A Rua de Francisco Lourenço da Fonseca que enriqueceu no Brasil e foi vereador lisboeta

Freguesia de Alvalade

Desde 1956 que a Rua Francisco Lourenço da Fonseca homenageia, na freguesia de Alvalade, o comerciante que enriqueceu no Brasil e foi vereador da autarquia lisboeta no biénio de 1876 e 1877.

Foi através da publicação do Edital municipal de 26 de maio de 1956 que a Rua 37 A do Sítio de Alvalade passou a ter como topónimo oficial Rua Francisco Lourenço da Fonseca. O mesmo Edital colocou nas artérias circundantes os pintores do Grupo do Leão, António Ramalho, Cipriano Martins, João Vaz, Moura Girão e Ribeiro Cristino, o elemento dos Vencidos da Vida Carlos Mayer, o autor da letra do Hino Nacional Lopes de Mendonça e ainda, o Largo de Alvalade.

O comerciante Francisco Lourenço da Fonseca (Vila Nova de Gaia/10.08.1818 ou 1819– 09.03.1906/Dafundo) fez fortuna no Brasil, para onde emigrou,  e após regressar a Portugal em 1862, foi eleito vereador da Câmara Municipal de Lisboa, nos anos de 1876 e 1877, sob a presidência de Luís de Almeida e Albuquerque e a vice-presidência de Rosa Araújo. Nesse biénio, Francisco Lourenço da Fonseca deteve a responsabilidade das obras públicas municipais, tendo-se  destacado por produzir melhoramentos nos Jardins da Estrela e de São Pedro de Alcântara,  requisitar um arquiteto ao Ministério das Obras Públicas para as obras do município, reconstruir as Escadinhas da Barroca, bem como por  ter iniciado a expropriação de terrenos para a abertura de uma avenida a norte do Passeio Público, que viria a ser a Avenida da Liberdade mandada executar por Rosa Araújo. Francisco Lourenço da Fonseca foi ainda tesoureiro da Comissão Central 1° de Dezembro que promoveu a construção do Monumento aos Restauradores.

Francisco Lourenço da Fonseca, comendador  da Ordem de Cristo, foi ainda diretor do Asilo de Santa Catarina –  internato feminino instalado desde 1858 no complexo conventual de São João Nepomuceno, no Largo São João Nepomuceno  –, e casado com Maria José Oliveira Gaia ( Brasil- Rio Grande do Sul/19.02.1832 – 06.05.1912/Lisboa), de quem teve 4 filhos: Francisco Lourenço da Fonseca Júnior (Brasil – Rio Grande do Sul/06.06.1848 – 06.07.1902/Lisboa), Wenceslau da Fonseca (n. 1850), Álvaro da Fonseca (n. Brasil – Rio Grande do Sul/15.02.1855) e Alfredo da Fonseca (n. Lisboa – Freguesia de Santa Catarina/04.08.1862).

Freguesia de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias)

 

A Travessa do merceeiro da Ajuda e vereador de Belém

Freguesia da Ajuda

Vitorino de Freitas que está perpetuado numa Travessa da Ajuda, por deliberação camarária lisboeta de 14 de dezembro de 1899, foi o dono de uma mercearia nessa  freguesia e também exerceu funções como vereador da Câmara Municipal de Belém no século XIX.

Belém existiu como concelho na segunda metade do séc. XIX, de 11 de setembro de 1852 a 18 de julho de 1885, tendo depois o seu território sido integrado no concelho de Lisboa e consequentemente, a sua toponímia. A edilidade belenense era composta pelas freguesias de São Pedro de Alcântara, Nossa Senhora do Amparo de Benfica, São Lourenço de Carnide,  Santa Isabel, São Sebastião da Pedreira e Menino Jesus de Odivelas, tendo esta última sido a única a não passar passar para o concelho de Lisboa mas antes para o de Loures. A Câmara Municipal de Belém teve Alexandre Herculano como o seu primeiro presidente, sucedendo assim à freguesia de Santa Maria de Belém, criada em 1833, que por seu turno tinha substituído o Bairro Administrativo de Belém, instituído em 1813.

Todavia, a Travessa de Vitorino de Freitas, que liga a Calçada da Ajuda à Rua da Bica do Marquês, resultou já de uma deliberação camarária lisboeta de 14 de dezembro de 1899, tendo sido o necessário Edital publicado em 4 de maio de 1901, para substituir o anterior topónimo de Travessa da Ilha das Cobras. A primeira deliberação camarária da Câmara Municipal de Lisboa, emitida em 1899 foi retificada depois duas vezes, em 19 de julho de 1900 e em 2 de maio de 1901, após o que saiu o Edital e assim, a Planta Topográfica de Lisboa de 1909 de Júlio Silva Pinto e Alberto Correia de Sá já a inclui.

O pouco que hoje se sabe de Vitorino de Freitas resume-se a ter sido o proprietário de uma mercearia na Ajuda e ter exercido funções de vereador da Câmara Municipal de Belém antes de 1862, se considerarmos que no Largo da Luz, em Carnide, se encontra uma inscrição em pedra onde se pode ler, em maiúsculas, «Praça de Nossa Senhora da Luz mandada edificar pela Camara Municipal de Belém. sendo Presidente João António de Souza e Vereadores Manuel José Gonçalves. Pedro Augusto Franco. D. Sebastião da Silva Pessanha. Faustino José de Freitas. José António Capucho. Francisco Evangelista Pacheco. 1862». Talvez tenha sido o Vitorino José de Freitas (ou familiar) de quem encontramos no arquivo Municipal de Lisboa uma escritura de venda de terreno firmada em 11 de julho de 1901 para construção de jazigo no 3º Cemitério, que era o da Ajuda.

Freguesia da Ajuda
(Planta: Sérgio Dias)

 

 

A Rua do irmão da Casa Pedreira em São Tomé que foi vereador de Lisboa

Freguesia do Lumiar

José da Costa Pedreira, comerciante da Casa Pedreira em São Tomé e vereador da Câmara de Lisboa nos anos 80 do séc. XIX, foi perpetuado em 1983 na Freguesia do Lumiar, numa rua nas proximidades da Alameda das Linhas de Torres, para cujo alargamento tinha contribuído com parcelas de terreno, com a legenda «Benemérito/1839 – 1903».

A partir de uma carta de Maria dos Prazeres Pedreira Cruz Romão e outros, sugerindo que a um arruamento recentemente aberto na Quinta das Pedreiras à Alameda das Linhas de Torres fosse dado o nome de José da Costa Pedreira, deu a Comissão Municipal de Toponímia  parecer favorável na sua reunião de 19 de abril de 1983 e assim foi atribuída a Rua José da Costa Pedreira no arruamento Z4 da Quinta do Lambert, através do Edital de 22 de abril de 1983. O mesmo Edital colocou noutros novos arruamentos da Quinta do Lambert a Rua Amílcar Cabral e a Rua Agostinho Neto.

O Occidente, 10 de julho de 1903

José da Costa Pedreira (Braga/27.09.1839 – 16.06.1903/Lisboa), foi para S. Tomé e Príncipe aos 18 anos (1857) e lá permaneceu até 1876, ocupando-se do comércio da Casa Pedreira que abastecia navios das rotas da África meridional e que o seu  irmão, Manuel José da Costa Pedreira, lá fundara em 1843. O seu irmão era dono da roça Monte Café no centro da ilha de São Tomé e ambos contribuíram para o desenvolvimento da agricultura local emprestando capital aos que desejavam abrir uma roça. José da Costa Pedreira também apoiou a administração local e criou o primeiro hospital da ilha. No regresso a Portugal dedicou-se à divulgação de meios de combate às febres tropicais tendo fundado a Companhia Luso-Africana de produtos químicos à base de quinino, sendo também o representante em Lisboa dos produtores de quina de São Tomé.

No período de janeiro de 1886 a março de 1890, foi também vereador da Câmara Municipal de Lisboa, eleito pela maioria monárquica do Partido Progressista. Foi responsável pelos pelouros das Obras e da Polícia Municipal, tendo no desempenho desse cargo contribuído decisivamente para o desenvolvimento das vias de acesso à cidade, inclusive com avultados donativos pessoais, e particularmente para o alargamento da Alameda das Linhas de Torres, através de parcelas retiradas à sua propriedade e doadas ao Município. Refira-se que foi também o responsável das obras e expropriações que permitiram a construção da Avenida da Liberdade idealizada por Rosa Araújo, do Parque da Liberdade (hoje Parque Eduardo VII) e do embelezamento do novo Rossio de 1889 (é a Praça de D. Pedro IV), com os dois lagos da autoria de Mesnier du Ponsard que hoje lhe reconhecemos como icónicos, e cujas figuras foram compradas à Societé des Hauts Fourneaux & Fonderies du Val d’Osne e pagas do bolso do próprio José da Costa Pedreira.

Note-se ainda que era o Pelouro da Polícia Municipal que tratava das denominações das ruas e da numeração das portas (esta última designada como numeração de polícia) e foi no mandato de Costa Pedreira que o Largo do Pelourinho passou a ser a Praça do Município ou a Rua do Carvalho passou a Rua Luz Soriano que tinha contribuído com 8 contos de réis para ser estabelecer uma escola nessa artéria.

A par disto, José da Costa Pedreira ainda desempenhou um papel importante na implantação dos Albergues Noturnos de Lisboa, fundados em 1881 pelo Rei D. Luís para apoio à população mais carenciada de alimentação e alojamento, tendo mesmo dirigido o primeiro, instalado no Intendente. O mesmo rei D. Luís I que o tinha como conselheiro particular para os assuntos africanos, também o nomeou Par do Reino e agraciou-o com a comenda da Ordem de Benemerência.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do comerciante que ergueu o Bairro Brandão

Freguesia da Estrela

Manuel Francisco de Almeida Brandão, comerciante  que fez fortuna na Baía e foi vereador na Câmara Municipal de Lisboa, tem desde 1902 o seu nome numa rua do bairro que ergueu junto à Calçada da Estrela.

Alguns meses antes de falecer Manuel Francisco de Almeida Brandão passou a ter o seu nome perpetuado na Rua Um do Bairro Brandão, por Edital municipal de 1 de agosto de 1902 que a descreve como «Via pública que corre na direcção Nordeste – Sudoeste e, partindo da Calçada da Estrela, termina na serventia que dá para a Rua Borges Carneiro, à qual fica paralela». O mesmo Edital atribuiu neste Bairro a Rua Miguel Lupi.

Encontramos nos documentos municipais uma planta de 9 de junho de 1891 com a proposta de traçado das ruas que Manuel Francisco de Almeida Brandão queria abrir no seu terreno próximo da Calçada da Estrela. No ano seguinte, com datas de 12 de fevereiro a 20 de abril, surge já a planta definitiva de António Maria Avelar e  Augusto César dos Santos para as ruas do Bairro Brandão. Entre janeiro e março de 1900 foram elaborados pela CML os orçamentos para as obras de pavimentação, canalização e acessórios que faltam fazer «nas ruas particulares abertas por Manuel Francisco de Almeida Brandão, na sua propriedade próxima da Calçada da Estrela». Já a entrega das ruas ao domínio municipal foi feita pela viúva de Almeida Brandão, Maria Emília de Almeida Brandão, por escritura de março de 1903.

Manuel Francisco de Almeida Brandão ( Póvoa de Varzim- Beiriz/11.01.1837 – 04.10.1902/Póvoa de Varzim- Beiriz), como filho primogénito foi senhor  da Quinta de Calves e de outros casarões na Póvoa de Varzim, fidalgo cavaleiro da Casa Real, com fortuna oriunda de comércio na Baía, sendo o que vulgarmente se denominou como «brasileiro de torna-viagem», para referir os portugueses emigrantes no Brasil que lá conseguiram fazer fortuna.

Aos 50 anos,  em 16 de Outubro de 1887, foi eleito vereador da Câmara Municipal de Lisboa para o quadriénio de 1888-1891, pelo Partido Progressista, no executivo presidio por Fernando Palha Osório Cabral. Já na Câmara Municipal da Póvoa de Varzim foi o Presidente da edilidade, e assim também tem honras de nome de rua.

No seu percurso político,  foi também deputado desde 1880, eleito pelo Círculo de Vila Conde nas listas do Partido Progressista, tendo integrado as Comissões Parlamentares Administrativa (1880-1881) e do Comércio e Artes (1881). Mais tarde, terá sido um dos obreiros da elevação da Póvoa de Varzim a Círculo Eleitoral Autónomo, separando-se de Vila do Conde, conseguido em 1886. Foi agraciado como Comendador da Ordem Militar de Cristo e Par do Reino.

Na sua vida particular, casou com a sua prima Maria Emília de Almeida Brandão, de quem teve 3 filhos e uma filha, e residiu na Rua do Paço, na Baía, até pelo menos 1864, assim como em Lisboa a partir de 1876, no palacete no nº 79 da Rua de Buenos Aires que foi em 1900 adquirido pelo conde de Monte Real.

No nº 39 da Rua Almeida Brandão, situa-se a Junta de Freguesia da Estrela.

Freguesia da Estrela
(Planta: Sérgio Dias)

 

A Rua do Engenheiro primeiro presidente da CML após o 25 de Abril

Freguesia de Alvalade
(Foto: Sérgio Dias)

O Engº Caldeira Rodrigues foi o presidente da 1ª Comissão Administrativa da CML após o 25 de Abril de 1974, que assinou os primeiros 5 Editais de Toponímia e desde 2007 o seu nome está na memória das esquinas de Lisboa, numa rua da freguesia de Alvalade.

A Rua Engº. Caldeira Rodrigues foi atribuída pelo Edital municipal de 23/04/2007 ao arruamento identificado como Rua 2.2 à Rua António Albino Machado, com a legenda «Autarca/1925 – 2004», ligando a Rua António Albino Machado à Rua Joaquim Rocha Cabral. Recorde-se que António Albino Machado foi o fundador e 1º presidente da Cooperativa de Habitações Económicas 25 de Abril  e Joaquim Rocha Cabral foi um engenheiro que presidiu à Junta de Freguesia do Campo Grande durante dois mandatos consecutivos (1994-97 e 1998-2001).

O Engº Caldeira Rodrigues numa Conferência de Imprensa dada em dezembro de 1974, no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Lisboa
(Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

Joaquim Ângelo Caldeira Rodrigues (Torres Vedras/06.12.1925 – 29.12.2004/Lisboa), foi nomeado Presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Lisboa e exerceu essas funções de 2 de setembro de 1974 a 19 de novembro de 1975 , sucedendo ao Delegado da  Junta de Salvação Nacional, João António Lopes da Conceição. Caldeira Rodrigues levou a cabo uma importante reconversão do município, no quadro de uma dinâmica de participação popular, tendo sido determinante a sua intervenção no aliviar de tensões e na resposta imediata a carências básicas da população, como a habitação. Em matéria de toponímia assinou 5 editais que colocaram em Lisboa os nomes de Alves Redol, Avenida dos Bombeiros, Capitão Henrique Galvão, Castro Soromenho, Dr. João Soares, Avenida das Forças Armadas, General Norton de Matos, José Dias Coelho, Julião Quintinha, Luís de Freitas Branco, Maria Isabel Aboim Inglês, Praça das Novas Nações, Rua da República da Bolívia e Calçada Ribeiro dos Santos.

Na época, o Engº Caldeira Rodrigues integrava  a direção do MDP/CDE mas já antes, durante mais de 30 anos, tinha sido um resistente político  que sofreu mesmo a prisão por duas vezes, em 1947 e em 1951. Foi dirigente da Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico, onde se licenciou em Engenharia em 1950 mas também se tornou ativista do MUNAF ( (Movimento de Unidade Nacional Anti-Fascista) e do MUD Juvenil (Movimento de Unidade Democrática), cuja comissão central integrou em 1947, com Mário Soares, Octávio Pato, Salgado Zenha, António Abreu, Fernanda Silva e outros. Em 1950 também aderiu ao Movimento para a Paz, liderado por Maria Lamas e Manuel Valadares.

Enquanto engenheiro, Caldeira Rodrigues desenvolveu uma carreira como especialista de Planeamento e Estruturas Hidráulicas na Hidrotécnica Portuguesa e na Companhia de Águas de Lisboa, para além de ter sido um dos sócios-fundadores da COBA – Consultores para Obras, Barragens e Planeamento, S.A., bem como dirigente da Associação Portuguesa de Projetistas e Consultores, entre 1989 e 1993.

O nome de Joaquim Caldeira Rodrigues está também perpetuado numa rua da sua terra natal e refira-se que Maria João Rodrigues, catedrática do ISCTE que desempenhou as funções de Ministra do Emprego no primeiro Governo de António Guterres, é sua filha.

Freguesia de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias)

Quatro médicos militares na toponímia de Lisboa em 1970

Francisco Luís Gomes

Em 1970, nove anos após o início da Guerra Colonial, foram colocados na toponímia de Lisboa quatro médicos militares, com a característica comum de terem prestado serviço no Hospital Militar de Lisboa e/ou nos territórios que eram colónias na época: Francisco Luís Gomes, José Baptista de Sousa, Mário Moutinho e Nicolau de Bettencourt.

O primeiro caso ocorreu através do Edital  municipal de 14 de fevereiro e foi a  Avenida Dr. Francisco Luís Gomes (na freguesia dos Olivais), a que se seguiu no Edital de  dia 17  a Avenida Dr. Mário Moutinho (Belém), e que se completou no Edital de 31 de março com a Rua Dr. José Baptista de Sousa (Benfica) e a Rua Dr. Nicolau de Bettencourt (Avenidas Novas).

A Avenida Dr. Francisco Luís Gomes foi atribuída com a legenda «Médico e Escritor/1829 – 1869» no arruamento que começa na Avenida de Berlim (junto à Piscina), no topo das Avenidas Infante Dom Henrique e Dr. Alfredo Bensaúde, para homenagear o cidadão que nasceu em 1829 na Índia e se licenciou em Medicina pela Escola de Goa (1850), tendo sido Cirurgião-mor  do exército português na Índia a partir de 1860, e ainda o autor de A Economia Rural da Índia Portuguesa, entre outras obras. Este topónimo é único no país.

Mário Moutinho

Mário Moutinho

A Avenida Dr. Mário Moutinho, nasceu com a legenda «Oftalmologista/1877-1961», para perpetuar o médico que dirigiu o serviço de Oftalmologia do Hospital Militar Principal de Lisboa a partir de 1909, e que nove anos depois foi seu subdiretor e mais tarde, diretor. Também este é um topónimo exclusivo de Lisboa.

No último dia do mês de março foram atribuídas a Rua Dr. José Baptista de Sousa/ Coronel Médico/1904 – 1967 na  Rua B à Travessa da Granja na freguesia de Benfica, bem como a Rua Dr. Nicolau de Bettencourt/ Brigadeiro-Médico/1900 – 1965 no troço da Estrada de Benfica compreendido entre o Largo de São Sebastião da Pedreira e o Largo então  vulgarmente conhecido como Praça de Espanha,  e as legendas destes dois topónimos expressam claramente a componente militar destes homenageados, sendo neste sentido os dois primeiros na toponímia de Lisboa em que a referência militar se liga à medicina.

A escolha do coronel-médico alfacinha  José Baptista de Sousa foi sugerida por um cidadão de seu nome Eduardo Mimoso Serra e a atribuição do nome de Nicolau de Bettencourt resultou de um pedido dos C.T.T. para que houvesse topónimo que evitasse equívocos na distribuição de correio naquela artéria.

José Baptista de Sousa

José Baptista de Sousa

Baptista de Sousa integrou as Forças Expedicionárias a Cabo Verde, e permaneceu em S. Vicente de 22 de fevereiro de 1942 até 10 de setembro de 1944, como diretor do Hospital Militar Principal de Cabo Verde, trabalhando também para os civis, o que lhe granjeou muitas simpatias locais e o epíteto de engenheiro humano. Ao contrário das orientações oficiais declarou a fome como causa de morte em diversos atestados de óbito, demonstrando coragem cívica. De 1947 a 1950, prestou serviço na Escola Médico-Cirúrgica de Goa. De 1951 a 1961 foi  Chefe da Clínica Cirúrgica do Hospital Militar Principal de Lisboa e a partir de 1964, foi  Consultor de Cirurgia da Direção do Serviço de Saúde Militar. O Dr. José Baptista de Sousa foi agraciado com o grau de oficial da Ordem de Avis e, em Mindelo (S. Vicente) o hospital passou a denominar-se Hospital Baptista de Sousa. Este topónimo é único no país.

Nicolau José Martins de Bettencourt concluiu o curso de Medicina em 1924 e, dois anos depois, também o curso de Medicina Tropical. Na sua carreira destacou-se como instrutor dos cursos de oficiais milicianos e dos enfermeiros militares das Escolas Centrais de Defesa do Território bem como Inspetor da Instrução do Serviço de Saúde Militar (1960 e 1961); dirigiu o Hospital Militar de Belém (1945 a 1949), o Hospital Militar Principal (a partir de 1957), os Serviços de Saúde Militar (a partir de  1962) e o Serviço de Saúde da Legião Portuguesa. Durante a presidência do general França Borges na Câmara Municipal de Lisboa, foi também vereador, no mandato de 1960 a 1963.  O seu nome integra também a toponímia da Marinha Grande.

Antes da Guerra Colonial apenas dois médicos militares tinham integrado a toponímia de Lisboa, a saber, a Rua Dr. Mascarenhas de Melo com a legenda «1868 – 1950», por Edital municipal de 24/07/1957, para homenagear um diretor do Hospital Militar da Estrela, e pelo Edital de 19/09/1960 foi a Praça Dr. Teixeira de Aragão com a legenda «Escritor-numismata/1823-1903» que perpetuou o diretor do gabinete de numismática e arqueologia do rei D. Luís I.

Após o 25 de Abril foram dois os médicos militares que tiveram a honra de serem topónimos alfacinhas: a  Escadaria José António Marques, com a legenda «Fundador da Cruz Vermelha Portuguesa/1822 – 1884», por via do Edital de 11 de fevereiro de 1985; e a Rua Dr. Bastos Gonçalves, com a legenda «Brigadeiro – Médico/1898 – 1985», pelo Edital de 21 de fevereiro de 2001, em memória daquele que dirigiu a Revista Portuguesa de Medicina Militar.

Nicolau de Bettencourt

Nicolau de Bettencourt

A Rua do vereador republicano Tomás Cabreira

Freguesia das Avenidas Novas (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias)

Tomás Cabreira que foi vereador na 1ª gestão republicana da Câmara Municipal de Lisboa e  ministro das Finanças em 1914 ficou perpetuado no Bairro da Bélgica, pelo Edital municipal de 30 de junho de 1926, com a legenda «Engenheiro Distinto e Republicano Indefectível».

Foi por esse Edital municipal que nasceu há 90 anos o Bairro da Bélgica, hoje mais conhecido como Rego ou Bairro de Santos. Coube a Tomás Cabreira a Rua B do Bairro da Bélgica, entre a Avenida Santos Dumont e a Rua Particular Neves Piedade que viria a ser a Rua Filipe da Mata no ano seguinte, pelo Edital de  6 de agosto de 1927, perpetuando outro vereador da primeira vereação republicana da CML. A Comissão de Melhoramentos do Bairro da Bélgica havia sugerido à autarquia lisboeta, em 10 de maio de 1926,  que fossem atribuídos nos arruamentos do Bairro nomes alusivos à Bélgica, seguindo o exemplo do já sucedido no Bairro de Inglaterra em 1916. E assim, o Edital municipal de 30/06/1926 fixou o Cardeal Mercier na Rua E do Bairro do Bélgica ( o arcebispo e primaz da Bélgica que publicou em 1915 uma Carta Pastoral incitando ao patriotismo) e o general Leman na Rua D (militar que defendeu Liége contra o invasor alemão e acabou prisioneiro de guerra), e nas restantes artérias colocou ainda o Presidente da CML de 1923 a 1925 (Albano Augusto Portugal Durão) e ainda, a Rua Costa Goodolfim e a Rua Visconde de Menezes, sendo que neste local da cidade estas duas últimas nunca passaram do papel.

Alma Nova, março de 1929

Alma Nova, março de 1929

Tomás António da Guarda Cabreira ( Tavira/23.01.1865 – 04.12.1918/Tavira) foi militar, engenheiro, professor e político. Como seu pai, ingressou no Exército, em 1881, e atingiu o posto de Coronel em 1918. Formou-se também em Engenharia Civil pela Escola do Exército, em 1893, e a partir daí passou a docente das disciplinas de Química Mineral e de Química Orgânica na Escola Politécnica, tendo até publicado Princípios de Estereoquímica (1896) e feito doutoramento em 1916. Foi ainda vogal da Comissão de Explosivos e vogal da Academia de Ciências de Lisboa, tendo ainda, em 1907, fundado a Universidade Popular de Lisboa.

Enquanto político, Tomás Cabreira, republicano e maçónico, fundou o Grupo Republicano de Estudos Sociais,  deputado pelo Algarve na Assembleia Nacional Constituinte (1911), senador da República (1912) e ministro das Finanças (1914), época em que deu a lume A Contribuição Predial e O Problema Financeiro e a sua Solução (ambos em 1912). Destaque-se que foi vereador da Câmara Municipal de Lisboa de 1909 a 1912, na Presidência de Anselmo Braamcamp Freire, tendo como colegas vereadores outros nomes presentes na toponímia de Lisboa como Augusto José Vieira, Barros Queirós, Francisco Grandela ou Miguel Ventura Terra.

Depois de 1914 abandonou a carreira política e o Partido Democrático, de que era dirigente, e fundou a União da Agricultura, Comércio e Indústria, onde exerceu os cargos de vice-presidente e de presidente e ainda editou Posto Agrário e Ensino Móvel (1915), Crédito Comercial e Industrial (1915), O Problema Tributário Português (1916-1917), A Defesa Económica Portuguesa (1917), O Algarve Económico (1918) e postumamente, A Política Agrícola Nacional (1920).

Esteve também ligado ao jornalismo por diversos cargos na Associação dos Jornalistas de Lisboa e na Associação da Imprensa Portuguesa.

Freguesia das Avenidas Novas (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do vereador republicano Luís Filipe da Mata

Freguesia das Avenidas Novas (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias)

Com a legenda «Paladino da Liberdade e da Instrução Popular/Século XIX» foi Luís Filipe da Mata inscrito na toponímia do Bairro da Bélgica, por deliberação camarária de 12 de junho de 1926 e Edital de 6 de agosto do ano seguinte, na  Rua Particular Neves Piedade ao Bairro da Bélgica, antes também conhecida apenas por Rua Neves Piedade.

De acordo com documentação do Arquivo Municipal de Lisboa esta rua foi traçada em 1912 por José da Silva Moura, prevendo-se uma largura de 15 metros e corrend0 da Estrada das Laranjeiras até à Estrada de Palma de Cima, no Rego, junto aos apeadeiros dos Caminhos de Ferro. Também outro vereador da primeira gestão republicana da Câmara Municipal de Lisboa, Tomás Cabreira, deu nome a uma artéria do Bairro da Bélgica, por via da publicação do Edital de 30 de junho de 1926.

 

Luís Filipe da Mata sentado no centro (Foto: Bernardino Machado, de Miguel Sá-Marques)

Luís Filipe da Mata ao centro, sentado
(Foto: gentil cedência do blogue Bernardino Machado)

O homenageado na Rua Filipe da Mata é Luís Filipe da Matta (Lisboa/15.08.1853 – 25.10.1924/Lisboa),  um comerciante, funcionário público e promotor da educação laica que foi também Vereador da primeira gestão republicana da Câmara Municipal de Lisboa, de 1 de novembro de 1908 a 29 de janeiro de 1913, quando era Anselmo Braamcamp Freire Vice-Presidente e depois Presidente da edilidade. Coube-lhe ainda ser o promotor do primeiro Congresso Municipalista de Lisboa, que se realizou nos Paços do Concelho, entre 16 e 21 de abril de 1909, contando com a presença de 158 câmaras municipais.

Filipe da Mata defendeu e promoveu o ensino laico, apoiando a criação de várias escolas primárias públicas, nomeadamente, integrando o grupo fundador da Escola-Oficina nº 1 (1905), no Largo da Graça, onde se aplicaram  novas metodologias pedagógicas inspiradas  no Movimento da Escola Livre e na Escola Moderna de Francisco Ferrer; colaborando no desenvolvimento do Asilo de São João e  sendo vice-presidente do Vintém das Escolas.

Também enquanto comerciante envolveu-se no associativismo como membro da direção das Associações Comercial de Lisboa e Comercial dos Lojistas de Lisboa, bem como da comissão instaladora da nova Associação dos Lojistas em 1907,  para além de ter integrado a comissão de reforma das alfândegas e a comissão revisora das pautas aduaneiras. Foi ainda  vice-presidente da comissão executiva do monumento ao Marquês de Pombal tendo até na ocasião publicado um livro de sonetos anti-jesuíticos, que intitulou A Canalha (1899), cuja venda revertia para a execução do monumento.

Iniciado no Grande Oriente Lusitano em 1880, na Loja Tolerância de Lisboa, e a partir de 1897 na Loja José Estêvão, Filipe da Mata foi Presidente do Conselho da Ordem em 1895-1899, 1903-1906 e 1916-1917. Ao longo da sua vida também desempenhou cargos no Partido Republicano como representante dos republicanos nos corpos gerentes da Coligação Liberal, na comissão que promoveu a grande manifestação liberal de 2 de julho de 1907, como tesoureiro da Junta Liberal, tesoureiro da Comissão Administrativa do Diretório do Partido Republicano e seu Secretário eleito em diversos Congressos, deputado de 1913 a 1915 e senador ao Congresso da República em 1915-1917. Após a implantação da República, Filipe da Mata  foi  ainda vogal suplente do Conselho Superior de Administração Financeira do Estado (após 20 de abril de 1911), Provedor da Assistência de Lisboa (1913 -1915), presidente da Comissão de Subsistências do Ministério do Fomento (16 de janeiro de 1915 a 12 de fevereiro de 1915) e durante o Sidonismo foi preso.

Freguesia das Avenidas Novas (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do Presidente da CML, Portugal Durão, no Bairro da Bélgica

Freguesia das Avenidas Novas (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias)

Albano Augusto Portugal Durão,  o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa de 1923 a 1925, passou a ser o topónimo das Ruas C e G do Bairro da Bélgica, com a legenda «Insigne Colonial/1871 – 1925», desde a publicação do Edital de 30 de junho de 1926.

A Comissão de Melhoramentos do Bairro da Bélgica sugeriu à autarquia lisboeta em 10 de maio de 1926  que fossem atribuídos nos arruamentos do seu Bairro topónimos alusivos à Bélgica, seguindo o exemplo do sucedido dez anos antes no Bairro de Inglaterra, em 1916. E assim, o Edital municipal de 30/06/1926 aí fixou os belgas Cardeal Mercier (arcebispo primaz da Bélgica que em 1915 publicou uma Carta Pastoral incitando ao patriotismo) – na Rua E do Bairro do Bélgica –  e General Leman (heróico defensor de Liège) – na Rua D – , colocando nas restantes artérias Tomás Cabreira (republicano que foi ministro das Finanças em 1914), o então último Presidente da CML  (Albano Augusto Portugal Durão que presidiu à edilidade de 1923 a 1925) e ainda, a Rua Costa Goodolfim e a Rua Visconde de Menezes, que neste local nunca passaram do papel.

Cerca de 6 anos mais tarde, pelo Edital camarário de 12/03/1932, foi dado à Rua A o nome Rua Dr. Álvaro de Castro, em homenagem àquele que comandara o Corpo Expedicionário Português a partir de 1916 e se demitira aquando da vitória de Sidónio Pais.

Rua Portugal Durão Albano

Albano Augusto Portugal Durão (Sertã/22.03.1871 – 13.11.1925/Lisboa) assentou praça na Marinha  em 1887 e em 1918, já era capitão-tenente. No decurso da sua vida militar, participou em campanhas em terras de África, como  o reconhecimento dos territórios de Milange, Namulia e Lomue, bem como desempenhou cargos civis de relevo, como o de administrador dos Transportes Marítimos do Estado e da Companhia da Zambézia, para além de diretor de Minas em Tete (Moçambique), e ainda, como membro do Conselho Fiscal do Banco Industrial Português.

Republicano membro do Partido Democrático, iniciou-se na política como ministro da Agricultura de Bernardino Machado, em 1921, sendo exonerado a seu pedido em 19 de maio. No ano seguinte foi eleito deputado por Lisboa, funções que exerceu até 1925, e sendo também Ministro de António Maria da Silva nos seus 2º e 3º governos, na pasta das Finanças ( de 6 de fevereiro a 26 de agosto de 1922, por ter pedido a demissão ) e depois, na dos Negócios Estrangeiros, entre 1 de julho e 1 de agosto de 1925. Portugal Durão foi também Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, no período de 5 de abril de 1923 até à sua morte em 13 de novembro de 1925.

Ainda no âmbito da participação de Portugal na I Guerra Mundial, Portugal Durão foi vogal da Comissão Executiva da Conferência da Paz e foi agraciado com a comenda da ordem Militar de Avis (1919).

Freguesia das Avenidas Novas (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua Braamcaamp Freire, Presidente da CML quando Ventura Terra foi vereador

Anselmo Braamcamp Freire em 1911 (Foto: Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

Anselmo Braamcamp Freire em 1911
(Foto: Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

Ventura Terra foi vereador da primeira gestão republicana na CML,  no período de 1908 a 1913, tendo assim conhecido de perto Anselmo Braamcaamp Freire que era Vice-presidente até 1910 e foi depois eleito Presidente.

No entanto, só mais de 20 anos após o falecimento de Braamcaamp Freire é que este teve honras de topónimo lisboeta, pelo Edital de 13 de maio de 1949, fixado no arruamento identificado como Rua A do Bairro da Quinta dos Apóstolos à Rua Lopes. Pelo mesmo Edital municipal foram também atribuídos os nomes de Sousa Viterbo na  Rua B, de David Lopes na Rua C  e de Adolfo Coelho na Rua D.

Foi neste período em que o Arqº Miguel  Ventura Terra foi também vereador  na Câmara Municipal de Lisboa que elaborou planos na área do urbanismo, nomeadamente para a zona ribeirinha da capital – com a fim da linha férrea em Santos para que a zona até ao Cais do Sodré passasse a ser zona de lazer – e Rua do Arsenal com arcadas nos prédios (1908), bem como para o Parque Eduardo VII tendo até em 13 de outubro de 1910 proposto «que seja dado o nome de Esplanada dos Heróis da Revolução ao espaço que no meu projecto de Parque Eduardo VII fica compreendido entre o limite norte da Praça do Marquês de Pombal, as ruas Fontes Pereira de Melo e António Joaquim Aguiar e o Palácio de exposições e festas onde começa o parque propriamente dito» e que até foi aprovado mas que não chegou a ser concretizado.  A 9 de março do ano seguinte propôs ainda a atribuição dos nomes de Eugénio dos Santos, Nuno Santos e Silva Porto a ruas importantes de Lisboa. Foi ainda Ventura Terra que solicitou a António Teixeira Lopes a execução de um busto em mármore de Anselmo Braamcamp Freire, pago pelos 11 vereadores, que em 1911 ficou colocado nos Paços do Concelho de Lisboa.

Freguesia de Penha de França (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Penha de França
(Foto: Sérgio Dias)

Anselmo Braamcamp Freire, nascido na então Freguesia de São José (Lisboa/01.02.1849 – 23.12.1929/Lisboa) foi um homem de cultura invulgar, arqueólogo e genealogista, escritor e historiador, que depois de 1875 voltou a morar em Lisboa, na Rua do Salitre, para publicar, a partir de 1903, o Arquivo Histórico Português,  que por uma minuciosa pesquisa na Torre do Tombo e outros arquivos trouxe a lume documentos inéditos da história do país. Como político, foi o 1º Presidente da Câmara Municipal de Loures (de 1887 a 1889 e também de 1893 a 1895); aderiu em 1907 ao Partido Republicano e assim foi vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa de 1908 a 1910 e depois eleito Presidente em 1911, função que desempenhou até 1913. Paralelamente, foi deputado republicano à Câmara Constituinte de 1911 e foi o 1º Presidente do Senado da República.  É ainda no ano de 1911, a 21 de agosto, que enquanto Presidente da Assembleia Braamcamp Freire promulgou a 1ª Constituição da República.

Braamcamp Freire precursor de genealogia científica em Portugal, foi sócio efetivo da da Sociedade de Geografia de Lisboa e da Academia das Ciências de Lisboa, tendo desta última sido Presidente em 1918, para além de vasta obra publicada de que salientamos O Conde de Vila Franca e a Inquisição (1899), As sepulturas do Espinheiro (1901), Em volta de uma carta de Garcia de Resende (1905),  Amarrado ao pelourinho (1907), Livro dos bens de D. João de Portel: cartulario do século XIII (1910), Um aventureiro na empresa de Ceuta (1913), Gil Vicente, poeta e ourives (1914), Maria Brandoa, a do Crisfal (1916), Vida e Obra de Gil Vicente, Trovador e Mestre da Balança (1918), Notícias da feitoria de Flandres: precedidas dos Brandões poetas do Cancioneiro (1920), A censura e o Cancioneiro Geral ou Brasões da Sala de Sintra (ambos em 1921).

Braamcamp Freire legou à cidade de Santarém a sua vasta biblioteca, as suas múltiplas obras de arte e a casa onde viveu, que é  hoje a Biblioteca Municipal de Santarém.

Freguesia de Penha de França (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Penha de França
(Planta: Sérgio Dias)