A Rua do autor e empresário teatral Sousa Bastos

Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Sousa Bastos, autor, encenador e empresário teatral, em Portugal e no Brasil, na transição do séc. XIX para o séc. XX, passou a dar nome a uma artéria lisboeta 84 anos após o seu falecimento, na freguesia de Marvila.

Para responder a um pedido dos CTT que solicitava topónimos para os arruamentos do Bairro do Alfenim, na área envolvente da Azinhaga do Vale Fundão, a edilidade alfacinha resolveu aí criar pela toponímia um Bairro de Autores Teatrais, através do Edital municipal de 20 de março de 1995, com a Rua Sousa Bastos, o Largo Álvaro de Andrade, a Rua Bento Mântua, a Rua Ernesto Rodrigues, a Rua Lino Ferreira, o Largo Vitoriano Braga e a Rua Xavier de Magalhães. A Rua Sousa Bastos, com a legenda «Empresário e Autor Teatral/1844 – 1911 »,  ficou no arruamento compreendido entre a Azinhaga do Vale Fundão e o Lote B do Bairro do Alfenim.

O Grande Elias, 8 de setembro de 1904

António de Sousa Bastos (Lisboa/13.03.1844 – 02.07.1911/Lisboa), filho do nobre napolitano D. Francisco de Judicibus e da lisboeta D. Joana Maria da Salvação de Sousa Bastos,  segundo o assento de batismo da Paroquial de Santa Isabel nascido no nº 87 do Largo do Patrocínio (seria provavelmente, o Largo do Monteiro) e batizado como António Rodrigo Francisco João Valeriano Bernardino Peregrino Ângelo André Carlos Nicolau Vicente José Augusto Máximo Magalhães de Sousa Bastos de Judicibus, tendo como padrinhos Rodrigo da Fonseca Magalhães e Maria Gertrudes Guimarães.

Concluída a instrução primária em Lisboa e o Liceu em Santarém, regressou a Lisboa para seguir o Curso de Agronomia no Instituto Agrícola que abandonou por se ter casado aos 21 anos e assim teve de avançar para sucessivos  empregos. Começou como jornalista no Álbum Literário  e seguiu depois para o Comércio de LisboaDiário ComercialGazeta SetubalenseGazeta do Dia, entre outros. Mesmo depois de se dedicar ao teatro ainda escrevia regularmente crónicas sobre teatro para o Diário de Notícias e colaborava com outros periódicos como o Espectador Imparcial, A Arte Dramática e a revista Ribaltas e Gambiarras.

Sousa Bastos notabilizou-se como autor, encenador e empresário teatral, em Portugal e no Brasil, dirigindo vários teatros, tanto em Lisboa como no Rio de Janeiro, São Paulo, Pará e Pernambuco, para além de ter sido o empresário de diversas companhias teatrais. Foi ele que em 1881 levou as primeiras digressões da revista à portuguesa pelo Brasil. Em Lisboa, foi o empresário e ensaiador dos Teatros da Rua dos Condes, do Príncipe Real (depois, denominado Teatro Apolo), da Trindade, do Avenida, entre outros.

Como autor dramático, somou mais de uma centena de obras, entre  revistas, operetas, comédias e dramas originais, para além de ter traduzido e adaptado outras peças. A primeira das mais de vinte revistas que escreveu subiu à cena em 1869 e intitulava-se Coisas e Loisas, enquanto as duas últimas revistas foram  Talvez Te Escreva (1901) e A Nove (1909). Na nota necrológica do jornal O Occidente afirma-se que «Essa popularidade veio-lhe sobre tudo das revistas que compoz e mais calaram no gosto publico, como as intituladas “Sal e Pimenta”, “Tim Tim por Tim Tim” e “Fim de Seculo”, além de muitas outras que fez, pois foi o primeiro, ou dos primeiros autores a compôr este género de peças». A popularidade das suas produções também se deveu à aposta em cenografias mais elaboradas, números musicais,  vedetas femininas e coristas.

Paralelamente, com o tipógrafo João António de Matos, Sousa Bastos fundou em 1877 a Empresa Literária de Lisboa que editou uma História de Portugal em 6 volumes, da autoria de António Enes, Bernardino Pinheiro, Eduardo Vidal, Gervásio Lobato, Luciano Cordeiro e Pinheiro Chagas, e uma História Universal traduzida. Ele próprio escreveu  Carteira do Artista (1898), com biografias de autores dramáticos, artistas, pontos, cenógrafos e anedotas do meio teatral português e brasileiro, num total de 866 páginas  impressas pela Antiga Casa Bertrand, assim como lançou um Dicionário do Teatro Português (1908) de 380 páginas, sobre  técnicas teatrais, autores dramáticos, atores e atrizes, empresários da área, publicadas pela Imprensa Libanio da Silva, para além de Lisboa velha: sessenta anos de recordações, 1850 a 1910.

Na sua vida pessoal, António de Sousa Bastos casou com Leopoldina Rosa Vieira Martins (1847 – 1879) em 24 de agosto de 1865, de quem teve vários filhos e depois de enviuvar voltou a casar, em 1 de julho de 1894, com a atriz Palmira Bastos, de quem teve duas filhas. Sousa Bastos sucumbiu à diabetes, aos 67 anos de idade,  tendo sido sepultado em jazigo particular no Cemitério dos Prazeres.

De entre as várias homenagens de que Sousa Bastos foi alvo destacamos o Teatro Sousa Bastos inaugurado em Coimbra no dia 15 de junho de 1914, uma Exposição comemorativa do seu centenário do nascimento em  1944 no Museu Rafael Bordalo Pinheiro seguida em 1947 da publicação pela edilidade lisboeta do seu livro Lisboa Velha.  Tem ainda ruas com o seu nome em Linda-a-Velha e em Odivelas.

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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A Rua do industrial da CUF, Alfredo da Silva

Freguesia da Ajuda
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O empresário e industrial Alfredo da Silva, sobretudo conhecido pela sua obra na CUF, desde a publicação do Edital municipal de 21 de dezembro de 1960 que dá o seu nome à Rua D à Quinta do Almargem ou à Calçada da Boa-Hora, com a legenda «Industrial/1871 – 1942», oito anos após o ofício nº 485/52 do Sindicato Nacional dos Comercialistas solicitar a inclusão do nome de Alfredo da Silva na toponímia de Lisboa.

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Alfredo da Silva (Lisboa/30.06.1871 – 22.08.1942/Sintra) era filho de um rico comerciante de Lisboa, Caetano Isidoro da Silva,  com casa comercial e morada no n.º 185 da Rua Bela da Rainha [Rua da Prata desde novembro de 1910], e de Emília Augusta Laymée Ferreira, de ascendência francesa, pelo que estudou no Liceu Francês até à morte do seu pai em 1885. Dois anos depois matriculou-se no Curso Superior de Comércio do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa,  sendo que em 1890 já detinha o encargo de gerir a herança da família e três anos depois, em 1893,  era por herança acionista um dos administradores do Banco Lusitano e da Companhia Aliança Fabril (CAF), que fabricava sabões e velas em Alcântara e de que era administrador Henry Burnay.

No ano seguinte, em 19 de abril de 1894, casou-se com Maria Cristina Resende Dias de Oliveira, tendo como padrinho o banqueiro João Baptista Dotti, um dos principais acionistas da CAF. A filha nascida desse casamento – Amélia de Resende Dias de Oliveira da Silva- casará com Manuel Augusto José de Mello, o genro que depois comandará a CUF, empresa que pertencerá por esta aliança familiar ao Grupo Mello.

Henry Burnay era administrador da CAF mas também da CUF (Companhia União Fabril) e após um incêndio da primeira, conjugou a sua vontade com a de Alfredo da Silva para a fusão das duas, união que foi formalizada em 22 de abril de 1898 sob o nome de CUF e que se desenvolveu produzindo adubos em grande escala, aproveitando a ideia do Estado potenciar o cultivo de cereais no Alentejo.

Acionista da Carris também por herança paterna, Alfredo da Silva foi convidado pela empresa em 1892 a fazer uma visita a algumas cidades da Europa para estudo dos melhores sistemas de tracção mecânica, tendo o seu relatório apontado para o que viriam a ser os Eléctricos da Carris, tendo o primeiro circulado no dia 31 de agosto de 1901 da Praça do Comércio a Algés.  Alfredo da Silva  foi diretor da Carris entre 1896 e 1899, com Zófimo Consiglieri Pedroso e Carlos Krus.

Alfredo da Silva diversificou os seus negócios em várias áreas e tornou-se um dos industriais mais ricos de Portugal. Esteve na criação da Tabaqueira do Poço do Bispo (1927) e na produção de tecidos para sacas de adubos, arrecadou a exploração do Porto de Lisboa no Estaleiro da Rocha do Conde de Óbidos (1936),  entrou na navegação e nos territórios africanos para controlar o transporte e matérias-primas, comprou o Banco Totta e a Companhia de Seguros Império, investiu na metalurgia.

Como diversos industriais do final do séc. XIX e principio do séc. XX, também Alfredo da Silva  se mostrou interessado em fixar os seus trabalhadores nas cercanias das suas fábricas, através da construção de  bairros operários, mercearias, padarias e até posto médico, de que foi exemplo maior o Barreiro, onde instalou fábricas de adubos a partir de 1907, assim como chegou mesmo a abrir uma escola para ambos os sexos em 1927. Todavia Alfredo da Silva geriu a CUF à distância quando se refugiou em Espanha e França após ter sido vitima de três atentados fracassados, tendo o último sido de outubro de 1921 e a sua ausência de Portugal até 1927.

Envolveu-se na política  ao ser eleito deputado  regenerador em 1906 e apoiante de João Franco; ao apoiar Sidónio Pais (1918) e depois o Estado Novo, tendo conquistado um lugar na Câmara Corporativa logo em 1935 e opôs-se frontalmente à lei das 8 horas de trabalho diário. No ano seguinte, conseguiu que fosse adjudicada à CUF a concessão do Estaleiro da Rocha Conde de Óbidos que será o embrião da Lisnave.

Alfredo Silva foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Civil do Mérito Agrícola e Industrial (1932), como Sócio Honorário do Ginásio Clube Figueirense (1933) e com a atribuição do seu nome a agrupamentos escolares do Barreiro e de Rio de Mouro, bem como uma Avenida no Barreiro e outra em Rio de Mouro (no Bairro da Tabaqueira), assim como ruas em  Alfragide e São Domingos de Rana.

Freguesia da Ajuda
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

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O Largo Associação Ester Janz em Marvila

Largo Associação Ester Janz – Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC )

Fundada em 1982, para prestar apoio educativo aos filhos dos funcionários do grupo das Empresas dos austríacos Janz,  a Associação Ester Janz passou em 1 de agosto de 2005 a dar nome a um Largo da Freguesia de Marvila, na confluência da Rua Fernando Maurício com a Rua Armandinho, próximo da sede da Associação.

Associação Ester Janz – Freguesia de Marvila

Bruno Janz, casado com Ester Janz,  fundou em 1915 a Empresa Bruno Janz,  na Avenida Infante D. Henrique, junto à nova rotunda, que resultou do prolongamento da Avenida Estados Unidos da América. Esta empresa familiar foi continuada pelo seu filho, netos e bisnetos, tendo à data da atribuição do topónimo cerca de 600 trabalhadores, muitos deles com 20, 30, 40 e até 50 anos de casa e moradores da freguesia de Marvila.

Logo nesse início do séc.XX e da empresa Bruno Janz, a sua esposa Ester Janz manifestava preocupações sociais em prol da melhoria de vida da mulher trabalhadora para obstar às dificuldades que estas tinham em conseguir conciliar a profissão com a vida familiar. Assim, em 7 de julho de 1982 foi possível à neta, Teresa Janz, concretizar o sonho da avó com a Associação Ester Janz, construída em edifício próprio e como uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), dedicada à educação dos filhos dos funcionários do grupo das Empresas Janz. Das 28 crianças iniciais passou-se para 60, decorridos cinco anos, já que em 1987, mediante protocolo assinado com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, a Associação acolheu pela primeira vez também crianças moradoras nas imediações das empresas do grupo e cujo rendimento do agregado familiar era baixo, aumentando a valência de  infantário para também escola do 1º Ciclo e  expandindo-se à comunidade em geral, sendo em 1990 já 438 crianças, granjeando o apoio da Junta de Freguesia de Marvila e da Câmara Municipal de Lisboa, nomeadamente através da cedência de terrenos para a construção e a ampliação das instalações.

Ester Janz faleceu em 1977 e os fundadores da Associação com o seu nome, funcionários e acionistas das Empresas Janz quiseram prestar-lhe esta homenagem a que a edilidade lisboeta acedeu dando o seu nome a uma arruamento da Freguesia para cujo bem estar contribuiu.

Largo Associação Ester Janz – Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )

As Ruas de 1960 de um Herói da Ocupação e de um Herói do Ultramar

Freguesias de Ajuda e Belém (Foto: Sérgio Dias)

A Rua General João de Almeida – Freguesias de Ajuda e Belém
(Foto: Sérgio Dias)

No ano anterior ao eclodir da Guerra Colonial, em 1960, foram colocados na toponímia de Lisboa dois militares ligados ao domínio português em África: o General João de Almeida e o Major Neutel de Abreu, nas freguesias de Ajuda-Belém e São Domingos de Benfica, tendo o primeiro a legenda de «Herói da Ocupação» e o segundo de «Herói do Ultramar», ambos sugeridos pela Sociedade de Geografia de Lisboa, que incluía também os nomes dos generais Garcia Rosado, Justiniano Padrel, Massano de Amorim e o Coronel Bento Roma.

O General João de Almeida (Guarda/05.10.1873 – 05.05.1953/Lisboa), Herói dos Dembos e da ocupação do Baixo Cubango foi atribuído como topónimo pelo Edital de 28 de outubro de 1960 na Rua Projetada à Calçada do Galvão. Dez anos mais tarde, por edital publicado em 7 de novembro de 1970 foram também integradas neste arruamento a Travessa do Pátio das Vacas e o Largo do Museu Agrícola Colonial, pelo que hoje se estende da Calçada da Ajuda até à Calçada do Galvão.

Freguesias de Ajuda e Belém - Placa Tipo II (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias de Ajuda e Belém – Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias)

Formado em Filosofia e Matemática pela Universidade de Coimbra, ingressou na Escola do Exército, tendo mais tarde concluído ainda os cursos do Estado Maior do Exército (1903) e da Escola de Engenharia Civil de Paris. Ainda como Capitão, durante as Campanhas de África, comandou em 1907 uma coluna de operações contra os Dembos Rebeldes em Angola que lhe granjeou o epíteto de Herói dos Dembos. No ano seguinte foi nomeado governador interino do distrito de Huíla sendo mais tarde o governador, para além de ter colaborado na ocupação de todo o Baixo Cubango e ajudado o General Roçadas a pacificar a região de Huíla (1909), sendo obra sua a fixação da fronteira meridional de Angola. Também foi Governador e Diretor de obras públicas de Cabo Verde, bem como Governador Geral de Macau (1931).

Em 1919, já coronel e Comandante militar da região de Aveiro, bateu-se pela Monarquia do Norte, ao lado de Paiva Couceiro, a primeira das diversas conspirações em que participou para derrubar a República, já que era Monárquico e simpatizante do Integralismo. João de Almeida foi ainda  Ministro das Colónias durante 3 dias, de 6 a 9 de julho de 1926.

Foi também autor de obras sobre temática colonial – como Carta itinerária de Angola ou A ocupação portuguesa em África na época contemporânea – e sobre a cidade da Guarda – como Roteiro dos monumentos de arquitectura militar do concelho da Guarda ou A Guarda capital da Beira (1937) – , bem como obras didáticas no  âmbito das suas funções de diretor do Instituto de Ensino Normal de Braga. Seguiu ainda uma carreira de administrador de empresas, na Empresa Eléctrica-Oceânica de Aveiro (entre 1920 e 1936), na  Companhia do Papel do Prado (desde 1929) e presidindo à Real Companhia Vinícola do Norte (a partir de 1933).

Foi condecorado como Grande Oficial de Ordem Militar da Torre e Espada, da Ordem Militar de Cristo e da Ordem Militar de Avis (todas em 1929) e a Grã-Cruz da Ordem do Império Colonial (1932) e também pai de 2 militares: os coronéis Alexandre Mendes Leite de Almeida e João Mendes Leite de Almeida. O General João de Almeida está também na toponímia da Damaia (Amadora) como Rua, na Guarda como Avenida e em Angola, em ruas de Luanda e de Benguela.

Freguesia de São Domingos de Benfica -Placa Tipo II (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de São Domingos de Benfica -Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias)

O Major Neutel de Abreu, de seu nome completo Neutel Martins Simões de Abreu (Figueiró dos Vinhos/ 1871 – 1945/ Figueiró dos Vinhos) ficou perpetuado na Rua A à Praceta I da Estrada de Benfica ou Rua A ao Largo do Conde de Bonfim pelo Edital de 21/12/1960, e desde que assentou praça no Regimento de Infantaria 11 de Setúbal (1888) esteve em Macau ( 1890) e Angola (1891-1898) até chegar a Moçambique, onde se destacou particularmente a comandar o posto de Moginqual e na chamada Pacificação de Moçambique, sobretudo na campanha que procurou  a submissão dos povos Namarrais do norte de Moçambique (1905-1913), comandada por Massano de Amorim. Participou na fundação, em 1907, daquela que veio a ser a cidade da Nampula- derivada do nome do régulo «Mpula» que significa chuva -, onde residiu mais de trinta anos, e na qual impulsionou o estabelecimento de diversas infraestruturas básicas no território. Reformado por razões de saúde em fevereiro de 1920 (ou 1912), aos 49 anos (ou talvez 41), decidiu dedicar-se à agricultura na sua plantação.

Foi galardoado com a Medalha de Ouro de Serviços Distintos no Ultramar (1916) e a comenda da Ordem Colonial (1941). Tem ainda o seu nome numa escola e numa rua da sua terra natal.

Freguesia de São Domingos de Benfica (Foto: Sérgio Dias)

A Rua Major Neutel de Abreu – Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua do Presidente da CML, Portugal Durão, no Bairro da Bélgica

Freguesia das Avenidas Novas (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias)

Albano Augusto Portugal Durão,  o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa de 1923 a 1925, passou a ser o topónimo das Ruas C e G do Bairro da Bélgica, com a legenda «Insigne Colonial/1871 – 1925», desde a publicação do Edital de 30 de junho de 1926.

A Comissão de Melhoramentos do Bairro da Bélgica sugeriu à autarquia lisboeta em 10 de maio de 1926  que fossem atribuídos nos arruamentos do seu Bairro topónimos alusivos à Bélgica, seguindo o exemplo do sucedido dez anos antes no Bairro de Inglaterra, em 1916. E assim, o Edital municipal de 30/06/1926 aí fixou os belgas Cardeal Mercier (arcebispo primaz da Bélgica que em 1915 publicou uma Carta Pastoral incitando ao patriotismo) – na Rua E do Bairro do Bélgica –  e General Leman (heróico defensor de Liège) – na Rua D – , colocando nas restantes artérias Tomás Cabreira (republicano que foi ministro das Finanças em 1914), o então último Presidente da CML  (Albano Augusto Portugal Durão que presidiu à edilidade de 1923 a 1925) e ainda, a Rua Costa Goodolfim e a Rua Visconde de Menezes, que neste local nunca passaram do papel.

Cerca de 6 anos mais tarde, pelo Edital camarário de 12/03/1932, foi dado à Rua A o nome Rua Dr. Álvaro de Castro, em homenagem àquele que comandara o Corpo Expedicionário Português a partir de 1916 e se demitira aquando da vitória de Sidónio Pais.

Rua Portugal Durão Albano

Albano Augusto Portugal Durão (Sertã/22.03.1871 – 13.11.1925/Lisboa) assentou praça na Marinha  em 1887 e em 1918, já era capitão-tenente. No decurso da sua vida militar, participou em campanhas em terras de África, como  o reconhecimento dos territórios de Milange, Namulia e Lomue, bem como desempenhou cargos civis de relevo, como o de administrador dos Transportes Marítimos do Estado e da Companhia da Zambézia, para além de diretor de Minas em Tete (Moçambique), e ainda, como membro do Conselho Fiscal do Banco Industrial Português.

Republicano membro do Partido Democrático, iniciou-se na política como ministro da Agricultura de Bernardino Machado, em 1921, sendo exonerado a seu pedido em 19 de maio. No ano seguinte foi eleito deputado por Lisboa, funções que exerceu até 1925, e sendo também Ministro de António Maria da Silva nos seus 2º e 3º governos, na pasta das Finanças ( de 6 de fevereiro a 26 de agosto de 1922, por ter pedido a demissão ) e depois, na dos Negócios Estrangeiros, entre 1 de julho e 1 de agosto de 1925. Portugal Durão foi também Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, no período de 5 de abril de 1923 até à sua morte em 13 de novembro de 1925.

Ainda no âmbito da participação de Portugal na I Guerra Mundial, Portugal Durão foi vogal da Comissão Executiva da Conferência da Paz e foi agraciado com a comenda da ordem Militar de Avis (1919).

Freguesia das Avenidas Novas (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias)

O Beco da Bolacha e a Rua do industrial Eduardo Costa

Argus, julho de 1907

Argus, julho de 1907

O Beco da Bolacha na Freguesia da Estrela e a Rua Eduardo Costa na Freguesia da Penha de França partilham em comum a memória da industrialização da zona da Pampulha, na área das bolachas e biscoitos.

O Beco da Bolacha abre-se frente ao nº 5 da Rua Ribeiro Sanches, na freguesia da Estrela, e terá sido nesta Rua que houve uma fábrica de bolachas que deu nome ao Beco. Segundo Pastor de Macedo, de acordo com o seu Ficheiro Toponímico (propriedade do Gabinete de Estudos Olisiponenses), terá sido a fábrica de José Maria de Moira, transcrevendo o olisipógrafo o seguinte anúncio publicado na Gazeta de Lisboa de 22 de dezembro de 1817 : «Participa-se ao público que a antiga Fabrica de bolacha e biscoito, do fallecido José Maria de Moira, sita na rua nova de S. Francisco de Paula nº1 [ desde 1913 é a Rua Ribeiro Sanches], continua a trabalhar de Janeiro de 1818 em diante por conta de Francisco de Paula de Moira e Companhia; e estes esperão que os Senhores Proprietários de Navios e mais Pessoas que costumavão prover-se deste mantimento, na antiga Fabrica, lhes continuem a dar listas do que precisarem, na certeza que serão bem serviços, tanto na promptidão como na boa qualidade.» 

E é posterior a 1818 a referência escrita que encontramos ao Beco da Bolacha, inscrita na planta n.º 48 do Atlas da carta topográfica de Lisboa de Filipe Folque, de setembro de 1856.

Freguesia da Estrela (Planta: Sérgio Dias)

Beco da Bolacha – Freguesia da Estrela
(Planta: Sérgio Dias)

Eduardo Costa, morador e industrial do Bairro da Pampulha, dá nome a uma Rua lisboeta na Freguesia da Penha de França – a  Rua nº 4 do Vale Escuro – desde  a publicação do Edital de 23 de março de 1954 e foi quem em 1875 criou a Fábrica de Bolachas e Biscoitos da Pampulha. Talvez se chame Eduardo António Costa porque em 18 de novembro de 1872 foi esse o nome de quem pediu à Câmara uma vistoria a um telheiro na Travessa dos Brunos à Pampulha, artéria onde ficava o último piso da fábrica e a morada de Eduardo Costa.

Segundo a publicidade da própria empresa, a Fábrica da Pampulha foi fundada em 1875 por Eduardo Costa, mas já estaria lá o seu embrião em 1872, de acordo com uma reportagem do semanário Branco e Negro desse ano. Em Lisboa, terá sido uma das principais mas foi mesmo a primeira a fabricar em Portugal bolacha de alto relevo.  A Fábrica da Pampulha situava-se na Cruz da Rocha, entre a Travessa dos Brunos (na Pampulha) e a Rua 24 de Julho (hoje, Avenida 24 de Julho). Estava instalada num edifício próprio de 5 pisos, num terreno inclinado, pelo que a matéria prima entrava pelo piso térreo na 24 de Julho e no 5º piso acondicionavam-se as bolachas em caixas que saíam pela Travessa dos Brunos. No topo estava a casa de morada de Eduardo Costa, «uma vivenda deliciosa» como classificava a reportagem de Branco e Negro de 30 de janeiro de 1898  que também relata que na Fábrica da Pampulha trabalhavam 21 mulheres e 31 homens. Em 10 de março de 1902 O Ocidente noticiava que lá trabalhavam 60 pessoas de ambos os sexos, que diariamente produziam 600 quilos de bolacha, sendo exportadas por mês, para África, Brasil e Índia, cerca de 30 mil quilos. Chegaram a ser produzidas cerca de 400 variedades de bolachas e biscoitos, sendo a Maria a especialidade da casa.

A Fábrica da Pampulha tinha ainda em Lisboa um depósito na Rua dos Retroseiros 32/34 (é a que hoje conhecemos como Rua da Conceição) e uma filial no Porto, na Rua D. Pedro, 143-145. Conseguiu ainda vários prémios como na Exposição Industrial de Filadélfia (1876) e na de Paris (1878), para além de uma medalha de mérito da Associação Promotora da Indústria Fabril de Viena de Áustria, bem como no nosso país foi premiada na Exposição Agrícola de Lisboa (1884) e  recebeu a medalha de ouro da Exposição Industrial Portuguesa (1888).

Eduardo Costa era amigo de Alfredo Keil pelo que não se estranhará que a Fábrica de Bolacha e Biscoito da Pampulha tenha feito de oferta aos seus clientes, em março de 1890, de um retrato de Serpa Pinto e de um rótulo de A Portuguesa, além de ter criado as bolachas Serpa Pinto e A Portuguesa. A produção também exaltou valores da cultura nacional como as Bolachas de Santo António, do Ator Taborda (1898), as Garrett  (1902) ou uma bolacha comemorativa da ópera Dona Branca (composta por Alfredo Keil sobre o poema narrativo de Garrett), para além das caixas dedicadas a Gomes Freire de Andrade ou a Bocage (1905 ?). Curiosamente, os seus produtos também veicularam valores republicanos através dos Biscoitos Republicanos, das Bolachas 5 de Outubro (1911) e  das Bolachas Bernardino Machado.

A Fábrica da Pampulha também foi pioneira em ofertas aos clientes para divulgação da marca, como uma bolacha em porcelana, os calendários anuais, como temas como a Partida de Vasco da Gama para a Índia, D. Filipa de Vilhena armando os filhos para a guerra, a Entrada das tropas liberais em Lisboa no ano de 1833 (1903) com retrato de Eduardo Costa e o mês de Março dedicado a Bernardino Machado cuja aniversário era a dia 28, ou ainda O Marquês de Pombal promovendo a reedificação de Lisboa (1906).

Eduardo Costa terá falecido antes de 1911, já que o brinde desse ano mencionava «Fábrica da Pampulha/Eduardo Costa Sucessores» e era um cartaz alusivo à implantação da República, com um civil armado montando guarda sobre destroços e símbolos quebrados da Monarquia e uma fotografia da Praça dos Restauradores.

Freguesia da Penha de França (Planta: Sérgio Dias)

Rua Eduardo Costa – Freguesia da Penha de França
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do campeão mundial de bilhar Alfredo Ferraz

Freguesia de Carnide (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Carnide
(Foto: Sérgio Dias)

Alfredo Ferraz, o 1º português que foi Campeão Mundial de Bilhar, viu o seu nome ser o topónimo escolhido para o Impasse B1 do Bairro da Horta Nova, através do Edital municipal de 12/04/1995, documento que também colocou o jornalista desportivo Carlos Pinhão na toponímia de Lisboa.

A sugestão partiu de uma carta de Eduardo António da Costa Soares endereçada à Comissão Municipal de Toponímia, tendo esta escolhido colocá-lo no Bairro da Horta Nova, junto a outros desportistas aí presentes em Ruas como Sidónio Serpa (hoquista), Herculano Pimentel (esgrimista) e Vítor Santos (chefe de redação de A Bola).

alfredo Ferraz

Alfredo Ferraz (Madeira-Madalena do Mar/08.11.1901 – 16.09.1960/Lisboa) foi uma figura primordial do bilhar e foi com ele que Portugal arrecadou pela primeira vez na história um título mundial desportivo. Alfredo Ferraz evidenciava paixão pelo bilhar e uma brilhante técnica que lhe granjearam sucesso nacional e internacional, tendo sido durante anos consecutivos  o Campeão de Portugal e em 1956, recebeu a Medalha de Mérito Desportivo, tendo sido o primeiro Comendador desta Ordem.

O bilhar de competição nasceu em Portugal em 1930, com a criação da Federação Portuguesa dos Amadores de Bilhar , no Porto, e só em 1936 apareceu  a Associação Portuguesa de Bilhar, em Lisboa. Antes disso, Alfredo Ferraz disputava competições internacionais inscrito pela Federação de Espanha. Foi medalha de prata no campeonato Mundial de 1934 e em 1939, conquistou em Lausanne o título mundial de bilhar livre.

Alfredo Ferraz fixara-se em Lisboa para estudar no Instituto Superior Técnico mas, dois anos após a chegada à capital, a paixão pelo bilhar levou-o a desistir do curso para se dedicar por inteiro à modalidade e o seu talento cativava nos Bilhares do Rossio, na Praça D. Pedro IV. Em 1944, adquiriu mesmo uma quota na Sociedade Bilhares do Rossio, e através desse local Alfredo Ferraz fez escola e fomentou a modalidade de Bilhar.

Este bilharista também colaborou no jornal Os Sports e na revista Stadium, como orientador de assuntos de bilhar.

Freguesia de Carnide (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Carnide
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua Eduardo Brazão

O Palco Revista Teatral, 20.03.1912

Eduardo Brazão por Amarelhe, O Palco-Revista Teatral, 20.03.1912

A ligação de Ramalho Ortigão a Eduardo Brazão prende-se com a preferência de ambos pela estância de veraneio de São Martinho do Porto que ambos frequentaram.

Foi pelo Edital de 12/03/1932, o primeiro documento a criar um Bairro de Atores na toponímia de Lisboa, que a Rua nº 8 do projecto aprovado em sessão de 07/04/1928 consagrou Eduardo Brazão. Os outros foram Ferreira da Silva (na antiga Rua nº 7-A), José Ricardo (Rua 7), Lucinda Simões (Rua 8-A), Ângela Pinto (Rua circular em volta do mercado), Rosa Damasceno (Rua nº 6) com quem aliás Brazão foi casado e, Joaquim Costa (Rua Particular) que havia sido seu colega na Escola Naval.

Eduardo Brazão (Lisboa/06.02.1851 – 30.05.1925/Lisboa), nasceu na Costa do Castelo e viveu na Rua dos Fanqueiros por cima da loja de alfaiate de fardas do seu pai. Na Escola Naval teve como colegas Augusto Rosa e Joaquim Costa que também virão a ser actores. Estreou-se na Companhia do Teatro do Príncipe Real mas no palco portuense do Teatro Baquet, em Trapeiros de Lisboa. Continuou a sua carreira pelo Príncipe Real e pelo Trindade, a partir dos 17 anos. Refiram-se ainda as suas participações em A Mãe dos Pobres (1867) de Ernesto Biester,  A Morgadinha de Valflor (1870) de Pinheiro Chagas, na comédia O Fura-Vida (1871), em Othelo (1882) de Shaskespeare e D. Afonso VI (1890) de D. João da Câmara. Na época, era conhecido por cobrar altos honorários e exigir condições inusitadas. No cinema, integrou os elencos de Rainha Depois de Morta (1910), As Pupilas do Senhor Reitor (1922), O Fado (1923) e Os Olhos da Alma (1925).

Eduardo Brazão foi também foi empresário teatral, com a  Biester, Brazão & Cª e depois, com a Rosas & Brazão, por duas vezes sediado no D. Maria II. A sua récita de despedida foi em 1924 no palco do São Carlos.

Freguesia de Arroios (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Arroios
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Carlos Mayer no Pote de Água

Freguesia de Alvalade (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade
(Foto: Sérgio Dias)

O alfacinha Carlos Mayer era um dos elementos dos Vencidos da Vida e por isso ligado a Ramalho Ortigão, que pelo Edital municipal de 26/05/1956 passou a dar o seu nome à Rua 29 do Sítio de Alvalade, local que antes de ser urbanizado era conhecido como Pote de Água, designação aliás ainda mantida na toponímia local num Largo e numa Travessa.

Esta sugestão resultou da análise do artigo «A Consagração lapidar nas ruas de Lisboa através dos registos toponímicos» (de 14/11/1955) do Diário de Lisboa na reunião de 21/12/1955 da Comissão Municipal de Toponímia que assim deu parecer favorável à atribuição dos nomes de Carlos Mayer, Oliveira Martins, Moura Girão, Rodrigues Vieira, Henrique Pinto, bem como dos pintores do Grupo do Leão, António Ramalho, Cipriano Martins, João Vaz e Ribeiro Cristino.

Carlos Félix de Lima Mayer (Lisboa/11.02.1846 – 28.02.1910/Lisboa), filho de Adolfo de Lima Mayer e de Maria Amália Rosalina Pereira Guimarães, foi um médico, empresário e intelectual que pertenceu ao grupo Vencidos da Vida. Cursou Matemática e Filosofia em Coimbra, onde conheceu Antero de Quental, e depois seguiu Medicina, na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, assim como na Bélgica e em França. Mais tarde, trocou a clínica que exerceu em Lisboa durante pouco tempo pela gestão de empresas em Moçambique, Angola, Açores, Beiras e Algarve, tendo-se suicidado em 1910, após completar 64 anos, na sua casa da Rua das Janelas Verdes.

A sua neta, Maria Ulrich, filha de Veva de Lima (Genoveva Lima Mayer), está também presente na toponímia de Lisboa, através da Rua Maria Ulrich, localizada nas proximidades da Casa Veva de Lima.

Freguesia de Alvalade

Freguesia de Alvalade

Gulbenkian duplicado

Estátua de Calouste Gulbenkian por Leopoldo de Almeida, 1965, pedra e bronze (Foto: CML)

Estátua de Calouste Gulbenkian nos jardins da Fundação, da autoria de Leopoldo de Almeida, 1965, pedra e bronze (Foto: CML)

Calouste Gulbenkian tem o seu nome perpetuado em duas artérias de Lisboa: uma Avenida que se estende pelas Freguesias de Campolide e de Benfica e, um Largo no Bairro das Furnas, na Freguesia de São Domingos de Benfica.

A Avenida que tem como legenda «Instituidor da Fundação Calouste Gulbenkian/1869 – 1955» nasceu pelo Edital de 18/08/1966 na Avenida compreendida entre a Praça de Espanha e a Avenida de Ceuta, conhecida por prolongamento da Avenida de Berna, a partir de uma sugestão do Rotary Clube de Lisboa e de notícias publicadas no Diário da Manhã (09/09/1962) e em O Século (20/07/1964).

O Largo, fixado 19 anos depois  no largo compreendido entre os lotes 1 a 15 do Bairro das Furnas, com a legenda «1869 – 1955», pelo Edital de 20/08/1985,  deveu-se à comparticipação da Fundação Gulbenkian na execução deste Bairro para realojamento das famílias das casas abarracadas que ali residiam há 40 anos, pelo que até foi inaugurado por ocasião de uma sessão solene evocativa do 28º aniversário da morte de Calouste Gulbenkian, promovida pela Associação de Moradores do Bairro das Furnas.

Calouste Sarkis Gulbenkian (Arménia, Scutari-Instambul/23.03.1869 – 20.07.1955/Lisboa) foi um empresário arménio, licenciado em engenharia (1887), que em Lisboa instituiu a Fundação com o seu nome por disposição testamentária (de 18 de junho de 1953), destinada a fomentar as artes, as letras, as ciências e o pensamento em geral, como prova de gratidão pela hospitalidade recebida em Portugal, para além de ter feito dádivas em peças de arte ao Museu de Arte Antiga.

Calouste Gulbenkian que era por gosto um coleccionador de arte acolheu-se em Portugal em 1942 e acabou por cá ficar até à sua morte, a morar no Hotel Aviz, em Lisboa, acalentando o sonho de reunir sob um mesmo tecto, todas as suas obras dispersas, o que sucedeu quando a sua coleção completa veio para Portugal em 1960, tendo estado exposta primeira no Palácio dos Marqueses de Pombal (entre 1965 e 1969).

Este magnate da indústria petrolífera que desde 1898 era conselheiro económico das embaixadas Otomanas de Paris e Londres naturalizou-se inglês em 1902. Na Turkish Petroleum Company, criada em 1912, ele detinha 15% do capital e passou a ser conhecido como «Senhor cinco por cento» quando em 1913-14 com a reorganização desta Companhia ficou estipulada para si essa quota, que manteve também a partir de 1928, com a assinatura do Red Line Agreement que permitiu a compatibilização dos interesses locais e internacionais sobre a exploração petrolífera no ex-Império Otomano na nova Iraq Petroleum Co. Ltd.

Avenida Calouste Gulbenkian -Freguesias de Campolide e de Benfica (Foto: Sérgio Dias)

Avenida Calouste Gulbenkian – Freguesias de Campolide e de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

Localização do Largo Calouste Gulbenkian na Freguesia de São Domingos de Benfica

Localização do Largo Calouste Gulbenkian na Freguesia de São Domingos de Benfica