Calderon Dinis da revista «Cine», num Largo do Parque das Nações

Freguesia do Parque das Nações
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Calderon Dinis, alfacinha nascido e criado em Lisboa, homem de múltiplos talentos, entre os quais o de ter sido editor da Revista Cine, está homenageado na toponímia da Freguesia do Parque das Nações, com a legenda «Jornalista/1902 – 1994».

O Largo Calderon Dinis nasceu no  impasse B do Casal dos Machados, junto à Rua Padre Abel Varzim, pela deliberação camarária de 21 de julho de 1999 e consequente Edital de dia 30 desse mês, quando este arruamento ainda era pertença da Freguesia de Santa Maria dos Olivais, escolhido mesmo por o homenageado ter vivido e falecido nessa freguesia.

Alberto Maria Calderón Dinis (Lisboa/22.12.1902 – 26.03.1994/Lisboa) foi sobretudo um homem dos jornais que também por aí começou a sua ligação ao cinema. No período de 1928 a 1930, ainda no tempo do cinema mudo, foi  editor da revista mensal Cine, com sede no nº 10 do Largo Trindade Coelho. Mais tarde, por volta de 1946, escreveu várias novelas de cinema sobre os filmes então em exibição e, em 1949, elaborou os diálogos do filme Sol e Touros (1949), dos Produtores Associados, com realização de José Buchs.

Calderon Dinis nasceu lisboeta em Santos embora ainda criança tenha ido morar para o Bairro Alto, onde frequentou a escola municipal. Prosseguiu para o Liceu Passos Manuel, altura em que também publicou textos e desenhos no jornal Careca, e quando concluiu o curso liceal, aos 17 anos, começou a trabalhar –  no dia 20 de julho de 1920 –  no Diário de Notícias, à época ainda sediado no Bairro Alto. Foi funcionário deste periódico durante 54 anos, tendo sido primeiro admitido na contabilidade, para escrever letra francesa com aparos de bicos cortados. Depois, o administrador, o Prof. Beirão da Veiga, colocou-o ao pé de si para o ajudar a organizar eventos diversos. Em 1926, começou a fazer banda desenhada para o suplemento Notícias Miudinho, tendo criado as personagens Zé do Coco, Tonecas, Trovão das Pistolas. Na edição de domingo do Diário de Notícias  publicava contos e crónicas de tom satírico, que também ilustrava. Entre 1953 e 1963, lançou, dirigiu e coordenou o Almanaque Diário de Notícias. Também a partir de 1953 dirigiu a Editorial Notícias, até à sua reforma em 1974, com um catálogo de autores nacionais e estrangeiros, obras de consagrados como Ferreira de Castro, Gaspar Simões, Rocha Martins e edições infantis e juvenis.

Trabalhou ainda para outros periódicos como o Diário Popular, o República, o Jornal de Notícias, o Arquivo Nacional e A Noite (em 1939) de Augusto de Castro.

Sob o pseudónimo de Mac Dennis foi também escritor de romances policias, como A herança do banqueiro, o nº 9 da coleção policial da Empresa Nacional de Publicidade. Também usou o pseudónimo Fiscal de Serviço e escreveu o livro intitulado O Quarto 233 (1975), uma escolha dos seus melhores contos antes publicados em jornais. Também escreveu 3 peças para o Teatro Nacional que desapareceram no incêndio de 1964 e redigiu monografias turísticas, também por si ilustradas, como Ribatejo (1964), Braga e seu Distrito (1965), ou Portalegre, Marvão e Castelo de Vide (1970). Também foi tradutor, como por exemplo de Sete anos de aventuras no Tibete de Heinrich Harrer.

Como desenhador e aguarelista, realizou exposições em Lisboa (1925) e no Salão dos Humoristas do Porto (1926). Em 1983, na Galeria do Diário de Notícias, expôs profissões antigas e tipos característicos de Lisboa e três anos depois, publicou na Dom Quixote Tipos e Factos da Lisboa do Meu Tempo, com a memória de acontecimentos e curiosidades da vida de Lisboa, que foi  Prémio Júlio de Castilho da CML. Em 1988, expôs no Palácio dos Coruchéus todos os desenhos e aguarelas desse livro, espólio que a edilidade lisboeta adquiriu para o Museu da Cidade.  Em 1993, a Editorial Notícias lançou uma 2ª edição da obra, com mais textos e desenhos, bem como uma nota introdutória da Drª Salete Salvado. A última exposição de Calderon Dinis em Lisboa, foi realizada postumamente, em 1995, na Casa da Imprensa, por iniciativa de um grupo de amigos.

Freguesia do Parque das Nações
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua do Arquitecto-chefe da Exposição do Mundo Português e d’ A Canção de Lisboa, Cottinelli Telmo

Freguesia dos Olivais
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

O Arquiteto-Chefe da Exposição do Mundo Português de 1940 e também realizador do filme A Canção de Lisboa tem o seu nome perpetuado desde o ano de 1971 numa Praça dos Olivais.

Os impasses A1 e A1 – 1 do Plano de Urbanização da Quinta do Morgado passaram a constituir um único arruamento com a denominação de Praça Cottinelli Telmo, pelo Edital municipal de 14 de agosto de 1971, a cerca de um mês de se completarem 23 anos do falecimento deste arquiteto-cineasta. Refira-se ainda que 5 meses antes, o Edital municipal de 15 de março de 1971 colocara em praças próximas os nomes dos também  arquitetos Carlos Ramos e Faria da Costa.

Cottinelli Telmo ficou conhecido por ser o realizador de A Canção de Lisboa, rodada em 1933 nos estúdios da Tóbis Portuguesa, na Quinta das Conchas, no Lumiar, contando com um elenco composto por Beatriz Costa, António Silva,  Manoel de Oliveira (o cineasta), Teresa Gomes ou Vasco Santana.  Este filme estreou no Teatro São Luiz, no dia 7 de novembro de 1933  e tornou-se um modelo para o humor do cinema português das décadas de 30 e 40 do século XX. Diga-se que ainda no decorrer do seu curso de arquitetura, já Cottinelli Telmo havia colaborado  com a Lusitânia-Film, em 1918, na produção dos filmes Malmequer e Mal de Espanha, ambos de Leitão de Barros, e mais tarde, em 1932, em parceria com A.P. Richard, construiu o estúdio da Tóbis Portuguesa.

Animatógrafo, 8 de maio de 1933

O homenageado nesta Praça dos Olivais, de seu nome completo José Ângelo Cottinelli Telmo (Lisboa/13.11.1897 – 18.09.1948/Cascais), formado em Arquitetura pela Escola de Belas Artes de Lisboa no ano de 1920, assinou entre outras obras, o Pavilhão de Honra da Exposição do Rio de Janeiro (com Carlos Ramos e Luís da Cunha em 1922) e o Pavilhão Português da Exposição de Sevilha (1929), a Estação Fluvial do Sul e Sueste (1929-1931), a Standard Eléctrica (1945-1948), o Liceu D. João de Castro (1939), o projeto de construção do Jazigo Roque Gameiro no Cemitério dos Prazeres (1936) e, em 1940, foi o Arquiteto-chefe da Exposição do Mundo Português, tendo delineado o plano da Praça do Império, a sua Fonte Monumental, o Monumento dos Descobrimentos e a Porta da Fundação.

Cottinelli Telmo trabalhara para os Caminhos-de-Ferro (entre 1923 e 1943) e por isso, fora da cidade de Lisboa, foi o responsável pelos edifício de passageiros de Tomar (1932-34) e do Carregado (1933), da Colónia de Férias da CP na Praia das Maçãs (1943) e do Sanatório Ferroviário das Penhas da Saúde (1945). Por solicitação do  ministro Duarte Pacheco, integrou a Comissão das Construções Prisionais e foi assim autor das Cadeias de Alijó, Castelo Branco e Alcoentre (1937-1944), para além de outras obras como o Liceu de Lamego (1931), a Cidade Universitária de Coimbra (1943-1948) e o Plano de urbanização de Fátima. Ainda nesta área  refira-se que dirigiu a revista Arquitectos, no período de 1938 a 1942, e mais tarde, presidiu  ao Sindicato dos Arquitetos (1945-1948), onde foi responsável pela organização do I Congresso da classe, no ano de 1947.

Embora menos conhecido por essas facetas, Cottinelli Telmo foi também bailarino, autor de banda desenhada  – foi o criador do Pirilau, um dos primeiros heróis infantis portugueses, publicado no ABC – , fotógrafo (em campanhas pelo país com Mário Novais) e ainda, ilustrador em jornais e revistas nacionais.

A título póstumo, Cottineli Telmo foi agraciado em 1961 com a Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa e o seu nome integra também a toponímia dos concelhos do Amadora, Cascais (Parede), Seixal (Fernão Ferro) e Sintra (Mem Martins).

Freguesia dos Olivais
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua do pintor de Lisboa, Carlos Botelho

Freguesia do Beato
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Carlos Botelho fez de Lisboa a protagonista central das suas telas  e no próprio ano em que faleceu a edilidade lisboeta colocou-o como topónimo de uma Rua da freguesia do Beato, que era identificada como arruamento D do Plano de Reconversão Urbana da Curraleira-Embrechados, através do Edital municipal de 16 de novembro de 1982. A artéria foi aumentada em 2008,  com a incorporação da Rua 8 à Rua Carlos Botelho, através do Edital municipal de 3 de julho.

Carlos Botelho em 1968
(Foto: Arquivo Municipal de Lisboa, Casa Fotográfica Garcia Nunes)

Carlos António Teixeira Basto Nunes Botelho (Lisboa/18.09.1894 – 18.08.1982/Lisboa) foi um artista multifacetado que trabalhou em cerâmica, banda desenhada, pintura, ilustração, caricatura. Filho único de pais músicos, Carlos Botelho aprendeu a tocar violino. Estudou no Liceu Pedro Nunes onde em 1918 fez a sua primeira exposição individual e no ano seguinte inscreveu-se na Escola de Belas Artes de Lisboa, que abandonou cerca de um ano depois, avançando como autodidata tal como Bernardo Marques ou Mário Eloy, outros nomes da sua geração.

Em 1924 empregou-se numa fábrica de cerâmica mas alguns êxitos em concursos de cartazes, levou-o em 1926 a dedicar-se exclusivamente à banda desenhada, à caricatura e à ilustração. Entre 1926 e 1929 produziu com regularidade pranchas de banda desenhada para o semanário infantil ABC-zinho. Também a partir de 1928 e durante 22 anos fez a página humorística Ecos da Semana, no semanário Sempre Fixe.

Em 1929 Botelho partiu para Paris, para frequentar as Academias Livres Grande Chaumière e Colarossi e a partir daí optou pela pintura, sendo desse ano o seu primeiro quadro de Lisboa: Uma vista do Zimbório da Basílica da Estrela. Nos anos 30, passou a integrar a equipa de decoradores do Secretariado de Propaganda Nacional, com Bernardo Marques, José Rocha, Tom e Fred Kradolfer, trabalhando na participação portuguesa em grandes mostras internacionais, como Paris, Lyon, Nova Iorque e São Francisco.  O ano de 1930 foi também aquele em que instalou o seu atelier na Costa do Castelo, na casa a que a sua mulher – Beatriz Santos Botelho com quem casara em 1922 e de quem teve dois filhos – tinha direito pela função de professora do ensino primário, e onde viveu até 1949. Em 1933 foi assistente de realização de Cottinelli Telmo no filme A Canção de Lisboa e cinco anos depois, em 1938 foi galardoado com o Prémio Sousa-Cardoso na Exposição de Arte Moderna do SNI pelo retrato de Músico Carlos Botelho (ou Meu Pai) e no seguinte  o 1º Prémio na Exposição Internacional de Arte Contemporânea de S. Francisco, o que lhe permitiu construir a casa-atelier no Buzano (Parede) onde se instalará em 1949.

Em 1940 também esteve na equipa de decoradores da Exposição do Mundo Português e recebeu o Prémio Columbano, para além de  conceber cenários e figurinos para a Companhia de bailados portugueses Verde Gaio, sendo a partir desta década que a paisagem urbana passou a ter um lugar central na sua obra, com Lisboa como tema primordial, que na década de 50 comportará experiências abstratizantes e será quase o seu único tema nas décadas seguintes.

Em 1955 voltou a residir em Lisboa, no então novo bairro do Areeiro e recebeu uma Menção de Honra por ocasião da III Bienal de S. Paulo, repetindo o prémio de 1951, a que somou em 1961, o 1º Prémio de Pintura na II Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian.

A obra de Carlos Botelho está representado em inúmeras colecções públicas e privadas, como no Museu do Chiado – Museu Nacional de Arte Contemporânea, no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian ou no Museu de Arte Moderna de São Paulo e a Câmara Municipal de Lisboa instituiu um prémio com o seu nome para a melhor pintura sobre a cidade de Lisboa.

Carlos Botelho é ainda topónimo de uma Avenida na Brandoa, de um Largo em Linda-a-Velha, de Pracetas em Cascais, Corroios e São João da Talha, bem como de Ruas na Charneca da Caparica,  em Famões, na Parede, em Rio de Mouro e em São Domingos de Rana.

Freguesia do Beato
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua Alberto de Sousa junto do seu mestre Roque Gameiro

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Por sugestão da Direção do Ensino Superior e das Belas Artes do então Ministério da Educação Nacional, em carta datada de 29 de outubro de 1962, foram consagrados no Bairro de Santos à Rua da Beneficência os nomes dos pintores Alberto de Sousa (Rua B) , Alfredo Roque Gameiro (Rua O) e Falcão Trigoso (Rua K).

Ilustração Portuguesa, 12 de abril de 1924

Alberto de Sousa (Lisboa/06.12.1880 – 01.12.1961/Lisboa), conhecido discípulo de Roque Gameiro, notabilizou-se como desenhador, aguarelista e ilustrador.

Estudou nas Escolas Industriais do Príncipe Real, de Rodrigues Sampaio e de Machado de Castro, bem como no Grémio Artístico, na Sociedade Nacional de Belas Artes e na Escola de Belas Artes de Lisboa. Começou a a trabalhar aos 16 anos, em 1897, no atelier de desenho industrial da Companhia Nacional Editora que mestre Roque Gameiro dirigia. Aí  também se tornou discípulo do mestre na aguarela, na interpretação da paisagem, na representação de monumentos e de figuras portuguesas e ainda com Roque Gameiro, trabalhou na Litografia de Portugal para impressão de desenhos e aguarelas, conhecendo assim a técnica de gravura mais difundida na segunda metade do séc. XIX.

Já no grafismo, ilustração e design dos jornais Alberto de Sousa foi um continuador da escola de Rafael Bordalo Pinheiro, tendo colaborado nas três publicações fundamentais de humor de crítica à Monarquia e de lançamento do programa da República: António Maria, Pontos nos ii  e A Paródia.

Como aguarelista expôs pela primeira vez em 1901,  na inauguração da Sociedade Nacional de Belas Artes, onde recebeu uma medalha de Honra, assim como no Grémio Artístico e dez anos depois, participou numa mostra em Madrid. A sua primeira exposição individual, aconteceu em 1913, na galeria do vespertino A Capital, na sua sede da Rua do Norte, jornal no qual também trabalhou e na década de vinte passou a expor regularmente. Também foi agraciado com o Prémio Roque Gameiro do SNI e o Grand-Prix de Paris. Este artista que residiu na Rua de São Bento tem a sua obra representada no Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado.

Alberto Sousa também colaborou com desenhos para os periódicos Ilustração Portuguesa de Carlos Malheiros Dias (a partir de 1903), O Mundo de França Borges, Vanguarda de Magalhães Lima, Serões de Manuel José da Silva, AtlântidaNovidades, República, bem como para a francesa L’Illustration, com a reconstituição do atentado de 1908 que vitimou o rei D. Carlos e o príncipe Luís Filipe que foi também reproduzido nas páginas do The Illustrated London News. Também se dedicou à ilustração de livros como em muitos tomos da Enciclopédia da Imagem, obras de Júlio Dantas e Eça de Queirós, assim como escreveu e editou o Traje Popular em Portugal nos séculos XVIII e XIX (1924), Traje Popular em Portugal nos séculos XVI e XVII (1926), entre outros.

Acresce que a partir de 1914  também foi conservador artístico na Inspeção das Bibliotecas e Arquivos Nacionais.

Em 1951, a edilidade lisboeta promoveu no Palácio Galveias uma Exposição de Alberto de Sousa e o seu nome integra também a toponímia de Ericeira, Évora, Mem Martins, Viana do Castelo.

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

A Rua da ilustradora e pintora Raquel Roque Gameiro

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

A ilustradora Raquel Roque Gameiro foi homenageada no 2º Impasse à Rua Padre Francisco Álvares, uma artéria paralela ao 1º Impasse à Rua Padre Francisco Álvares, onde ficou o seu cunhado Leitão de Barros, na freguesia de São Domingos de Benfica, ambos pela publicação do Edital municipal de 4 de novembro de 1970, por sugestão do próprio Presidente da edilidade de então, Engº Santos e Castro.

Ilustração Portuguesa, 27 de novembro de 1911

Raquel Roque Gameiro Ottolini (Lisboa/15.08.1889 – 01.10.1970/Lisboa) foi uma pintora e ilustradora, filha primogénita e discípula do mestre aguarelista Alfredo Roque Gameiro, com Maria da Assunção de Carvalho Forte. Viveu a infância e juventude na Amadora, na Venteira, na hoje Casa Roque Gameiro, como o seu irmão Manuel e as suas irmãs Helena e Maria Emília (conhecida por Màmia) e foi a autora de um cartaz sedutor, para a firma de vinho do Porto Ramos Pinto, em que Pã espreme uvas para uma ninfa.

Estreou-se na ilustração em 1903, na literatura infantil dos Contos para Crianças de Ana de Castro Osório, bem como nas aguarelas para as exposições da Sociedade Nacional de Belas Artes a partir de 1909 e até 1937. Em ambos os casos, Raquel usava cores vivas, figuras de pescadores e camponeses, tipos e costumes de saloios dos arredores de Lisboa ou interiores rústicos e pobres mas airosos com chitas de ramagens. Em 1917, desenhou O Livro do Bébé, com versos de Delfim Guimarães, onde os pais podiam registar os momentos mais marcantes da vida do filho, desde o nascimento até a primeira comunhão. Na década de vinte, ilustrou obras de Adolfo Portela, Agostinho de Campos, António Sérgio, Augusto de Santa-Rita, Emília de Sousa Costa, Rodrigues Lapa, Sara Beirão e Tomás Borba, bem como na década seguida, entre outros, ilustrou o Livro de Leitura para a 1.ª Classe (1932) e, com Martins Barata e Emérico Nunes,  A lição de Salazar (1938).

Participou em várias mostras no país e no estrangeiro, como a Exposição de Artistas Portugueses no Rio de Janeiro e o Salão Internacional de Aguarela Hispano-Português de Madrid (1945). Teve destaque na “Exposição da Obra Feminina, antiga e moderna de caráter literário, artístico e científico”, organizada pelo jornal O Século e por Maria Lamas, em 1930. Foi distinguida com uma 1ª Medalha de Honra da SNBA (1929) e o prémio Ex-Libris da Imprensa Nacional. Está representada no Museu do Chiado-Museu Nacional de Arte Contemporânea, no Museu José Malhoa nas Caldas da Rainha e no Museu de Arte Contemporânea de Madrid.

Refira-se que além da ilustração de livros e manuais escolares, Raquel Roque Gameiro também colaborou, sobretudo na década de trinta,  com diversas publicações periódicas como o ABCzinhoComércio do Porto, Diário de Notícias, O Domingo IlustradoEvaIlustração PortuguesaJoaninhaJornal dos Pequeninos,  LusitasModas e BordadosO MosquitoMickeyPortugal Feminino, O Século, Serões, Sphinx e Tic-Tac.

Raquel Roque Gameiro foi também professora particular de Desenho, Aguarela e Pastel. Manteve grupos de alunos, primeiro no atelier da família na Rua Dom Pedro V e depois, na sua casa de Benfica. Com o pai, Raquel caricaturou várias personalidades da Amadora, do que resultou uma coleção de desenhos com forte sentido humorístico.

Na sua vida pessoal, casou com o 4º Conde de Ottolini, Jorge Gomes Ottolini e foi mãe da ilustradora Guida Ottolini e de mais duas filhas e um filho, vivendo primeiro na casa da família da Amadora e mudando-se depois para Benfica, em Lisboa.

O seu nome está também atribuído à Escola do 1.º Ciclo do Ensino Básico/Jardim de Infância Raquel Gameiro, na Freguesia da Venteira, na Amadora, bem como a uma Praceta de Odivelas.

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)