A Travessa Miguel Verdial

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na freguesia de Benfica

 

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Miguel Verdial um dos participantes do 31 de Janeiro numa Travessa de Benfica

Travessa Miguel Verdial

Placa Tipo II

Constituída pelo troço do Beco da Saúde que tinha os prédios com os nºs 2 a 30 e por uma parte do largo de Dona Amélia que tinha os prédios com os nºs 4 e 6, foi denominada esta artéria por Travessa Miguel Verdial, pelo Edital municipal de 18 de Junho de 1926, o mesmo que também na zona do Calhariz de Benfica fixou na toponímia lisboeta, todos em Travessas, os nomes de outros dois intervenientes na primeira tentativa de implantação da República, o 31 de Janeiro de 1891 – o Sargento Abílio e o Abade Pais –, bem como do republicano General Sousa Brandão.

Miguel Henriques Verdial (Peso da Régua – S. Faustino/15.10.1849 – 04.06.1922/Porto), foi quem no 31 de Janeiro, numa janela dos Paços do Concelho do Porto, leu a composição do Governo Provisório presidido por Rodrigues de Freitas. Gorado este movimento revolucionário foram os seus participantes levados a conselho de guerra, a bordo de um navio fundeado no Porto de Leixões, como sucedeu a Miguel Verdial, ao Capitão Leitão, ao jornalista João Chagas, a Santos Cardoso, ao tenente Coelho e a Aurélio da Paz dos Reis. Miguel Verdial foi condenado ao degredo em Angola, tal como o Capitão Leitão e aí, ambos construíram um caixote para se esconderem e regressarem a Portugal como se fossem mercadoria. Foram porém descobertos e só mais tarde conseguiram escapar e chegar a Paris onde Miguel Verdial continuou exilado enquanto o Capitão Leitão partiu para o Brasil. Amnistiado em 1893, Miguel Verdial voltou ao nosso país para então se dedicar a actividades de cariz cooperativista.

Enquanto actor, Miguel Verdial estreou-se no palco do Teatro Baquet aos 20 anos, em 1869, na peça «O 1º de Dezembro de 1640 ou A restauração de Portugal» e foi também no Baquet que se tornou empresário teatral. Trabalhou também no Teatro Trindade do Porto, e curiosamente, ao estrear-se em Lisboa, em 1876, foi também no Trindade, onde ficou até 1880 em várias óperas cómicas e burlescas. Regressado ao Porto funcionou nos palcos do Baquet e do Chalet. Quando do Ultimato Inglês, Miguel Verdial contribuiu com a realização de um espectáculo para a Liga Patriótica do Norte, no Teatro do Príncipe Real do Porto. Refira-se ainda que Miguel Verdial é bisavô do cantautor Sérgio Godinho.

A Rua Vítor Santos no dia do 68º aniversário de A Bola

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Placa Tipo IV

Completam-se hoje 68 anos do nascimento do jornal A Bola e por isso recordamos o seu histórico chefe de redacção Vítor Santos, cuja memória denomina uma rua em Lisboa desde 1991.

Cinco dias após o falecimento de Vítor Santos, a moção de pesar nº 79/90, aprovada na sessão de Câmara de 26 de Dezembro de 1990, deliberou atribuir o seu nome a um arruamento de Lisboa, e a Comissão Municipal de Toponímia apontou para o efeito a Rua B da Urbanização da Horta Nova (à Estrada do Paço do Lumiar) que recebeu a designação de Rua Vítor Santos pelo Edital de 15 de Fevereiro de 1991 e, foi inaugurada oficialmente no mês seguinte (conforme reportagem de A Bola que publicaremos no post seguinte).

Vítor Gonçalves dos Santos (Alenquer/31.05.1923-21.12.1990/Lisboa) entrou para A Bola em 1 de Novembro de 1950, como colaborador e, não tendo sido fundador deste jornal desportivo, foi quem o potenciou para a sua actual dimensão acrescentando a qualidade que fez de A Bola uma referência prestigiada da História do jornalismo nacional.

O seu primeiro artigo n’ A Bola foi a crónica do Benfica-Oriental e, tornou-se redactor a 1 de Outubro de 1954, deixando então o Instituto Superior de Agronomia, onde chegara ao 3.º ano, tendo como colegas da redacção Carlos Pinhão, Aurélio Márcio e Silva Resende. Igualmente bem cedo o fundador Cândido de Oliveira o convidou a ocupar o cargo de chefe de redação da “equipa da Queimada” – por referência a estar sediada no nº 23 da Travessa da Queimada -, iniciando uma brilhante carreira no jornalismo português.

Também ainda hoje este jornalista é recordado na Académica por ter sido quem denominou essa equipa como “Pardalitos do Choupal”, na sua crónica ao jogo da vitória sobre o Benfica por 3 a 1 na época de 1961/1962. Vítor Santos foi ainda fundador com Alves dos Santos, Artur Agostinho, Mário Zambujal, Fernando Soromenho, Manuel Mota, Vítor Sérgio, Mário Cília, Vasco Resende, Carlos Pinhão, e, Aurélio Márcio, em 1966, do CNID – Clube Nacional de Imprensa Desportiva que institui um prémio com o seu nome para distinguir uma jovem promessa da imprensa escrita desportiva.

O Governo e o Presidente da República distinguiram a sua extraordinária carreira com a Medalha de Mérito Desportivo (1986) e a comenda da Ordem do Infante D. Henrique (1990). Recebeu, igualmente, a Bola de Ouro, troféu que tem o apoio cultural da FIFA e distingue os principais nomes do jornalismo.

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Freguesia de Carnide

A reportagem do jornal A Bola no dia da inauguração da Rua Vítor Santos

Neste dia do 68º aniversário d’ A Bola , agradecemos toda a colaboração que o jornal nos dispensou na elaboração do artigo sobre a Rua Vítor Santos e abaixo disponibilizamos a sua reportagem da inauguração do arruamento em 1991.

VSantos Capa

Capa de A Bola de 16 de Março de 1991 (clicar na foto para ver maior)

VSantos Reportagem

Reportagem de João Alves da Costa e fotos de Nuno Ferrari  (clicar na foto para ver maior)

A Rua Garrett e o Chiado

Freguesia de Santa Maria Maior (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Sérgio Dias)

Quando em 25 de Agosto de 1988 ardia o Chiado, os repórteres de som e imagem acorreram sobretudo à Rua Garrett, a das Livrarias Sá da Costa e Bertrand, d’A Brasileira do Chiado e da Leitaria Garrett, para dar notícia da ocorrência, muito por causa desta artéria se confundir com o Chiado.

A meio do século XIX, ainda o Governo Civil tinha a incumbência da denominação dos arruamentos decidiu este que as Ruas do Chiado e Portas de Santa Catarina passassem a ter a denominação única de Rua do Chiado (Edital de 01/09/1859) e, só passados 21 anos passou a Rua Garrett, conforme o Edital municipal de 14 de Junho de 1880: « José Gregorio da Rosa Araujo, Presidente da Camara Municipal de Lisboa Faço saber que a mesma câmara, na sessão de 7 do corrente mez, em virtude da atribuição que lhes confere o nº 28 do artigo 103º do  código administrativo, resolveu: 1º – que a rua do Chiado, em todo o seu prolongamento até à Praça de Luiz de Camões, passe a denominar-se ==Rua Garret».

João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett (Porto/04.02.1799 – 09.12.1854/Lisboa), cujo 214º aniversário se comemora na próxima 2ª feira, recebeu da sua origem irlandesa o apelido “Garet” e alterou-lhe a grafia na assinatura, para “Garrett”, com o objectivo de que as pessoas pronunciassem correctamente o seu nome como “Garrete”.

Almeida Garrett, enquanto escritor, inaugurou o romantismo em Portugal com os poemas «Camões» (1825) e «Dona Branca» (1826) e exprimiu também lirismo confessional em «Folhas Caídas» (1853), para além de ser o autor da tragédia «Frei Luís de Sousa» (1844), considerada a obra mais brilhante do teatro romântico e, ter renovado a prosa portuguesa com «Viagens na Minha Terra» (1846).

Como político, viveu alguns anos exilado em Inglaterra e França por ser liberal (1823 a 1826, 1828-1832), e foi depois várias vezes deputado após 1837, par do reino (1851) e ministro dos Negócios Estrangeiros (1852), tendo sido agraciado por D. Pedro V com o título de visconde em 25 de Junho de 1854. Já que era licenciado em Direito (1821) foi também cônsul-geral na Bélgica (1833-36). Aliás é enquanto deputado que Garrett foi o criador do Conservatório de Arte Dramática, do Teatro Nacional, da Inspecção-Geral dos Teatros e, do Panteão Nacional.

Almeida Garrett também fundou e dirigiu diversos jornais como o diário O Português (1826), o semanário O Cronista (1827) e o Regeneração (1851). Em Lisboa, morou no Bairro Alto, na Rua da Barroca e, em Campo de Ourique, na Rua Saraiva de Carvalho.

Garrett placa janela

Placa Tipo II
(Foto: Artur Matos)

A Parada do Alto de São João

parada do alto de sao joao - placa2

Placa Tipo II

Um século após o nascimento de um cemitério no sítio do Alto de São João foi atribuído ao largo fronteiro a esse 1º Cemitério, limitado pelas Rua Morais Soares e Avenida Afonso III, o topónimo Parada do Alto de São João (Edital municipal de 28 de Julho de 1939).

No século XIX, no começo da década de 30, as epidemias de cólera mórbus forçaram o aparecimento de 2 cemitérios em Lisboa, o do Alto de São João e o dos Prazeres que, nessa época, se situavam fora da cidade. Conforme informa Norberto Araújo nas suas Peregrinações em Lisboa, «Eis-nos agora no Alto de S. João. O Cemitério foi ordenado sobre terrenos que pertenciam também, na sua reduzida área primitiva, à Quinta dos Apóstolos». E os cemitérios eram tanto mais necessários quanto o Decreto de 21 de Setembro de 1835, do Ministro do Reino Rodrigo da Fonseca, proibia os enterramentos em igrejas e instituía a sua obrigatoriedade em cemitérios com administração municipal. Em Setembro e Outubro de 1833 travaram-se combates entres liberais e absolutistas no Alto de S. João e, as vítimas resultantes foram os primeiros enterramentos do cemitério que só foi inaugurado em 1841, com o nome de Cemitério Oriental da Cidade. O Dr. Alfredo Guisado mandou que lhe fosse construído um Crematório, o que aconteceu entre 1911 e 1925, sendo depois encerrado em 1936 e, reactivado em 1985.

Refira-se que em 1852 o Alto de S. João tinha um posto fiscal já que haviam sido decretados nesse ano novos limites para a cidade de Lisboa e foi construída a Estrada da Circunvalação que, nesta zona, seguia pelo percurso das actuais Rua Morais Soares e Avenida Afonso III, sendo para lá desta Circunvalação já território do Termo de Lisboa ou “fora de portas”.

Quando a edilidade lisboeta atribui o topónimo Parada do Alto de São João em 28 de Julho de 1939 era este um arruamento movimentado já que desde 1926 lá arribava a carreira de eléctricos Belém-Alto de S. João e, desde 1935, também uma das carreiras em que havia tarifas reduzidas para operários: a da Praça do Comércio – Alto de S. João.

Por fim, lembramos que esta não é a única artéria de Lisboa com a categoria de Parada, já que no largo situado na Calçada da Ajuda, em frente ao Centro de Instrução da GNR, foi atribuída a denominação Parada General Afonso Botelho, por edital de 1989.

Miguel Nogueira Júnior um dos 12 arquitectos do Edital de 10 de agosto de 1978

rua miguel nogueira junior - placa

Placa Tipo IV

A Rua Miguel Nogueira Júnior é uma das 12 artérias da antiga Zona N 2 de Chelas com nomes de arquitectos. Todos estes topónimos foram atribuídos pelo Edital municipal de 10 de agosto de 1978, na freguesia de Marvila, a partir de uma proposta do Arqº Francisco Silva Dias, que era então membro da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa, presidida pelo vereador Dr. António da Silva Oliveira e, sendo também vogais o Prof. Dr. José-Augusto França e o Dr. Fernando Castelo Branco e, que juntou a Miguel Nogueira Júnior os nomes dos arquitectos Adães Bermudes, Adelino Nunes, Álvaro Machado, Cassiano Branco, Domingos Parente, José Luís Monteiro, Keil do Amaral, Luís Cristino da Silva, Norte Júnior, Pardal Monteiro e Pedro José Pezerat.

Miguel Nogueira Júnior (Caminha, freg. Seixas/30.01.1883-25.11.1953/ Caminha, freg. Seixas) foi um arquiteto formado pela Escola de Belas Artes de Lisboa e, discípulo de Ventura Terra com quem colaborou nas obras de remodelação do Palácio de São Bento.

Em Lisboa ganhou dois prémios Valmor, respectivamente, em 1913 e 1916, com o nº 23 da Avenida República e, com o edifício do nº 2 a 6 da Avenida Luís Bívar, para além de ser também projecto seu o prédio com o nº 12 da Rua das Picoas (1912), o antigo Banco de Fomento Nacional na Rua da Conceição 134/136 (1919) e o edifício da Casa dos Açores na Rua dos Navegantes nº 21 (1921).

Fora da capital, foi o arquitecto responsável, entre outros projectos, pela conclusão da Igreja de Santa Luzia em Viana do Castelo (em 1943 e continuando o traçado de Ventura Terra), pelo Grande Hotel e Casino em Chaves e, a “ Casa das Nogueiras “ no lugar de S. Sebastião da sua terra natal.

A partir de 1925 trocou a arquitectura pelo ensino, em Viana do Castelo, tendo conseguido a elevação da Escola de Artes e Ofícios de Nun’Alvares a Escola Industrial e Comercial de Viana do Castelo e, a partir de 1944 foi nomeado director desse estabelecimento de ensino, para além de neste mesmo concelho ter integrado a Comissão de Estética da Câmara Municipal.