramarinas. A Comissão, tendo em vista que a zona dos Olivais-Norte tem sido reservada para homenagear os nomes de militares mortos ao serviço da Pátria, é de parecer que a zona dos Olivais-Sul é o melhor local para a atribuição dos nomes de cidades ultramarinas.»

Pelo país, encontramos em Camarate, a Rua Cidade de Luanda, a Rua Cidade de São Salvador, a Rua Cidade de Benguela, a Rua Cidade de Lobito, a Rua Cidade de Cabinda e a Rua Cidade de Nova Lisboa, bem como a Rua Cidade de Luanda em Valpaços, Guimarães, Porto, Santo Tirso, Amadora, Odivelas, Famões, Pontinha, Alcabideche, Quinta do Conde e Corroios – somando também esta última a Rua Cidade de Benguela  e a Rua Cidade de Lobito -, ou a Rua Cidade de Porto Alexandre na Póvoa de Varzim e nas Caldas da Rainha, e ainda a Rua Cidade de Benguela em Manteigas, na Pontinha, Parede, Quinta do Conde (Sesimbra), Corroios, Barreiro e Setúbal.

Freguesia dos Olivais - Placa Tipo IV (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia dos Olivais – Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias)

Mais 12 vilas de Moçambique como topónimos de Olivais Sul, desde 1971

Freguesia dos Olivais - Placa Tipo IV (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia dos Olivais – Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias)

Pelo Edital de 26 de março de 1971, doze vilas de Moçambique passaram a ser topónimos da Célula E de Olivais Sul, a exemplo do que sucedia noutras células da recente urbanização de Olivais Sul : em 1967 foram 15 cidades e vilas de Moçambique na Célula B, a que se juntaram  em 1969 as denominações de Angola na Célula C, somando-se em 1970 os nomes da Guiné, Cabo Verde, Índia e Timor na Célula D, para finalmente se arribar a 1971 e acolher  mais estas designações de vilas moçambicanas nos arruamentos da Célula E.

Aliás, durante as décadas de 60 e 70 do século XX, foram os arruamentos dos Olivais Sul crismados com nomes de povoações da Angola, Guiné, Cabo Verde, Moçambique, Índia e Timor, enquanto nos Olivais Norte se fixaram os nomes dos mortos ao serviço da pátria em combate.

As povoações de Moçambique escolhidas para este Edital ficaram todas com a categoria de ruas e foram elas Chibuto, Dondo, Ibo, Macia, Manhiça, Manjacazé, Marracuene, Mocímboa da Praia, Montepuez, Vila Alferes Chamusca, Vila Fontes e Vila Sena.

Traço de nesta altura os presidentes das câmaras municipais serem nomeados pelo governo e a política deste exaltar a manutenção das colónias a todo o custo, também encontramos uma Rua do Dondo na Parede,  uma Rua de Macia em Leiria, uma Rua e uma Travessa de Marracuene no Porto ,bem como uma Rua de Marracuene em Santo António dos Olivais de Coimbra.

Freguesia dos Olivais - Placa Tipo IV (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia dos Olivais – Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias)

Quinze cidades e vilas de Moçambique na toponímia de Olivais Sul desde 4 de julho de 1967

Freguesia dos Olivais - Placa Tipo IV (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia dos Olivais – Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias)

Pelo Edital de 4 de julho de 1967, 14 cidades e vilas de Moçambique passaram a ser topónimos da Célula B de Olivais Sul. Os restantes núcleos desta recente urbanização de Olivais Sul foram também tendo a sua toponímia preenchida com os nomes de cidades e vilas dos países que nessa época eram as «colónias ultramarinas». Assim, em 1969, a Célula C recebeu denominações de Angola. No ano seguinte foi a Célula D a ter nomes da Guiné e em 1971, mais designações de terras moçambicanas foram distribuídas pelos arruamentos da Célula E.

Desta feita, em 1967, foram colocadas na Célula B de Olivais Sul a Avenida Cidade de Lourenço Marques, a Praça de Bilene e a Praça de Chinde, a Rua de Baixo Limpopo, a Rua Cidade da Beira, a Rua Cidade de Inhambane, a  Rua Cidade de João Belo, a Rua Cidade de Nampula, a Rua Cidade de Porto Amélia, a Rua Cidade de Quelimane, a Rua Cidade de Tete, a Rua Cidade de Vila Cabral, a Rua de Vila Pery, a Rua de Manica e a  Rua de Matola.

Em 1961 começara em Angola a Guerra Colonial, conflito armado que em 1963 se alargou à Guiné, e em 1964 se estendeu a Moçambique. Lisboa crescia nessa época com novas urbanizações na zona dos Olivais e logo, com novos arruamentos, que a edilidade lisboeta cujo Presidente era nomeado pelo Governo utilizou para consagrar nomes de militares mortos na Guerra Colonial nos Olivais Norte, enquanto nos Olivais Sul, distribuiu os nomes de cidades e vilas dos países em que queria manter o domínio colonial.

Encontramos repetições destes topónimos no nosso país, particularmente em Corroios (Seixal), zona que nessa década começou a crescer urbanisticamente, já que em 1940 tinha 884 habitantes e em 1960 já eram 2481.  A toponímia de Corroios inclui a Rua Cidade de Lourenço Marques , a Rua Cidade da Beira, a Rua Cidade de João Belo, a  Rua Cidade de Porto Amélia, a Rua Cidade de Quelimane, a Rua Cidade de Tete e a Praceta Cidade de Nampula. Lourenço Marques surge também numa Avenida da Amadora e em Ruas de Carcavelos, São Domingos de Rana, Odivelas, Prior Velho (Loures), Bragança e Ermesinde. A Cidade da Beira surge também em Ruas do Porto, Coimbra, Prior Velho, Montijo, Barreiro, Charneca da Caparica e Setúbal, para além de Quelimane surgir no Prior Velho, Carcavelos, Oeiras,  Azeitão, assim como a Rua Cidade de Nampula estar também presente em Vila Nova de Gaia, no Bombarral, Prior Velho, Odivelas, Oeiras, Barreiro  e a Rua Cidade de Tete em Amiais de Baixo (Santarém).

Freguesia dos Olivais - Placa Tipo IV (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia dos Olivais – Placa Tipo IV
(Foto: Sérgio Dias)

 

A Rua do Caribe e o Passeio do Cantábrico no Parque das Nações

Rua do Caribe - Freguesia do Parque das Nações (Foto: Sérgio Dias)

Rua do Caribe – Freguesia do Parque das Nações
(Foto: Sérgio Dias)

O Caribe da América Central e o mar Cantábrico da costa norte de Espanha são topónimos da Freguesia do Parque das Nações.

A Rua do Caribe une a Alameda dos Oceanos ao Passeio do Báltico enquanto o Passeio do Cantábrico vai da Avenida do Índico à Avenida da Boa Esperança mas ambos foram oficializados pela Câmara Municipal de Lisboa através do Edital de 16/09/2009, assim como mais 100 topónimos.  No âmbito da requalificação urbana resultante da Expo 98 «Os Oceanos: um património para o futuro», o espaço veio a tornar-se  território administrativo do concelho de Lisboa já com prédios construídos pelo que causaria transtornos e custos aos residentes a mudança dos topónimos pelo que a edilidade lisboeta oficializou-os.

Esta herança toponímica que Lisboa acolheu integra referências aos oceanos, aos Descobrimentos Portugueses, aos aventureiros marítimos de diversas nacionalidades, quer na literatura quer na banda desenhada, assim como figuras de relevo para Portugal, escritores portugueses ou obras suas de alguma forma ligadas ao mar e ainda, alguns biotopónimos.

Passeio do Cantábrico - Freguesia do Parque das Nações (Foto: Sérgio Dias)

Passeio do Cantábrico – Freguesia do Parque das Nações
(Foto: Sérgio Dias)

O Caribe ou Caraíbas denomina uma vasta área geográfica e cultural na América Central, abrangendo tanto o mar do Caribe como as suas ilhas e estados insulares. Também foram denominadas Antilhas ou Índias ocidentais mas toda a região tem uma cultura própria que funde características africanas, ameríndias e europeias de várias origens.

O mar Cantábrico situa-se no Atlântico, banhando a costa norte de Espanha e sudoeste de França, banhando a Costa Verde, onde ficam localizadas cidades como Gijon e Santander e onde se registam a existência de portos desde o período romano. Apesar das suas características geográficas de ventos fortes, provocando vagas alterosas, tem sido um elemento de ligação entre os países do norte da Europa e a Península Ibérica. O seu nome tem origem nos romanos, que o designaram como Sinus Kantabrorun, que significa «oceano dos Cantábros».

Rua do Caribe e Passeio do Cantábrico - Freguesia do Parque das Nações (Planta: Sérgio Dias)

Rua do Caribe e Passeio do Cantábrico – Freguesia do Parque das Nações
(Planta: Sérgio Dias)

Mem de Sá, 3º governador do Brasil, numa Rua de Alvalade

Freguesia de Alvalade                                                                                                                 (Foto: Sérgio Dias)

Mem de Sá, governador do Brasil de 1556 a 1572, está desde a publicação do Edital de 29 de janeiro de 1979 fixado numa Rua de Alvalade, com a legenda «Governador do Brasil/Século XVI».

Por solicitação da Secção de Escrivania da CML para atribuição de topónimos aos arruamentos ainda sem nomenclatura própria, a Comissão Municipal de Toponímia deu parecer favorável a que a Rua 4.2 do Novo Bairro das Fonsecas (junto à Avenida General Norton de Matos) passasse a designar-se Rua Mem de Sá, o que se concretizou pelo Edital municipal de 29/01/1979, que também colocou na Rua 4.3 do Novo Bairro das Fonsecas, a Rua Dom Luís da Cunha, em homenagem a este diplomata do séc. XVII-XVIII.

mem-de-sa-caraMem de Sá (Coimbra/c. 1504 – 02.03.1572/Baía- Brasil), meio-irmão do poeta Sá de Miranda (1481 – 1558) por parte do pai, Gonçalo Mendes de Sá, cónego da Sé de Coimbra, formou-se em Leis pela Universidade de Salamanca (1526) e  em 1532 tornou-se juiz desembargador da Casa dos Agravos da Suplicação. Foi nomeado como 3º Governador-geral do Brasil em 23 de julho de 1556 e distinguiu-se por transferir a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro dos morros de Cara de Cão e do Pão de Açúcar onde o seu sobrinho Estácio de Sá a fundara, para junto do morro do Castelo, em 1 de março de 1567, por motivos de defesa. Mem de Sá também reorganizou a administração, incentivou a produção açucareira e o comércio, avançando com a penetração nos sertões e a pacificação dos índios, quer com o apoio aos Jesuítas para a sua política de aldeamentos quer por guerra contra os índios revoltosos, para além de ter organizado 2 expedições para expulsar os franceses (1567). Também estimulou o tráfico de escravos africanos para o Brasil ao mesmo tempo que decretava leis que protegiam da escravidão os indígenas já catequizados e combateu a antropofagia.

Mem de Sá governou até ao ano da sua morte, 1572. D. Luís de Vasconcelos foi enviado em 1570 para ser seu sucessor,  mas foi morto na viagem no decorrer de um ataque de corsários franceses e quem lhe sucedeu foi Salvador Correia de Sá.

Para além de Lisboa, Mem de Sá tem artérias homónimas nas cidades brasileiras de Belo Horizonte, Camoina Grande, Criciúma, Cuiabá, Eunapolis, Manaus, Maringá, Mogi Guaçu, Niterói, Osasco, São Miguel do Oeste, São Paulo, Vitória da Conquista e uma Avenida no Rio de Janeiro.

Freguesia de Alvalade (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias)