Maria Albertina, voz do vira Tricanas de Ovar e do fado de Lisboa, numa rua do Bairro da Cruz Vermelha

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

A partir de uma solicitação do Grupo Folclórico As Tricanas de Ovar,  a edilidade promoveu a junção da Rua  C com o Largo C do Bairro Municipal da Cruz Vermelha, na freguesia do Lumiar, para fazer nascer a Rua Maria Albertina, cerca de três meses após o falecimento desta cantora, conhecida tanto por interpretar viras como As Tricanas de Ovar como por fado de Lisboa, mas também  famosa em Lisboa por integrar o elenco de operetas e revistas.

A Rua Maria Albertina, foi atribuída pelo Edital municipal de 25 de junho de 1985, com a legenda «Cantadeira/1909 – 1985», e  nos dias de hoje liga a Rua Maria Margarida à Avenida David-Mourão Ferreira. Na época da atribuição deste topónimo, o Bairro Municipal da Cruz Vermelha – nascido em janeiro de 1967- era conhecido popularmente como o Bairro das Marias já que contava em exclusivo com topónimos com «Maria»: a Rua das Duas Marias, a Rua das Três Marias, a Rua das Quatro Marias, a Rua das Cinco Marias e o Largo das Seis Marias, bem como as Ruas Maria Emília, Maria Teresa, Maria Helena, Maria Ribeiro, Maria Carlota e Maria Margarida, de que hoje apenas restam estas duas últimas. Mantendo a tradição, a edilidade lisboeta acrescentou no ano 2000 mais três topónimos com Maria, e todos ligados ao Fado: Rua Maria Alice, Rua Maria do Carmo Torres e Rua Maria José da Guia.

A fadista  Maria Albertina Soares de Paiva (Ovar/05.01.1909- 27.03.1985/Lisboa),   conhecida simplesmente como Maria Albertina, viveu grande parte da sua vida na capital, onde o seu talento de cançonetista e de intérprete de opereta e de revista atingiu assinalável êxito.

Maria Albertina começou por cantar Fado de Coimbra ainda na sua terra natal e após ter sido descoberta pelo maestro Macedo de Brito, estreou-se como cantadeira em Lisboa, em 16 de julho de 1931,  no Teatro Maria Vitória, na opereta História do Fado,  ao lado de Berta Cardoso e Maria das Neves. Logo no ano seguinte ganhou em julho o prémio Guitarra de Ouro, num concurso organizado pelos jornais Diário de Notícias e O Século no Capitólio tal como em setembro alcançou o prémio  Capacete de Ouro; em 1936 venceu o concurso Qual a mais famosa artista do teatro português? e ainda conseguiu o título de Melhor cantadeira  num concurso da Rádio Luso. Ainda nos anos 30 inaugurou o Retiro da Severa no Luna Parque e em 1934 tornou-se também atriz na revista Vista Alegre, na qual encenou com Carlos Ramos o célebre quadro de Malhoa O Fado, a que se seguiram em 1935 os sucessos de Viva a folia!,  Bola de neveO RapaSardinha assada e no ano seguinte, À vara largaFeira de Agosto, a opereta Coração de AlfamaHá festa na MourariaMaria RitaÁgua vai em 1937.

Cantou também nos teatros Ginásio, Maria Vitória, no Grémio Alentejano e no Maxim’s, no Solar da Alegria e no Salão de Chá do Café Chave d’Ouro, em esperas de touros em Vila Franca de Xira, e também em casas particulares como a da Duquesa de Palmela, do banqueiro Ricardo Espírito Santo e nos palácios do Conde da Torre e de Fontalva, para além de digressões pelo Brasil, Argentina, Espanha, E.U.A, Canadá e Paris.

Os seus maiores sucessos musicais foram Voz do Povo,  Fado Meu Filho e Bailarico Saloio e sobretudo,o vira  Tricanas de Ovar (de Aníbal de Nazaré e de Lopes Costa) criado para o teatro de revista e que em 1966 o  locutor Jorge Alves exibiu no programa da RTP Melodias de Sempre.  Em 1998, foi editado em CD uma compilação de 16 faixas  das suas músicas.

Em 1941 Maria Albertina entrou na Grande Marcha de Lisboa e a partir da década 60, e durante mais de 20 anos, cantou no Restaurante Típico O Faia, na Rua da Barroca nºs 54-56, no Bairro Alto.

No cinema, participou em A Canção de Lisboa (1933) de Cottinelli Telmo, cantando o fado mouraria Fado dos beijos quentes; em Bocage (1936) para cantar Bailarico Saloio e ainda integrou o elenco de Vendaval Maravilhoso (1949), ambos filmes de Leitão de Barros.

Refira-se finalmente que Maria Albertina foi mãe do locutor Cândido Mota.

Freguesia do Lumiar (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

 

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