A Rua Pedro Queirós Pereira e Fulviet

A intervenção de Fulviet na Estrada da Torre
(Foto: © CML | DMC | DPC | José Vicente 2019)

A Rua Pedro de Queirós Pereira situa-se no topo do talude que tem a intervenção artística de RAF já aqui referida e foi o local onde decorreu a intervenção sonora de Third. Numa imaginária linha reta desenhada para a esquerda encontramos a intervenção artística de Fulviet na  Estrada da Torre, junto ao CUPAV – Centro Universitário Padre António Vieira.

O italiano Fulvio Capurso é o artista Fulviet, arquiteto de formação por Turim e sócio fundador da empresa RootStudio, com João Boto Caeiro, no México, desde 2008. Vive em Montevideu (Uruguai) desde 2012 e dedica-se à arquitetura, design, ilustração, pintura e escultura, para além de ser professor de desenho e integrar o coletivo de muralistas CasaWang. Já produziu ilustrações para livros e revistas de Espanha,  Itália, México, Panamá e Portugal.

Já a Rua Pedro de Queirós Pereira, dada a sua configuração, é vulgarmente denominada como Bairro Pedro de Queirós Pereira. Foi uma sugestão da Junta da Freguesia do Lumiar que originou o processo nº 22657/71 e de que resultou a atribuição do topónimo pelo Edital municipal de 1 de fevereiro de 1972 no que então era o «arruamento que partindo da Azinhaga da Musgueira, dá acesso ao Núcleo de Ocupação Imediata da Malha da Musgueira », com uma legenda referindo apenas com os anos de nascimento e morte. Desde 1970 que a artéria tinha prédios construídos para se proceder, a partir de 1971, ao realojamento de população oriunda de casas provisórias do Bairro Musgueira Norte.

Contudo, sabe-se pelas atas das reuniões da Comissão Municipal de Toponímia, de 15 de junho e 6 de julho de 1976, que foi na edilidade lisboeta recebida uma carta da família do homenageado solicitando alteração deste topónimo mas no desconhecimento das causas que fundamentaram esse pedido foram pedidos esclarecimentos à Junta de Freguesia do Lumiar.

Pedro Teixeira de Queirós Pereira (1903 – 1970) foi um  antigo administrador da SOMAP – Sociedade Nacional de Petróleos e sucedeu a seu pai, como Administrador Delegado da Companhia das Águas de Lisboa, de 1941 a 1952, assim como de 1954 a 1963. Foi agraciado com o Grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Santiago da Espada, em 4 de junho de 1965. Era filho de Carlos Augusto Pereira (Lisboa/20.05.1879 – 26.09.1941/Estoril) – que foi Administrador Delegado da Companhia das Águas de Lisboa de 1919 a 1941 – e Cecília Teixeira de Queirós Pereira (Coimbra/10.07.1874 -27.10.1951/Lisboa). Era seus irmãos Maria Teresa (1902), Manuel Augusto (1906), Cecília Maria (1910) e Francisco. Era também primo direito da mulher de Marcelo Caetano, Teresa Queirós de Barros.

© CML | DPC | NT e GAU | 2019

 

 

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Shegundo Galarza e a Sons da Lusofonia no Muro’19

O compositor basco Shegundo Galarza e a Sons da Lusofonia vão partilhar o espaço do Muro’19, 3ª edição do Festival de Arte Urbana de Lisboa, desta feita com a inspiração da música que a toponímia local evoca –  com a Alameda da Música, as fadistas Maria Alice, Maria do Carmo Torres e Maria José da Guia ou nomes da  música clássica como Arminda Correia ou Tomás del Negro-, fazendo a ligação da arte urbana a sonoridades, na vontade expressa da Galeria de Arte Urbana de Lisboa|GAU de apostar na divulgação de abordagens artísticas experimentais e inovadoras.

Criada em 1996, a Associação Sons da Lusofonia partiu do saxofonista português Carlos Martins e da sua experiência musical, com o intuito de juntar artistas de diversas origens- em especial, africanos, brasileiros e portugueses – em vários agrupamentos dos quais se destaca a Orquestra Sons da Lusofonia. A Associação procura ainda aliar a intervenção social e a educação global à música, assim como à relação entre comunidades, pessoas e artes,  numa ampla área de intervenção de  Criação de Projetos Culturais, Festivais, Cooperação cultural e técnica, Educação Global através da música, Criação e produção de suportes de comunicação, Investigação em Etnomusicologia e Promoção de espetáculos.

A Associação Sons da Lusofonia tem marcado o seu percurso através de cruzamentos interdisciplinares e pessoas de diferentes geoculturalidades e neste âmbito produz anualmente a Festa do Jazz, a OPA- Oficina Portátil de Artes, a Lisboa Mistura, assim como desenvolveu o Portugal em Jazz, para além de editar discos e livros. Em 2007, realizou ainda para televisão o programa Lisboa Mistura TV, da autoria de Carlos Martins.

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Shegundo Ramón Galarza Arace (Espanha – Guipuzcoa/07.09.1924 – 04.01.2003/Lisboa), maestro e compositor de origem basca, filho único de um comerciante, começou a residir em Lisboa a partir de 1948 e em mais de 50 anos de carreira deixou uma marca de qualidade na música ligeira portuguesa que justificam a sua presença desde a publicação do Edital municipal de 15 de dezembro de 2003 como topónimo no núcleo dedicado à toponímia musical, no arruamento formado pela junção da Rua B com a  Rua 7.1 do Alto do Lumiar, pelo que hoje une a Avenida Álvaro Cunhal  à Rua Ferrer Trindade.

Com a sua orquestra de violinos, Shegundo Galarza esteve presente na televisão portuguesa desde o seu começo e celebrizou o restaurante Mónaco, de que era coproprietário com o empresário galego Manuel Outerelo Costa.

Shegundo Galarza concluiu o conservatório de Bilbau,  ganhou um prémio de piano e aos 18 anos começou a percorrer a Europa em concertos. Chegou a Portugal com 24 anos de idade e a partir de 25 de novembro de 1948 passou a atuar diariamente no Casino Estoril, situação que manteve até maio de 1950. Na década de cinquenta também tocou em diversos restaurantes portugueses, nos de Luanda e da então Lourenço Marques (hoje Maputo), bem como de Joanesburgo (1952 -1954), até se estabelecer  junto à Marginal, no Restaurante Mónaco (de novembro de 1956 a 1974), local que introduziu o jantar dançante em Portugal.

Em paralelo, Shegundo Galarza integrou prestigiadas orquestras ligeiras portuguesas e teve a sua, para além de um conjunto em nome próprio. Por via do maestro José Atalaya, logo em 1956 foi convidado pela RTP a protagonizar um programa semanal, com a sua orquestra de violinos, que atingiu 100 emissões. Ao longo da sua carreira colaborou com a RTP quer em programas de música quer em arranjos musicais de várias longas metragens e de centenas de documentários.

Gravou os seus três primeiros discos para a editora Melodia (1951) com temas de Frederico Valério e seus; mais seis para a editora Decca  (1952 -1954) e assinou a gravação de quatro com a editora Estoril, para além de ter gravado  Fado Rossio para a Fonomat, de Lisboa,  em 1959. Como solista ou com a sua orquestra de violinos, gravou cerca de 50 discos em Portugal e Espanha, para editoras como a Alvorada, BelterEstoril, Marfer, Orfeu, RCA, Roda e Voz do Dono. Em 1996, Shegundo Galarza gravou um disco em que interpretava, ao piano, temas como Lisboa AntigaMadeiraAçoresMoçambique, Aldeia da Roupa Branca e em 2001 editou Sorrisos do Tempo.

Como orquestrador,  Shegundo Galarza trabalhou para o Festival Eurovisão da Canção ou da OTI – tendo dirigido a orquestra da Eurovisão para Playback de Carlos Paião (1981) – e trabalhado com outros inúmeros artistas como AmáliaCândida Branca FlorManuel João Vieira, Frei Hermano da Câmara, Herman José, Jorge Fontes, José Cid, Lara Li, Madalena Iglésias, Marco Paulo, Maria da Fé, Maria de Lurdes Resende, Max, Natália de Andrade, Paulo de Carvalho, Quim Barreiros, TonichaTony de Matos ou Tozé Brito.

Na sua vida pessoal, foi pai da enfermeira Teresa Galarza (1952) e do também músico Ramón Galarza (1957).

© CML | DPC | NT e GAU | 2019

 

A Rua do compositor basco Shegundo Galarza

Freguesia do Lumiar
(Foto: Google Maps editada pelo NT do DPC)

Shegundo Galarza, compositor basco que com a sua orquestra de violinos esteve presente na televisão portuguesa desde o seu começo e celebrizou o restaurante Mónaco, está desde o ano do seu falecimento perpetuado numa artéria da Freguesia do Lumiar, no núcleo dedicado à toponímia musical.

A Rua Shegundo Galarza, que termina junto à Rua Ferrer Trindade, foi o topónimo dado à junção da Rua B com a  Rua 7.1 do Alto do Lumiar num único arruamento. Tal aconteceu através da publicação do Edital municipal de 15 de dezembro de 2003, que nas proximidades atribuiu também a ruas os nomes dos compositores Belo Marques e Nóbrega e Sousa, dos cantores Luís Piçarra e Arminda Correia e da violoncelista Adriana de Vecchi.

Shegundo Ramón Galarza Arace (Espanha – Guipuzcoa/07.09.1924 – 04.01.2003/Lisboa), maestro e compositor de origem basca, filho único de um comerciante, desde 1948 começou a residir em Lisboa e em mais de 50 anos de carreira deixou uma marca de qualidade na música ligeira portuguesa.

Concluiu o conservatório de Bilbau,  ganhou um prémio de piano e aos 18 anos começou a percorrer a Europa em concertos. Chegou a Portugal aos 24 anos e a partir de 25 de novembro de 1948 passou a atuar diariamente no Casino Estoril, até maio de 1950. Nessa década tocou ainda em diversos restaurantes portugueses, de Luanda, da então Lourenço Marques (hoje Maputo), de Joanesburgo (1952 -1954) até se estabelecer no Restaurante Mónaco (novembro de 1956 a 1974), de que era sócio com o empresário galego Manuel Outerelo Costa, e que em Portugal introduziu o jantar dançante.

Em paralelo, integrou as mais prestigiadas orquestras ligeiras portuguesas e teve a sua e um conjunto em nome próprio. Logo em 1956, a RTP convidou-o, por via do maestro José Atalaya, a protagonizar um programa semanal, com a sua orquestra de violinos, que atingiu 100 emissões e ao longo da sua carreira colaborou com a RTP em programas de música e em arranjos musicais de várias longas metragens e de centenas de documentários.

Gravou os seus 3 primeiros discos para a editora Melodia (1951) com temas de Frederico Valério e seus, mostravam desde logo os vários mundos do músico, que sempre acompanhou as tendências internacionais do seu tempo; mais 6 para a editora Decca  (1952 -1954), assinou a gravação de 4 com a editora Estoril, gravação Fado Rossio para a Fonomat, de Lisboa,  em 1959. Como solista ou com a sua orquestra de violinos, gravou cerca de 50 discos em em Portugal e em Espanha, para editoras como a Alvorada, Belter, Estoril, Marfer, Orfeu, RCA, Roda e Voz do Dono. Em 1996, Shegundo Galarza gravou um disco em que interpretava, ao piano, temas como Lisboa Antiga, Madeira, Açores, Moçambique, Aldeia da Roupa Branca e em 2001 editou Sorrisos do Tempo.

Como orquestrador trabalhou para o Festival Eurovisão da Canção ou da OTI – tendo dirigido a orquestra da Eurovisão para Playback de Carlos Paião (1981) – e trabalhado com outros inúmeros artistas como Amália, Cândida Branca FlorDoutor Lello Minsk, Frei Hermano da Câmara, Herman José, Jorge Fontes, José Cid, Lara Li, Madalena Iglésias, Marco Paulo, Maria da Fé, Maria de Lurdes Resende, Max, Natália de Andrade, Paulo de Carvalho, Quim Barreiros, TonichaTony de Matos ou Tozé Brito.

Na sua vida pessoal, foi pai da enfermeira Teresa Galarza (1952) e do também músico Ramón Galarza (1957).

Shegundo Galarza foi homenageado com uma festa dos 50 anos de carreira em Portugal (1998) no Casino Estoril e está presente também na toponímia de Paço de Arcos.

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

A Rua do autor e empresário teatral Sousa Bastos

Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

Sousa Bastos, autor, encenador e empresário teatral, em Portugal e no Brasil, na transição do séc. XIX para o séc. XX, passou a dar nome a uma artéria lisboeta 84 anos após o seu falecimento, na freguesia de Marvila.

Para responder a um pedido dos CTT que solicitava topónimos para os arruamentos do Bairro do Alfenim, na área envolvente da Azinhaga do Vale Fundão, a edilidade alfacinha resolveu aí criar pela toponímia um Bairro de Autores Teatrais, através do Edital municipal de 20 de março de 1995, com a Rua Sousa Bastos, o Largo Álvaro de Andrade, a Rua Bento Mântua, a Rua Ernesto Rodrigues, a Rua Lino Ferreira, o Largo Vitoriano Braga e a Rua Xavier de Magalhães. A Rua Sousa Bastos, com a legenda «Empresário e Autor Teatral/1844 – 1911 »,  ficou no arruamento compreendido entre a Azinhaga do Vale Fundão e o Lote B do Bairro do Alfenim.

O Grande Elias, 8 de setembro de 1904

António de Sousa Bastos (Lisboa/13.03.1844 – 02.07.1911/Lisboa), filho do nobre napolitano D. Francisco de Judicibus e da lisboeta D. Joana Maria da Salvação de Sousa Bastos,  segundo o assento de batismo da Paroquial de Santa Isabel nascido no nº 87 do Largo do Patrocínio (seria provavelmente, o Largo do Monteiro) e batizado como António Rodrigo Francisco João Valeriano Bernardino Peregrino Ângelo André Carlos Nicolau Vicente José Augusto Máximo Magalhães de Sousa Bastos de Judicibus, tendo como padrinhos Rodrigo da Fonseca Magalhães e Maria Gertrudes Guimarães.

Concluída a instrução primária em Lisboa e o Liceu em Santarém, regressou a Lisboa para seguir o Curso de Agronomia no Instituto Agrícola que abandonou por se ter casado aos 21 anos e assim teve de avançar para sucessivos  empregos. Começou como jornalista no Álbum Literário  e seguiu depois para o Comércio de LisboaDiário ComercialGazeta SetubalenseGazeta do Dia, entre outros. Mesmo depois de se dedicar ao teatro ainda escrevia regularmente crónicas sobre teatro para o Diário de Notícias e colaborava com outros periódicos como o Espectador Imparcial, A Arte Dramática e a revista Ribaltas e Gambiarras.

Sousa Bastos notabilizou-se como autor, encenador e empresário teatral, em Portugal e no Brasil, dirigindo vários teatros, tanto em Lisboa como no Rio de Janeiro, São Paulo, Pará e Pernambuco, para além de ter sido o empresário de diversas companhias teatrais. Foi ele que em 1881 levou as primeiras digressões da revista à portuguesa pelo Brasil. Em Lisboa, foi o empresário e ensaiador dos Teatros da Rua dos Condes, do Príncipe Real (depois, denominado Teatro Apolo), da Trindade, do Avenida, entre outros.

Como autor dramático, somou mais de uma centena de obras, entre  revistas, operetas, comédias e dramas originais, para além de ter traduzido e adaptado outras peças. A primeira das mais de vinte revistas que escreveu subiu à cena em 1869 e intitulava-se Coisas e Loisas, enquanto as duas últimas revistas foram  Talvez Te Escreva (1901) e A Nove (1909). Na nota necrológica do jornal O Occidente afirma-se que «Essa popularidade veio-lhe sobre tudo das revistas que compoz e mais calaram no gosto publico, como as intituladas “Sal e Pimenta”, “Tim Tim por Tim Tim” e “Fim de Seculo”, além de muitas outras que fez, pois foi o primeiro, ou dos primeiros autores a compôr este género de peças». A popularidade das suas produções também se deveu à aposta em cenografias mais elaboradas, números musicais,  vedetas femininas e coristas.

Paralelamente, com o tipógrafo João António de Matos, Sousa Bastos fundou em 1877 a Empresa Literária de Lisboa que editou uma História de Portugal em 6 volumes, da autoria de António Enes, Bernardino Pinheiro, Eduardo Vidal, Gervásio Lobato, Luciano Cordeiro e Pinheiro Chagas, e uma História Universal traduzida. Ele próprio escreveu  Carteira do Artista (1898), com biografias de autores dramáticos, artistas, pontos, cenógrafos e anedotas do meio teatral português e brasileiro, num total de 866 páginas  impressas pela Antiga Casa Bertrand, assim como lançou um Dicionário do Teatro Português (1908) de 380 páginas, sobre  técnicas teatrais, autores dramáticos, atores e atrizes, empresários da área, publicadas pela Imprensa Libanio da Silva, para além de Lisboa velha: sessenta anos de recordações, 1850 a 1910.

Na sua vida pessoal, António de Sousa Bastos casou com Leopoldina Rosa Vieira Martins (1847 – 1879) em 24 de agosto de 1865, de quem teve vários filhos e depois de enviuvar voltou a casar, em 1 de julho de 1894, com a atriz Palmira Bastos, de quem teve duas filhas. Sousa Bastos sucumbiu à diabetes, aos 67 anos de idade,  tendo sido sepultado em jazigo particular no Cemitério dos Prazeres.

De entre as várias homenagens de que Sousa Bastos foi alvo destacamos o Teatro Sousa Bastos inaugurado em Coimbra no dia 15 de junho de 1914, uma Exposição comemorativa do seu centenário do nascimento em  1944 no Museu Rafael Bordalo Pinheiro seguida em 1947 da publicação pela edilidade lisboeta do seu livro Lisboa Velha.  Tem ainda ruas com o seu nome em Linda-a-Velha e em Odivelas.

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

#EuropeForCulture

A Rua do industrial da CUF, Alfredo da Silva

Freguesia da Ajuda
(Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O empresário e industrial Alfredo da Silva, sobretudo conhecido pela sua obra na CUF, desde a publicação do Edital municipal de 21 de dezembro de 1960 que dá o seu nome à Rua D à Quinta do Almargem ou à Calçada da Boa-Hora, com a legenda «Industrial/1871 – 1942», oito anos após o ofício nº 485/52 do Sindicato Nacional dos Comercialistas solicitar a inclusão do nome de Alfredo da Silva na toponímia de Lisboa.

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Alfredo da Silva (Lisboa/30.06.1871 – 22.08.1942/Sintra) era filho de um rico comerciante de Lisboa, Caetano Isidoro da Silva,  com casa comercial e morada no n.º 185 da Rua Bela da Rainha [Rua da Prata desde novembro de 1910], e de Emília Augusta Laymée Ferreira, de ascendência francesa, pelo que estudou no Liceu Francês até à morte do seu pai em 1885. Dois anos depois matriculou-se no Curso Superior de Comércio do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa,  sendo que em 1890 já detinha o encargo de gerir a herança da família e três anos depois, em 1893,  era por herança acionista um dos administradores do Banco Lusitano e da Companhia Aliança Fabril (CAF), que fabricava sabões e velas em Alcântara e de que era administrador Henry Burnay.

No ano seguinte, em 19 de abril de 1894, casou-se com Maria Cristina Resende Dias de Oliveira, tendo como padrinho o banqueiro João Baptista Dotti, um dos principais acionistas da CAF. A filha nascida desse casamento – Amélia de Resende Dias de Oliveira da Silva- casará com Manuel Augusto José de Mello, o genro que depois comandará a CUF, empresa que pertencerá por esta aliança familiar ao Grupo Mello.

Henry Burnay era administrador da CAF mas também da CUF (Companhia União Fabril) e após um incêndio da primeira, conjugou a sua vontade com a de Alfredo da Silva para a fusão das duas, união que foi formalizada em 22 de abril de 1898 sob o nome de CUF e que se desenvolveu produzindo adubos em grande escala, aproveitando a ideia do Estado potenciar o cultivo de cereais no Alentejo.

Acionista da Carris também por herança paterna, Alfredo da Silva foi convidado pela empresa em 1892 a fazer uma visita a algumas cidades da Europa para estudo dos melhores sistemas de tracção mecânica, tendo o seu relatório apontado para o que viriam a ser os Eléctricos da Carris, tendo o primeiro circulado no dia 31 de agosto de 1901 da Praça do Comércio a Algés.  Alfredo da Silva  foi diretor da Carris entre 1896 e 1899, com Zófimo Consiglieri Pedroso e Carlos Krus.

Alfredo da Silva diversificou os seus negócios em várias áreas e tornou-se um dos industriais mais ricos de Portugal. Esteve na criação da Tabaqueira do Poço do Bispo (1927) e na produção de tecidos para sacas de adubos, arrecadou a exploração do Porto de Lisboa no Estaleiro da Rocha do Conde de Óbidos (1936),  entrou na navegação e nos territórios africanos para controlar o transporte e matérias-primas, comprou o Banco Totta e a Companhia de Seguros Império, investiu na metalurgia.

Como diversos industriais do final do séc. XIX e principio do séc. XX, também Alfredo da Silva  se mostrou interessado em fixar os seus trabalhadores nas cercanias das suas fábricas, através da construção de  bairros operários, mercearias, padarias e até posto médico, de que foi exemplo maior o Barreiro, onde instalou fábricas de adubos a partir de 1907, assim como chegou mesmo a abrir uma escola para ambos os sexos em 1927. Todavia Alfredo da Silva geriu a CUF à distância quando se refugiou em Espanha e França após ter sido vitima de três atentados fracassados, tendo o último sido de outubro de 1921 e a sua ausência de Portugal até 1927.

Envolveu-se na política  ao ser eleito deputado  regenerador em 1906 e apoiante de João Franco; ao apoiar Sidónio Pais (1918) e depois o Estado Novo, tendo conquistado um lugar na Câmara Corporativa logo em 1935 e opôs-se frontalmente à lei das 8 horas de trabalho diário. No ano seguinte, conseguiu que fosse adjudicada à CUF a concessão do Estaleiro da Rocha Conde de Óbidos que será o embrião da Lisnave.

Alfredo Silva foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Civil do Mérito Agrícola e Industrial (1932), como Sócio Honorário do Ginásio Clube Figueirense (1933) e com a atribuição do seu nome a agrupamentos escolares do Barreiro e de Rio de Mouro, bem como uma Avenida no Barreiro e outra em Rio de Mouro (no Bairro da Tabaqueira), assim como ruas em  Alfragide e São Domingos de Rana.

Freguesia da Ajuda
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

 

#EuropeForCulture

O Largo Associação Ester Janz em Marvila

Largo Associação Ester Janz – Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias | NT do DPC )

Fundada em 1982, para prestar apoio educativo aos filhos dos funcionários do grupo das Empresas dos austríacos Janz,  a Associação Ester Janz passou em 1 de agosto de 2005 a dar nome a um Largo da Freguesia de Marvila, na confluência da Rua Fernando Maurício com a Rua Armandinho, próximo da sede da Associação.

Associação Ester Janz – Freguesia de Marvila

Bruno Janz, casado com Ester Janz,  fundou em 1915 a Empresa Bruno Janz,  na Avenida Infante D. Henrique, junto à nova rotunda, que resultou do prolongamento da Avenida Estados Unidos da América. Esta empresa familiar foi continuada pelo seu filho, netos e bisnetos, tendo à data da atribuição do topónimo cerca de 600 trabalhadores, muitos deles com 20, 30, 40 e até 50 anos de casa e moradores da freguesia de Marvila.

Logo nesse início do séc.XX e da empresa Bruno Janz, a sua esposa Ester Janz manifestava preocupações sociais em prol da melhoria de vida da mulher trabalhadora para obstar às dificuldades que estas tinham em conseguir conciliar a profissão com a vida familiar. Assim, em 7 de julho de 1982 foi possível à neta, Teresa Janz, concretizar o sonho da avó com a Associação Ester Janz, construída em edifício próprio e como uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), dedicada à educação dos filhos dos funcionários do grupo das Empresas Janz. Das 28 crianças iniciais passou-se para 60, decorridos cinco anos, já que em 1987, mediante protocolo assinado com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, a Associação acolheu pela primeira vez também crianças moradoras nas imediações das empresas do grupo e cujo rendimento do agregado familiar era baixo, aumentando a valência de  infantário para também escola do 1º Ciclo e  expandindo-se à comunidade em geral, sendo em 1990 já 438 crianças, granjeando o apoio da Junta de Freguesia de Marvila e da Câmara Municipal de Lisboa, nomeadamente através da cedência de terrenos para a construção e a ampliação das instalações.

Ester Janz faleceu em 1977 e os fundadores da Associação com o seu nome, funcionários e acionistas das Empresas Janz quiseram prestar-lhe esta homenagem a que a edilidade lisboeta acedeu dando o seu nome a uma arruamento da Freguesia para cujo bem estar contribuiu.

Largo Associação Ester Janz – Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias | NT do DPC )

As Ruas de 1960 de um Herói da Ocupação e de um Herói do Ultramar

Freguesias de Ajuda e Belém (Foto: Sérgio Dias)

A Rua General João de Almeida – Freguesias de Ajuda e Belém
(Foto: Sérgio Dias)

No ano anterior ao eclodir da Guerra Colonial, em 1960, foram colocados na toponímia de Lisboa dois militares ligados ao domínio português em África: o General João de Almeida e o Major Neutel de Abreu, nas freguesias de Ajuda-Belém e São Domingos de Benfica, tendo o primeiro a legenda de «Herói da Ocupação» e o segundo de «Herói do Ultramar», ambos sugeridos pela Sociedade de Geografia de Lisboa, que incluía também os nomes dos generais Garcia Rosado, Justiniano Padrel, Massano de Amorim e o Coronel Bento Roma.

O General João de Almeida (Guarda/05.10.1873 – 05.05.1953/Lisboa), Herói dos Dembos e da ocupação do Baixo Cubango foi atribuído como topónimo pelo Edital de 28 de outubro de 1960 na Rua Projetada à Calçada do Galvão. Dez anos mais tarde, por edital publicado em 7 de novembro de 1970 foram também integradas neste arruamento a Travessa do Pátio das Vacas e o Largo do Museu Agrícola Colonial, pelo que hoje se estende da Calçada da Ajuda até à Calçada do Galvão.

Freguesias de Ajuda e Belém - Placa Tipo II (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias de Ajuda e Belém – Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias)

Formado em Filosofia e Matemática pela Universidade de Coimbra, ingressou na Escola do Exército, tendo mais tarde concluído ainda os cursos do Estado Maior do Exército (1903) e da Escola de Engenharia Civil de Paris. Ainda como Capitão, durante as Campanhas de África, comandou em 1907 uma coluna de operações contra os Dembos Rebeldes em Angola que lhe granjeou o epíteto de Herói dos Dembos. No ano seguinte foi nomeado governador interino do distrito de Huíla sendo mais tarde o governador, para além de ter colaborado na ocupação de todo o Baixo Cubango e ajudado o General Roçadas a pacificar a região de Huíla (1909), sendo obra sua a fixação da fronteira meridional de Angola. Também foi Governador e Diretor de obras públicas de Cabo Verde, bem como Governador Geral de Macau (1931).

Em 1919, já coronel e Comandante militar da região de Aveiro, bateu-se pela Monarquia do Norte, ao lado de Paiva Couceiro, a primeira das diversas conspirações em que participou para derrubar a República, já que era Monárquico e simpatizante do Integralismo. João de Almeida foi ainda  Ministro das Colónias durante 3 dias, de 6 a 9 de julho de 1926.

Foi também autor de obras sobre temática colonial – como Carta itinerária de Angola ou A ocupação portuguesa em África na época contemporânea – e sobre a cidade da Guarda – como Roteiro dos monumentos de arquitectura militar do concelho da Guarda ou A Guarda capital da Beira (1937) – , bem como obras didáticas no  âmbito das suas funções de diretor do Instituto de Ensino Normal de Braga. Seguiu ainda uma carreira de administrador de empresas, na Empresa Eléctrica-Oceânica de Aveiro (entre 1920 e 1936), na  Companhia do Papel do Prado (desde 1929) e presidindo à Real Companhia Vinícola do Norte (a partir de 1933).

Foi condecorado como Grande Oficial de Ordem Militar da Torre e Espada, da Ordem Militar de Cristo e da Ordem Militar de Avis (todas em 1929) e a Grã-Cruz da Ordem do Império Colonial (1932) e também pai de 2 militares: os coronéis Alexandre Mendes Leite de Almeida e João Mendes Leite de Almeida. O General João de Almeida está também na toponímia da Damaia (Amadora) como Rua, na Guarda como Avenida e em Angola, em ruas de Luanda e de Benguela.

Freguesia de São Domingos de Benfica -Placa Tipo II (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de São Domingos de Benfica -Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias)

O Major Neutel de Abreu, de seu nome completo Neutel Martins Simões de Abreu (Figueiró dos Vinhos/ 1871 – 1945/ Figueiró dos Vinhos) ficou perpetuado na Rua A à Praceta I da Estrada de Benfica ou Rua A ao Largo do Conde de Bonfim pelo Edital de 21/12/1960, e desde que assentou praça no Regimento de Infantaria 11 de Setúbal (1888) esteve em Macau ( 1890) e Angola (1891-1898) até chegar a Moçambique, onde se destacou particularmente a comandar o posto de Moginqual e na chamada Pacificação de Moçambique, sobretudo na campanha que procurou  a submissão dos povos Namarrais do norte de Moçambique (1905-1913), comandada por Massano de Amorim. Participou na fundação, em 1907, daquela que veio a ser a cidade da Nampula- derivada do nome do régulo «Mpula» que significa chuva -, onde residiu mais de trinta anos, e na qual impulsionou o estabelecimento de diversas infraestruturas básicas no território. Reformado por razões de saúde em fevereiro de 1920 (ou 1912), aos 49 anos (ou talvez 41), decidiu dedicar-se à agricultura na sua plantação.

Foi galardoado com a Medalha de Ouro de Serviços Distintos no Ultramar (1916) e a comenda da Ordem Colonial (1941). Tem ainda o seu nome numa escola e numa rua da sua terra natal.

Freguesia de São Domingos de Benfica (Foto: Sérgio Dias)

A Rua Major Neutel de Abreu – Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua do Presidente da CML, Portugal Durão, no Bairro da Bélgica

Freguesia das Avenidas Novas (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias)

Albano Augusto Portugal Durão,  o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa de 1923 a 1925, passou a ser o topónimo das Ruas C e G do Bairro da Bélgica, com a legenda «Insigne Colonial/1871 – 1925», desde a publicação do Edital de 30 de junho de 1926.

A Comissão de Melhoramentos do Bairro da Bélgica sugeriu à autarquia lisboeta em 10 de maio de 1926  que fossem atribuídos nos arruamentos do seu Bairro topónimos alusivos à Bélgica, seguindo o exemplo do sucedido dez anos antes no Bairro de Inglaterra, em 1916. E assim, o Edital municipal de 30/06/1926 aí fixou os belgas Cardeal Mercier (arcebispo primaz da Bélgica que em 1915 publicou uma Carta Pastoral incitando ao patriotismo) – na Rua E do Bairro do Bélgica –  e General Leman (heróico defensor de Liège) – na Rua D – , colocando nas restantes artérias Tomás Cabreira (republicano que foi ministro das Finanças em 1914), o então último Presidente da CML  (Albano Augusto Portugal Durão que presidiu à edilidade de 1923 a 1925) e ainda, a Rua Costa Goodolfim e a Rua Visconde de Menezes, que neste local nunca passaram do papel.

Cerca de 6 anos mais tarde, pelo Edital camarário de 12/03/1932, foi dado à Rua A o nome Rua Dr. Álvaro de Castro, em homenagem àquele que comandara o Corpo Expedicionário Português a partir de 1916 e se demitira aquando da vitória de Sidónio Pais.

Rua Portugal Durão Albano

Albano Augusto Portugal Durão (Sertã/22.03.1871 – 13.11.1925/Lisboa) assentou praça na Marinha  em 1887 e em 1918, já era capitão-tenente. No decurso da sua vida militar, participou em campanhas em terras de África, como  o reconhecimento dos territórios de Milange, Namulia e Lomue, bem como desempenhou cargos civis de relevo, como o de administrador dos Transportes Marítimos do Estado e da Companhia da Zambézia, para além de diretor de Minas em Tete (Moçambique), e ainda, como membro do Conselho Fiscal do Banco Industrial Português.

Republicano membro do Partido Democrático, iniciou-se na política como ministro da Agricultura de Bernardino Machado, em 1921, sendo exonerado a seu pedido em 19 de maio. No ano seguinte foi eleito deputado por Lisboa, funções que exerceu até 1925, e sendo também Ministro de António Maria da Silva nos seus 2º e 3º governos, na pasta das Finanças ( de 6 de fevereiro a 26 de agosto de 1922, por ter pedido a demissão ) e depois, na dos Negócios Estrangeiros, entre 1 de julho e 1 de agosto de 1925. Portugal Durão foi também Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, no período de 5 de abril de 1923 até à sua morte em 13 de novembro de 1925.

Ainda no âmbito da participação de Portugal na I Guerra Mundial, Portugal Durão foi vogal da Comissão Executiva da Conferência da Paz e foi agraciado com a comenda da ordem Militar de Avis (1919).

Freguesia das Avenidas Novas (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do campeão mundial de bilhar Alfredo Ferraz

Freguesia de Carnide (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Carnide
(Foto: Sérgio Dias)

Alfredo Ferraz, o 1º português que foi Campeão Mundial de Bilhar, viu o seu nome ser o topónimo escolhido para o Impasse B1 do Bairro da Horta Nova, através do Edital municipal de 12/04/1995, documento que também colocou o jornalista desportivo Carlos Pinhão na toponímia de Lisboa.

A sugestão partiu de uma carta de Eduardo António da Costa Soares endereçada à Comissão Municipal de Toponímia, tendo esta escolhido colocá-lo no Bairro da Horta Nova, junto a outros desportistas aí presentes em Ruas como Sidónio Serpa (hoquista), Herculano Pimentel (esgrimista) e Vítor Santos (chefe de redação de A Bola).

alfredo Ferraz

Alfredo Ferraz (Madeira-Madalena do Mar/08.11.1901 – 16.09.1960/Lisboa) foi uma figura primordial do bilhar e foi com ele que Portugal arrecadou pela primeira vez na história um título mundial desportivo. Alfredo Ferraz evidenciava paixão pelo bilhar e uma brilhante técnica que lhe granjearam sucesso nacional e internacional, tendo sido durante anos consecutivos  o Campeão de Portugal e em 1956, recebeu a Medalha de Mérito Desportivo, tendo sido o primeiro Comendador desta Ordem.

O bilhar de competição nasceu em Portugal em 1930, com a criação da Federação Portuguesa dos Amadores de Bilhar , no Porto, e só em 1936 apareceu  a Associação Portuguesa de Bilhar, em Lisboa. Antes disso, Alfredo Ferraz disputava competições internacionais inscrito pela Federação de Espanha. Foi medalha de prata no campeonato Mundial de 1934 e em 1939, conquistou em Lausanne o título mundial de bilhar livre.

Alfredo Ferraz fixara-se em Lisboa para estudar no Instituto Superior Técnico mas, dois anos após a chegada à capital, a paixão pelo bilhar levou-o a desistir do curso para se dedicar por inteiro à modalidade e o seu talento cativava nos Bilhares do Rossio, na Praça D. Pedro IV. Em 1944, adquiriu mesmo uma quota na Sociedade Bilhares do Rossio, e através desse local Alfredo Ferraz fez escola e fomentou a modalidade de Bilhar.

Este bilharista também colaborou no jornal Os Sports e na revista Stadium, como orientador de assuntos de bilhar.

Freguesia de Carnide (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Carnide
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua Eduardo Brazão

O Palco Revista Teatral, 20.03.1912

Eduardo Brazão por Amarelhe, O Palco-Revista Teatral, 20.03.1912

A ligação de Ramalho Ortigão a Eduardo Brazão prende-se com a preferência de ambos pela estância de veraneio de São Martinho do Porto que ambos frequentaram.

Foi pelo Edital de 12/03/1932, o primeiro documento a criar um Bairro de Atores na toponímia de Lisboa, que a Rua nº 8 do projecto aprovado em sessão de 07/04/1928 consagrou Eduardo Brazão. Os outros foram Ferreira da Silva (na antiga Rua nº 7-A), José Ricardo (Rua 7), Lucinda Simões (Rua 8-A), Ângela Pinto (Rua circular em volta do mercado), Rosa Damasceno (Rua nº 6) com quem aliás Brazão foi casado e, Joaquim Costa (Rua Particular) que havia sido seu colega na Escola Naval.

Eduardo Brazão (Lisboa/06.02.1851 – 30.05.1925/Lisboa), nasceu na Costa do Castelo e viveu na Rua dos Fanqueiros por cima da loja de alfaiate de fardas do seu pai. Na Escola Naval teve como colegas Augusto Rosa e Joaquim Costa que também virão a ser actores. Estreou-se na Companhia do Teatro do Príncipe Real mas no palco portuense do Teatro Baquet, em Trapeiros de Lisboa. Continuou a sua carreira pelo Príncipe Real e pelo Trindade, a partir dos 17 anos. Refiram-se ainda as suas participações em A Mãe dos Pobres (1867) de Ernesto Biester,  A Morgadinha de Valflor (1870) de Pinheiro Chagas, na comédia O Fura-Vida (1871), em Othelo (1882) de Shaskespeare e D. Afonso VI (1890) de D. João da Câmara. Na época, era conhecido por cobrar altos honorários e exigir condições inusitadas. No cinema, integrou os elencos de Rainha Depois de Morta (1910), As Pupilas do Senhor Reitor (1922), O Fado (1923) e Os Olhos da Alma (1925).

Eduardo Brazão foi também foi empresário teatral, com a  Biester, Brazão & Cª e depois, com a Rosas & Brazão, por duas vezes sediado no D. Maria II. A sua récita de despedida foi em 1924 no palco do São Carlos.

Freguesia de Arroios (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Arroios
(Foto: Sérgio Dias)