A Rua da fidalga fadista Maria Teresa de Noronha

Freguesia da Ajuda (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia da Ajuda
(Foto: Sérgio Dias)

A fidalga Maria Teresa de Noronha que cedo se fez fadista e pela rádio foi divulgada e conhecida como voz do fado aristocrático,  deu nome à Rua 18 do Bairro do Caramão da Ajuda, por Edital de 16/01/1995, a partir da sugestão de uma moção de pesar da Câmara de Lisboa de 7 de julho de 1994,  juntando-se neste bairro à Rua Hermínia Silva, que desde o Edital de 31/08/1993 tinha passado a ser o topónimo da antiga Rua 15.

A escassez de novas artérias em Lisboa no início da década de noventa do séc. XX, fez com que a edilidade aproveitasse as ruas de denominação numérica e as renomeasse. Assim, a Rua Teresa de Noronha foi atribuída na Rua 18 do Bairro do Caramão da Ajuda, sendo acompanhada no mesmo Edital pela Rua Irene Isidro – Actriz/1907 – 1993  (Rua 16), a Rua Jorge Brum do Canto – Cineasta/1910 – 1994  (Rua 19) e a Rua dos Cravos de Abril (Rua 17), uma homenagem ao 25 de Abril de 1974.

Maria Teresa do Carmo de Noronha de Guimarães Serôdio (Lisboa/07.11.1918 – 04.07.1993/Sintra) foi uma fadista do fado clássico e castiço, sendo considerada uma voz do fado aristocrático, que se notabilizou arredada do circuito das casas de fado mas antes transmitida ao vivo pela rádio.  Decidiu retirar-se da vida artística em 1962 com uma grandiosa festa de homenagem mas pontualmente, terá feito aparições públicas sendo a última  em 1974, em Cascais, onde fora ouvir Manuel de Almeida e este lhe pediu que cantasse.

Maria Teresa de Noronha (ou Baté para os amigos) teve educação musical de piano e canto e desde nova cantava em festas da família e de amigos. Era descendente dos Condes de Paraty, filha de D. António Maria Sales do Carmo de Noronha e de D. Maria Carlota Appleton de Noronha Cordeiro Feio e pelo casamento, a 17 de dezembro de 1947, com o conde José António Barbosa de Guimarães Serôdio, guitarrista amador e compositor, tornou-se Condessa de Sabrosa. Pelo seu irmão foi tia do fadista Vicente da Câmara.

Em 1938, a fadista começou a fazer-se ouvir num programa quinzenal na Emissora Nacional que se manteve em emissão durante 23 anos consecutivos. Era apresentado pelo seu irmão D. João da Câmara e composto por quatro fados e uma guitarrada. Maria Teresa de Noronha era acompanhada pelo guitarrista Fernando Freitas e pelo violista Abel Negrão. Com o seu timbre peculiar ousou cantar temas do fado de Coimbra numa altura em que apenas as vozes masculinas eram suposto fazê-lo. Entre os diversos instrumentistas que a acompanharam nos seus programas, destaque-se o guitarrista Raúl Nery que com ela colaborou ao longo de vinte anos, nomeadamente na deslocação a Espanha em junho de 1946, no Festival da Feira do Livro de Barcelona e em Madrid, no Hotel Ritz, a convite do Governo espanhol . Em 1949, Maria Teresa de Noronha também viajou até ao Brasil, por ocasião da voo de inauguração entre Lisboa e o Rio de Janeiro. Em 6 de maio de 1957,  cantou no banquete oferecido ao Prefeito da Baía, no Castelo de São Jorge, pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Álvaro Salvação Barreto. Na década de sessenta interpretou fado para a família real do Principado do Mónaco e em 1964, deslocou-se a Londres para espetáculos na Embaixada e na Casa de Portugal, bem como na BBC (rádio e televisão), acompanhada pelo conjunto de guitarras de Raúl Nery.

O primeiro álbum de Maria Teresa de Noronha,  O Fado dos Cinco Estilos, foi gravado em 1939 na antiga Emissora Nacional, seguindo-se com alguma regularidade mais alguns exemplares no formato 78 RPM,  até editar o seu último LP em 1972. Duas das apresentações de Maria Teresa de Noronha em programas da RTP (em 1959 e em 1968) foram editados mais tarde  numa cassete video sob o título Recordando Maria Teresa de Noronha e um álbum dos seus maiores êxitos saiu na Valentim de Carvalho em 1993.

Maria Teresa de Noronha baseou o seu repertório nos fados castiços que mais apreciava, em detrimento do fado canção, interpretando poemas muitas vezes recolhidos no seu universo familiar, como é o caso dos temas Fado das Horas, Fado da Verdade, Sete Letras e Fado de Rio Maior, todos da autoria de D. António de Bragança. A fadista tornou grandes êxitos populares o Fado Corrido,  o Fado Hilário e o Fado Anadia, que na sua voz e dicção perfeita ganhavam uma qualidade de interpretação que rivalizava com os temas mais populares do seu repertório, caso de Minhas Penas ou Pintadinho.

Freguesia da Ajuda (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia da Ajuda
(Planta: Sérgio Dias)

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