A Rua Maestro Frederico de Freitas, autor do fado Rua do Capelão

Freguesia de São Domingos de Benfica                                             (Foto: Sérgio Dias| NT do DPC)

O Maestro Frederico de Freitas, autor das partituras dos filmes A Severa (1931) e Fado (1948), passou a ser o topónimo de uma Rua de São Domingos de Benfica três anos após o seu falecimento, sendo o 1º filme sonoro português sobre a 1ª fadista que o tornou popular e nele pontuou o seu fado Rua do Capelão, ainda hoje uma memória muito presente no imaginário português.

A Rua Maestro Frederico de Freitas, que une a Rua Cidade de Rabat  à Rua Augusto Pina, foi atribuída pelo Edital municipal de 11 de novembro de 1983 na Rua 2 (entre a Rua Augusto Pina e a Rua dos Soeiros), também identificada como Prolongamento da Rua Augusto Pina, artéria onde desde 1972 estava sediada a então Escola Preparatória Prof. Delfim Santos, a partir de uma solicitação da Sociedade Portuguesa de Autores, que além do nome de Frederico de Freitas propôs os escritores Pedro Bandeira e José Galhardo, assim como o ator Paulo Renato, tendo sido todos incluídos no mesmo Edital.

Frederico Guedes de Freitas (Lisboa/15.11.1902- 12.01.1980/Lisboa) notabilizou-se como compositor, maestro, pedagogo, musicólogo e crítico musical. Revelou-se um músico abrangente e eclético, do fado à música erudita. Somou música erudita, como por exemplo, Concerto para Flauta,  Hino Asas AtlânticasMissa SoleneQuarteto ConcertanteRibatejo  ou Suite Medieval, com música produzida para cinema, teatro ou dança. Adicionou ao património musical português tanto música de câmara como Quinteto de sopros ou Dez Canções Galegas como música sinfónica ( A Lenda dos BailarinosSuite Africana ou Sinfonia Os Jerónimos ), música para comédias, óperas, operetas, revistas (1927 – 1937) e até filmes como Pátio das Cantigas ou As Pupilas do Senhor Reitor (de Leitão de Barros como A Severa), de 1930 e até 1947, fazendo música tanto destinada ao público do Parque Mayer como ao do Teatro Nacional de São Carlos.

Funcionário da  Emissora Nacional entre 1935 e 1975, como Segundo Maestro da Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional,  tanto colaborou em 1940 nas comemorações da celebração do Estado Novo  como esteve na fundação da Sociedade Coral de Lisboa (1940-1949) para apresentação de obras do repertório coral sinfónico. Depois, na Orquestra Sinfónica do Conservatório de Música do Porto (1949-1953), dirigiu as primeiras audições no Porto de obras de Fernando Lopes Graça, um resistente musical durante o Estado Novo. Acresce que Frederico de Freitas foi o compositor português de música sacra mais destacado do século XX, autor de As Sete Palavras de Nossa Senhora, tal como foi o responsável por orquestrar A Portuguesa e Grândola Vila Morena. A sua versatilidade revela-se no índice do seu catálogo musical que junta Bailado, Música de Câmara, Música para Cinema, Música Coral, Harmonizações, Hinos, Música para Instrumento Solista, Música de Cena, Ópera, Opereta, Música Sinfónica, Orquestrações, Música de Teatro de Revista, Vaudeville, Voz e Piano. Registe-se ainda que Frederico de Freitas também exerceu  funções de chefe de orquestra no Brasil, na Bélgica, em Espanha, França, Holanda, Itália e Suíça.

Frederico de Freitas  foi  ainda docente de Canto Coral, a partir de 1924, no Liceu Camões (onde fora aluno em 1913 e 1914) e no Liceu Gil Vicente, assim como desde  1967, ensinou Composição, Contraponto e Fuga no Centro de Estudos Gregorianos de Lisboa. Na dança, também trabalhou como diretor musical e compositor na Companhia de Portuguesa de Bailado Verde Gaio fundada pelo Secretariado de Propaganda Nacional/SPN (1940 – 1950), assim como compôs música para dança para o seu amigo de juventude e coreógrafo Francis Graça durante a década de 1940. Somou ainda a direção musical da delegação portuguesa da His Master’s Voice na transição para a década de 1930 e a função de crítico musical no jornal Novidades, sendo ainda autor de vários estudos como «O fado, canção da cidade de Lisboa» ou «O fado veio do Brasil».

Refira-se que Frederico havia iniciado os seus estudos de música com a sua mãe, a pianista Elvira Cândida Guedes de Freitas e a partir de 1915 no Conservatório Nacional em Lisboa. Morou na Rua do Prior Coutinho, entre a Rua de Santa Marta e a Rua do Passadiço. Em 1918, aos 16 anos, compôs as suas primeiras obras – Duas Ave Marias –, cuja primeira audição pública ocorreu em 1922.  Concluiu o curso de Composição no Conservatório Nacional em 1925, e foi seleccionado para Pensionista do Estado no estrangeiro nesse mesmo ano, o que lhe possibilitou a realização de viagens a vários países europeus em 1927 e 1928.

Foi um dos mais empenhados membros da Sociedade Portuguesa de Autores, em cuja fundação participou quando tinha 23 anos (era então denominada Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses) e da qual foi mais tarde Presidente de Honra. Frederico de Freitas foi também agraciado, por ordem cronológica, com  Prémio da CML para a Sonata Violino e Violoncelo (1924), o Prémio Nacional de Composição Carlos Seixas (1926), o Prémio de Composição Domingos Bomtempo ( 1935), a Comenda de Santiago de Espada (1967), o seu nome dado ao Auditório da SPA (1981).

Em 2010,  o espólio do compositor Frederico de Freitas foi doado à Universidade de Aveiro pela filha do compositor, Elvira de Freitas, tendo dois anos depois sido também instituído o Prémio de Interpretação Frederico de Freitas/Universidade de Aveiro.

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias| NT do DPC)

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