Um fidalgo da Junqueira à esquina do Rossio

O alfacinha D. João Gonçalves Zarco da Câmara (Lisboa/27.12.1852 -02.01.1908/Lisboa) que nasceu e viveu no Palácio sito no nº 66 da Rua da Junqueira – onde mais tarde vão funcionar o Liceu D. João de Castro e  o Rainha D. Amélia –  passou a dar nome ao Largo do Camões, arruamento na confluência da Rua Primeiro de Dezembro,  Praça D. Pedro IV (vulgarmente conhecida como Rossio) e Largo do Regedor, pelo Edital municipal de 17.10.1924.

Esta artéria já era denominada Largo do Camões, pelo menos desde 1858, porque é assim mencionada no Atlas da Carta Topográfica de Lisboa de Filipe Folque, tal como em 1895 aparece num projeto municipal para alinhamento do Largo do Regedor e do Largo do Camões visando a ampliação da Caserna do Serviço de Incêndios.

E foi neste arruamento próximo do Teatro D. Maria I que a edilidade decidiu perpetuar como Praça, o nome do dramaturgo D. João da Câmara, com a legenda «Figura Gloriosa do Teatro Português/1852 – 1908», embora o edital de 1924 tenha por lapso mencionado Largo e, durante décadas, se tenha mantido a duplicação de referências, ora como Largo ora como Praça.

D. João da Câmara era engenheiro do caminho-de-ferro com trabalho reconhecido nessa área, nomeadamente na direção da construção da linha de Cárceres, mas também se dedicou com paixão à escrita, sobretudo à de teatro, tendo estreado a sua obra num palco em 19 de dezembro de 1876, no Teatro D. Maria, com a comédia Ao Pé do fogão. As operetas O burro do Sr. Alcaide (1891) e Cocó, reineta e facada (1893) foram dos seus maiores êxitos mas ele ainda escreveu mais cerca de 40 peças das quais se salientam, os dramas históricos D. Afonso VI (1890) e Alcácer Quibir (1891), os dramas realista de costumes Os Velhos (1893), Rosa Enjeitada (1901) e Triste Viuvinha (1897), os dramas simbolistas O Pântano (1894) e Meia-Noite (1900), bem como A Toutinegra Real (1894), O Amigo das mulheres (1896), e Ali-babá (1904). Enquanto escritor publicou também poemas, romances e contos, para além das suas crónicas regulares na revista O Ocidente, através das quais se pode conhecer o ambiente do rotativismo partidário entre regeneradores e progressistas e do governo ditatorial de João Franco

Na sua versatilidade, D. João da Câmara ainda ensinou Arte de Representar no Conservatório de Lisboa e foi pai de 7 filhos.

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