A Praça António Sardinha que não passou a Praça Maria Pimentel Montenegro

Freguesia da Penha de França
(Foto: Sérgio Dias)

O poeta e rosto do Integralismo Lusitano António Sardinha, colocado como topónimo lisboeta em 1932, e numa Praça desde 1951, recebeu após o 25 de Abril  um pedido para que fosse substituído pela poetisa Maria Pimentel Montenegro, que já era topónimo desde março de 1974 numa rua de Benfica pelo que não sucedeu modificação alguma.

O caso ocorreu logo na 1ª reunião da 1ª Comissão Municipal de Toponímia pós-25 de Abril, em 15 de novembro de 1974, a partir de uma carta de Branca Alvarez Lopes a propor à edilidade a troca do topónimo Praça António Sardinha para Praça Maria Pimentel Montenegro. Como desde a publicação do Edital municipal de 4 de março de 1974, a artéria que ligava a Rua Dr. João de Barros a uma parte da Rua K já era a Rua Maria Pimentel Montenegro, a Comissão entendeu «que o pedido não é de considerar, porquanto, o nome de Maria Pimentel Montenegro está já consagrado num arruamento da zona de Benfica e quanto à substituição do nome de António Sardinha, deverá aguardar-se maior manifestação popular nesse sentido.»

António Sardinha havia sido consagrado pelo Edital de 31 de março de 1932  na Rua H do plano de  arruamentos da Quinta da Marquesa de Abrantes, em Marvila, aprovado em sessão de 15 de maio de 1930, mas o arruamento nunca chegou a ser executado, como os outros que integravam o plano, pelo que o seu nome voltou a ser dado à Praceta nº 1 da Rua da Penha de França, compreendida entre os nºs 150 e 152 da Rua da Penha de França, através do Edital municipal de 10/01/1951, onde permaneceu até aos dias de hoje.

Política, 10 de janeiro de 1930

O homenageado é António Maria de Sousa Sardinha (Monforte/09.09.1887-10.01.1925/Elvas), formado em Direito pela Universidade de Coimbra, época em que defendeu a implantação da República em Portugal,  para a partir de 1912 se tornar o mentor do Integralismo Lusitano assim como deputado monárquico durante o consulado de Sidónio Pais. A sua obra de cariz doutrinário, define o Integralismo Lusitano como um pensamento político que conjuga a defesa da monarquia, do nacionalismo e do catolicismo, como mostram os seus ensaios O Valor da Raça (1915), A Questão Ibérica (1916), Ao Princípio Era o Verbo A Aliança Peninsular (ambos em 1924), Ao Ritmo da Ampulheta e Teoria das Cortes Gerais (ambos em 1925).

O seu pensamento político teve como órgãos de divulgação as revistas Nação Portuguesa (1914) e A Monarquia (1917), ambas co-fundadas por António Sardinha, com Alberto de Monsaraz, Hipólito Raposo, Luiz de Almeida Braga e Pequito Rebelo no primeiro caso. O seu pensamento antirrepublicano e nacionalista encontrou eco em alguns dos defensores do Estado Novo.

Como poeta, António Sardinha fundiu saudosismo com os valores integralistas lusitanos, tendo publicado Tronco Reverdecido (1910), A Epopeia da Planície (1915), Quando as Nascentes Despertam (1921), Na Corte da Saudade (1922), Chuva da Tarde (1923), para além dos póstumos Era uma Vez um Menino (1926), O Roubo da Europa (1931) e Pequena Casa Lusitana (1937).

Após a morte de Sidónio Pais e o fracasso do movimento da Monarquia do Norte António Sardinha exilou-se em Espanha, no período de 1919 a 1921. De volta a Portugal dirigiu o diário A Monarquia e colaborou no quinzenário A Farça e na revista Lusitania, até falecer aos 37 anos.

Freguesia da Penha de França
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do poeta Gonçalves Crespo

Capa da revista Occidente, 21 de junho de 1883

Capa da revista Ocidente, 21 de junho de 1883

Junto à Rua do Conde de Redondo está desde 1902, através da publicação do Edital de 11 de dezembro, a Rua Gonçalves Crespo, que 19 anos após o seu falecimento perpetuou o poeta nascido no Brasil, filho de uma escrava mulata (Francisca Rosa da Conceição) e de um negociante português (António José Gonçalves Crespo), cujos poemas chegaram a ser reproduzidos em postais e leques, em Portugal e no Brasil, como o seguinte:

Amar e ser amado, que ventura!
Não amar, sendo amado, triste horror:
Mas na vida há uma noite mais escura,
É amar alguém que não nos tenha amor!

Freguesia de Arroios (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Arroios
(Planta: Sérgio Dias)

António Cândido Gonçalves Crespo (Rio de Janeiro/11.03.1846 – 11.06.1883/Lisboa)  veio residir para Portugal a partir dos 10 anos de idade. Seguiu para Coimbra onde se formou em Direito e nessa cidade também se iniciou na literatura, como colaborador de A Folha, fundada em 1868 por João Penha, onde colheu a sua influência parnasiana. Foi o autor de Miniaturas (1870) e Nocturnos (1882), expressando-se em poemas com reminiscências da vida familiar e cenas do quotidiano. Quatorze anos após o seu falecimento, em 1897, foram também editadas as suas Obras Completas, que em 1942 tiveram reedição com honras de prefácio de Afrânio Peixoto e capa de Maria Helena Vieira da Silva.

Gonçalves Crespo foi ainda deputado pela Índia, nas legislaturas de 1879 e 1882, e trabalhou no Diário da Câmara dos Pares, assim como colaborou no Jornal do Comércio, Artes e Letras, Cenáculo e na revista Ocidente.

Ainda estudante, casou-se com Maria Amália Vaz de Carvalho em 1874, que conhecera por um diálogo literário mantido por correspondência. Em conjunto com ela escreveu Contos para os Nossos Filhos que publicaram em 1886. O casal viveu a partir de 1875 no nº 7 da Travessa de Santa Catarina, em Lisboa, onde Gonçalves Crespo faleceu vítima de tuberculose, e a Câmara Municipal de Lisboa colocou em outubro de 1934 uma lápide evocativa de ambos na fachada do prédio.

Como curiosidades, refira-se que a Sociedade Portuguesa de Autores tem sede na Rua Gonçalves Crespo e que existe uma artéria homónima da lisboeta no Bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Freguesia de Arroios (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Arroios
(Planta: Sérgio Dias)

 

A Rua do republicano João de Menezes

Freguesia do Areeiro (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias)

João de Menezes, deputado e ministro da República, deu nome à Rua 4 do Bairro dos Aliados em 1926, com a legenda «Precursor do Regime Republicano/Século XIX» devido ao seu envolvimento no 31 de Janeiro.

Foi pela deliberação da Comissão Executiva da Câmara de 12 de junho de 1926  e Edital municipal de dia 26 do mesmo mês que assim foi fixado, junto com a Rua Casimiro Freire na Rua 5, com a legenda «Apóstolo da instrução popular/Século XIX». Já antes, por deliberação camarária de 30 de dezembro de 1925 e Editais de 16 de janeiro e de 27 de janeiro de 1926 haviam sido colocados no Bairro dos Aliados Egas Moniz  na Rua 2 e o Actor João Rosa na Rua 1.

João de Menezes em 1900

João de Menezes em 1900

João Duarte de Menezes (Lisboa/22.04.1868 – 08.04.1918/Lisboa), formou-se em Direito na Universidade de Coimbra entre 1886 e 1895 e foi advogado em Lisboa e Porto, jornalista e deputado, sendo  desde 1881 um dos vultos importantes do partido republicano. Manifestou-se contra o Ultimato inglês, nas páginas do jornal A Pátria e participou no 31 de Janeiro, no Porto, tendo mesmo por causa dos seus ideais políticos sido preso por três meses no Limoeiro, em Lisboa. Pertenceu ainda à Maçonaria, iniciado em 1892 na loja Simpatia, com o nome de Oberdank.

Colaborou em vários jornais republicanos, como nos periódicos portuenses Voz Pública (de 1896 a 1899) e O Norte, que fundou em 1900.  Em 1903 fundou em Lisboa O Debate e foi secretário da redação do  A Luta (1910), dirigido por Brito Camacho. Foi eleito deputado  em 1906, 1908, 1910 e 1911 bem como Diretor-geral da instrução secundária em 1910 e 1911, para além de ter sido Ministro da Marinha (3 de setembro a 12 de novembro de 1911) no governo de João Chagas e em 1914, presidente do Supremo Tribunal Administrativo.

Freguesia do Areeiro (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua Cândido de Figueiredo do Novo Dicionário da Língua Portuguesa

Cândido de Figueiredo em 1925 (Foto: Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

Cândido de Figueiredo em 1925
(Foto: Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

Cândido de Figueiredo, o autor do Novo Dicionário da Língua Portuguesa, que teve a sua primeira edição em 1899 e múltiplas reedições até à 25ª, enviou para Paul0 Plantier incluir no seu Cozinheiro dos Cozinheiros a receita de «Triunfos do tomate», e teve direito a ser nome de rua lisboeta cerca de sete anos após o seu falecimento.

Com a legenda «Filólogo e Escritor/1846 – 1925», Cândido de Figueiredo passou a topónimo de uma artéria da Freguesia de São Domingos de Benfica identificada como Rua B do projecto aprovado em sessão de 19/04/1928, no então «projectado bairro novo de Benfica», através da publicação do Edital municipal de 31 de março de 1932, acompanhado na Rua A pelo filólogo Gonçalves Viana e na Rua E pelo bibliógrafo Inocêncio Francisco da Silva ( estas Ruas A e E ainda em 1941  eram indicadas como a construir pelo que anos mais tarde este dois topónimos foram novamente atribuídos noutras artérias já executadas).

Freguesia de São Domingos de Benfica (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

António Cândido de Figueiredo (Tondela- Lobão da Beira/19.09.1846 – 16.09.1925/Lisboa) foi um poeta, escritor e jornalista, que se distinguiu sobretudo como filólogo e lexicólogo, tendo sido o autor de um dos mais reputados dicionários da língua portuguesa, o Novo Dicionário da Língua Portuguesa, publicado em 1899 e que alcançou 25 edições sendo a última em 1996. Também fez parte da comissão que em 1911 definiu as bases ortográficas da língua portuguesa, junto com Carolina Michaëlis  e Leite de Vasconcelos.

Concluído o curso de Teologia (1867) no Seminário de Viseu, Cândido de Figueiredo formou-se em Direito (1874) em Coimbra, e acabou por fixar residência em Lisboa em 1876, onde foi advogado e professor do Liceu Central de Lisboa (1882) e chegou a subdirector-geral do Ministério da Justiça. Para além da sua obra poética e em prosa, de que destacarmos a sua Lisboa no ano 3000, obra de crítica social e institucional (1892), também publicou regularmente em revistas e jornais, sobretudo crónicas para abordar o uso correto da língua portuguesa. Fundou e dirigiu o periódico A Capital e foi redator do diário Globo, do jornal humorístico A Paródia de Rafael Bordalo Pinheiro sob o pseudónimo «O Caturra», e do  Diário de Notícias  com o pseudónimo de «Cedef».

Também traduziu numerosas obras de filologia e linguística e foi um dos sócios fundadores da Sociedade de Geografia de Lisboa, em 1876, para além de na Academia das Ciências de Lisboa ter sido eleito sócio correspondente (1874), eleito sócio efetivo (1915) e presidente até à data do seu falecimento.

Enquanto político, Cândido de Figueiredo foi Presidente da Câmara Municipal de Alcácer do Sal (1875), governador civil do Distrito de Vila Real (1892-1893), secretário particular de Bernardino Machado como Ministro das Obras Públicas (1893), para além de ter sido eleito vogal do Conselho Superior de Instrução Pública (1887) em representação do professorado de ensino livre e nomeado  membro da comissão encarregada de rever a nomenclatura geográfica portuguesa pelo Ministério de Reino (1890).

E finalmente, temos os «Triunfos do tomate», receita de um vizinho de Cândido de Figueiredo:

«Diz o prolóquio que não há boa cozinha sem tomates, e diz um vizinho meu, a flor dos gulosos, que onde mais triunfa aquele belo fruto é no doce. E exemplifica: deitem-se tomates, bem lisos e pouco maduros, num alguidar, um quilograma deles, pouco mais ou menos. Escaldem-se e pelem-se com água a ferver, cortem-se em gomos, tire-se-lhes a pevide e ponham-se os gomos a escorrer. 

Num tacho que tenha meio litro de água, deite-se um quilograma de açúcar e deixe-se ferver até ao ponto de espadana. Seguidamente, deitem-se no mesmo tacho os gomos do tomate, bem escorridos, e deixem-se chegar ao ponto de doce de conserva. Quando este manjar tenha arrefecido, deite-se em pires e sirva-se.

Os paladares mais finos e mais autorizados são unânimes em que é uma delícia aquele pitéu. É de comer e chorar por mais.

Em testemunho de verdade, Cândido de Figueiredo »

Freguesia de São Domingos de Benfica (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias)

Conde de Monsaraz, o poeta alentejano da Salada Primitiva, numa rua da Penha de França

Conde de Monsaraz em 1908 (de lenço sobre o casaco) (Foto: Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

Conde de Monsaraz em 1908 (de bigode branco)
(Foto: Joshua Benoliel, Arquivo Municipal de Lisboa)

António de Macedo Papança, o  poeta alentejano que para o Cozinheiro dos Cozinheiros de Paulo Plantier enviou a sua «Salada Primitiva», na sua qualidade de  Conde de Monsaraz dá nome a uma artéria da Penha de França, antes identificada como Rua nº 1 do Olival do Monte Alperche, desde que o Edital Municipal foi publicado em 18/07/1933, atribuindo também a legenda «Poeta/ 1852 – 1913».

António de Macedo Papança (Reguengos de Monsaraz/18.07.1852-17.07.1913/Lisboa), 1º visconde (decreto de 17/01/1884) e depois 1º conde de Monsaraz (decreto de 03/05/1890),  foi um poeta e político que ingressou no Partido Progressista em 1886, ao tempo liderado por Anselmo José Braamcamp e foi deputado eleito por Évora (1886), Par do Reino (1898) e embaixador-delegado ao Congresso da Paz em 1900, sendo em 1906 comendador de Santiago de Espada e no ano seguinte agraciado com a a grã-cruz da Ordem de Afonso XII de Espanha.

Freguesia da Penha de França (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia da Penha de França
(Foto: Sérgio Dias)

Filho de um rico proprietário rural, o maior do concelho de Reguengo de Monsaraz, e formado bacharel de Direito em 1874 exerceu advocacia mas cedo se dedicou antes à poesia, de pendor naturalista, na qual já se iniciara enquanto estudante universitário. Privou com João Penha e Cesário Verde  e escolheu uma estética parnasiana que progressivamente foi passando para um exacerbado nacionalismo que é quase um prelúdio de António Sardinha. De entre as suas várias obras, destacam-se Crepusculares (1876), Catarina de Athayde (1880), Telas históricas (1882) e sobretudo, Musa Alentejana (1908).

Colaborou ainda em diversos jornais e revistas, como Brasil-Portugal, A Evolução, A Folha,  Ilustração Portuguesa, Renascença, Ribaltas e Gambiarras. Também traduziu diversas obras para o teatro e escreveu obras historiográficas de estilo naturalista e nacionalista. Foi sócio eleito da Academia Real das Ciências (1886) por proposta de Bulhão Pato, Pinheiro Chagas, Visconde de Benalcanfor e Vilhena Barbosa; da Academia Brasileira de Letras (1910),  da Sociedade de Geografia de Lisboa e do Instituto de Coimbra.

Em 1888 casou com Amélia Augusta Fernandes Coelho Simões, filha de um grande proprietário e negociante da Figueira da Foz e membro do Partido Progressista, com quem teve um único filho, o jornalista e político Alberto de Monsaraz. Proclamada a República exilou-se na Suíça e depois em Paris voltando a Portugal em 1913 para depois falecer na véspera do seu 61º aniversário.

Em Lisboa, o Conde de Monsaraz viveu  na Rua Vítor Cordon, onde veio a falecer, e a Câmara Municipal de Lisboa no ano do seu centenário homenageou-o nesse prédio com o nº7, através de uma lápide evocativa,  descerrada em 18 de julho de 1952 numa cerimónia presidida pelo Vice-Presidente da CML, Luís Pastor de Macedo.

Freguesia da Penha de França (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia da Penha de França
(Planta: Sérgio Dias)

E finalmente, deixamos a receita da sua

SALADA PRIMITIVA

Leitor, se amas o campo e a natureza,
Se és bucólico e rude,
E na tua rudeza
Só respeitas a força e a saúde;
Se às convenções da sociedade opões
O desdém pelas normas e preceitos,
Que trazem pelo mundo contrafeitos
Cérebros e corações;
Se detestas o luxo e se preferes,
Francamente, às senhoras as mulheres,
E tens, como um pagão da velha Esparta,
Pulso rijo, alma ingénua e pança farta;
Se és algo panteísta e tens bem vivo
Esse afagado ideal
Do retrocesso ao homem primitivo,
Que nos tempos pré-históricos vivia
Muito perto do lobo e do chacal;
Se um ligeiro perfume de poesia
Que se ergue das campinas
Na paz, no encanto das manhãs tranquilas,
Te dilata as narinas
E enche de gozo as húmidas pupilas,
Leitor amigo, se assim és, vou dar-te
“Se a tanto me ajudar engenho e arte”
Uma antiga receita,
Que os rústicos instintos te deleita
E frémitos te põe na grenha hirsuta.

Leitor amigo, escuta:
Vai, como o padre-cura, cabisbaixo
Pelos vergéis da tua horta abaixo
Quando no mês de Abril, de manhã cedo,
O sol cai sobre as franças do arvoredo,
Para sorver aqueles bons orvalhos
Chorados pelos olhos das estrelas
Nos corações dos galhos;
Passarás pelas couves repolhudas
– Cuidado não te iludas,
Nem te importes com elas!
Vai andando…
Mas logo que tu passes
Ao campo das alfaces,
Pára, leitor amigo,
E faz o que te digo:
Escolhe dentre todas a mais bela,
Folhas finas, tenrinhas e viçosas
Como as folhas das rosas,
E enchendo uma gamela
De água pura e corrente,
Lava-a, refresca-a cuidadosamente.
Logo em seguida (e é o principal)
Que a tua mão, sem hesitar, lhe deite
Um fiozinho de azeite,
Vinagre forte e sal,
E ouvindo em roda o lúbrico sussurro
Da vida ansiosa a propagar-se, que erra
Em vibrações no ar,
Atira-te de bruços sobre a terra
E come-a devagar,
Filosoficamente, como um burro!

A Rua Luís de Sttau Monteiro d’ «A Melga no Prato»

Freguesia de Marvila (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias)

O escritor Luís de Sttau Monteiro, assinou crónicas gastronómicas sob os pseudónimos de Inspector Gourmet e  Manuel Pedrosa, e o seu nome faz o topónimo de uma rua de Marvila desde a publicação do Edital municipal de 26/12/2001, ligando a Rua António Gedeão à Rua João José Cochofel, com a legenda «Escritor 1926 – 1993».

Entre 1969 e 1975, sob o pseudónimo de Manuel Pedroso ou Pedrosa, Sttau Monteiro assinou crónicas gastronómicas no suplemento semanal A Mosca, do Diário de Lisboa, mesmo se com frequência eram mais um exercício literário do que uma verdadeira e rigorosa crítica de restaurantes. Já desde 1959 e até 1961, na revista mensal Almanaque, o escritor havia redigido crónicas sobre a mesma temática, desta feita sob o pseudónimo de Inspector Gourmet, podendo assim ser considerado um pioneiro neste tema. Luís de Sttau Monteiro ainda teve uma coluna sobre gastronomia em O Jornal, a partir de 1975, retomando o pseudónimo Manuel Pedrosa.

LuisSttauMonteiro pb

Luís Infante de Lacerda Sttau Monteiro (Lisboa/03.04.1926 – 23.07.1993/Lisboa), filho do embaixador Armindo Monteiro que foi demitido por Salazar em 1943, é um dramaturgo incontornável do século XX português cujo carisma literário também se impôs no romance, na crónica e no jornalismo. Sttau escritor ergue uma obra literária em que critica, de uma forma impressiva e satírica, as contradições sociais e históricas da sociedade portuguesa das décadas de sessenta e setenta do século XX, com os romances Um Homem não Chora (1960), Angústia para o Jantar (1961), E se For Rapariga Chama-se Custódia, e o inédito Agarra o Verão, Guida, Agarra o Verão, a partir do qual foi produzida a telenovela Chuva na Areia, mais 9 peças: Felizmente há Luar! (de 1961 e Grande Prémio de Teatro da então Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses), Todos os Anos pela Primavera (1963), O Barão (adaptação da novela homónima de Branquinho da Fonseca em 1965), Auto da Barca do Motor Fora de Borda (1966), todas as quatro com representação proibida pela Censura; as peças satíricas A Guerra Santa e A Estátua que levaram a PIDE a prender o autor em 1967; e ainda As Mãos de Abraão Zacut (1968), Sua Excelência (1971) e Crónica Aventurosa do Esperançoso Fagundes (1978), concebida propositadamente para o Grupo 4 (Teatro Aberto).

Luís de Sttau Monteiro colaborou com inúmeros jornais sendo de destacar no Diário de Lisboa, a sua coordenação do suplemento dos sábados A Mosca, ou a sua coluna de crítica intitulada «Redacções da Guidinha», onde numa linguagem deliberadamente infantil e sem pontuação escrevia redações como uma miúda lisboeta de classe média-baixa  sobre a sua vida quotidiana embora versassem mesmo sobre o estado da nação e que foram publicadas em livro em 2002.

Viveu em Londres e em Lisboa, na Rua Coelho da Rocha nº 105.

Freguesia de Marvila (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias)

A Avenida Afonso Costa do Parque Eduardo VII para o Areeiro

 

Freguesia do Areeiro (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias)

Afonso Costa que foi um dos Primeiros Ministros da I República e nessa qualidade acompanhou o Presidente da República, Bernardino Machado, em 1917, na visita às tropas portuguesas em França, ficou desde 1976 fixado numa Avenida lisboeta, embora no decorrer desse ano tenha passado do topo do Parque Eduardo VII para o Areeiro.

A Comissão Consultiva Municipal de Toponímia, na sua reunião de 29 de junho de 1976, sugeriu  que Avenida Afonso Costa fosse o topónimo para o arruamento situado a Norte do Parque Eduardo VII, entre a Avenida Sidónio Pais e a Rua Castilho, artéria que hoje conhecemos por Alameda Cardeal Cerejeira (Edital municipal de 14/04/1982). No entanto, duas reuniões depois, em 30 de dezembro de 1976 passou o topónimo para «o arruamento que, partindo da Praça do Areeiro segue para Nascente e é vulgarmente designada por prolongamento da Avenida João XXI», com a legenda «Professor e estadista/1871 – 1937» e assim ficou registado pelo edital municipal desse mesmo dia. No ano seguinte, no dia 6 de março, o próprio Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Aquilino Ribeiro Machado, procedeu à inauguração desta Avenida que nos dias de hoje faz a ligação da Praça Francisco Sá Carneiro à Rotunda das Olaias.

Atlântida, 15.09.1916

Atlântida, 15.09.1916

Afonso Costa  foi Presidente do Ministério (hoje diríamos Primeiro Ministro) desde 1913 e assim continuava em 1917, tendo visitado as tropas do Corpo Expedicionário Português em França, de 8 a 25 de outubro, com o Presidente da República Bernardino Machado, quando Portugal tinha mais de 100 mil homens a combater  na I Guerra Mundial, sendo que cerca de metade defendiam as fronteiras de Angola e Moçambique desde  o verão de 1914, enquanto os outros 50 mil portugueses combatiam na Flandres.  Em dezembro de 1917, foi destituído como a tomada do poder por Sidónio Pais, mas em 28 de junho de 1919 chefiou a delegação portuguesa à Conferência de Paz e assinou em representação de Portugal o Tratado de Versalhes e recebeu a 10 de Julho a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada.

Afonso Augusto da Costa (Seia/06.03.1871 – 11.05.1937/Paris) licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra e  doutorado com a tese «A Igreja e a Questão Social» (1895), foi um advogado de prestígio e um dos juristas mais respeitados do seu tempo devido ao rigor da argumentação e a fundamentação das suas teses. Desenvolveu também uma carreira académica como professor na Universidade de Coimbra (de Economia Política e Organização Judiciária), na Escola Politécnica de Lisboa, na Faculdade de Direito de Lisboa – que fundou em 1913 e de que foi o primeiro diretor – e ainda, no Instituto Superior de Comércio (1915).

A sua participação política começara antes da proclamação da República, no Partido Republicano, tendo em 1890 publicado com António José de Almeida o jornal anti-monárquico Ultimatum e  participado na organização das revoltas de 31 de janeiro de 1891 e de 28 de janeiro de 1908 (em que foi preso). Distinguiu-se pelo ímpeto dos seus discursos contra o regime monárquico e como deputado pelo Partido Republicano (1899, 1906-1907, 1908 e 1910). Após a implantação da República  foi também deputado (de 1911 a 1926) e assumiu funções governativas como Ministro da Justiça (1910 e 1911), Ministro das Finanças (1913-1914 e 1915-1917) e Presidente do Ministério (1913-1914, 1915-1916 e 1917). Refira-se ainda que para além do contributo que deu à Constituição Republicana (1911), devem-se-lhe as iniciativas políticas que conduziram à elaboração de leis, como a Lei da Família, a Lei do Registo Civil, a Lei do Divórcio, a Lei da Separação do Estado e das Igrejas (1911), a Lei do Inquilinato, a Lei da Reorganização Judiciária, a Lei da Reforma Monetária ou a Lei da Expulsão das Ordens Religiosas. Foi afastado pelo golpe de Sidónio Pais mas depois dele, Afonso Costa foi nomeado presidente da delegação portuguesa na Conferência de Paz de Versalhes e mais tarde, presidente da delegação portuguesa junto da Sociedade das Nações, cargo de que foi demitido logo após o golpe de Estado de 28 de Maio de 1926. Exilado em Paris, fundou em fevereiro de 1927,  a Liga da Defesa da República com Álvaro de Castro, António Sérgio , Jaime Cortesão e José Domingues dos Santos. Foi agraciado postumamente com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade (1980).

 

Freguesia de São Domingos de Benfica (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Planta: Sérgio Dias)

Magalhães Lima na Avenida Central do Arco do Cego

Freguesia do Areeiro (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias)

Magalhães Lima que pugnou pelo apoio claro aos Aliados na I Guerra e pelo envio de tropas para França, teve o seu nome perpetuado na cidade de Lisboa menos de quatro anos após o seu falecimento, com a Avenida Dr. Magalhães Lima na Avenida Central do Bairro Social do Arco do Cego, através do Edital municipal de 12 de março de 1932, a que a edilidade juntou no ano seguinte no mesmo Bairro, pelo Edital de 21 de janeiro de 1933, mais topónimos de outras figuras republicanas: Costa Goodolfim na Rua A, Bacelar e Silva na  Rua B, Ladislau Piçarra na Rua C,  Gomes da Silva na Rua D, Braz Pacheco na Rua U e Desidério Beça na Rua V.

O título de «Doutor» foi retirado do topónimo em 1948, por parecer  da Comissão de Toponímia emitido de 19/08/1948 e homologação em 13/12/1948 do Presidente da edilidade, Álvaro Salvação Barreto.

Galeria Republicana, outubro de 1882

Galeria Republicana, outubro de 1882

Sebastião de Magalhães Lima (Rio de Janeiro/30.05.1850 – 07.12.1928/Lisboa) pugnou para que o governo português tivesse uma política clara de apoio aos Aliados e enviasse tropas para França, tendo até realizado um conjunto de conferências em Itália e França sobre a Guerra e o envolvimento de Portugal, tendo partido de Lisboa a 8 de maio de 1916 e discursado na Sorbonne a 13 de junho. A Junta Patriótica de Arroios realizou até uma manifestação pública de reconhecimento pela campanha de Magalhães Lima em defesa da Guerra, em 5 de maio de 1917. Ainda em 1923, na cerimónia de colocação da primeira pedra do Monumento aos Mortos da Grande Guerra, na Avenida da Liberdade, Magalhães Lima foi orador.

Licenciado em Direito na Universidade de Coimbra (1875), Magalhães Lima ingressou nessa época na Maçonaria (1874), organização na qual veio a ser o grão-mestre a partir de 22 de março de 1907 sendo depois sucessivamente reeleito até à data da sua morte em 1928. Fixou-se em Lisboa e dedicou-se à defesa do ideal republicano, com uma participação importante em momentos cruciais da afirmação republicana, como na comissão executiva da imprensa do Centenário de Camões (1880) ou durante o Ultimatum (1890), como membro do Directório do Partido Republicano Português  e enquanto vereador eleito em 1886 pela lista republicana para a Câmara de Lisboa,  deputado às Constituintes de 1911 ou  enquanto Ministro da Instrução (de 17 de maio a 19 de junho de 1915) do governo de José Ribeiro de Castro instituído após a revolução de 14 de maio de 1915 que pôs termo à ditadura do general Pimenta de Castro.

No jornalismo, foi fundador do Distrito de Aveiro, Comércio de Portugal (1879) e de O Século (1881), assim como diretor dos jornais A Folha do Povo (1896-1898) e Vanguarda (1898-1911), para além de ter sido dirigente da Associação de Jornalistas e Homens de Letras de Lisboa, instituição que representou em congressos de jornalismo em Estocolmo, Paris, Lisboa, Roma e Viena. Da sua obra publicada destaque-se A Actualidade (1872), Padres e Reis (1873), o romance A Senhora Viscondessa (1875), o opúsculo A questão do Banco Nacional Ultramarino (1879 ou 80), Pela Pátria e pela República (1891), O Socialismo na Europa (1892), O Primeiro de Maio (1894), Da monarquia à república: história da implantação da república em Portugal (1910)  e os dois volumes de Episódios da Minha Vida.

Este tribuno republicano que foi o primeiro presidente da Liga Portuguesa dos Direitos do Homem, em 1922, na sua última mensagem como Grão-Mestre, em 1928, condenou a opressão do regime ditatorial imposto a Portugal desde 1926 contrapondo «Pátria» e «Liberdade» como sinónimos e nesse mesmo ano o seu funeral reuniu dezenas de milhar de pessoas.

Freguesia do Areeiro (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Planta: Sérgio Dias)

 

A Rua Passos Manuel da Assírio &Alvim

Freguesia de Arroios (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Arroios
(Foto: Sérgio Dias)

«Eras assim, Fernando Assis Pacheco, homem que uma vez vi passar na Passos Manuel com uma daquelas camisas de cores africanas, berrantes para uma Lisboa de casacos cinza» referiu Nuno Costa Santos e podemos imaginar que o escritor e jornalista ia ou vinha do nº 67 dessa artéria, morada da Editora Assírio & Alvim que lhe publicou A Musa IrregularMemórias de um CraqueRespiração Assistida, Trabalhos e Paixões de Benito PradaWalt ou O Frio e o Quente.

Passos Manuel foi o nome pelo qual ficou conhecido o político Manuel da Silva Passos, considerado o principal obreiro da Revolução de Setembro,  e que a si mesmo se definia como um«democrata incorrigível e adepto intransigente da soberania popular», e ganhou o estatuto de topónimo de uma rua de Lisboa 22 anos após o seu falecimento, por Edital do então Presidente da Câmara, José Gregório da Rosa Araújo.

Por esse mesmo Edital municipal de 04/03/1884 foram ainda atribuídos na mesma zona os topónimos Rua Angra do Heroísmo, Rua Mindelo,  Rua José Estêvão e Rua Rebelo da Silva, todos com o denominador comum de evocarem figuras ou acontecimentos marcantes do Liberalismo.

Ilustração Portuguesa, 04.07.1904

Ilustração Portuguesa, 04.07.1904

Manuel da Silva Passos (Matosinhos – Bouças/05.01.1801 – 16.01.1862/Santarém) foi um político Setembrista, da ala esquerda do Liberalismo, que se distinguiu como deputado, eminente orador e ministro entre 1836 e 1842, nas pastas do Reino, da Fazenda e da Justiça, salientando-se sobretudo a intensa obra feita na área da educação, ao promover reformas e abrir novos estabelecimentos de ensino, não sendo assim de estranhar que ainda hoje o seu nome esteja perpetuado num antigo Liceu alfacinha.

Como Ministro do Reino, ao tempo responsável pelas políticas educativas, criou em 1836 a Casa Pia de Évora, o Conservatório Geral de Arte Dramática, a Academia de Belas Artes, o Conservatório das Artes e Ofícios de Lisboa e, no ano seguinte, o Conservatório Portuense de Artes e Ofícios e a Academia Politécnica do Porto. A 17 de novembro de 1836 também publicou um decreto criando liceus em todas as capitais de distrito, lançando assim as bases do moderno sistema de ensino. Nesse mesmo ano ainda reorganizou as Escolas Médico-Cirúrgica de Lisboa e do Porto, assim como estabeleceu a primeira faculdade de Direito portuguesa, pela fusão das anteriores faculdades de Cânones e de Leis da Universidade de Coimbra.

Ainda no ano de 1836, em 31 de dezembro,  fez publicar um novo Código Administrativo, que contou com a colaboração do seu irmão, José da Silva Passos, com quem sempre contou para a fundação de jornais, como O Amigo do Povo e o Revolução de Setembro.

Passos Manuel era desde 1822 formado em Leis por Coimbra, tal como o seu irmão mais velho José da Silva Passos e, exerceu como advogado na cidade do Porto, nomeadamente na Relação e Casa do Porto e, foi na década de vinte do séc. XIX  que numa loja de Coimbra se iniciou na Maçonaria, sob o nome simbólico de Howard, tendo mais tarde sido Grão-Mestre do Norte (1834 – 1850).

Emigrado durante o Miguelismo na Corunha, em Plymouth e na Bélgica, integrou-se em 1832 como oficial no Batalhão de Voluntários de Leça, com participação intensa na política durante o cerco do Porto. Em 1834 foi eleito deputado pelo Douro no lado saldanhista, passando a representar nas Cortes a esquerda mais radical do Vintismo e, quando em 9 de setembro de 1836  a Guarda Nacional pegou em armas para ocupar a capital, proclamando a Constituição de 1822 estava desencadeada a Revolução de Setembro que Passos Manuel defendia.

A partir de julho de 1837 dedicou-se à lavoura e a constituir família, no Ribatejo, como o próprio referiu num discurso nas Cortes em 18 de outubro de 1844, de que  «não há melhor antídoto para as paixões políticas do que o casamento e a gordura», apesar de depois ainda ter sido depois deputado pelo Porto (1838), por Nova Goa (1842) e por Santarém (1851), bem como senador (1841) e nomeado Par do Reino por carta régia de 1861, cargo esse que já não chegou a ocupar por razões de saúde.

Freguesia de Arroios

Freguesia de Arroios                                                                           (Planta: Sérgio Dias)

A Rua Almeida e Sousa da Livraria Ler

Freguesia de Campo de Ourique (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Campo de Ourique
(Foto: Sérgio Dias)

Escritor apaixonado por livros, Fernando Assis Pacheco era uma frequentador assíduo da Livraria Ler, com morada em Campo de Ourique, no nº 24-C da Rua Almeida e Sousa, numa esquina virada para o Jardim Teófilo Braga, mais conhecido por Jardim da Parada.

O topónimo Rua Almeida e Sousa foi atribuído pela Câmara Municipal de Lisboa ainda no século XIX, através do Edital de 23/05/1882, à Rua nº 4 de Campo de Ourique, Bairro de quarteirões ortogonais de acordo com o plano do Engº Ressano Garcia. Por este mesmo edital foram homenageados outros três jurisconsultos no Bairro de Campo de Ourique, a saber, Pereira e Sousa (na Rua nº1), Correia Teles (Rua n.º 2), e Coelho da Rocha (Rua nº5).

Manuel de Almeida e Sousa Lobão (Vouzela/19.03.1745 – 31.12.1817/Lobão- Viseu) foi um  jurisconsulto muito conceituado na sua época, formado em Cânones pela Universidade de Coimbra, em 1766, e foi permanentemente requisitado para consultas e pleitos, sem abandonar o seu aturado estudo da jurisprudência portuguesa, legando-nos sobre o assunto uma imensa obra escrita, nomeadamente sobre processo civil, casamento civil, direito romano e canónico.

Depois, Almeida e Sousa Lobão retirou-se para Lobão, terra com a qual criou uma grande afinidade, a ponto de usar o topónimo como apelido e aí manteve o seu estudo das matérias forenses.

Freguesia de Campo de Ourique (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Campo de Ourique
(Foto: Sérgio Dias)