Bolivar, o «pai» da Bolívia numa rua em papel

O político e militar venezuelano Simón Bolívar, «pai» da Bolívia e de outras nações sul-americanas tornadas independentes da colonização espanhola, foi consignado em papel como topónimo de uma rua do Bairro América, na Freguesia de São Vicente, que nunca chegou a ser fisicamente aberta.

A Rua Bolivar nasceu de uma deliberação camarária de 25 de novembro de 1918, com mais 6 topónimos, todos referentes a figuras ligadas ao continente americano, no novo bairro que estava a ser construído na Quinta das Marcelinas e que a edilidade denominou a pedido dos proprietários como Bairro América, quando tinham passado 14 dias após a assinatura do armistício de Compiègne que pôs fim à  I Guerra Mundial e, no ano seguinte ao da entrada dos Estados Unidos da América no conflito.

Aliás, a ata dessa sessão camarária ainda mais elucida que «Os Srs. Manuel José Martins Contreiras, Dr. João José da Silva e Fernão Boto Machado, proprietários da Quinta das Marcelinas, na Rua Vale de Santo António, 30, requereram a esta Câmara que lhes fosse dado ao Bairro que ali estão construindo, a denominação de Bairro da América, a exemplo do que já foi feito para os bairros da Bélgica e da Inglaterra e que os arruamentos tivessem as seguintes denominações: nº 1:Rua Franklin, nº 2: Washington, nº 3: Rui Barbosa, nº 4: Bolívar, nº 5: Dos Cortes Reais, nº 6: de Fernando de Magalhães, nº 7:de Álvaro Fagundes.»

O correspondente Edital municipal só foi publicado em 17 de 0utubro de 1924 e os arruamentos Rua Bolivar e Rua Álvaro Fagundes nunca tiveram execução prática na urbanização do Bairro América , embora em 1971, o nome de Álvaro Fagundes tenha regressado para a toponímia lisboeta para dar nome à Rua C à Rua General Justiniano Padrel, também na Freguesia de São Vicente.

Simón José Antonio de la Santísima Trinidad Bolívar y Palacios Ponte-Andrade y Blanco (Venezuela – Caracas/24.07.1783 – 17.12.1830/Colômbia),  conhecido como Simón Bolívar, destacou-se como militar desde janeiro de 1797 e político sul-americano que quis libertar a América da colonização espanhola. Com José de San Martín (1778 -1850) desempenhou um papel fulcral nas guerras de independência da América espanhola, tendo nesse processo contribuído para lançar as bases ideológicas democráticas na maioria da América hispânica e conseguido o epíteto de O Libertador.

Nos seus 46 anos de vida, Bolívar foi Presidente da Venezuela, de 6 de agosto de 1813 a a 7 de julho de 1814 bem como de 15 de fevereiro de 1819 a 17 de dezembro de 1819, sendo este país desde 1999 denominado República Bolivariana da Venezuela; do Peru, de 17 de fevereiro de 1824 a 28 de janeiro de 1827; da  Bolívia, de 12 de agosto de 1825 a 29 de dezembro de 1825; para além de ter participou na fundação da primeira união de nações independentes na América Latina, a Grã-Colômbia, que integrava a Colômbia, o Equador , a Venezuela e o Panamá, da qual foi Presidente de 17 de dezembro de 1819 a 4 de maio de 1830.

Edital municipal de 17 de outubro de 1924

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A Avenida dos Combatentes da Grande Guerra atribuída em 1971

Freguesias das Avenidas Novas, de São Domingos de Benfica e de Alvalade

Em 1938,  a Liga dos Combatentes solicitou à Câmara de Lisboa a atribuição da denominação de «Combatentes da Grande Guerra» a um largo, praça ou avenida da capital  mas a questão foi sendo protelada por falta de arruamento considerado condigno para o efeito e só pelo Edital municipal de 15 de março de 1971 foi atribuída a Avenida dos Combatentes, para englobar todos os combatentes incluindo os da Guerra Colonial que já decorria há 10 anos, na Avenida que era prolongamento da Avenida António Augusto de Aguiar e hoje percorre as Freguesias das Avenidas Novas, São Domingos de Benfica e Alvalade.

O processo municipal era o nº 18905/38, a que se juntou mais tarde o processo nº 17175/55, e foi analisado sucessivamente nas reuniões da Comissão Municipal de Toponímia de 11 de novembro de 1955, 4 de maio de 1956 e 21 de janeiro de 1958, com a resposta de se aguardar oportunidade de novas artérias. A Liga dos Combatentes voltou a insistir pelo ofício nº 4087 sugerindo para o efeito a Avenida do Aeroporto ou o troço da Avenida Almirante Reis, entre a Praça do Chile e a Praça do Areeiro, a que a Comissão na sua reunião de 15 de outubro de 1958 respondeu «que a alteração das nomenclaturas dos arruamentos referidos implicaria profundas despesas e transtornos aos proprietários e moradores dos prédios das mesmas vias públicas, além de que a Comissão, tem por norma recorrer, o menos possível a este sistema, pelo que mantém os seus anteriores pareceres, isto é, deverá aguardar-se que haja uma artéria condigna para atribuição da referida nomenclatura».

E em 1971, a Comissão Consultiva Municipal de Toponímia na sua reunião de 5 de março, finalmente escolheu a «avenida (em projecto) que constitui prolongamento da Avenida António Augusto de Aguiar, seja atribuído o topónimo: Avenida dos Combatentes», a que se deu existência pelo Edital municipal de 15 de março de 1971.

Refira-se que um pouco por todo o país, embora sem sabermos a data de atribuição e a que combatentes se destinava a homenagem, e mesmo que de forma não completamente exaustiva, encontramos muitas artérias – Avenidas, Ruas, Praças, Largos, Travessas, Becos e Rotundas –  com o topónimo «dos Combatentes» em Abrunheira (Sintra), Alcácer do Sal, Aldeia das Dez (Oliveira do Hospital), Alfândega da Fé, Alhandra, Almargem do Bispo, Almeida, Almeirim, Alverca do Ribatejo, Amares, Anadia, Azambuja, Barcelos, Braga, Bucelas,  Cabeceiras de Basto, Carrazeda de Ansiães, Cartaxo, Constância, Ermesinde, Espinho, Esposende, Forte da Casa, Fronteira, Lagoa, Loulé, Lourinhã, na Madeira, Maia,  Mangualde, Marco de Canavezes, Milharado (Mafra), Moita, Oliveira de Azeméis, Oliveira de Frades, Ourém, Ovar, Paços de Ferreira, Parede, Paredes, Pero Pinheiro, Ponte de Sor, Portimão, Póvoa de Varzim, Rio Maior, Rio de Mouro, Sacavém,  Salvaterra de Magos, São João da Talha, na ilha de São Miguel (Açores), Santa Maria da Feira, Santa Maria de Lamas, Santa Marta de Penaguião, Santarém, Santo Tirso, Sátão, Serra d’El-Rei (Peniche), Sesimbra, Setúbal, Terrugem (Sintra), Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Vialonga, Vila do Conde, Vila Franca de Xira, Vila Nova da Barquinha, Vila Nova de Famalicão, Vila Nova de Gaia,Vilar Formoso e Viseu.                                .

E algo semelhante se passa com o topónimo «Combatentes do Ultramar», que em Avenidas, Jardins, Largos,  Ruas e Travessas surge em Almargem do Bispo, Almoçageme, Amarante, Beja, Cadafaz (Góis), Cadaval, Cartaxo, Cascais, Cucujães (Oliveira de Azeméis), Esposende, Guardizela (Guimarães), Lordelo (Guimarães), Louredo (Santa Maria da Feira), Lousada, Loures, Mata de Lobos (Figueira de Castelo Rodrigo), Matosinhos, Monchique, Moreira de Cónegos, Muge (Salvaterra de Magos), Nazaré, Odivelas, Paços de Ferreira, Paredes, Parede, Pedrógão Grande, Penafiel, Penalva do Castelo,  Pero Pinheiro, Ponta Delgada, Ribeirão (Vila Nova de Famalicão), Rio Maior, Rio de Moinhos (Borba), São João da Caparica (Almada), São João da Madeira, Sintra, Tondela, Vila Nova de Gaia, Vila Nova de Poiares e Vila Verde.

Freguesias das Avenidas Novas, de São Domingos de Benfica e de Alvalade (Planta: Sérgio Dias)

Freguesias das Avenidas Novas, de São Domingos de Benfica e de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias)

 

A Rua dedicada ao Alferes Malheiro, do 31 de janeiro de 1891 para capitão do exército brasileiro

Freguesia de Alvalade                                                                                             (Foto: Sérgio Dias)

Após desempenhar um papel importante na insurreição de 31 de janeiro de 1891 o Alferes Malheiro teve de fugir para o Brasil, onde foi reconhecido como capitão honorário do exército brasileiro, teve na toponímia de Lisboa a consagração em dois locais distintos.

Primeiro, por Edital municipal de 8 de junho de 1925, cerca de 6 meses após o seu falecimento, deu nome à Avenida do Parque ao Campo Grande, como Avenida Alferes Malheiro e a legenda «Precursor do regime Republicano». Assim se manteve até o Edital de 23 de dezembro de 1948 transformar esta artéria em Avenida do Brasil e o Alferes  Malheiro ficar num limbo durante quase 23 anos para voltar à toponímia como Rua, pelo Edital municipal de 9 de agosto de 1971, no arruamento de ligação entre a Avenida do Brasil e o prolongamento da Rua Marquês do Soveral, tendo como legenda apenas os anos de nascimento e morte.

Refira-se que na zona do Campo Grande havia sido fundado a 7 de dezembro de 1908 o Centro Escolar Republicano Alferes Malheiro, cuja  primeira sede foi na Rua Oriental do Campo Grande, nº 111, passando depois para a Rua Ocidental, nº 225, onde esteve durante 18 anos, para em 1930 mudar novamente, desta feita para o Campo Grande nº 290.

alferes-malheiroAugusto Rodolfo da Costa Malheiro (Porto/19.01.1869-09.12.1924/Lisboa), foi um oficial do Exército português desde 1886, que incorporado no Batalhão de Caçadores 9, teve um papel importante na insurreição de 31 de janeiro de 1891, no Porto, o primeiro movimento para implantação da República em Portugal. Gorada a revolta fugiu para Espanha e daí partiu de Vigo para o Brasil, tendo sido julgado como desertor por um Tribunal Militar. Instalou-se em Minas Gerais onde frequentou o curso de Engenharia e após o concluir envolveu-se na revolução brasileira surgindo na chefia dos alunos da Escola Militar com a intenção de pôr termo à acção dos revoltosos sob o comando de Saldanha da Gama. Foi ferido em combate e, fruto do reconhecimento do Governo brasileiro pelos serviços prestados tornou-se capitão honorário do exército brasileiro. A sua reintegração no Exército Português foi decretada após a Proclamação da República, e dela teve conhecimento o Alferes Malheiro a 22 de novembro de 1910, na cidade da Baía, de onde escreveu uma carta de agradecimento ao então Ministro da Guerra, o General Correia Barreto, e ao Governo Provisório Republicano.

Regressado a Portugal, ocupou o posto de capitão no Regimento de Infantaria 16. Insistiu em acompanhar o batalhão expedicionário a Angola como voluntário, durante a Primeira Guerra Mundial e no pós-guerra,  comandou  em 1919 a Coluna Negra, destinada a combater a Monarquia do Norte,  em Monsanto e no Norte do País.

Deixou parte dos seus bens para o Centro Escolar Eleitoral Republicano Alferes Malheiro, que em 1910 tinha já uma Escola Primária, para ambos os sexos. Em 11 de novembro de 1987, este Centro foi agraciado com a Comenda da Ordem da Liberdade, Grau Membro Honorário, pelo então Presidente da República, Dr. Mário Soares.

Para além de Lisboa, o Alferes Malheiro também está consagrado na toponímia do Porto, com uma Rua do Alferes Malheiro, em Beja, com uma Travessa e na Charneca da Caparica como Rua Augusto da Costa Malheiro.

Freguesia de Alvalade (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua de Casimiro Freire, o mecenas das Escolas Móveis João de Deus, no Bairro dos Aliados

Freguesia do Areeiro (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias)

Casimiro Freire, o mecenas republicano que em 1882 fundou a  Associação de Escolas Móveis pelo Método de João de Deus, dá nome a uma rua do Bairro dos Aliados, com a legenda «Apóstolo da Instrução Popular/Século XIX», desde junho de 1926.

Casimiro Freire foi fixado na Rua nº 5 do Bairro dos Aliados à Rua Carvalho Araújo, nos terrenos do antigo Areeiro também conhecido como Quinta do Bacalhau, pela deliberação camarária de 12 de junho de 1926 e edital de dia 25 do mesmo mês. Pelo mesmo edital foi também homenageado, na Rua nº 4,  João de Menezes , um «Precursor do Regime Republicano/Século XIX».

Casimiro Freire (Sertã – Pedrogão Pequeno/08.10.1843 – 20.10.1918/Lisboa) era um comerciante e industrial cuja prosperidade o tornou num mecenas da alfabetização. Assim, publicou em 29 e 30 de março de 1881, no jornal O Século, um artigo intitulado «A instrução do povo e a monarquia», onde se insurgia contra a incúria dos governos monárquicos no combate ao analfabetismo e propunha que fossem enviados aos mais recônditos lugares de Portugal missões de alfabetização de professores habilitados que ensinassem a ler e a escrever. Numa época em que 80% da população portuguesa era iletrada, Casimiro Freire fundou em 18 de maio de 1882, com João de Deus, a Associação das Escolas Móveis pelo Método de João de Deus e em 1897 publicou também em folheto uma representação à Câmara dos Deputados intitulada A Instrução do Povo e o Método de João de Deus. Acompanharam-no nessa iniciativa personalidades, como João de Barros, Bernardino Machado, Jaime Magalhães Lima, Francisco Teixeira de Queiroz, Ana de Castro Osório e Homem Cristo, entre outros. Cedeu a João de Deus, um primeiro andar dos armazéns onde trabalhava, no Largo do Terreiro do Trigo, para ser a sede da Associação de Escolas Móveis pelo Método de João de Deus.

Mais tarde, em 1915, por decreto de 5 de junho do Ministro da Instrução Pública, Sebastião Magalhães Lima, foi encarregue da catalogação e organização do Museu Bibliográfico, Pedagógico e Artístico João de Deus, serviço que concluiu em 30 de junho de 1916. E por decreto de 23 de dezembro de 1916, também lhe foi destinada a guarda e conservação do museu até à sua instalação definitiva junto ao Jardim-Escola João de Deus, na Avenida Álvares Cabral.

Republicano desde 1862, foi em 1876 um dos fundadores do primeiro Centro Republicano com Oliveira Marreca e Sousa Brandão entre outros, e em 1899, a partir da comissão paroquial republicana da freguesia de Santa Isabel foi eleito para o diretório do Partido Republicano Português. Em 1884 foi eleito vereador por Lisboa, mas o apuramento na Câmara Municipal não lhe confirmou a votação mas já em 1911 foi o mais votado da Junta Consultiva do Partido Republicano. Colaborou também na imprensa republicana, nomeadamente no Democracia (1873) – jornal dirigido por Elias Garcia -, e no Vanguarda.

Casou com Maria Madalena Battaglia, sogra de João de Deus, no segundo casamento desta, e com ela residiu nº 20 C-1º da Rua das Gaivotas.

Freguesia do Areeiro (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do Presidente da CML, Portugal Durão, no Bairro da Bélgica

Freguesia das Avenidas Novas (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias)

Albano Augusto Portugal Durão,  o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa de 1923 a 1925, passou a ser o topónimo das Ruas C e G do Bairro da Bélgica, com a legenda «Insigne Colonial/1871 – 1925», desde a publicação do Edital de 30 de junho de 1926.

A Comissão de Melhoramentos do Bairro da Bélgica sugeriu à autarquia lisboeta em 10 de maio de 1926  que fossem atribuídos nos arruamentos do seu Bairro topónimos alusivos à Bélgica, seguindo o exemplo do sucedido dez anos antes no Bairro de Inglaterra, em 1916. E assim, o Edital municipal de 30/06/1926 aí fixou os belgas Cardeal Mercier (arcebispo primaz da Bélgica que em 1915 publicou uma Carta Pastoral incitando ao patriotismo) – na Rua E do Bairro do Bélgica –  e General Leman (heróico defensor de Liège) – na Rua D – , colocando nas restantes artérias Tomás Cabreira (republicano que foi ministro das Finanças em 1914), o então último Presidente da CML  (Albano Augusto Portugal Durão que presidiu à edilidade de 1923 a 1925) e ainda, a Rua Costa Goodolfim e a Rua Visconde de Menezes, que neste local nunca passaram do papel.

Cerca de 6 anos mais tarde, pelo Edital camarário de 12/03/1932, foi dado à Rua A o nome Rua Dr. Álvaro de Castro, em homenagem àquele que comandara o Corpo Expedicionário Português a partir de 1916 e se demitira aquando da vitória de Sidónio Pais.

Rua Portugal Durão Albano

Albano Augusto Portugal Durão (Sertã/22.03.1871 – 13.11.1925/Lisboa) assentou praça na Marinha  em 1887 e em 1918, já era capitão-tenente. No decurso da sua vida militar, participou em campanhas em terras de África, como  o reconhecimento dos territórios de Milange, Namulia e Lomue, bem como desempenhou cargos civis de relevo, como o de administrador dos Transportes Marítimos do Estado e da Companhia da Zambézia, para além de diretor de Minas em Tete (Moçambique), e ainda, como membro do Conselho Fiscal do Banco Industrial Português.

Republicano membro do Partido Democrático, iniciou-se na política como ministro da Agricultura de Bernardino Machado, em 1921, sendo exonerado a seu pedido em 19 de maio. No ano seguinte foi eleito deputado por Lisboa, funções que exerceu até 1925, e sendo também Ministro de António Maria da Silva nos seus 2º e 3º governos, na pasta das Finanças ( de 6 de fevereiro a 26 de agosto de 1922, por ter pedido a demissão ) e depois, na dos Negócios Estrangeiros, entre 1 de julho e 1 de agosto de 1925. Portugal Durão foi também Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, no período de 5 de abril de 1923 até à sua morte em 13 de novembro de 1925.

Ainda no âmbito da participação de Portugal na I Guerra Mundial, Portugal Durão foi vogal da Comissão Executiva da Conferência da Paz e foi agraciado com a comenda da ordem Militar de Avis (1919).

Freguesia das Avenidas Novas (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua Franklim do Bairro América

Freguesia de São Vicente (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de São Vicente
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Franklim estava identificada como Rua nº 1 do Bairro América, urbanização então de construção recente na Quinta das Marcelinas à Rua do Vale de Santo António, quando a deliberação camarária em 25 de novembro de 1918 decidiu atribuir-lhe um topónimo referente a uma personalidade americana e ficando a ligar a Rua Fernão de Magalhães à Rua dos Cortes Reais, embora o Edital só tenha sido publicado 6 anos depois, em 17 de outubro de 1924.

O Bairro América passou a conter os seguintes topónimos: «Que se denomine Bairro America, o bairro em construção na Quinta das Marcelinas na rua do Vale de Santo Antonio e que os respectivos arruamentos tenham as designações seguintes: o nº 1, rua Franklin; o nº 2, rua Washington [ o primeiro presidente dos Estados Unidos da América]; o nº3, rua Ruy Barbosa [político e jornalista brasileiro que defendia o princípio da igualdade das nações]; o nº 4, rua Bolivar [Simon Bolívar que combateu o domínio espanhol na América do Sul, comandando as revoluções que promoveram a independência da Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia]; a nº 5, rua do Costa Reais [refere-se à Rua dos Cortes Reais, família de navegadores portugueses que empreenderam navegações para o continente americano]; o nº 6, rua Fernão de Magalhães  [o primeiro navegador a fazer uma viagem de circum-navegação], e o nº7, rua Alvaro Fagundes [navegador português do século XVI que explorou a costa austral da Terra Nova]. Deliberação camararia de 25 de Novembro de 1918». Acrescente-se que os arruamentos Rua Bolivar e Rua Álvaro Fagundes nunca tiveram execução prática, embora, em 1971, o nome de Álvaro Fagundes tenha regressado para a toponímia lisboeta para dar nome à Rua C, à Rua General Justiniano Padrel.

Rua Franklim BenjaminEstadista, cientista e escritor norte-americano Benjamim Franklin (Boston/17.01.1706 – 17.04.1790/Filadélfia), lutou contra a escravatura e fez mesmo o Memorial para a sua abolição enquanto Presidente da Sociedade Pensilvaniana para além do seu papel preponderante na independência dos Estados Unidos da América. Franklin foi o porta-voz dos colonos junto dos ingleses; integrou a Comissão redatorial da Declaração da Independência; foi membro da Convenção para redigir a Constituição Nacional (1787); e assinou com a Grã-Bretanha o Tratado de Versalhes que reconhecia a independência das 13 colónias norte-americanas.

Benjamim Franklin foi ainda um cientista: demonstrou a identidade do raio e da electricidade e inventou o pára-raios, para além de ter sido compositor gráfico, publicado jornais (The New-England Courant), ter sido escritor ( Poor Richard’s Almanac) e o 1º representante do realismo norte-americano ( O Sermão do pai Abraão).

Freguesia de São Vicente (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de São Vicente
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua Washington no Bairro América

Freguesia de São Vicente (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de São Vicente
(Foto: Sérgio Dias)

A 25 de novembro de 1918, ou seja 14 dias após a assinatura do armistício de Compiègne que põe fim à  I Guerra Mundial, e no ano seguinte ao da entrada dos Estados Unidos da América no conflito já que haviam declarado guerra à Alemanha em abril de 1917, a Câmara Municipal de Lisboa deliberou que o novo bairro que estava a ser construído na Quinta das Marcelinas se denominasse Bairro América e que todas as suas artérias tivessem como topónimos figuras ligadas ao continente americano.

E assim foram atribuídos os seguintes topónimos : «Que se denomine Bairro America, o bairro em construção na Quinta das Marcelinas na rua do Vale de Santo Antonio e que os respectivos arruamentos tenham as designações seguintes: o nº 1, rua Franklin [Benjamin Franklin, estadista norte-americano fulcral na independência das 13 colónias inglesas para a construção dos estados americanos]; o nº 2, rua Washington; o nº3, rua Ruy Barbosa [político e jornalista brasileiro que defendia o princípio da igualdade das nações]; o nº 4, rua Bolivar [Simon Bolívar que combateu o domínio espanhol na América do Sul, comandando as revoluções que promoveram a independência da Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia]; a nº 5, rua do Costa Reais [refere-se à Rua dos Cortes Reais, família de navegadores portugueses que empreenderam navegações para o continente americano]; o nº 6, rua Fernão de Magalhães [o primeiro navegador a fazer uma viagem de circum-navegação], e o nº7, rua Alvaro Fagundes[navegador português do século XVI que explorou a costa austral da Terra Nova]. Deliberação camararia de 25 de Novembro de 1918». Acrescente-se que os arruamentos Rua Bolivar e Rua Álvaro Fagundes nunca tiveram execução prática, embora, em 1971, o nome de Álvaro Fagundes tenha regressado para a toponímia lisboeta para dar nome à Rua C à Rua General Justiniano Padrel.

O respetivo Edital desta deliberação municipal só foi publicado em 17 de Outubro de 1924, «Por não terem sido publicados, em devido tempo, os respectivos editais, e por cumprir a esta Comissão Executiva dar execução ás deliberações do Senado Municipal».

Freguesia de São Vicente (Foto: Artur Matos)

Freguesia de São Vicente
(Foto: Artur Matos)

O homenageado da Rua Washington é George Washington (Westmoreland/22.02.1732 –  14.12.1799/Mount-Vernon), o 1º Presidente dos Estados Unidos da América, uma federação de estados republicanos, unanimemente eleito na convenção de Filadélfia de 13 de maio de 1787 e que desempenhou esse cargo até 1797, porque se recusou a aceitar um 3º mandato, sendo o seu nome dado à capital federal dos Estados Unidos da América em 1790.  Ainda em 1918, mas anterior a este topónimo, já que foi no mês de setembro, o Edital municipal de dia 24 havia consagrado em Lisboa outro Presidente dos Estados Unidos da América, com a Avenida Presidente Wilson, perpetuando aquele que foi o presidente americano de 1911 a 1921, ou seja, o que presidiu no decorrer da I Guerra Mundial e também por isso Prémio Nobel da Paz em 1919.

Freguesia de São Vicente (Foto: Sérgio Dias, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Rua Washington na esquina com a Rua do Mato Grosso em 1975
(Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

Freguesia de São Vicente (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de São Vicente
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do republicano poeta Milton de Paraíso Perdido

Freguesias de Arroios e Penha de França (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias de Arroios e Penha de França
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Poeta Milton, no Bairro de Inglaterra, nasceu há 100 anos na Rua Margarida do antigo Bairro Brás Simões –  referindo o nome do comerciante e proprietário daquelas terras e daquela urbanização -, pelo Edital de 29 de agosto de 1916, que também atribuiu a Rua Cidade de Cardiff, a Rua Cidade de Liverpool, a Rua Cidade de Manchester e a Rua Newton.

Sabe-se também as ruas Poeta Milton, dos Remédios, de São Gens, de Santiago, da Saudade, Barão de Sabrosa, Cavalheiro de Oliveira e Calçada da Graça foram de novo pavimentadas em 1934, graças a adjudicação da edilidade  a Artur Fernandes Alves Ribeiro em 24 de maio desse ano.

John Milton (Londres/09.12.1608 – 08.11.1674/Londres), poeta e defensor da República Inglesa é o inscrito nesta rua do Bairro de Inglaterra, paralela à Rua Newton, entre a Rua Cidade de Liverpool e a Rua Cidade de Manchester.

John Milton foi um poeta, polemista republicano, intelectual e funcionário público da Comunidade da Inglaterra sob Oliver Cromwell, servindo como ministro de línguas estrangeiras.  Licenciado pela Christ’s College da Universidade de Cambridge em 1629 e com mestrado de artes em 1632, escreveu panfletos de controversas teológicas (1639) mas 15 dias após a implantação da República publicou uma defesa do acto de execução de Carlos I e outros panfletos que lhe valeram a fama europeia de polemista (1649). Ainda em 1649, foi nomeado Secretário de línguas estrangeiras do Conselho de Estado e apesar de cegar em 1652, cumpriu os seus deveres até à abdicação de Ricardo Cromwell em 1659.  Após a Restauração (1661)  continuou a defender a república e a criticar a monarquia para além de se dedicar ao trabalho literário, com elegias latinas, opúsculos, alegações a favor da liberdade de Imprensa, alguns sonetos e o grande  poema épico Paradise Lost (1667), publicado em 10 volumes.

Freguesias de Arroios e Penha de França (Planta: Sérgio Dias)

Freguesias de Arroios e Penha de França
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua de Sir Newton que esteve para ser de Lord Byron

Freguesia de Arroios (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Arroios
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Newton, começou por ser proposta na reunião de Câmara de 17 de agosto de 1916 como Rua Lord Byron mas no Edital de 24 do mesmo mês passou antes a homenagear Newton, sendo os restantes arruamentos do bairro denominados Rua Cidade de Cardiff, Rua Cidade de Liverpool, Rua Cidade de Manchester e Rua Poeta Milton, ficando assim perpetuadas no Bairro de Inglaterra uma personalidade inglesa das área das ciências e outra da área das letras, para além de três cidades do Reino Unido.

A Rua Newton, que vai da Rua Cidade de Liverpool à Rua de Moçambique, era a Rua Aurora do antigo Bairro Brás Simões, comerciante e proprietário das terras que urbanizou e que crismou as artérias com nomes de familiares seus, como era costume na época antes de entregar os seus arruamentos particulares à Câmara em 13 de outubro de 1913, o que permitiu à edilidade pelo Edital de 24 de agosto de 1916 passar também a Rua Maria Gouveia a Rua Cidade de Cardiff , a Rua José de Sousa a Rua Cidade de Liverpool, a Rua Isabel Leal a Rua Cidade de Manchester e a Rua Margarida a Rua Poeta Milton.

@ NewtonIsaac Newton (Woolsthorpe/25.12.1642 ou 04.01.1643 – 20.03.1726 ou 31.03.1727/Kensington), por muitos considerado o pai da ciência moderna, descobriu a Lei da Gravidade, a fórmula do Binómio, a lei da viscosidade e a natureza corpuscular da luz. Foi um cientista reconhecido como físico, matemático, astrónomo, alquimista, filósofo e teólogo. A sua Principia (Philosophiae Naturalis Principia Matematica), publicada em 1687, onde descreveu a lei da gravitação universal e as suas três Leis – Lei da Inércia, Lei Fundamental da Dinâmica, Lei da Ação-Reação – que fundamentam a mecânica clássica, é reconhecida como das mais influentes na história da ciência.

Newton também foi Professor em Cambrigde, a partir de 1667; um dos dois membros da Universidade no Parlamento, em janeiro de 1689; presidente da Royal Society a partir de 1703 e reeleito ano após ano até falecer; e o primeiro cientista a receber a honra de ser armado cavaleiro (Sir) pela rainha Ana, em 1705.

Freguesia de Arroios (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Arroios
(Planta: Sérgio Dias)

 

A centenária Rua Cidade de Manchester

Freguesias de Arroios e de Penha de França (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias de Arroios e de Penha de França
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Cidade de Manchester nasceu com o Bairro de Inglaterra há 100 anos, pelo Edital de 29 de agosto de 1916, assim como a Rua Cidade de Cardiff, a Rua Cidade de Liverpool, a Rua Newton e a Rua Poeta Milton, sendo significativo ser neste mesmo ano de 1916 que Portugal se aliou à Inglaterra e por isso a Alemanha declarou guerra a Portugal.

A começar na Rua da Penha de França e a terminar na Rua Newton, a Rua Cidade de Manchester era até à publicação do Edital municipal de 29/07/1916 a Rua Isabel Leal do antigo Bairro Brás Simões, edificado pelo comerciante José Brás Simões de Sousa em terras suas, nas encostas da Penha de França.

Manchester é uma cidade do Noroeste da Inglaterra, que se desenvolveu e prosperou aquando da Revolução Industrial já que  aqui foi aplicada a máquina a vapor à indústria têxtil pela primeira vez em 1789. E foi por via da indústria têxtil que no século XIX se tornou a segunda cidade inglesa. Manchester como as outras duas cidades do Reino Unido colocadas na toponímia de Lisboa representavam nesse tempo da I Guerra Mundial exemplos de cidades modernas e a sua inclusão na capital do nosso país reforçava diplomaticamente a antiga aliança de Portugal com Inglaterra.

A Cidade de Manchester nos anos 10 do séc. XX (Foto: s/a, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Cidade de Manchester nos anos 10 do séc. XX
(Foto: sem autor, Arquivo Municipal de Lisboa)

Freguesias de Arroios e de Penha de França (Planta: Sérgio Dias)

Freguesias de Arroios e de Penha de França
(Planta: Sérgio Dias)