A Rua das Pedras Alvas ou das Pedralvas

Freguesia de Benfica
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

A Rua das Pedralvas guarda a memória da Quinta das Pedralvas, que por seu lado retira o nome do Sítio das Pedralvas, topónimo que parece nascer da junção de pedras alvas numa única palavra e por isso, uma lembrança de património geológico de Lisboa, sendo certo que os topónimos derivados de «pedra» são bastante frequentes na Galiza e em Portugal.

O lugar das Pedralvas está referenciado em Benfica desde o século XVIII. A construção do Aqueduto das Águas Livres provocou em Lisboa um constante  aumento demográfico e Benfica viu nascer novos lugares como Adeão de Baixo, Adeão de Cima, Alfarrobeira, Bom Nome, Borel, Buraca, Calhau, Correia, Estrada da Luz,  Feiteira, Mira, Penedo, Porcalhota, Presa, Salgado, Venda Nova e Pedralvas. Em dezembro de 1887, o sítio das Pedralvas tal como a Estrada de Benfica, a Estrada da Luz, a Estrada de Carnide e a Estrada de Alfarrobeira, foram repavimentados. No início do século XX, as Pedralvas tinha também um afamado retiro «fora de portas» onde se cantava fado.

Por escritura de 18 de março de 1950, a edilidade comprou a Quinta das Pedralvas a Bernardino José Borges e durante dez anos, de 1963 a 1973, nesse espaço do Sítio das Pedralvas foi construído o Bairro da Quinta das Pedralvas, ao abrigo do Programa PER (Programa Especial de Realojamento), tendo sido contratados pela edilidade para esse efeito os empreiteiros José Matias, António da Silva, SOTEPREL – Sociedade Técnica de Projectos e Empreitadas Lda., Socite – Sociedade Técnica de Construções e Empreitadas Lda., José Ribeiro, João Cândido da Silva Júnior, Francisco Filipe Coelho e António Augusto Freire.

Em 1967, por Edital municipal de 14 de junho foram atribuídos topónimos a dois dos seus arruamentos, cabendo à Rua A da Quinta das Pedralvas a denominação Rua das Pedralvas e à Rua B a designação Rua Almirante Campos Rodrigues.

Em 1978 a Rua das Pedralvas cresceu de tamanho por lhe ter sido acrescentada o arruamento que fazia a ligação desta Rua com a Rua E.

Em Portugal, as Pedralvas surgem também como topónimo de uma Rua e de uma Travessa em Almargem do Bispo (Sintra), asssim como da Horta das Pedralvas no Corval (em Reguengos de Monsaraz). No singular, o topónimo surge no sítio da Pedralva em Vila do Bispo, numa Rua e numa Travessa de Vila Nova de Paiva (Viseu), numa Escadaria da Nazaré, num Caminho de Afife (Viana do Castelo) e numa freguesia de Braga.

Freguesia de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua da Cascalheira das pedreiras de calcário

Freguesia de Alcântara
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Esta Rua da Cascalheira, que deve ter nascido em  Alcântara do século XIX e hoje encontramos a unir a Rua da Cruz a Alcântara à Travessa dos Surradores, revela o património geológico da zona com as suas pedreiras de calcário.

Freguesia de Alcântara
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Este topónimo foi fixado na memória de Lisboa em data que se desconhece mas que se deve situar no final do século XIX. No Atlas da Carta Topográfica de Lisboa de Filipe Folque, de 1857, aparece pela primeira vez mapeada uma Travessa da Cascalheira, sobre a qual encontramos nos anos de 1891 a 1893, documentos de expropriação de terrenos para o alargamento desta artéria. Ora como no documento de 11 de setembro de 1891 se refere mesmo «alargamento da Travessa da Cascalheira, próximo à Rua do Alvito e Travessa dos Surradores», fica-nos a certeza de que é este o mesmo arruamento que se passará a designar por Rua da Cascalheira.

O nome gerou-se por via das pedreiras de calcário cretácicos – a pedra ornamental mais usada na cidade de Lisboa – que existiam no vale de Alcântara e que favoreceram a instalação de fornos de cal nesta zona, a partir do séc. XVIII. O Sítio da Cascalheira surge como topónimo num documento  de 6 de dezembro de 1890, «plantas com indicação de várias ruas particulares, integradas na viação pública por deliberação camarária»  e estendia-se até à atual freguesia de Campolide, na qual encontramos num roteiro de ruas de 1941 o Alto da Cascalheira, no fim da Rua do Garcia. Refira-se que esta Rua do Garcia teve mais tarde o seu topónimo acrescentado com «à Cascalheira» e na qual, desde 1934 estava sediado o Clube Atlético da Cascalheira, cuja qualidade na prática do futebol terá originado a frase «Não jogas nada! Vai mas é pró Cascalheira!»

 

As Ruas dos rios do Bairro Padre Cruz, em Carnide

A inauguração oficial do Bairro Padre Cruz
(Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

Inúmeros rios portugueses, ou partilhados com Espanha, estão ainda hoje presentes na toponímia da freguesia de Carnide, por via do Bairro Padre Cruz, desde a publicação municipal do Edital municipal de 8 de agosto de 1961.

Foi o Decreto nº 4137, de 25 de maio de 1918 que iniciou em Portugal a prática do Estado ter a incumbência de promover habitação social. A I República designou-os Bairros Sociais e o Estado Novo tornou-os Bairros de Casas Económicas. Ao longo do século XX, estes bairros foram construídos principalmente em zonas periféricas da cidade, na periferia do tecido urbano consolidado. A sua toponímia, maioritariamente numérica, contribuiu para solidificar a sua identidade de bairro social ao definir «fronteiras» interiores e exteriores: as primeiras criavam um sentimento de inclusão entre os seus habitantes mas as segundas, estigmatizavam-os  relativamente aos restantes lisboetas, fomentando uma lógica de exclusão.

Entre 1958 e 1960, a Câmara Municipal de Lisboa adquiriu a Quinta da Pentieira ou do Alto da Pentieira, no extremo norte da freguesia de Carnide, para criar o Bairro Municipal Padre Cruz. Começou por ser um bairro de casas desmontáveis, conhecido como Bairro de Lusalite, para realojar algumas famílias oriundas do bairro da Quinta da Calçada e  atingidas pelas obras da Cidade Universitária, neste local que era considerado um bairro provisório até à construção das casas de alvenaria. Depois,  na primeira metade da década de 60, iniciou-se a construção do Bairro de Alvenaria para realojar os moradores que já moravam nas casas de lusalite e também para alojar funcionários da Câmara Municipal de Lisboa.

Neste caso, em vez de toponímia numérica que até aí era característica dos bairros sociais de Lisboa este Bairro Antigo, de ruas direitas e paralelas, recebeu nos seus 37 arruamentos antes nomes de rios, fixados pelo Edital municipal nº 150/61.

Conforme se pode ler na ata da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa, de 24 de julho de 1961, este órgão consultivo propôs denominar os 37 arruamentos do «Bairro de Casas para Pobres em Carnide» com geotopónimos, concretamente com nomes de rios portugueses, como então se aprendiam a decorar na escola primária frente a um mapa de Portugal.

Seis anos depois, em 1967, foi colocado em frente à Igreja do Bairro Padre Cruz, um busto do Padre Cruz, da autoria do escultor Martins Correia, e procedeu-se à inauguração oficial do Bairro Municipal Padre Cruz, com a presença do então Presidente da Câmara, António Vitorino França Borges.

Freguesia de Carnide
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

A Rua do Alviela a lembrar a Estação Elevatória dos Barbadinhos

Freguesia de São Vicente
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

No dia seguinte à inauguração do Reservatório de Água dos Barbadinhos, abastecido pelo rio Alviela, a Câmara Municipal deliberou atribuir a Rua do Alviela junto à Calçada dos Barbadinhos, o que se concretizou dois dias depois através da publicação do Edital Municipal de 6 de outubro de 1880, assinado pelo presidente José Gregório Rosa Araújo e que refere claramente «(…) que a communicação ultimamente aberta entre a calçada dos Barbadinhos e o edificio da companhia das aguas, onde se acha o deposito das aguas do Alviella, seja denominada RUA DO ALVIELLA«.

Freguesia de São Vicente
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

No séc. XIX, o aumento demográfico na cidade de Lisboa com população que emigrou para a capital em busca de trabalho fez com a água do  Aqueduto das Águas Livres se tornasse insuficiente. Por isso, de  1871 e 1880, foi construído o aqueduto do Alviela, preparado para transportar água captada a 114 km a norte de Lisboa, originária das nascentes dos Olhos de Água do rio Alviela. No extinto Convento dos Barbadinhos Italianos foi instalado o Reservatório final da água transportada, que tomou o nome do mosteiro. Junto do Reservatório dos Barbadinhos foi construída uma estação elevatória a vapor, destinada a bombear água do aqueduto do Alviela para a cidade de Lisboa,  inaugurada no dia 3 de outubro de 1880. No dia seguinte, 4 de outubro, a edilidade lisboeta deliberou atribuir o topónimo Rua do Alviela e no dia 6, publicou o respetivo Edital.

Esta Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos funcionou entre 1880 e 1928. Em 2010, o edifício da estação elevatória a vapor foi classificado como CIP – Conjunto de Interesse Público e nele se preservam as antigas máquinas a vapor e bombas, testemunhos do património industrial. A Estação dos Barbadinhos hoje acolhe a exposição permanente do Museu da Água e o Arquivo Histórico da EPAL.

Para além deste Rua do Alviela na freguesia de São Vicente, existiu também uma Rua do Rio Alviela, na Freguesia de Carnide, atribuída como a toponímia das restantes artérias do antigo Bairro Padre Cruz pelo Edital municipal de 8 de agosto de 1961, na Rua 2 do Bairro Municipal Padre Cruz.  Em vez da tradicional toponímia numérica que se usava para distinguir os Bairros Sociais de Lisboa neste caso usou-se o nome dos rios portugueses. Desde o ano 2000 que este arruamento foi extinto por via das remodelações da zona.

O sítio do Ferragial em três artérias lisboetas

Rua do Ferragial – Freguesias de Santa Maria Maior e da Misericórdia
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O quinhentista sítio do Ferragial, denominação que evoca uma planta de pasto, permaneceu no casco velha da cidade em três topónimos: a Calçada, a Rua e a Travessa, todos com a administração repartida pelas freguesias de Santa Maria Maior e Misericórdia.

Hoje, a Calçada do Ferragial liga o Largo do Corpo Santo à Rua Vítor Cordon, a Rua do Ferragial vai da Calçada do Ferragial até à Rua do Alecrim – ainda em 1908 na planta de Silva Pinto e Correia de Sá é mencionada como Rua do Ferragial de Baixo- , e a Travessa do Ferragial une a Calçada do Ferragial à Rua Vítor Cordon, sendo esta última aquela que não foi fixada naturalmente na memória da cidade mas atribuída por Edital do Governo Civil de Lisboa de 7 de novembro de 1874 ao Beco da Linheira, a partir de uma proposta do vereador Francisco Margiochi aprovada na edilidade lisboeta em 17 de agosto de 1874.

Ferragial provém do latim farrago e serve para designar o campo onde se cultivam cereais que ceifados verdes e antes de espigar servem de pasto para animais.

De acordo com Luís Pastor de Macedo, « Já no “Sumário” encontramos, em 1551, na freguesia dos Mártires as ruas de Cima e do Ferregial. O “Itinerario lisbonense” descrimina bem: Ferregial de Baixo, a primeira à direita, subindo pela rua do Alecrim e termina na Calçada do Ferregial; Ferregial de Cima, a última à direita, entrando na rua de S. Francisco da Cidade, da parte do Chiado e termina ao tesouro velho

Nas suas Peregrinações em Lisboa, o olisipógrafo Norberto de Araújo descreve o sítio da seguinte forma: «Já te disse que a Rua do Ferregial quinhentista corria do lado norte de Vítor Cordon de hoje; para perpectuar o nome nas aproximações topográficas ficaram na reedificação do sítio a Rua do Ferregial de Cima, que assim se chamou até 1890 a Rua Vítor Cordon, a incaracterística Rua do Ferregial de Baixo, que é esta que conduz ao Alecrim, a Calçada do Ferregial, que liga Vítor Cordon, num ângulo recto, à Calçada. (…) Correu por aqui ao fundo, em linha que não tenho possibilidade de situar por palavras e referências, o lanço sul da muralha da Cêrca nova de D. Fernando, que desde o Postigo do Duque de Bragança, sensivelmente na extrema sul da actual Rua António Maria Cardoso (esplanada) obliquava, com seus arcos (ou postigos) das Fontaínhas, do Corpo Santo e dos Cobertos, para tomar o caminho paralelo à rua do Arco dos Cobertos (Rua do Arsenal) e seguir por aí fora, sempre paralela ao mar».

Ainda segundo Luís Pastor de Macedo, a Travessa do Ferragial também terá sido chamada Calçadinha do Arroz.

Rua, Calçada e Travessa do Ferragial – Freguesias de Santa Maria Maior e da Misericórdia
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Brotero do jardim Botânico da Ajuda, várias vezes na toponímia de Lisboa

Freguesia da Ajuda
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Félix de Avelar Brotero, médico que preferiu dedicar-se à botânica e assim dirigiu o Jardim Botânico da Ajuda, começou por ter Rua em Lisboa na freguesia de Alcântara no final do séc. XIX e em 1916, também passou a dar nome a uma artéria da Ajuda e depois, foi também o nome do Jardim do Alto de Santo Amaro em Alcântara.

Por deliberação camarária de 8 de julho de 1892 passou a existir em Alcântara,  na Rua 6 do Bairro Rolão ou de Santo Amaro, a Rua Avelar Brotero. Já no séc. XX, o Edital municipal de 26 de setembro de 1916, alterou o topónimo Rua da Paz para Rua Brotero, considerando a localização desta entre o Largo da Paz e o Jardim Botânico que Brotero dirigira. Nos anos 80 do séc. XX, perante a manifesta escassez de novos arruamentos na cidade, a edilidade alterou pelo Edital de 7 de setembro de 1987 a Rua Avelar Brotero para Rua Pedro Calmon, passando a existir apenas uma rua dedica a Brotero em Lisboa, a da Ajuda, à qual em 1992 foi aditada a legenda «Félix de Avelar Brotero / Médico e Botânico/1744 – 1828», a partir da sugestão de um munícipe para se identificar  convenientemente o antropónimo.

Ainda em Alcântara, no início do séc. XX, o Jardim do Alto de Santo Amaro, sito na Rua Filinto Elísio- que antes de 8 de julho de 1892 era a Rua 2 do Bairro Rolão ou de Santo Amaro-, foi denominado Jardim Avelar Brotero mas tal resolução nunca tornou oficial o topónimo do Jardim. A CML aumentou o número de bancos deste espaço verde nos anos 50, a pedido dos moradores da zona e a última remodelação do Jardim aconteceu no ano passado.

Freguesia da Ajuda – Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Nascido Félix da Silva de Avelar (Loures – Santo Antão do Tojal/25.11.1744 – 04.08.1828/Lisboa), pela forte amizade que o ligava a Filinto Elísio (Francisco Manuel do Nascimento) e pelo ardor com que se dedicava à ciência tornou-se suspeito para o Santo Ofício e para fugir à polícia de Pina Manique, emigrou para Paris em 1778, com Filinto Elísio. Durante os 12 anos de permanência em Paris, fez os principais estudos de história natural e doutorou-se na Escola de Medicina de Reims, assim como adotou o apelido de Brotero, que significa amante dos mortais (pela junção do grego brothos com eros). Publicou o Compêndio Botânico em 1788, em Paris.

Regressou a Lisboa no ano de 1790, tendo sido logo nomeado lente de Botânica e Agricultura na Universidade de Coimbra, em 1791 e que manteve até 1807, acumulando com a direção do Jardim Botânico da Universidade e publicou Flora Lusitanica (1804). As invasões francesas alcançaram Coimbra em 1807 e Brotero veio refugiar-se em Lisboa e só lá voltou para ser jubiliado, o que sucedeu por Carta Régia de 27 de abril e Decreto de 16 de agosto de 1811. Passou então a dirigir o Real Museu e Jardim Botânico da Ajuda, reabilitando o Jardim Botânico e elaborando o seu catálogo. Da sua investigação, resultaram também as suas obras Phytographia Lusitaniae selectior – em 2 tomos- 1816 e 1827 – e a História Natural dos Pinheiros, Larices, e Abetos (1827).

Em 1821, Félix Avelar Brotero foi eleito deputado às Cortes Constituintes pela Estremadura, tendo participado  na discussão da lei dos cereais, onde exortou os agricultores a cultivarem centeio e trigo, para que fosse possível produzir pão para toda a população e a um preço acessível à bolsa de todos mas 4 meses depois pediu dispensa, pela idade avançada (77 anos) e foi-lhe concedida. Faleceu aos 83 anos de idade na sua casa, na Calçada do Galvão, em Alcolena, em Belém.

Brotero foi homenageado com a atribuição do seu nome a várias plantas, como é o caso da Brotera ovata e da Brotera trinervata e está também na toponímia de Coimbra, do seu concelho natal – em Loures, Santo António dos Cavaleiros e Santo Antão do Tojal-, da Amadora, do Barreiro, Carnaxide, Custóias, Mafra, Matosinhos, Montijo, Odivelas (em Ramada e em Caneças), do Porto, Santa Maria da Feira, Seixal e Setúbal.

Freguesia da Ajuda
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua Maia Ataíde, engenheiro de formação e olisipógrafo por paixão

Freguesia de Benfica
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O Eng.º Manuel Ataíde foi um olisipógrafo da história de arte que está fixado numa artéria de Benfica, junto à Rua Perez Fernandez, desde a publicação do Edital municipal de 30 de janeiro de 2009, com a legenda «Olisipógrafo/ 1910 – 2003».

O seu nome foi sugerido pelo Grupo Amigos de Lisboa, em conjunto com o do Engº Brazão Farinha, tendo a Rua Maia Ataíde ficado na Rua G à Rua Perez Fernandez e a Rua Brazão Farinha, também nas proximidades, sido fixada na Rua E à Rua Vasco Botelho do Amaral/Travessa Sargento Abílio.

Manuel José Maia Athayde (10.04.1910 – 12.10.2003) depois de formado engenheiro pelo Instituto Superior Técnico, foi matriculado na escola especial dos CTT pelo seu pai – José Francisco de Paula Ataíde – que fora inspector dos Correios e esse foi o seu local de trabalho até 1980, tendo mesmo sido Diretor Geral de Telecomunicações e o responsável pela implementação no nosso país do telex (rede telegráfica automática).

Por paixão, tornou-se olisipógrafo e historiador de arte. Nos finais da década de 50  tornou-se aluno de Mário Chicó na Faculdade de Letras de Lisboa, com quem mais tarde colaborou  como investigador do património de Lisboa. Maia Ataíde  coordenou a edição regular dos diversos tomos de Monumentos e Edifícios Notáveis no Distrito de Lisboa (1962) com António Manuel Gonçalves; com M. Micaela Soares assinou Monumentos de Lisboa e com Esther de Lemos Arredores de Lisboa, ambos editados pela Câmara Municipal de Lisboa em 1963;  e ainda nos deixou entre outras obras, Ronda dos Velhos Monumentos (1963), A Igreja e a Casa do Capítulo do Convento de S. Domingos em Lisboa (1970), A igreja de Nossa Senhora do Loreto (1986) com José Meco e  A Igreja de Nossa Senhora da Pena (1988).

Sócio do Grupo Amigos de Lisboa desde 17 de maio de 1969, com inúmeros artigos no seu boletim Olisipo, chegou a ser vice-presidente (1982 a 1988) e Presidente da sua Junta Directiva (1991 a 1994), período em que representou o GAL na Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa. Durante a sua presidência realizou-se no Palácio Fronteira o Simpósio Lisboa em Discussão, cujas comunicações originaram a II série do Olisipo.

Foi ainda membro da Academia Nacional de Belas-Artes, sócio da Associação Portuguesa de Historiadores de Arte e da Associação Portuguesa de Museus, cujo Conselho Consultivo integrou.

Freguesia de Benfica                                            (Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

Damião Peres, autor da História de Barcelos, numa Rua de Telheiras

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A memória de Damião Peres, o historiador que se notabilizou pela sua História de Portugal em 9 volumes, conhecida como História de Barcelos,  está desde 1978 numa Rua de Telheiras, através do Edital municipal que iniciou nesta zona da cidade o Bairro dos Professores, através da toponímia.

Por via da publicação do Edital de municipal de 27 de fevereiro de 1978, a Rua Prof. Damião Peres, com a legenda «Historiador /1889 – 1976», ficou na Rua 3 N da Zona de Telheiras. O mesmo Edital colocou mais os seguintes topónimos nas ruas do Bairro:  na Rua 1 o Prof. Pulido Valente, na Rua 1 N o  Prof. Bento de Jesus Caraça, na Rua 2 o Prof. João Barreira, na Rua 2 N o Prof. Queiroz Veloso, na Rua 3 o Prof. Henrique Vilhena, na Rua 4 o Prof. Mário Chicó, na Rua 6 o Prof. Vieira de Almeida, na Rua 9 o Prof. Fernando da Fonseca, na Rua 11 o  Prof. Hernâni Cidade, na Rua 11 A a Profª. Virgínia Rau, na Rua 11 B o Prof. Delfim Santos, no Impasse 11 C o   Prof. Luís Reis Santos e fazendo um único arruamento com a junção da Rua 15 com os Impasses 15 B, 15 C e 15 D ficou o Prof. Mark Athias.

Damião António Peres (Lisboa/08.07.1889 – 26.10.1976/Porto) foi professor liceal, tendo até sido reitor do Liceu do Funchal e do lisboeta Liceu Gil Vicente, para depois ser docente universitário de 1919 a 1959, primeiro na Universidade do Porto (1919 a 1928), cuja Faculdade de Letras e Arquivo Histórico da Cidade dirigiu, passando depois para a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (1931 a 1959).

Enquanto historiador notabilizou-se pela sua História de Portugal em 9 volumes, que produziu com Euleutério Cerdeira, conhecida com a História de Barcelos por ter sido publicada pela Portucalense Editora – sediada em Barcelos-, entre 1928 e 1954, com o subtítulo «Edição monumental comemorativa do 8.º centenário da fundação da nacionalidade, profusamente ilustrada e colaborada pelos mais eminentes historiadores e artistas portugueses», tendo sido propositadamente no dia exato dos 800 anos da Batalha de São Mamede, que  de facto marcou a independência de Portugal. Um 10º volume foi editado em 1981, da autoria de Franco Nogueira, sobre o período de 1933 a 1973, pela Livraria Civilização, do Porto, que adquiria os direitos da obra. Damião Peres publicou ainda, entre outros, Catálogo das Moedas Portuguesas (1929-1934) em 2 volumes, Como nasceu Portugal (1938), A História dos Descobrimentos (1943),  Portugal na História da Civilização (1946), O descobrimento do Brasil por Pedro Álvares Cabral : antecedentes e intencionalidade (1949), História dos Moedeiros de Lisboa como Classe Privilegiada (1964-1965) em 2 volumes ou História dos mais belos Castelos de Portugal (1969).

Damião Peres ainda fundou a Revista de Estudos Históricos, organizou as coleções de numismática do Museu Municipal do Porto e da Casa da Moeda de Lisboa, foi membro da Academia das Ciências de Lisboa e fundador da Academia Portuguesa da História.

Foi Doutor Honoris Causa pelas universidades de Montpellier e Bordéus, assim como agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique (1961) e da Ordem Militar de Santiago da Espada (1968) e integra a toponímia do concelho de Almada ( por 4 vezes), de Fernão Ferro, do Montijo, de Paços de Ferreira, da cidade do Porto e de São Domingos de Rana.

Freguesia do Lumiar
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

A Rua Mário Gomes Páscoa, olisipógrafo dos transportes lisboetas

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O Engº Mário Gomes Páscoa, que desempenhou cargos directivos no Grupo de Amigos de Lisboa e como olisipógrafo se empenhou na investigação dos sistemas de transporte, integra a toponímia lisboeta desde o final do ano de 2001, na freguesia de São Domingos de Benfica.

Foi pelo Edital municipal de 26 de dezembro de 2001 que a Rua A à Rua Abranches Ferrão passou a ter como topónimo Rua Mário Gomes Páscoa, arruamento que ficou a ligar a Rua Abranches Ferrão à Rua São Tomás de Aquino.

Mário José da Costa Gomes Páscoa (01.03.1928 – 12.07.1993), foi um engenheiro de formação, pelo Instituto Superior Técnico, desde 1952, que enquanto olisipógrafo investigou sobretudo a relação dos sistemas de transporte com a cidade, tendo sido consultor do Metropolitano de Lisboa para pesquisa e publicação de trabalhos sobre Lisboa e à relação dos sistemas de transportes com a cidade, colaborador na Academia de Cultura e Cooperação e da União das Misericórdias Portuguesas, para além de ter exercido as funções de Vice-Presidente da Assembleia Geral do Grupo de Amigos de Lisboa.

Postumamente, patrocinadas pelo Metropolitano de Lisboa, foram lançadas as suas obras Os Transportes Públicos de Lisboa no séc. XIX (1993), assim como os artigos «Breve Notícia sobre o Hospital de Todos os Santos e da Misericórdia» no Caderno 1 de Sítios de Lisboa (1993) e «o Sítio da Baixa/Chiado» no Caderno 2 de Sítios de Lisboa (1994) e  também a edição O Noviciado da Cotovia e Colégio dos Nobres (1994).

Começou a sua carreira profissional de engenheiro em 1954 no Ministério das Obras Públicas, tendo logo no ano imediato sido admitido a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais e prosseguiu-a no Metropolitano de Lisboa (1956-1958), na Fundação Calouste Gulbenkian e na CUF (1960-1963) e na  Profabril (1964-1971).

Desempenhou ainda funções de Vogal do Conselho de Gerência da Empresa Rodoviária Nacional (1978) e de membro da Comissão Municipal de Estética Urbana desde janeiro de 1993 até ao seu falecimento.

Mário Gomes Páscoa foi condecorado postumamente, em 1994, com a Ordem de Mérito no grau de Grande Oficial.

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

César Oliveira, da História do Movimento Operário, eternizado numa rua do Lumiar

Freguesia do Lumiar
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

César Oliveira, cuja investigação histórica se centrou sobretudo na História do Movimento Operário, do Estado Novo e também da Administração Local,  foi colocado na toponímia de Telheiras no ano seguinte ao seu falecimento, no Impasse no prolongamento da Rua Prof. Damião Peres, através do Edital municipal de 11 de março de 1999.

A Rua Professor César Oliveira homenageia o historiador António César Gouveia de Oliveira ( Oliveira do Hospital/26.03.1941 – 15.06.1998) que redigiu a sua própria biografia com a memória do país em Os Anos Decisivos. Portugal: 1962-1985. Um Testemunho (1993) e centrou  a sua investigação na História Contemporânea, com particular incidência no Movimento Operário e no Sindicalismo, pelo era frequentemente chamado o «Historiador da Classe Operária».  São obra sua O Congresso Sindicalista de 1911 (1971),  A Criação da União Operária Nacional e o Operariado e a República Democrática 1910/1914 (ambos em 1972), Socialismo em Portugal 1850/1900 (1973) – a sua tese –  e O 1º Congresso do Partido Comunista Português (1974).

Como professor, começou no ISEF – Instituto Superior de Económicas e Financeiras em 1972, a convite do historiador Joel Serrão, para  a disciplina de  História Económica e Social.  Mas a sua carreira académica está muito ligada ao ISCTE, onde foi docente em 1976 e nos anos 80, para as Licenciaturas de Sociologia e de Organização e Gestão de Empresas, bem como a partir de maio de 1986 como responsável pela cadeira de História Contemporânea de Portugal da Licenciatura de Sociologia e coordenador da área de História do Instituto, tendo também lecionado as cadeiras de História da Política Externa Portuguesa no Mestrado de História Contemporânea e História Contemporânea de Portugal na Licenciatura em Economia. Na Universidade Nova foi também  docente de História da Oposição ao Estado Novo no Mestrado de História, assim como na Faculdade de Economia de Coimbra deu História do Movimento Sindical e História Europeia Comparada e ainda, no ISG- Instituto Superior de Gestão, coordenou o curso de Pós-Graduação em Gestão Autárquica e foi professor de História e Instituições do Poder Local e Animação Cívica e Cultural.

Dirigiu a obra História dos Municípios e do Poder Local : dos finais da Idade Média à União Europeia (1996), na qual escreveu os capítulos referentes aos anos de 1820 a 1993 e são ainda obra sua A Revolução Russa na Imprensa Operária da Época (1975), As Origens do 28 de Maio. António Ferro e a Propaganda do Fascismo (1980), O Movimento Operário Português. A primeira Cisão (1982), Antologia da Imprensa Operária Portuguesa (1984), Salazar e a Guerra Civil de Espanha (1987), A Ascensão de Salazar (1988), Salazar e o seu Tempo (1991), Cem Anos de Relações Portugal e Espanha.Política e Economia (1995) e Portugal: Dos quatro cantos do mundo à Europa. Um ensaio sobre a descolonização (1996). 

Entrou na Faculdade de Direito de Coimbra em 1959 e nesse ano da campanha de Humberto Delgado nasceu para a política. Participou nas lutas da crise académica de 1962 e expulso por 6 meses, seguiu para fazer Filosofia na Universidade do Porto, onde conheceu a sua mulher Beatriz Martins e se licenciou com uma interrupção para cumprir o serviço militar em Angola durante quase 40 meses, onde conheceu Melo Antunes. Em 1969, colaborou na campanha eleitoral da CDE e em 1986 foi Doutor pelo ISCSP- Instituto Superior de Ciências Políticas de Lisboa com a dissertação Portugal e a II República de Espanha.

Foi militante do PCP nos anos 60 e do MES após o 25 de Abril de 1974 . Em 1977, fundou a Fraternidade Operária e ainda nesse ano, com Lopes Cardoso, fundou a UEDS- União de Esquerda para a Democracia Socialista que em 1980 se aliou eleitoralmente com o PS e a ASDI para a FRS-Frente Republicana e Socialista, sendo a partir de 1986, militante do PS.  Foi  adjunto do Ministro Correia Jesuíno no IV Governo Provisório, deputado na Assembleia da República (1980) e Presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital durante um mandato (1990-1994), para além de membro eleito da Assembleia Municipal de Lisboa e da Assembleia da Área Metropolitana de Lisboa (1994).

César de Oliveira participou ainda na Cooperativa Cultural Confronto; foi um dos fundadores da Editorial Afrontamento com António Melo, João Barrote, Júlio Pereira, Leal Loureiro, Mário Brochado Coelho, Pedro Francisco, padre Soares Martins e Sousa Ribeiro, a editora que publicou a coleção «História do Movimento Operário»; dirigiu a Agência Noticiosa Italiana – Inter Press – em Lisboa (agosto de 1975 a dezembro de 1977); integrou o GIS- Gabinete de Investigações Sociais, a revista Análise Social e a equipa para as comemorações do centenário do Diário de Lisboa.

Foi agraciado postumamente com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade (1999) e da Ordem do Infante D. Henrique (2005), com o acrescento do seu nome à Casa da Cultura de Oliveira do Hospital bem como à toponímia de Ervedal e da cidade de Oliveira do Hospital, assim como para além de Lisboa surge em Ruas de Amora (Seixal), de Vale Flores (Almada) e numa Avenida da vila da Fuzeta (Olhão).

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)